"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 09, 2013

SOB "CONTROLE III ! PETEBRAS : Alta do dólar pressiona combustíveis

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A disparada do dólar frente o real fará um estrago cada vez maior no caixa da Petrobras. Apesar de a moeda norte-americana já estar rodando na casa de R$ 2,30, com possibilidade de caminhar até os R$ 2,40 nos próximos meses, o governo decidiu segurar, o quanto puder, o reajuste dos preços dos combustíveis para não pressionar a inflação.

Com o consumo interno de gasolina em alta e sem capacidade de ampliar a produção na velocidade necessária, a estatal vem importando, mês a mês, volumes recordes de combustíveis por valores muito superiores aos que vende no Brasil. Segundo projeções do mercado, a Petrobras estaria arcando com prejuízo de R$ 0,89 por litro de gasolina vendido nos postos.

Se os preços fossem ajustados de acordo com o mercado internacional, o consumidor pagaria, hoje, R$ 3,88 por litro ante os atuais R$ 2,99. Encher um tanque de um carro popular subiria de R$ 120 para R$155,20.

Diante da promessa da presidente Dilma Rousseff de manter a inflação até o limite máximo de 6,5% neste ano, pois teme perder ainda mais popularidade, já que a disparada de preços mina a confiança de empresários e consumidores, a Petrobras terá de operar milagres para tocar o seu ambicioso programa de investimentos até 2016, de US$ 236,5 bilhões.

"A inflação vem caindo há três meses, chegando a 0,03% em julho. Mas ainda estamos longe de respirar aliviados. Em 12 meses, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 6,27%. É muito. Então, não podemos mexer nos combustíveis agora, porque o impacto na inflação é grande", disse um especialista do Ministério da Fazenda.

Pelas contas de integrantes da equipe econômica, se o governo zerasse toda a defasagem dos preços dos combustíveis, o IPCA fecharia 2013 entre 6,6% e 6,8% — acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — e não abaixo dos 5,84% de 2012, conforme promessa do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

"Quando a gasolina e o diesel ficam mais caros, o frete de alimentos sobe, assim como outros itens que sofrem influência do derivado do petróleo. Os aumentos são sempre repassados ao consumidor", ressaltou o mesmo especialista da Fazenda, lembrando que, nem com a Cide, o imposto sobre combustíveis, o governo pode contar mais, já que foi zerado para compensar reajustes anteriores.

Desastre
Nos cálculos de André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, se a Petrobras corrigisse a gasolina e a equiparasse aos preços internacionais, "seria um desastre para o IPCA". "Supondo que mais nada subisse em agosto e o combustível fosse reajustado em 30%, a inflação do mês seria de 1,23%", ponderou.

"Por isso não há a menor chance de o governo corrigir isso agora. A Petrobras vai continuar no prejuízo", sentenciou.

Na semana passada, em reunião de analistas com o secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland, da qual Perfeito participou, uma das cobranças feitas ao governo foi a correção dos valores dos combustíveis.

Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), explicou que a gasolina vendida no Brasil está 30% mais barata que no exterior. No caso do diesel, a defasagem chega a 28%. Ele destacou que a Petrobras está perdendo duas vezes. Além de vender a produção por um valor inferior ao que poderia ser obtido no mercado externo, tem prejuízo na importação de gasolina.

"Tudo isso pode atrapalhar os investimentos no pré-sal. A Petrobras está obrigada a arcar com 30% deles", disse Almeida. "Isso significa que a Petrobras bancará essa bondade (preço de gasolina mais baixo) com prejuízo na distribuição", emendou.

De janeiro a julho deste ano, a importação de petróleo e derivados chegou US$ 21,3 bilhões — valor já descontado os US$ 4,5 bilhões de compras feitas em 2012 e registradas apenas neste ano.

Um técnico da petroleira afirmou que o dólar tem deixado a companhia em estado de alerta. A empresa, de acordo com ele, trabalhava com um dólar máximo de R$ 2,25 para o ano.

"O problema é que a moeda já bateu em R$ 2,30 e estourou esse nosso limite", disse. Não à toa, o mercado espera que a Petrobras divulgue hoje lucro líquido entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões no segundo trimestre, inferior aos ganhos de R$ 7,7 bilhões entre janeiro e março.

Poderia ser pior.
Se não tivesse mudado as regras para o seu balanço, diluindo o impacto do dólar ao longo de sete anos, a estatal teria prejuízos de abril a junho, como ocorreu em igual período de 2012.

Ontem, o BC interveio no mercado de câmbio para segurar o dólar, vendendo US$ 630,9 milhões. Ajudada pelas boas notícias vindas da China, a autoridade monetária conseguiu garantir queda de 1,17%, com a moeda norte-americana cotada a R$ 2,286 para venda.

"A tendência, no entanto, continua sendo de alta do dólar, esse movimento de recuo é pontual", constatou Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora.


Correio Braziliense

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