"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 08, 2012

brasil SEGUE MUDANDO ! VEM AÍ MAIS "BOLSA" - EM TEMPO DE ELEIÇÕES : INSTIGAÇÃO ELEITOREIRA. É ASSIM QUE ELES "GOVERNAM".

A dois meses do início das eleições municipais, o Palácio do Planalto lançará no fim de semana uma ampliação do programa Bolsa Família tendo como foco famílias do Norte e do Nordeste.

Nas duas regiões, a presidente Dilma Rousseff teve quase 12 milhões de votos a mais do que José Serra (PSDB) nas eleições de 2010 — nas outras três, a vantagem foi inferior a 300 mil votos.


Com o nome guardado em sigilo pelo governo, o Brasil Carinhoso garantirá renda mínima de R$ 70 para cada membro de famílias extremamente pobres, desde que tenham ao menos uma criança menor de 6 anos.

O programa será anunciado em rádio e tevê, durante horário nobre, em homenagem ao Dia das Mães. Em princípio, o Brasil Carinhoso terá três eixos. O primeiro é o reforço ao Bolsa Família.

O segundo será a ampliação dos programas de saúde para crianças de até 6 anos — com controle de anemia e de suplementação de vitamina A —, além da inserção de remédios gratuitos para asma em unidades do Farmácia Popular.


Por último, o aumento do acesso de crianças de famílias extremamente pobres a creches. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, apenas 3,6% das pessoas na primeira infância inscritas no Bolsa Família frenquentam creches.

As ações terão mais impacto justamente nas regiões que mais contribuíram para a vitória de Dilma em 2010:
cerca de 70% das crianças em situação de pobreza absoluta vivem no Norte e no Nordeste. A sigla do programa Ação Brasil Carinhoso, ABC, também é defendida pelo Planalto como uma “cartilha” de como cuidar do Brasil sem Miséria.
O programa atingiria 4 milhões de famílias inscritas no Bolsa Família. No ano passado, o benefício foi reajustado em cerca de 19%, em média, e o anúncio foi feito no interior da Bahia.

Os investimentos previstos para o Brasil Carinhoso serão feitos em parceria dos governos federal, estaduais e municipais. A ampliação do acesso das crianças do Bolsa Família à creche se dará principalmente com a construção de novas unidades — os recursos necessários ainda não foram fechados — e parcerias com instituições públicas e privadas.

A promessa do governo é 6 mil instituições até 2014, ao custo previsto de R$ 7,6 bilhões.

Projeto

O lançamento do Brasil Carinhoso a dois meses das eleições contribui para o projeto governista de expansão no Nordeste e no Norte. Atualmente, as duas regiões têm cinco governadores de oposição, em Alagoas, Pará, Roraima, Rio Grande do Norte e Tocantins, contra 11 governistas.

Nas 16 capitais do Norte/Nordeste, o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, tem apenas cinco prefeitos. Os aliados de primeira ordem PSB e PCdoB somam três.


A ideia do governo federal é avançar sobre o espaço ocupado por siglas independentes, que têm seis prefeituras:
PTB (três),
PP (duas)
e PDT (uma);
e de oposição, no caso o PSDB, com uma.
Embora faça parte da base, o PV é adversário do Planalto em Natal.

Oposição

As eleições de 2010 reduziram o espaço da oposição especialmente nos estados nordestinos, onde apenas Teotônio Vilela (PSDB), em Alagoas, e Rosalba Ciarlini (DEM), no Rio Grande do Norte, conseguiram fazer frente à máquina eleitoral governista. Em comparação com o pleito de 2006, os oposicionistas perderam um estado.

Na ocasião, haviam sido eleitos Jackson Lago (PDT-MA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Teotônio Vilela. Os dois primeiros, no entanto, foram cassados por irregularidades nas eleições.

Eixo de ações
Confira as iniciativas previstas pelo programa Brasil Carinhoso

Renda mínima

O governo garantirá um orçamento mínimo de R$ 70 por membro familiar para os extremamente pobres que tiverem pelo menos uma criança menor de 6 anos.

Saúde

Ampliação de programas já previstos para crianças de até 6 anos, controles de anemia e de suplementação de vitamina A e disponibilização de remédios gratuitos para asma em unidades da farmácia popular.

Creches

Investimentos para a ampliação do número de creches com foco nas famílias atendidas pelo Bolsa Família. A ideia do governo é 6 mil unidades até 2014.

R$ 7,6 bilhões

Custo das 6 mil creches que o governo pretende inaugurar até 2014

IVAN IUNES Correio Braziliense

BRIGA DE "CAVALO" GRANDE E BANCOS REAGEM A DILMA E NÃO GARANTEM CRÉDITO MAIOR


Uma semana depois de terem se transformado em alvo da artilharia da presidente Dilma Rousseff para reduzir os juros, os bancos reagiram. Na véspera do Dia do Trabalho, a presidente foi à TV no horário nobre e criticou a "lógica perversa" do sistema financeiro, chamou de "roubo" as tarifas cobradas para administrar fundos de investimento e pediu queda urgente das taxas cobradas a consumidores e empresas.

Ontem, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), enfim, se pronunciou.
E não hesitou em apelar para a metáfora:

"Alguém já disse que você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber a água", escreveu Rubens Sardenberg, economista-chefe da federação, que divulgou ontem um relatório e pôs em dúvida a eficácia das medidas oficiais para estimular a concessão de empréstimos e aquecer a economia. Interlocutores da presidente Dilma reagiram com ironia ao relatório.
Ao ouvir a frase, um técnico rebateu:


- Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas ele também pode morrer de sede.

Para a Febraban, não há garantia de uma "ampliação significativa da oferta de crédito doméstica" nos próximos meses, apesar do cenário de queda acelerada da taxa básica de juros, a Selic. Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que "o crédito não está crescendo a contento" e que os "bancos são um pouco resistentes".

Intitulado "Informativo Semanal de Economia Bancária", o relatório é o resultado de uma consulta feita pela própria Febraban junto aos bancos sobre as principais estimativas dos bancos. No texto divulgado ontem, não há menção sobre a pressão do governo. O texto de Sardenberg diz que "a mudança nas regras da poupança funcionou como estímulo adicional para o mercado trabalhar com a expectativa de novos cortes na Selic".

Mas, em seguida, pondera que a "questão que se coloca agora é até que ponto essas reduções (de juros e da remuneração da poupança) vão estimular a ampliação da oferta de crédito". Para a Febraban, o país vive hoje um paradoxo econômico, que funciona como obstáculo para os objetivos do Planalto.

"A piora dos indicadores, especialmente os externos, abre espaço para quedas adicionais dos juros básicos, mas ao mesmo tempo parece impor uma cautela adicional aos agentes econômicos".

Desgaste com lista de reivindicações

Os dados de inadimplência nos empréstimos, que se refletiram nos balanços do primeiro trimestre dos grandes bancos, preocupam os banqueiros em relação ao aumento da concessão do crédito. Há ainda outro fator, que é a expectativa de a Selic voltar a subir em 2013, o que também inibiria a expansão das carteiras.

"É possível criar condições mais favoráveis à expansão do crédito reduzindo as taxas básicas, mas uma ampliação efetiva das operações passa por uma postura mais agressiva, tando dos emprestadores como dos tomadores de crédito, que por sua vez depende de expectativas econômicas mais otimistas".

Pela pesquisa que acompanha o relatório, os bancos reduziram sua projeção para a expansão da carteira de crédito neste ano: de 16,6%, no levantamento feito no mês passado, para 16,2%. Quanto à trajetória da Selic, 59,3% dos economistas consultados pela Febraban esperam que a taxa básica de juros (em 9% ao ano) volte ao patamar de 10% em dezembro de 2013.

Para a equipe econômica, as taxas de juros atuais são incompatíveis com as condições de solvência da economia e deveriam se equiparar ao padrão internacional de taxa. Os bancos públicos foram escolhidos como ponta-de-lança dessa disputa. Só o Banco do Brasil já anunciou três mudanças de juros desde o mês passado.

Um fator adicional de estresse entre bancos e governo, segundo analistas, é o desgaste do presidente da Febraban, Murilo Portugal. Em reunião em abril, Portugal disse que a redução mais rápida das taxas de juros dependeria de vários outros pontos, como a queda da inadimplência e a redução dos compulsórios (dinheiro que os bancos têm de repassar ao BC). Para o governo, essa postura mostrou que os bancos não querem reduzir margens de lucro:

- Quem apresenta uma lista com duas demandas quer resolver um problema. Já quem apresenta uma lista com 23 não quer tratar de nada, apenas criar dificuldades - disse um interlocutor da presidente.

Portugal participou ontem de um seminário, mas não falou sobre juros. Procurada para comentar o relatório do seu economista-chefe, a Febraban disse que não se pronunciaria.

Oficialmente, o Planalto preferiu não comentar o relatório, mas reservadamente os técnicos destacam que, embora a presidente esteja travando uma queda de braço pela redução dos spreads, das tarifas e pelo aumento do crédito, ela sabe que não há como obrigar os bancos a fazerem isso.

- O que vai fazer os bancos agirem é o próprio mercado - disse uma fonte.


Roberta Scrivano Martha Beck O Globo

maio 07, 2012

O brasil maravilha SEGUE MUDANDO : ENTRAMOS NO "ESPETÁCULO DO LIMITE DO CRESCIMENTO"


O governo lançou sua ofensiva contra os juros - que, na semana passada, vitimou os rendimentos das cadernetas de poupança - num momento em que começaram a ficar evidentes as dificuldades para o país crescer neste ano.
A cruzada mostrou-se oportuna:
acabou servindo para desviar o foco do limite do PIB brasileiro. Mas ele continua aí.

A gestão Dilma Rousseff estreou 2012 falando num crescimento robusto, em torno de 5%. Aos poucos foi colocando a viola no saco e passou a mirar em 4,5%. Oficialmente, esta ainda é a meta de expansão do PIB neste ano.
Mas, possivelmente, ninguém além de Guido Mantega acredita na sua consecução.

Para chegar a este resultado, a economia brasileira deveria ter crescido 1% nos primeiros três meses do ano. Entretanto, a maior parte das estimativas feitas por analistas dá conta de que o país só avançou à metade disso - oficialmente, só será possível confirmar os prognósticos dentro de um mês, quando o IBGE divulgar o PIB do primeiro trimestre.

Nestes pouco mais de quatro meses do ano, a economia só rendeu notícia ruim. Os motores da indústria continuam em marcha a ré, o outrora dinâmico comércio exterior perdeu fôlego e os investimentos públicos mantiveram-se a miragem de sempre. Há, ainda, o consumo acelerado, é verdade, mas um país não se constrói apenas com shopping centers.

O ritmo do primeiro trimestre, se mantido, só será suficiente para fazer o país expandir-se 2% até dezembro. Ninguém, em sã consciência, aposta em algo muito acima de 3%. Ou seja, nos aguarda neste ano a repetição do Pibinho de 2011.
Pelo jeito, a presidente da República ainda terá que suar muito a camisa para entregar o crescimento espetacular que prometeu.

Algum alento só deve surgir no segundo semestre, se é que surgirá. As indústrias, por exemplo, demorarão mais que o previsto para religar as máquinas. Primeiro, porque ainda não superaram a fase de encolhimento:
nos primeiros três meses do ano, a produção diminuiu 3% frente ao mesmo período de 2011.
Segundo, porque estão abarrotadas de estoques, como mostrou O Estado de S.Paulo ontem.

Setores importantes como automóveis, confecções e materiais de construção estão com excesso de mercadorias armazenadas nos galpões. Isso significa que, para retomar a produção com ímpeto, terão, antes, de desovar o que está guardado.
Por aí se vê que o caminho da retomada da economia tende a ser lento e penoso.

Outro termômetro do esfriamento geral é o que acontece no comércio exterior. Em abril, as exportações caíram 8% em relação ao mesmo mês de 2011. Foi a primeira queda neste tipo de comparação desde novembro de 2009, informa hoje o
Estadão.

Pelas estimativas oficiais, neste ano as exportações brasileiras devem crescer 3%, bem abaixo dos 27% do ano passado. A previsão é de que o país produza um superávit magro, de cerca de US$ 3 bilhões.

Será uma reversão e tanto em relação aos últimos resultados:
em 2006, o saldo foi o maior da história, US$ 46,6 bilhões, e no ano passado ainda se sustentava em US$ 29,8 bilhões.

"A letargia da atividade econômica vai além de um fenômeno cíclico. Há esgotamento do modelo de crescimento baseado no crédito ao consumo e na alta de preços das commodities exportadas", comenta a Folha de S.Paulo em editorial na edição de hoje.

Na semana passada, Dilma Rousseff elencou o que considera os três maiores problemas da economia brasileira hoje: juros, câmbio e impostos. Os primeiros têm caminho livre para uma baixa histórica depois da tunga na poupança.
O segundo melhorou, mas ainda não é suficiente para reanimar o comércio com o exterior. Os terceiros continuam nas alturas.

Para ressuscitar a economia, não bastará o governo mexer apenas algumas peças do tabuleiro. A mudança tem de ser mais profunda, a fim de criar ambiente favorável a um novo círculo virtuoso de crescimento, com equilíbrio.

Por ora, as soluções são limitadas e capengas.
A desaceleração é prova evidente disso.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O limite do crescimento

maio 06, 2012

BRASIL REAL do brasil maravilha SEM "MARQUETINGUE"


O lento ajuste dos estoques nas fábricas, provocado pela redução na demanda doméstica e nas exportações, deve adiar a retomada da produção da indústria para o segundo semestre. Em abril, um terço dos 31 ramos industriais mais importantes estava com estoques excessivos, revela a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Dos dez setores, que incluem desde carros e confecções até materiais de construção, seis deles estavam superestocados em setembro de 2011 e continuavam com volume excessivo de produtos no mês passado.

Nem mesmo as decisões tomadas pelo governo para acelerar a economia - como o corte nos juros básicos em 3,5 pontos desde julho de 2011, a reversão das medidas macroprudenciais no fim do ano passado e a tentativa de desobstruir o crédito aumentando a oferta de financiamento mais barato nos bancos oficiais - surtiram efeito até agora para impulsionar a atividade, observa o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

Em março, a produção industrial decepcionou:
caiu 0,5% em relação a fevereiro e 2,1% ante março de 2011. Foi a sétima queda anual seguida. De olho nos resultados pífios, o Banco Central mudou o discurso na última ata do Copom em relação à anterior e deixou em aberto a possibilidade de continuar a cortar os juros para acelerar a atividade.

No mês passado, quase 70% dos fabricantes de resinas, produto intermediário usado por outras indústrias e que funciona como termômetro de vários setores, tinham estoques excessivos, aponta a FGV. A pesquisa ouviu 1.114 empresas da indústria de transformação como um todo.

Os estoques também pesam no segmento de materiais de construção. Cerca de um terço (32,2%) dos fabricantes de produtos metalúrgicos para construção e 29,2% das indústrias de minerais não metálicos acumulam volumes indesejáveis de produtos.

O quadro se repete entre os fabricantes de ônibus e caminhões, confecções, automóveis, embalagens plásticas, nos quais a fatia de empresas superestocada é de :
25,1%,
24,1%,
13,6%
e de 11,9%, respectivamente.

"A indústria só vai acelerar a produção se a demanda melhorar e os estoques diminuírem", diz o coordenador técnico da sondagem, Jorge Ferreira Braga.

O encalhe é confirmado pelos fabricantes. Roberto Chadad, presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), que representa 25 mil confecções, diz que sobra produto no segmento popular, cujo estoque equivale a 45 dias de venda.

"O quadro é preocupante", afirma Walter Cover, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat).
Ele diz que o desempenho do quadrimestre veio abaixo do esperado. Cresceu 3% em relação a 2011 e a expectativa era 5%.

"Num primeiro momento, os estoques sobem. O passo seguinte é reduzir produção."

Márcia De Chiara/O Estado de S. Paulo

"PRESIDENTA" PALADINA DA ENGANAÇÃO : "O discurso é mais bonito do que a prática" E Crédito no Brasil continua travado, dizem empresários.

A investida recente do governo de usar os bancos oficiais, Caixa e Banco do Brasil, para desencadear um movimento de corte nos juros ao consumidor e provocar migração de clientes entre instituições financeiras, na expectativa de trocar uma dívida cara por outra mais barata, teve até agora pouco resultado prático.

"O crédito continua muito travado. Não sentimos os efeitos do corte nos juros. O discurso é mais bonito do que a prática", afirma Jorge Letra, copresidente da Dicico, rede de 55 lojas de materiais de construção.

O empresário tem fortes argumentos para avaliar a falta de impacto do corte dos juros dos bancos oficiais nas vendas. É que a sua rede tem um cartão próprio compartilhado com o Banco do Brasil.

Além disso, o Construcard, o cartão da Caixa usado para parcelar a compra de material de construção, é um importante instrumento de financiamento das vendas.


"No cartão da Dicico, a restrição do crédito continua a mesma dos últimos meses", diz Letra. E o corte dos juros não aconteceu, relata o executivo.

Tanto é que, para driblar a falta de crédito, as vendas por ocasião do Mega Feirão, que a empresa realiza desde quinta-feira e vai até quarta-feira, poderão ser parceladas em dez vezes sem juros em todos os cartões de crédito. "Estamos dando o crédito por conta própria."


Vendas

Também os dados de consultas para vendas a prazo da Associação Comercial de São Paulo indicam que o ritmo do varejo continua moderado, com alta de 3,1% nas consultas para o crediário em abril, na comparação com o mesmo mês de 2011.

Pelo lado da migração dos clientes com dívidas com o sistema financeiro, os resultados foram inexpressivos. Números do Banco Central (BC) mostram que em abril foram realizadas 27.128 operações de portabilidade, isto é, clientes transferindo a dívida de um banco para outro.

As cifras transferidas no mês entre as instituições financeiras foram de R$ 208,8 milhões. O número de operações de portabilidade em abril foi 17,3% menor do que em março e 5% abaixo de abril do ano passado. Em valores monetários, as quedas foram de 21,3% e de 0,28%, respectivamente, nas mesmas bases de comparação.


O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, aponta os fatores que, na sua avaliação, impedem que o afrouxamento da política monetária surta o efeito desejado para acelerar o consumo e, na sequência, a produção da indústria.

Do lado consumidor, o economista aponta o elevado comprometimento da renda disponível com o pagamento de dívidas, que hoje está em 22%, o maior nível desde 2005, segundo dados do BC. Em países como os Estados Unidos, esse índice está em 15%.

Do lado dos bancos, a inadimplência está elevada, especialmente nos financiamentos de veículos, o que não permite o afrouxamento do dos critérios de concessão.
"Não tem mais o oba-oba do crédito tanto da parte da demanda quanto da oferta", diz Borges.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PURA EXPIAÇÃO ! O ÓDIO E O RANCOR DO CACHACEIRO PARLAPATÃO E O SEU FOMENTO À HIPOCRISIA ,IMPIEDADE E INJUSTIÇA.



Eu não gosto da expressão “passar a história a limpo”.
Tem apelo inequivocamente totalitário.
Fica parecendo que vivemos produzindo rascunhos e que a história verdadeira nos aguarda em algum lugar. Para tanto, teríamos de nos submeter às vontades de um líder, de uma raça, de uma classe ou de partido para atingir, então, aquela verdade verdadeira.

A gente sabe aonde isso já deu.
Nos milhões de mortos dos vários fascismos e do comunismo.
Assim, não existe história a ser “passada a limpo”.
Os países que alcançaram a democracia política, como alcançamos, têm é de lutar para tirar da vida pública os corruptos, os aproveitadores e os oportunistas.
Isso é “passar a limpo”?
Não!
isso é melhorar quem somos.

Não por acaso, antes que prossiga, noto que Luiz Inácio Lula da Silva é um dos herdeiros dessa visão totalitária supostamente saneadora — daí o seu mentiroso “nunca antes na história destepaiz“, como se fosse o fundador do Brasil.

A CPI do Cachoeira poderia ser — pode ser ainda, a depender do andamento, vamos ver — mais uma dessas oportunidades em que práticas detestáveis dos subterrâneos da política vêm à luz, permitindo punir aqueles que abusaram dos cofres públicos, das instituições e da boa-fé dos brasileiros.
Ocorre que há uma boa possibilidade de que isso não aconteça.

E por quê?
Porque Lula está com ódio.
Um ódio injustificado.
Um ódio de quem não sabe ser grato.
Um ódio de quem não encontra a paz senão exercendo o mando.
É ele quem centraliza hoje os esforços para que a CPI se transforme num tribunal de acusação da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e da imprensa independente.
E já não esconde isso de seus interlocutores.

A presidente Dilma Rousseff, cujo governo não é do meu gosto — e há centenas de textos dizendo por que não — já deve ter percebido (e, se não o percebeu, então padece de uma grave déficit de atenção política):
o risco maior de desestabilização de seu governo não vem da oposição ou do jornalismo que leva a sério o seu trabalho.
O nome do risco é Lula.

Ele quer se vingar.
Mas se vingar exatamente do quê?
Não há explicação racional para o seu rancor, como vou demonstrar abaixo.
Já foi, sim, um elemento que ajudou a construir a democracia brasileira — não mais do que isto, friso:
uma personagem que participou de sua construção.
Nem sempre de modo decoroso.

Em momentos cruciais, para fortalecer seu partido, atuou como sabotador.
Mas o sistema que se queria edificar era mais forte do que a sua sabotagem. Negou-se a homologar a Constituição;
recusou-se a participar do Colégio Eleitoral;
opôs-se ao Plano Real;
disse “não” às reformas que estão hoje da base da estabilidade que aí está…
A lista seria longa.

Mesmo assim, ao participar do jogo institucional (ainda que sem ter a devida clareza de sua importância), deu a sua cota. Agora que o regime democrático está estabelecido, Lula se esforça para arrastar na sua pantomima e na do seu partido alguns dos pilares do estado democrático e de direito.

Por quê?
Seria seu senso de justiça tão mais atilado do que o da maioria?
É a sua intolerância com eventuais falcatruas que o leva hoje a armar setores do seu partido e da base aliada para tentar esmagar a Procuradoria, o Supremo e a imprensa? Não! Lamento ter de escrever que é justamente o contrário:
o que move a ação de Lula, infelizmente, é o esforço para proteger os quadrilheiros do mensalão.

Uma coisa é certa:
outros líderes, antes dele, já deram guarida a bandidos.
O PT não fundou a corrupção no Brasil. Mas só Lula e seu partido a transformaram num fundamento ético a depender de quem é o corrupto.
Se aliado, é só um herói injustiçado.

Ódio imotivado
E Lula, por óbvio, deveria estar com o coração pacificado, lutando para fortalecer as instituições, não para enfraquecê-las. Um conjunto de circunstâncias — somadas a suas qualidades pessoais (e defeitos influentes) — fez dele o que é.
Em poucas pessoas, o casamento da “virtù” com a “fortuna” foi tão bem-sucedido.

O menino pobre, retirante, tornou-se presidente da República, eleito e reeleito, admirado país e mundo afora. Podemos divergir — e como divergimos! — dessa avaliação, mas nada disso muda o fato objetivo. Quantos andaram ou andarão trajetória tão longa do ponto de partida ao ponto de chegada?

Lula deveria ser grato aos aliados e também aos adversários.
Qualquer um que tenha um entendimento mediano da história sabe como os oponentes ajudam a formar a têmpera do líder, oferecendo-lhe oportunidades.
Não há, do ponto de vista do Apedeuta, o que corrigir no roteiro.

O destino lhe foi extremamente generoso.
Sua alma deveria estar em festa.
E, no entanto, ele sai proclamando por aí que chegou a hora de ajustar as contas. Com quem?
Com quê?

Não farei aqui a linha ingênuo-propositiva, sugerindo que o ex-presidente deixe a CPI trabalhar sem orientação partidária, investigando quem tem de ser investigado, ignorando que há forças políticas em ação e que é parte do jogo a sua articulação para se defender e atacar. Isso é normal no jogo democrático.

O que não é aceitável é esse esforço para eliminar todas as outras — à falta de melhor designação, ficarei com esta — “instâncias de verdade” da sociedade. Instâncias que são, reitero, instituições basilares da democracia.

Lula e seus sectários chegaram ao ponto em que acreditam que o PT não pode conviver com uma Procuradoria-Geral da República que não seja um braço do partido; com um Supremo Tribunal Federal que não seja uma seção do partido; com uma imprensa que não seja uma das extensões do partido.
Todos eles têm de ser desmoralizados para que, então, o PT surja no horizonte realizando a sua vocação:
SER A ÚNICA INSTÂNCIA DE VERDADE.

Na conversa que manteve anteontem com petistas, em que anunciou — POR CONTA PRÓPRIA — que o governo vai avançar sobre a mídia, Rui Falcão, presidente do PT, foi claríssimo:
“(a mídia) é um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010).”

Ou por outra:
o bando heavy metal do PT considera que as instituições da democracia ocupam o seu espaço vital, sufocam-no. Se o partido foi vitorioso e chegou ao poder segundo os instrumentos democráticos, uma vez no topo, é preciso começar a eliminá-los. Esses petistas entendem a política segundo uma linha supostamente evolutiva de que eles seriam os mais aptos. Qualquer outra possibilidade significa um retrocesso.

É um mito da velha esquerda, herdado, sim, lá do marxismo — ainda que o partido não seja mais marxista nos fundamentos econômicos.
Da velha teoria, herdou a paixão pelo totalitarismo.

Já vimos isso antes e alhures
Já vimos isso antes na história.
Na América Latina, a Argentina assiste a um processo ainda mais agressivo, conforme revela matéria da VEJA na edição desta semana (falo a respeito em outro post). Os regimes autoritários ou a depredação da democracia não surgem sem justificativas verossímeis e sem o apoio de muitos inocentes úteis e inúteis.

Procedimentos corriqueiros do jogo democrático e do confronto de ideias começam a ser ideologicamente demonizados para que venham a ser considerados crimes. Voltem à fala de Rui Falcão. A simples disputa eleitoral, para ele, é chamada de “manifestação de preconceito” das oposições.

A vigilância que toda imprensa deve exercer numa democracia é tratada como ato de sabotagem do governo. E ninguém estranha, é evidente, que VEJA esteja entre os alvos preferenciais dos autoritários.

Aqui e ali alguns tontos se divertem um tatinho achando que a pinima de Lula e de seus extremistas é com a revista em particular.
Não é, não!
É com a imprensa livre.
Se VEJA está entre seus alvos preferenciais, deve ser porque foi o veículo que mais o incomodou. Então se tira da algibeira a acusação obviamente falsa, comprovadamente falsa, de que a publicação participou de conspirações contra esse ou aquele.

Ora, digam aí os nomes dos patriotas, com carreiras impolutas, que foram vítimas desse ente tão terrível (leiam o post abaixo). VEJA não convidou os malandros do mensalão a fazer malandragens. Também não patrocinou as sem-vergonhices no Dnit. Também não responde pela montanha de dinheiro liberado que não se transformou nem em estradas nem em obras de reparo.

A revista relatou essas safadezas.
Com quem falou para obter informações que eram do interesse de quem me lê de outros milhões de brasileiros? Isso não é da conta de Lula!
Ele, como sabemos, só dialoga com a fina flor do pensamento…

Só que há uma diferença importante:
um jornalista que se respeita não fala com vigaristas para ser ou manter o poder.
Se o faz, é para denunciar o poder!
E assim foi, o que rendeu a demissão de corruptos e a preservação do patrimônio público. É claro que isso excita a fúria dos totalitários.

Na Argentina, a tropa de Cristina Kirchner costuma ser ainda mais criativa — e, em certa medida, grosseira — do que seus pares brasileiros.
Por lá, a agressão à imprensa chegou mais longe.
Começou com uma rusga com o Clarín, que apoiava o casal Kirchner.

Agora, trata-se de um confronto com o jornalismo livre.
A exemplo do que ocorre no Brasil, uma verdadeira horda está mobilizada pelo oficialismo para destruir a democracia. Também lá, a subimprensa alugada pelo poder, conduzida por anões morais, ajuda a fazer o serviço sujo.

Voltando e caminhando para a conclusão

Lula e seus extremistas estão indo longe demais!
Quando um secretário-geral da Presidência reúne deputados e senadores do seu partido, como fez Gilberto Carvalho, para determinar que o centro das preocupações da CPI deve ser o mensalão, esse ministro já não se ocupa mais do governo, mas de um projeto de esmagamento da boa ordem democrática; esse ministro não demonstra interesse em identificar e pedir que a Justiça puna os corruptos, mas em impedir que outros corruptos sejam punidos.
E por quê?

Porque Lula está com ódio?
De várias maneiras, o seu conhecido projeto continuísta se mostra, hoje, impossível. Não é surpresa para ninguém que mais apostavam no naufrágio de Dilma algumas alas do PT que nunca a consideraram petista o suficiente do que propriamente a oposição.

Estaria eu flertando com o governo, como disseram alguns tontos?
Ah, tenham paciência! Não mudei um milímetro a minha avaliação sobre a gestão Dilma Rousseff e sempre escrevi aqui — vejam lá! — que as denúncias de lambanças feitas pela imprensa livre, seguidas das demissões, fariam bem à sua imagem e à sua reputação. Está em arquivo.

Sei o que escrevo e tenho, alguns podem lamentar, uma memória impecável.
Assim, a presidente não me decepciona porque eu não esperava mais do que isso. Também não me surpreende porque eu não esperava menos do que isso. Contrariados estão alguns fanáticos do petismo que acreditam que há certos “trancos” na democracia que só podem ser dados por Lula.

Sim, eles têm razão.
Infeliz E felizmente, só Lula poderia fazer certas coisas.
E não vai fazê-las.
Não se enganem, não!

A avaliação de Dilma lá nas alturas surpreende e decepciona os que apostavam no retorno de Lula. Eu não tenho nada com isso porque nunca fui dessa religião…
Ou melhor: até fui, quando era menino e pensava como menino, como diria o apóstolo Paulo… Depois eu cresci.

Lula tenta instrumentalizar essa CPI para realizar a obra que não conseguiu realizar quando era presidente:
destruir de vez a oposição, botar uma canga na imprensa e “passar a história a limpo”, segundo o padrão do revisionismo petista.
Mas a democracia — e ele tantas vezes foi personagem minúscula de sua construção, quando poderia ter sido maiúscula — não vai deixar. Não conseguirá arrastar as instituições em seu delírio totalitário.

Tenham a certeza, leitores:
por mais que o cerco pareça sugerir o contrário, esse coro do ódio é expressão de uma luta perdida. E a luta foi perdida por eles, não pelos amantes da democracia.

Texto publicado originalmente às 4h49
Por Reinaldo Azevedo
Original :
LULA ESTÁ COM ÓDIO E ABRAÇADO A SEU RANCOR! ELE É HOJE O ÚNICO RISCO QUE ENFRENTA O GOVERNO DILMA. OU: AINDA QUE A GRITARIA SUGIRA O CONTRÁRIO, OS TOTALITÁRIOS JÁ PERDERAM

maio 05, 2012

O brasil QUE ENOJA.

No dia 15 de maio, quando o Congresso deve parar para ouvir o depoimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pode ser que as atenções se dividam com a loira de 27 anos que ganhou fama desde que ele foi preso, em fevereiro.

Sua atual mulher, Andressa Mendonça, estará presente e, segundo disse ao GLOBO, o companheiro está superorientado e não vai prejudicar ninguém.
Afirma que ele aproveitará o momento para defender a legalização dos jogos no país.


Andressa não quis falar do escândalo envolvendo o marido e das relações dele com o senador Demóstenes Torres e outros políticos. Ela conta que já recusou convite para posar nua na Playboy e que prepara o casamento para quando Cachoeira deixar a prisão.

O GLOBO:
Como Carlinhos Cachoeira recebeu a notícia do depoimento no dia 15?


ANDRESSA MENDONÇA:
O Cachoeira está em paz, muito bem, muito equilibrado. Ele está muito bem orientado por três advogados: a doutora Dora Cavalcanti, o doutor Márcio Thomaz Bastos e o doutor Augusto Botelho. Eu tenho certeza de que ele não quer prejudicar ninguém. Ele não é uma pessoa fria. Mas também não está nervoso.

É uma pessoa bem preparada e bem orientada para enfrentar esse momento.
Eu conversei hoje (ontem) com alguns deputados sobre como seria, e eles me garantiram que ele não irá algemado ou com roupa imprópria, da prisão.

Eles me disseram que tem um regimento que garante que ele compareça sem algemas, com traje costume, terno e camisa social.


Você vai acompanhá-lo no depoimento à CPI?

ANDRESSA:
É lógico!
Estarei ao seu lado o tempo todo.


Com sua beleza, pode se transformar na musa da CPI...

ANDRESSA:
Não gosto dessa história de musa.
Sou uma pessoa focada, uma mãe de família que está lutando para ver o companheiro fora disso tudo o mais rápido possível.
O Carlinhos gosta, mas acho que eu não sou fotogênica (risos).


Você vai posar para a Playboy como musa da CPI?

ANDRESSA:
Eu fui convidada. Mas não vou dar esse gostinho, não! (risos).
Deixa só para o Cachoeira. Eu contei do convite e ele gostou, morreu de rir.
É bem-humorado e espirituoso. Me ligaram convidando para ir conhecer a empresa, ver como é a produção da revista, foram super educados. Mas eu agradeci e disse que meu papel, nesse momento, não é esse.


Quinta-feira foi aniversário do Cachoeira.
Vocês comemoraram os 49 anos dele na prisão?


ANDRESSA:
Eu fiz uma petição à direção da penitenciária, mas eles não liberaram porque a visita é só às terças-feiras, durante uma hora. Eu fui lá na Papuda (presídio federal em Brasília) só levar um cartão, mas não pude vê-lo nem levar presentes.
Deixei um cartão de felicitações onde escrevi coisas lindas de uma mulher apaixonada.


Na visita de uma hora vocês se veem só pelo vidro?

ANDRESSA:
Por enquanto, só pelo vidro, mas estou muito otimista que logo, logo tudo se resolverá. Quando a gente conversa, ele diz que vai acabar tudo bem. Eu também digo que a gente tem de ficar confiante, que é apenas uma turbulência na vida. Quem não passa por isso? Quem está livre de ser preso?
Eu digo:
não é só você que está preso.
Eu estou presa junto com você.
Estou esperando-o muito ansiosa.
Quando sair, será muito bem recebido.
O Cachoeira é uma pessoa encantadora.


Por isso encantou tanta gente, né?

ANDRESSA:
Acredito que sim (risos).


Os planos de casamento no aniversário não se realizaram. Vocês podem se casar na cadeia?

ANDRESSA:
Existe essa possibilidade de a gente se casar na cadeia. Já combinamos e demos entrada nos proclames. Mas não quero me casar com ele preso, não!
A gente merece coisa muito melhor que isso.
Vai ter um monte de surpresas boas quando ele sair da cadeia.


A empresa Delta perdeu os contratos e está à venda. Os negócios de Cachoeira também estão sendo afetados com o escândalo?

ANDRESSA:
Não tenho conhecimento disso.
Mas acredito que ele vai aproveitar esse momento para levantar uma grande bandeira pela legalização dos jogos no país. Ele está nessa batalha há muitos anos e agora é a hora de conscientização da importância da legalização dos jogos.


O Globo

"COISA DE MENSALEIRO" - CANALHICE E TORPEZA : Gurgel abre guerra a mensaleiros do PT

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Incomodados com a negativa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em aceitar o convite para depor na CPI do Cachoeira, parlamentares petistas falam em convocá-lo como investigado à comissão, o que, em tese, obrigaria seu comparecimento.

A atitude fez a PGR acusar, pela primeira vez, aqueles que defendem a convocação de Gurgel de estarem provocando o procurador-geral por temor ao julgamento do mensalão, tese defendida por parlamentares da oposição desde o início da CPI.

A ideia de um grupo petista ligado aos acusados no escândalo do mensalão é analisar o conteúdo das interceptações telefônicas do inquérito enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tentar detectar subsídios para que Gurgel seja investigado pela suposta demora em pedir o indiciamento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) em 2009, quando o PGR teve acesso às investigações.

Por meio de assessoria, a PGR repudiou a ação:
“O Ministério Público vê esse tipo de afirmação absurda como uma provocação dos que temem muito o julgamento do mensalão, agora próximo”.

Além do próprio procurador-geral, diversos membros do MP estariam incomodados com os esforços de petistas para levar Gurgel à CPI, uma estratégia que, segundo alguns procuradores, seria “coisa de mensaleiro” com o objetivo explícito de desgastar o PGR.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), integrante da CPI, está na linha de frente dos que defendem uma manobra para trazer Gurgel à comissão.
“Temos que ouvir as fitas para saber o motivo de Gurgel ter escondido essas informações da sociedade e não ter tomado as medidas que deveriam ser tomadas.

Se houver indicação de que ele está envolvido em algum ilícito, aí será convocado.
Se foi por má-fé que não pediu o indiciamento de Demóstenes em 2009, isso cria as condições para que ele seja convocado como investigado no âmbito da CPI.

Quero saber o que ele escondeu da sociedade”, insinua o deputado.
Segundo Vaccarezza, as denúncias que o procurador-geral apresentou em março ao STF seriam de conhecimento de Gurgel desde 2009 e já seriam, segundo o deputado, suficientes para a denúncia contra Demóstenes.
“Por que ele não fez? Por inépcia ou por má-fé?”, indaga.

Cortina de fumaça
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que esteve com Gurgel na última quinta-feira para tratar das articulações de parlamentares aliados para levá-lo à CPI, criticou a manobra do grupo de petistas:
“Isso é um absurdo, ele não é investigado e não há sentido nessa insistência”.

O tucano reforça que a meta dos parlamentares governistas que trabalham pela convocação de Gurgel é política. “Há aí outro objetivo, que é diminuir a autoridade do procurador-geral no momento em que ele é o advogado de acusação no julgamento do mensalão”, afirma.

O senador Humberto Costa (PT-PE) é mais cauteloso em seu discurso.
Segundo ele, que também integra a CPI, a suposta demora de Gurgel poderia ser criticada, mas não deve ser apontada, a priori, como indicação de ato ilícito.

“Acho prematuro levantar esse tipo de questão. A demora pode ter sido um deslize da parte dele, mas é difícil afirmar que há indício de conivência.
Para ser convocado como investigado, teria que haver esse indício de irregularidade”, diz.

Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), que também é membro da comissão, as pessoas que desejam levar o magistrado à CPI devem revelar, antes, qual fato será investigado. “Quem tem essa acusação contra Gurgel, que tenha a coragem de apresentar”, desafia.

Para Taques, também fica claro que a intenção é desgastar o procurador-geral. Ainda por meio da assessoria, a PGR reforçou a existência do impedimento jurídico para Gurgel comparecer à CPI, conforme adiantou o Correio no domingo, e informou que, se houver convocação no sentido de investigação, o tema será analisado no momento oportuno.

"Se foi por má-fé que não pediu o indiciamento de Demóstenes em 2009, isso cria as condições para que ele seja convocado como investigado na CPI"
Cândido Vaccarezza (PT-SP), deputado federal

"O MP vê esse tipo de afirmação absurda como uma provocação dos que temem muito o julgamento do mensalão"

Resposta da Procuradoria-Geral da República
O bloco do procurador
GABRIEL MASCARENHAS

A tentativa frustrada dos governistas de convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI do Cachoeira trouxe à tona a criação de um
bloco informal no colegiado, uma espécie de grupo dos dez, em referência ao número de parlamentares que o compõem.

Independentes e oposicionistas se uniram
para, segundo eles, atuar sem amarras nas investigações.
A primeira vitória foi exatamente barrar a convocação de Gurgel.

O bloco é formado por senadores e deputados.
Entre eles estão Pedro Taques (PDT-MT),
Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE)
e Randolfe Rodrigues (PSol-AP),
além dos deputados Bruno Araújo (PE), líder do PSDB na Câmara;
Duarte Nogueira (PSDB-SP),
Rubens Bueno (PPS-PR)
e Miro Teixeira (PDT-RJ).

Há uma avaliação majoritária de que é necessário atrair mais parlamentares, principalmente petistas de peso para aumentar o número de votos e, consequentemente, o poder decisório na CPI.

O primeiro nome ventilado foi o do senador Humberto Costa (PE), relator do processo contra o Demóstenes Torres no Conselho de Ética.

O movimento que abafou a convocação de Gurgel teria sido acertado na primeira reunião, num tradicional restaurante em Brasília, na noite anterior à sessão da CPI, terça-feira passada. "Jogamos a isca, e o (senador Fernando) Collor caiu direitinho", afirma um dos membros do grupo.

A ida de Gurgel à comissão poderia comprometer a conclusão da CPI, já que, como procurador-geral, ele receberá o relatório final elaborado pelos parlamentares. Comparecendo a uma sessão como testemunha, futuramente, ficaria impedido de analisar o documento e encaminhar denúncia à Justiça.

No posicionamento, arquitetado na noite anterior, Randolfe pediu a palavra para defender que a convocação dos procuradores poderia colocá-los sob impedimento.

Collor afirmou que não só os procuradores, mas o PGR deveria ser convocado.
Pedro Taques deu sequência ao teatro e interveio, afirmando que não haveria risco para os procuradores, ao contrário do PGR.

Outros integrantes do bloco se manifestaram em favor da opinião de Taques e, ao menos, adiaram o chamado a Gurgel.

JÚNIA GAMA Correio Braziliense