"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 17, 2012

O EFEITO CASCATA DO BANDITISMO


Já se passaram praticamente 10 anos desde a estreia de Carlinhos Cachoeira, em 2004, na crônica dos escândalos de grosso calibre em Brasília.

O flagrante de propina a Waldomiro Diniz, à época assessor do todo-poderoso José Dirceu na Casa Civil, foi o primeiro episódio a derrubar a máscara ética exibida pelo PT.


Em março de 2012, Waldomiro foi condenado a 12 anos de prisão pelo crime de corrupção. Carlinhos Cachoeira tratou de ampliar sua influência nos meios políticos, alternando ações criminosas com atividades empresariais a fim de obter vultosos contratos na administração pública.

Está preso desde 29 de fevereiro, após a Operação Monte Carlo identificar um megaesquema que envolve bingos e lavagem de dinheiro, desferir um golpe mortal na carreira de um senador e provocar calafrios em políticos de diversos partidos e autoridades de toda ordem.


A influência de Carlinhos Cachoeira causa assombro precisamente pelo fato de se desconhecer até o momento a extensão dos tentáculos do esquema.

O entusiasmo inicial do governo federal rapidamente transformou-se em receio, exatamente pela constatação de que nenhum político brasileiro, neste momento, está em condições de escapar ileso de suspeitas e de ataques.

O esquema comandado pelo bicheiro de Goiás, agora jogado à luz, provoca um temor em cascata a integrantes do PT, do DEM, do PSDB e das demais legendas partidárias.


A sombra de Cachoeira causa angústia porque se mostra capaz de aniquilar a biografia de personalidades que acumulam capital político na arena de Brasília. Mas nada está definido.

Há pouco mais de um mês, Demóstenes Torres gozava de tamanho prestígio que, após a revelação das primeiras denúncias por este Correio, o Senado promoveu ruidosa sessão de desagravo ao parlamentar, com nada menos que 44 apartes favoráveis.

Este é o mesmo Senado que se prepara para dois movimentos:
integrar a comissão mista que investigará as atividades da quadrilha de Cachoeira e conduzir o eventual processo de cassação do senador expulso do Democratas.

Nada indica que haverá resultados efetivos nesses dois institutos.

É improvável que o Congresso, em ano eleitoral, se aprofunde em remexer as entranhas da política nacional.

E resta a pergunta:
quando estaremos livres do banditismo que sustenta a vida pública brasileira?

Carlos Alexandre Correio Braziliense

NO brasil DOS MALFEITOS O MAIOR "BEM FEITO" DO CACHACEIRO PARLAPATÃO O filho...DO brasil : A falência múltipla dos órgãos públicos


Esse mar de lama pode nos purificar
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o país.
Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão.

Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira.

Jefferson teve uma importância ideológica.
Cachoeira é uma inovação sociológica.


Cachoeira é uma aula magna de ciência politica sobre o Sistema do país. Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas.

Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.


Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula, que, com sua imensa sorte, se livrou dos manda-chuvas que o dominavam.

Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a História de nosso país.
Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de teflon; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.


Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula:
a "ingovernabilidade".


Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do país.

Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens:
invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los.

De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.


O governo do PT desmoralizou o escândalo, e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.

Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.

Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda do governo Lula:
o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.


Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso:
"Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e assim, seremos esquecidos!"


Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?"

Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.

Demóstenes foi uma isca.
O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la.
"Ótimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão.

- "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" -, no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve Holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!"
Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...


E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida.

Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso.
Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente.

O PT está receoso - talvez vagamente arrependido.

Pode voltar tudo:
aloprados, caixas 2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo.

O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles.

Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso?

Nunca antes em nossa História alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias.

E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito.

Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.


Mas o país é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.

Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá, e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

Arnaldo Jabor
A falência múltipla dos órgãos públicos

abril 16, 2012

E NA REPÚBLICA DOS TORPES... Delta confirma fala de Cavendish sobre o preço de políticos

A suspeita de que a empresa Delta Construções paga propinas para conseguir obras foi reforçada domingo à noite, com a divulgação de áudio em que o dono da construtora, o empresário Fernando Cavendish, fala dos milhões necessários para molhar a mão de políticos.

O áudio foi divulgado no site "Quid Novi" pelo jornalista Mino Pedrosa, que já fez trabalho de consultoria para o laboratório farmacêutico Vitapan, de propriedade do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em nota, a empresa confirma que as falas são de Fernando Cavendish, mas ressalta que elas são parte de uma conversa gravada clandestinamente em dezembro de 2008.

Segundo a Delta, o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata.


- Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para caralho. Pode ter certeza disso.Te garanto - diz Cavendish.

Em outro trecho, é possível ouvir:

- Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado: "ô, senador fulano de tal, se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão".

Cavendish deixa claro que não é qualquer um que vai receber propina dele.

- Eu não me interesso pela raia miúda. Nenhum interesse por raia miúda. Para que raia miúda?

Segundo a Polícia Federal, que prendeu Cachoeira em fevereiro durante a operação Monte Carlo, a Delta transferiu dezenas de milhares de reais para empresas de fachada controladas pelo bicheiro. De acordo com o jornalista que divulgou o áudio, as declarações de Cavendish foram dadas durante reunião da diretoria da empresa.

Leia a íntegra da nota da Delta:

N O T A À I M P R E N S A

O blog do jornalista Mino Pedrosa divulgou no domingo 15 de maio a edição parcial de um áudio gravado clandestinamente em dezembro de 2008 durante reunião na qual se discutia a cisão societária entre as empresas Delta Construção e Sygma Engenharia.

A Delta Construção tem a dizer sobre isso:

1. O trecho é parte editada de uma longa discussão em que os controladores das duas empresas, Delta e Sygma, discutiam em dezembro de 2008 os termos de uma dissociação. Um dos antigos proprietários da Sygma que estão sendo processados pelos controladores da Delta Construção, gravou a longa discussão e pinçou aquele trecho a fim de promover chantagens negociais contra a empresa.

2. O áudio não representa o que a Delta Construção e seus controladores pensam. Antes de tudo, o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata.

3. Tanto a Delta Construção como todos os seus acionistas controladores, diretores e executivos têm profundo respeito pelo Congresso Nacional, pelos congressistas, pelas instituições republicanas e pelo Poder Público.

4. Fernando Cavendish Soares reafirma, por sua vez, que o que está dito naquele áudio gravado clandestinamente em dezembro de 2008 não expressa a sua opinião e foi pronunciado em tom de bravata em meio a uma discussão entre ex-sócios que desde então se enfrentam na Justiça.

Ana Faraco
Conselho de Administração
Delta Construção

AGU vê irregularidades em 60 contratos da empreiteira com o Dnit

Análise da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que, entre 2007 e 2010, foram constatadas irregularidades em pelo menos 60 contratos celebrados entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Delta Construções.

A extensão do dano pode ser maior, uma vez que, como destacado pela assessoria de imprensa, "o quadro não traz todos os trabalhos realizados pela CGU, mas sim uma amostra das apurações realizadas, entre 2007 e 2010, em obras de diversos estados".


Essas obras foram tocadas em Alagoas,
Bahia,
Ceará,
Espírito Santo,
Goiás,
Maranhão,
Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul,
Pará,
Paraíba,
Pernambuco,
Piauí,
Rio de Janeiro,
Rondônia,
Sergipe,
São Paulo e Tocantins.
Ao todo, esses contratos somam R$ 632,3 milhões, mas não há um valor exato de quanto desse dinheiro pode ter sido desviado.


O PSDB já anunciou que vai tentar ouvir Cavendish na CPI do Cachoeira, assim que ela for instalada. Também vai pedir a quebra dos sigilos fiscal e telefônico do empresário.

- Delta é a empresa que mais recebe recursos do governo federal no PAC, cresceu fortemente nos últimos anos e aparece com frequência nas gravações do caso Cachoeira. Cavendish precisa explicar sua atuação e suas declarações - disse o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

O Globo

Mais brasil maravilha : Prévia do PIB mostra recuo da economia pelo 2º mês consecutivo


A economia brasileira encolheu pelo segundo mês seguido. De acordo com os cálculos do Banco Central (BC), o IBC-Br, índice que mede o crescimento do país, caiu 0,23% em fevereiro, levemente acima das apostas do mercado financeiro.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela autoridade monetária.


Foi o segundo mês seguido de queda do indicador, sendo que em janeiro, quando comparado com dezembro, houve retração de 0,18% na economia brasileira.

Nos últimos 12 meses, o IBC-Br acumula alta de 2,05% até fevereiro.
O dado é menor do que no mês passado, quando estava em 2,44%, o que mostra uma desaceleração da atividade econômica.


O objetivo do governo neste ano é o de garantir crescimento da economia na casa de 4%, apesar de o próprio BC calcular uma expansão de 3,5% no Produto Interno Bruto.

Para tanto, o governo vem anunciando medidas para acelerar a atividade e estimular o consumo. As mais recentes aconteceram no início de abril, num pacote de pouco mais de R$ 60 bilhões entre desonerações e nova injeção de capital no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O índice foi criado pelo Banco Central para balizar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), já que os dados oficiais do IBGE demoram três meses para serem conhecidos.

O Globo

O brasil maravilha SEM "MARQUETINGUE" : Geração de emprego sobe mais de 20% em março, mas cai 24,1% no trimestre

A criação de vagas de emprego com carteira assinada no país caiu 24,1% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Neste ano, foram gerados 442.608 postos de trabalho, ao passo que no mesmo período de 2011, a geração de vagas atingiu 583.886 vagas.

Os dados já consideram as vagas criadas nos dois primeiros meses deste ano e de 2011, entregues com atraso e incorporados à estatística.


Em março, foram gerados 111.746 empregos com carteira assinada no país, uma alta de 20,6% ante o apurado no mesmo mês do ano passado que somou 92.675 postos.

Mas o patamar atual de criação de postos está bem abaixo dos 266.415 postos criados em março de 2010, com uma queda de 58,0%.

Além disso, esse número de vagas apurado no mês passado também está abaixo do que foi gerado em 2008 e de 2007.

Esse resultado de vagas líquidas criadas no país em março resulta de 1,765 milhão de admissões e de 1,673 milhão de desligamentos, o maior da série histórica.


Em comparação a fevereiro de a janeiro deste ano, a geração de vagas também mostrou desaceleração em março. Em janeiro, foram geradas 118,8 mil vagas (queda de 5,9%), e em fevereiro, 150,6 mil vagas (queda de 25,8%), sem considerar dados entregues em atraso.

Segundo o Ministério do Trabalho, essa desaceleração na geração de vagas em março pode ser justificada, em parte, pela antecipação de contratações realizadas pelos estabelecimentos no mês de fevereiro e pela redução do número de dias úteis em março, devido ao período de carnaval.


O maior responsável pelo saldo positivo foi o setor de Serviços, com a geração de 83.182 (0,53%) vagas formais, sobretudo com os desempenhos de Ensino e de Serviços Médicos e Odontológicos.

Na Construção Civil foram criados 35.935 postos (1,21%), o segundo melhor resultado para o mês, mas, principalmente, uma reação em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Globo


SEM CAVALOS DE PAU

O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres de Britto, ocupou os jornais no fim de semana para dar uma boa notícia ao país:
no novo cargo, que assumirá na quinta-feira, fará todo o esforço para que o mensalão seja julgado até julho.

Com a manifestação, ele se transformou, desde já, no inimigo n° 1 dos petistas.


Britto propõe um esforço concentrado na Corte para que o julgamento do crime, revelado há sete anos, não fique para as calendas. Se o caso não for julgado agora, uma série de vicissitudes o empurrará para fins de 2013.
É tudo o que o PT mais quer.


Por isso, o esforço de Britto merece amplo apoio da sociedade:
os que querem o bem do país devem se unir em torno da proposta do novo presidente do STF.

Até porque não há dúvida de que, mesmo com todo o empenho, o caminho até a conclusão do julgamento será tortuoso e o PT fará tudo o que estiver a seu alcance - legal e ilegalmente - para dificultá-lo.


Como, aliás, já está fazendo. Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-presidente Lula está liderando pressões sobre o STF para livrar petistas de um julgamento mais rigoroso e para "convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano".
É o velho horror petista à Justiça.


Na altura em que está, o julgamento do mensalão só depende da revisão do processo pelo ministro Ricardo Lewandowski. Mas há, aí, um risco ao qual é preciso atenção: "Há 20 dias, em conversa com um amigo, o ministro antecipou que dificilmente concluirá seu trabalho antes do recesso da Justiça, em julho", alerta Ricardo Noblat hoje n'O Globo.

Ora, não há razões para mais protelações. O trabalho pesado já foi concluído em dezembro passado pelo ministro Joaquim Barbosa, que transformou as mais de 50 mil páginas do processo numa síntese de 122 páginas.
É este documento que cabe a Lewandowski agora revisar.


A demora em julgar os delitos da "organização criminosa" denunciada pela Procuradoria-Geral da República emite um mau sinal para a sociedade e acaba funcionando como uma espécie de salvo-conduto para mais falcatruas.

Como as que envolvem o bicheiro Carlos Cachoeira e a banda podre do mundo político, com destaque para a farra que está se revelando em torno da construtora Delta e do governo do Distrito Federal.


Começam a se delinear em torno da empreiteira carioca as mesmas práticas verificadas no mensalão: milionários contratos da empresa com o setor público podem ter sido usados como fonte de recursos para financiar campanhas, como mostrou a Folha em suas edições de ontem e desta segunda-feira.

A Delta é uma espécie de "filha do PAC". A empresa multiplicou-se à base de obras do programa lançado por Lula e ninado por Dilma Rousseff desde a época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil.

Desde o início da gestão petista, os recursos recebidos do governo federal pela Delta cresceram
2.000%.

A Delta pode ser o mais vistoso, mas não deve ser o único guichê que o PT espetou no PAC. É bem possível que as cifras bilionárias do programa que nunca se transformam em obras de verdade alimentem, na realidade, grossos desvios para bolsos partidários.
Caberá à CPI do Cachoeira investigar.


Mas as empreiteiras não estão sozinhas nas urdiduras que serão agora apuradas no Congresso. Também o governo petista do Distrito Federal desponta envolvido até a alma com o submundo do crime, a ponto de uma central de espionagem ter sido montada dentro do Palácio dos Buritis - numa reedição dos velhos métodos totalitários que encantam corações e mentes do PT, como mostra a edição da revista Veja desta semana.

É o desnudamento destas aberrações que amedronta os petistas na CPI, a ponto de alguns próceres do partido já defenderem um "cavalo de pau" nas investigações, como faz Walter Pinheiro n'O Globo de hoje:
segundo o jornal, o líder do PT no Senado "já admite até abortar a CPI".

O senador não fala sozinho.
Ecoa as angústias da presidente da República, que, na sexta-feira, passou cerca de três horas com Lula em São Paulo para tentar achar meios de frear a CPI.


A disposição de Carlos Ayres de Britto pelo término da apuração do mensalão e o ímpeto da CPI pelo desvelamento da teia de interesses escusos montada pelo bicheiro Carlos Cachoeira no mundo político são manifestações de quem quer um Brasil mais limpo.

Quem estiver contra isso tem dois interesses claros:
jogar toda a sujeira para debaixo do tapete e, principalmente, preservar ativos os drenos de recursos públicos que financiam a corrupção.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Sem cavalos de Pau

abril 15, 2012

OUTRO? AGNELO NEGA RENÚNCIA: ‘SÓ SE ME ABATEREM FISICAMENTE’ .

http://1.bp.blogspot.com/-qjeED_0aL8Y/T4lx3dNlw9I/AAAAAAAAIO8/ZLSXz7i9TJE/s1600/Agnelo+563868_265749520184204_100002474747193_565032_1926128851_n.jpg
Identificado pela Polícia Federal como o "01 de Brasília" e o "Magrão", citado em diálogos da quadrilha comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), está sob pressão do seu partido, com o governo sob vigilância do Planalto e como protagonista de uma crise que faz ressuscitar o fantasma da intervenção federal.

Auxiliares diretos seus se envolveram ou tentaram se aproximar do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.


Mesmo assim, em entrevista ao Estado, Agnelo garante que não vai renunciar nem se afastar do cargo "sob qualquer hipótese".
A não ser uma:
"Só se me abaterem fisicamente", diz, reproduzindo inconscientemente o script do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de que só deixaria o governo a bala - e que saiu demitido.

"Tenho conversado com a presidente Dilma", adverte, para sinalizar apoio.


Cercado por denúncias desde que assumiu o cargo em 2011, e com baixos índices de popularidade, Agnelo é alvo de inquérito criminal no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suspeita de irregularidades desde seus tempos no Ministério do Esporte (2003-2006) e, depois, como diretor da Agência de Vigilância Sanitária (2007-2010).

Agora é alvo também da CPI mista do Congresso que vai investigar as atividades de Cachoeira. Além do apoio da presidente Dilma, garante que tem o da direção do PT para resistir às pressões. "O cara só pensa nisso (renúncia) se tem culpa no cartório. E eu não tenho", afirma. Ele vê, na CPI, uma oportunidade de provar sua inocência.


O governador disse que encontrou no governo uma máquina pública dominada por "corrupção sistêmica" e, assim, atraiu a ira de grupos econômicos poderosos contrariados.

Disse também ter-se encontrado apenas uma vez com Cachoeira, numa reunião com empresários da indústria farmacêutica, em 2009 ou 2010, e negou que tenha recebido apoio financeiro ou caixa dois para sua campanha.


O senhor vai renunciar ou se afastar do cargo para facilitar as investigações?
Absolutamente.
O cara só pensa nisso se tem culpa no cartório.
Defendo a CPI e quero a apuração disso porque não tenho culpa no cartório.


O Planalto mandou reforços federais para seu governo, numa espécie de intervenção branca. O sr. perdeu o apoio da presidente Dilma e do PT?

Os reforços foram iniciativa nossa. Não foi nada (de intervenção ou socorro) do Planalto. Passei um ano e três meses paquerando para trazer um grande quadro federal, que é daqui de Brasília, o Luiz Paulo Barreto (ex-ministro da Justiça, que assumiu a Secretaria de Planejamento do GDF esta semana).

Não houve intervenção.
Só fala isso quem não conhece a presidente Dilma.
Não tem acontecido isso (abandono do Planalto ou do PT).
Tenho conversado com a presidente. Ontem mesmo (quinta-feira) estive com o presidente Rui Falcão (do PT). Tenho apoio de vários partidos e da minha bancada inteira no DF.


O presidente Rui Falcão afirmou que a CPI vai servir para desmascarar a farsa do mensalão...
Acho que ela vai desmascarar mesmo os ataques contraditórios que estou sofrendo. Estão tentando fazer com que a população acredite que há uma ligação (minha com Cachoeira).

Mas os diálogos mostram o contrário:
que os caras não conseguiram (emplacar o lobby).
Não há um único exemplo de o cara ter emplacado alguma coisa.


Brasília vive o trauma de escândalos recentes, como o da Caixa de Pandora, que provocaram a prisão e cassação de um governador e indiciamento de vários políticos. O sr. teme ser punido por esse clima de clamor público?

Essa crise não é minha nem do PT, nem de Brasília.
Não há um único fato que mostre envolvimento do governo do DF com esse grupo (de Cachoeira).


E quanto às suspeitas de favorecimento da Delta nos contratos com o GDF?
Não teve nenhuma facilidade, sequer um aditivo em favor da Delta. Ela só está aí porque ganhou na Justiça o direito de manter o contrato.

Porque então o sr., eleito governador em 2010, pediu ao governador em exercício, Rogério Rosso, a prorrogação do contrato com a Delta?
Não é uma forma de beneficiar?

Em absoluto.
Fiz um pedido genérico em relação a serviços essenciais do governo.
Se não, quem vai recolher o lixo?


O que se coloca nos diálogos interceptados é que a Delta e Cachoeira deram apoio financeiro à sua candidatura e depois cobraram a fatura em forma de nomeações e contratos.
Nego absolutamente.
Cite uma nomeação ou contrato.
A nomeação do João Monteiro (SLU) foi minha.
É uma pessoa séria, não tem vinculação nenhuma com esse segmento.


Com relação ao Cachoeira, num primeiro momento o sr. disse que não o conhecia e depois admitiu ter tido um contato com ele.
Como foi esse contato e do que trataram?

Há uma forçação de barra brutal.
Chegaram a publicar, a partir de diálogos de terceiros, que eu estava pedindo uma audiência com o Cachoeira (risos).

É absolutamente mentiroso.
Se eu quisesse falar com ele, por ser um empresário do ramo farmacêutica, jamais falaria com ele por vias como essas.

Foi um encontro antes de eu ser candidato.
Visitei várias indústrias em Goiás, São Paulo, fiz reuniões.
Falei com outros empresários, não só com ele.


A que o sr. atribui essa onda de denúncias?
Há uma tentativa desesperada de envolver o meu nome e o PT nessa crise. Essa crise não é nossa, é do DEM e do PSDB de Goiás. A PF investigou um ano e meio a contravenção-jogos, caça-níqueis, bingos e os crimes conexos.

O que a PF pegou, efetivamente? Pegou um senador, Demóstenes Torres, e o DEM de Goiás , em 300 telefonemas, entre os quais negociando interesse do jogo no Congresso. Está tudo fartamente disponível.

Uma série de relações com o setor político de Goiás. Prefeitos, deputados, vereadores. Na lista da PF não constam o DF nem meu governo. Não fomos lenientes ou omissos com relação à expansão do jogo no DF.


Mas o senhor afastou seu chefe de gabinete e dois assessores.
Não é uma forma de admitir envolvimento?

Em absoluto.
Não há uma declaração ou diálogo direto dessas pessoas.
Há um diálogo atribuindo influência sobre o chefe de gabinete (Cláudio Monteiro), falando em dinheiro para indicar o presidente do Serviço de Limpeza Urbana.

O que ele (Monteiro) fez?
Saiu do governo, vai se defender, mostrar que isso é falso e, uma vez provada a falsidade, voltar pro governo.


O sr. não recebeu nenhuma doação de campanha ou caixa dois, seja de Cachoeira ou da Delta?
Em absoluto.

Além da Monte Carlo, o sr. é alvo de inquérito, no STJ que apura irregularidades na sua gestão no Ministério do Esporte e na Anvisa.
O processo que corre no STJ é do meu interesse porque provém de uma denúncia de um bandido, que alegou ter-me dado suborno na véspera do período eleitoral (abril de 2010). Foi espontaneamente a uma delegacia num sábado e lá encontrou o delegado e o promotor para tomar o depoimento.

Como depois eu fui eleito, o caso subiu para o STJ. Espero desmascarar esses detratores. As denúncias com relação à Anvisa já foram apuradas e rechaçadas. No (programa do Ministério do Esporte) Segundo Tempo não há nada contra minha gestão, tive todas as contas aprovadas, com certidão do TCU e CGU.


Quem está tentando derrubá-lo?(SIC)
Estou enfrentando grupos poderosos, que saquearam o patrimônio público. Sou alvo desses interesses contrariados. Instaurei uma Secretaria de Transparência e fiz 14 mil auditorias. Estou buscando o dinheiro saqueado.

Estou pedindo de volta R$ 750 milhões roubados. Já declarei várias empresas inidôneas. E não tem ninguém preso. (O esquema) está aí operando, com métodos que não há em nenhum outro lugar do País.


Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

MAIS INADIMPLÊNCIA NO brasil maravilha SEM "MARQUETINGUE" : Consumidor dá carro de graça para se livrar de dívida

A inadimplência recorde e o aperto dos bancos no crédito têm causado algo além de concessionárias vazias. Muitos consumidores que, com o incentivo do governo, compraram carro financiado nos últimos anos, chegam a um verdadeiro limbo quando têm dificuldade em pagar as parcelas.

Tentam vender o veículo, mas, como o carro deprecia rápido e há grande oferta, o valor conseguido na venda não é suficiente para quitar a dívida.


Para resolver o problema, muitos consumidores têm tentado uma solução caseira: repassar o automóvel e a dívida a outra pessoa.
Às vezes, no desespero, até de graça.


Em janeiro, o paulistano Felipe Di Luccio percebeu que as contas não fechavam. A faculdade, a parcela do apartamento recém-comprado e o financiamento do carro consumiam boa parte do salário.

Para sair do vermelho, decidiu vender o Celta comprado sete meses antes em 60 parcelas. "Mas não dava. Receberia R$ 20 mil, insuficiente para quitar a dívida de R$ 23,5 mil no banco. Então, decidi repassar a dívida."

O plano do estudante de arquitetura era simples.
Como a venda do carro não bastava para liquidar a dívida, queria se livrar do financiamento com a entrega do carro para outra pessoa.
"Vai o carro, vai a dívida", resume.

Não há números oficiais, mas financeiras e lojas de automóveis reconhecem que a iniciativa de Luccio tem se repetido cada vez mais no País.


Após a exuberância do crédito fácil e abundante dos últimos anos, clientes com dificuldade financeira se desesperam ao perceber que não basta vender o carro para quitar o empréstimo. Os que mais sofrem são aqueles que optaram pelo financiamento de 100% do veículo, exatamente como Luccio.

Erro

"Um carro pode depreciar até 40% em um ano. Em um crédito de 60 meses, os pagamentos do primeiro ano amortizam 10% da dívida. Esse foi o erro que cometemos em 2010 e 2011. Reduzimos muito o juro, facilitamos demais as condições e, por isso, a inadimplência subiu", reconhece o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.

Em outras palavras:
o erro foi permitir que o bem que garante o crédito passasse a valer muito menos que a dívida. A partir daí, a entrega do carro já não é suficiente para resolver o problema gerado por um calote.


O presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de São Paulo (Assovesp), George Chahade, lembra que o quadro fica ainda mais preocupante em situações como a atualmente enfrentada pelo setor, de inadimplência recorde.

"Aumenta a oferta de carros usados e, se o cliente tentar vender, os preços oferecidos são mais baixos que o normal, o que potencializa ainda mais o problema de quem tem dívida e obriga muitas pessoas a tentarem o repasse", diz Chahade.

Fernando Nakagawa/Estadão

MAIS brasil maravilha "SEM MARQUETINGUE" : Inadimplência é a maior desde setembro de 2009


Desde a crise passada, brasileiros nunca tiveram tantas dívidas em atraso nos bancos. Dados do Banco Central mostram que, em fevereiro, a cada R$ 100 emprestados às pessoas físicas, R$ 14,02 estavam com atraso superior a 15 dias nos pagamentos.

Esse é o pior desempenho desde setembro de 2009.
Ao todo, são R$ 73 bilhões em dívidas que não são pagas há mais de 15 dias, valor que saltou 44% nos últimos 12 meses.

Entre as várias linhas de crédito oferecidas pelos bancos, o financiamento para compra de veículos amargava a pior inadimplência da história: em fevereiro, 5,5% dos empréstimos tinham atraso nos pagamentos de mais de 90 dias.

Outros 8,4% das operações estavam atrasadas entre 15 e 89 dias. Ao todo, R$ 24,5 bilhões em financiamentos para compra de carros, motos e caminhões sofriam com atraso de pelo menos duas semanas, valor que saltou 137% nos últimos 12 meses.

Os bancos explicam que o recorde nos calotes da pessoa física tem feito com que as instituições fiquem mais rigorosas na oferta de crédito, ao aplicar prazos menores, juros maiores e mais requisitos para liberar o empréstimo.

Na quinta-feira, o vice-presidente da Associação Nacional de Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Gilson Carvalho, disse em Brasília que, atualmente, de cada dez pedidos de financiamento, cinco são recusados pelas instituições financeiras.
Há alguns meses, a recusa era menor, de três a cada dez pedidos.

Tendência.
"O desejo de todos nós é que a inadimplência se estabilize. Mas ainda estamos monitorando e é cedo para falar que os números estão melhorando. Mudamos vários parâmetros na concessão de crédito e deixamos a operação mais rigorosa. Os indicadores mostram que o efeito ainda não é tão claro no sentido de estabilizar ou até reduzir a inadimplência", diz o presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva.

Entre as demais linhas de crédito, a tendência também é de aumento do volume de pagamentos em atraso. No cheque especial, os casos em que clientes ficam mais de 15 dias seguidos com o uso do limite da conta já somam 15,4% das operações ou R$ 3,39 bilhões em fevereiro.

Um ano antes, 12% dos clientes usavam o cheque em mais de metade do mês.

Em trajetória semelhante, os atrasos de mais de 15 dias já somam 10,5% de todos os empréstimos de crédito pessoal realizados pelos bancos brasileiros, porcentual que equivale a R$ 25,9 bilhões.

Um ano antes, a fatia era de 8,7% das operações com pagamento atrasado há mais de duas semanas.

FERNANDO NAKAGAWA/ BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

AQUI "ELES" NÃO PASSAM! O "EMBRULHO" DA MAMULENGA E O BUFÃO DEIXA INDÚSTRIA "EMBRULHADA". SEM "MARQUETINGUE" : Pacote cria problemas para indústrias .

O pacote de incentivos ao setor produtivo anunciado no início deste mês pelo governo está se revelando uma verdadeira embrulhada, tamanha a dificuldade que as empresas encontram para entender e aplicar as novas regras.

Especialistas dizem que a complexidade vai aumentar o custo administrativo das beneficiadas.


Dez dias depois da solenidade no Palácio do Planalto em que as "bondades" foram divulgadas, representantes do setor automotivo foram ao Ministério da Fazenda para "entender melhor" o novo regime. O setor de bens de capital, incluído no regime de desoneração da folha, apontou sérias dificuldades operacionais.

Técnicos do governo previram aumento do número de autuações da Receita sobre as empresas, por divergência de interpretação das normas.


"Quando a gente analisa medidas de estímulo adotadas por outros países, vemos que elas são simples e claras", comentou Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. "Aqui, é tudo complicado. O novo regime automotivo é de chorar."

A complexidade eleva o custo de administração não só das empresas, como do próprio governo, que tem muito mais minúcias da lei a fiscalizar. "Temos um sistema tributário ruim e, em vez de corrigir, o governo fica criando regimes especiais de tributação que reduzem a carga tributária daquele setor, mas não da economia como um todo", diz Flávio Castelo Branco, gerente executivo do Núcleo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Alessandra concorda. "É de se pensar se, dado o aumento do custo, o benefício vale a pena." A complexidade está principalmente na desoneração da folha, que abrange 15 setores:
têxtil,
confecções,
calçados e couro,
móveis,
plástico,
material elétrico,
autopeças,
ônibus,
naval,
aéreo,
bens de capital mecânicos,
hotelaria,
tecnologia de informação e comunicação,
call centers e design houses (chips).
Eles deixam de pagar 20% sobre a folha ao INSS, mas passam a recolher 1% a 2% sobre o faturamento.


Dúvida. A MP 563, que regula o benefício, não traz nomes de produtos, e sim códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esses, por sua vez, se referem a famílias de produtos.

Assim, os medidores de pressão de equipamentos industriais e medidores de pressão arterial estão no mesmo código NCM, mas o primeiro é abrangido pela desoneração e o segundo, não.


Pode ocorrer de uma indústria fabricar um produto que está na lista da MP e outro que não está. Nesse caso, a desoneração da folha será proporcional à participação de cada produto na receita.

Se metade do faturamento vem de produtos desonerados, então ela pode desonerar metade da folha. Da mesma forma, a contribuição de 1% a 2% sobre o faturamento deverá ser recolhida proporcionalmente. Com um detalhe: se o produto for exportado, ele é isento da tributação.


O novo regime automotivo também gerou dúvidas no próprio setor. Basicamente, o regime prevê redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) conforme o uso de componentes nacionais e etapas de produção no País.

Há uma redução adicional para as fabricantes que investirem em pesquisa e desenvolvimento.


Depois de reunir-se com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, o primeiro vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Júnior, diz que trouxe dúvidas.

"O sistema não é simples e precisamos saber de todas as informações, pois serão necessárias mudanças nos sistemas de computadores."


Até mesmo o incentivo fiscal que permite a pessoas e empresas abater do Imposto de Renda doações a instituições de pesquisa, treinamento de profissionais de saúde e tratamento de câncer é alvo de dúvidas.

O advogado Renato Dolabella, especialista em terceiro setor, diz que a redação da MP deixa dúvidas sobre o tipo de entidade beneficiada.


Ele diz que, no artigo 2.º, a MP é clara ao dizer que são as que possuem certificado de Organização Social (OS), ou de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) ou o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas).

No artigo seguinte, porém, o texto dá margem a interpretação de que a entidade precisaria ter os três - o que é impossível.


A Receita esclareceu que é um, outro, ou outro.
"Mas seria interessante deixar isso muito claro na lei, para não haver risco de não conseguir a dedução", diz o advogado.
LU AIKO OTTA / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
COLABORARAM CÉLIA FROUFE e RENATA VERÍSSIMO