"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 17, 2011

CONGRESSO : "TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES".LIBERAÇÃO DE VERBA CRESCE 441% ANTES DE VOTAR MÍNIMO .

Nos primeiros 11 dias do mês de fevereiro, o Executivo repassou a deputados e senadores R$ 653,7 milhões, montante que se refere a gastos que tinham ficado pendentes no governo anterior; deputado Paulinho, da Força Sindical, recebeu R$ 2 milhões.

O ritmo de liberação de verbas públicas nesse período aumentou 441% em relação a janeiro.

Os gastos referem-se a contas pendentes de pagamento do ano passado (os chamados restos a pagar) e equivalem a 7% do saldo deixado até o último dia de governo Luiz Inácio Lula da Silva das despesas que foram objeto de emendas parlamentares.

Entre os agraciados com direito a voto na definição do novo salário mínimo, destaca-se o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Ele teve R$ 2 milhões liberados para ações de orientação profissional e intermediação de mão de obra em São Paulo. Apesar de integrar a base governista, Paulinho não defendeu o valor do mínimo de R$ 545, fixado pelo governo.

Por meio da assessoria, o deputado informou que não negociaria voto em troca do pagamento de emendas. O dinheiro liberado teria sido pedido pelo Ministério do Trabalho, comandado pelo presidente do PDT e companheiro de partido Carlos Lupi.

O apoio de parte do PDT a um valor maior do salário mínimo, de R$ 560, deixou o ministro Lupi numa situação delicada. Integrantes da base aliada defenderam que Lupi fosse demitido após a votação do mínimo ontem na Câmara.

Até o fechamento desta edição, a votação não havia sido concluída. O constrangimento levou a bancada do PDT a liberar os deputados na votação, sem fechar questão a favor do valor de R$ 560

Tradição.

O petista Jorge Boeira (SC) disse que não negociou seu voto. "Sempre fui governo e defendo esse governo." Tradicional frequentador da lista de campeões em liberação de emendas parlamentares, o deputado alega que o sucesso se deve ao perfil das emendas, concentradas na área de educação. Ele teve liberados R$ 1,3 milhão para obras em instituições federais de educação e para o transporte escolar.

Outro pedetista da lista de campeões de liberação de verbas neste início de ano, o deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP) teve R$ 784 mil pagos de uma emenda para o sistema de saúde do Amapá.
Ontem, disse que não troca voto por emenda. "Não tem relação, vou votar pelos R$ 560 reais."

"Fui premiado", reagiu Chico da Princesa (PR-PR), contemplado com a liberação de R$ 1,7 milhão para programas de saúde no Paraná e a construção de cartório eleitoral no município de Joaquim Távora. Princesa não foi reeleito. "Estava tudo empenhado, o governo tinha de pagar", comenta o ex-deputado.

Tampouco foram reeleitos outros campeões em liberação de verbas, como Solange de Almeida (PMDB-RJ), com mais de R$ 4 milhões de emendas pagas, e Flávio Bezerra (PMDB-CE), com R$ 2 milhões de verbas liberadas. Ambos centraram as propostas de gastos em investimentos do Fundo Nacional de Saúde nas suas bases eleitorais.

O levantamento da liberação de emendas foi feito pelo Siga, sistema operado pelo Senado.

Para listar os campeões de verbas, o Estado se baseou num montante de R$ 32,6 milhões de despesas propostas por emendas individuais de parlamentares.

Foram desconsiderados os programas que tiveram reforço de verbas por emendas.

O Estado de S. Paulo

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : TREM-BALA, TREM DOIDO. E O SALÁRIO ÓÓÓ...


Pode parecer estranho que este mineiro seja contrário ao projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligaria Campinas ao Rio de Janeiro via São Paulo, porque sabidamente gostamos de trens.

Contudo, esse TAV merece a execração de todos os que se empenham no uso de recursos públicos em projetos que econômica e socialmente se justifiquem.

E que também não se conformam em ver um projeto deste alcance - e de nome também apropriado à ligeireza de seu preparo - que se quer empurrar goela abaixo da sociedade sem uma ampla e profunda discussão, provavelmente temida pelo governo pelo que traria de contraditório.

Como economista, sou também alérgico a uma proposta que não passaria pelo exame de um curso de análise econômica e social de projetos, tamanhos os despautérios que apresenta. Em Portugal, 28 economistas de prestígio assinaram em 2009 manifesto contrário a projetos locais desse tipo.

Na linguagem típica de seu país, e com fundamentos nessa análise, há um diagnóstico que vejo também aplicável ao Brasil.
Assim, afirmam que "...estudos parcelares disponibilizados sobre a sua rentabilidade econômica e social (mesmo se baseados em pressupostos optimistas), mostram que sua contribuição previsível para a essência econômica do País é muito diminuta, e pode ser até amplamente negativa em termos de Rendimento Nacional. E tem elevados custos de oportunidade no que toca aos fundos públicos, aos apoios da União Europeia e aos financiamentos (dívida externa) da Banca Nacional e do Banco Europeu de Investimentos. ...Tais estudos também evidenciam que, pelo menos na primeira década de exploração, não haverá procura suficiente para a rentabilização econômica e social de tão pesados investimentos. Irão originar, por conseguinte, prejuízos de exploração significativos, a serem suportados pelo contribuinte." .

Transpondo essa avaliação para o projeto do TAV brasileiro, quanto aos fundos públicos eles serão imensos.
Estima-se que o valor presente do custo para o erário seria, na hipótese mais otimista, de R$ 14 bilhões e, na mais pessimista, de R$ 36,4 bilhões.

Ora, a própria discrepância desses números revela os enormes graus de incerteza e de risco que marcam o projeto, além de a experiência nacional mostrar que hipóteses pessimistas de custo são as mais atingidas, e frequentemente ultrapassadas.

Quanto ao "custo de oportunidade", ou seja, relativamente a projetos alternativos, não é preciso muita ciência para perceber que nessa área de transportes os recursos previstos para o TAV poderiam encontrar retorno econômico e social muito maior.
(...)
Quanto à Banca Nacional, no caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê-se que este abriria suas torneiras de recursos e subsídios para o financiamento do TAV, a um custo de R$ 4,8 bilhões só no segundo item.

E há mais subsídios, pois, para garantir a realização do leilão do TAV, o governo vem estimulando interessados, que não são bobos, por meio de garantia da demanda de passageiros, a um custo que poderá alcançar R$ 5 bilhões.

(...)
Na mais recente cartada para atrair interessados na empreitada, o governo federal novamente forçou a barra e na aventura envolveu tanto os Correios como a Eletrobrás como participantes.
O grande mistério do projeto é que forças o levam adiante em Brasília.

Transparecem governantes megalomaníacos, políticos inescrupulosos, construtoras e investidores em alvoroço e traços de uma futura grande festa regada a doações para campanhas eleitorais.

De estranhar também a atitude do tradicional lobby ecológico, estimulado também de fora para dentro do País, que se manifesta tão agressivamente contra novas hidrelétricas na Amazônia, mas tem praticamente ignorado o TAV, apesar dos enormes danos ambientais que traria à região de seu trânsito.

Ele não admite passagens de nível, exige cercas fortificadas, muitas linhas retas e curvas de grande arco, atropelando assim o que viesse pela frente, como nascentes, córregos, rios, várzeas, mata nativa e tudo o mais.
Tampouco as comunidades em torno do trajeto projetado acordaram para esses e outros danos, inclusive a possibilidade de sua divisão em partes.


E mais:
com o projeto e seu leilão para abril retomando velocidade, o TAV já segue na contramão fiscal mesmo antes de ser construído.
A atitude do governo, que hoje se diz seriamente empenhado em ajustar suas contas a uma grave realidade, inclusive no plano da inflação, não condiz com seu renovado empenho no projeto.

Sua tarefa hoje é recuperar a confiança da sociedade na sua política econômica, o que é indispensável à eficácia dela e que um trem doido como esse só pode atrapalhar.


Roberto Macedo O Estado de S. Paulo

fevereiro 16, 2011

EM 5 ANOS, ITAMARATY DEU 328 PASSAPORTES ESPECIAIS.

O Itamaraty concedeu 328 passaportes diplomáticos em caráter excepcional e por "interesse do país" de 2006 a 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os beneficiados estão ex-vice-presidentes, ex-governadores, vice-governadores, 11 prefeitos de "grandes capitais", presidentes de partidos, ministros aposentados de tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União, líderes religiosos, diretores e secretários-gerais do Congresso Nacional.

O detalhamento consta da resposta assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e enviada ao Ministério Público Federal no Distrito Federal.

No dia 6 de janeiro, foi revelado que os filhos de Lula Marcos Cláudio, 39, e Luís Cláudio, 25, receberam o superpassaporte em caráter excepcional. O pedido foi feito pelo então presidente, com a justificativa de ser "interesse do país".

Outros três filhos e três netos de Lula também receberam o benefício dado pelo ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Depois da reportagem publicada, o Ministério Público pediu a anulação dos passaportes diplomáticos concedidos para pessoas não contempladas pelo decreto 5978/ 2006 e o controle da emissão do documento por "interesse do país".

O decreto previa que o documento fosse dado a presidentes, vice-presidentes, ministros, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, funcionários da carreira diplomática, ministros dos tribunais superiores, procurador-geral da República, subprocuradores-gerais, ex-presidentes e seus dependentes (filhos até 21 anos e até 24 anos, no caso de estudantes).

Patriota admite em sua resposta que os familiares de Lula receberam o documento em condição excepcional. Ele afirma ainda que o ex-presidente é uma "personalidade que continua a ter grande prestígio nacional e internacional".

Na resposta ao Ministério Público, o Itamaraty lista outras pessoas que também têm o superpassaporte.

São eles:
diretores executivos do Banco do Brasil, do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da Organização Internacional do Café, da Organização Internacional de Madeiras Tropicais, da Interpol, do FMI
(Fundo Monetário Internacional) e até da Fifa.


Dos 328 casos excepcionais, 148 são funcionários da Presidência da República.

CARDEAIS

Para justificar os 22 líderes religiosos na lista de beneficiários, Patriota diz que é para manter a simetria aos "cardeais" da CNBB, que recebem o benefício do Vaticano.

A Folha mostrou que o bispo Romualdo Panceiro, segundo na hierarquia da Igreja Universal do Reino de Deus, recebeu o documento.

O ministro disse que o governo determinou uma revisão das normas de sua concessão para "assegurar que os critérios de excepcionalidade" estejam de acordo com "os interesses do país".

O Itamaraty alterou as regras para a concessão do documento em caráter excepcional 19 dias após a primeira reportagem. Agora, o documento só pode ser pedido por "solicitação formal" e "fundamentada" e os nomes têm de ser divulgados.

Patriota também afirma que não existem razões para anular os 328 superpassaportes porque, na opinião dele, isso estaria "ferindo" direitos adquiridos.

Hoje, o Ministério Público Federal vai enviar um novo ofício em que requisita ao Itamaraty pela segunda vez a identificação dos nomes dos 328 beneficiários e a motivação para a emissão de cada um desses passaportes.

A publicidade da lista constava do primeiro pedido, mas ainda não foi respondida pelo Itamaraty.

Agência Brasil

POR UM MÍNIMO MÁXIMO.

A Câmara dos Deputados vota hoje a proposta de reajuste para o salário mínimo. Embora o governo aferre-se ao valor de R$ 545 proposto pela presidente Dilma Rousseff, há evidências suficientes para sustentar que o novo mínimo pode mais.

As fontes para bancar um aumento mais digno para o salário que é pago a 29,1 milhões de trabalhadores formais e 18,6 milhões de beneficiários da Previdência existem. Vão desde cortes em despesas de custeio à reestimativa de receitas. O inchaço que a gestão Lula, com beneplácito de Dilma, promoveu na máquina pública nos últimos anos fornece muita gordura para queimar.

Alguns exemplos:
diminuição dos astronômicos dispêndios do Banco Central para acumular reservas em dólar; reexame de investimentos duvidosos, como o trem-bala; redução dos custos financeiros dos subsídios de crédito do BNDES; e, principalmente, o controle mais estrito das despesas de custeio da máquina pública.


Os gastos do governo federal cresceram muito acima da inflação ao longo dos anos Lula. Apenas entre 2006 e 2010, eles aumentaram R$ 212 bilhões em termos reais, dos quais 25% com pessoal, segundo cálculos da Convenção Corretora citados por O Globo. Há, evidentemente, muito o que cortar, começando, por exemplo, com a desenfreada expansão do número de cargos de livre provimento gostosamente ocupados pela companheirada.

A oposição está no seu papel ao propugnar um salário mínimo mais alto do que quer o governo de Dilma. Mantém-se coerente com o valor apresentado e defendido por José Serra na campanha eleitoral do ano passado e que não encontrou qualquer contestação por parte da então candidata do PT: R$ 600.

O PSDB tem histórico e autoridade para falar em concessão de ganhos reais para o mínimo. Afinal, foi na gestão de Fernando Henrique Cardoso que a política de valorização do piso salarial teve início no país. Entre 1995 e 2002, o ganho real, ou seja, acima da inflação, foi de 44%. Lula deu continuidade a esta linha exitosa, para o bem dos brasileiros mais pobres.

Estivesse o PT na oposição, é possível que, a esta altura, o partido de Dilma estaria brandindo palavras de ordem em torno de um mínimo irrealista. Uma boa pista é o valor que o Dieese estima que deveria ser o piso nacional: mais de R$ 2.227. Alguém duvida disso?

O PSDB apresenta uma proposta factível, realista e, mais que isso, diz de onde os recursos podem vir. Faz oposição responsável, tendo como foco o brasileiro mais carente. Muito diferente do que faz o governo de Dilma ao defender o mínimo-mínimo de R$ 545.

Em defesa de sua proposta, o governo exibe as garras e as regras do jogo espúrio da repartição de nacos de poder. Como mostra O Estado de S.Paulo, usará a lista com o nome dos deputados que votarem a favor da proposta oficial para o mínimo para definir a distribuição de cargos públicos. As razões do governismo ancoram-se, pois, em chantagem e fisiologismo da pior espécie.

O dinheiro orçamentário que deixar de ser consumido pelo ajuste do salário mínimo e das aposentadorias - ou parte - estará disponível para apoiadores do governo fazerem política de olho na reprodução do próprio poder e dos mandatos", desnuda Alon Feuerwerker na edição do Correio Braziliense de hoje.

É preciso, sim, fazer um ajuste nas contas públicas, para que o dinheiro do contribuinte seja mais bem empregado. Trata-se de algo que a oposição vem alertando há meses, e que encontrou, em resposta, ouvidos moucos de Lula e também de Dilma.

Com a água agora chegando ao nariz, o governo do PT apela para o sacrifício dos mais pobres. A conta da bilionária irresponsabilidade petista não pode sobrar para quem faz toda a diferença ter alguns poucos reais a mais no bolso no fim do mês.

Fonte: ITV

BM&F : EMPRESAS PERDEM R$ 85,6 bi DO VALOR DE MERCADO.

Os negócios não começaram bem em 2011 para as empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa).
Até o dia 14, elas já haviam perdido R$ 85,6 bilhões do valor de mercado registrado em dezembro último, segundo levantamento feito pela empresa de informação financeira Economática, com 312 companhias de capital aberto.

Nesse período, o Índice da Bovespa (Ibovespa) caiu 3,96% - contando com a desvalorização de ontem, a perda da bolsa paulista soma 4,28%.
Segundo especialistas, o desempenho é reflexo direto da movimentação dos investidores estrangeiros, que decidiram deixar o mercado nacional.

Em fevereiro (até o dia 11), a saída de recursos externos superou em R$ 1,867 bilhão o volume de entradas na BM&F Bovespa.
No ano, o resultado está negativo em R$ 1,466 bilhão.

Renée Pereira O Estado de S. Paulo

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : GOOGLE FOI OBRIGADO POR AUTORIDADES BRASILEIRAS A TIRAR DO AR 398 TEXTOS JORNALÍSTICOS.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiURFAApFvPuL-9rcm_IPPdcGj3Hpoj901zrrGikaOMddyjE3-GCF2HfNdf21-m0V-88RDsh7G85oHCKUJG7e4PQCe7UzzC0h-JvO7MYYLwMNXQhAJPvy_iIK0h8FUACamJ4C0eYUHPng94/s1600/escrever.jpg
Só na primeira metade do ano passado, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos.
Foi recorde mundial do período.

O dobro do segundo da lista, a Líbia.

O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em São Paulo.

Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA). Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos.

"Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil", resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010.

Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
"Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado", resumiu.

A censura ao Estado, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. "É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano", disse ele.

Lauria vai a Brasília amanhã, onde se reunirá com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos.
A agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal.

Artifício.
Os levantamentos do comitê, nos cinco continentes, apontam um novo artifício dos governos para impedir o trabalho da imprensa:
eles enquadram os jornalistas em crimes de outra ordem, como subversão ou atos contra o interesse nacional, nos quais as leis sobre imprensa não se aplicam. Isso tem ocorrido no Oriente Médio, no Casaquistão, na África.

Na América Latina, o fenômeno mais grave é o misto de censura e autocensura. México, Honduras, Equador e Venezuela são os países onde, segundo o comitê, os jornalistas vivem momentos mais difíceis.

"Há regiões onde o crime organizado manda e a lei é ignorada, como no norte do México", lembrou Lauria.
"Em cidades como Puerto Juarez ou Reynosa há uma rotina de assassinatos, perseguições e sequestros.

Sem garantias, o jornalista tem de escolher entre publicar ou mudar sua pauta.
Assim as informações vão "desaparecendo", resumiu.


"É dramático ver o que ocorreu em Reynosa. Foram mortas cerca de 300 pessoas em uma semana e não saiu uma linha em lugar nenhum."


Gabriel Manzano - O Estado de S. Paulo

fevereiro 15, 2011

DESCULPAR-SE POR SER OPOSIÇÃO?


Será que o aumento do salário dos políticos vai custar muito menos do que custariam ao orçamento alguns poucos reais a mais de antecipação no salário mínimo?
(...)
Fazer oposição entre nós costuma ser visto como pecado capital.

Tem sido assim, pelo menos desde a ditadura.
O sujeito que faz oposição no Brasil precisa pedir desculpas, precisa explicar toda hora que está “contra o governo, mas não contra o país”.
Precisa declarar-se um “construtivo”.
Precisa sujeitar-se a ser atacado diuturnamente como impatriota.

É traço de subdesenvolvimento político.
Uma marca do nosso autoritarismo seminal.

Certo corolário recente do teorema “construtivista” pretende difundir que os últimos governos foram muito atrapalhados pela oposição.
Quando? Onde?
Fernando Henrique Cardoso aprovou o que quis no Congresso Nacional.
E Lula só perdeu a CPMF porque sua base se dividiu.
Ainda que ele prefira espalhar uma versão diferente.

Agora, a reivindicação de uns reais a mais no salário mínimo é estigmatizada por supostamente colocar em risco o necessário ajuste fiscal.
Ajuste, aliás, que até outro dia o governo considerava dispensável.

Trata-se então de combater a “irresponsabilidade”.
E lá vêm as pressões sobre a oposição.
O que chega a ser curioso, considerado o tamanho bem suficiente da bancada do governo.

É curioso, mas explicável.

O Palácio do Planalto projeta para esta semana uma bela demonstração de força. Na base do convencimento político, da sedução, da pressão ou da ameaça — ou da combinação desses elementos — pretende na votação do mínimo mostrar ao mercado que tem instrumentos para enquadrar a base política e social.

E vai ser num tema sensível principalmente para os pobres.
É escolha de caráter prático, pois a presidente da República só precisará enfrentar a urna daqui a quatro anos.
E de caráter pedagógico, pois os pobres votaram em massa em sua excelência, especialmente nas regiões onde ela ganhou melhor.

A operação tem um custo político. Por que não dividir a conta?

O que faria Lula se estivesse na oposição?
Denunciaria a insensibilidade social do governo, gritaria contra o “estelionato eleitoral” e mandaria o PT infernizar a base política situacionista, para dividi-la. Seria útil, nem que para arrancar alguma concessão de última hora.

Pois alguns reais a mais para mim ou para você que me lê podem não significar nada.
Mas, como bem lembrou ontem o senador reeleito Paulo Paim (PT-RS), para muita gente serão preciosos pães a mais na mesa e preciosos litros de leite a mais na geladeira.

Governos sempre trabalham com margem de negociação, mas para buscar essas gordurinhas é preciso enfrentar, é preciso arriscar.
É preciso ter estômago forte e nervos de aço.

Se o governo não estiver tão necessitado assim de esmagar as centrais sindicais, talvez possa dar ouvidos aos que propõem uma antecipação parcial do reajuste do ano que vem.
O que for dado a mais agora será descontado em 2012.

Algo bastante útil para quem depende do salário mínimo, pois a inflação está dando as caras é agora.
E não dá para o sujeito pagar só no ano que vem as contas que vencem já.

Teria também um aspecto de justiça, pois deputados e senadores acabaram de aprovar para eles mesmos um forte aumento no salário. E sem mexer nos demais benefícios.
E o aumento da presidente da República e dos ministros foi ainda maior.

E ninguém do primeiro escalão reclamou.

Por falar nisso, será que o aumento do salário dos políticos vai custar muito menos do que custariam ao orçamento alguns poucos reais a mais no salário mínimo?

Talvez esteja também aí a dificuldade de as autoridades fazerem aquele apelo geral pelo sacrifício, tão costumeiro nestas situações.

Nas Entrelinhas / Correio Braziliense

ENFURNADOS.


"Enfurnado" significa:
1 - encafuado: feras enfurnadas.
2 - oculto, guardado: fortuna enfurnada. (No dicionário).

Furna:
1 - antro, subterrâneo, caverna, lugar apertado entre vales. (No dicionário).

"Furnas": grande empresa estatal que produz 60% da energia brasileira. É o objeto de briga entre alguns deputados e senadores para botar na mão (e no bolso) aquilo que pertence aos cidadãos brasileiros.

Disputam diretorias das estatais, autarquias e bancos públicos que lhes possam trazer benefícios pessoais na maioria das vezes por métodos ilegais (isso não está no dicionário.)

"Contribuiria muito para o país" (detalhar as reuniões e conversas privadas que tiveram ) - diz em mensagem pública o deputado Eduardo Cunha (PMDB) dirigindo-se ao deputado Garotinho (PR), pela internet.

É obrigação destes dois senhores e respectivos partidos detalharem com transparência o que "contribuiria muito para o país". E por que não o fizeram antes?

Devem ser expulsos dos partidos todos aqueles que não "contribuíram para o país", e só tornam públicas suas desavenças e negociatas quando seus feudos estão sendo ameaçados.

Conversas cifradas são típicas de mafiosos.
Os partidos políticos, ao contrário, existem para servir ao país e à democracia.


Outra mensagem, do deputado Garotinho para o deputado Cunha:
"Toma cuidado Eduardo porque além de a casa (Cehab/Rio) cair você também pode entrar pelo cano (Cedae/Rio)".
Complementa sugerindo ao deputado Cunha fazer uma boa Prece (Fundo de Pensão da Cedae) - "pois seus pecados são grandes".


Eles estão se acusando, por negócios obscuros, em público, ao vivo pela internet! Cabe, então, a pergunta:
será que seus respectivos partidos (PMDB e PR) se mantêm calados porque concordam e utilizam as mesmas práticas?
O que falta para agir?


"Embora sabendo que o deputado (Cunha) gosta muito de laranja, recomendo que tome suco de maracujá e sobrevoe o patrimônio que construiu praticando... asa DELTA"- diz o deputado Garotinho, em outra mensagem, referindo-se à empreiteira Delta.

Empreiteiras são frequentes doadoras nas campanhas eleitorais daqueles que irão definir orçamentos, obras, licitações e concorrências em que estas mesmas empresas serão contempladas.
Não acredito que fazem por patriotismo e espírito público na sua maioria. Algumas fazem por interesse em seus negócios!


O jornalista Jânio de Freitas, em 1987, publicou anúncio em código nos classificados da "Folha de S.Paulo" cinco dias antes da divulgação dos ganhadores da concorrência da Ferrovia Norte-Sul (Maranhão-Brasília).

As maiores empreiteiras na época (ainda hoje entre nós) tinham "acertado" a divisão dos 18 trechos da obra, antes mesmo do resultado oficial.
O jornalista publicou as iniciais de cada empreiteira com o número do lote.
E acertou!

O presidente era José Sarney, o ministro dos Transportes era José Reinaldo Tavares e as mesmas empreiteiras participaram e ganharam uma nova concorrência. O histórico de negócios obscuros de empreiteiras não é recente.


Este é o nosso "presidencialismo de coalizão".
Nome técnico que se dá ao sistema que faz com que, eleição ganha, quem apoiou tem seu quinhão no governo para ocupar com "apadrinhados" os cargos nos quais o Brasil precisa de técnicos competentes.

A vergonhosa, aberta e impune disputa por cargos em Furnas (que se repete em todo o setor público) mostra o incorreto, o ilegal, o enriquecimento ilícito, a falta total de comprometimento com o bem público, a participação na vida política para transações, o escárnio.

Vemos empresas compradas por R$7 milhões e revendidas em seguida para a estatal por R$80 milhões.
Vemos doleiros em balcões de "negócios" públicos.


Afastaríamos os senhores interesseiros da vida pública a partir do momento que os cargos de nomeação política (o que é normal) a cada novo governo fossem reduzidos a um número mínimo - como na Inglaterra, onde são aproximadamente 300.

O resto é para funcionários de carreira.
No Brasil chegou-se a 20.000 nos últimos oito anos.
Precisamos de mais meritocracia e menos cleptocracia!


Assim, a vida pública atrairia mais idealistas e cidadãos competentes e, cada vez menos, mercadores da política.

D. João de Orleans e Bragança O Globo

fevereiro 14, 2011

AINDA SOBRE A "TESOURA" DE R$ 50 BILHÕES.


A conta pela expansão acelerada dos gastos públicos chegou e o governo anuncia um enxugamento recorde.
A dúvida é se o corte será realmente cumprido

Durante a campanha eleitoral, a então candidata Dilma Rousseff negava a necessidade de ajustes. Na semana passada, o óbvio aconteceu.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciaram um plano para cortar R$ 50 bilhões nos gastos previstos no Orçamento da União para este ano. Anúncios de corte de despesas sempre ocorrem nesta época do ano.
Mas esse é recorde. A conta chegou.

Ao rever as despesas, o governo reduziu a estimativa de receita, de R$ 819 bilhões para R$ 801 bilhões.
Também jogou para baixo o crescimento da economia esperado para 2011 (de 5,5% para 5%).
Ainda deixou em aberto a possibilidade de que esse crescimento seja ainda menor.

Embora pareça enorme, o corte anunciado de R$ 50 bilhões é relativamente pequeno perto do montante de despesas obrigatórias da União. Previdência, pessoal e outros itens intocáveis beiram R$ 545 bilhões, 74% das despesas previstas no Orçamento.

No ano passado, esses gastos obrigatórios subiram R$ 100 bilhões em relação a 2009, o que gerou muita crítica. Agora, as autoridades reconheceram o problema.
Pelo menos no discurso. Mantega disse que o corte vem para ficar, mesmo que a receita aumente:
“Nossa intenção é manter esse patamar até o fim do ano. O quadro será mais drástico”, afirmou.

No mercado, a notícia do corte dos R$ 50 bilhões gerou dúvidas.
Muitos duvidam que seja possível atingir uma economia desse tamanho apenas com limitações ao BNDES, suspensão de contratações, corte de viagens e outras medidas menores. Informações mais detalhadas sobre o pacote de redução de despesas devem ser anunciadas nesta semana.

De fato, é difícil acreditar que o governo consiga atingir a meta anunciada de corte de R$ 50 bilhões. A história recente mostra que nenhum contingenciamento de despesas prometido no início do ano foi integralmente cumprido após 12 meses.

No ano passado, a diferença entre a economia prometida e a cumprida foi a maior já vista. O corte anunciado de R$ 21,8 bilhões caiu, no fim do ano, para R$ 6,4 bilhões.
Esse resultado foi obtido graças a um artifício envolvendo a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal.
A União cedeu o direito exploratório de suas reservas à Petrobras, antecipando uma receita.
Com isso, conseguiu transformar barris de petróleo ainda enterrados no fundo do mar em receita presente.

Ainda que o corte de R$ 50 bilhões não seja integralmente cumprido, o anúncio recorde mostra que o governo acordou para o tamanho do desajuste das contas públicas – que ele vinha negando.
É um fato alvissareiro.

Isabel Clemente/Época

DIFÍCIL INFLAÇÃO EM 12 MESES BAIXAR DE 6%.

A inflação em 12 meses continuará rondando a casa dos 6%; dependendo do mês, um pouco mais acima ou mais abaixo desse patamar, até atingir o teto da meta em julho. No mês seguinte, ela ultrapassaria os 6,5%, ao ficar em 6,75%.
Essas são as previsões do economista Elson Teles, da Máxima Asset.

Como a demanda ainda está muito aquecida, ele acha que os serviços continuarão pressionando o IPCA, além dos alimentos.
A alta também é explicada em parte pela base de comparação baixa, já que entre junho e agosto do ano passado, depois de subir muito no começo do ano, a inflação mensal ficou próxima de zero.
Segundo o último dado divulgado, o IPCA acumulado está em 5,91%.

- Ao longo do ano, vai ser duro baixar de 6% a inflação em 12 meses.
A retirada dos estímulos, o aperto monetário e o ajuste fiscal, em tese, devem fazer efeito sobre a atividade.
Mas com o mercado de trabalho aquecido e um ambiente de demanda ainda crescendo acima da oferta, mesmo com as medidas para contê-la, será difícil.
Além da pressão interna, há a externa também, por conta do aumento dos preços das commodities agrícolas.
Para 2011, não tem jeito, é rezar para que a inflação não ultrapasse o teto da meta no fechamento do ano - diz o economista.

Teles acha que nos quatro últimos meses do ano, a inflação em 12 meses poderá cair um pouco para perto de 5,7%, se os alimentos pressionarem menos.
Mas para isso acontecer, é preciso combinar com as commodities, que não param de subir por vários fatores.

- Não tem nada ajudando, como câmbio, queda das matérias-primas, e a atividade continua aquecida. O máximo a fazer é conter a demanda para evitar que a inflação fuja do controle - afirma Teles.

Segundo o boletim Focus, divulgado hoje pelo BC, o mercado espera que o IPCA feche 2011 em 5,75%, bem acima do centro da meta (4,5%).

Valeria Maniero/Globo