"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 11, 2011

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : TAXA DE DESEMPREGO CRESCE ENTRE OS MAIS POBRES, SEGUNDO O IPEA.

A redução do nível de desemprego registrada nos últimos cinco anos e o aumento da taxa de ocupação, com uma sensível melhora na renda obtida pelos trabalhadores, não só não foi suficiente para eliminar as desigualdades sociais, como as ampliou entre os desempregados das seis principais regiões metropolitanas do país.

Segundo técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), enquanto nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife a taxa de desemprego geral caiu 31,4% de dezembro de 2005 ao mesmo mês de 2010, entre os 10% mais pobres o desemprego cresceu 44,2%.

Além disso, cresceu também a desigualdade entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos.
A partir dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os técnicos do Ipea constataram que a diferença nas taxas de desemprego dos dois grupos, que em 2005 era de 11 vezes, passou a ser de 37 vezes em 2010.

SEM PETROBRAS, DESPESA REAL VAI SUBIR 3,7% ESTE ANO .

Ao contrário do que publicou ontem o Valor, as despesas do governo federal em 2011, após o corte anunciado na quarta-feira, vão crescer 3,7% em termos reais, ante os gastos feitos no ano passado.

A despesa primária (sem o pagamento de juros) projetada pelo governo para este ano, depois do corte de R$ 50 bilhões, soma R$ 719,9 bilhões, o que representa aumento nominal de 2,8% sobre os gastos de 2010, que ficaram em R$ 700,1 bilhões, e uma queda real de 2,6%.

O problema é que a despesa deste ano não pode ser comparada com a executada no ano passado por causa da capitalização da Petrobras.
Nesta operação, o governo realizou a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal à Petrobras por R$ 74,8 bilhões.

Deste total, utilizou R$ 42,9 bilhões para subscrever as ações da estatal.
Essa receita e essa despesa precisam ser excluídas do cálculo para que a comparação entre 2010 e 2011 não fique distorcida.

Assim, com a exclusão da despesa de subscrição das ações da Petrobras, as despesas primárias da União no ano passado passariam para R$ 657,2 bilhões.
A despesa projetada para este ano de R$ 719,9 bilhões representa um aumento nominal de 9,5% em relação aos R$ 657,2 bilhões e real de 3,7%, utilizando-se o deflator do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,6% estimado pelo governo.

Valor Econômico

fevereiro 10, 2011

TUDO A VER, GERENTE DE NADA E COISA NENHUMA DE GOVERNO MAMBEMBE : FARSA PUBLICITÁRIA O CORTE DE R$50 BI NO ORÇAMENTO.

Ministério da Fazenda surpreendeu a todos e anunciou um corte de R$ 50 bilhões no gasto público. Sim, surpreendeu a todos com o tamanho do corte, mas não disse de onde vai cortar e, assim, por enquanto, o que foi anunciado não passa de palavras ao vento.

Eu gostaria de estar errado, mas confesso que o que foi dito na entrevista coletiva é muito mais uma carta de boas intenções do que o detalhamento de medidas concretas que todos esperavam.

Teria sido melhor se o Ministério da Fazenda tivesse divulgado um número menor e tivesse especificado, exatamente, de onde vai cortar ao invés de divulgar um número cabalístico de R$ 50 bilhões que, por enquanto, não passa de uma vaga promessa.

Vamos ver cada uma das medidas anunciadas e fazer as malditas contas:

(1) Primeira medida: o primeiro foco do ajuste fiscal será na folha de pagamentos, um dos maiores gastos da União. Para tanto, o governo está contratando junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV) uma auditoria externa na folha de pagamentos para detectar incorreções.

Isso chega a ser brincadeira de mau gosto. No âmbito de estados e municípios, no pasado, isso fazia até sentido quando a contabilidade pública era rudimentar e existiam funcionários fantasmas. Mas no caso do Governo Federal que tem o Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) é muito improvável que haja “fantasmas” no serviço público federal, a não ser que o governo desconfie da lisura do governo Lula.

Os gastos com pessoal aumentaram não por causa de fraudes, mas porque o governo Lula aumentou os salários e contratou mais funcionários.
Ao longo de oito anos do governo Lula, o gasto com pessoal ficou entre 4,30% (2005) e 4,76% do PIB (2009), terminando em 4,55% do PIB, em 2010.

O peso da folha de pessoal do governo federal poderia ter sido muito menor se os aumentos ao setor público tivessem sido mais seletivos, mas acho difícil e improvável que haja fraudes que exija uma auditoria externa da FGV.

(2) A ministra também disse que novas contratações no setor público serão olhadas com lupa e que não há neste momento qualquer medida para elevação dos valores pagos para os funcionários em cargo em comissão.

Não sei dizer se a suspensão de concursos públicos é uma medida boa ou ruim, já que há órgãos com excesso de funcionários e outros com carência. A Ministra deveria ter dito quais carreiras não precisam de novos funcionários e aquelas que ainda precisam de funcionários, até porque há ainda uma parte de terceirizados que têm que ser substituídos por funcionários concursados.

De qualquer forma, a economia possivel destas medidas é mínima neste ano. Assim, não vai ajudar muito no esforço de R$ 50 bilhões anunciado.

Quanto aos cargos de DAS (comissão dos cagos de direção do serviço público federal), duvido que não haja um aumento pelo seguinte motivo: os cargos de comissão no legislativo aumentaram muito. Um assessor técnico hoje no legislativo (sem vinculo com o setor público) ganha uma comissão de R$ 16 mil. Se você tiver vinculo no executivo, seu salário mensal aumenta em R$ 10 mil.

O salário do Secretário de Política Econômica, DAS-6, é de R$ 11.179,36 (sem vinculo com o setor público). Ou seja, do ponto de vista estritamente financeiro, vale mais assessorar um Senador da República do que ser Secretário de Politica Econômica.

(3) Segundo a ministra do planejamento, há a intenção de publicar um decreto reduzindo em 50% em termos nominais as despesas com viagens e diárias.

Impressionante?
Acho que não.
Algum de vocês sabem o potencial de economia decorrente dessa medida? OK, vamos aos números. Em 2010, o governo federal gastou R$ 976,9 milhões com passagens e despesas com locomoção; R$ 1,04 bilhão com diárias de pessoal civil e mais R$ 220,2 milhões com diárias de militares.

Somando tudo temos R$ 2,2 bilhões. Uma redução de 50% significa um economia potencial de R$ 1,1 bilhão, ou apenas 2% do que foi anunciado (R$ 50 bilhões). como falam meus amigos americanos: “No big deal”.

(4) PAC não sofre corte:Ministra do Planejamento afirmou ainda que não haverá corte no Orçamento do PAC nem adiamento na execução das obras.
Segundo ela, a maior parte do corte anunciado nesta quarta será no custeio como, por exemplo, na redução das despesas com telefonia, energia elétrica, água e consumo de materiais, em geral.


Não quero ser pessimista, mas isso é impossível.
Vou repetir:

é impossível um corte de custeio de R$ 30 bilhões, R$ 40 Bilhões ou R$ 50 bilhões de um ano para outro.
Um corte de custeio dessa magnitude só seria possível se o governo deixasse de pagar dividas judiciais, cortasse a compra de várias despesas do SUS, não pagasse despesas de indenizações e restituições, etc.


Serei mais específico correndo o risco de ser chato.

Vale conferir a íntegra, continua...

PETROBRAS : MINISTÉRIO DO TRABALHO INTERDITA PLATAFORMA CHERNE 2.

O Ministério do Trabalho confirmou que a plataforma CHERNE 2, da Petrobras, foi interditada na tarde ontem depois de uma inspeção em que encontrou problemas nas condições da unidade.

A plataforma, instalada na bacia de Campos, já havia sofrido um incêndio a bordo em 19 de janeiro, ficando interditada até 2 de fevereiro, quando foi liberada pela Marinha.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Marcos Breda, afirmou que a vistoria da Marinha tem como foco as condições de segurança para a navegabilidade da unidade, enquanto os técnicos do Ministério do Trabalho dá mais atenção às condições dos equipamentos e instalações e a influência disso na segurança dos funcionários.

Breda explicou que o sindicato tem contato permanente com o ministério, enviando relatos sobre as condições nas plataformas.
"O incêndio facilitou a decisão do ministério de vistoriar a Cherne 2", disse Breda.

Segundo o Sindipetro-NF, a vistoria identificou a precariedade do sistema de combate a incêndio,
a falta de iluminação de emergência,
a insuficiência do ar-condicionado,
a falta de inspeções em equipamentos atingidos pelo incêndio,
a falta de barreiras de contenção nas áreas do incêndio e o descumprimento de diversos itens da Norma Regulamentadora NR-10, que trata das instalações elétricas.

Segundo o Ministério do Trabalho, a interdição não tem prazo e a volta da produção só será atendida quando os problemas encontrados forem solucionados.

Procurada, a Petrobras não se manifestou sobre o assunto.

(Rafael Rosas | Valor)

JOSÉ SERRA : OPOSIÇÃO PRA QUÊ?

O principal risco que correm as oposições - e, portanto, também o PSDB - é perder tempo em embates menores, combates internos fantasmas ou antecipações irrealistas, como trazer 2014 para hoje, inventando bandas de adversários... internos!

Atacar, constranger, prejudicar ou atrapalhar companheiros do próprio partido só faz ajudar os adversários reais, que incentivam esses confrontos.

Para o maior partido da oposição, perder-se em disputas internas seria apequenar-se.
Saímos das urnas com quase 44 milhões de votos, vencendo a eleição presidencial em 11 estados.

O PSDB fez oito governadores; o DEM, dois, e tivemos ainda o apoio do governador de Mato Grosso do Sul.

Aqueles que votaram em nós queriam que ganhássemos, mas sabiam que podíamos perder. A oposição, portanto, é tão legítima quanto o governo; ela também expressa a vontade do eleitor e tem um mandato.

Não podemos deixar o eleitorado que nos apoiou sem representação. É ele, inicialmente, que precisa receber uma resposta e convencer-se de que não jogou seu voto fora.
Até porque as ditaduras também têm governos, mas só as democracias contam com quem possa vigiá-los, fiscalizá-los, em nome do eleitor.


Por isso a oposição tem de ter posições claras, ser ativa, sem se omitir nem se amedrontar. Uma eleição presidencial não é uma corrida de curta duração, de 45 dias, mas uma maratona de quatro anos.
E ninguém corre parado.

Até quem votou no PT conta conosco para que ofereçamos alternativas, para que possamos aprimorar propostas do governo e denunciar, quando é (e como está sendo) o caso, a falta de rumo.
Não se trata de fazer oposição sistemática ou não sistemática, bondosa ou exigente.
Isso é bobagem!

Essa questão não se coloca em nenhuma grande democracia do mundo.
A oposição tem o direito e o dever de expressar seus pontos de vista e de batalhar por eles.
É seu papel cobrar coerência, eficiência e honestidade.

A realidade está aí.
O grave problema fiscal brasileiro veio à luz, herança do governo Lula-Dilma para o governo Dilma.
A maquiagem nas contas não consegue escondê-lo.
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) se transformou no retrato perverso do aparelhamento do Estado, que não se vexa nem diante da realidade dramática da saúde - ou falta dela - dos pobres.


O mesmo acontece em Furnas, palco de escândalos há muitos anos, expressão do loteamento do setor elétrico, onde os blecautes têm sido a regra, não a exceção.
Se a oposição não se fizer presente agora, então quando?

Fazer oposição por quê?

Porque o país experimenta um óbvio desequilíbrio macroeconômico, que reúne inflação alta e em alta, juros estratosféricos, câmbio desajustado, vertiginoso déficit do balanço de pagamentos e infraestrutura em colapso.

As trapalhadas do Enem mostram que o PT tripudia sobre a esperança e o futuro dos jovens.
A imperícia do governo na prevenção de catástrofes e socorro às vítimas não requer comprovação.

Por que fazer oposição?

Porque os brasileiros merecem um governo melhor e pagam caro por isso - uma das maiores cargas tributárias do mundo, sem serviços públicos à altura.
Temos o direito de nos apequenar com picuinhas?
Foi para isso que recebemos um mandato das urnas?

O governo vem fazendo acenos à classe média e às oposições. Conta com o conhecido bom-mocismo dos adversários, tucanos à frente.
Sua intenção é lhes tirar nitidez e personalidade, dividi-los e subtrair-lhes energia e disposição.

Até a próxima disputa eleitoral, quando, então, voltaremos a enfrentar os métodos de sempre:
vale-tudo, enganações, bravatas e calúnias.
Cair nesse truque corresponde a trair a confiança dos que votaram em nós e os interesses do nosso povo e do país.

O PSDB não sabe fazer oposição! Tanto em 2006 como em 2010, pesquisas internas apontaram ser essa uma das críticas que o eleitorado nos faz.
Ainda que fosse injusta, seria forçoso reconhecer que nos tem faltado nitidez.

É razoável que o eleitor considere que não sabe governar quem não sabe se opor.

E nós temos os bons fundamentos! A quem pertence a bandeira da social-democracia no Brasil?

O PT, fundado como um partido classista, sob a inspiração de partidos leninistas, varreu estatuto e ideário para baixo do tapete ao chegar ao poder e adotou como suas a plataforma e as ideias do adversário.

Mas, longe de estar resolvida, após seis eleições presidenciais, sendo três vitoriosas, e dois governos depois, a contradição entre os "pragmáticos do mercado" e os "puros-sangues de Lenin" ainda é um dos flancos do PT não devidamente explorados pela oposição, para prejuízo do país.


O PT adotou as bandeiras, mas perverteu sua prática.
Privatizou as ações do Estado em benefício do partido e aliados.
Banalizou o que a vida pública brasileira tinha de pior.
Rebaixou a Saúde e a Educação.

Transformou em instrumento eleitoral a rede de proteção social herdada do governo FHC.
Virou as costas para a Segurança e descuidou-se da Previdência.

A falsa "social-democracia" petista preside um processo de desindustrialização do Brasil e mantém como principal despesa do orçamento o pagamento de R$180 bilhões anuais em serviço da dívida pública interna.

Sem mencionar erros infantis, como o de reconhecer a China como economia de mercado, enfraquecendo nossos mecanismos de defesa comercial.
Que social-democracia é essa, que pôs a perder o ativismo governamental nas coisas essenciais, que caracteriza o Estado do Bem-Estar Social e seus alicerces?

Essa retomada dos valores da social-democracia, com seu respeito ao jogo democrático e sua prioridade à garantia de condições dignas de vida à população, há de tirar do PSDB o falso carimbo de partido da elite e marcar diferença com o PT, com suas práticas sectárias e/ou ineptas.

Para tanto, é fundamental ao PSDB fortalecer a unidade interna, dando uma resposta àqueles que nos delegaram um mandato por meio das urnas.
Estou, como sempre, a serviço da população.
Ajudei a definir as bandeiras históricas do meu partido e sua renovação.

Por elas e pela unidade, batalhei sempre.
Ninguém andará em má companhia seguindo os Dez Mandamentos.


Para quem está na política, sugiro um 11º, este de inspiração humana, não divina:
"Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido."


JOSÉ SERRA foi deputado, senador, prefeito e governador de São Paulo.

fevereiro 09, 2011

RICAÇOS : MAIS 6 MIL NO TOPO DA PIRÂMIDE NO PAÍS. FECHARAM 2010 COM R$ 371 bi INVESTIDOS NOS BANCOS.

Mais de seis mil pessoas viraram milionárias no Brasil no ano passado. Balanço divulgado ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que o número de pessoas com mais de R$1 milhão aplicado nos bancos brasileiros cresceu para 63.224 no fim de 2010, um aumento de 11% em relação aos 56.991 milionários de 2009.

Total de ativos cresceu 23% em relação a 2009 e número de milionários aumentou 11% no País no ano passado


Os brasileiros de alta renda, aqueles com pelo menos R$ 1 milhão aplicado, fecharam 2010 com R$ 371 bilhões investidos nos bancos, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre o mercado de "private banking".

Na comparação com o ano anterior, houve crescimento de 23% no total de ativos aplicados.

No ano passado, houve alta de 11% no total de milionários no Brasil, para 63,224 mil pessoas.
A estimativa dos bancos é que haja cerca de 150 mil brasileiros com esse nível de renda.

Risco.

Os produtos preferidos dos milionários para aplicar recursos são fundos de investimento, que ficaram com R$ 162,2 bilhões dos ativos desses investidores em 2010.
Papéis de renda fixa, como títulos públicos emitidos pelo governo, respondem por R$ 118,6 bilhões.

Já as ações de empresas lançadas da bolsa ficam com R$ 68,2 bilhões.
Os recursos restantes estão investidos em outros produtos, como poupança e planos de previdência, segundo o levantamento da Anbima.

De acordo com Portásio, os milionários preferem aplicações um pouco mais arriscadas quando comparados com o investidor comum.

Um exemplo são os fundos multimercados, que respondem por 50,7% das aplicações dos endinheirados em fundos de investimento.
Na média geral do setor, a participação desses fundos, que aplicam em ações, renda fixa, câmbio e derivativos, é de 28%.

Os dados da Anbima foram coletados com o próprios bancos e essa é a primeira vez que a entidade divulga informações anuais do mercado de private banking.

O objetivo da entidade é fazer estatísticas regulares desse mercado, que até o ano passado não tinha dados consolidados.
Ao todo, 22 bancos passaram informações à Anbima.

Distribuição

R$ 162,2 bi
foram aplicados em fundos de investimento em 2010

R$ 118,6 bi
foram aplicados em papéis de renda fixa, como títulos públicos

R$ 68,2 bi
foram aplicados em ações

55,3%
das aplicações estão em São Paulo

18,3%
das aplicações estão no Rio

13%
das aplicações estão no Sul

5,5%
das aplicações estão no Nordeste

Altamiro Silva Junior O Estado de S. Paulo

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : LÁ VEM A INFLAÇÃO SUBINDO A LADEIRA SOB O COMANDO DA GERENTE DE NADA E COISA NENHUMA E O MINISTRO BUFÃO.

Começou bem o governo da presidente Dilma Rousseff:
a inflação voltou a subir forte no primeiro mês da nova gestão.
O IPCA (que serve de referência para o regime de metas) atingiu 0,83% em janeiro.

Foi a maior alta desde abril de 2005, igualando a marca de novembro passado.

O que está ruim deve piorar e a inflação mensal pode superar 1% neste mês de fevereiro. Atingir a meta prevista para este ano já é dado como missão impossível - o IPCA acumulado em 12 meses já está em 5,99% e deve furar o teto da margem de tolerância do sistema em meados deste ano.
O fogo do dragão está incinerando a renda do brasileiro.

Para quem quer que tenha que fazer uma compra de supermercado ou pagar o serviço de uma manicure, está mais que evidente que a inflação está voltando a ser um problema cotidiano no país.
Não para Guido Mantega e a equipe econômica petista.

O ministro da Fazenda continua na sua ladainha de que o que o Brasil experimenta é o mesmíssimo processo que se espraia pelo mundo todo, valoriza o preço dos alimentos e puxa os índices de preços para cima.
Seria tudo, portanto, um fenômeno global e uma onda passageira (sazonal).

Entoando este loa, Mantega vai vendo a caravana passar.
A chefe dele também assiste.

O triste é que os dados - estes estraga-prazeres - contradizem Mantega.
A inflação de janeiro foi a maior para este mês do ano desde 2003, ou seja, não há sazonalidade.
Os aumentos dos alimentos, também ao contrário do argumento oficial, foram bem menores agora do que haviam sido em novembro passado - outro mês de inflação igualmente nas alturas.

Em novembro, os alimentos subiram 2,22% e agora quase metade disso:
1,16%.
Não é, portanto, o chuchu o vilão da inflação corrente, como sonha Mantega, talvez saudoso dos anos de chumbo quando desculpas como esta colavam.

Os subíndices que compõem o IPCA, 70% aumentaram em janeiro - isto é, o movimento de alta é generalizado.
Se no comércio a remarcação de preços corre solta, na prestação de serviços já virou epidemia:
a inflação acumulada em 12 meses bateu em 7,88%, nível que não se observava no país desde 1997.

Para o ministro da Fazenda, segundo O Estado de S.Paulo, o importante é "evitar que se instale na economia um 'pessimismo' generalizado em torno da alta de inflação". Assim, o sábio Mantega prefere investir na "comunicação" da posição do governo. Melhor faria se agisse, definisse logo como o governo vai reduzir gastos e administrar melhor o dinheiro do contribuinte.

O tempo urge, porque vem mais inflação por aí.
O IGP-DI, que mede a inflação no atacado, mais do que dobrou:
passou de 0,38% em dezembro para 0,98% em janeiro.
Logo, logo esta onda também baterá no varejo e inchará ainda mais os índices ao consumidor.

Assustadas, as indústrias estão apertando a margem de lucros para não perder vendas, como mostra O Globo.
Não demora, também terão de repassar os custos represados para os preços. Enquanto mantêm os ganhos menores, tendem a cortar investimentos. Neste ciclo, perde o trabalhador em renda e em emprego.

Segundo a Folha de S.Paulo, Dilma Rousseff avaliou como "ruim" o resultado da inflação de janeiro e considera que "o número reforça sua decisão de fazer um 'forte' ajuste fiscal neste início de governo".
A presidente pode alegar tudo, menos surpresa.

A escalada inflacionária foi denunciada pela oposição na campanha eleitoral do ano passado. Dilma negou-a.
A necessidade de impor controle mais robusto sobre os gastos públicos foi defendida pela oposição no ano passado.
Dilma negou-a.

Não pode agora é negar-se a fazer o que é preciso para preservar a maior conquista da sociedade brasileira na história contemporânea: a estabilidade da moeda, conquista esta que seu partido sempre se negou a apoiar

Fonte: ITV

HOJE GOVERNO ANUNCIA O MONTANTE DE CORTES NO ORÇAMENTO.

SÃO PAULO (Reuters) -

O Ministério do Planejamento informou que o anúncio do montante dos cortes no Orçamento da União de 2011 será realizado às 16h desta quarta-feira.

O dado vem sendo aguardado há semanas por economistas, em meio às medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo para tentar conter a inflação.

O governo não sinalizou qual o volume que deve ser contingenciado do Orçamento deste ano, mas números em torno de 40 a 50 bilhões de reais têm percorrido os jornais e profissionais do mercado.

Os cortes seriam um meio de conter a demanda doméstica e conter as pressões inflacionárias e evitar que o Banco Central tenha que promover um aperto ainda maior na política monetária. Em janeiro, o BC já elevou a Selic de 10,75 para 11,25 por cento ao ano.

A expectativa das instituições financeiras é de que novos aumentos da taxa serão necessários, assim como mais medidas macroprudenciais, como as anunciadas em dezembro pelo mesmo BC para conter o ritmo de crescimento do crédito.

Na véspera, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou avanço de 0,83 por cento em janeiro, mesma taxa de novembro, que fora a maior desde abril de 2005.

(Por Aluísio Alves, com reportagem adicional de Isabel Versiani)

CRISTALEIRAS


Nosso universo social se divide em bens e serviços e, na categoria dos bens, há os móveis e os imóveis.
Os primeiros vão da camisa (que, dizem os sábios, só precisamos de uma unidade para sermos felizes) ao automóvel, a casa e a conta bancária que fala daquilo que permeia - como as orações no mundo religioso e o favorecimento partidário no político - tudo.


Sobram, é claro, os "móveis" que fabricam a paisagem da casa e são o foco ou a imagem central - símbolos como diriam Geertz, Victor Turner ou Lévi-Strauss - do que chamamos de "propriedade privada".

Pois quase sempre começamos nossas vidas de casados comprando os móveis (a cama e a mesa) da casa para depois completarmos o seu interior com poltronas, armários, aparadores, guarda-roupas, criados-mudos e esse objeto impar e, até onde vai minha enorme ignorância e vã e superada antropologia, as cristaleiras.

Eu só tive consciência desse móvel quando fui aos Estados Unidos e verifiquei que os americanos davam mais valor às suas vastas e confortáveis poltronas e estantes do que a esse repositório de "cristais", situado justamente num local de destaque nas salas de jantar ou em outros espaços nobres das residências.
(...)
O fato é que na América sempre tocquevileana não existiam essas um tanto ostensivas cristaleiras feitas de vidro e espelhos, um móvel que lembra uma catedral, uma caixa de joias e os cetins que envelopavam (revelando, contudo) o corpo das mulheres.

Objeto destacado da casa a ser visto, admirado e eventualmente aberto com extremo cuidado para visitantes ilustres ou ocasiões preciosas como aniversários, mortes e casamentos - os grandes ritos de passagem que marcam as nossas vidas.

Dir-se-ia que a vida marcada pelo ascetismo laico calvinista e pela religiosidade cívica rousseauneana bloqueava essas demonstrações ostensivas de coisas preciosas, já que, para eles, o viver para dentro era mais importante do que essa vida cristalizada para os outros (sobretudo para as visitas importantes ou de maior prestígio), como é o nosso caso.

Vi muitas cristaleiras na minha infância e juventude e, quando casei, compramos a nossa, que imitava o móvel dos nossos lares de origem.

Um dia, numa discussão acalorada entre professores mais velhos, ouvi de um deles o seguinte:
"O Fulano procede como um macaco em cristaleira!"

Jamais ouvi definição melhor daquele colega que por qualquer coisa, usava um canhão para matar um passarinho e fazia uma tempestade num copo d"água, numa descalibragem tão recorrente nos sistemas autoritários, de Estado forte, nos quais a cleptomania se legitima em cleptocracia como faz prova hoje em dia a nossa elite política enriquecida e, mais que isso, aristocratizada com o dinheiro dos nossos impostos que segue diretamente não para obras públicas, mas para as suas cristaleiras.
(...)
Como figura situada entre os anjos e os homens, por contraste com as que (sem casa e cristaleira) dialogavam com as forças satânicas que, entretanto, permitiam o teste e demonstravam a existência desse dom complexo chamado de "liberdade" que nos foi dado por Deus na forma do livre arbítrio.

Dom sem o qual faria com que tudo fosse determinado e justificado, tirando o mérito das escolhas e impedindo que o mundo tivesse significado.
Pois o problema não é a cristaleira, mas a inefável transparência que a constitui, deixando ver em dobro tudo o que colocamos dentro dela.

No plano coletivo, sou inclinado a sugerir que a cristaleira de um país é o seu governo e, no seu governo, o seu Parlamento.
A tal transparência tão invocada pelos mais atrasados coronéis que hoje mandam na nossa riqueza, gastando-a com nomeações de partidários e familiares.

Transparência que é, de fato, uma mera palavra de ordem para encobrir os moveis de chumbo de um Brasil sem crítica, sem contraditório político, sem - enfim - igualdade e transparência.

Esse translúcido móvel feito em vidro e espelho que permeava as casas que, como a República e a Democracia, guardava pureza, honra, compaixão e uma honestidade que sumiram da política nacional.

Roberto DaMatta O Globo -

SENADO : CASA FAZ FESTA PARA "REFORMA". POBRE BRASIL.


Enquanto caso dos atos secretos está parado na CCJ, edição especial destaca ‘transparência’.

Um ano e sete meses depois do escândalo dos atos secretos do Senado - que abalaram a gestão do seu presidente, José Sarney (PMDB-MA) e envolveram 37 senadores em manobras ocultas para criação de novos cargos e benefícios - a Mesa Diretora da Casa investiu numa caprichada edição comemorativa de seu "Biênio da Transparência e da Cidadania", para dizer que o episódio foi superado e está tudo bem.

Sob o título "Crise dos atos secretos dá início a mudanças profundas", a revista traz, em meio a editoriais e autoelogios disfarçados em balanços, uma reportagem sobre tudo o que foi providenciado pela gestão José Sarney para acabar com aqueles abusos.
Menciona punições de dois diretores, a abertura de três inquéritos administrativos, noticia que reagiu a denúncias "abrindo acesso aos dados". Sobre os atos em si, repete as conclusões de um relatório de 2009 segundo as quais "a maioria dos atos secretos tratavam (sic) de temas corriqueiros".

Argumenta, ainda, que "não pairava qualquer dúvida" quanto à "legalidade dos respectivos conteúdos".
Para arrematar, o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), assina um pequeno artigo em que define aquele episódio como "uma das piores crises que o Senado já viveu" mas conclui: "Posso dizer que conseguimos superá-la".

Na gaveta.
Os fatos indicam que a conclusão é apressada.
Uma reforma administrativa anunciada às pressas, em 2009, feita pela Fundação Getúlio Vargas, não agradou a senadores e servidores e está, há tempos, parada na Comissão de Constituição e Justiça.
"Não me parece parada a matéria", disse Sarney em nota no dia 31 de janeiro.
A reforma está recebendo sugestões - cerca de 600 já teriam chegado, adiantou ele.

Na prática, a grande mudança ocorrida na Casa, desde então, foi a recente aprovação de um novo plano de carreira com reajustes de 25% nos salários.
A promessa de reduzir as diretorias de 44 para sete não saiu do papel.

O quadro total de funcionários continua em torno de 10 mil, um terço dos quais "de confiança", escolhidos sem concurso. Servidores fantasmas e falta de controle de horas extras continuam sendo rotina.

A terceirização rola solta, como antes. Mas o editorial que abre a revista, do próprio presidente Sarney, tem como título "Um Senado cada vez mais transparente".

Gabriel Manzano O Estado de S. Paulo

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