"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 24, 2010

O PELEGUISMO E O PODER ABSOLUTO DO JOGO.

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Estejam todos avisados: o governo tem pressa, decidiu instalar até novembro o Conselho de Relações do Trabalho (CRT) e não vai admitir atrasos.

A advertência é do ministro Carlos Lupi.

Se até o começo de novembro alguma confederação patronal ou central sindical não tiver indicado os nomes de sua representação, ele cuidará do assunto, consultando, segundo seu critério, entidades sindicais de grande projeção e representatividade”.

O alerta está no parágrafo primeiro do artigo 11 da Portaria n.º 2.092, assinada pelo ministro do Trabalho em 2 de setembro.

Dificilmente alguma central ou confederação deixará de indicar os nomes no prazo fixado - até o começo de outubro - para a instalação do conselho no mês seguinte. Seus dirigentes podem até achar boa a ideia da criação de mais esse órgão, mas a advertência, ou ameaça, não deixa margem para dúvida.

Sugerida ou não por entidades sindicais, derivada ou não do Fórum Nacional do Trabalho instalado em 2003, a criação do CRT é agora uma decisão de governo e constitui, claramente, parte de um projeto de poder.

O Fórum foi constituído em 2003, no início da primeira gestão do presidente Lula, para esboçar um projeto de reforma sindical e trabalhista. Representantes de empregados e empregadores foram chamados para discutir o assunto com dirigentes e burocratas do Ministério do Trabalho.

Desse esforço resultou a Proposta de Emenda à Constituição n.º 369, de 2005, concebida, segundo seus autores, para modernizar a atividade sindical e o tratamento das questões trabalhistas.

A proposta chegou à Câmara dos Deputados em março de 2005 e a tramitação foi interrompida em março de 2008.

O assunto foi abandonado há dois anos e meio.

O governo, seu partido e seus aliados parecem haver perdido o interesse em qualquer aspecto modernizador daquele projeto.

Mas houve mudanças na relação entre governo e sindicatos nos anos seguintes. A administração petista conseguiu estender às centrais sindicais as benesses do imposto sindical.

A partir daí, as centrais passaram a lutar pelo domínio do maior número possível de sindicatos, no esforço para conseguir parcelas maiores do imposto.

Sindicatos chegaram a mudar de central mais de uma vez, nos últimos tempos, leiloando sua adesão em troca de vantagens.

Nunca antes na história deste país o peleguismo foi tão descaradamente guiado pelo fisiologismo.

Que as centrais sindicais defendam a criação do CRT é compreensível. Algumas dessas organizações não são, hoje, mais que extensões do governo, tal como concebido e moldado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os principais colaboradores de seu projeto de poder.

Mas as confederações patronais, ao que se informa, também apoiam o projeto e estão dispostas a participar do empreendimento. O CRT deverá, segundo a portaria, apresentar estudos e subsídios para a formulação de anteprojetos de lei, de outros atos normativos e de programas e ações governamentais.

Na prática, não podem rejeitar o chamado, porque o governo já decidiu constituir o conselho e, como esclareceu o ministro no texto da portaria, tomará providências para nomear representantes de cada lado, se as confederações e centrais não o fizerem.

A própria ideia de um organismo tripartite já desperta justificadas apreensões.

Em princípio, empregadores e empregados deveriam ser capazes de cuidar de seus interesses, dentro dos limites da lei e com recurso à Justiça ou a outro canal de mediação, quando o acordo é difícil.

Quando se fala de um conselho “tripartite”, o dado importante não é a referência a trabalhadores e empregadores, porque são os participantes originais do jogo.

O dado politicamente importante é a inclusão oficial do governo - a terceira parte - na mesa das conversações.

A portaria também se refere a câmaras bipartites, mas um dos participantes dessas câmaras será sempre o governo, por meio do Ministério do Trabalho.

A preocupação do governo obviamente não é com a modernização das relações do trabalho, mas com a consolidação de sua presença e de sua dominação nesse jogo.

Editorial/Estadão

INCERTEZAS NO USO DO FSB.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou muito sobre a decisão de permitir ao Fundo Soberano do Brasil (FSB) intervir no mercado cambial para conter a valorização do real ante o dólar.

No entanto, parece ter esquecido as regras que criaram o FSB e aumentou as dúvidas sobre o alcance da medida.

Inicialmente, há que lembrar que o Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) se baseou num equívoco, ao estabelecer que seus recursos viriam da poupança pública decorrente do superávit primário.

Esse superávit é uma figura contábil (muito manipulada pelo governo).

O que vale é o déficit nominal, que nos sete primeiros meses foi de R$ 65 bilhões.

Os recursos do FFIE nascem de um déficit importante e, quando forem usados, aumentarão o déficit.

Parecem estar na casa dos R$ 17 bilhões, ou seja, um valor muito pequeno para conter a valorização do real, levando em conta que a intervenção do Banco Central (BC) nos dez primeiros dias de setembro, por exemplo, ficou acima de R$ 5 bilhões.

Assim, o FFIE terá um poder de fogo muito limitado.

E, embora uma das suas funções seja a de "absorver flutuações dos ciclos econômicos", o ministro esclarece que, se faltarem recursos ao FFIE, poderá recorrer à ajuda do Tesouro, que, ao que tudo indica, teria de emitir títulos da dívida mobiliária.

O ministro explicou que a compra de dólares não terá nenhum efeito sobre os gastos públicos, pois se trata de uma troca de reais por dólar.

Se a operação for feita com recursos existentes, enfrentará o risco de uma desvalorização do dólar (que se verifica atualmente), o que representará uma perda para o Brasil, ao passo que o FSB foi criado justamente para permitir ao País aplicar seus recursos com maior rentabilidade do que a que o BC obtém em títulos do Tesouro americano, com rendimento apenas simbólico.

Se os recursos suplementares se originarem no Tesouro, a perda se torna substancial.

Até agora só se falou da intervenção que não se realizou, o que parece explicável pela opinião do ministro, segundo a qual o rombo externo não é grave.

O único fato positivo é que houve, finalmente, um acordo entre a Fazenda e o Banco Central para que esta instituição realize as compras em nome do FSB, para evitar uma desordem na atuação no mercado cambial, que deve ser fiscalizado pelo BC.

De fato, a ideia original era encarregar o Banco do Brasil dessas compras, cujo efeito sobre a taxa cambial continua duvidoso.

O Estado de S.Paulo

INCORRIGÍVEL E LITERALMENTE, É UM PALANQUEIRO, NÃO PALANQUEARAM FIRME ...

Sempre foi muito difícil conversar com Luiz Inácio da Silva e, pelo visto na entrevista ao Portal Terra, nada mudou.

Os oito anos na Presidência não serviram para que Lula aprendesse a atuar numa lógica diferente da que considera a disputa permanente o motor da vida.

O mundo, as coisas para ele têm essa dimensão: há o nós, há o eles, há o objetivo e um só valor, o resultado.

O resto - os meios, os preços, a coerência, a decência, as circunstâncias, as consequências - não interessa.

A dinâmica mental do presidente - isso fica nítido na esclarecedora entrevista - é apenas partidária.

Tanto que se define em um momento como "dirigente partidário", no outro diz que não exerce a Presidência com viés partidário e, no seguinte, defende seu direito de assumir "um lado" quando em época de eleições.

Lula acha que pode adaptar as regras da República à própria conveniência - uma delas a suspensão das obrigações presidenciais em períodos de campanha, sem sequer aludir à hipótese de pedir uma licença do cargo - e mede as pessoas por sua régua.

Acredita que todos competem o tempo todo. Exibe absoluta convicção de que os meios de comunicação disputam e que a informação é só um negócio de fachada.

Lula tem até razão quando defende que os veículos assumam suas posições político-eleitorais com clareza. Isso muitos fazem no mundo desenvolvido e aqui um ou outro até ensaia fazer.

Lula erra, contudo, quando generaliza e acha que toda crítica tem sentido partidário, que toda informação quando prejudica ou favorece alguém esconde uma motivação eleitoral.

Não percebe, por exemplo, que o que chama de "neutralidade disfarçada" muitas vezes ocorre exatamente por receio da patrulha e para não dar margem a desqualificações.

É manifestação da mesma visão atrasada que o faz desafiar jornais, revistas, rádios e televisões a entrarem na briga dos partidos.

Se de um lado os veículos não assumem posições, de outro se o fizessem seriam alvos de acusações porque os políticos em geral - e os cidadãos também - não sabem separar o direito de opinar do dever de informar.

Ademais, há muitos, senão a maioria, que simplesmente mnão têm posição contra ou a favor de alguém. As pessoas pode adotar critérios que não os partidários.

Por exemplo, a diferenciação entre certo e errado, legalidade e ilegalidade.

Quanto à defesa que Lula faz do próprio direito de assumir "um lado" na eleição, ninguém diz que ele não pode apoiar uma candidatura nem dar palpites.

Não pode é desrespeitar as leis, passar por cima do princípio da impessoalidade previsto na Constituição e ainda escarnecer do antecessor a quem hoje chama de "perdedor", mas a quem agradeceu a "imparcialidade" no processo, assim que foi eleito em outubro de 2002.

Contra-ataque.

A nova publicidade tucana que circula exclusivamente na internet é agressiva? Bastante.

Agora, o conteúdo dos filmetes é indubitavelmente oposicionista, em tom muito diferente daquele adotado habitualmente pelo PSDB e que tem sido alvo de críticas por excessivamente ameno.

A propaganda lança mão de alegorias de tintas bem carregadas e, neste aspecto, luta com as armas adotadas desde sempre pelo PT e particularmente escolhidas para uso nesta eleição pelo presidente Lula.

Bonito de ver não é, mas em matéria de agressividade e ausência de civilidade no trato o PT e Lula são os últimos a poder reclamar.

Inclusive porque quando o trato é cortês confundem cortesia com covardia.

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Lógica de palanque

setembro 23, 2010

NO REINADO DO ÉBRIO A BANDIDAGEM ESTÁ LIVRE LEVE E SOLTA : ROUBARAM COMPUTADOR NO MPE COM INF. SIGILOSAS DE FRAUDE DE LICITAÇÕES.


Um computador do Ministério Público Estadual foi furtado na madrugada de hoje de dentro da sede do órgão, em Campinas (93 km de SP).

O aparelho armazenava informações sigilosas sobre as investigações de suposta organização criminosa suspeita de fraudar licitações públicas.

O computador estava na sala do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), responsável pelas investigações.

O prédio do Ministério Público foi invadido pelos fundos e a sala do Gaeco foi arrombada.
Segundo os promotores, a sede da Promotoria tem vigias e ainda não se sabe como os criminosos conseguiram entrar no local sem serem notados.

A suposta organização criminosa investigada agia em três Estados (São Paulo, Minas Gerais e Tocantins) e em pelo menos onze cidades do interior de São Paulo, segundo as investigações do Ministério Público de São Paulo.

A suposta organização já fraudou pelo menos R$ 615 milhões, segundo as investigações. Oito pessoas suspeitas foram presas na sexta-feira passada.

Seis empresas, em nomes de laranjas, venciam licitações em diversos órgãos públicos e autarquias, segundo os promotores.

Entre os suspeitos estão dois policiais civis de Campinas, além de lobistas e empresários. Duas pessoas estão foragidas.

As investigações de fraudes em licitações, segundo os promotores, começaram pela Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A), empresa de economia mista, cujo acionista majoritário é a Prefeitura de Campinas.

Além da Sanasa, segundo nota do Ministério Público, foram encontradas contratações suspeitas em diversos órgãos públicos como no próprio Ministério Público Estadual e no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

"Durante o monitoramento telefônico e telemático [correspondência eletrônica], houve menção a inúmeros agentes políticos e servidores públicos de vários municípios e Estados, incluindo prefeitos, secretários, deputados, um governador e um procurador geral do Estado", diz um trecho da nota do Ministério Público.

Os nomes dos políticos não foram divulgados pelos promotores.

Os promotores também investigam o vazamento de uma relatório da Polícia Federal sobre as apurações.

MAURÍCIO SIMIONATO
DE CAMPINAS/
Folha

DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL SOBE PARA R$ 1,61 trilhão EM AGOSTO.

A dívida pública federal, o que inclui os endividamentos interno e externo, subiu 1,04% em agosto deste ano, quando atingiu o valor de R$ 1,61 trilhão, informou nesta quinta-feira (23) a Secretaria do Tesouro Nacional.

Em julho, a dívida estava em R$ 1,60 trilhão.

Fatores para o aumento

De acordo com o governo, o principal fator que contribuiu para a elevação da dívida pública em agosto deste ano foi a contabilização dos juros incidentes sobre o endividamento brasileiro.

No mês passado, a despesa com juros somou R$ 13,45 bilhões, boa parte do crescimento de R$ 17 bilhões registrado no débito brasileiro.

Além da apropriação de juros, a emissão líquida (acima do volume de vencimentos em títulos públicos) de R$ 3,28 bilhões também contribuiu para o crescimento da dívida pública em agosto.

Dívida interna e externa

No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi registrado um crescimento de 1,03% em agosto, para R$ 1,52 trilhão.

Em julho, a dívida interna estava em R$ 1,50 trilhão. Neste caso, o crescimento foi de R$ 15 bilhões.

Já a dívida externa brasileira, resutlado da emissão de bônus soberanos no mercado internacional e de contratos firmados no passado, o governo contabilizou a elevação de R$ 1,2 bilhão em agosto, para R$ 93,5 bilhões.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

A VANGLÓRIA DO ÉBRIO : ONU JÁ ERA?O O$CAR SERVE! TROCOU O E$PÍRITO DE VIRA LATA PELA FALTA DE VERGONHA E $EN$O DO RIDÍCULO!

A produtora Paula Barreto disse que ia chorar de emoção quando ouviu que “Lula - O filho do Brasil” foi o escolhido para representar o país na disputa pela vaga na categoria filme estrangeiro(click)no Oscar.

“Que notícia boa, que notícia boa”, repetia. “[O filme] foi tão bem avaliado lá fora. Três membros da comissão de seleção [de filmes estrangeiros] da Academia, que já assistiram ao filme, disseram que ele tem grande chance de entrar”, contou, enquanto dizia para as pessoas em sua produtora, a LC Barreto, sobre a notícia. Do lado de Paula, a alegria era geral.

“Nós estávamos na expectativa, mas pensamos que não iam escolher porque é um filme sobre o presidente. Mas é só um filme. E ele foi pouco analisado como filme. A história é sensacional, sobre um brasileiro, sobre um Silva”, argumentou.

Paula, irmã do diretor do longa, Fábio Barreto - que se recupera de um acidente gravíssimo em 2009 - lembrou da experiência da produtora no Oscar.

“Não se trata do melhor filme para o Oscar, mas o mais adequado. Já estivemos lá duas vezes, com ‘O quatrilho’ e ‘O que é isso, companheiro?’. Nós sabemos como é o processo. A comissão é composta só por velhinhos, a mais nova tem 62 anos. Todos têm uma visão diferente.”

Ela lembrou de elogios de críticos internacionais e artistas como Ben Kingsley, que disse que iria lutar pelo filme, afirmando que “Lula...” tinha “cara de Oscar”.

“Gostaria que os brasileiros vissem o filme como filme”, pediu.

Ronaldo Pelli Do G1 RJ

AO ÉBRIO APRENDIZ DE DÉSPOTA E SENHOR "OPINIÃO PÚBLICA". A OPORTUNIDADE PARA RECUPERAR O JUÍZO, SE A CACHAÇA "DER UM TEMPO".

A escalada de ataques furiosos do presidente Lula contra a imprensa - três em cinco dias - é mais do que uma tentativa de desqualificar a sequência de revelações das maracutaias da família e respectivas corriolas da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

É claro que o que move o inventor da sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, é o medo de que a sequência de denúncias - todas elas com foros de verdade, tanto que já provocaram quatro demissões na Pasta, entre elas a da própria Erenice - impeça, na 25.ª hora, a eleição de Dilma no primeiro turno.

Isso contará como uma derrota para o seu mentor e poderá redefinir os termos da disputa entre a petista e o tucano José Serra.

Mas as investidas de Lula não são um raio em céu azul. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele invariavelmente acusa a imprensa de difundir calúnias e infâmias contra ele e a patota toda vez que estampa evidências contundentes de corrupção e baixarias eleitorais no seu governo.

A diferença é que, agora, o destampatório representa mais uma etapa da marcha para a desfiguração da instituição sob a sua guarda, com a consequente erosão das bases da ordem democrática.

A apropriação deslavada dos recursos de poder do Executivo federal para fins eleitorais, a imersão total de Lula na campanha de sua afilhada e a demonização feroz dos críticos e adversários chegaram a níveis alarmantes.

A candidatura oposicionista relutou em arrostar o presidente em pessoa por seus desmandos, na crença de que isso representaria um suicídio eleitoral - como se, ao poupá-lo, o confronto com Dilma se tornaria menos íngreme.

Isso, adensando a atmosfera de impunidade política ao seu redor, apenas animou Lula a fazer mais do mesmo, dando o exemplo para os seguidores. As invectivas contra a imprensa, por exemplo, foram a senha para o PT e os seus confederados, como a CUT, a UNE e o MST, promoverem hoje em São Paulo um “ato contra o golpismo midiático”.

É como classificam, cinicamente, a divulgação dos casos de negociatas, cobrança e recebimento de propinas no núcleo central do governo.

Sobre isso, nenhuma palavra - a não ser o termo “inventar”, usado por Lula no seu mais recente bote contra a liberdade de imprensa que, com o habitual cinismo, ele diz considerar “sagrada”.

O lulismo promove a execração da mídia porque ela se recusa a tornar-se afônica e, nessa medida, talvez faça diferença nas urnas de 3 de outubro, dada a gravidade dos escândalos expostos.

Sintoma da hegemonia do peleguismo nas relações entre o poder e as entidades de representação classista, o lugar escolhido para o esperado pogrom verbal da imprensa foi o Sindicato dos Jornalistas.

O seu presidente, José Camargo, se faz de inocente ao dizer que apenas cedeu espaço “para um debate sobre a cobertura dos grandes veículos”.

Mas a tal ponto avançou o rolo compressor do liberticídio que diversos setores da sociedade resolveram se unir para dizer “alto lá”.

Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários - todos eles figuras de projeção - lançaram ontem em São Paulo um “manifesto em defesa da democracia”, que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo - até a opinião pública - e que tudo pode.

Um movimento dessa natureza não será correia de transmissão de um partido nem estará atado ao ciclo eleitoral. Trata-se de reconstruir os limites do poder presidencial, escandalosamente transgredidos nos últimos anos, e os controles sobre as ações dos agentes públicos.

“É intolerável”, afirma o manifesto, “assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.”

É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.

O texto evoca valores políticos que, do alto de sua popularidade, Lula lança ao lixo, como se, dispensado de responder por seus atos, governasse num vácuo ético.

Editorial do Estadão:
O desmanche da democracia

setembro 22, 2010

O LEGADO DE FHC. QUE O ÉBRIO CRETINO SEGUIU.

Tornou-se um esporte nacional, há exatos 11 anos, falar mal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A se levar a sério o que é dito, seu governo foi um dos piores da história.

O sucesso de público do governo Lula reforçou a zombaria. Hoje, até os aliados de FHC desistiram de defendê-lo.

O ex-presidente parece não ter seguidores dentro do próprio partido, o PSDB. O que todos fingem esquecer é que o Brasil vive hoje, em grande medida, do legado de Fernando Henrique.

Como ministro da Fazenda, FHC fez o Plano Real, que debelou a hiperinflação. Não é pouco. A estabilidade de preços é um ativo político de valor incomparável, especialmente num país que sofreu por décadas com o infortúnio da inflação.

Não foi à toa que deu a FHC duas vitórias presidenciais no primeiro turno. O presidente Lula descobriu, rapidamente, o valor da estabilidade.

Em seu primeiro mandato, também deu prioridade ao combate à inflação, mas jamais comemorou o aniversário do real - em 2004, fez chegar a grandes empresários que não via com bons olhos a celebração da data.

FHC saneou o sistema financeiro nacional. Com a queda abrupta dos índices de preços, grandes bancos perderam receita inflacionária e fecharam as portas.

A desconfiança dos depositantes era tanta que, se não fosse o mal-afamado Proer, a quebradeira poderia ter se generalizado.

Hoje, Lula e seus ministros se orgulham do fato de o sistema bancário brasileiro ter atravessado, quase incólume, a pior crise financeira em 80 anos.

Governo Lula não é a antítese da gestão Fernando Henrique

Fernando Henrique quebrou os monopólios estatais, criou agências independentes para regular os setores liberalizados e privatizou estatais. Não fez isso por razões ideológicas, mas por necessidade.

Desde a crise da dívida, no início dos anos 80, o Estado brasileiro perdera a capacidade de investir. Era continuar drenando recursos para as estatais ou aplicá-los em áreas essenciais, como saúde e educação.

Tome-se o exemplo da Vale. Entre 1943, ano de sua fundação, e 1997, quando foi privatizada, a empresa investiu, em média, US$ 481 milhões por ano, e teve lucro líquido de US$ 192 milhões.

De 1998 a 2009, investiu US$ 6,1 bilhões e lucrou US$ 4,6 bilhões. As exportações saltaram de US$ 1,1 bilhão para US$ 7,7 bilhões.

O retorno para a sociedade foi além - o recolhimento de impostos pulou de US$ 31 milhões para US$ 1,093 bilhão por ano.

Na telefonia, em 1997, um ano antes da privatização, havia 21,5 milhões de telefones fixos e celulares no país, 13,4 por cada 100 habitantes.

Em 2009, eram 215,4 milhões, com densidade de 112,1 por 100 habitantes. No caso da Petrobras, FHC não a privatizou, mas, ao abrir seu capital em 2001, tirou-a do marasmo, além de beneficiar milhares de trabalhadores, que usaram o FGTS para comprar ações da empresa.

Nos cinco anos anteriores à abertura de capital, a estatal investia US$ 5 bilhões, em média, por ano. Em 2008, aplicou US$ 29 bilhões.

Hoje, tanto a Vale quanto a Petrobras são estrelas reluzentes do capitalismo brasileiro.

O presidente Lula admira tanto as duas que costuma brincar com assessores, dizendo que, depois da presidência da República, gostaria de comandar a Petrobras; no caso da Vale, seu desejo é influir na gestão.

FHC reorganizou as finanças dos Estados. Em 1997-1998, renegociou suas dívidas. No ano 2000, sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Privatizou a maioria dos bancos estaduais, fechando um ralo por onde escorriam bilhões de reais em desperdício e corrupção.

Os três marcos foram fundamentais para sanear as contas dos governos estaduais, que nos anos recentes recuperaram, inclusive, a capacidade de investir.

Na área social, FHC universalizou o ensino fundamental, promoveu avanços na saúde e criou os programas de transferência de renda, que, na gestão Lula, foram unificados no Bolsa Família.

Reformou ainda a previdência social e criou o fator previdenciário, dificultando a concessão de aposentadorias a quem tem menos de 50 anos.

Disseminou-se a ideia de que FHC perdeu popularidade porque quebrou os monopólios estatais, privatizou e mudou as regras de aposentadoria.

Essa percepção não encontra abrigo nas evidências. Números do Datafolha mostram que, entre 1995 e 1998, a popularidade de FHC variou pouco nas faixas de ótimo/bom e regular - ambas sempre em torno de 40%.

A rejeição esteve sempre abaixo de 20%, com exceção do fim de 1998, quando chegou a 25%.

FHC perdeu apoio popular quando o governo, no primeiro mês do segundo mandato, foi forçado a desvalorizar o real. Aquilo foi entendido pela população como uma quebra de confiança e uma ameaça à estabilidade.

No seu pior momento, em setembro de 1999, apenas 13% dos brasileiros consideravam seu governo bom ou ótimo; 56% o rejeitavam.

A desvalorização foi o reflexo de um equívoco - a manutenção do real valorizado de maneira artificial por muito tempo, contrariando, inclusive, as opiniões de setores do governo.

Outro grande erro foi ter proposto ao Congresso a emenda da reeleição, tirando proveito da mudança em benefício próprio - isso não invalida a importância da reeleição, mas o correto teria sido aprová-la para entrar em vigor no governo seguinte.

Pode-se mencionar ainda a falta de planejamento que levou ao apagão.

A perda de popularidade de FHC fez com que os adversários espalhassem a ideia de que seu governo foi um desastre, o que, como se vê, está longe de ser verdade.

Tudo passou a ser condenado, mesmo aquilo que, na época em que foi feito, tenha sido aprovado pela maioria da população, como de fato ocorreu.

Trata-se de uma das maiores mistificações da história do país, afinal, o Brasil vive hoje, com razoável grau de satisfação, dentro do legado construído por FHC.

Um legado aprovado pela população e seguido por Lula.

Cristiano Romero Valor Econômico

ROMBO EXTERNO VAI A US$ 60 BI EM 2011, DIZ BC

O Banco Central prevê que o déficit em conta corrente - que registra todas as transações de bens e serviços com o exterior - vai atingir US$ 60 bilhões em 2011, ante US$ 49 bilhões esperados para este ano.

Se confirmado, o rombo de 2011, em valores, será a maior da história.

0 aumento das remessas de lucros e a explosão de gastos em viagens internacionais são as maiores pressões sobre essa conta.

Déficit da conta corrente, que registra transações de bens e serviços com o exterior, equivalerá a 2,78% do PIB e será o mais alto desde 2001

O Banco Central prevê que a piora da conta corrente brasileira - que registra todas as transações de bens e serviços com o exterior - vai continuar em 2011.

Em relação ao tamanho da economia, o déficit previsto pelo BC é de 2,78% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011.

Se confirmado, será o mais alto desde 2001.

Para 2010, o BC projeta déficit em conta corrente de US$ 49 bilhões (ou 2,49% do PIB).

A composição do déficit em conta corrente de 2011 é determinada principalmente pelo saldo negativo na conta de serviços e rendas - onde estão itens importantes como remessas de lucros e viagens internacionais.

O BC projeta saldo negativo em serviços e rendas de US$ 75 bilhões em 2011, parcialmente amenizado pelo superávit comercial de US$ 11 bilhões e transferências líquidas de não residentes para o Brasil de US$ 4 bilhões.

Apesar de trabalhar com um cenário de déficit maior, o BC prevê uma melhor qualidade de financiamento das contas externas em 2011.

A estimativa mais pessimista para a conta corrente foi acompanhada de uma previsão bem mais otimista para o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED, voltado para a produção) ao Brasil.

A expectativa é que os investimentos externos em produção somem US$ 45 bilhões em 2011, o correspondente a 2,08% do PIB. Para 2010, o BC prevê US$ 30 bilhões - projeção 21% menor do que a anterior.
Cenário pior.

Com isso, o BC prevê que os investimentos produtivos, recursos que têm um perfil de longo prazo e não saem a qualquer momento do País, vão cobrir 75% do déficit externo esperado para o ano que vem. O resto será compensado com folga pelos demais capitais que entrarão no Brasil, como aplicações em ações, renda fixa e empréstimos.

Essa sobra acabará engordando o saldo das reservas internacionais brasileiras. Em 2010, considerando os números projetados pelo BC, o IED vai cobrir apenas 61,2% do déficit em conta corrente.

Olhando-se para os dados em relação ao tamanho da economia - que é a melhor forma de comparação, já que o valor nominal do déficit externo tende naturalmente a ser maior ao longo do tempo - essa análise se mantém.
A diferença entre o déficit em conta corrente e o IED, que terá de ser coberta por outras fontes de dólares, será de 0,7 ponto porcentual do PIB em 2011, pelo cenário do BC.

Já as estimativas para 2010 mostram um cenário pior, com o IED deixando sem cobertura 0,96 ponto do PIB.

Ou seja, as demais fontes de dólares - como os investimentos financeiros - terão papel mais relevante para fechar as contas neste ano do que em 2011.

O quadro esperado para o fechamento de 2010 é muito semelhante aos números atuais. Nos 12 meses encerrados em agosto, o déficit em conta corrente foi de 2,32% do PIB (US$ 45,81 bilhões), enquanto o IED foi de 1,38% do PIB (US$ 27,22 bilhões), o que representa uma diferença de 0,94 ponto do PIB.

Mais pessimista que o BC, o professor de economia da USP Fabio Kanczuk prevê que o rombo das contas externas deve atingir US$ 80 bilhões em 2011.

Para ele, a continuidade do crescimento econômico vai acelerar a deterioração das contas já vista em 2010.

"Como estamos em um regime de câmbio flutuante, essa piora vai acabar afetando as cotações do real, que vai se desvalorizar em algum momento. Quando isso acontecer, as contas vão acabar se equilibrando", diz, ao lembrar que o real mais fraco favorece exportações e encarece a compra de importados e viagens internacionais.

Fabio Graner, Fernando Nakagawa O Estado de S. Paulo

O ÉBRIO E O SEU ESPAÇO CONSENTIDO PARA USAR E ABUSAR DA DESFAÇATEZ.

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O BRASIL É UM país estranho.

O TSE fez várias propagandas explicando ao eleitor quais são as funções dos deputados, senadores, governadores e do presidente.

Contudo, ao relatar as principais atribuições do presidente, ocupou mais da metade do tempo dizendo que cabe a ele divulgar o país no exterior, viajar e buscar novos negócios.

Curiosamente, nenhuma dessas funções fazem parte do artigo constitucional que regulamenta as atribuições presidenciais.

Ou seja, o TSE, que é presidido por um ministro do STF, desconhece qual o papel que deve ser exercido pelo presidente da República. Mas, a bem da verdade, o desconhecimento é mais amplo.

O próprio presidente Lula tem demonstrado nesta campanha eleitoral que não sabe os limites estipulados pelo artigo 84, logo ele que foi deputado constituinte (mas que, junto com a bancada do PT, votou contra a aprovação do texto constitucional).

Sem exagero, é possível afirmar que nunca na história presidencialista brasileira um presidente foi tão agressivo contra seus adversários. Faz ameaças, agride, acusa.

É o verdadeiro Lula, é a cara do cara, sem maquiagem ou disfarce.

Quando um presidente não tem freios, como agora, é a democracia que corre risco. A omissão do Judiciário é perigosa. E vai criando, pela covardia, uma nefasta jurisprudência.

Em certos casos, cabe ao STF uma ação para coibir a violação da Constituição.

Mas, dificilmente ocorrerá: o STF não tem uma história de defesa da cidadania frente ao despotismo do Estado. Pelo contrário, nos momentos mais difíceis do país, a Suprema Corte silenciou.

Basta recordar a conivência com o Estado Novo ou com a ditadura militar.

A irritação presidencial com as críticas demonstra a dificuldade de conviver com a democracia. Lula sabe que no Brasil é predominante a cultura política autoritária. E que conta com o apoio popular, assim como a ditadura, durante o chamado milagre brasileiro, graças à situação econômica.

Em um país sem tradição democrática, um governo descompromissado com a defesa das liberdades, fica seduzido pelo poder absoluto. Para isso, necessita esmagar a oposição a qualquer preço.

E conta com a adesão da maior parte da elite política, sedenta por saquear o Estado, tarefa facilitada pela supressão das liberdades.

Caminhamos para um impasse político.

Com um Executivo que tudo pode, um Judiciário omisso e um Legislativo dócil, com ampla maioria governamental, que permitirá mudanças constitucionais ao bel prazer dos poderosos de momento.

Marco Antonio Villa/Folha