"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 11, 2010

UPA ! FAZ PARTE DO RASTRO DE PROMESSAS, METAS, CONSTRUÇÕES, ETC. NÃO CUMPRIDAS, INACABADAS .UM PEQUENO EXEMPLO.


Agência O Globo/Evandro Éboli

O ministro da Saúde, José Temporão, admitiu que o governo não cumprirá promessa do presidente Lula, feita recentemente, de encerrar o governo com 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Temporão disse que, em dezembro, haverá apenas 200 UPAs.

Das 500 prometidas por Lula, só há 42 hoje; até dezembro, serão no máximo 200

A maior parte das 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Ministério da Saúde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu entregar até o fim de seu mandato não sairá do papel até dezembro.

Ou se limitará a um grande canteiro de obras, muitas delas paradas.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu que o governo encerrará 2010 com apenas cerca de 200 UPAs em funcionamento.

Até agora, só 42 estão funcionando
e cerca de 400 estão encaminhadas:
em fase de construção, de assinatura de convênios ou à espera do repasse de recursos.
No início de junho, Lula assegurou a construção de 500 unidades até deixar o governo.

Ele falou sobre o assunto no programa de rádio Café com o presidente, dias depois de ter inaugurado a UPA da Cidade de Deus, no Rio.


Temporão afirmou, porém, que barreiras burocráticas(sic) impedirão que as 500 estejam em funcionamento até o final do ano.


No caso das UPAs, a transferência é feita através de convênio.
(...)

Não chegaremos com 500, mas 200 estarão funcionando até o final do ano disse Temporão.

SEM CONTESTAÇÃO É MEL NA CHUPETA ll / A COISA : NA ROCINHA FORAM INVESTIDOS R$ 270MILHÕES, NA VERDADE FORAM R$ 80 milhões. ELA É FRAUDE.

Agência O Globo/Fábio Vasconcellos

Foi de R$ 80 milhões o investimento do PAC em saneamento na Rocinha - e não R$ 270 milhões, como afirmou Dilma no "JN".

Para economistas como Armínio Fraga, ela também errou ao culpar o governo FH pelo baixo crescimento.

Em entrevista ao "JN", petista disse que governo investiu R$ 270 milhões na Rocinha, mas valor real não chega a 30% disso

Diferentemente do que afirmou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, o governo federal não investiu R$ 270 milhões em saneamento na favela da Rocinha.

Segundo dados da Empresa de Obras Públicas do estado (Emop), órgão responsável pela execução das obras do PAC no Rio, a comunidade será beneficiada com R$ 80 milhões em projetos de saneamento, ou cerca de 30% do que valor citado pela ex-ministra em entrevista anteontem ao Jornal Nacional, da Rede Globo.

Se forem considerados apenas os recursos repassados pela União, a verba federal para o saneamento na favela é ainda menor.

Do total previsto nos convênios para as obras do PAC na Rocinha, cerca de 56% dos recursos são de responsabilidade do governo federal, e 44% do estado.

Na entrevista ao JN,

Dilma foi confrontada com indicadores modestos com relação a saneamento no país. Em sua resposta, a candidata do PT disse que os investimentos apenas na Rocinha se equiparavam a tudo o que tinha sido aplicado por governos passados.

O Brasil investia menos de R$ 300 milhões no país inteiro.

Hoje, aqui no Rio, numa favela, a Rocinha, nós investimos mais de R$ 270 milhões afirmou Dilma, citando dados errados.

O valor citado pela ex-ministra corresponde, na verdade, ao pacote total das obras do PAC na Rocinha, que prevê ainda projetos de urbanização, construção de uma passarela, centro esportivo onde Dilma foi anteontem gravar imagens para o seu programa eleitoral e uma unidade de atendimento médico.

Segundo a Emop, 81% das obras já foram entregues.

Lula também já inflou investimento no setor

O vice-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Raimundo Lima, disse ontem que a Rua 2 é um dos trechos com maior problema de saneamento na comunidade:

Estamos acompanhando as obras com expectativa. Muitas ruas tinham sérios problemas de saneamento que, aos poucos, estão sendo resolvidos. Houve ainda intervenções nas ruas Ápia, Dianéia e Estrada da Gávea.
(...)
O argumento usado pela candidata do PT para enaltecer os investimentos do governo federal foi semelhante ao apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula, quando esteve no Rio em fevereiro para inaugurar um gasoduto na Refinaria de Duque de Caxias.

Na ocasião, o presidente afirmou que nos últimos 30 anos, se pegar tudo o que foi investido em saneamento básico para a população, não deu nem a metade do que nós investimos.

Apesar de ter inflado os números do investimento do governo federal em saneamento na Rocinha, Dilma Rousseff esqueceu de projetos do PAC que estão sendo realizados nos Complexo do Alemão e de Manguinhos, e que preveem melhorias no esgotamento e abastecimento de água.

Em Manguinhos, as obras somam R$ 661 milhões, dos quais R$ 297,8 milhões são recursos do Orçamento da União e R$ 363,96 de contrapartida do estado e da prefeitura do Rio.

agosto 10, 2010

LUZ PARA A CANDIDATA POSTE NO OPORTUNISMO ELEITORAL DE UM ANÚNCIO SOBRE O BOLSA FAMÍLIA.


g1

A ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, afirmou nesta terça-feira (10) que a tendência do programa Bolsa Família é de aumentar o benefício pago a famílias que têm crianças na escola.

A pasta divulgou nesta tarde um levantamento mostrando que crianças beneficiárias do programa têm melhores condições de saúde e educação.

Questionada se o foco da ampliação do programa deveria ser na ampliação do número de beneficiários ou no aumento da beneficia, a ministra sinalizou a diretriz do Bolsa Família.

“O aumento do benefício variável tem um impacto importante beneficiando as famílias que tem filhos na escola. Então a tendência sempre é ir na ampliação do benefício na direção da família que tem filho na escola”.

O levantamento divulgado pelo ministério teve um custo de R$ 3,8 milhões e foi feito pelo Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares.

Foram monitoradas cerca de 11 mil famílias em 2009 e comparados resultados obtidos em 2005.

Fizeram parte da análise famílias beneficiárias do programa e outras que não estão inseridas. O resultado mostrou melhores índices nas áreas de saúde e educação entre as beneficiárias.

A ministra admitiu que o estudo ainda não está completo, faltando a análise de temas como a colocação dos beneficiários do programa no mercado de trabalho e os gastos da famílias incluídas.

Estes dados ainda não têm data marcada para a divulgação.

Apesar de a divulgação dos dados parciais acontecer há menos de dois meses da eleição presidencial, a ministra negou que houve a intenção eleitoral na divulgação do estudo neste momento.

“São mais de 80 pesquisas que nós fazemos e temos um cronograma para divulgar as conclusões. Tivemos a oportunidade de dar publicidade agora e poderíamos ser acusados da mesma forma se não fizéssemos agora”.

Mesmo negando a intenção eleitoral, a ministra defendeu que o programa deve ser mantido pelo próximo presidente.

“Desejamos que sim. Existe uma lei federal aprovada pelo Congresso Nacional, um reconhecimento mundial e dos próprios beneficiários. O Brasil é outro com este programa. Este programa mudou a vida de milhões de famílias”, afirmou Márcia.

EUA/ONU : MANDA QUEM PODE E APRENDIZ ÉBRIO DE DÉSPOTA OBEDECE, OU SEJA , VOCÊ MANDA LÁ EMBAIXO AQUI EM CIMA QUEM MANDA SOU EU.

Nathalia Passarinho Do G1

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou nesta terça-feira (10) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que prevê a aplicação pelo Brasil das sanções contra o Irã aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Irã foi punido por causa de seu programa nuclear em uma decisão tomada pela maioria dos membros do conselho.

Na ocasião, o Brasil foi o único a votar contra as sanções.

Segundo Amorim, Lula assinou o documento “contrariado” porque o governo nunca apoiou a adoção de medidas de retaliação ao programa de enriquecimento de urânio do país comandado por Mahmoud Ahmadinejad.

Com a assinatura do decreto, o Brasil passará adotar as restrições comerciais previstas ao Irã.

“O presidente Lula, como aliás havia sido dito desde o início que ocorreria, assinou o decreto internalizando a resolução 1929 do Conselho de Segurança, que é a resolução que expandiu as sanções contra o Irã”, disse o ministro.

“O presidente Lula assinou o decreto porque tem a tradição de cumprir com as resoluções do Conselho de Segurança mesmo quando não concorde com elas, por ser fiel ao multilateralismo e por ser contra decisões unilaterais”, disse o ministro.

Apesar de justificar a internalização das sanções no Brasil, Amorim voltou a criticar a decisão da ONU de punir o país islâmico. Para o ministro, as punições estimulam o radicalismo ao invés de contribuírem para resolver o impasse.

“Obviamente não cremos que o isolamento contribua para a solução pacífica da questão. O isolamento em geral contribui para mais radicalismo. O isolamento geralmente atinge os mais pobres, os mais vulneráveis”, disse.

Amorim afirmou também que a adoção de sanções não deve trazer grande modificação às relações comercial e diplomática do Brasil com o Irã.

“Não atinge o agronegócio porque alimentos não estão incluídos. Na creio que haja nada que diretamente nos atinja no que nós estamos fazendo hoje”, disse.

“Alguns bancos e algumas empresas que foram suspeitas de terem envolvimento com atividades nucleares há uma recomendação de que não haja negócio com elas”, explicou o ministro.

PARA O HORÁRIO ELEITORAL : UM ENGÔDO DEMAGÓGICO DE R$ 32 bi.


Natanael Damasceno O Globo
Ao visitar ontem o Complexo Esportivo da Rocinha, no Rio, para gravar imagens para o seu programa eleitoral, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, prometeu, caso seja eleita, investir na formação de atletas até 2014.

Para isso, disse que vai construir seis mil quadras poliesportivas em escolas com mais de 500 alunos e coberturas em outras 4 mil quadras que já existem.

Se for levado em conta o custo do Complexo da Rocinha, a promessa pode custar mais de R$ 32 bilhões.

O futuro, para sermos uma potência esportiva, começa aqui em centros como esses. Daqui podem sair os atletas que serão campeões nas Olimpíadas de 2016.

Eu tenho um compromisso de construir em torno de 800 praças do PAC, que são centros como esse, em todos os lugares do Brasil.

Nós podemos ser um país com alto desempenho esportivo e alto desempenho social disse a candidata.

O Complexo Esportivo da Rocinha, inaugurado em março, tem quadras poliesportivas, campo de futebol soçaite com grama sintética, duas piscinas e espaços para aulas de surfe, boxe e judô, entre outras modalidades de esporte.

Com três pavimentos, custou, segundo o ministério das Cidades, cerca de R$ 41 milhões.

Dilma prometeu investir R$ 11 bilhões em drenagem e proteção de encostas como forma de solucionar parte do problema da ocupação em áreas de risco.

A PETROBRAS E A SEQUÊNCIA DE ACIDENTES, A DA VEZ É A P-33.


Agencia o Globo

A Agência Nacional do Petróleo vai inspecionar a plataforma P-33, da Petrobras, na Bacia de Campos, que sofreu explosão dia 14.
Relatório de fiscais do Ministério do Trabalho e denúncias do Sindicato dos Petroleiros apontam falhas na P-33.


Os fiscais pediram a interdição de equipamentos, mas a estatal obteve liminar e os aparelhos continuam funcionando, apesar do risco de novos acidentes.
A P-33 tem capacidade para 63 mil barris de petróleo/dia, mas está produzindo só 20 mil.


Auditores fiscais interditaram três filtros de compressão de gás da plataforma, por falta de válvulas de segurança, na última terça-fera.

O auditor fiscal José Roberto Moniz Aragão, que esteve na plataforma P-33 na semana passada, disse que as condições no navio são precárias:
Capazes de provocar acidentes (de trabalho) de grandes proporções
.


O problema maior está nas tubulações de gás e de óleo, que sofreram reparos provisórios.
Há perigo de vazamento na plataforma, a bordo.


Segundo o relatório dos fiscais, há reparos provisórios em 35 tubulações de óleo, gás e água.

As denúncias do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense começaram no ano passado, segundo o diretor de Saúde e Segurança do sindicato, Armando Freitas, que é também técnico de segurança da P-33:
A situação da P-33 e da P-31 é mais grave, mas todas as 30 plataformas da Bacia de Campos precisam de reformas urgentes.


A capacidade de armazenamento de óleo é muito grande, cerca de um milhão de metros cúbicos de óleo.
Corremos risco também de acidente ambiental.


Liminar libera uso de equipamento interditado

A Petrobras informou que conseguiu, ontem, na 2° Vara de Trabalho de Macaé, liminar suspendendo a interdição de equipamentos da P-33.

A companhia disse ter demonstrado à Justiça que o equipamento interditado tem válvulas de controle de pressão.
A empresa afirmou ainda que a Marinha inspeciona regulamente a plataforma e está prevista nova inspeção amanhã.


Fiscais do trabalho também devem embarcar na plataforma nos próximos dias, segundo a Petrobras.

agosto 09, 2010

SEM CONTESTAÇÃO É MEL NA CHUPETA. ENTÃO : ELA FALA O QUE QUER, ACREDITE QUEM QUISER OU PUDER.

Mara Montezuma Assaf *

O modelo de debate a que assistimos quinta-feira à noite está completamente falido.

Afinal, vi e ouvi a candidata Dilma Rousseff fazer diversas afirmações absolutamente inverídicas ou inconsistentes, e não houve condições nem tempo hábil para que seus adversários a contestassem.

Querem exemplos?

Com relação à crítica feita por Serra – de que o governo Lula não investiu em infraestrutura – Dilma respondeu que em relação às estradas federais muito foi feito e que estão sendo duplicadas (acreditem!); que os portos estão sendo dragados, o que – no seu entender – deve valer por modernizados e ampliados (ouvi direito?); que o atual governo aumentou o controle de nossas fronteiras (é brincadeira?); e, arrematando, Dilma disse que o problema do crack já está sendo trabalhado (isso é um desrespeito à nossa inteligência).

O uso do crack tomou proporções epidêmicas durante este governo, mas o Brasil não produz nem um grama de cocaína... é quase toda “importada” da Bolívia!

O presidente-hermano Evo Morales já afirmou que a produção de folhas de coca é vital para a economia daquele país.

O “rígido controle” de nossas fronteiras é que permitiu que os jovens brasileiros dinamizassem a economia boliviana através do uso do crack.

Chegam a dar suas vidas pela saúde da economia da Bolivia!

Isso é que é ajudar um país irmão!

Será que tantas regras para os debates não foram produzidas para isso mesmo, para impedir contestação?

Dessa forma cada um fala o que quer, e acredite quem quiser ou puder.

* cientista política

agosto 08, 2010

ELEIÇÕES : BRASIL IMPÉRIO, COOPTAÇÃO/ SUBST.JUÍZES/USO DA MÁQUINA/AUM.SAL./NOMEAÇÕES/FRAUDE ETC .

Bandeira do Brasil Império

Vivemos hoje os mesmos tempos...

Rosane Soares Santana/Terra

O uso da máquina pública para garantir a vitória do partido do governo foi um dos aspectos mais marcantes das eleições no Brasil Império, além da fraude e da violência.

A distribuição de cargos, a substituição de juízes, o aumento de salários de servidores e a nomeação de novos presidentes de província - aos quais cabia comandar, com mão de ferro, o processo eleitoral - foram rituais repetidos nas 18 eleições ocorridas durante todo o Segundo Reinado (1840-1889).

Um dos mais destacados estudiosos do Brasil Império, o brasilianista Richard Graham (Clientelismo e Política no Século XIX, Editora UFRJ) observou que a troca de favores entre os políticos e suas clientelas locais e regionais foi o caminho para a realização de eleições pacíficas, sem uso da força.

A distribuição de cargos públicos, inclusive na cooptação de lideranças-chave da oposição, foi fundamental para garantir a ordem e assegurar uma aparência de legalidade ao processo eleitoral, possibilitando inserir o País no contexto das nações civilizadas e adeptas da democracia representativa.

O presidente da província era figura estratégica no processo eleitoral, cabendo a ele garantir a vitória do governo no pleito.

Com o poder de afastar, substituir e até determinar a aposentadoria antecipada de juízes, anular resultado das apurações e preencher atas eleitorais com nomes de sua preferência, eles conseguiam, quase sempre, garantir a vitória de parlamentares afinados com o poder central.

"O gabinete esforçava-se nomeando presidentes (de província) e chefes de polícia de sua confiança, removendo juízes de direito e dando as comarcas aos seus protegidos, demitindo alguns empregados, reintegrando outros (...) procedendo a todos os atos preparatórios, necessários ao bom êxito da eleição", observa Graham.

Continua :

DO ÉBRIO SOBRE A "COISA" : "EXTRAORDINÁRIA ADMINISTRADORA". RESULTADO : BRASIL UMA DAS PIORES INFRAESTRURAS NO MUNDO. ELA É UMA FRAUDE!

A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores no mundo, mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos.

Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou apenas na 17.ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia.

Numa escala de 1 a 7, o País teve nota 3,4, abaixo da média mundial, de 4,1.

As informações são de um estudo inédito da LCA Consultores, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum Econômico Mundial, localizado em Genebra, na Suíça.

A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil,181 questionários foram respondidos.

A má qualidade das estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de quão atrasado está o País.

A distância que separa o Brasil das primeiras posições é enorme.

A França, que ocupa o topo da lista, teve nota 6,6, seguida de Alemanha (6,5) e Estados Unidos (5,9).

Entre as outras nações que deixaram o País na rabeira, estão o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile.

"Ficamos décadas sem investir e isso fez com que acumulássemos gargalos que ainda se refletem no estado atual da nossa infraestrutura", diz o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, autor do estudo.

Foi no item qualidade da infraestrutura portuária que o Brasil teve o pior desempenho.

Com 2,6 pontos, o País foi o lanterninha do grupo, bem distante da média mundial de 4,2.

No setor ferroviário, o padrão de qualidade brasileiro só não é pior que o da Colômbia: teve nota 1,8, ante uma média mundial de 3,1.

A sequência de notas nada lisonjeiras não para por aí.

A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas no País, supera apenas a da Rússia.

Com 2,8, ficou empatada com a da Colômbia, na penúltima colocação.

O desempenho do setor aeroportuário (nota 4,1) também é fraco: ganha só da Rússia (4,0) e da Argentina (3,4).

Para quem vai receber, dentro de pouco tempo, dois megaeventos esportivos - a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 -, a pontuação funciona como um sinal de alerta.

"Se a gente não fizer nada, somando esses eventos com o crescimento da economia, que deve ser de 5% ao ano, está encomendado aí um apagão", diz o economista da LCA.

Bem na fita.

O único destaque positivo do Brasil foi a qualidade da oferta de energia.

Com nota 5,2, ela ficou acima da média mundial, 4,6. Foi também a maior nota entre os Brics, termo criado pelo banco de investimento Goldman Sachs para denominar o grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

"Estamos bem na fita porque a energia é o único setor no País que tem um modelo de concessão onde o Estado retomou a capacidade de planejamento", diz o diretor do departamento de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti.

Mais :

POR DETRÁS DO BALCÃO? : INCREMENTOS ESTRANHOS NO COMÉRCIO EXTERIOR .

O Estado de S.Paulo

Algo de muito estranho está ocorrendo no comércio exterior brasileiro.

Países dos quais o Brasil pouco importava passaram, de repente, a figurar entre nossos maiores fornecedores.

É, por exemplo, o caso de Taiwan, de onde o Brasil importou US$ 1,41 bilhão no primeiro semestre deste ano, 43,54% a mais que no mesmo período de 2009.

Causam espanto também os aumentos das importações da Tailândia (US$ 828,71 milhões, mais 69,31%),

da Malásia (US$ 828,54 milhões, aumento de 74,83%)

e da Indonésia (US$ 657,06 milhões, mais 52,22%) na primeira metade deste ano, sempre em comparação com igual período de 2009.

Como tais países não são grandes exportadores de manufaturados, o crescimento súbito das importações deles procedentes pode ser resultado da triangulação, ou seja, eles podem estar sendo usados para exportar produtos que, na verdade, são originários de um terceiro país, como forma de burlar as leis antidumping.

Não se trata apenas de uma conjectura.

Na semana passada, Roberto Giannetti da Fonseca, diretor da Fiesp, encaminhou ao Ministério da Fazenda um estudo comprovando que países asiáticos estão utilizando uma técnica batizada com o neologismo de circunvenção para exportar para o Brasil produtos fabricados na China.

Isso ocorre porque o governo ainda não regulamentou a lei que impede o uso de terceiros países para contornar restrições a importações a preços artificiais, que atuam em detrimento da produção nacional. Como noticiou o jornal Valor (2/8), a Fazenda prefere não se manifestar por enquanto porque está criando um grupo de trabalho para estudar o assunto.(SIC)

O obstáculo mais forte no Brasil é sempre a burocracia. Como assinala a Fiesp, diversos países, entre os quais a própria China, já adotaram legislações contra a triangulação e têm o direito reconhecido pela OMC de fazê-lo, depois de procederem a investigações relativas a cada produto

(...)

Não se trata de protecionismo, mas de legítima defesa comercial. O governo reconheceu, pela Lei 9.019/95, alterada em setembro de 2008, que "as medidas antidumping e compensatórias poderão ser estendidas a terceiros países, bem como a partes, peças e componentes dos produtos objeto de medidas vigentes, caso seja constatada a existência de práticas elisivas (sic) que frustrem a sua aplicação".

Mas, passados quase dois anos, falta esclarecer o que são "práticas elisivas" ou lesivas, bem como os procedimentos a adotar em uma investigação.

(...)

A triangulação não se restringe a bens de consumo, mas atinge também aparelhos, máquinas e equipamentos diversos. Os empresários não defendem a instituição de nada parecido com o certificado de existência de similar nacional ou de licença de importação.

Antes de impor sobretaxas, pedem uma investigação para apurar se os preços dos bens importados são condizentes com os praticados no mercado internacional.

E que isso seja feito de acordo com regras criteriosas e transparentes, as quais, inexplicavelmente, ainda estão por definir.

Íntegra...