Depois de assistir a tantos truques, jogadas de marketing, sonoros discursos demagógicos, gestos de efeitos especiais e tudo o mais que, no campo da política brasileira, se exibe "como se fosse", parecendo um cenário de ópera bufa protagonizada por medíocres histriões, na eleição de daqui a sete meses o eleitorado brasileiro deverá optar por quem se mostrar mais de verdade.
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Vencerá quem sempre esteve, efetivamente, do lado da democracia, articulando forças políticas e movimentos sociais para forçar o fim da ditadura militar. Vencerá quem lutou, de fato, pela reintrodução de eleições livres no País, sem praticar violência, sem assaltar, sem executar assassinatos de inocentes cidadãos comuns.
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Vencerá quem jamais pretendeu trocar um autoritarismo por outro, coisa tão comum em nuestra Latinoamerica, com todo o revezamento de suas colorações ideológicas.
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Procurar demonstrar ser o que não é, tentar mostrar ter aprendido o que não aprendeu, assumir fingida familiaridade com assuntos técnicos - aqueles que não se aprendem em uma semana - dos quais não se tem noção, é coisa que, hoje em dia, não passa fácil nem para o público telespectador, nem para o eleitor.
É como se a sociedade brasileira, calejada, já tivesse desenvolvido em sua consciência de cidadania uma espécie de imposturômetro, um bafômetro detector de imposturas. Não funcionam mais as máscaras de competência e os currículos falsificados, se o que é exibido como aptidão nunca se comprovou com fatos e feitos concretos, nas trajetórias de vida pública.
Não funcionam mais os fingimentos de liderança, as empostações forçadas de voz para dar impressão de profundidade, o uso de um ou outro pseudotermo técnico para causar a impressão de expertise.
Líderes são apenas os que têm luz própria, descobrem caminhos por conta própria, e não pela unção de terceiros.
E muito menos se será líder pelo controle remoto de alguma eminência parda ressuscitada, um eventual cardeal Dircelieu que, efetivamente, saiba liderar (além de intermediar e com isso muito faturar.) Liderança não se transmite, não contagia, nem se reflete. Nasce espontânea, cresce com o exercício efetivo e se consolida pelo reconhecimento.
A liderança inventada, ou projetada por uma única cabeça, só tem o alcance de um simulacro e se desfaz no primeiro apagão. Os indícios de seu artificialismo são cada vez mais evidentes, para uma sociedade que se cansou de ser manipulada pelo competente marketing político e aprendeu a descamá-lo, para encontrar a pessoa real que está no núcleo central de uma candidatura, o grau verdadeiro de sua competência, de seu espírito público e de seu arraigado respeito à vida das pessoas.
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail:
mauro.chaves@attglobal.net (www.artestudiomaurochaves.wordpress.com)
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