"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 22, 2013

DE(s)CÊNIO NO brasil maravilha DOS FARSANTES E FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) III : US$ 1,08 bilhão saem do Brasil em três dias, informa BC

 
Para um ano que começou com o temor de um "tsunami monetário" na economia brasileira, 2012 tende a registrar a menor entrada de dólares no Brasil em quatro anos.

Segundo números divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (3), a forte entrada esperada de dinheiro vindo de países desenvolvidos – que aumentaram o volume de moeda em circulação para combater os efeitos da crise financeira e estimular o nível de atividade – não aconteceu.

Faltando contabilizar somente um dia útil para o fim de 2012 (segunda-feira, dia 31 de dezembro), os dados do BC mostram que entraram US$ 16,75 bilhões na economia brasileira no ano passado – uma queda de 74,3% em relação a 2011, quando a entrada de dólares foi de US$ 65,27 bilhões, ou US$ 48,5 bilhões a mais.

O resultado de 2012 é o menor desde 2008, período em que a economia mundial foi chacoalhada pela primeira etapa da crise financeira, marcada em setembro daquele ano pelo anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers. Em 2008, houve a saída de US$ 983 milhões da economia brasileira.

Em 2009 e 2010, houve ingresso, respectivamente, de US$ 28,73 bilhões e de US$ 24,35 bilhões no Brasil.

Impacto na cotação do dólar

 A entrada de recursos no país registrada em 2012, segundo analistas, teoricamente favoreceria a queda do dólar. Isso porque, com mais dólares no mercado, seu preço tenderia a ficar menor. O que se viu no ano passado, entretanto, foi um movimento inverso.

No início de 2012, o dólar estava sendo negociado a R$ 1,86, passando para o patamar de R$ 1,90 em maio e acima de R$ 2 em junho. Permaneceu na faixa de R$ 2,03 a R$ 2,04 entre agosto e novembro, mas em dezembro avançou para um patamar acima de R$ 2,10. No fim do ano, porém, fechou em R$ 2,04. Todos os valores têm por base a Ptax (cotação média do dia) do BC.

A explicação para o fato do dólar ter subido em 2012, mesmo com uma oferta maior de moeda norte-americana, foi a influência do governo federal.

Além de ter comprado US$ 11 bilhões no mercado à vista no ano passado e outros US$ 7 bilhões no mercado a termo, o governo tomou várias medidas, ainda nos primeiros meses de 2012, para impedir que os dólares que estavam ingressando naquele momento no país tivessem impacto na cotação.

Depois do ingresso de US$ 25 bilhões no Brasil nos quatro primeiros meses deste ano, o volume de ingresso, com as medidas anunciadas pelo governo brasileiro naquele momento, começaram a ficar menos intensos e os dólares também passaram a sair do Brasil. Entre maio e dezembro, houve a retirada de US$ 8,5 bilhões do Brasil.

Mais recentemente, no mês passado, quando a cotação superou a barreira dos R$ 2,10, o governo começou a reverter essas medidas, favorecendo um ingresso maior de moeda norte-americana no Brasil - aplacandou um pouco a pressão de alta do dólar. O BC também atuou com leilões no mercado futuro (que tem correlação com o preço do dólar a vista).

Um valor mais alto para o dólar gera melhores condições de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que suas exportações ficam mais baratas. As compras do exterior, por sua vez, ficam mais caras. Um aumento na cotação do dólar, porém, também têm outros efeitos, como gerar mais pressões inflacionárias.

Contas comercial e financeira
O fluxo cambial brasileiro possui duas contas: a comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação; e a conta financeira – que inclui as demais operações, como os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.

Os números do BC mostram que o fluxo comercial registrou entrada de divisas de US$ 8,3 bilhões na parcial de 2012, até 28 de dezembro (faltando somente contabilizar o dia 31 do mês passado). Ao mesmo tempo, foi contabilizado o ingresso de outros US$ 8,3 bilhões por meio da conta financeira no acumulado do ano passado.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

DE(s)CÊNIO NO brasil maravilha DOS FARSANTES E FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) II : Contas públicas - País tem pior resultado em transações comerciais e de serviços em 66 anos

 
O Brasil registrou em janeiro o maior deficit em suas transações comerciais e de serviços e rendas com o exterior desde pelo menos 1947, início da série histórica do Banco Central.

Impactado pelo deficit da balança comercial, pelo aumento dos gastos dos brasileiros em viagem e o crescimento das remessas feitas por empresas, o chamado deficit em conta corrente chegou a US$ 11,4 bilhões.

E, diferentemente do que ocorreu no ano de 2012, quando esse deficit foi inteiramente coberto pelo fluxo de investimentos estrangeiros na produção, considerados menos voláteis, o rombo de janeiro foi bem superior ao investimento estrangeiro direto, de US$ 3,7 bilhões.

O restante do deficit foi financiado por investimentos em ações e renda fixa, além de empréstimos.

"Tivemos um déficit significativo em janeiro, acima até do que havíamos estimado há 30 dias", reconheceu o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Segundo ele, a expectativa é que, a partir de fevereiro e março, o resultado da balança comercial melhore sob o impacto do aumento das receitas com minério de ferro e soja.

Mas, para fevereiro, a projeção do BC ainda é de um novo descasamento entre o deficit em conta corrente e o IED. Segundo Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico, as transações correntes devem ter deficit de US$ 5,7 bilhões, enquanto o investimento estrangeiro direto somará US$ 3,5 bilhões.

TURISMO

No mês passado, os brasileiros deixaram US$ 2,29 bilhões fora do país em viagens, crescimento de 14,6% frente a dezembro de 2012. Já os gastos de turistas que vieram para o Brasil cresceram menos, 4,4%.

Ao somar os resultados da conta de viagens --gastos dos brasileiros fora do país com o dos turistas estrangeiros no Brasil--, o deficit atingiu US$ 1,6 bilhão, valor recorde para o mês e 19,7% superior ao registrado há um ano.

"Isso reflete o crescimento da renda do brasileiro nos últimos anos, da massa salarial real, do emprego. Mesmo com o câmbio, que já foi menor em 2011", disse Maciel. "Muitos dos destinos desses brasileiros são economias que ainda seguem fragilizadas pela crise", acrescentou. 

JULIA BORBA / Folha
DE BRASÍLIA

DE(s)CÊNIO NO brasil maravilha DOS FARSANTES E FALSÁRIA(QUEBRA 1,99) : País tem o pior número de geração de empregos em janeiro nos últimos 4 anos

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjR7znOSEHH3pY-E6efJAuKms2Bv5MCIWJ06iOAemqA_xL4DoW17VQizY13OweirQ1ewb-RjcvrAyR_wvqXhjRTTCRfk60HTmWWv-A-8hBZ3aYKVQVDT0tqlFG81-eydDHLbhcVmg7Kt8I/s1600/2013022036281.jpg
O Brasil criou em janeiro deste ano 28,9 mil empregos com carteira assinada, segundo informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgadas nesta sexta-feira (22) pelo Ministério do Trabalho. 

O número, por sua vez, representa uma queda consecutiva se compararmos o mesmo mês nos quatro últimos anos.

Dados disponíveis no Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET) mostram que comparando janeiro de 2012 com janeiro de 2013 houve uma queda de 75,7%. No ano passado, foram criadas 118.895 vagas formais de trabalho. Ou seja, mais de 90 mil vagas a mais.

Em 2010, segundo dados do PDET, foram abertas 181.419 vagas para trabalhadores de carteira assinada. Isto é, seis vezes mais empregos do que este ano.

Ainda de acordo com informações do Ministério do Trabalho, mesmo com a queda em comparação com os últimos anos, houve crescimento de 0,07% em relação ao estoque do mês anterior. 

Em janeiro, foram declaradas 1.794.272 admissões e 1.765.372 desligamentos no mês, maiores números para o período. País registrou queda no número de empregos oferecidos

Nos últimos 12 meses, foram abertos 1.163.847 postos de trabalho, expansão de 3,03% no nível de emprego. Entre janeiro de 2011 a janeiro de 2013, tomando como referência os dados da Relação Anual de Informação Social (RAIS), que abrange os celetistas e servidores públicos federais, estaduais e municipais, e do Caged, foram criados 3.586.753 empregos formais.
(...)


Jornal do Brasil
Com informações do Ministério do Trabalho

Candidata em pele de presidente



Dilma Rousseff deve achar natural passar a maior parte de seu tempo em cima de palanques. Afinal, desde o início do segundo mandato de Lula este tem sido seu lugar preferido. O problema é ela simplesmente relegar as obrigações de presidente da República em favor de suas pretensões eleitorais. Não foi para isto que foi eleita.

Desde que o PT ascendeu ao poder, o Brasil convive com uma espécie de campanha eleitoral permanente. O mau hábito vem de Lula, que, antes de chegar à Presidência, passara mais de 20 anos só montado em cima de palanques fazendo política partidária. Eleito, transferiu a prática para o exercício cotidiano do poder.

Foi neste ambiente desvirtuado que o ser político de Dilma foi gestado. Desde que, ao longo de 2007, ela foi sendo transformada em "mãe do PAC", este se tornou seu ambiente natural. Seus passos são sempre articulados dentro de uma lógica eleitoral, suas ações são moldadas pelo marketing e suas iniciativas costumam carregar nas tintas do embate político.

Faltando 20 meses para a próxima eleição presidencial, o que antes era feito de maneira algo dissimulada vai se tornando agora francamente explícito. Dilma vestiu o figurino vermelho do petismo e assumiu de vez a retórica sectária do partido dos mensaleiros. Rasgou a fantasia de presidente e assumiu a vestimenta de candidata em tempo integral. Loba em pele de cordeiro.

Assim foi na festa de louvação aos dez anos de (des)governo do PT. Em meio a 50 minutos de desvarios e proselitismos, Dilma, a candidata, afirmou, entre outras coisas, que os governos petistas "não herdaram nada", mas sim "construíram" um novo Brasil. Desdenhou de 500 anos de história, lutas e conquistas de toda uma nação.

Nunca antes na história, se viu a arrogância chegar a níveis tão estratosféricos. Nunca antes na história, a desonestidade foi tão flagrante. Nunca antes na história, o desrespeito a brasileiros que dedicaram suas vidas a construir um país melhor - para todos, e não só para alguns - foi tão abjeto. O Brasil não foi descoberto em 1° de janeiro de 2003!

Os que agora se dizem os verdadeiros "construtores" do país foram os mesmos que se recusaram a tomar parte no processo de redemocratização que redundou na eleição de Tancredo Neves. Os mesmos que se recusaram a assinar a Constituição em vigor. Os mesmos que se opuseram à estabilização da moeda. Os mesmos que defenderam a irresponsabilidade fiscal e ora praticam a farra do boi com o dinheiro do contribuinte.

"Não se governa de cima do palanque. (...) A presidente Dilma faria muito melhor se, em vez de ves­tir vermelho e recitar num palanque as frases de efeito que lhe são dita­das por seu marqueteiro, se dedicas­se a governar bem, que é o que dela se espera", comenta O Estado de S.Paulo em editorial de sua edição de hoje.

É legítimo Dilma postular mais quatro anos de governo. É acintoso fazê-lo tendo cumprido pouco mais da metade do mandato para a qual foi eleita em outubro de 2010. O que importa aos brasileiros é a mandatária honrar os deveres reservados a quem foi escolhida para enfrentar os problemas reais do país. Mas terá Dilma feito isto nestes dois anos?

A presidente desperdiçou a força política que acompanha os anos iniciais de governo sem promover mudanças significativas na estrutura do país. Consumiu um ano só tentando debelar focos de corrupção herdados de Lula, mas gostosamente acolhidos por ela. Gastou o segundo tentando remendar as convicções estatizantes do petismo, para, ao final, ter que adotar como solução tudo o que seu partido renegara por décadas.

Em seus dois anos de governo, Dilma Rousseff não chegou a lugar nenhum, mas quer que os brasileiros lhe deem mais quatro, provavelmente para ir a parte alguma. Se para a petista é natural dedicar seu dia a dia a suas pretensões eleitorais, para os cidadãos as jornadas deveriam ser reservadas a trabalho árduo e honesto. 

O país tem problemas demais para serem resolvidos de cima de palanques. Precisa de presidente, não de candidata.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela 

fevereiro 21, 2013

POBRE BRASIL REAL CARCOMIDO E ASSENHOREADO. ACREDITE ! NO brasil QUE ENOJA : COM 4ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL E SALÁRIO DE R$12,8 MIL

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjaix4RaUOdhUJevkVGUqq-geO4RM8KW2LhpTCKu6Y5wimKiGgK_y8stqJ9Yy457v7zLQXF5u989yjQkEpZYlVg8Jag50xF_LeJOReuK942QzsiKGVmxSqv7GHJzSHD2lIPSEV4-BAuh7Gs/s1600/bandeira_sangrando.jpg

Farra de aumentos no TCDF fará com que ascensoristas, motoristas, porteiros e copeiros tenham salário de dar inveja a muitos doutores.

Aprovados em concurso para ocupar cargos que exigem apenas a 4º série do ensino fundamental esses servidores não têm do que reclamar.
Já ganhavam muito bem.

E depois, da lei aprovada pela Câmara Legislativa no fim do ano, vão ganhar muito mais:
turbinados por aumento de 42% a 65%, seus contracheques poderão chegar a RS 12.820 mensais.

Analistas e auditores com formação com formação superior embolsarão até R$ 31.141,58. Os de nível médio R$ 19.115,36.

Os reajustes só não chegaram ao bolso desses servidores ainda porque o Ministério Público entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade que está em discussão no Tribunal de Justiça do DF.

Com o aumento autorizado para o Tribunal de Contas do Distrito Federal, servidores cujas funções originais exigiam apenas a antiga 4ª série do ensino fundamental receberão até R$ 12,8 mil. Do total de 514, 258 podem chegar ao teto constitucional, de R$ 25,3 mil

Órgão responsável por apontar onde o governo superfatura ao organizar licitações, contratar serviços e comprar produtos, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) pesou a mão sobre os vencimentos dos próprios servidores.

Concedeu benefícios que, aprovados na forma de lei pela Câmara Legislativa, turbinaram os salários dos funcionários para patamares de causar espanto na maioria dos trabalhadores que nem sonha com contracheques fermentados nos moldes dos pagos pelo TCDF.

Com os reajustes, servidores do quadro que prestaram concurso para funções de motorista, ascensorista, copeiro ou porteiro, cuja exigência na época do certame era do 4º ano do ensino fundamental, podem chegar a receber R$ 12.820,51. A partir das melhorias, analistas e auditores com formação superior chegam a R$ 31.141,58. Os de nível médio: R$ 19.115,36.

Desde 1º de janeiro deste ano, o teto de salário do funcionalismo local atingiu R$ 25.323,51. É o que recebe um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). A lei diz que ninguém do organograma público pode ultrapassar essa quantia.

Por isso, mesmo que o aumento concedido pelo TCDF tenha chegado à casa dos R$ 30 mil, a diferença será abatida.

Claro que todas as vezes que esse limite for revisto, já existirá o amparo legal para a correção imediata dos vencimentos de auditores do Tribunal de Contas do DF. Atualmente, há um total de 514 funcionários do quadro, sendo que, desses, 256 são auditores e dois analistas de administração pública.

Com a promulgação da Lei nº 5.013, de 2 de janeiro de 2013, esse conjunto de funcionários públicos entra para a nata dos trabalhadores com perspectiva de atingir o teto salarial. De acordo com o reajuste, a classe começa em vantagem, com salário inicial de R$ 17.767,74.

Até o início deste ano, os vencimentos de servidores do TCDF já não eram nada maus. Mesmo na categoria básica, onde a exigência é nível fundamental, a média dos salários (R$ 6.137,28) estava equiparada à de várias categorias do Poder Executivo. Por exemplo, a dos professores, que ainda hoje ganham, em média, R$ 6.695,75.

Mas a Lei nº 5.013 para aumentar os salários no TCDF deixará professores, policiais, psicólogos, dentistas e várias outras categorias do Executivo com salários modestos perto das carreiras do Tribunal de Contas. A legislação prevê, no mínimo, cinco melhorias que, combinadas, representam percentuais de aumento entre 42% a 65%.

Funções de origem

As carreiras mais beneficiadas foram as de níveis básico e intermediário. Na estrutura do TCDF, há 45 servidores que passaram em concurso público de auxiliares de administração pública, para atuar em funções como as de motoristas, ascensoristas, copeiros e porteiros. Atualmente, o tribunal já não realiza mais certames para selecionar esse tipo de serviço, que em geral é terceirizado.

Entre os remanescentes dessas categorias, nove permanecem em suas funções de origem. São dois garçons e sete motoristas que, com a nova lei, chegam aos salários de R$ 12,8 mil.

Os outros 36 auxiliares, que na ocasião do concurso tinham como pré-requisito comprovar nível de escolaridade fundamental, foram remanejados para atividades administrativas e permanecem com a perspectiva de salário beirando os R$ 13 mil.

O mínimo dessa carreira com exigência mínima de estudo é de R$ 7.314,72.
Há ainda 167 técnicos de administração pública e controle externo que, a partir da nova lei, vão receber contracheques entre R$ 10,9 mil e R$ 19,1 mil, a depender do tempo de Casa. A exigência do concurso para esses servidores é nível médio.

Em entrevista ao Correio, o presidente do Tribunal de Contas do DF, Inácio Magalhães, disse que o paradigma usado no cálculo de reajuste dos servidores foram os salários da Câmara Legislativa. O conselheiro afirma que, embora o aumento não tenha sido previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o orçamento “comporta com folga” a iniciativa. Segundo informou, o impacto anual da medida será de R$ 33 milhões.

Presidente do TCDF desde janeiro, Inácio — que foi da carreira de procurador do Ministério Público de Contas —, defende que o aumento está amparado em lei, mas admite que questões como bom-senso e excesso não foram os parâmetros no processo de aprovação do projeto (leia Quatro perguntas para).

Independentemente do bom-senso, a constitucionalidade da lei que concedeu os reajustes no TCDF está em discussão no Tribunal de Justiça do DF. A ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo Ministério Público do DF partiu de uma representação feita pelo deputado distrital Chico Vigilante (PT), para quem esse reajuste representa uma distorção.

“O exemplo do Tribunal de Contas é típico das castas que foram se formando e se apropriando do Estado e agora se voltam contra quem quer a moralização”, considerou o parlamentar.

Apenas Vigilante e Arlete Sampaio não votaram para a derrubada do veto do governador Agnelo Queiroz (PT) ao aumento do TCDF. Os distritais acabaram promulgando em janeiro a medida elaborada ainda na gestão de Marli Vinhadeli. O generoso reajuste só não entrou no bolso dos servidores do TCDF porque o novo presidente vai aguardar o veredicto da Justiça.


Contracheque gordo

Confira como ficam os salários dos servidores do TCDF com o recente aumento promulgado em janeiro pela Câmara Legislativa.

Com as melhorias, os vencimentos acrescidos de benefícios de servidores com escolaridade fundamental variam de R$ 7,3 mil a R$ 12,8 mil.

Os de auditores, com curso superior, chegam a R$ 31,1 mil, acima do teto constitucional, o que por lei é submetido à Corte.

Confira as médias dos valores.

Como eram

Cargo Exigência de escolaridade Vencimento médio com penduricalhos (em R$)

Auxiliares    Ensino fundamental     6.137,28
Técnicos      Ensino médio            10.194,2
Auditores    Ensino superior         16.866,71

Como ficam

Cargo Exigência de escolaridade Vencimento médio com penduricalhos (em R$) % de aumento

Auxiliares   Ensino fundamental   10.067,61   63,69
Técnicos     Ensino médio            15.010,79   47,22
Auditores   Ensino superior          24.454,66   44,68

LILIAN TAHAN Correio Braziliense 

EM REPÚBLICA TORPE E POVO APÁTICO... Collor pensa em disputar o Planalto novamente e ser reabilitado no país

 
O ex-presidente Fernando Collor teria uma boa aceitação em quase todos os estados do país. Seu melhor desempenho, segundo as pesquisas que contratou, seria nas regiões Sul, Nordeste e o estado de São Paulo. Aos amigos, ele tem dito que, mesmo sem chances de vitória, sua candidatura poderia enriquecer o debate democrático. 

Seu projeto também seria a oportunidade de se defender do passado, numa época que, segundo ele, foi injustiçado.

“Será que foi justo tirar um presidente por uma Fiat Elba?”, ele tem dito aos amigos. Em Pernambuco, alguns parlamentares votaram contra a cassação do ex-presidente. Conhecido pela transparência, o ex-deputado Gilson Machado (ex-PFL) revelou que votou contra a determinação do partido. 

“Ele não teve direito a defesa. Como você acusa alguém e cassa sem ter este direito básico? Por isso, votei contra”. O fato é registrado no livro autobiográfico De capeta a constituinte, lançado no ano passado em virtude dos 70 anos do político.

Outro ponto que pode influenciar um bom desempenho de Fernando Collor nas urnas é sua recentemente aproximação ao PT do ex-presidente Lula. Como senador, ele foi um dos políticos mais solidários aos petistas no processo do mensalão, julgado recentemente pelo STF. 

No julgamento da Ação Penal 470, ele diz ter assistido uma injustiça semelhante ao do seu processo de impeachment, num processo conduzido pela oposição, em parceria com os meios de comunicação. 
 Collor, inclusive, chegou a pedir o impeachment do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Além da presidência, Collor ainda tem outra alternativas para 2014. 

Se não disputar novamente o comando do Palácio do Planalto, deverá entrar na disputa pela sua reeleição ao Senado, contra Heloísa Helena (PSOL), ou mesmo pelo comando do governo do estado de Alagoas. 

Neste caso, ele travaria uma batalha contra o atual gestor Teotônio Vilella Filho, do PSDB.

E NO DE(s)CÊNIO DOS PETRALHAS FARSANTES E FALSÁRIOS : Petrobrás perde brilho e cai mais do que outras blue chips na Bolsa


O fraco resultado apresentado pela Petrobrás no ano passado, divulgado no início de fevereiro, aliado aos conhecidos problemas da empresa - como o alto endividamento e o prejuízo nas vendas de gasolina -, pressionou ainda mais as ações da companhia.

As ações agora têm um dos piores desempenhos dentro dos papéis que compõem o Ibovespa.

Em 12 meses, até 14 de fevereiro, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) tiveram desempenho inferior a 83% das ações do Índice. Ou seja, das 69 ações do Ibovespa, 57 apresentam alta ou quedas inferiores à Petrobrás ON. No caso da preferencial (PN), há perda para 78% dos papeis (ou 54 ações), segundo dados da Economática.

Nesse período, o Ibovespa também teve queda significativa, de 10,7%, mas ainda assim inferior à baixa apresentada pela Petrobrás: a ON caiu 43,7% e a PN, 30,9%. "Na verdade, a empresa sofre mais neste momento porque não é um problema relacionado somente à crise econômica mundial. Começou antes, ainda em 2008, quando ela apresentava lucros recordes.

Algumas sementes da crise foram implantadas na companhia e ninguém percebeu ou falou nada", avalia o analista e diretor da Infopro (Brasil Instituto de Formação Profissional), Richard Rytenband.

Entre os problemas levantados pelo mercado está o fato de a companhia ter baixa capacidade de refinar petróleo. A explosão de consumo de automóveis nos últimos anos, que poderia ser encarado como um evento positivo, acabou se tornando um entrave. A maior demanda por gasolina fez com que a empresa passasse a importar cada vez mais combustíveis.

Os preços internacionais subiram e, para controlar a inflação, o governo, como maior acionista da empresa, não permitiu que a Petrobrás repassasse para as bombas do Brasil a alta de preços no mercado externo.

A defasagem faz a companhia ter prejuízos constantes na refinaria.

Além disso, a descoberta do pré-sal exigiu mais investimentos. Existem três formas de captar mais recursos: utilizar os recursos dos lucros, os quais não foram conquistados pela empresa; lançar mais ações, como a empresa fez em 2010; e emitir títulos de dívida, que foi a última solução que a companhia tem aplicado.

Isso aumentou o endividamento da empresa, comprometendo os recentes resultados. A desvalorização do real agravou a situação na medida em que a maior parte da dívida é emitida em dólar.

Investidor Estrangeiro

"A queda talvez fosse ainda pior se a Petrobrás não estivesse no Ibovespa e no IBrX", diz o professor de finanças da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Mário Amigo. O fato de a empresa estar nessas listagens faz com que muitos fundos de investimento e de previdência privada comprem suas ações, já que eles têm de seguir de perto o desempenho dos índices.

Se a a queda aqui na BM&FBovespa já é grande, na Bolsa de Nova York ela atinge variações ainda maiores. As ADRs ordinárias (títulos representativos das ações da Petrobrás) caem 43,7% na Nyse em 12 meses, enquanto as preferenciais recuam 30,9%.

Parte da diferença entre a desvalorização na Nyse e na BM&FBovespa pode ser explicada pelo efeito cambial, mas também influencia o fato de a Bolsa de Nova York ter muito mais ações do que a paulistana.

"A Petrobrás é uma empresa internacional. Faz parte de vários índices lá fora, como de emergentes e de produtores de petróleo. Isso a torna suas ações dependentes da demanda internacional. Atualmente a empresa não é atrativa em valor relativo aos concorrentes e não maximiza lucros. Um investidor estrangeiro que quer uma posição em petróleo tem opções como Exxon Mobil, Chevron e Ecopetrol", analisa o estrategista chefe da Icap Brasil, Gabriel Gersztein.

As infinitas opções de empresas no mercado externo fazem a blue chip brasileira perder ainda mais o brilho.

Segundo ele, a empresa atualmente possui muitas reservas de petróleo, mas o que o mercado busca é resultado, principalmente porque em 2010 depositou confiança na companhia. "Investiram R$ 120 bilhões no aumento de capital da empresa e até agora não houve retorno", lembra. Na ocasião do lançamento de ações, 20% da demanda foi estrangeira.

Perspectiva

A alta inferência do governo na empresa incomoda nas projeções. "Os passos da Petrobrás estão vinculados a interesses do governo, o que acaba pesando muito nas ações. O investidor estrangeiro é avesso a empresas com essa forte atuação estatal", avalia Amigo.

"Vira uma caixinha de surpresas. Seria indicado minimizar a exposição da carteira nesses setores com risco difícil de mensurar, é difícil calcular qual seria o preço justo", diz Amigo.

"Não tem atratividade nenhuma. Há reservas, mas não há lucro. Não vejo algum rally para as ações porque a credibilidade dela está afetada no mercado externo, algo que é demorado para se construir e fácil de destruir", diz Gersztein.

"O governo não é parte da solução, mas parte do problema. Tem optado por perder essa credibilidade em troca de segurar o preço da gasolina e a inflação", afirma.
(...)

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios

E NO brasil ASSENHOREADO E CARCOMIDO PELA CANALHA ... Deputados protocolam 'emenda da impunidade'

Chegou à Mesa da Assembleia Legislativa de São Paulo a Proposta de Emenda à Constituição que inquieta o Ministério Público por tirar dos promotores o poder de investigar deputados estaduais, prefeitos e secretários de Estado e confere tal atribuição exclusivamente ao procurador-geral de Justiça.

O texto, subscrito por 33 parlamentares, foi publicado na quarta-feira (20) no Diário Oficial do Estado e vai à apreciação da CCJ da Casa.

O avanço da PEC, de autoria do deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia, surpreendeu o Ministério Público. Promotores e procuradores apostavam que não passava de uma "bravata" do parlamentar e que ele não conseguiria reunir as 32 adesões necessárias para protocolar a PEC, chamada de "emenda da impunidade".

O MP divulgou em seu site que a Procuradoria-Geral recebeu garantias da Presidência da Assembleia de que a PEC não iria se concretizar.

Irritados com a ofensiva dos deputados, na quarta-feira (20) os promotores foram ao revide. Ferveu a rede Amici, canal fechado da classe na intranet, com pesadas críticas aos parlamentares.

Alguns sugerem que o petebista devolva o Colar do Mérito Institucional do MP, mais importante condecoração da instituição, a Campos concedida em 2008.

Valores

Diante da forte reação, o procurador-geral, Márcio Elias Rosa, divulgou nota pública. Ele crava que a PEC é "inconstitucional, desnecessária, extemporânea e inconciliável com o momento vivenciado do País, de afirmação da democracia, preservação dos valores republicanos e com a construção do conceito de cidadania".

Elias Rosa reafirma "a expectativa de que a PEC será rejeitada".

Parlamentares estão em pé de guerra desde que a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social da Capital - braço da instituição que investiga improbidade - requereu o fim do auxílio moradia na Assembleia.

Em ação civil, liminarmente acolhida pela 13.ª Vara da Fazenda Pública, a Promotoria apontou inconstitucionalidade na regalia concedida todo mês a todos os deputados, indistintamente, mesmo àqueles que residem a poucas quadras do Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo paulista.

A Promotoria calcula em R$ 2,5 milhões o prejuízo anual aos cofres públicos.

A PEC inclui o parágrafo 3.º ao artigo 94 da Constituição do Estado e promove concentração de poderes nas mãos do procurador-geral, "autoridade mais adequada para empreender as ações necessárias para a garantia e manutenção da probidade e legalidade administrativa".

Campos Machado assinala que "a medida se impõe como mecanismo de fortalecimento do princípio da igualdade entre os poderes, além de se sobrepor a possíveis interesses políticos locais e pessoais eventualmente praticados contra aquelas autoridades".

Enigmático, o veterano parlamentar manda recado.
"A Assembleia e o Ministério Público podem estar quebrando ovos que não vão resultar em omeletes. Não quero o fim das investigações do MP, mas dou um exemplo. Soube que um promotor oficiou ao deputado Celso Giglio (PSDB) requisitando o livro de ponto do gabinete dele sob pena de ação de improbidade. Isso é vilipêndio."

FAUSTO MACEDO
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

fevereiro 20, 2013

E NO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES : Cresce percentual de famílias inadimplentes, mostra CNC

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhenIQhXer6XMikQ6P7eL34NZ2MXylwMJZZ7W58790isWwAwnqPX_OTxFgmG9Tx4dJaq2SK9DzBqm93YYK5-_qJj_gknUJigFii9QehTzkqHMftVQFyHytHAQN476F59QmCVsVC8hUm9j0/s1600/shutterstock_67654081.jpg
O percentual de famílias que disseram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro aumentou, passando de 60,2%, em janeiro, para 61,5% em fevereiro, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Em fevereiro de 2012, 57,4% haviam declarado ter dívidas.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso também registrou alta em fevereiro. O percentual de famílias inadimplentes chegou a 22,1% em fevereiro de 2013, ante 21,2% em janeiro de 2013 e 20,5% em fevereiro de 2012.

Também avançou o percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso entre janeiro e fevereiro, passando de 6,6% para 7,0%. Em fevereiro de 2012, 7,3% haviam declarado que continuariam inadimplentes.

G1

A inadimplência dos bancos privados : Entre 2007 e 2012, a dívida das estatais com o Tesouro subiu de R$ 10 bilhões para R$ 400 bilhões.

Entre 2007 e 2012, a dívida das estatais com o Tesouro subiu de R$ 10 bilhões para R$ 400 bilhões. A maior parte desse aumento decorreu de empréstimos concedidos pelo Tesouro ao BNDES. Não dispondo de folga fiscal para conceder tais empréstimos, o Tesouro emitiu novos títulos federais que foram entregues ao banco. 

Após vender ao mercado financeiro aqueles títulos, o banco utilizou os recursos obtidos para conceder empréstimos para empresas privadas realizarem investimentos.

Os recursos reais entregues às empresas não foram fornecidos pelo Tesouro ou pelo BNDES, mas pelos poupadores que, após absterem-se de consumir a totalidade de sua renda, canalizaram a sobra para as empresas por intermédio do mercado financeiro/Tesouro/BNDES.

Por que os poupadores não destinaram às empresas seus recursos excedentes por intermédio do mercado privado, sem que o Tesouro e o BNDES entrassem no circuito? A resposta oficial é que, sem a intervenção pública, os recursos não teriam sido canalizados para investimentos. 

Mas isso implica que tais recursos teriam sido direcionados para financiar o consumo daqueles que não poupam. Esse diagnóstico, no entanto, é incompatível com a queda do investimento observada nos últimos trimestres, apesar da maciça intervenção pública acima descrita.

Além disso, no mesmo período, observou-se um aumento da inadimplência nos bancos privados, fenômeno que os levou a reduzir o financiamento ao consumo - a ponto de o governo estimulá-lo com isenções fiscais. 

Questionado sobre os riscos da elevação da dívida bruta do Tesouro provocada pela operação descrita acima, uma autoridade do primeiro escalão federal comentou que "o BNDES tem a menor inadimplência de todo o setor financeiro - 0,6%. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica também possuem inadimplência de cerca de 2%, metade da dos principais bancos privados." 

A baixa inadimplência dos bancos oficiais seria uma garantia de que o risco para o contribuinte de perda patrimonial associada aos referidos empréstimos é desprezível. Com exceção do custo fiscal do diferencial de juros, a operação seria neutra para o Tesouro. No futuro, superado o desaquecimento atual, as empresas pagariam os empréstimos ao BNDES que quitaria sua dívida junto ao Tesouro.

Se o passado for um bom previsor do futuro, a retração do setor privado estimulará a ampliação estatal

Quer se concorde ou não com a explicação da referida autoridade, o fato é que ela levanta um tema pouco discutido pelos analistas econômicos. O que explica o fato de a inadimplência dos bancos oficiais ser mais baixa do que a dos privados? 

É improvável que os bancos públicos sejam mais eficientes que os privados ao avaliar o risco de crédito. Uma segunda explicação - que preferimos desconsiderar - seria a existência de uma falha na mensuração da inadimplência dos bancos oficiais que refinanciariam, por alguma razão obscura, devedores incapacitados de honrar dívidas antigas reduzindo a medida de inadimplência.
Embora não acreditemos ser este fator relevante, há que se levar em conta que no passado esse expediente já foi utilizado. Entre 2000 e 2001 os financiamentos em atraso do Fundo Constitucional do Nordeste, administrado pelo Banco do Nordeste (BNB), saltaram de 0,52% para 31,29% dos recursos aplicados, para R$ 2,7 bilhões em valores nominais. 

Não porque tenha ocorrido uma súbita onda de inadimplência na região, mas porque o Banco Central obrigou o BNB a lançar as "operações em atraso, passíveis de negociação" como de fato em atraso. Até então elas eram refinanciadas e não contabilizadas como inadimplentes.

Uma terceira e mais provável explicação está no dilema enfrentado por uma empresa devedora, diante de uma dificuldade de caixa. Tendo que escolher entre honrar um empréstimo junto a um banco que lhe fornece crédito subsidiado, e outro que lhe cobra uma taxa de mercado, ela sabe que as portas para novos financiamentos se fecharão no primeiro banco, caso ele sofra sua inadimplência. 

A decisão empresarial mais sensata, então, é priorizar o serviço da dívida de menor custo, preservando essa fonte barata de recursos para futuros empréstimos, e atrasar o serviço da dívida mais cara que será objeto de renegociações e brigas judiciais futuras.

O comportamento das empresas com dificuldade de caixa descrito acima implica que, num ambiente econômico em que alguns bancos concedem empréstimos a taxas subsidiadas, o risco corrido pelos demais bancos é maior do que seria na ausência dos subsídios. 

Conhecendo os incentivos econômicos à inadimplência, a taxa dos financiamentos não subsidiados embutirá um prêmio de risco de modo a estimular a concessão de empréstimos. Parte dos financiamentos será objeto de renegociação, mas a maior taxa compensa as perdas. O equilíbrio de mercado é uma segmentação na qual os bancos com taxas subsidiadas terão menor inadimplência.

A ampliação da presença estatal na intermediação financeira brasileira, desencadeada a partir da crise dos subprime de 2008, além de não conseguir elevar o investimento e de ampliar o custo fiscal dos subsídios ao crédito, tem elevado o risco corrido pelos bancos privados. 

Estes, a fim de se protegerem, tendem a ser mais seletivos na concessão de financiamentos aos investimentos. Se o passado for um bom previsor do futuro, a retração do setor privado deverá estimular a ampliação estatal. 

Essa espiral, que poderá agradar setores mais nacionalistas e de esquerda, provavelmente não implicará em aumento do investimento da economia como um todo, mas simples realocação entre os dois setores.

Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores da Escola de Pós-graduação em Economia (EPGE-FGV)
Valor Econômico