"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

março 19, 2015

LATIFÚNDIO DE NULIDADES

Num ministério de 39 pastas, é significativo que um quarto delas possa ser objeto de mudança com menos de três meses de gestão.

 É um governo que só serve a si mesmo
A fugaz passagem de Cid Gomes pelo Ministério da Educação diz muito sobre a qualidade das escolhas e sobre os critérios que orientam a montagem da equipe de governo de Dilma Rousseff.

Na "pátria educadora", o ministro ontem demitido fez tudo menos o bem para a área que deveria comandar. Mas Gomes não destoa do resto do time. Sob o comando da presidente petista, a Esplanada é um latifúndio de nulidades.

Nos 76 dias em que chefiou o MEC, Cid Gomes conseguiu instalar a balbúrdia no Fies, o programa que financia cursos universitários; paralisar o Pronatec, antes vitrine das propagandas dilmistas; e levar boa parte das universidades federais à penúria.

A pasta da Educação também perdeu R$ 7 bilhões no orçamento deste ano e tornou-se a mais prejudicada pela tesoura do ajuste fiscal. Não se ouviu de Dilma uma palavra de reprovação a estes descaminhos.

A presidente terá agora de escolher o quinto ministro da Educação a ocupar o cargo em pouco mais de quatro anos. Não há política educadora que resista. Não surpreende que a gestão de Cid "parecia uma transição que não terminava nunca", como resumiu O Globo.

A saída do ministro da Educação deve precipitar a reforma ministerial de um governo que sequer completou 80 dias. Se todas as peças que estão sendo cogitadas no xadrez político neste momento forem mexidas, nada menos que dez pastas mudarão de mãos.

Estão na dança desde nulidades absolutas, como a Secretaria da Pesca, até a mais importante pasta da Esplanada, a Casa Civil. Podem mudar também os titulares da Defesa, das Relações Institucionais, da Integração Nacional, do Turismo, da Comunicação Social, da Aviação Civil, da Ciência e Tecnologia e dos Portos.

Num ministério mastodôntico de 39 pastas, é muito significativo que um quarto delas já possa ser objeto de alteração decorridos menos de três meses de gestão. A constatação óbvia é: Afinal, para que servem tantos ministérios, tantos cargos, tantos partidos a compor a instável base de sustentação no Congresso? As possíveis respostas são as mais desabonadoras possíveis.

Mas uma delas pode ser encontrada nas pregações que Rui Falcão fez ontem em reunião fechada com a bancada de deputados petistas. O presidente do PT deu sua receita para aplacar a pressão sobre o governo: cortar as verbas publicitárias de veículos que "apoiaram" e "convocaram" as manifestações de domingo.

O "caos político" e a nulidade da equipe de governo são traduzidos à perfeição quando se vê o presidente do partido do governo sugerir que dinheiro público seja usado na mesma "guerrilha política" que a Secretaria de Comunicação defendera em documento vazado anteontem. Não restam dúvidas: estamos diante de um governo que só serve a si mesmo.

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“Fiz vários depósitos para Fernando Collor”, disse Youssef

Em delação premiada complementar, feita em fevereiro deste ano, o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, afirmou ao Ministério Público Federal que entregou diversas vezes dinheiro para o senador e ex-presidente (1990/1992) Fernando Collor (PTB-AL). A delação, dividida em vários depoimentos, foi gravada em vídeo. O arquivo com as imagens de Youssef depondo foi incluído nos autos da Lava

O senador e ex-presidente Fernando Collor nega ‘qualquer relação’ com Youssef. O doleiro disse que funcionários seus entregaram quantias em espécie na casa do parlamentar em Alagoas e em um apartamento em São Paulo. Segundo Youssef, um emissário de Collor teria ido a seu escritório receber dinheiro. O ex-presidente é investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Eu fiz vários depósitos para o Fernando Collor e isso já faz algum tempo. Creio que 2010, 2011, não me lembro. Não sei precisar a data”, disse Youssef. “Não sei especificar exatamente os valores. Mas teve vez que foi R$ 200 mil, R$ 300 mil. Sempre mais ou menos nesses valores.”
O procurador-geral da República Rodrigo Janot aponta “indícios veementes” de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Collor. Ele pediu que o senador seja ouvido para que “apresente sua versão sobre os fatos”.

Na petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), em que pede investigação sobre o envolvimento de Collor com o doleiro Alberto Youssef, o chefe do Ministério Público apontou a existência de comprovantes de depósitos bancários apreendidos com o doleiro.

Youssef afirmou que um emissário seu foi a Alagoas ‘umas 4 ou 5 vezes’ entregar dinheiro a Collor e que um emissário do senador foi a seu escritório buscar dinheiro ‘umas 4 ou 5 vezes ou mais’. O doleiro disse que nunca teve contato diretamente com o parlamentar, apenas com o funcionário dele.

Segundo ele, um ex-ministro de Collor, que chama de PP, pediu para que desse dinheiro ao senador. Youssef afirma que o ex-ministro foi seu cliente de 2008 até sua prisão (em março de 2014) e tinha uma conta com ele. O doleiro está preso na carceragem da PF em Curitiba, base das investigações da Lava Jato.

“O meu relacionamento com o Collor nessa questão de valores sempre foi por intermédio do PP. Nunca teve outra pessoa que tivesse pedido pra eu entregar alguma coisa ao Collor”, disse. “(PP) tinha conta corrente comigo e pediu que eu fizesse um depósito nessa conta, que era do Fernando Collor. Como também pediu que eu entregasse dinheiro em espécie na casa do Fernando Collor”, afirmou.

Youssef falou ainda que ‘neste meio de políticos que eu frequentava, se dizia que o Collor tinha uma diretoria na BR”. “Qual diretoria era e qual diretor indicado por ele eu não posso dizer, porque eu não sei.”

Blogs Fausto Macedo
Por Julia Affonso, Beatriz Bula e Talita Fernandes

março 18, 2015

PAULO ROBERTO DA COSTA : Renan e Jucá sabiam do cartel e defendiam empreiteiras


Em vídeo gravado pela PGR (Procuradoria Geral da República) no último dia 11 de fevereiro no Rio de Janeiro, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) sabiam da cartelização das empreiteiras na Petrobras e defendiam que elas continuassem ganhando obras na estatal do petróleo.

"Qual era o interesse desses políticos? Que as empresas do cartel ganhassem. Porque se elas ganhassem, revertia uma parte para eles. Outra coisa que eu falei lá nos depoimentos, essas empresas do cartel não trabalham só para a Petrobras. Essas empresas do cartel trabalham para portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias. O interesse deles é tudo, não é só Petrobras", disse Costa.

"[...] A minha área de abastecimento era a ponta do iceberg", afirmou o ex-diretor, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público e a Polícia Federal. Ele contou que mantinha reuniões mensais com os senadores Renan e Jucá. Esses encontros teriam ocorrido nas casas e nos gabinetes dos dois parlamentares em Brasília.

Um dos procuradores responsáveis pelo depoimento quis saber "qual seria a contrapartida" dos senadores Renan e Jucá para o apoio que deram para que Costa permanecesse em seu cargo na Petrobras, no primeiro trimestre de 2007. "Ajudar no que fosse possível o partido", respondeu o delator. "Ajudar o partido, igual a abordagem do PP?", inquiriu o procurador. "Mesma coisa", respondeu Costa.

No depoimento, porém, Costa disse que não recebeu um pedido direto dos parlamentares por recursos desviados da Petrobras.

Costa contou que foi indicado ao cargo pelo PP (Partido Progressista), mas o apoio do PMDB surgiu depois que ele ficou entre a vida e a morte em dezembro de 2006, após ter contraído malária, acrescida a uma crise de pneumonia, e três gerentes da Petrobras começarem a cobiçar o seu cargo.

O ex-diretor começou a sentir os sintomas da malária logo após voltar de uma viagem à Índia, num voo entre Brasília e o Rio. Ele chegou à sede da Petrobras "tremendo, febril" e de lá foi encaminhado ao hospital Barra d'Or.

"Isso foi numa quinta-feira. [Na] sexta-feira, final do dia, eu tinha entrado em coma. No sábado, a Petrobras mandou chamar um dos maiores infectologistas do Brasil, que é lá de São Paulo, hoje é secretário de Estado de São Paulo, David Uip. Ele me examinou, eu estava em coma, entubado, ele me examinou na CTI, chamou os médicos e depois chamou minha mulher de lado e falou: 'Olha, a chance de ele sobreviver é de 5%'. Falou na lata para a minha mulher. 'Cinco por cento. Só se Deus quiser. Porque a medicação que ele está tomando é correta, está tudo certo, mas a chance dele é mínima'."

Costa disse que ficou cerca de três meses fora do trabalho. Nesse período, os três gerentes –dentre os quais Venina Velosa e, mais fortemente, Alan Kardec– "fizeram 'n' contatos políticos", segundo o então diretor.

"Porque se não for politicamente, não chega lá. Politicamente, para ficar no meu lugar", contou Costa. Nesse momento, disse o ex-diretor, uma parte do PMDB apareceu para lhe ajudar, com conhecimento do PP. "Nesse meio tempo, o PMDB do Senado resolveu me apoiar. Porque tem o PMDB do Senado e o da Câmara", explicou Costa.

O primeiro contato, segundo o ex-diretor, foi por meio do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE), que lhe procurou na Petrobras, dizendo falar em nome do senador Renan. A partir daí, Costa disse ter se reunido inúmeras vezes com os parlamentares.

"Então eu tive muitos contatos com Romero Jucá e muitos contatos com Renan Calheiros. Foram na casa do senador Renan e muitos contatos no gabinete, tanto dele quanto do Romero. Lá no Senado", rememorou o ex-diretor.

Costa disse que a ação do PMDB ocorreu para que fosse contida a expansão do PT nos cargos mais altos da Petrobras. "Porque se eles me tirassem naquele momento [do Abastecimento], ia assumir outro PT. Aí era PT na Gás e Energia, PT na Exploração e Produção, PT na Área de Serviço e PT na área de Abastecimento. Ia ficar PT de ponta a ponta. E obviamente que o PMDB também não queria isso", disse Costa.

OUTRO LADO

Em nota divulgada no último dia 6, quando o ministro Teori Zavascki, relator dos casos derivados da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), mandou abrir inquérito para investigá-lo, Renan Calheiros negou qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas pela força-tarefa da PF e do Ministério Público Federal.

"Nas democracias, todos –especialmente os homens públicos­– estão sujeitos a questionamentos, justos ou injustos. A diferença está nas respostas. Existem os que têm o que dizer e aqueles que não. Quanto a mim, darei todas as explicações à luz do dia e prestarei as informações que a Justiça desejar. Minhas relações junto ao poder público nunca ultrapassaram os limites institucionais. Jamais mandei, credenciei ou autorizei o deputado Aníbal Gomes, ou qualquer outro, a falar em meu nome, em qualquer lugar. O próprio deputado já negou tal imputação em duas oportunidades", afirmou Renan, na nota.

Procurado pela Folha, o deputado Aníbal disse que primeiro precisaria ter acesso a todos os documentos no STF para depois se manifestar. No início de março, em entrevista à Folha antes do pedido de inquérito protocolado pelo Ministério Público no STF, Aníbal disse que conhecia Paulo Costa, mas negou qualquer irregularidade.

Jucá, que ocupa o cargo de segundo vice-presidente do Senado, disse à imprensa no último dia 7 de março que primeiro analisaria todos os dados do inquérito no STF para depois se manifestar.

RUBENS VALENTE/GABRIEL MASCARENHAS
DE BRASÍLIA
Folha

Cid é demitido, afirma presidente da Câmara

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acaba de anunciar a saída do ministro Cid Gomes (Educação) do governo da presidente Dilma Rousseff.

"Comunico à Casa o comunicado que recebi do chefe da Casa Civil comunicando a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes", disse Eduardo Cunha na tarde desta quarta-feira (18). A decisão foi tomada após uma sessão conturbada no Congresso, onde Gomes foi convocado a prestar esclarecimentos sobre fala de que a Casa tem grande maioria de achacadores.

Folha

DILMA DERRETE


Collor que se cuide. 
Cada vez mais impopular, Dilma caminha para lhe fazer companhia como presidente que teve que deixar o Planalto pela porta dos fundos

Neste fim de verão, o sol já não brilha mais tão inclemente, mas Dilma Rousseff derrete a olhos vistos. A pesquisa do Datafolha publicada hoje a torna a presidente mais mal avaliada da história da República em época de normalidade democrática. Os brasileiros têm motivos de sobra para detestar a petista cada vez mais.

Segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo. Apenas Fernando Collor foi pior avaliado pela população, mas seu recorde de 68% só foi alcançado às vésperas do impeachment, em setembro de 1992. Seis meses antes, ele ainda tinha apenas 48% de desaprovação, o que é hoje uma miragem para Dilma.

A popularidade da presidente esvaiu-se em todas as faixas salariais e em todas as regiões do país. Qualquer que seja o nível de renda, Dilma é desaprovada por pelo menos 60% da população. Ao redor do Brasil, sua média de ruim ou péssimo é sempre superior aos 51% aferidos no Norte, chegando a 75% no Centro-Oeste.

Os números jogam definitivamente por terra a tese furada de petistas - sendo o mais patético deles o ministro Miguel Rosseto - de que só eleitores da oposição se sentem insatisfeitos com o desgoverno da presidente. A grita é ampla, geral e irrestrita, alimentada pelos sentimentos de frustração, de desalento e de revolta.

Mas o Datafolha mostra que, para os entrevistados, o que está ruim pode ficar ainda pior. Para 60% da população, a situação da economia ainda vai degringolar mais, com alta do desemprego (66%) e da inflação (77%). Não está mole para ninguém.

Mesmo os eleitores de Dilma têm percepção negativa do governo dela e comungam praticamente das mesmas expectativas negativas quanto ao futuro do país expressada pela média dos brasileiros. Numa pesquisa interna da Secretaria de Comunicação, desde as eleições 32% mudaram de opinião negativamente em relação ao governo. Pelo Datafolha, a desaprovação da presidente subiu 42 pontos desde outubro passado.

O documento oficial sugere qual deve ser a receita para tirar Dilma do corner: gastar mais dinheiro público com publicidade, especialmente para convencer os eleitores de São Paulo, e abastecer a "guerrilha política" e seus "soldados" com munição – entenda-se também verbas – distribuída pelo governo.

Como o que mais gostam é de desviar dinheiro pago pelo contribuinte, é fratricida no governo a briga para transferir para a mão de petistas a verba a ser despejada na publicidade oficial. Convenhamos: quem criou o mensalão e o petrolão entende do assunto...

Diante do quadro atual de descontrole e descalabro e da erosão de popularidade de Dilma, Fernando Collor que se cuide. A petista caminha para lhe fazer companhia como presidente da República que teve que deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos, execrada pelos brasileiros.

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TCU decide apurar atos dos conselhos de Administração e Fiscal da Petrobrás

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta-feira, 18, que a área técnica do tribunal analise a atuação dos conselhos de administração e fiscal em todos os casos que envolvam deliberações da Petrobrás analisados pela Corte de Contas. O ministro substituto André Luis de Carvalho justificou sua proposta ao afirmar que é preciso que o tribunal verifique "se os referidos conselhos praticaram atos de gestão ruinosa ou deixaram de atuar com cuidado."

O ministro André Luis afirmou que há no TCU 40 processos sobre a Petrobrás em análise na área técnica. Desses, 10 têm conexão com Pasadena e 15 com investigações da Operação Lava Jato, que desvendou esquema de corrupção na petroleira. Inicialmente, são nesses casos que a condução dos conselhos será analisada. "(A análise será) Em cada processo inerente a falhas na gestão da Petrobrás que a área técnica se manifeste sobre a responsabilidade dos conselhos de administração e fiscal", continuou o ministro.

O ministro pede ainda que os técnicos do tribunal "se manifestem conclusivamente nos pareceres sobre a responsabilidade de membros do conselho de administração e fiscal" da estatal. A sugestão foi acatada pelos demais ministros da corte de contas.

Presidido por Dilma em 2006, o conselho da Petrobrás contava com Silas Rondeau, Guido Mantega, Sérgio Gabrielli, Gleuber Vieira Arthur Sendas, Roger Agnelli, Fábio Barbosa e Jorge Gerdau. 
Carvalho vinha insistindo para que o conselho que aprovou a aquisição da refinaria americana de Pasadena, em 2006, fosse integralmente chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso. Isso significaria chamar a presidente Dilma Rousseff para dar explicações. 

A presidente Dilma Rousseff presidiu o conselho de administração de 2003 a março de 2010, época em que a compra de Pasadena foi aprovada, entre outras ações. Em nota aoEstado, Dilma disse no ano passado que aprovou a compra bilionária com base num resumo que não continha cláusulas que se mostraram danosas à petroleira posteriormente. Delator do esquema de corrupção na Petrobrás, Paulo Roberto Costa, contou à Justiça que recebeu US$ 1,5 milhão de propina para não atrapalhar como diretor de Abastecimento a compra da refinaria.

A tentativa de convocar Dilma, no entanto, foi rejeitada pelo plenário. Nesta quarta o ministro apresentou uma nova proposta e conseguiu o apoio dos demais membros da corte. Um advogado da Petrobrás chegou a protestar contra a decisão, sob alegação de que as auditorias estariam apontando responsabilidades por irregularidades antes mesmo de o processo ser concluído. A defesa da estatal disse ainda, na tribuna, que a proposta do ministro André "sugestiona" que os conselhos de administração e fiscal tiveram responsabilidade, além de suas atribuições. O plenário, no entanto, manteve o apoio à sugestão.

André Luiz de Carvalho argumentou que não se trata de julgamento prévio, mas de apuração de fatos e eventuais responsáveis. Na prática, portanto, Dilma não será convocada para explicar o caso Pasadena.

Andreza Matais, André Borges e Murilo Rodrigues Alves - O Estado de S. Paulo

março 17, 2015

DILMA E SUAS RESPOSTAS INADEQUADAS


Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos da população, Dilma, o PT e seu governo que embalem o Mateus que pariram


Dilma Rousseff concedeu ontem uma de suas raras entrevistas coletivas, a fim de tentar sair das cordas depois do soco no queixo que tomou dos 2 milhões de brasileiros que foram às ruas protestar no domingo. Suas respostas, como sempre, foram inadequadas. A presidente continua sem compreender que o motivo da indignação é o governo dela e do PT.

As razões que tiraram os brasileiros de casa incluem a roubalheira em proporções industriais, notadamente na Petrobras; a incapacidade do governo de admitir que conduziu uma política econômica desastrosa nos últimos quatro anos; e a recusa da população a pagar a maior parte da conta amarga do arrocho recessivo que o PT ora promove.

Em praticamente tudo o que disse ontem, Dilma demonstrou simplesmente desconhecer esta realidade. Para começar, mais uma vez, tentou espalhar o manto negro da corrupção sobre todos, chamando-a de "senhora bastante idosa" que "não poupa ninguém". A postura da presidente é que é de antanho: tentar jogar todos no mesmo balaio sujo.

O que a idosa senhora teria a dizer sobre seus filhos mais travessos, entre eles os petistas Renato Duque e João Vaccari? O primeiro foi preso novamente ontem, sob a acusação de ter enviado o equivalente a R$ 68 milhões para contas em Mônaco, parte deles amealhada ainda no ano passado. O segundo, como tesoureiro do PT, encheu as burras do partido com dinheiro desviado da Petrobras e ontem foi denunciado pelo Ministério Público.

Ainda na entrevista, muitíssimo a contragosto, a presidente ensaiou admitir que, quem sabe, talvez, "é possível que possa ter cometido algum [erro de dosagem na economia]". Em seguida, com sua peculiar arrogância, sustentou que, na verdade, sua política econômica se contrapunha a quem "acha que tinha que deixar empresas quebrarem e trabalhadores se desempregarem".

É caso clássico de retórica absolutamente descolada da realidade. Quebradeira é o que mais se tem visto no país desde a chegada de Dilma à presidência. Apenas para ilustrar, a indústria brasileira produz hoje 9% menos do que produzia em 2009. A geração de empregos caiu em todos os anos do primeiro mandato dela: apenas nos últimos dois meses, 637 mil postos foram eliminados no país.

Além destas mitificações baratas, Dilma baseou sua manifestação em outros dois eixos: tentar mostrar-se humilde e aberta ao diálogo. São dois atributos que, definitivamente, não casam com a persona dela e só foram agora oportunamente assacados porque a presidente está em sérios apuros e quase sem base de sustentação na sociedade e no Congresso.

Trata-se de humildade calculada e de um mea-culpa sussurrado. Se querem produzir arrocho sobre benefícios sociais e aumentar impostos, Dilma e seu governo que embalem o Mateus que pariram. E que vão dialogar com os seus. Respostas, a presidente continua não tendo a oferecer a quem, seriamente, foi às ruas no domingo bradar por um país melhor.


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março 15, 2015

PARA REGISTRO ! NA MAIS PORTENTOSA MANIFESTAÇÃO CONTRA O GOVERNO DA NOSSA HISTÓRIA, A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA RECONQUISTA AS RUAS DO BRASIL.

As manifestações de rua deste domingo viraram para sempre uma página infeliz da nossa História. Só em São Paulo, 1 milhão de homens e mulheres marcharam em direção ao novo recorde nacional. Em várias cidades do Brasil e do exterior, centenas de milhares de adversários do lulopetismo protagonizaram os mais portentosos atos de protesto desde o movimento pelas Diretas Já, que chegou ao climax em 1984. A imensidão de democratas indignados com tanta incompetência, tanta corrupção, tanta arrogância liberticida reduziu a escombros o monumento à fraude inaugurado há 12 anos.

O colosso de gente pulverizou a conversa fiada dos farsantes no poder: o “exército do Stédile”, a multidão de devotos de Lula, os batalhões de militantes do PT e guerreiros dos movimentos sociais ─ nada disso existe fora da discurseira delirante. A onda antipetista alterou dramaticamente a paisagem política. Tão cedo os embusteiros não ousarão dar as caras. As ruas foram resgatadas pelo país que cumpre a lei, trabalha, presta e pensa.

São Paulo 

 
Veja/Augusto Nunes

março 14, 2015

#VEM PRA RUA ! MOTIVO PARA QUE AMANHÃ A RUA SEJA DO POVO? Com Dilma, economia retrocede dez anos em dois


"O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar". A frase proferida pelo economista e ex-ministro Roberto Campos, morto em 2001, remonta à década de 1970, mas não causaria estranhamento se fosse dita em 2015. O atual desenho macroeconômico do Brasil - com juros a 12,75%, inflação acima de 7% e dólar a 3,24 reais - mostra os efeitos danosos de uma política de governo intervencionista executada pela presidente Dilma Rousseff desde 2011 e que, agora, cobra seu preço. 

Diante dos ajustes necessários para que o país não sucumba a uma crise mais aguda, as medidas de subsídios, desonerações e estímulos têm sido desarmadas. Os impostos, elevados. E os brasileiros se deparam com problemas que há mais de uma década pareciam vencidos. Terão de pagar um preço alto para financiar o conserto dos fundamentos econômicos que balizavam o Brasil de outros tempos, mas que foram sistematicamente rompidos. Há cerca de dois anos, o país passa por uma deterioração econômica apenas comparável à era Collor - e esse tombo fez com que uma década de avanços virasse pó.

Na tentativa de manter, a todo custo, o crescimento vigoroso registrado em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 7,5%, o governo Dilma empreendeu uma mudança drástica de filosofia. Se o lulismo pregava uma política econômica ainda com viés desenvolvimentista, porém, com algum pragmatismo, a sucessora, no intuito de 'deixar sua marca', resolveu trocar a orquestra e a música. Numa espécie de anexação do Banco Central e do Ministério da Fazenda como secretarias do Palácio do Planalto, a presidente interferiu no câmbio, na taxa de juros e ofereceu subsídios à indústria nacional com o intuito de reduzir a dependência das importações. 

"Houve um afastamento paulatino dos instrumentos que compõem o tripé de política econômica, o qual garantiu a consolidação da estabilidade da economia conseguida com o Plano Real, além de intervenções na formação de preços em alguns mercados (energia elétrica e combustíveis), com efeitos importantes sobre a economia", afirma Gesner Oliveira, da GO Associados.

A sinalização da presidente frustrou observadores econômicos e os donos do dinheiro. Contudo, como o Brasil ainda era a bola da vez em 2011, a frustração demorou pelo menos dois anos para se transformar num sentimento generalizado. Com isso, a partir de 2013, o país assistiu a uma piora progressiva de seus indicadores econômicos - tanto aqueles que reproduzem a economia real quanto os que capturam expectativas futuras. 

De lá pra cá, as consequências se tornaram visíveis na indústria, no investimento, no mercado de trabalho, e, em última instância, na renda dos brasileiros, que é corroída pela inflação e juros mais altos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, está atualmente em 7,70% em 12 meses até fevereiro, o maior nível desde maio de 2005, quando atingiu 8,05%. Já a Selic está em 12,75%, o maior patamar desde janeiro de 2008.

Um número exemplar do retrocesso é o consumo das famílias brasileiras, mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal indicador tem sido o catalisador do crescimento há pelo menos dez anos, mas deve começar a ruir em 2015. A previsão da Tendências Consultoria é de um recuo de 0,1% - o primeiro desempenho negativo desde 2003, quando caiu 0,8%.

Do lado produtivo, a indústria também não tem nada a comemorar - e não é de hoje. O setor acumula queda de 3,15% em 12 meses até janeiro, o resultado negativo mais intenso desde janeiro de 2010 (- 4,8%). E mesmo o dólar a 3,24 reais não deve resolver os problemas do setor. Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Fiesp, lembra que "a mesma mão que afaga, estapeia". 

Traduzindo:
a moeda mais cara beneficia quem exporta, mas penaliza quem depende de insumos importados. Empresas que têm dívidas cotadas em moeda americana também podem ser pegas desprevenidas. De qualquer forma, a atual cotação confere algum alívio. "Se não fosse isso, a indústria doméstica não teria chance. De qualquer forma, o ano de 2015 já está desenhado como ruim", diz.

O retrocesso não ocorre apenas do ponto de vista macroeconômico. O economista Alexandre Schwartsman pondera que o que mais preocupa é a piora significativa observada no ambiente de negócios. "Temos um intervencionismo crescente, a paralisação de uma agenda importante que tínhamos avançado. De forma geral, temos um retrocesso claríssimo em diversas dimensões." Ele critica a errática agenda microeconômica adotada desde 2011, que privilegia determinados setores e empresas, e diz que, em relação à macroeconomia, ainda falta uma liderança por parte da presidente.

 "Dilma terceiriza o que é que mais importante. Colocou Levy na linha de frente e se escondeu atrás dele", diz, referindo-se à condução do ajuste fiscal que foi colocado em prática este ano no intuito de reverter os problemas. Uma das consequências mais preocupantes é o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A situação do país está sendo olhada com lupa por agências de classificação de risco, como Standard & Poor's (S&P) e Fitch.

Neste cenário nebuloso, aumentou o "risco-Brasil", indicador que aponta, em linhas gerais, a percepção dos investidores em relação à capacidade do país de honrar suas dívidas. Segundo o Embi+Br, calculado pelo banco JP Morgan, o "risco-Brasil" estava em 338 pontos na última sexta-feira, o maior patamar desde maio de 2009, auge da crise financeira internacional. "Vale lembrar que a tendência é de alta, considerando o agravamento das crises político e econômica, incluindo os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras. Tudo isso deixa o mercado muito mais temeroso", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Para o economista Otto Nogami, do Insper, a principal diferença entre a conjuntura atual e a dos anos 2000 é o sentimento dos agentes do mercado. Se, naquela década, a sensação era de que as coisas poderiam melhorar, o que se apresenta agora é um cenário de constante deterioração. "No início da década passada, ainda vivíamos um processo de recuperação, após a implementação do Plano Real. Tivemos uma melhoria do ambiente externo, uma busca por equilíbrio macroeconômico interno, que marcaram os dois governos do presidente Lula", lembrou Nogami. 

A conjuntura atual, no entanto, espelha visão oposta. Em diversos setores, índices de confiança atingem mínimas históricas, de acordo com sondagens elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Na indústria, por exemplo, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu em fevereiro o menor patamar desde abril de 2009.

Há uma tentativa incisiva do governo, capitaneada pelo ministro Levy, de reverter a situação. Não porque a presidente acredite que tenha feito algo errado. Prova disso é que dias atrás, diante de uma crítica feita por Levy a políticas passadas, o governo rebateu como represália, classificando a crítica como "infeliz". As medidas que o ministro briga para implementar atingem em cheio o bolso do trabalhador, em especial aquelas que reduzem benefícios trabalhistas. São duras, mas necessárias. 

O povo brada reparação, pois se sente enganado pelas promessas de manutenção das políticas feitas durante as eleições. O petrolão acrescenta pólvora à indignação. E a presidente, até o momento, parece fechar os olhos ao problema.

Luís Lima/Veja (Com reportagem de Teo Cury)

março 11, 2015

A 'ELITE' QUE VAIA DILMA


A presidente pôde ver de perto que 'elite' é esta que tanto reclama dela: pedreiros, pintores, faxineiras, marceneiros, modelos e empresários. Ou seja, uma amostra do povo brasileiro

Sempre que é questionado, o PT tenta desqualificar a crítica e circunscrevê-la a grupos isolados que, segundo o discurso oficial, "não representam a sociedade". Foi assim nas manifestações de 2013, foi assim na Copa do Mundo e novamente agora após o panelaço de domingo. Como sempre, a fábula não resiste a um sopro da realidade.

Os defensores do governo sustentam que os protestos são de uma elite que reclama "de barriga cheia". Coisa de dondoca que não tem mais o que fazer ou de playboy mimado. (Os termos aqui empregados parecem conversa de adolescente, mas o linguajar dos petistas é assim mesmo: pueril, básica, primária.)

Ontem, em São Paulo, a presidente da República pôde ver de perto que "elite" é esta que tanto reclama do governo dela. Lá estavam - segundo registros da imprensa - pedreiros, pintores, faxineiras, montadores de estandes, marceneiros, modelos, comerciários e empresários. Ou seja, lá estava uma amostra do povo brasileiro.

A Dilma Rousseff, os manifestantes ("dezenas", segundo os jornais) dedicaram palavras carinhosas como "vagabunda", "bruxa" e "ladra". Foi uma resposta ao desgoverno a que estamos assistindo e foi, especialmente, uma réplica indignada ao escárnio travestido de pronunciamento à nação que a presidente levou à TV na noite de domingo.

Os sinais do constrangimento ficaram visíveis. Enquanto Dilma mostrava-se abatida por mais um apupo sofrido, o cerimonial do Palácio do Planalto tentava apartar a imprensa do protesto. Não funcionou. A presidente preferiu abortar a caminhada que fazia pela feira e correu para o conforto do auditório onde faria sua palestra. Lá encontrou vazios metade dos 799 lugares.

Os limites da narrativa enganadora do PT também foram expressos no depoimento dado ontem por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, à CPI que investiga a estatal. Mais uma vez ele deixou claro: o esquema criminoso foi instalado na empresa de forma "institucionalizada" com a chegada do PT ao governo. O que houve antes foram "atitudes isoladas" do engenheiro.

Barusco é o mesmo que revelou que mais de meio bilhão de reais podem ter sido desviados da Petrobras para o PT. Ontem, ele agregou que US$ 300 mil de propina foram repassados à campanha que elegeu Dilma em 2010 pela firma holandesa SBM. Não há qualquer registro de doação desta empresa na Justiça Eleitoral.

Dilma deve estar percebendo, da pior maneira possível, os limites de um governo cuja existência sempre se ancorou em marketing. Se acha que o que viu e ouviu até agora nas ruas é exagero, é melhor a presidente esperar pelo que vem por aí. Se as promessas não viram realidade, se a vida torna-se cada dia mais difícil, se o quadro geral é cada vez mais desalentador, a resposta do povo vem a galope. Motivos para protestar não faltam.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela