"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 19, 2014

VERSO REVERSO OU 'Nova política' e vida real

Sabatinado por este jornal, o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, deputado federal Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, tentou aparentemente transformar um círculo em um quadrado, ao reconhecer que "ninguém governa sem o PMDB", ressalvando, porém, que "não é preciso entregar o governo para ter governabilidade". A questão foi levantada porque toca no nervo exposto da candidatura Marina - o disseminado ceticismo sobre as suas chances, se eleita, de formar uma equipe de governo que não seja um ajuntamento de estranhos no ninho e de construir uma base parlamentar que lhe permita aprovar os projetos que lhe forem mais caros.
O que se pode chamar de bancada marineira na Câmara dos Deputados - as cadeiras hoje ocupadas pela coligação que reúne, além do PSB do falecido Eduardo Campos, o PPS e quatro siglas nanicas - soma 32 em um total de 513. Na melhor das hipóteses, segundo projeções publicadas pelo jornal Valor, os socialistas sairão das urnas com o mesmo número de vagas (34) conquistadas em 2010 para fazer parte de uma Casa provavelmente ainda mais fragmentada que a atual, de 22 siglas. 

Diz a candidata, em desespero de causa, que fará um governo com os "melhores" nomes do espectro partidário que compõe o Legislativo. É de rogar aos céus que ela própria descreia de suas palavras.

Do contrário revelará um desconhecimento abissal de como funciona a política, não obstante seus dois mandatos de senadora. Melhores, piores e mais ou menos, os parlamentares vivem todos numa teia de lealdades a quem os tenha feito chegar ao Congresso Nacional. E ali estão sujeitos a uma complexa estrutura de poder alicerçada no sistema de lideranças que mantêm a coesão interna das bancadas. 
Uma coisa e outra restringem a liberdade de movimentos de seus membros mais do que possa conceber a vã filosofia da "nova política". Descartada, por ingênua ou insincera, a retórica do tal governo dos melhores, resta o governo possível com a expressão organizada do Parlamento.

No "presidencialismo de coalizão" brasileiro, essa fórmula leva uma dose de afinidade programática, outra de convergência com os grupos de interesses do Congresso e oito partes de realpolitik - o acatamento da relação de forças entre os partidos, resultante de cada ciclo eleitoral. 

O que, teoricamente, abriria três possibilidades para Marina em 2015: fazer as pazes com o PT, achegar-se ao PMDB ou se aliar à frente PSDB-DEM. Na primeira e mais remota hipótese, será mais do que mais do mesmo para o País: o pior dos dois mundos. 

Na terceira, que poderá começar pelo apoio tucano à candidata que ameaça despejar Dilma Rousseff - a menos que o senador Aécio Neves consiga superá-la -, o produto será um governo de minoria, mas com razoável grau de coerência e capacidade de atração de outras legendas médias.

Já um acerto com um PMDB - que deverá continuar com a segunda maior bancada da Câmara, depois do PT, e com a maior do Senado - equivalerá a um pedido de Marina para que esqueçam o que não se cansou de repetir sobre a renovação dos costumes políticos nacionais. E não será nenhuma pechincha, diga o que disser o deputado Beto Albuquerque sobre governar com o PMDB sem lhe dar o governo. 

Na entrevista ao Estado, ele perguntou retoricamente por que teria de consultar o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre quem deveria ser indicado para uma Transpetro, por exemplo. Porque é disso que os oligarcas do PMDB alimentam o seu poder, antes e depois das urnas. Nesse jogo duro, o conselho que deixou de ser solicitado é um ato de menoscabo que não pode passar em branco.

"Nosso governo", promete o candidato a vice, "não vai indicar gente inapta porque é pedido de alguém." Na vida real, é mais complicado. No mercado de apoios políticos, o interessado pode sair com o filé que desejava, desde que leve também uma porção de carne de pescoço. 

Enquanto o PMDB for o partido que trocou a disputa pelo Planalto por estar no Planalto em qualquer governo - embora os seus hierarcas falem em lançar um nome em 2018 -, e enquanto for hegemônico no Congresso, só restará a uma presidente Marina tentar a proeza de se entender com o diabo sem sair abrasada do entendimento.

O Estado de São Paulo

Chamada de 'raivosa', Marina diz que é 'velha política' que apela para ofensas. MAS EM 2010 A DONA IMACULADA DA "NOVA POLÍTICA" CHAMOU RIVAIS DE ONÇA PINTADA E SE COMPAROU A UMA JAGUATIRICA.


Chamada de "radical" e "raivosa" pelo senador José Sarney (PMDB-AP), a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, se defendeu em entrevista concedida na cidade de Vitória (ES), afirmando que a "velha política" tenta fugir dos problemas ao usar ofensas pessoais. 
"Não faço parte dessa geração de políticos", respondeu Marina.

Marina argumentou que seus adversários estão "desesperados", "apavorados", com a possibilidade de o povo brasileiro mostrar que quer mudança. "Nós estamos felizes, animados, em uma pororoca de esperança", disse a candidata, que justificou querer ser eleita presidente para melhorar a qualidade da gestão governamental no Brasil. 

Ela disse que continuará com o debate que interessa aos brasileiros, em vez do embate, e mencionou suas propostas: 
o passe livre estudantil, o destino de 10% da receita bruta da União para a saúde e a antecipação para daqui a quatro anos o prazo para implementar o ensino em tempo integral.


Perguntar não ofende :
Se eleita vai tirar a pele de cordeiro e virar jaguatirica?

EM 2010...

setembro 18, 2014

BRASIL REAL SEM O MARQUETINGUE CANALHA DO brasil maravilha DOS VELHACOS: Pnad 2013 confirma lentidão na melhoria da educação


O IBGE divulgou nesta quinta-feira dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizada em 2013. As informações relativas a educação confirmam tendências já reveladas em edições anteriores, entre elas a de que a educação brasileira avança — mas em baixa velocidade. Por isso, problemas como analfabetismo e baixa escolaridade persistem entre a população. O número de estudantes em escolas públicas cai e o das privadas, cresce.

Analfabetismo ficou praticamente estável entre brasileiros com 15 anos ou mais de idade: passou de 8,7% para 8,3%. Isso significa que no último levantamento havia 13.048.000 de pessoas nessa situação. A meta do Plano Nacional de Educação para 2010 era erradicar o analfabetismo — objetivo adiado para 2020. 


A taxa de analfabetos é significativamente menor entre os mais jovens, mais escolarizados, efeito do esforço dos últimos vinte anos de incluir todas as crianças no ensino fundamental. Entre os brasileiros com idades entre 15 e 17 anos, a taxa chegou a 0,8 em 2013 — são 83.000 meninos e meninas. Entre outros grupos, contudo, as taxas seguem altas e caem muito pouco. Entre aqueles que têm 25 anos ou mais, é de 10,2%. Na prática, são 12.633.000 pessoas. O estudo classifica como alfabetizadas as pessoas capazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples. 


A situação fica pior quando se consideram os analfabetos funcionais, pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de estudo. A Pnad de 2013 mostra queda de meio ponto percentual na comparação entre 2012 e 2013. Neste ano, a taxa chegou a 17,8% — são nada menos do que 27,9 milhões de pessoas que, embora saibam ler, não compreendem a mensagem do texto em questão. No Nordeste, o problema afeta 27,2% dos brasileiros a partir dos 15 anos; no Sudeste, 12,9%. 


A escolaridade média dos brasileiros com 10 ou mais anos de vida passou de 7,5 para 7,7 anos, entre 2012 e 2013. É pouco. Significa que o brasileiro médio não completou sequer o ciclo fundamental de ensino — ou seja, não chegou ao 9º ano. 


Há ainda variações regionais. No Sudeste, a taxa chega a 8,3 anos (8,2 em 2012), ante 6,6 do Nordeste (6,4 em 2012). As mulheres vão mais longe: são 7,9 anos contra 7,4 dos homens (7,7 e 7,3 no ano anterior, respectivamente). O pico da escolaridade é registrado entre 20 e 24 anos e 25 e 29 anos, quando os brasileiros completam dez anos na escola, em média — ainda assim, insuficiente para a conclusão do ensino médio, que demanda doze anos. 


A comparação entre as Pnads de 2012 e 2013 revela ainda migração de estudantes a partir dos 4 anos de idade das redes públicas para a privada. Em 2012, as escolas mantidas por governos tinham 41.563.000 estudantes, ou 77,4% do total. Os números, em 2013, caíram para 41.118 e 76,5%, respectivamente. Em movimento oposto, as unidades particulares cresceram: passaram de 12.104 alunos (22,6%) para 12.646 (23,5%). 


As entrevistas da Pnad 2013 foram realizadas em setembro de 2013. Foram ouvidas 362.555 pessoas, o que corresponde a 148.697 domicílios distribuídos por todos os Estados e Distrito Federal.


Veja.com

Mais:

setembro 17, 2014

PARA REGISTRO ! Paulo Roberto Costa se cala na CPI. E EU DO FUNDO DO BAÚ RESGATO UM VÍDEO(COMÉDIA) QUE TEM TUDO A VER COM O MOMENTO ATUAL DAS NOSSAS CASAS(CONGRESSO) DAS NULIDADES


CPI Mista da Petrobras poderia ter um pouco de bom senso. Alguns parlamentares, como o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o senador José Agripino (DEM-RN), até que tentaram suspender a sessão, mas, até agora, em vão. E por que escrevo isso? Paulo Roberto Costa, agora com um farto bigode, o que acentua o seu jeito Paulo Roberto Costa de ser, está determinado a não falar nada. Obedecendo à orientação de advogados, reserva-se o direito de ficar calado. De onde vem isso? Do fundamento do direito segundo o qual ninguém pode ser constrangido a se incriminar.


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já afirmou que ele não poderá passar à CPI, nem em sessão fechada, informações prestadas à Polícia Federal e ao Ministério Público que fazem parte do seu acordo de delação premiada. E ele, obviamente, não vai fazê-lo. Nem sobre a delação nem sobre coisa nenhuma. Não fala e pronto!

Incrível o seu ar, ali, na cadeira dos depoentes. Chegou escoltado pela polícia. Conserva a expressão plácida. Mais de uma vez, sorriu para a sua advogada, sabe-se lá do quê. Vamos ver, ao fim de tudo, quanto tempo vai ficar preso. Burro não é. Sairá da prisão e não terá dificuldades para levar a vida adiante. Apesar de alguns percalços, terá razões pessoais para acreditar que o crime compensa.

As perguntas dos parlamentares, até agora, vão se sucedendo. Tenham paciência. Paulo Roberto até que tenta cuidar do lado estético da coisa: vai buscando variações em torno do mesmo tema: “Eu me reservo o direito de ficar calado”, “eu não tenho nada a declarar”; “mais uma vez, vou ficar calado”…

É surrealista! É preciso pôr fim à sessão para não desmoralizar o Congresso.

Por Reinaldo Azevedo

CAMUFLADOS : A PIADA 

Num Brasil onde os ricos ficaram mais ricos ... A fatia que os 5% mais ricos detinham na renda total do país passou de 40% para 44%


Está engavetado no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) um estudo inédito que mostra uma realidade bem diferente da que vem sendo pregada pelo PT na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O documento, ao qual o site de VEJA teve acesso, mostra que a concentração de renda aumentou no Brasil entre 2006 e 2012. 

Dados do Imposto de Renda dos brasileiros coletados por pesquisadores do Instituto mostram que os 5% mais ricos do país detinham, em 2012, 44% da renda. Em 2006, esse porcentual era de 40%. Os brasileiros que fazem parte da seleta parcela do 1% mais rico também viram sua fatia aumentar: passou de 22,5% da renda em 2006 para 25% em 2012. 


O mesmo ocorreu para o porcentual de 0,1% da população mais rica, que se apropriava de 9% da renda total do país em 2006 e, em 2012, de 11%. Os dados referentes a 2012 correspondem aos mais recentes apurados pela Receita Federal. Os dados sobre o Imposto de Renda levados em conta pelos pesquisadores do Ipea não são públicos. Por isso, tais números não são usados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a desigualdade no país.

O Instituto usa o Índice de Gini, que mede a distribuição de renda com base nos dados de rendimento por domicílios. O problema é que, como tal informação é fornecida pela própria população aos recenseadores, não é considerada a mais precisa, já que os próprios cidadãos podem subestimar ou superestimar a renda. Os dados do Imposto de Renda são mais completos porque, além de serem oficiais, mostram posse de bens e rendimentos isentos ou não tributáveis, como doações, investimentos em poupança e outras aplicações cuja tributação ocorre direto na fonte. 

O levantamento seria mais completo ainda se usasse dados da declaração de renda de pessoa jurídica, já que muitos brasileiros — sobretudo os mais ricos — declaram seus rendimentos como tal, e não como pessoa física. 

A principal conclusão do estudo é que a concentração de renda entre a parcela mais endinheirada, segundo os dados tributários, é muito superior àquela verificada nos dados revelados pelos brasileiros ao recenseadores do IBGE, sem que haja qualquer tendência de queda. Entre 2006 e 2008, por exemplo, ano em que as políticas de transferência do governo eram alardeadas por Lula, houve o maior aumento de concentração de renda na fatia de 1% mais ricos. 

O mesmo salto ocorreu entre 2010 e 2011. O estudo mostra ainda que a desigualdade entre os mais ricos é maior nos dados tributários do que no levantamento domiciliar. Outra conclusão do estudo é que o estrato dos mais ricos é "blindado", ou seja, a desigualdade entre eles e o restante da população não se estreita. "Se essa elite se mantém estável no tempo", diz o estudo, "a maior parte da mudança na desigualdade deve ocorrer entre os estratos que estão mais na base e no centro da distribuição." Esses segmentos da base e do centro não foram objeto do estudo. 

Índice de Gini — 
Entre 2011 e 2012, último período apurado pelo IBGE, a redução da desigualdade havia desacelerado e ficou próxima da estagnação. O Índice de Gini ficou em 0,526, ante 0,527 em 2011. Já entre 2003 e 2010, o mesmo indicador mostrou um grande recuo, passando de 0,581 para 0,533. Quanto mais próximo de zero e mais distante de 1, menor a desigualdade. 

O indicador é divulgado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), cuja versão mais atual, referente a 2013, será publicada nesta quinta-feira. Os dados sigilosos do Imposto de Renda foram enviados ao Ipea pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, chefiada pelo economista Marcelo Neri, que encomendou pessoalmente tal levantamento. Em entrevista recente ao Estado de S. Paulo, Neri afirmou que "a desigualdade está caindo 0,1% ao mês", e que "a renda do trabalho tem crescido 6,1%". 

Neri citou dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que ainda não foram divulgados pelo IBGE. 

Os dados do Ipea são significativos porque contrastam com a retórica de antagonismo à elite e aos bancos exibida pelo PT durante a propaganda eleitoral. Num Brasil onde os ricos ficaram mais ricos, o discurso do partido mostra-se artificial. Há cerca de duas semanas, ao ver sua candidatura ameaçada pela ex-senadora Marina Silva (PSB), que havia disparado nas pesquisas de intenção de voto, a presidente Dilma Rousseff vem lançando mão de ataques à rival. 

Sua estratégia preferida tem sido dizer que, se Marina ganhar, dará independência ao Banco Central — o que, na cartilha petista, significa entregar o país a banqueiros que, segundo imagens exibidas na TV, tirarão não só os empregos dos brasileiros, como também a comida de suas mesas. Procurados pela reportagem, a SAE e o Ipea não retornaram o pedido de entrevista.

Veja.com

PARA OS CRÉDULOS ÚTEIS ! NOVA "POLÍTICA" : 'Ninguém governa sem o PMDB', afirma Beto Albuquerque


“Ninguém governa sem o PMDB, mas não é preciso entregar o governo para o PMDB para ter governabilidade. Assim como não precisa entregar o governo ao PSDB se nós vamos ter quadros do PSDB governando. Ou seja, o governo tem um programa, esse é o nosso pilar de negociação, entendimento e escolha daqueles que terão funções. Por que eu, no governo, tenho que perguntar para Renan Calheiros quem devo indicar para ministérios ou para a Transpetro? Não que as indicações de partidos e lideranças sejam ruins. Mas tem que ter perfil”.(SIC)


Deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva (PSB)

A democracia fragilizada

Mais uma vez uma grande decepção se delineia para o povo brasileiro. Em depoimentos à Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa declarou que políticos da base de apoio ao governo central participavam de um esquema de corrupção envolvendo aquela empresa e grandes empreiteiras. O fato implica nomes de expressão no cenário político atual e põe o nosso governo no centro de um escândalo idêntico ou até maior que o "mensalão".

Advogados renomados e regiamente pagos certamente entrarão nesse processo e, com base em trâmites jurídicos longos, prolongarão no tempo os possíveis julgamentos finais. O povo brasileiro, conforme experiências vividas no passado, já se manifesta com a costumeira assertiva: 

"Não vai dar em nada!" - selo de descrédito em nossas instituições. É neste ambiente conturbado que a eleição presidencial e as legislativas se aproximam. Com o auxílio de marqueteiros e homens de comunicação social, prevê-se um verdadeiro "vale-tudo", recomendado até mesmo por lideranças políticas que nos governam.

A propaganda eleitoral mostra ainda o nível daqueles que comporão o nosso Congresso e as Assembleias Legislativas. Com exceções, são participações hilárias em que predominam excentricidades, direitos inatingíveis e assistencialismos exacerbados. São representantes de 32 partidos com os costumeiros objetivos de aproveitamento de futuros cargos públicos ou de benesses dos governos central ou estaduais. 

Agora, com este novo escândalo, está bem claro que a "base governamental" sempre teve como objetivo evidente o apoio ao governo central em troca de favores e dinheiro público. Fatos que causam indignação e revolta no nosso povo, que não merece um Legislativo encabrestado pelo Executivo. Assim, a pobreza política do nosso país continuará!


E o que se pode dizer do nosso Poder Judiciário? 
Com o êxito alcançado nos julgamentos do "mensalão" e da atuação ímpar de seu antigo presidente, tornou-se uma esperança para os brasileiros. Entretanto, a presença ideológica e partidária em todos os seus níveis, uma execução penal complexa e prolixa, ininteligível para a maioria do povo, são alguns dos aspectos que comprometem a sua credibilidade. Sem contar o predomínio da ab-rogação do mérito e as inúmeras indicações políticas que ferem o artigo 101 da Constituição da República. 

Neste país continental, com 200 milhões de habitantes, onde imperam a permissividade e a impunidade, necessitamos de um Judiciário que marque sua presença não só com justiça e isenção, mas também com celeridade e punições mais severas no rigor da lei.

Talvez em razão dos fatos apresentados, as indagações quanto às posições das Forças Armadas no atual sistema democrático em que vivemos se avolumam nas redes sociais. "Só Deus e os militares nos poderão salvar!" é o que se lê e se ouve nestes tempos de descrédito. E isso se repete agora, como já ocorreu em épocas pretéritas.

O desmando dos governos, a corrupção em todos os níveis das instituições, a situação econômica frágil, a Justiça comprometida, o nepotismo, as mordomias, a falta de segurança são aspectos que, entre outros, fazem o povo clamar. Aliás, tal clamor não vem somente da "zelite", como diz um político e filósofo popular. Vem também das classes mais simples do povo.

Mesmo com uma campanha difamatória conduzida por alguns órgãos de imprensa, ideólogos e intelectuais de esquerda e ainda integrantes do mundo artístico, os militares continuam com a sua credibilidade em alta, acima até de entidades religiosas; e estão se transformando em "válvula de escape" do clamor popular, fora e dentro dos quartéis. Como fazem parte da sociedade, os militares tudo ouvem, pelo menos, por enquanto, permanecendo o silêncio obsequioso que adotaram. Esse silêncio, entretanto, está provocando situações preocupantes. Nos programas dos candidatos presidenciais pouco se diz a respeito das Forças Armadas.

Como se não fossem bastantes as ações unilaterais da Comissão da Verdade, agora surge o parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República defendendo a revisão da interpretação atual da Lei da Anistia. Quanto a esta nova interpretação - contrária à definição propalada pelo STF em 2010 -, é de perguntar se ela também abrangerá os diversos crimes praticados pelos radicais de esquerda, muitos deles imprescritíveis.

A continuarem essa exclusão e atitudes revanchistas flagrantes, as Forças Armadas, em 2015, também poderiam participar da Marcha dos Excluídos, realizada em várias capitais do País logo após os desfiles do 7 de Setembro. Poderiam expor suas apreensões, seus anseios e vindícias, como protesto contra as ações deletérias que vêm sofrendo.

É ainda pertinente falar do controverso Decreto 8.243/2014 - também chamado de bolivariano -, elaborado pelo atual governo e que será analisado pelo Congresso. Ele abre as portas para o ingresso de reais "sovietes" no Ministério da Defesa e, em consequência, em nossas Forças Armadas. O citado decreto consta dos programas das duas candidatas que lideram as pesquisas e é uma das principais orientações dos intelectuais gramscistas do Foro de São Paulo.

Em nosso país, para aqueles que não viveram o período que antecedeu o movimento de 1964, políticos inescrupulosos fomentaram a divisão entre oficiais e praças de nossas Forças, objetivando ferir frontalmente os princípios basilares das instituições militares: 
a disciplina e a hierarquia. Essas ações desagregadoras foram decisivas para a atitude adotada pelos líderes militares da época.
Espera-se que nossas autoridades políticas estejam atentas para os fatos assinalados e que atendam aos clamores de nosso povo. Ou, então, tempos incertos e de descrenças estarão presentes em nossas instituições. E aí a nossa democracia estará inexoravelmente fragilizada.


Rômulo Bini Pereira é general de Exército. Foi chefe do Estado-Maior de Defesa 

setembro 16, 2014

MAIS UM TRUQUE : PESSIMILDO? ENTÃO TÁ ! Um mundo de pessimistas

As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações

A campanha à reeleição se vale, dia sim, dia também, de mentiras e mistificações. Em seu discurso ufanista, classifica de "pessimistas" os que se encorajam a criticar o estado atual das coisas no país e a propor mudar o que aí está. Se assim fosse, os petistas deveriam dirigir sua artilharia ao mundo todo, que hoje desconfia do Brasil.

A economia brasileira protagoniza atualmente o papel de patinho feio no concerto internacional. Figuramos como lanternas em quaisquer avaliações e rankings de desempenho e crescimento que constantemente são divulgados por instituições sérias no mundo. O PT se acha mais respeitável que elas.

Ontem, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que reúne o grupo de países com maior desenvolvimento do globo, divulgou suas previsões para o desempenho de seus integrantes neste e no próximo anos. 

Adivinhem quem se sai pior na foto? O Brasil.

Segundo os prognósticos anunciados ontem, o reino do otimismo dilmista foi o país com maior redução nas previsões. Apenas quatro meses atrás, a OCDE acreditava que o PIB brasileiro cresceria 1,8% neste ano. Agora passou a prever que não passaremos de 0,3%. Foi o maior corte feito pela instituição. Para 2015, o prognóstico é igualmente desanimador: 
crescimento de apenas 1,4%, ante 2,3% previstos anteriormente.

Trata-se de um padrão. 
As estimativas feitas por analistas de todos os matizes começam altas e paulatinamente vão sendo revistas, invariavelmente para baixo. Como acontece, também, com o Boletim Focus, do Banco Central: um ano atrás, previa-se alta de 2,3% para o PIB em 2014, percentual agora cortado para o mesmo 0,3% estimado pela OCDE. O corolário sempre coincide: 
o fundo do poço em que hoje estamos.

O governo petista insiste em dizer – ou melhor, mentir – que o Brasil vai mal porque o mundo vai pior. Mas, no mesmo levantamento, a OCDE mostra que economias que sofreram abalos profundos com a crise nascida há exatos seis anos já se recuperaram e crescem hoje muito mais que a brasileira. O inferno está aqui dentro mesmo.

Outras economias se sairão bem melhor neste ano: 
alcançarão crescimento de desde 2,1%, caso dos Estados Unidos, até os 5,7% da Índia e os 7,4% da China, países tão emergentes quanto o Brasil, mas que, ao contrário de nós, vão de vento em popa. Só a economia italiana ficará pior que a brasileira no retrato.

Não se supera um problema se não se reconhece a sua existência. Pior ainda é tratar as dificuldades com cores propagandísticas e abordagem mistificadora, típicas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. 
Cabe perguntar: 
Afinal, quem são os pessimistas: 
os que apostam no país e se frustram ou os que o estão levando ao fundo do buraco?

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

O RISCO DO CACHACEIRO VIGARISTA SE PERDER A ELEIÇÃO

É muito provável que o ex-presidente Lula esteja vivendo o mais tormentoso período de sua vida política, porque pela primeira vez, desde que assumiu a Presidência da República, 12 anos atrás, percebe que o plano de perpetuação no poder existente nas raízes de seu partido ameaça ir por água abaixo.

Realmente, nunca Lula e o seu partido viveram antes incerteza igual à que se instalou no quadro político brasileiro com a morte do candidato Eduardo Campos e o consequente crescimento de Marina Silva. As coisas sempre transcorreram suaves para o Partido dos Trabalhadores desde que ganhou a primeira eleição que o levou ao Palácio do Planalto.

Houve um momento de risco, quando Lula disputava o segundo mandato, e se deu mal, muito mal, num debate pela televisão com outros candidatos. Naquela ocasião, amaldiçoou ele os assessores, em quem pôs a culpa, e permaneceu em estado de insegurança, mas não tão acentuada como a dos dias presentes.

Agora, é curioso perceber que a sua sucessora, a quem ele atribuía enorme competência, vem mostrando um despreparo de assustar, pois desde que assumiu o cargo atua de forma tão desastrosa que coloca o País no plano inclinado, ladeira abaixo. No exterior, principalmente, percebe-se que o Brasil encolhe de tamanho e perde credibilidade, sobretudo em face de dever muito mais do que dispõe nas reservas e de viver inflação alta com baixíssimo crescimento econômico.

É possível admitir que Lula realmente acreditasse na competência de Dilma Rousseff, mas agora, vendo suas atrapalhadas, talvez esteja arrependido da escolha feita quatro anos atrás. O pior é que não pode deixar transparecer isso, sob pena de fortalecer ainda mais os dois candidatos concorrentes.

Vê-se obrigado, enfim, a jogar todas as suas fichas em Dilma, porque essa é a única forma de salvar a própria pele. Ele sabe que eventual derrota dela poderá significar o ocaso da carreira política de ambos, bem como o encolhimento do Partido dos Trabalhadores e do sonho de perpetuação no poder, cujo objetivo final sempre pareceu ser fazer do Brasil uma enorme Cuba.

Não há exagero quando se afirma que o propósito dos petistas sempre foi realmente nos impor uma República popular e sindical governada pelo partido. Na visão petista, quem tem de mandar é o partido, e não "a elite branca e reacionária". Como parte principal do programa está a necessidade de disciplinar a imprensa, ou seja, torná-la dócil e obediente como a imprensa cubana.

Em Cuba há mais de 20 jornais de maior importância, porém em nenhum deles se lê notícia alguma sobre descontentamento dos seus habitantes. Tudo naquela ilha está uma maravilha e o que não está bom é culpa dos Estados Unidos. Lá foi totalmente sufocada a "elite branca e reacionária", aquela que no linguajar petista não aceita a participação do povo na missão de governar. Quem manda é o partido - e por isso mesmo a ilha, tão bonita, ficou pobre e sem nenhuma perspectiva de desenvolvimento.

A elite incômoda, segundo os adeptos de Lula, precisará se submeter a necessárias modificações nas leis que regulamentam o exercício das atividades de comunicações no País. Sim, seria necessário fazer que obedeçam ao poder central e passem a divulgar o que interessa ao partido que está no poder, como ocorre em Cuba.

A pressão por tais mudanças transcorria nessa direção - inclusive com o estímulo de exemplos de sufocação de jornais na Venezuela, na Argentina e no Equador - até que a própria imprensa brasileira, a "elite branca e reacionária", passou a denunciar e a ridicularizar o plano.

Num país onde a imprensa é livre as forças totalitárias não conseguirão jamais manter-se no poder. Isso porque as injustiças e os desmandos, quando perpetrados, são denunciados para o grande público, o que provoca revolta e faz ampliar os ressentimentos contra os governantes.

Exemplo claro disso está na circunstância de o Partido dos Trabalhadores haver transformado a Petrobrás, a maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo, num cabidão de empregos e de negócios sujos. Ali, atividades que deveriam ser exercidas unicamente por pessoas comprovadamente habilitadas acabaram delegadas a apaniguados políticos, com voo livre para atos de corrupção e de enriquecimento pessoal.

Isso teve começo quando Lula era presidente da República, mas Dilma Rousseff estava lá e agora procura figurar como inocente ou desinformada, circunstância que faz lembrar o milenar princípio jurídico, insculpido em nosso Código Penal, de que existe crime tanto por ação como por omissão.

Algumas pessoas conseguem escapar da penalidade por omissão, como o próprio Lula no caso do mensalão, em que autorizou pelo consentimento tácito o avanço no dinheiro público para seduzir os congressistas e fazê-los aprovar as leis de interesse do programa político petista de perpetuação no poder.

Dilma também está escapando, mas tão somente quanto ao aspecto penal. Do ponto de vista político e eleitoral tornou-se evidente que os exemplos de corrupção na Petrobrás a atingem em cheio, sobretudo agora, quando é candidata de si mesmo e tem de contar com as próprias pernas. Na eleição anterior Dilma era tão somente a figura feminina de Lula e ganhou a eleição sem fazer nenhum esforço.

No momento presente o quadro é outro e para sair vitoriosa a candidata à reeleição precisa demonstrar melhor preparo do que seus dois principais concorrentes - e isso não está nada fácil, pois o que a atrapalha é o seu próprio despreparo. Não há como esconder que a sua gestão na Presidência da República está afundando o Brasil. Nós hoje somos muito menores e menos importantes do que dez anos atrás.

*Aloísio de Toledo César é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Email: aloisio.parana@gmail.com 
O risco de Lula se perder a eleição

O brasil maravilha DO CACHACEIRO VELHACO E PRESIDENTA DE RABEIRA : Brasil na rabeira do mundo

O Brasil está pronto para um novo ciclo de crescimento, insistem a presidente Dilma Rousseff e seu ministro provisório da Fazenda, Guido Mantega, demitido, mas ainda sem baixa na carteira. Falta avisar o pessoal da indústria, do mercado financeiro e das entidades internacionais. Fora do mundo mágico do governo brasileiro, as expectativas são muito menos otimistas. O crescimento ficará em 0,33% neste ano e 1,04% no próximo, segundo a última pesquisa do Banco Central (BC) entre economistas de instituições financeiras e de consultorias. 

A projeção para 2014 foi reduzida pela 16.ª semana consecutiva. Foram cortadas também as estimativas elaboradas pelos técnicos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O número calculado para 2014 passou de 1,8% para 0,3%. O previsto para 2015 foi de 2,2% para 1,4%. As expectativas agora revistas haviam sido publicadas em maio.

Na semana passada a Moody's, uma das principais agências de classificação de risco, anunciou uma possível piora da nota de crédito do Brasil, nos próximos meses. A nota foi por enquanto mantida, mas a perspectiva foi rebaixada de estável para negativa. O baixo crescimento da atividade, com perspectiva de estagnação prolongada, foi incluído entre as explicações da reavaliação. 

A Confederação Nacional da Indústria já havia alterado de 1,8% para 1% o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) esperado para 2014. Para o produto industrial foi apontada uma contração de 0,5%. Pelo cenário anterior, de março, haveria uma expansão de 1,7%.

Na última pesquisa conduzida no mercado pelo BC, publicada nessa segunda-feira, a mediana das projeções para o produto da indústria foi igual à da semana anterior, uma redução de 1,98%. Quatro semanas antes a previsão, já negativa, indicava uma diminuição de 1,76%.

As novas estimativas da OCDE para o Brasil foram publicadas juntamente com uma revisão geral das projeções para a economia mundial. O cenário é menos positivo que o do relatório anterior, divulgado em maio, mas a análise aponta a continuidade da recuperação global. O ritmo geral é moderado e as perspectivas são desiguais entre regiões, mas o Brasil se destaca entre os países com piores perspectivas.

Segundo as novas estimativas, a economia americana crescerá 2,1% neste ano e 3,1% no próximo. O número calculado para este ano corresponde a sete vezes o estimado para o Brasil. O previsto para 2015 é mais que o dobro do esperado para a economia brasileira.

A projeção geral para a zona do euro indica expansão de 0,8% em 2014 e 1,1% para 2015. A maior e mais sólida economia da área, a alemã, continuará com desempenho acima da média, com crescimento de 1,5% em cada um dos dois anos. Na União Europeia, mas fora da zona do euro, o destaque principal é o Reino Unido, com crescimento estimado de 3,1% em 2014 e 2,8% em 2015.

O desempenho brasileiro fica ainda mais miserável quando comparado com o de outros emergentes. Os novos cálculos apontam expansão, neste ano e no próximo, de 7,4% e 7,3% para a China e de 5,7% e 5,9% para a Índia. Outros latino-americanos, dentro e fora da OCDE, também devem exibir números melhores que os do Brasil, nestes dois anos, apesar de alguma desaceleração. Ao explicar a piora das estimativas para o Brasil, o pessoal da OCDE mencionou o baixo investimento. 

Crescimento a longo prazo, sabem esses economistas, só com investimento e ganhos de produtividade. As autoridades brasileiras continuam dando prioridade ao consumo.

O governo brasileiro continua atribuindo as dificuldades nacionais aos problemas da economia global, mas o ministro provisório da Fazenda tem acrescentado um novo fator, a alta de juros e a piora das condições internas de crédito. 
O BC, portanto, também tem parte da culpa. 
Na falta de algo melhor para dizer, o ministro em exercício prometeu: 
o crescimento anual médio do Brasil, entre 2008 e 2014, ficará entre 2,7% e 2,8%. 
E algum governo de grande país em desenvolvimento, como o Brasil, pode orgulhar-se desse resultado?

O Estado de Sao Paulo