"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 11, 2014

ONDE TEM P artido de T orpes TEM CACHACEIRO IGNÓBIL/GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA/TRAMBIQUE/TRAPAÇA/OBSCURIDADE... ‘Conta paralela’ reforça caixa do Tesouro em R$ 4 bilhões em maio. Valor que havia sido depositado por um banco privado em uma conta que estava fora do radar do BC.


As contas do Tesouro Nacional tiveram uma ajuda inusual de uma operação de registro contábil que reduziu o rombo do mês de maio. Um volume de R$ 4 bilhões mantido por um banco privado em uma conta que estava fora do radar do Banco Central foi encontrado pela autoridade monetária às vésperas do anúncio oficial, pelo Tesouro, do resultado fiscal da União.

O Ministério da Fazenda não explicou a origem desses recursos. Ao Estado, o BC informou que o dinheiro representava um crédito a favor da União registrado em uma conta paralela. Os R$ 4 bilhões estavam registrados em uma conta fora do rol daquelas verificadas pelo Banco Central para calcular o resultado fiscal.
A operação, confirmada pelo BC após a descoberta do fato pelo Estado, ajudou o Tesouro a reduzir o déficit primário, das contas públicas, de maio. O governo divulgaria um rombo de R$ 15 bilhões, mas acabou por anunciar um buraco de R$ 11,07 bilhões. Ainda assim, esse desempenho foi o pior da história para meses de maio.

O banco privado migrou, de forma não explicada, esse crédito de uma conta para outra. O BC informou que o banco fez uma mudança em seu registro contábil sem avisar a autoridade monetária. O Estado apurou que os R$ 4 bilhões envolvem a movimentação financeira da Previdência Social. Mas o Tesouro e o BC se recusaram a informar a origem desse crédito.

Críticas. 
O Tesouro é alvo de críticas de investidores e do mercado financeiro por causa do seu histórico recente de uso de “contabilidade criativa”, com manobras contábeis para aumentar o superávit primário de forma artificial e cumprir a meta fiscal.

O BC assegura que o dinheiro nunca deixou o balanço de ativos e passivos da instituição privada. Mas, ao ficar em uma conta distinta, não apareceu no sistema da autoridade monetária de checagem fiscal.

A área técnica do BC, na véspera do anúncio, percebeu que havia uma diferença entre o resultado do governo federal relativo ao mês de maio apurado pelo Tesouro e o registrado pelo Departamento Econômico do BC (Depec). Os dois usam metodologias distintas de cálculo. O resultado do BC é usado como referência para o cumprimento da meta fiscal.

“O BC percebeu essa discrepância e foi investigar a razão”, admitiu um porta-voz do BC em entrevista, na sede da autoridade monetária em Brasília. Segundo o BC, não havia necessidade de autorização prévia para o banco privado criar essa conta em separado, mas informou que a área de fiscalização iria verificar o que ocorreu. 

A conta foi achada, explicou o BC, porque o sistema registrou na conta antiga uma queda abrupta e expressiva no “padrão” histórico verificado até abril de contabilização dos ativos do governo federal. O BC não revelou, no entanto, de que natureza era o crédito encontrado no banco privado. Também não explicou por que a instituição financeira privada alterou seu registro contábil em maio.

Registro. 
O BC nega que os seus sistemas de controle tenham falhado ou que tenha havido uma manobra contábil do governo para ajudar a melhorar o resultado fiscal divulgado pelo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. 

O banco diz que a qualidade das suas estatísticas é reconhecida no mundo todo. “Aquilo que efetivamente circular no sistema financeiro estamos pegando”, disse o porta-voz. 
Especialistas em contas públicas, no entanto, vêm alertando para a dinâmica incomum das despesas do INSS em 2014, que estão menores neste ano do que seria esperado, já que não houve mudanças substanciais no valor dos benefícios e tampouco no número de aposentados e pensionistas.

O Ministério da Fazenda informou que a descoberta dos R$ 4 bilhões “é assunto do BC” e evitou comentar o crédito encontrado na conta do banco privado. Procurada, a Febraban informou que não se pronunciaria sobre o caso.

Adriana Fernandes e João Villaverde - O Estado de S. Paulo

julho 10, 2014

A goleada da inflação

Com a Copa chegando ao fim, os brasileiros se voltam a seus problemas cotidianos, que continuam à espera de soluções. Um dos mais preocupantes é a inflação, que, pela décima primeira vez em 42 meses de mandato de Dilma, estourou o limite superior da meta. A gestão petista apostou numa mistura que prometia mais crescimento e inflação domada. Fracassou e agora assiste o circo pegar fogo, perdendo de goleada para o dragão.

A Copa do Mundo está chegando ao fim e, à medida que seus eflúvios vão se dissipando, os brasileiros vão se virando cada vez mais para os muitos problemas que se acumulam no país à espera de solução. Um dos mais preocupantes é a inflação. O governo petista brincou com fogo e não parece nem um pouco capaz de controlar o incêndio.

No mês de junho, mais uma vez, a inflação acumulada superou o limite superior da meta. Nos últimos 12 meses, o IPCA variou 6,52%, de acordo com o IBGE. 
O regime em vigor no país determina como alvo o percentual de 4,5%, com tolerância de até dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Em 42 meses da administração Dilma Rousseff, esta é décima primeira vez que a meta é estourada. Ou seja, em mais de um quarto do mandato da presidente transcorrido até agora a política econômica em vigor não foi capaz de entregar a inflação prometida. Qualquer semelhança com o desempenho geral do PT no governo não é mera coincidência...

A tendência é não haver refresco nos próximos meses. Até por uma questão estatística. Nesta altura do ano passado, em função de recuo no preço de alimentos, o IPCA registrado foi muito baixo, chegando, por exemplo, a 0,03% em julho de 2013.Estima-se agora que os dados de um ano atrás serão substituídos nos próximos meses por altas mais fortes, engordando a inflação acumulada em 12 meses. 

Deve ser assim pelo menos até a véspera das eleições gerais de outubro. Há risco de 2014 terminar com o IPCA acima do limite superior da meta. Hoje, a média das previsões de mercado, colhidas semanalmente pelo Banco Central e divulgadas no Boletim Focus, está em 6,47%. A um triz, portanto, o teto.

Em seus três anos de mandato transcorridos até aqui, Dilma não passou nem perto de cumprir o que determina o Conselho Monetário Nacional. A meta – que é de 4,5% e não de 6,5% como o governo tenta apregoar – nunca foi cumprida pela presidente, e nem será. Trata-se de uma sina das gestões petistas. Nos últimos 12 anos, apenas em três ocasiões a inflação oficial não superou a meta: 2006, 2007 e 2009. Mas o governo prefere sustentar que foi bem sucedido apenas por não ter deixado o índice estourar o limite superior. 

O Brasil tem registrado uma das mais elevadas inflações do mundo. Entre os países do G-20, por exemplo, apenas seis exibem índices de preços mais altos que o nosso: Argentina (11% acumulados nos últimos 12 meses), Turquia (9,2%), Índia (8,3%), Rússia (7,8%), Indonésia (6,7%) e África do Sul (6,6%), segundo o Trading Economics.

Para complicar, há sério risco de os índices de inflação escalarem mais adiante, porque há muitos preços sendo fortemente controlados pelo governo. Sua alta é de 3,9% nos últimos 12 meses. Se a intenção não for quebrar a Petrobras, inviabilizar a geração de energia ou sucatear ainda mais o transporte público no país, logo logo eles terão que ser reajustados.

Enquanto isso, os demais preços – os chamados “livres” – estão subindo muito mais que a média do IPCA. No acumulado em 12 meses, a alta chega a 7,3%. Desde 2010, os alimentos estão subindo em média 9% ao ano no Brasil. 
Mas há itens com aumento bem mais expressivo, como carnes, com preços mais de 16% maiores em um ano, como analisa o economista Felipe Salto.

Os brasileiros já se deram conta da corrosão mensal de seus salários e apontam a inflação como principal problema do país hoje. Precisamos de políticas consistentes contra a carestia, a ser tratada com tolerância zero. A gestão Dilma, porém, parece ainda acreditar que preços um pouquinho mais altos não fazem mal se o objetivo é conquistar mais crescimento econômico. Não conseguiu nem uma coisa nem outra. E agora assiste o circo pegar fogo, perdendo de goleada para o dragão.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

julho 09, 2014

PARA REGISTRO 3! É HORA DE MUDAR : O lado positivo do fiasco brasileiro na Copa do Mundo de 2014. Derrota pode levar a mudanças importantes no futebol e na política

O Brasil está prestes a mostrar ao mundo como o esporte pode influenciar o humor nacional, a política e os mercados. A devastadora derrota do país para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo vai pesar bastante sobre seus líderes — e, como resultado disso, tem o potencial para se tornar algo bom para sua economia e mercados.

O placar de 7 a 1 representa uma derrota para uma nação onde o futebol é tanto uma paixão como uma obsessão, uma vergonha internacional que era não apenas improvável como impensável. É também assustadoramente similar ao que aconteceu à economia do país, que se tornou lenta e desapontadora nos últimos anos, após um período de crescimento, investimento e criação de emprego impressionantes.

No futebol como no padrão de vida, os brasileiros têm experimentado uma degradação de suas perspectivas do promissor para o altamente problemático. Tanto os jogadores como os gestores de política demoraram a compreender a magnitude da mudança. Ao tentar ajustar, eles recorreram a uma velha cartilha, mas com uma equipe que não tem como executar, sobretudo considerando o ambiente.

Há algumas justificativas mitigadoras para a má performance tanto da seleção como da economia. O capitão e o goleador estavam, ambos, indisponíveis: um suspenso devido a uma punição no jogo anterior, e o outro gravemente contundido após uma jogada brutal. A economia sofreu devido à crise financeira e suas consequências. Porém, nada dessas desculpas justificam a subsequente falta de uma reação apropriada.

Os brasileiros podem sentir que a falta de liderança de sua seleção no campeonato reflete algo maior: 
notadamente, liderança política em nível nacional. O desapontamento provavelmente ficará bastante visível em breve nos níveis de popularidade da presidente Dilma Rousseff. Com as eleições presidenciais previstas para começar em breve, o desastre do futebol brasileiro poderá perfeitamente ter um peso no sentido de frustrar a pretensão à reeleição de Dilma.

Como os mercados financeiros reagirão ainda é uma questão aberta. 
Ainda não está certo se eles irão afundar num pessimismo induzido pelo futebol. Na verdade, o oposto pode muito bem ocorrer: 
a derrota poderá levar a uma alta dos mercados, à medida que os investidores se tornarem mais otimistas quanto à possibilidade de reformas sob um novo governo, após as eleições.

Um mercado volátil, no entanto, beneficiaria apenas uma pequena minoria de brasileiros, devido à extrema desigualdade distribuição de riqueza e posses financeiras. O resto neste país apaixonado por futebol sentirá apenas dor, aquela do tipo que não é fácil esquecer ou perdoar.


Para Mohamed El-Erian, há uma impressionante similaridade entre a derrota do Brasil para a Alemanha e o desaquecimento econômico do país - Pete Marovich / Bloomberg/12-10-2013

POR MOHAMED A. EL-ERIAN*/VIA BLOOMBERG NEWS
O Globo

* Mohamed El-Erian é conselheiro-chefe de economia da Allianz. Ele é presidente do Conselho de Desenvolvimento Global do presidente Barack Obama, autor do best-seller “When Markets Colide (Quando os mercados colidem) e ex-diretor executivo da Pimco.

PARA REGISTRO 2 ! EMPRESÁRIO DE NEYMAR SOBRE FELIPÃO : "Ser velho babaca, arrogante, asqueroso, prepotente e ridículo".

PARA REGISTRO ! BEM-VINDO FELIPÃO AO INFERNO QUE TU MANDASTE OS CRÍTICOS E Derrota é ‘final apropriado ao boom econômico’, diz FT

Uma conversa entre Luiz Felipe Scolari com seis jornalistas escolhidos a dedo pelo seu assessor de imprensa na última segunda-feira dominou a coletiva de imprensa dada pelo técnico nesta quinta-feira no Castelão, em Fortaleza, palco do jogo entre Brasil e Colômbia na sexta pelas quartas de final da Copa do Mundo.

O técnico minimizou o encontro.

Disse que gosta de conversar com amigos da imprensa desde seus primeiros trabalhos e de ouvir dicas desses profissionais. “Posso levar em consideração ou não”, disse. Aos insatisfeitos com essa relação dele com alguns repórteres, o técnico mandou o recado. “Eu sempre fiz isso, gente. Não vou ser pautado por A ou B. Vou fazer do meu jeito. Gostou, gostou. Se não gostou vai para o inferno”, disse.
Link permanente da imagem incorporada


NO FINANCIAL TIMES : 
É difícil pensar em uma humilhação maior na história desportiva do que o placar de 7 a 1 da Alemanha contra Brasil. Em reportagem publicada nesta quarta, 9, dia seguinte à tragédia, o jornal britânico Financial Times lembra que muitos times de futebol perderam por 7 a 1, “mas nunca o autoproclamado ‘país do futebol’, [...]

É difícil pensar em uma humilhação maior na história desportiva do que o placar de 7 a 1 da Alemanha contra Brasil. Em reportagem publicada nesta quarta, 9, dia seguinte à tragédia, o jornal britânicoFinancial Times lembra que muitos times de futebol perderam por 7 a 1, “mas nunca o autoproclamado ‘país do futebol’, vencedor de cinco Copas do Mundo, anfitrião e favorito para o torneio, jogando em uma semifinal”.

Para o estatístico norte-americano Nate Silver, citado pelo jornal, esse era o placar mais inesperado na história da Copa do Mundo, com base em classificações pré-jogo das equipes.

Simbolicamente, na visão do FT, foi um final apropriado para os longos anos de boom econômico do Brasil. Mas, em termos desportivos, foi algo mais específico: o fim da tradição do futebol do Brasil. A frase “joga bonito” agora pode ser abandonada junto com clichês sobre “futebol samba”, afirma.

Segundo o período britânico, os brasileiros pararam de oferecer fintas, dribles e belos gols há muito tempo. Eles devem agora certamente perceber que o País precisa, mais rápido do que pensa, adotar um novo um estilo “mais europeu, mais alemão”, diz o FT. O futebol brasileiro precisa começar de novo também, idealmente, liderada por treinadores alemães, emenda o jornal.

Para o FT, depois de os jogadores brasileiros choraram em campo, a presidente Dilma Rousseff deve se sentir perturbada também, antes das eleições de outubro. “Ela expressou sua tristeza pela derrota no Twitter”, lembra o jornal. “Não vamos nos deixar alquebrar (enfraquecer). Brasil, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’”, escreveu ela, citando a letra do conhecido samba “Volta por cima”, de Paulo Vanzolini.

No entanto, historicamente, não há correlação entre o desempenho do Brasil em Copas do Mundo e o desempenho nas eleições no mesmo ano. “Muitos têm mantido Dilma responsável pelo desperdício, gastos excessivos, mas organização relativamente boa do torneio”, afirma o FT.

“A responsabilidade pelo 7 a 1 reside, em primeiro lugar, nos jogadores infelizes da Seleção e seu treinador sem imaginação Luiz Felipe Scolari, mas, de forma mais ampla, no futebol tradicional desatualizado do país”.
(Olívia Bulla, da Agência Estado)


julho 07, 2014

QUESTÃO DE MÁ ÍNDOLE ! UM VÍDEO PARA REGISTRO DO SUJEITINHO CANALHA/SÓRDIDO/IGNÓBIL/PATIFE/PARLAPATÃO


ENQUANTO A COPA DAS COPAS ROLA . NO BRASIL REAL : Os fundamentos econômicos estão ótimos? Brincadeira de mau gosto.


Só pode ser brincadeira.
Hoje(6/7) na Folha de São Paulo (clique aqui) ha uma matéria que diz que a presidenta Dilma busca um interlocutor na área econômica para acalmar o mercado. O que me impressionou foi a explicação de um ministro (que como sempre fala em off porque tem “convicção”) no final da matéria:
Um ministro explica que a posição do governo será a de bater na tecla do presente, de que “os fundamentos do país estão ótimos” entre as principais economias do mundo: 
PIB, 
geração de emprego,
 reservas cambias e superávit.
Isso só pode ser brincadeira e esse tipo de atitude serve apenas para piorar a falta de confiança do mercado no governo. Será que o governo teria coragem de falar o seguinte: 

“os fundamentos econômicos do Brasil estão ótimos e a desaceleração da economia é explicada, integralmente, pelos problemas do resto do mundo e pela incerteza em relação as eleições deste ano. A política econômica denominada de “Nova Matriz Econômica” será reforçada pelo governo do PT”.

Parece que não “caiu a ficha” do governo em relação ao desastre da “Nova Matriz Econômica”. Os jornais deveriam procurar os economistas ligados ao governo, como fizeram no aniversário do Plano Real, para “comemorar” o aniversário da Nova Matriz Econômica. O problema é que os economistas fogem da autoria da Nova Matriz Econômica como o diabo foge da cruz.

A verdade é que, com exceção do emprego, todos os indicadores econômicos pioraram nos últimos três anos. E o que causa preocupação no mercado é não saber se, em caso de reeleição, haverá de fato mudanças. 
Os nossos “fundamentos ótimos” são:

(i) A inflação consolidada perto do teto da meta de 6,5% e sem perspectiva que volte ao centro da meta;

(ii) O crescimento do PIB para este e o próximo ano na faixa de 1% a 1,5% e risco do baixo crescimento começar a afetar a taxa de desemprego já no segundo semestre deste ano;

(iii) Saldo da balança comercial piorou muito desde 2011 (passou de US$ 30 bilhões, em 2011, para US$ 2,6 bilhões em 2013) e déficit em conta corrente aumentou mais de 50% no mesmo período, sem o correspondente aumento da taxa de investimento;

(iv) A participação dos básicos na pauta de exportação passou de 50% no primeiro semestre deste ano e o Brasil vem perdendo participação nas exportações mundiais desde 2011, apesar da retórica recorrente do governo da importância da indústria;

(v) Os indicadores de confiança da FGV do comércio, serviços e industria estão todos em quedas consecutivas nos últimos quatro meses (seis meses no caso da industria). Índice de confiança da indústria está no seu menor nível desde maio de 2009,

(vi) O superávit primário, em 12 meses até maio, foi de 1,5% do PIB, queda de 50% em relação ao primeiro ano do governo atual (2011), quando foi de 3,1% do PIB. Se descontarmos as receitas extraordinárias de novembro (leilão de libra e Refis), o primário em 12 meses até maio cai para 0,7% do PIB. Se descontarmos truques com restos a pagar, a conta de precatórios e sentenças judiciais que são tradicionalmente pagas em abril e neste ano foram postergadas para o final do ano, primário de 12 meses fica entre “zero” e 0,5% do PIB;

(vii) A taxa de juros Selic de 11% ao ano hoje é maior do que no início do governo Dilma quando era de 10,75% aa. Adicionalmente, a taxa de juros para pessoa física no segmento de crédito livre voltou para faixa de 42% ao ano -mesma taxa de 2011;

(viii) crescimento da despesa primária do governo federal em três anos de governo Dilma já foi de 1,5 pontos do PIB (ainda falta 2014), muito próximo aos oito anos de governo, quando foi de 1,7 pontos do PIB. A esse ritmo é certo que o governo aumentará a carga tributária ou a dívida. Neste ano até maio, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) já cresceu em 1 ponto do PIB e a tendência para os próximos anos, dada a política econômica atual, é de crescimento;

(ix) De acordo com dados do IBRE-FGV, a produtividade da economia (PTF) está estagnada nos últimos três anos e a produtividade do trabalho estagnada nos últimos dois anos;

(x) Taxa de investimento na economia está estagnada nos últimos três anos, por volta de 18% do PIB em valores correntes ou de 20% do PIB a preços constantes do último ano. O que preocupa é um aumento tão forte do déficit em conta corrente – em mais de 50% em três anos- apesar da estabilidade da taxa de investimento; 

O que podemos falar em relação à tendência? 
A tendência é de os indicadores melhorarem? 
Não, com a política econômica e com a equipe econômica atual, da qual a presidenta faz parte ativamente, a tendência é piorar porque a despesa pública continua crescendo a um ritmo muito acima do crescimento da receita, o que significa queda do primário; não há perspectiva de forte crescimento das exportações do Brasil e, logo, o déficit em conta corrente pode até melhorar mas continuará perigosamente elevado; e com inflação próxima ao teto da meta e ainda com a perspectiva de reajuste dos preços dos combustíveis e tarifas de energia, a inflação continuará elevada neste e no próximo ano e, logo, as taxas de juros permanecerão elevadas.

Por fim, os empresários não voltarão a investir enquanto não enxergarem de forma muito clara como o (novo) governo resolverá os problemas acima. É bom mesmo que o governo indique o grupo de economistas que está pensando a “novíssima matriz econômica”. O problema é que, mesmo as pessoas próximas ao governo hoje, já namoram com a ideia que o melhor é voltar ao passado e restabelecer o tripé macroeconômico e a retomada da agenda de reformas.

Original/Íntegra enviado por 

julho 05, 2014

As elites vermelhas


Lula inventou uma bizarra luta de classes, em que não são os pobres que odeiam os ricos por sua opressão, exploração e privilégios, são os ricos que não suportam que os pobres comam, tenham um teto e, suprema afronta, viajem de avião pagando em dez vezes. E não se contentam em explorá-los e desprezá-los, amam odiá-los, logo eles, que vão consumir os bens e serviços que os ricos produzem para ficarem ainda mais ricos. Isso não é coisa de rico, é de burro, e Lula, rico, de burro não tem nada.

Com o país vivendo uma era de prosperidade desde o Plano Real, os três governos petistas não só tiraram milhões da miséria e alçaram milhões da pobreza à classe média, como criaram uma nova classe de ricos, ocupando milhares de cargos no governo, nas estatais, nos estados e nas prefeituras. 

É o pleno emprego, partidário.

Apenas com os altos salários e vantagens, sem falar nas infinitas possibilidades de intermediações, roubos e achaques, são legiões de novos ricos que formam uma “elite vermelha” — que ama os pobres, mas adora o luxo porque ninguém é de ferro, e não xinga presidentes, a não ser Sarney, Collor e FH. 
Nos anos 60, havia a “esquerda festiva”, mas hoje a esquerda é profissional. 
É o povo no poder… rsrs.

Pior do que ser pobre, que pode ficar rico, é ser burro, que não vira inteligente, ou fanático, para acreditar nisso. Mesmo rico e inteligente, Lula não está percebendo que velhos truques não estão mais funcionando — e está difícil criar novos bordões e bravatas. 
Essa de odiar os pobres não colou, porque os ricos agora “é nóis”. Como um Felipão atordoado, Lula volta ao velho “nós contra eles”, que o derrotou três vezes e o obrigou a fazer a “Carta aos brasileiros” para ganhar a eleição.

Doze anos de governos de um partido, até de bons governos, de qualquer partido, produzem profundo e inevitável desgaste e provocam desejos de mudança no eleitorado que progrediu nesse tempo, que está mais informado e exigente, e quer mais e melhor. Mas quando um governo é mal avaliado, com crescimento baixo e inflação alta, vítima de seus próprios erros...

É o eles contra eles.
Nelson Motta 
O Globo

UM EXEMPLO! A COPA DAS COPAS FEITA PARA "INGLÊS" VER E O BRASIL REAL ATRÁS DO TABIQUE QUE O "INGREIS NUM VÊ" : Fortaleza, sede da desigualdade na Copa do Mundo

Fortaleza tem sido o terceiro destino mais procurado na Copa 2014. Encanta pelo litoral, pela hospitalidade, mas abriga situações contraditórias. São várias as fortalezas dentro de uma só. Primeira cidade a entregar um dos estádios da Copa, não conseguiu ainda reduzir os fortes contrastes sociais. Apontada pelo relatório das Nações Unidas 'State of the World Cities’ como uma das 20 cidades mais desiguais do mundo, a capital cearense possui 75,7% dos bairros com Índice de Desenvolvimento Humano por Bairro (IDH-B) menor que 0,5 — quanto mais próximo de zero, piores as condições locais de desenvolvimento humano.

Nestes bairros habitam a maior parte das 134 mil pessoas que vivem em situação de extrema pobreza. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano 2013, esta população sobrevive com uma renda per capita média de R$ 39,42 mensais. Na quarta capital em número de aglomerados subnormais (ou seja, ocupações irregulares e/ou ilegais vivendo com serviços públicos precários), ao todo 369.370 habitantes (16% da população total) vivem em condições mínimas de vida, de acordo com dados do Censo Demográfico 2010 do IBGE.
Constraste nos arredores do Castelão - IGOR DE MELO

Para esta população, a notícia da vinda da Copa do Mundo e seus investimentos trouxe esperanças de melhoria na qualidade de vida. Entretanto, não é o que está acontecendo. Segurança, transporte, saneamento básico e moradia são algumas das lutas daqueles que moram em regiões cujo o IDH está entre os mais baixos da capital. O Índice de Gini de Fortaleza, por exemplo, é de 0,61 — o valor varia de zero (perfeita igualdade) até um (desigualdade máxima), e serve para medir o grau de desigualdade existente segundo a renda domiciliar per capita.

Em locais como as Grandes Regiões do Jangurussu, Ancuri e Bom Jardim, que juntas formam uma população de aproximadamente 300 mil habitantes, esta situação é bem clara. A poucos metros da Arena Castelão, vivem 63 mil pessoas às margens do antigo aterro sanitário do Jangurussu. 
A elas não falta apenas acesso aos jogos. Faltam condições essenciais para a garantia de direitos humanos.

Conjunto Novo Barroso, que integra o Grande Jangurussu - Igor de Melo
No Jangurussu (IDH-B 0,1), o aterro foi desativado há 16 anos, mas até hoje o chorume - líquido escuro que contém alta carga polidora e é proveniente de matérias orgânicas em putrefação - ainda brota da terra. A região trava uma luta histórica pelo saneamento básico, as casas não têm sequer fossa séptica e sofrem em dias de chuva com o esgoto invadindo as residências.

O Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles, comenta que o chorume, além de atingir a bacia hidrográfica do rio Cocó, contamina outros sistemas ambientais como o manguezal, as lagoas associadas e o lençol freático.

Um conjunto de impactos ambientais que, analisados, levando em conta as pessoas que moram nas imediações e que não tem acesso ao saneamento básico, estas são atingidas diretamente pelo chorume e demais derivados dos efluentes domiciliares. Evidencia-se aí, danos socioambientais de elevada magnitude, violação dos direitos humanos e injustiça ambiental — afirma Meireles.

A assessora político pedagógica da Organização Não Governamental (ONG) Diaconia, Luciana Brilhante, que trabalha nestas três grandes regiões (Jangurussu, Ancuri e Bom Jardim), atenta que com os protestos e manifestações que eclodiram desde a Copa das Confederações, também surgiram vários sentimentos de indignação em relação à situação vivida nos locais mais pobres, tais como a dificuldade de acesso à saúde, educação e violência.

 Na vivência dentro destas comunidades ouvimos muito a revolta aflorada com os gastos e investimentos com as obras da Copa, quando no dia a dia eles não têm nem os direitos mais básicos — diz Luciana.
No conjunto Novo Barroso (que integra o Grande Jangurussu) mora a dona-de-casa Albaniza da Silva. De sua residência, com vista para o Castelão, não existe iluminação pública desde o dia 10 de maio. No dia do jogo do Brasil e México, em Fortaleza, além dos gritos das torcidas, ela escutou outro mais forte, o de um homem sendo esfaqueado na esquina da sua casa.
A gente sabe que todos gostam de futebol, mas é inadmissível que, por conta de uma Copa, as pessoas que moram na periferia fiquem abandonadas, sejam esquecidas e completamente desrespeitadas, como se aqui não morassem pessoas, cidadãos que pagam seus impostos — desabafa Albaniza.

Fora a deficiência na segurança e a falta de saneamento, as três linhas de ônibus que servem à comunidade não conseguem prestar o serviço, pois as ruas que dão acesso ao bairro estão intransitáveis.

Enquanto isso a gente tem que se deslocar para locais distantes, correndo risco de vida. E, logo ali na Avenida Paulino Rocha tem um monte de ônibus levando os turistas de graça para o jogo. Dessa forma nós nos sentimos desrespeitados. Enquanto a gestão passa uma impressão boa da cidade para as pessoas de outros países, nós que moramos aqui estamos a mercê do que eles nos impõem, o completo abandono.
Barracos na Grande Jangurussu - Igor de Melo
Os ônibus gratuitos aos quais Albaniza se refere correspondem a um total de 300 transportes disponibilizados pela Prefeitura de Fortaleza para quem estiver com ingresso da Copa, e outros 50 para o local da Fan Fest, no aterro da Praia de Iracema. Alguns destes veículos trafegam, em dias de jogos, na Arena Castelão, pelas Avenidas Paulino Rocha, Alberto Craveiro e Juscelino Kubitschek levando os torcedores até os portões do estádio. As duas primeiras vias foram ampliadas e os investimentos estão em torno de R$ 87,5 milhões, conforme informações da Secretaria de Infraestrutura de Fortaleza. O recurso foi utilizado para construção de dois BRTs , rotatória e túnel.

Já no Grande Bom Jardim (IDH-B 0,1), a violência e a droga atinge grande parte dos jovens. Pertencente à Área Integrada de Segurança II (AIS II), mais violenta da Região Metropolitana de Fortaleza, onde os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) apontam que, somente em 2013, foram registrado 506 assassinatos, uma média de 42 registros por mês. Dos 19 bairros que integram a AIS II, cinco são do Grande Bom Jardim.

A situação não é muito diferente do Jangurussu. Os bairros que integram a região estão entre os mais pobres e com a mais baixa renda por pessoa da capital. Bom Jardim, Canindezinho, Granja Lisboa, Granja Portugal e Siqueira reúnem mais de 204 mil habitantes. O Grande Bom Jardim possui 20.459 pessoas vivendo com até R$ 70,00 mensais, ou seja, em situação classificada como de extrema pobreza.

Em carta aberta às autoridades, assinada por diversas lideranças comunitárias e mais de 30 entidades não governamentais, a população pede tanto por paz, quanto por melhorias nas condições de desenvolvimento humano, tais como acesso emprego, renda, esporte, lazer e saúde.

SEM DINHEIRO PARA IR À PRAIA
Regina Machado, 52 anos, mora no Bom Jardim e é uma das que assinou a carta. A Fortaleza que ela conhece não protege e não abriga ninguém. Se a cidade é turística por causa das atrações litorâneas, a realidade que Regina convive é a de pessoas que não vão à praia porque é longe, e porque não têm dinheiro para pagar o ônibus.
Aqui tem menino que nem conhece a praia, quanto mais entrar no Castelão. Nosso Castelão é a rua aqui da frente, que os meninos colocam a travinha e vão jogar. Quando muito a gente vai pedindo de real em real para conseguir alugar o campo vizinho, mas aí é só em datas comemorativas.

O que ela diz é traduzido na rima de João Bruno, 23 anos, um dos jovens atendidos pelo Projeto Paz. Quando indagado sobre a Fortaleza em que vive, de pronto ele responde:

Vivendo em gueto, sobrevivendo em favela. Aqui vida real é censurada em novela. A criança passa fome, o cara atira e some. Feche sua porta cedo, cuidado com o lobisomem.

Sobre o impacto da Copa nas vidas da população, a advogada e integrante do Comitê Popular da Copa, Magnólia Said, aponta como resultado uma maior desigualdade.

A mobilidade se restringiu a facilitar a locomoção de turistas e do setor do empresariado nacional e internacional entre o aeroporto, terminal de passageiros no porto e nos hotéis e destes para a Arena Castelão. Do nosso ponto de vista, o grande legado é a desestruturação em termos econômicos, sociais e psicológicos de todas essas famílias que têm sido brutalmente agredidas pela gestão pública.

Ao GLOBO, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza, Robinson de Castro, informou que uma gama de programas atingem as grandes regiões do Jangurussu, Ancuri e Bom Jardim. Em nota, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico afirmou que estes serviços, programas e projetos têm a finalidade de desenvolver a economia da cidade, com foco na geração de emprego e renda. Dessa forma, políticas de desenvolvimento e atração de empresas vêm sendo elaboradas, para atender microempresas, empresas de pequeno porte, médio porte ou, ainda, microempreendedores individuais para a região.

Todas essas ações são norteadas com base nos indicadores por bairros da cidade, medidos pela Secretaria, inclusive o Índice de Desenvolvimento Humano - que fornece indicativo de bairros que necessitam de uma maior atenção. 

POR THAYS LAVOR
O Globo

QUARTAS DE FINAL ! EM TEMPO DE COPA DAS COPAS... Na economia, nem todos os países batem um bolão


Os confrontos das quartas de final, que começam hoje(04/07), indicam um equilíbrio nas partidas em uma Copa do Mundo em que todos os grandes favoritos, incluindo o Brasil, passaram por agruras em algum jogo até o momento. Mas, fora de campo, a situação das nações rivais é bem diferente. 
Na economia, quatro países são considerados desenvolvidos mas alguns deles ainda enfrentam dificuldades para retomar o crescimento e resolver o desemprego, enquanto outros quatro são considerados em desenvolvimento.

Nesse segundo grupo há desde queridinhos do mercado a países que, como a Argentina, a cada dia ampliam crises e insegurança. 

Alemanha e França, por exemplo, representam o duelo entre duas lideranças europeias. Nos gramados, as duas seleções se destacam pelos ataques, mas, na economia, a França está na retranca e ainda não conseguiu decolar após a crise de 2008. Já a Alemanha confirmou ser o grande motor europeu, ganhando espaço sobre os vizinhos. As duas nações são as maiores economias do continente, mas vivem momentos um pouco distantes.

Deixando de lado a bola e entrando no campo da economia, Brasil e Colômbia repetem o que se passa em campo: enquanto a Colômbia é a sensação, o Brasil ganha, mas não convence. Assim como no futebol, onde quer roubar o protagonismo do Brasil, a Colômbia já superou o país como maior produtor e referência global em café.

Revelação da Copa do Mundo de 2014, a Costa Rica quer, no futebol, repetir o mesmo que tem feito no comércio com a Holanda: 

entregar um abacaxi. 
Explica-se: 
o país da América Central é um grande exportador de frutas para a Europa. 
O fechamento de parte da Intel, que possui uma das maiores fábricas do mundo, anunciado para o final do ano, deve provocar um forte impacto no país, já que a Intel representa cerca de 6% do PIB da Costa Rica, embora a empresa prometa ampliar os centros de pesquisa que existem no país. Tanto Costa Rica quanto Holanda são países pequenos, mas importantes em seus continentes. 

Entre Argentina e Bélgica, a distância econômica é enorme.
Enquanto o primeiro país vive uma crise que parece não ter fim, o segundo, sede da União Europeia, anda batendo um bolão no campo das exportações. 



França x Alemanha

A Alemanha está em uma fase mais liberal, enquanto a França ainda é um dos grandes representantes do estado europeu de bem-estar social. 
Grandes fiadores da União Europeia e do Euro, os dois países são historicamente rivais e se enfrentaram em diversos conflitos, inclusive ficando em lados opostos nas duas guerras mundiais. Mas, economicamente, são complementares: 
a França foi o maior importador da Alemanha, tendo comprado no ano passado US$ 138,1 bilhões em produtos alemães, e é o terceiro maior vendedor de produtos para os germânicos, atrás da Holanda e da China, tendo exportado US$ 88 bilhões em produtos franceses no ano passado.
Brasil x Colômbia
A Colômbia cresceu com quase o dobro da velocidade do Brasil, atraiu investimentos e, com a Aliança do Pacífico (associação com México, Chile e Peru), ampliou a participação no comércio internacional. Já o Brasil patina com baixo crescimento, inflação alta e falta de investimentos, mas tem mercado interno de dar inveja, baseado na redução da pobreza e do desemprego nos últimos anos.

 A corrente de comércio entre os dois não é tão elevada:
 US$ 4,1 bilhões no ano passado. No campo comercial, o Brasil leva vantagem: exportou US$ 2,6 bilhões e importou US$ 1,5 bilhão, mas as exportações brasileiras para a Colômbia tiveram queda de 9,75% em 2013, enquanto as importações cresceram 15,4%.
Argentina x Bélgica
A Bélgica está envolvida em um dos principais negócios dos argentinos: 
a dragagem do Rio da Prata, principal via de exportações do país e fonte de polêmicas com o Uruguai. Uma empresa do país europeu está a cargo das obras. Fora isso, os dois não possuem muita relação comercial. A Argentina sofre com um governo sem credibilidade, dados estatísticos pouco confiáveis, queda no preço das commodities agropecuárias e a questão da dívida, que voltou com força depois que a Justiça americana decidiu que os “fundos abutres”, que compraram títulos argentinos da época da crise com valores muito menores, devem receber o valor integral. Já a Bélgica é um dos países mais abertos do mundo: suas exportações somam US$ 295 bilhões, cerca de 58% de seu PIB.
Holanda x Costa Rica
A Costa Rica é um grande exportador de frutas para a Europa, e o abacaxi representa 11% das vendas do país aos holandeses no ano passado. Até então, a liderança nas exportações era de circuitos integrados, com 51,3%, pois o país conta com uma das maiores fábricas da Intel no mundo, mas que será parcialmente fechada. Ou seja, em breve, o abacaxi deverá voltar a liderar as exportações para a Holanda. Os países quase não possuem relações comerciais — embora os holandeses tivessem colônias no Caribe. As exportações costa-riquenhas somaram no ano passado cerca de US$ 900 milhões e as importações, US$ 130 milhões, baseada principalmente na venda de contêineres holandeses.


POR HENRIQUE GOMES BATISTA
O Globo