"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 07, 2013

COM O "JEITO" PETRALHA O QUE PREDOMINA É : PESSIMISMO E REALISMO X ESPECTATIVA E REALIDADE. OU SEJA : O FUTURO A DEUS PERTENCE


Ontem, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tentou demonstrar a empresários em São Paulo que "a percepção da economia pelo mercado e pelos agentes econômicos é mais pessimista do que a realidade".

Tombini limitou-se a apontar áreas da economia, especialmente a dos investimentos, cujo comportamento vem sendo mais promissor do que o esperado.

O levantamento mais abrangente das expectativas do mercado é realizado justamente pelo Banco Central, por meio do Relatório Focas, que semanalmente apresenta as projeções (pelas medianas) de cerca de cem instituições financeiras, consultorias e outras empresas sobre os principais itens da economia.

Ao contrário do que afirmou Tombini, em geral, as expectativas do mercado são bem mais otimistas do que o I que afinal acaba acontecendo. Foi essa a observação que fez dia 4 de agosto, na Folha de S.Paulo, o economista da FGV Samuel Pessoa, após acompanhamento atento das projeções e dos resultados ao longo de cinco anos (veja o Confira).

O mercado quer acreditar. E quase sempre aposta em que tudo vá melhorar. O problema é que essa percepção otimista acaba sendo entortada pelas pauladas diárias que o mercado e os empresários acabam levando.

Se Tombini quer mesmo criticar a falta de realismo sobre a avaliação da economia tem de começar pelo que acontece dentro do governo. O campeão das projeções cor-de-rosa é reconhecidamente o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que começou os últimos três anos anunciando um crescimento econômico entre 4,5% e 5,0% e vai amargando decepções. Em 2011, o PIB cresceu 2,7%; em 2012, ficou em 0,9%; e em 2013, ele mesmo agora reconhece, será apenas "melhor que 2012".

Na área fiscal, há meses não se consegue pinçar uma única afirmação consistente do ministro Mantega. Depois grande vexame do final do ano passado, quando o secretário do Tesouro, Arno Agustin, submeteu as contas públicas de 2012 a mágicas contábeis, o governo garantiu que o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da divida) não seria inferior a 3.1 % do PIB, ou a R$ 159,9 bilhões. De lá para cá, esses números foram emagrecendo e, a esta altura, o ministro Mantega não consegue explicar como ainda pretende apresentar um resultado de 2,3% do PIB, E vejam que esse PIB não é o das projeções do início do ano; e também o PIB desidratado que, em 2013, provavelmente terá um crescimento ao redor dos 2%.

Quando se trata de avaliar o avanço futuro dos preços, não há nenhuma projeção confiável do governo - a não ser as do Banco Central, que desistiu de afirmar que a inflação convergiria para a meta (de 4,5%) "ainda que de forma não linear". Há três semanas, por exemplo, a presidente Dilma avisou que a inflação fecharia este ano "na meta" quando se sabe que a meta a que se refere não são os 4,5% definidos em lei, mas estes acrescidos da margem de tolerância de 2 pontos porcentuais.

Não há quem possa seguir otimista se o governo avisa que não vai mudar sua Nova Matriz Macroeconômica, que deu errado.

Na tabela, as projeções sobre o comportamento do PIB no início de cada ano e o que aconteceu de fato.

Celso Ming O Estado de S. Paulo 

"GUVERNU" JÁ VÊ PIB FRACO TAMBÉM NO 3º TRIMESTRE

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglNcTV2Hi3DNKVcFyRqaJucyh5HPL8JoxqeqpkAvHZdthv9kzyGYwI1RghPedsq0493EGyv1x6kpPjFfFTdPf2rps2vMnMQjAIlKlVC-IPYZu8GMMQh3ezjAG190KBYwyzYf1q3Jhx129w/s640/PACOTE+DE+DILMA.jpg
O governo já sabe que a atividade econômica em julho foi fraca e admite a possibilidade de o 3º trimestre apresentar uma queda no ritmo de recuperação que vinha ocorrendo até o 2º trimestre. Os dados de produção e venda de automóveis, divulgados ontem pela Anfavea, decepcionaram e corroboram essa avaliação. A produção industrial, em grande volatilidade, não fixa tendência.

No mercado, há prognósticos de aumento de até 1 ponto percentual no desemprego nos próximos dois a três meses. O crédito ainda cresce nos bancos públicos, sobretudo na Caixa, mas de forma mais moderada. As instituições privadas fecharam as torneiras. Não está claro se julho foi um fato isolado ou se a recuperação do primeiro semestre está se esgotando.

Os fatores que penalizavam a indústria, como a valorização do câmbio, foram removidos. O dólar, que custava em média R$ 1,80 no início de 2012, está cotado a R$ 2,30. É fato que os efeitos da desvalorização do real demoram a aparecer, sobretudo no impulso ao comércio exterior. 


Há um prazo de seis meses a um ano até que os contratos de exportação do passado vençam e os novos sejam feitos a um câmbio mais favorável. O setor ainda foi beneficiado pelas desonerações de impostos e por reajustes salariais mais baixos. Os serviços também crescem a taxas mais modestas,

Não há, portanto, explicação para uma eventual redução da produção industrial no 3º trimestre a não ser a perda de confiança dos empresários. A descrença antecede as manifestações de protestos que tomaram as ruas do país em junho. Estas, porém, intensificaram o mau humor dos investidores. Esse é o quadro do lado da oferta. 


Já a demanda, que estava superaquecida, esfriou um pouco, mas não a ponto de comprometer um certo crescimento no ano, dizem economistas oficiais. As vendas no varejo reagem.

Agora parece que tudo conspira a favor da derrubada da inflação. A perda de fôlego da atividade econômica pode neutralizar boa parte do impacto da desvalorização cambial sobre os preços. 


Em tese, se incorporado às expectativas, isso diminuiria também o tamanho do aperto monetário necessário para conter o IPCA em um patamar ligeiramente inferior aos 5,84% registrados no ano passado.
Valor Econômico

Ninguém sabe com quem está falando

Que o leitor me desculpe a autorreferência, mas para quem caracterizou o sistema brasileiro como dependente de uma dimensão hierárquica (a realidade do mais ou menos) que obriga em saber quem manda ou quem é dono - o famoso, mas pouco avaliado, "Você sabe com quem está falando?" - o mal-estar que nos assola tem tudo a ver com uma ausência de limites relacionada a uma forte presença da igualdade e a ausência significativa, típica do lulopetismo, de alguém capaz de ancorar responsavelmente a cena política.

A velha oposição entre direita e esquerda que sempre ajudou a montar a nossa cosmopolítica dividindo o mundo entre mal e bem, burgueses vendidos e nós, esboroou-se com as manifestações que trouxeram ao palco uma multidão de reivindicações, a maioria pedindo o final de dois pesos e medidas, de uma ética de condescendência típica das posições lulistas e messiânicas.

Fincadas na liberdade e exigindo igualdade, as passeatas inauguraram um escandaloso "ninguém sabe com quem está falando!" 
Deste modo, o mandamento central da nossa cartilha política sumiu depois das reações da presidente, cujo resultado criou novos confrontos. Mas o clímax desta ausência de limites foi a entrevista à "Folha de S.Paulo", na qual se lê que Dilma e Lula são "indissociáveis". 
Formam, como eu insinuei nesta coluna faz tempo, um perfeito ato de ventriloquia. 

Agora ninguém sabe mais se está falando com o ventríloquo ou com o boneco.

As passeatas testam de modo intenso onde estão os limites. 
Elas também desnudam a falta de interlocução entre as forças sociais que o próprio exercício da democracia liberal libertou entre nós. 
Nas repúblicas, tal papel cabe ao Poder Executivo. 
Um poder solitário, próprio de um personagem capaz de eliminar as arestas do impessoalismo da dimensão liberal, fundada no consentimento e na difícil ética de dizer não aos nossos desejos e interesses.

Como entender o nosso pobre, querido, passivo e abandonado "povo" quando ele deixa de ser a parte passiva de discursos populistas controlados por um partido, e passa a ser um protagonista livre a clamar não por uma revolução, mas por um estilo de governar mais sincero, mais honesto e menos mentiroso?
 Mais próximo das necessidades pagas pelo trabalho desse povo, o que faz das passeatas também uma cobrança. 
Uma exigência de reciprocidade depois de uma década e pouco de megapublicidade despudorada e promessas não cumpridas?

A explicação de que tudo foi obra de redes eletrônicas é importante, mas não se pode esquecer que nenhum computador opera sem ter sido ligado. Para que as redes influenciem, é preciso fazer parte de uma teia. De uma rede que valorizamos e seja capaz de ordenar para nós.

O fato novo é o elo entre individualismo, transparência e igualdade em tempo real e global. É a vida num universo translúcido no qual a comparação é um dado essencial e que, por isso mesmo, não pode conviver com a opacidade de um sistema de governo desenhado para manter os labirintos sombrios dos que se tornam aristocratas (e milionários!) pela política. É preciso liquidar a distância entre o ético e o legal onde nascem as oligarquias e os privilégios que sempre foram o apanágio do poder à brasileira. São eles que separam o abismo entre o circo futebolístico "padrão Fifa" do pão amargo de um transporte, de uma saúde, de uma educação e de uma segurança abaixo de todos nós - as pessoas comuns.

Vivemos hoje a rejeição de um mundo ideológico tão a gosto de um desonesto receituário político. 
Esquerda e direita escondem quem manda mais e quem manda menos; quem é realmente responsável pela torrente de escândalos que a mídia e as redes não podem abafar. 
Do fundo da megalópole dita sem alma, surge um povo livre de partidos. Sobretudo do partido do poder. 
O povo, curiosamente individualizado na passeata, aponta a dissonância: 
há um padrão internacional para o futebol, mas não há um padrão decente para a moralidade pública.

O resultado é uma perturbação histórica. No país do "Você sabe com quem está falando?"; na terra dos barões, dos populistas e dos que sabem tudo, não temos mais com quem falar. 
Há uma busca, mas a presidente ouve e não escuta. 
Ela gerencia: decreta e discursa. 
E quando o faz, cria outras passeatas e abre a coletividade para novos problemas.

Um lado meu teme pela ausência de atores mais conscientes dos seus papéis; um outro, otimista, acha que começamos a descobrir que democracia tem a ver com uma anarquia controlada. 
Um sistema onde cada qual sabe do mais difícil: 
a grande arte de dizer não a si mesmo.

Roberto DaMatta O Globo

EM TEMPOS DE VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE II ... Cármen Lúcia quer a suspensão de acordo entre TSE e Serasa

A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia, sugeriu à corregedora-geral da Justiça Eleitoral, Laurita Vaz, que suspenda o acordo firmado entre o Tribunal e a Serasa, que prevê o repasse de informações dos 141 milhões de eleitores à empresa.

De acordo com a presidente, como o processo que resultou no acordo foi todo feito pela corregedoria, cabe somente a ela suspender o procedimento.

Lúcia ainda sugeriu à corregedora que, após uma análise mais criteriosa do contrato, e caso haja interesse em sua continuidade, que o mesmo seja celebrado após a ratificação do plenário, uma vez que nem ela nem os demais ministros do TSE foram avisados sobre a parceria com a Serasa.

"Deve ser levado ao Plenário do TSE porque o cadastro fica sob a responsabilidade da corregedoria-geral, mas é patrimônio do povo brasileiro e submetido ao TSE como órgão decisório maior. O TSE que vir a publico informar o que aconteceu e os cuidados. E isso certamente será feito pela corregedora-geral que é a responsável pela cadastro dos eleitores. O compromisso do TSE é de total transparência com a cidadania", disse.


ACORDO

O acordo entre a Justiça Eleitoral e a empresa foi revelado ontem pelo jornal "O Estado de S.Paulo". Apesar dos termos de cooperação terem sido publicados no "Diário Oficial" da União do último dia 27, o diretor-geral do TSE, Anderson Vidal Corrêa, disse que até o momento não houve troca de informações entre as instituições.

Ele ainda garantiu que todos os dados que seriam repassados ao Serasa são públicos e que o acordo foi firmado conforme uma resolução do TSE que prevê a possibilidade de transferência de informações quando há interesse mutuou.

"A única informação que passaremos de forma pró-ativa é nosso cadastro de óbitos. O restante só será confirmado pelo TSE se está correto ou não. A Serasa nos envia o nome de um consumidor com o nome da mão e o TSE só vai dizer se o nome da mãe está correto ou não, não irá fornecer o nome da mãe", disse.

De acordo com a resolução do TSE 21.538 de 2003, as informações constantes no cadastro eleitoral serão acessíveis a instituições públicas, privadas e a pessoas físicas. Ela veda expressamente, porém, o repasse dos seguintes dados: filiação, data de nascimento, profissão, estado civil, escolaridade, telefone e endereço. "Nos casos vedados nós só validaríamos as informações repassadas pela Serasa", alegou o diretor.

Em relação à possibilidade de envio do número do título de eleitor e situação junto à Justiça Eleitoral para a Serasa, o diretor lembrou que a informação é aberta e está disponível no site do TSE mediante pesquisa contendo o nome completo e a data de nascimento. Ao realizar uma busca com esses dados é possível se obter tanto o número do título quanto a situação.

Como a resolução que rege o uso do cadastro eleitoral fala que o acesso dos dados às entidades será disponibilizado "desde que exista reciprocidade de interesses", Corrêa disse que no acordo a Serasa irá fornecer 5.000 certificados digitais para membros e servidores da Justiça Eleitoral. Levando-se em conta o preço de varejo do produto, os certificados custariam R$ 1,5 milhão.

O diretor ainda informou que há outros acordos de repasse de informações do cadastro eleitoral e citou como exemplo um firmado com a Caixa Econômica. Para ter acesso aos dados a Caixa ofereceu 1.000 kits para cadastramento biométrico. A Serasa, contudo, é a primeira instituição privada a celebrar um acordo desta natureza.

SEVERINO MOTTA DE BRASÍLIA 
Folha

ENQUANTO ISSO... AQUELE QUE NO brasil maravilha DOS FARSANTES LÊ(LIA?) HOJE O JORNAL DE 2015 : Eike Batista vê seu império "implodir", diz jornal britânico


O jornal britânico Financial Times analisou nesta quarta-feira a queda do empresário Eike Batista e afirmou na reportagem intitulada "Reverso da fortuna" que aquele que já foi o homem mais rico do Brasil, vê seu império de empresas de petróleo, mineração e logística "implodir".

Segundo o jornal, o empresário que representaria euforia com o Brasil e outras nações emergentes durante a primeira década do século XXI está em cheque após a derrocada de sua empresa principal, a petroleira OGX, e lembrou que a fortuna que já foi superior a R$ 67,8 bilhões foi reduzida a cerca de R$ 250 milhões. 

A matéria afirmou que a revolução atual significaria a "morte" do empresário e o fim da era de liquidez fácil já que as empresas brasileiras terão que lutar contra outros emergentes na luta por investidores. 

O jornal disse que a derrocada do empresário, que já foi garimpeiro, campeão de esportes náuticos e se casou com uma capa da Playboy, é "um teste para o exército de parceiros e para investidores estrangeiros."

EM TEMPOS DE VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE... Justiça Eleitoral repassa dados de 141 milhões de brasileiros para a Serasa


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu repassar informações cadastrais de 141 milhões de brasileiros para a Serasa, empresa privada que gerencia um banco de dados sobre a situação de crédito dos consumidores do País.
A medida já está em vigor e afeta praticamente todos os cidadãos com mais de 18 anos, que não terão possibilidade de vetar a abertura de seus dados. O acesso foi determinado por um acordo de cooperação técnica entre o TSE e a Serasa, publicado no último dia 23 no Diário Oficial da União.

Pelo acordo, o tribunal entrega para a empresa privada os nomes dos eleitores, número e situação da inscrição eleitoral, além de informações sobre eventuais óbitos. Até o nome da mãe dos cidadãos e a data de nascimento poderá ser "validado" para que a Serasa possa identificar corretamente duas ou mais pessoas que tenham o mesmo nome.

O acordo estabelece que "as informações fornecidas pelo TSE à Serasa poderão disponibilizadas por esta a seus clientes nas consultas aos seus bancos de dados". Paradoxalmente, o texto também diz que caberá às duas partes zelar pelo sigilo das informações.
Violação da privacidade. 
Especialistas em privacidade e advogados ouvidos pelo Estado ficaram surpresos com a "terceirização" de dados privados sob a guarda de um órgão público. "Fornecer banco de dados para a Serasa me parece uma violação do direito à privacidade, o que é inconstitucional", disse o criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.

"O importante é saber que esses dados fazem parte da sua personalidade, e ela é protegida pela Constituição", sustenta.

Mariz acrescentou que, diante do debate internacional sobre o programa de espionagem da agência de segurança nacional dos Estados Unidos, o acordo "pode fazer parte de uma escalada maior de quebra de privacidade" no Brasil.

Autorização.
Para Dennys Antonialli, coordenador do Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da Faculdade de Direito da USP, o Tribunal Superior Eleitoral precisaria de "consentimento expresso" dos cidadãos/eleitores para poder repassar seus dados a uma entidade privada.

Com a ressalva de que desconhece os termos do acordo, o criminalista Pierpaolo Bottini disse que, em princípio, os dados de eleitores sob a posse do TSE são "protegidos". Ambos os juristas ressaltaram que estas informações podem ser requeridas por um juiz criminal à Justiça Eleitoral desde que sejam julgadas relevantes para uma investigação.

De acordo com o Bottini, o fato de ser necessário um mandado para sua liberação indica que os dados não podem ser vendidos.

Defesa.
Anderson Vidal Corrêa, diretor-geral do TSE, negou que o tribunal esteja abrindo dados sigilosos. Ele afirmou que itens como nome da mãe ou data de nascimento do eleitor serão apenas validados – ou seja, o órgão dirá à Serasa se a empresa dispõe ou não das informações corretas sobre determinada pessoa.

Se o dado estiver incorreto, o TSE não vai corrigi-lo, argumentou Corrêa. O acordo, informou o tribunal, foi autorizado por Nancy Andrighi, corregedora-geral eleitoral.

Como contrapartida pela cessão dos dados, servidores do tribunal ganharão certificação digital (espécie de assinatura eletrônica válida para documentos oficiais) da Serasa, o que facilitará a tramitação de processos pela internet. As certificações, porém, só terão validade de dois anos.


Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo
/COLABOROU LUCAS DE ABREU MAIA


Duas perguntas para: 
Dennys Antonialli, professor de Direito da USP
1.Na sua opinião, é correto um órgão público repassar dados de cidadãos para uma empresa privada?
É no mínimo preocupante um dado confiado a uma entidade pública ser repassado para outra entidade que vai fazer uso diferente sem autorização das pessoas afetadas. O Tribunal Superior Eleitoral precisaria de consentimento expresso de todos os envolvidos para fazer isso.

É muito preocupante que esse dado venha a ser distribuído sem que haja consciência disso por parte dos eleitores.


2.Como o senhor avalia o possível uso desses dados por terceiros, já que eles poderão ser repassados para os clientes da Serasa?
Um agravante disso tudo é a possível monetização em cima desses dados. Com a integração dos dados de seus cadastros com os dos órgãos públicos, a empresa fica com um acesso muito maior, um perfil muito mais completo.

Essa integração pode ser perigosa, pois isso pode violar a privacidade das pessoas. O Código de Defesa do Consumidor tem regras muito estritas para a guarda de dados em bancos de entidades públicas.

agosto 06, 2013

Trens fantasmas


O governo parece que vai mesmo insistir na sandice do trem-bala, torrando muito dinheiro público e rasgando todos os princípios que devem nortear a boa administração. Construir as ferrovias que o país de fato precisa, contudo, a gestão petista não consegue.

Mesmo com todas as indicações contrárias, o leilão do trem-bala está mantido, com entrega das propostas prevista para a próxima quarta-feira, dia 14. Como a obra só para de pé à base de muito dinheiro do contribuinte, BNDES e Correios anunciaram ontem a intenção de se associarem aos consórcios em disputa. Incluindo fundos de pensão, a participação pública pode chegar a 80% do negócio, considerando aportes, subsídios e financiamentos camaradas.

Ninguém, nesta altura do campeonato, é capaz de dizer quanto o trem-bala vai custar. As estimativas começaram, lá em 2007, na casa dos R$ 19 bilhões. Hoje não há quem aposte que a obra saia por menos de R$ 50 bilhões e até o governo federal admite que os custos já pelo menos dobraram desde o projeto original. É a mais cara obra de infraestrutura já feita no país.

Tanto dinheiro seria suficiente para praticamente zerar os problemas de mobilidade urbana nos grandes centros brasileiros, como mostrou o
Ipea em 2010. Alternativamente, seria capaz de bancar 10 mil km de ferrovias e tornar o Brasil uma verdadeira potência agrícola e exportadora, dando máxima competitividade às safras colhidas no interior, que poderiam passar a dispor de farto transporte por trilhos até nossos portos.

Mas a opção dos petistas é outra: apostar numa obra que, até agora, não se mostrou realmente necessária, competitiva ou sustentável. O modelo de negócio é mirabolante e as regras mudam a toda hora. Estima-se que a passagem do trem-bala chegue a custar R$ 650, mais que o dobro da previsão oficial, segundo
O Globo, e bem mais que os bilhetes de ônibus e aviões que a ferrovia, supostamente, pode vir a substituir.

Esta será a quarta tentativa do governo de leiloar a obra: por duas vezes, o certame foi adiado e na terceira ninguém apareceu para dar lances. "É um projeto mal feito. Até hoje não há trajeto definido, nem projeto executivo de engenharia”, resume Paulo Fleury, professor da UFRJ e um dos maiores especialistas do país em logística e transportes.

"Para começar, vai haver dinheiro público, muito subsídio, empréstimo a juro de pai para filho, prazos de avô para neto, carências e garantias. Para continuar, não se sabe quanto vai custar o trem (ainda não há projeto)”, comenta Vinicius Torres Freire na edição de hoje da
Folha de S.Paulo.

Enquanto afunda no projeto do trem-bala, o governo descuida das demais ferrovias em construção no país e enfrenta sérias dificuldades para levar adiante seu programa de concessões para o setor. Até hoje, Dilma Rousseff não inaugurou um metro sequer de trilhos e seu governo corre risco de passar batido nesta seara.

O exemplo mais gritante da incúria petista com nossas ferrovias é o que acontece com a Oeste-Leste (Fiol), que, com 1.022 km, ligará o Centro-Oeste a Ilhéus, no litoral da Bahia. Pelo cronograma inicial, o empreendimento deveria ter sido inaugurado no último dia 31, mas a realidade difere muito da propaganda oficial: até hoje é uma obra fantasma.

"Depois de ter suas obras contratadas há mais de três anos, a Fiol ainda está distante do dia em que os trens finalmente poderão rodar em seu traçado. Até hoje, nenhum metro de trilho foi instalado”, mostrou o
Valor Econômico em alentada reportagem publicada na semana passada. A Fiol tem o dobro do traçado do trem-bala e deverá custar menos de um décimo.

Igualmente problemática é a construção da ferrovia Norte-Sul. Trechos inteiros estão tendo de ser refeitos, por problemas de concepção e projeto e uma execução para lá de catastrófica por parte da Valec – que o PT quer enfiar nos consórcios privados das próximas concessões. Com isso, o país vai desperdiçando muito dinheiro e perdendo muitas oportunidades.

A falta de transporte sobre trilhos em direção aos portos da região Norte, por exemplo, vai impedir que produtos brasileiros se aproveitem, num primeiro momento, da ampliação do canal do Panamá, obra que vai revolucionar a logística mundial. A ligação entre Açailândia, no Maranhão, e Barcarena, no Pará, não sai do papel.

O governo Dilma bolou um plano ambicioso de logística, que prevê investimentos de R$ 133 bilhões em até 30 anos, dos quais R$ 80 bilhões no primeiro quinquênio. Mas da intenção aos fatos vai longuíssima distância e a dificuldade dos petistas em definir regras equilibradas e transparentes para as concessões está embarreirando o interesse dos investidores privados.

Um país com dimensões continentais como o Brasil não pode prescindir da alternativa barata e competitiva das ferrovias. Há dinheiro e apetite para investir nos trilhos, mas faltam equilíbrio e clareza de regras. Ao insistir no trem-bala e deixar de lado os traçados de que o país realmente necessita, o governo da presidente Dilma Rousseff dá mostra de que prefere embarcar numa viagem de puro terror.


Compartilhe este texto nas redes sociais: http://bit.ly/13SOBjV
Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do
Instituto Teotônio Vilela

RETRATO DE UMA REPÚBLICA SÓRDIDA : Velhas práticas, velha resposta

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj6n1wPZiJzVZtEe7-E_gnfqOkgTHvAj5WHRuI96mJKD9pB7P6cC-TbDxDw3ZIcWmTPGOlrIiRVdG7BssDT7vjHMwhgQg10NV81BpfSy62HRnynDNoEgkusBLDjXBafsmvGVxSVnF6TfSs/s1600/vergonha-na-cara.jpg
Depois da denúncia feita pelo Correio Braziliense de superfaturamento das passagens aéreas vendidas para o governo, veio a reação. O Executivo vai criar central de compras para dispensar agências de turismo e, assim, evitar fraudes. A fim de atingir o objetivo, o Ministério do Planejamento contratou o Serpro para desenvolver o sistema que permitirá a aquisição de bilhetes aéreos sem intermediários.

Em vez de alívio, a resposta trouxe preocupação. Teme-se a reprise de velha e desalentadora novela. Mudam os personagens, muda o espaço, muda o tempo. Mas o enredo se mantém. A imprensa divulga ralo por onde escoam recursos do erário. O governo, apesar de dispor de órgãos de informação e controle, se diz “surpreendido”. Responde não com medida eficaz, apta a estancar a hemorragia. Mas com o velho jogo do faz de conta.

Conhecida desde o Império, a prática deu origem à expressão “para inglês ver”, que sobrevive com vitalidade renovada. A longevidade — vale lembrar — não se deve ao acaso. Deve-se ao dinamismo crescente com que palavras, gestos e obras de fachada ganham espaço nos tentáculos do poder.

Temas como violência, drogas e trânsito se tornam prioridade sempre que acontecimento fora da rotina mobiliza os cidadãos. No calor da emoção, criam-se comissões, convocam-se ministros, aciona-se o Congresso. Discursos, num toque de mágica, viram solução. Ganham espaço na imprensa, merecem comentários de especialistas e, não raro, editoriais de respeitados jornais.
Passada a comoção, fica o dito pelo não dito. Cumpre-se, então, o conselho do conde de Lampedusa. É preciso mudar pra ficar tudo na mesma. É preocupante. Espera-se que a mais recente investida governamental fuja do script. Não há necessidade de inchar a administração com mais um órgão para comprar passagens. O Executivo precisa enxugar a máquina com urgência a fim de dispor de recursos para investimentos que não podem ser adiados.

A infraestrutura é um dos setores cujo atraso emperra o desenvolvimento nacional. Escoar a produção tornou-se um dos calcanhares de aquiles do país. Portos, aeroportos, estradas, vias férreas não respondem às necessidades dos empresários e da população em geral. Não só. A desqualificação da mão de obra rouba a competitividade das nossas mercadorias.

O trabalhador brasileiro gasta mais horas que os principais concorrentes para fazer uma mercadoria que, com frequência, peca pela qualidade. É importante, por isso, fechar os ralos do desperdício para aplicar em setores por que o país clama. Impõe-se, porém, mudar o enredo tantas vezes reprisado: tapar um furo para abrir uma comporta.


Correio Braziliense

ENQUANTO ISSO NO DE(S)CÊNIO DOS FARSANTES II ... ESPERTEZA QUANDO É DEMAIS , VIRA BICHO E COME O DONO : Energia faz dívida subir

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglNcTV2Hi3DNKVcFyRqaJucyh5HPL8JoxqeqpkAvHZdthv9kzyGYwI1RghPedsq0493EGyv1x6kpPjFfFTdPf2rps2vMnMQjAIlKlVC-IPYZu8GMMQh3ezjAG190KBYwyzYf1q3Jhx129w/s640/PACOTE+DE+DILMA.jpg
O governo continua se endividando para bancar o desconto médio de 20% no valor da conta de luz, anunciado em setembro do ano passado. Ainda em razão dos recursos acumulados pelos encargos setoriais serem insuficientes para cobrir toda a redução proposta, o Tesouro Nacional foi obrigado a realizar, em menos de um mês, a segunda transferência para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O novo aporte, de R$ 800 milhões, ocorreu via emissão de títulos da dívida brasileira.

Ao todo, foram 891 mil Letras do Tesouro Nacional (LTN), com vencimento em 1º de outubro de 2014, informou a Portaria nº 440 publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União. A primeira emissão de papéis em favor da CDE para cobrir os custos da redução da tarifa de energia elétrica foi feita em 23 de julho, no montante de R$ 518 milhões.

As operações ocorreram após o governo anunciar, em julho, que não mais usaria a antecipação de recursos da Usina Itaipu, avaliados em cerca de R$ 4 bilhões. Após críticas do mercado, acabou optando por outro malabarismo financeiro para cobrir o desconto tarifário que também obrigou as concessionárias de geração, transmissão e distribuição a anteciparem a renovação de seus contratos, condicionada a ganhos menores. A operação alternativa aumenta a dívida total do governo.
 
VICTOR MARTINS Correio Braziliense

ENQUANTO ISSO NO DE(S)CÊNIO DOS FARSANTES... A GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA 1,99 DO PARALAPATÃO CACHACEIRO SEGUE "MUDANDO" O brasil : Brasil terá 7º pior desempenho entre emergentes


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEZCkCjo8Qxcumx-yq5DZ2HH-6yVj25N8eMBp1sdv3NRy5dGf8_MEjzwPOF-C6WoL0VCiNUypw-Ev8M1gjAsxM_TnySNCigBc68ZkXRiVGMpO6oX1sDBmZT0i4WfHLgQ3g8pPIbkEFF20/s640/lula+dilma+e+temer+(2).jpg
De estrela emergente até 2011, o Brasil deve figurar neste ano na lanterninha de desempenho econômico entre os países em desenvolvimento, segundo estudo da consultoria EY, antiga Ernst Young.

O país terá um crescimento, na melhor das hipóteses, de 2,4% em 2013 -a previsão média do mercado é de expansão de 2,24%.

Entre os 25 emergentes pesquisados pela EY, o Brasil terá o 7º pior desempenho -só superior ao de República Tcheca (-1%), Ucrânia (0,3%), Polônia (0,9%), que afundam na esteira da União Europeia, além de Egito (1,7%), África do Sul (2,0%) e Coreia do Sul (2,1%) neste ano.

O expansão média dos emergentes, que sustentaram o crescimento mundial entre 2009 e 2011, será de 4,6% em 2013 -o pior no período analisado (de 2011 até o previsto para 2016).
A previsão é que o Brasil só volte a crescer acima de 4%, como deseja o governo federal, após 2016.

E isso sem contar com nenhuma melhora significativa no ambiente macroeconômico e institucional, como o corte de despesas públicas ou o fomento à infraestrutura e aos investimentos privados.

Será pela simples inércia da economia brasileira, a sétima maior do mundo, que não tem outra alternativa além de expandir os investimentos para atender à demanda crescente da população por bens e serviços.

"O Brasil crescerá pela inércia. Não estamos contando com nenhuma melhora significativa nas políticas públicas. Mas também não estamos trabalhando com uma piora no cenário externo", disse André Ferreira, sócio responsável por mercados estratégicos da EY. A consultoria revisa a cada três meses suas previsões para o mundo emergente.

Segundo Ferreira, o ponto crítico é o desaquecimento da China, maior compradora de commodities brasileiras.

Segunda maior economia do mundo, a China deve crescer 7,3% em 2013; 7,8% em 2014; 7,7% em 2015; e 7,5% em 2016.

O relatório prevê ainda que só em 2016 o Brasil voltará a ter inflação no centro da meta de 4,5%. Até lá, a inflação deve variar de 6,3% (previsão para 2013) para 5,8% (2014) e 5,1% (2015). 
TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO
Folha