"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 24, 2012

Arrecadação cai 6,5% e soma R$ 81,1 bilhões em junho

Depois de meses sucessivos de recordes, a arrecadação da Receita Federal em junho perde fôlego e sente os efeitos da desaceleração do crescimento brasileiro.

Os dados da Receita, divulgados nesta terça-feira, 24, mostram pela primeira vez no ano uma queda real da arrecadação, indicando um cenário mais difícil para o governo. A arrecadação teve uma queda real (com correção pelo IPCA) de 6,55% em junho ante junho de 2011, e somou R$ 81,107 bilhões.

Em relação a maio, apresentou um crescimento de 3,94%.


Entre as razões apresentadas pela Receita para o desempenho fraco da arrecadação está a queda de 4,26% da produção industrial em junho ante o mesmo mês do ano passado. O desempenho fraco da indústria tem efeitos na arrecadação dos impostos, o que ficou mais evidente no resultado divulgado hoje.

A Receita também colocou na lista de razões para o desempenho favorável da arrecadação a queda de 5,87% do valor em dólar das importações.

No semestre, a arrecadação também mostra desaceleração do ritmo de crescimento. O crescimento das receitas administradas pela Receita Federal (que exclui taxas e contribuições cobradas por outros órgãos), que chegou a bater de 6,68% em março, caiu agora para 3,04% de janeiro a junho.

Abaixo das expectativas

A arrecadação de junho ficou abaixo da mediana das projeções dos analistas consultados pelo AE Projeções, de R$ 82,9 bilhões. O intervalo das estimativas ia de R$ 80 bilhões a R$ 88 bilhões.

No ano, a arrecadação de impostos e contribuições federais apresenta um crescimento de 3,66%, em relação a igual período de 2011.

O crescimento da arrecadação no primeiro semestre de 2012, de 3,66% já está abaixo da previsão da Receita Federal, que é entre 4% e 4,5% este ano. A previsão da Receita, no entanto, não contempla a revisão de crescimento do PIB, este ano, de 4,5% para 3%, conforme divulgado no relatório de Receitas e Despesas do Ministério do Planejamento.

Desde março deste ano a arrecadação vem desacelerando. No acumulado do primeiro trimestre, a alta real era de 7,32%, caindo para 6,28% no primeiro quadrimestre. Uma nova desaceleração foi registrada em maio, quando o aumento do recolhimento de tributos passou para 5,83%, e atingindo agora, no fechamento do primeiro semestre uma alta de apenas 3,66%.

Pela primeira vez este ano foi registrada uma queda na arrecadação em relação ao mesmo mês do ano anterior. O recolhimento de tributos em junho teve uma redução real de 6,55% em relação ao junho de 2011.

Estadão

Lucro do Itaú Unibanco cai 5,6% no semestre


O Itaú Unibanco, maior banco privado do país, teve lucro líquido de R$ 6,73 bilhões no primeiro semestre do ano, uma queda de 5,65% na comparação com o primeiro semestre do ano passado, informou o banco nesta terça-feira.


Já o segundo trimestre registrou lucro de R$ 3,304 bilhões, uma queda de 8,29% na comparação com igual período de 2011. Em relação ao trimestre anterior, houve retração de 3,56%. O resultado também veio abaixo dos R$ 3,5 bilhões previstos pelos analistas.

O lucro trimestral foi afetado pelas elevação das despesas com provisão para devedores duvidosos, que alcançaram R$ 4,86 bilhões, com alta de 30,89% ante igual trimestre de 2011.

A taxa de inadimplência atingiu 5,2%, o que representou uma alta de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,7 ponto percentual ante igual período de 2011.

Na segunda-feira o Bradesco também divulgou seu balanço trimestral. O banco fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 2,83 bilhões, valor 1,7% maior que o do mesmo período de 2011.

O aumento da inadimplência e a lentidão da economia também fez com que o resultado fosse abaixo do previsto.

Segundo a consultoria Economática, apesar de o lucro semestral do Itaú Unibanco ter sido maior, a rentabilidade sobre o patrimômio médio (ROE) do Bradesco é de 19,01% contra do 18,96% do concorrente. O ROE do Bradesco está em níveis de 2004, enquanto o do Unibanco é semelhante ao de 1998.

No trimestre, o Itaú Unibanco também sofreu com a venda da participação de 18,87% que detinha no banco português BPI. Isso gerou um resultado negativo de R$ 205 milhões no período. A carteira de crédito do Itaú Unibanco atingiu R$ 356,789 bilhões, com expansão de 2,71% no trimestre e de 12,56% em 12 meses.

O índice de Basileia do banco a relação entre o quanto ele empresta e o seu patrimônio ficou em 16,9%, com alta de 0,8 ponto percentual ante o período encerrado em março. O índice de eficiência ficou em 45%, com alta de 0,5 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

Quanto menor esse índice, mais eficiente é um banco. Os ativos totais ficaram em R$ 888,809 bilhões, com queda de 0,89% em relação ao primeiro trimestre. Em 12 meses, houve crescimento de 11,98%.

Brasil tem déficit de US$4,4 bilhões em transações correntes em junho . Dados divulgados pelo BC mostram déficit menor que o previsto

O Brasil registrou em junho déficit em transações correntes de US$ 4,419 bilhões, abaixo da previsão de economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, de US$ 4,8 bilhões, informou o Banco Central nesta terça-feira.

No acumulado de 12 meses encerrados em junho, o déficit em conta corrente do país ficou em 2,16% do Produto Interno Bruto (PIB).

O BC informou ainda que os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 5,822 bilhões de dólares no mês passado.

O Globo

Cachoeira vai falar, diz defesa.


Preso há 147 dias, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, dará amanhã as primeiras explicações sobre o esquema comandado por ele que custou o mandato do ex-senador Demóstenes Torres e mobilizou o Congresso em torno de uma CPI.

O contraventor deixou a Penitenciária na Papuda da manhã de ontem rumo à carceragem da Polícia Federal em Goiás. Cachoeira estará presente na audiência de instrução e julgamento de processo que responde na 11ª Vara Federal, em sessões marcadas para hoje e amanhã.

Na primeira fase da audiência, oito réus ouvirão relatos de quatro testemunhas de acusação e 10 de defesa.


As testemunhas de acusação são agentes que atuaram na Operação Monte Carlo, com o monitoramento de campo e telefônico dos investigados. O objetivo das testemunhas de defesa é delinear a “qualificação” dos acusados, informando dados sobre residência fixa, trabalho e atestando a idoneidade dos réus.

Amanhã, Cachoeira e Idalberto Matias de Araújo, o Dadá,
Lenine Araújo de Souza,
Wladmir Garcez,
Gleyb Ferreira da Cruz,
José Olímpio de Queiroga,
Raimundo Washington
e Geovani Pereira da Silva, apontados no inquérito como operadores da organização criminosa comandada pelo bicheiro, prestarão depoimento à Justiça.
Entre os acusados, Cachoeira permanece preso e Geovani foragido.

Diferentemente do ocorrido em 31 de maio, quando a defesa de Cachoeira conseguiu uma liminar para suspender o depoimento, a advogada Dora Calvalcanti, que representa o contraventor, afirma que não fará nenhuma tentativa de adiamento.

“Só se for a defesa de outros depoentes. Da nossa parte não.” Dora e o advogado Augusto de Arruda Botelho acompanharão Cachoeira na audiência.

A audiência deve ser marcada por uma guerra de oratória entre os depoentes e o juiz Alderico Rocha Santos, que assumiu como substituto da 11ª Vara Federal depois que o juiz Paulo Augusto Moreira Lima se afastou do caso, alegando ter sofrido ameaças.

Há cerca de um mês, Alderico assumiu o processo e teve que se inteirar de seus 53 volumes para remarcar a audiência. À época da suspensão do depoimento, os advogados do bicheiro impetraram habeas corpus alegando que o direito de defesa estava cerceado, pois a defesa não pode falar reservadamente com Cachoeira.

A decisão foi do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Tourinho Neto, que acatou parcialmente a demanda da defesa de Cachoeira. O desembargador determinou que diligências solicitadas pela defesa fossem cumpridas antes da audiência.

Os advogados de Cachoeira tentaram adiar novamente o depoimento, mas a 11ª Vara Federal informou que todas as diligências foram cumpridas.

O advogado de Wladmir Garcez, Neiron Cruvinel, explica que orientou o cliente a não responder a perguntas que tenham o objetivo de confirmar informações que constem apenas em escutas telefônicas, pois ao admitir que o conteúdo dos grampos corresponde ao contexto reproduzido no inquérito, os próprios réus estarão validando as provas eletrônicas.

“Só se basearam em interceptações telefônicas, não têm provas. Mas se forem confirmadas as gravações elas valem como prova. A ordem dos depoimentos deve ser a mesma da denúncia.” Falarão Cachoeira, seguido de Lenine, Geovani, Garcez, Olímpio, Dadá, Gleyb e Washington.

Congresso de olho

Parlamentares que integram a CPI criada para apurar as ligações de Cachoeira com autoridades públicas informaram que escalariam representante para acompanhar o depoimento. Como Cachoeira se recusou a falar quando foi convocado, parlamentares pretendem usar as explicações à Justiça nas investigações do Congresso.

Ontem, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) montou esquema de segurança para transferir Cachoeira da Papuda até a carceragem da PF em Goiânia. A transferência foi feita de carro. Antes de chegar à Polícia Federal n a capital de Goiás, o bicheiro passou por exame de corpo de delito. A família dele informou que o contraventor também passou por exames psicológicos, para avaliar quadro de depressão.

Ele teria emagrecido mais de 20 quilos desde de sua prisão, em 29 de fevereiro. A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, foi à PF tentar conseguir a permissão para uma visita. diante da negativa, acabou enviando apenas um bilhete dizendo que o contraventor era “o amor de sua vida”.

JOSIE JERONIMO Correio Braziliense

O novo voo da galinha


Não há muito tempo, quando o País ainda tentava sair de duas décadas de estagnação, tornou-se usual comparar nossas desventuras ao voo de uma galinha. A comparação remetia à vulnerabilidade do balanço de pagamentos que demandava desvalorizações cambiais espasmódicas, que pressionavam a inflação e exigiam elevações periódicas nas taxas de juros, estancando o crescimento.

Muita coisa mudou.
O excesso de reservas, quem diria, passou a ser visto como um problema.
A economia, no entanto, voltou a patinar.
Estamos parando.

Culpar apenas a crise internacional é descabido. Seria melhor se o mundo não tivesse se transformado num lugar tão perigoso, mas as conexões que mantemos com o resto do globo são limitadas. O Brasil é uma economia ensimesmada. Somos locais.

As exportações representam uma parcela pequena do PIB, o financiamento internacional é apenas complementar, os bancos brasileiros dominam o mercado, o financiamento da dívida pública é feito quase totalmente por brasileiros.

Nossa estagnação reflete, predominantemente, nossas próprias fraquezas e é, na sua maior parte, explicada pela conjugação entre o esgotamento de um ciclo de endividamento acoplado ao exaurimento do padrão de crescimento industrial. A história do crédito é conhecida. Em números:
nos dez anos terminados em 2011, o crédito total na economia brasileira cresceu mais de 500%.

No ano passado, no entanto, a inadimplência deu um salto (35%), continuou crescendo e forçou os bancos a uma política de crédito mais seletiva.

Um típico sofisma da composição, ensinado no primeiro ano dos cursos de Economia. Se cada um dos bancos corta o crédito, todos, no conjunto, tendem a ter mais inadimplência (porque a produção e a renda se contraem). Assim funciona uma economia de mercado (a alternativa seria uma planilha do Gosplan, o que ainda não se cogita).

Com o tempo - nada como o tempo para passar - as famílias vão gradativamente recuperar a capacidade e o apetite para um novo ciclo de crédito.

A vulnerabilidade da indústria é mais complexa, porque nem o tempo resolve.
O setor vem sendo esmagado por custos crescentes e progressiva exposição aos produtos importados. Também em números:
nos dez anos terminados em 2011, o custo da energia elétrica industrial aumentou 165%, para uma inflação medida pelo IPCA de 88%.

Os salários industriais, por sua vez, subiram 134%, ao passo que o recolhimento de IPI saltou quase o mesmo, 133%.

O valor do dólar, no entanto, caiu 28%, o que ofereceu a indústria à concorrência predatória das importações (a importação de bens duráveis, medida em reais, subiu 764% nesse período). Nesse contexto, o único "espírito animal" que ainda resta no empresariado é o medo, muito medo.

Mitigar essa defasagem exigiria ganhos de produtividade extremamente significativos, o que não está na pauta.

O Insead divulgou, há dias, pesquisa internacional sobre inovação e ambiente de negócios que realizou em conjunto com a Organização Internacional de Propriedade Intelectual.
O Brasil foi classificado em 58.º lugar, atrás de países como Jordânia, Croácia e Omã. No quesito "ambiente de negócios" ficamos em 127.º lugar, atrás do Burundi.

As frenéticas medidas pontuais que o governo vem tomando não resolverão nossos problemas estruturais. Reformas amplas, por outro lado, estão além do raio de manobra política da atual gestão, que se equilibra sobre uma coalizão bizarra e fica, assim, premida por interesses difusos e contraditórios.

Resta torcer para que a Europa não se desintegre, que a China passe muito bem e que o tempo se encarregue de preparar um novo ciclo de consumo baseado no crédito.

Sem mudanças estruturais, porém, mais uma vez parte expressiva desta demanda vazará para o exterior na forma de aumento das importações, o que poderá tornar o crescimento cronicamente mirrado.

Galinhas não voam. Galinhas ciscam para trás.


Luis Eduardo Assis O Estado de S. Paulo

julho 23, 2012

Chega de leis, precisamos reconstruir a ética

“Existiu e existe um grande número de pessoas
para as quais o motivo da consciência ou obrigação
moral é supremo. Não há nada na constituição da natureza
humana que impeça que assim seja para toda a humanidade."
John Stuart Mill (1833)

Quando Alcides de Almeida Ferrari se aposentou, aos 67 anos, desembargador que fora, admitido no serviço público através do primeiro concurso oficial para juízes realizado no estado de São Paulo, todos lastimaram que tão fulgurante inteligência não quisesse voltar aos foros, agora não mais como juiz, mas sim como advogado.

O aposentado desembargador recusou todos os convites que lhe fizeram, inclusive o de seu filho, Luiz Geraldo Conceição Ferrari, que dirigia conhecido, respeitado e operoso escritório de advocacia. Alcides, meu avô, acreditava que tendo granjeado extraordinária reputação e saber de jurista às custas do exercício do seu emprego público, inicialmente como juiz nas mais distantes comarcas do interior, chegando finalmente à São Paulo para o Tribunal de Justiça, somado ao fato de ter adquirido sólidas amizades em meio dos desembargadores, os quais presidiu em meados dos anos 50, tudo isso determinava sua inabalável decisão de afastar-se das lides de maneira absoluta.

Sua consciência ética falou mais alto que outras conveniências. No entanto, tendo constituído família grande, a ela devotou seus gloriosos anos que lhe restavam, para gáudio de seus 7 filhos e de seus 32 netos, até sua morte em 1969.

Morreu sem casa própria.

Evoco a figura impar de meu avô materno como meu símbolo inspirador no intuito de propor um debate, no seio da sociedade civil, que vise a recriação de limites éticos já esquecidos para aqueles que desempenham ou desempenharam funções públicas de alta relevância, bem como aos advogados em geral.

Antes que eu analise a presença significativa do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos ao lado de Carlos Cachoeira a lhe dizer que calar-se é legal, permitam-me enfocar, inicialmente, nossa própria Ordem dos Advogados do Brasil.

Penso que a honrosa função de presidente da OAB, nacional e seccional, deva ser entregue a advogado sênior, já afamado pelas causas de que participou, e que queira , como gesto de vontade, coroar sua carreira com tal galardão. Poderá assim enobrecer-se a si mesmo e simultaneamente devolver ao Estado, à Justiça e à classe que representa um pouco de sua experiência para o melhoramento das relações cliente-advogado–juiz-promotor em busca de melhor dar-a-cada-um-o–que-é–seu. Creio que o objetivo desse meu sonhado presidente ao disputar as eleições da classe não deva ser mais do que isso como defini.

Essa figura ideal de presidente que suponho existir deverá afastar-se efetivamente de seu escritório a fim de não contaminar sua atividade pública com sua até então atividade privada — a de advogado. Dessa maneira, evitará toda tentativa de assédio de clientes em potencial, envolvidos em casos de extremo valor. Claro está que tal cliente não quer contratar ele — o advogado — mas sim o todo poderoso presidente da OAB.

Voltemos a Cachoeira. Da mesma forma, a extraordinária relevância do cargo exercido pelo ex-ministro da Justiça, seu total conhecimento da máquina federal e de seus atores, — alguns seus ex-funcionários subalternos —, as informações secretas que há pouco conhecera, tudo transforma esse advogado em turbinado advogado, cuja presença faz tremelicar a delicada balança da Justiça. Fora ele contratado pelo talento de advogado que certamente tem, ou, como no exemplo acima,foi o ex-ministro quem foi contratado?

Pergunta-me uma amiga de outra área do saber se o que fez o advogado Márcio Thomaz Bastos é legal? Digo que sim, mas sinto na minha ilustrada interlocutora a persistência da dúvida : se é legal, talvez não seja ético ?

É isso, pois, o que entendo que a sociedade precisará definir: contornos éticos e morais das atividades dos profissionais do Direito, dos ministros, dos ex-ministros, dos magistrados e suas atividades paralelas, dos ex- magistrados, dos promotores e suas atividades paralelas, dos ex-promotores , dos dirigentes de classe e, principalmente, dos próprios advogados.

Advogados já são centenas de milhares. Talvez por isso, — pela sua extraordinária quantidade e competição —, arrefeceram, injustificadamente, os limites ético-sociais da profissão na luta penosa pelo pão nosso de cada dia.

Mas, espere, não me refiro à necessidade de mais leis. Refiro-me sim à reconstrução dos mandamentos éticos que foram sendo esquecidos por todos nós ao longo dos anos. Chega de leis.

Roberto Ferrari de Ulhôa Cintra é doutor em Direito pela USP, com especialização na New York University e na Harvard University, e autor do livro “A Pirâmide da Solução dos Conflitos”, editado pelo Senado Federal.

Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2012

Justiça bloqueia bens do Banco Rural no valor de R$ 100 milhões

Banco Rural - Um Asno
Com os principais diretores e ex-dirigentes na lista dos réus do processo do mensalão, que deve começar a ser julgado na próxima semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Rural S/A levou mais um golpe da Justiça.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) autorizou o bloqueio e execução de bens da instituição no valor de mais de R$ 100 milhões para o pagamento de dívidas trabalhistas do empresário Wagner Canhedo, ex-proprietário da extinta Vasp. Para o Judiciário, o Rural auxiliou Canhedo em "cristalina fraude" para tentar ocultar patrimônio e evitar a penhora de bens.


O caso começou em 2005, em uma ação que tramitou na 14ª Vara da Justiça Trabalhista em São Paulo, na qual o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Sindicato dos Aeroviários no Estado pediam a execução de bens de Canhedo para o pagamento de dívidas com os funcionários da Vasp, cuja falência foi decretada em 2008, por causa de um acordo "que foi integralmente descumprido" pelo empresário, segundo o relator do processo no TST, ministro Pedro Paulo Teixeira Manus.

O Judiciário constatou que houve "fraude de execução, no que tange a toda a alienação e oneração feita no patrimônio da Vasp ou seu controlador".


A juíza Soraya Galassi Lambert determinou então, entre outros, a penhora de bens do Banco Rural no valor de R$ 43 milhões devido a duas vendas de 71,6 mil cabeças de gado que Canhedo, por meio da Agropecuária Vale do Araguaia, fez à Rural Agroinvest S/A em 2004, quando já não podia se desfazer de seus bens devido a outra sentença judicial.

A magistrada ainda considerou "ineficazes" as vendas de Canhedo à Securinvest Holding S/A - pertencente ao grupo Rural - do imóvel do Hotel Nacional, em Brasília, avaliado em R$ 70 milhões, e de um imóvel em Guarulhos (SP) avaliado em R$ 20 milhões.


O banco recorreu e, em janeiro de 2012, o presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, concedeu liminar suspendendo a execução dos bens. No entanto, a Subseção II da corte, especializada em dissídios individuais, seguiu o entendimento do ministro Pedro Paulo Manus, cassou a decisão e determinou novamente a penhora de bens, que, em valores atualizados, ultrapassam R$ 100 milhões.

O acórdão é de 5 de junho e foi divulgado pelo jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte.


Por meio de nota, o presidente do Conselho de Administração do Rural, Plauto Gouvêa, informou que quando o banco fez o "negócio regular" com a Agropecuária Vale do Araguaia, a empresa de Canhedo não estava entre os réus do processo contra o empresário. Segundo a nota, não havia impedimento à negociação, "que consistiu em um contrato de compra e venda de gado, absolutamente dentro do objeto social de ambas" as empresas.

Gouvêa afirmou ainda que o banco ofereceu ações da Tratex Mineração Ltda., "avaliadas em valor superior", como garantia da execução e que, com relação à decisão do TST, a instituição vai continuar recorrendo à Justiça "buscando o reconhecimento de seu direito".

"O Banco Rural, por ter convicção que realizou todos os procedimentos estritamente nos limites legais, reforça sua confiança na Justiça e na solução positiva dessa questão", conclui a nota. O Estado não conseguiu localizar o advogado de Wagner Canhedo.


Mensalão.
A direção do Banco Rural à época do escândalo do mensalão, incluindo a presidente Kátia Rabello, vão ter que se sentar no banco dos réus no STF a partir da semana para serem julgados pelo envolvimento no caso.

Segundo a denúncia do então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, para que o esquema funcionasse "teria sido necessário contar com os réus Kátia Rabello,
José Roberto Salgado,
Vinícius Samarane
e Ayanna Tenório,
os quais, no comando das atividades do Banco Rural, teriam criado as condições necessárias para a circulação clandestina de recursos financeiros, através de mecanismos de lavagem de dinheiro, que permitiriam o pagamento de propina".


Ainda de acordo com a denúncia, os acusados, com o objetivo de "aumentar os lucros do banco e obterem vantagens do governo federal, especialmente com a redução ou ausência de fiscalização do Banco Central", usaram o banco para "praticar inúmeras fraudes caracterizadoras de crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira".

O procurador listou nas fraudes, entre outras, a "disponibilização de agências para lavagem de dinheiro" e "a classificação irregular do risco de empréstimos" ao PT e aos responsáveis pelo "núcleo publicitário" do mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seus sócios Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Rogério Tolentino.

Estadão

SEM "MARQUETINGUE" :Das 59 universidades federais do País, apenas duas não aderiram à greve. Negociação entre governo e professores fracassa

A grande maioria dos 38 institutos federais de educação também está com as atividades paralisadas.

Fracassou a reunião desta segunda-feira entre professores, universitários e representantes do governo para discutir o fim da greve nas instituições federais de ensino, sem aulas desde o dia 18 de maio. Na tarde desta segunda-feira, o governo ofereceu R$ 3,9 bilhões em reajustes salariais nos próximos três anos aos professores.

A proposta foi rejeitada.
Sindicalistas e técnicos dos ministérios de Educação e do Planejamento discutiram durante mais de quatro horas a pauta de reivindicações. Uma nova reunião já está prevista para ocorrer até a próxima quarta-feira.


A presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira, diz que a discussão é de "concepção". Ela reclama que o governo está incentivando a desestruturação da carreira, ao impedir a progressão, criando barreiras para o docente chegar ao teto da profissão.

Já o governo diz que questões como a titulação devem ser discutidas em outra mesa de negociação, propondo um grupo de trabalho específico para o tema. "Creio que devemos focar os pontos de divergência", afirmou Amaro Lins, secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação. "O maior cuidado que devemos ter é com os jovens de nossas instituições", acrescentou.

Pouco antes, Marinalva Oliveira afirmou em tom exaltado que a responsabilidade pela situação dos estudantes é do governo. A uma pergunta sobre se não temia o corte do ponto, ela respondeu: "A nossa greve é legal. Quem não está avançando é o governo, que só depois de sessenta dias está apresentando uma proposta".

Embora haja consenso de que "questões técnicas" e "conceituais" não estão abaixo do debate salarial na pauta dos sindicalistas, setores do governo dizem que o movimento pretende acabar com a valorização dos títulos de mestre e doutor nas universidades.

Os grevistas que têm essa linha de raciocínio defendem que apenas o tempo de trabalho seja o suficiente para um docente atingir o topo da carreira.

Questionado sobre a importância da titulação como incentivo para a melhoria do ensino, o sindicalista Gutemberg Almeida, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), respondeu que "os títulos seriam um estímulo se o governo não incluísse também na progressão da carreira fatores como a produtividade".

Ele diz que hoje os professores estão tendo carga horária elevada em sala de aula, prejudicando pilares das universidades como a pesquisa e a extensão.


LEONENCIO NOSSA/Estadão

Financial Times : CACHACEIRO ASQUEROSO O FILHO...DO BRASIL AGE COMO SE FOSSE "PRESIDENTE"


Luiz Inácio Lula da Silva age como se fosse presidente do Brasil, concluiu o influente jornal britânico Financial Times, em artigo publicado nesta segunda-feira em seu site.

O texto compara o comportamento de Lula depois de deixar o poder com o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Nesse mês, os dois mais bem-sucedidos ex-presidente do Brasil demonstraram os diferentes caminhos para ser um ex”, diz o artigo.

O jornal afirma que, na mesma semana em que FHC recebeu da Biblioteca do Congresso americano o prêmio Kluge, Nobel das ciências sociais, Lula destacou-se por fazer uma análise “questionável e incompleta” das eleições na Venezuela.

Em discurso exibido em vídeo durante o Foro de São Paulo, em Caracas, o petista declarou apoio ao imperialista bolivariano Hugo Chávez, candidato à reeleição. “Sua vitória será a nossa vitória”, afirmou Lula na ocasião.

“Um ex-presidente verdadeiramente democrata usaria seu poder e influência para intervir nas eleições de outro país?”, questiona o Financial Times. “A convalescência de Lula ajudou Dilma Rousseff a carimbar sua autoridade no governo. Mas agora Lula está recuperado e brigando de novo, alimentando a especulação de que possa ser presidente de novo. Há ocasiões em que ele age com se já o fosse.”

O artigo cita ainda exemplos de outros políticos da América Latina que enfrentam dificuldades para ser um ex, como Álvaro Uribe, da Colômbia, e Michele Bachelet, do Chile. Afirma o jornal: “Todos esses poderosos ex fazem mais difícil a vida dos atuais presidentes.”

Às vésperas do julgamento do mensalão, "PRESIDENTA" recebe Ayres Britto

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, se encontra com a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira, dez dias antes do início do julgamento do mensalão.

Tanto o Palácio do Planalto quanto o Supremo Tribunal Federal não deram detalhes sobre o assunto da reunião. A assessoria de Ayres Britto afirmou apenas que ele trata de “assuntos institucionais” com a presidente.

O julgamento do mensalão está marcado para começar em 2 de agosto. Nesta terça-feira, Dilma embarca para Londres, onde assiste à abertura das Olimpíadas. Ela deve retornar ao Brasil no sábado.

Maquiavel/Veja
(Gabriel Castro, de Brasília)