"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 15, 2012

E NOS "PROGRAMAS SOCIAIS" DA REPÚBLICA DA ENGANAÇÃO : Falta uma Fifa para as creches


falta um detalhe para os brasileiros poderem festejar a construção de 6 mil creches até o fim de 2014, uma promessa de campanha repetida várias vezes pela presidente Dilma Rousseff e reafirmada em seu discurso do Dia das Mães.

Esse detalhe é muito simples:
o governo precisa apenas tomar as providências necessárias para a realização das obras. Mas deve fazê-lo com rapidez, porque a presidente já cumpriu quase um ano e meio de mandato e esse programa, como tantos outros anunciados pela administração federal, continua emperrado.

Sem mudanças muito sérias na gestão de programas e projetos, a construção de creches e pré-escolas será um fracasso tão grande quanto as obras da Copa, outro compromisso reiterado nos últimos dias.

O quadro já seria bem melhor se o Proinfância, lançado em 2007, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tivesse avançado um pouco mais rapidamente. Foram aprovadas a partir daquele ano 4.035 obras para atendimento a crianças em idade pré-escolar. Em março de 2012 o Ministério da Educação anunciou já terem sido entregues 221 inteiramente concluídas.

Esse número equivale a 5% das aprovadas para inclusão no programa de financiamentos. O total subiria para 258, se fossem contadas 37 unidades com obras muito próximas da conclusão, mas isso ainda representaria só 6,4% dos projetos aprovados.

Em 2007, ano de lançamento do Proinfância, o presidente Lula comprometeu o Brasil com a realização da Copa do Mundo e, portanto, com grandes investimentos em estádios, aeroportos, hotéis e sistemas de mobilidade urbana.

Os resultados são muito parecidos nos dois casos, mas os pronunciamentos a favor das criancinhas foram mais raros e mais suaves.

Faltou um Jerôme Valcke, da Fifa, para receitar um chute no traseiro das autoridades educacionais.

Para cumprir sua promessa de campanha, a presidente Dilma Rousseff deveria ter dado maior impulso ao Proinfância ou passado a limpo todo o programa para garantir uma execução mais eficaz.

A única novidade, no entanto, foi o compromisso de construção de 6 mil creches em quatro anos. Na prática, nenhum efeito sensível.

Em 2011, primeiro ano de governo, R$ 891 milhões foram autorizados no orçamento e R$ 308,3 milhões foram pagos. Mas o ano terminou sem a conclusão de uma única obra. Todo o valor foi empenhado, isto é, formalmente comprometido com a execução de projetos, e R$ 582,3 milhões sobraram para 2012 como restos a pagar.

Mas também o desembolso desse dinheiro, assim como o das verbas incluídas no orçamento deste ano, dependerá do ritmo das obras. Como no caso dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o cenário é de muita ineficiência, quando se trata de creches e unidades de pré-escola.

O assunto foi discutido, no começo deste ano, num encontro da Associação Contas Abertas com secretários de Educação de municípios goianos e representantes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.

Foram apontados problemas burocráticos e também problemas causados por irregularidades nas licitações e na execução das obras. É necessário melhorar todo o sistema de administração dos recursos, desde a liberação do financiamento federal até a entrega das instalações.

Os controles são obviamente defeituosos. O Ministério da Educação levou algum tempo, em 2012, para identificar uma irregularidade na ação de uma prefeitura comprometida com a construção de duas creches. Um técnico notou a presença de um cão em todas as fotos enviadas pelo governo municipal. As fotos eram da mesma creche.

Segundo a presidente Dilma Rousseff, é preciso investir em educação e saúde para "atacar a desigualdade na raiz do problema". Ela está certa, mas para isso é preciso, igualmente, melhorar muito a gestão de programas e projetos, outra promessa de campanha.

Também nesse caso os resultados são imperceptíveis. É muito mais fácil conceber e executar programas de transferência direta de renda que combater a pobreza por meio da capacitação de pessoas.

Este continua sendo o maior e mais importante desafio dos chamados programas sociais.

O Estado de S. Paulo

E NA CASA DA OCIOSIDADE... ENCRUADO ! Fim de regalia nas mãos da Câmara

O projeto de decreto legislativo que acaba com o pagamento do 14º e do 15º salários a parlamentares, aprovado na última quarta-feira no Senado, chega hoje à Câmara dos Deputados, após revisão.

Um grupo de técnicos deve avaliar para quais comissões o texto será encaminhado na Casa. O mais provável é que passe pelos colegiados de Constituição e Justiça (CCJ) e Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), levando em média dois meses para tramitar em ambas.

No entanto, se houver vontade política, o projeto pode ser encaminhado diretamente para o plenário e ser votado em menos de 15 dias.

A ideia de encurtar o caminho da proposta na Câmara deve ser definida pela Mesa Diretora. A pressão pode partir também dos próprios partidos, que afirmam ainda não ter discutido o tema. O deputado Bruno Araújo (PE), líder do PSDB, prometeu levar o assunto à bancada em reunião hoje. “É um assunto importante que precisa ser discutido”, destaca.

O deputado Reguffe (PDT-DF), primeiro parlamentar a abrir mão da mordomia, subiu à tribuna do plenário ontem para elogiar a série de reportagens do Correio sobre o assunto. “Quero aqui fazer um registro e parabenizar o jornal Correio Braziliense, um jornal aqui do Distrito Federal, que está travando uma cruzada importante para moralizar a vida pública deste país, que é a luta pelo fim dos 14º e 15º salários”, comentou.

“Considero essa uma luta importante. (...) O projeto aprovado no Senado ainda não atinge o objetivo correto, porque ele ainda concede um salário extra no início da Legislatura e um no fim, quando, na minha opinião, um parlamentar deveria receber apenas 13 salários, como qualquer trabalhador.”

Em março, o Correio revelou que não havia desconto de Imposto de Renda sobre os dois salários extras pagos aos senadores. O custo com a mordomia para o Senado, nos oito anos de mandato dos parlamentares, é de R$ 34,6 milhões.

A Câmara dos Deputados gasta, em quatro anos, R$ 109,6 milhões.

ADRIANA CAITANO Correio Braziliense

Para ex-chefe da Oban, militar não torturou


O tenente-coronel Maurício Lopes Lima
Alvo de manifestação, tenente-coronel Maurício Lima diz que "cadeira do dragão" era apenas instrumento de imobilização

O tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, o mesmo acusado pela presidente Dilma Rousseff e por dezenas de presos políticos de torturas, mortes e abusos durante o regime militar, negou ontem que tenha cometido os crimes e fez críticas à presidente e à Comissão Nacional da Verdade.

Ele desqualificou os depoimentos dos presos políticos e chegou a dizer que a cadeira do dragão (na qual o preso era amarrado nu e recebia choques) servia apenas para prender os braços do detento.

- Ela (a cadeira) tem por exemplo o intuito de deixar a pessoa... Uma das defesas da pessoa são os gestos. Estou me defendendo aqui, estou fazendo os gestos. Quando você prende mãos, a pessoa fica sem (defesa).

Lima recebeu O GLOBO em sua casa logo após manifestação promovida pelo Levante Popular da Juventude em frente ao seu apartamento, no Guarujá.
Aos 76 anos e se dizendo "quase gagá", ele foi um dos chefes da Operação Bandeirantes (Oban) entre 1969 e 1971.

Ontem, ficou trancado em seu apartamento de manhã, esperando o fim da manifestação que tem como objetivo "esculachar" acusados de tortura durante o regime militar.

- Achei isso um "besteiroide".

Ele confirma que conheceu Dilma, diz que ela é "durona", mas que "não é flor que se cheire". Segundo ele, "a tortura era uma prática normal nas delegacias de polícia, mas não no setor militar".

Ela conta que esteve com Dilma em três ocasiões e que ela era "durona", mas não pegava em armas. Segundo Lima, a então guerrilheira da VAR-Palmares não denunciou nenhum nome importante da organização.

- Ninguém galga uma certa posição numa organização sem ter coragem. Vocês estão vendo a Dilma aí, o que ela faz. O Lula, com todo o endeusamento, nem pensou em fazer e ela está fazendo. Então, calma que ela não é, como eu digo, flor que se cheire. Ela é durona - disse o militar.

Ainda sobre a presidente, Lima afirma que ela mentiu em seu depoimento à Auditoria Militar nos anos 70, quando rejeitou o nome do então capitão Maurício como testemunha de acusação por tê-lo identificado como torturador.

A declaração da presidente é um dos 39 documentos usados pelo MPF para acusar Lima de crimes contra 20 pessoas, entre eles três assassinatos, e participação na tortura a Dilma, em 1970.

- Ela exerceu um direito. É diferente de chamar de mentirosa. Como agora no julgamento, se for necessário, posso exercer esse direito também - disse ele.

Sobre a polêmica de Dilma, como guerrilheira, ter ou não pegado em armas, o militar insiste:

- Acho que foi uma boa guerrilheira. Agora, dizer que era boazinha, não, não. Mas não pegou em arma. Isso eu garanto. Para mim, seria ótimo dizer que ela era terrorista. Não é. Ela pertencia a uma organização subversiva e acabou.

Lima ainda desdenhou da Comissão da Verdade:

- Que verdade? Tem um livro chamado "Direito à memória e à verdade" feito pela Presidência. Ali só contam mentira.

Tatiana Farah O Globo

maio 14, 2012

Real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo hoje

O dólar comercial rompeu a barreira psicológica de R$ 2,00 nesta segunda-feira, mas recuou no fechamento e encerrou com alta de 1,73% cotado a R$ 1,9900 na venda e R$ 1,9880. É o maior valor desde 10 de julho de 2009, quando o dólar fechou a R$ 2,002. Na máxima do dia, a moeda americana chegou a R$ 2,0030 e na mínima a R$ 1,9760.

O dólar turismo fechou negociado a R$ 2,13 para venda e R$ 1,91 na compra, com alta de 2,89%. De acordo com cálculos da agência Bloomberg, o real foi a moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar nesta segunda-feira, num grupo de 16 moedas acompanhadas pela agência.

O impasse político na Grécia voltou a provocar uma onda de pânico mundial, com quedas nos pregões da Europa e EUA, com os investidores fugindo do risco. As principais Bolsas fecharam em queda e a Bovespa seguiu o ritmo. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 3,20% aos 57.539 pontos e volume negociado de R$ 6,3 bilhões.

Foi a maior queda desde setembro 22 de setembro de 2011, quando a Bovespa caiu 4,83%. No mês, a Bovespa perde 6,92%, e no ano os ganhos se reduziram para 1,38%.

No mês, a moeda norte-americana já acumula valorização de 4,35% e no ano, de 6,50%.No exterior, a moeda americana também se valorizou frente a outras divisas. O euro encerrou o dia valendo US$ 1,28, uma queda de 0,71% frente à moeda americana. Em relação ao real, o euro fechou cotado a R$ 2,55.

Em Brasília, o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que a desvalorização do real não deve ser considerada preocupante e que o governo não está tentando definir uma meta para a moeda.

O dólar alto beneficia a economia porque dá mais competitividade aos produtos brasileiros. Isso significa que a indústria brasileira pode competir melhor com os importados, que ficam mais caros, e exportar mais barato. Portanto, o dólar não preocupa afirmou o ministro.

Ao ser questionado sobre o risco de a moeda americana ficar excessivamente valorizada, Mantega disse:

O governo nunca estabeleceu nenhum parâmetro para o dólar e não vai estabelecer. O dólar é flutuante e portanto vai flutuar de acordo com o mercado.

No mercado, entretanto, a opinião é outra. Para analistas, o governo fez comprar maciças de dólar - só em abril a autoridade monetária enxugou US$ 7 bilhões no mercado - com o objetivo de elevar a cotação para algo entre R$ 1,85 e R$ 1,95. Agora, com o recrudescimento da crise europeia, a divisa ameaça subir além de R$ 2,00.

- Nossa avaliação é que se a moeda subir além dos R$ 2,00 o governo poderá ter problemas com a inflação. Nesse caso, o BC poderá entrar no mercado vendendo divisa americana - diz o operador de uma corretora de São Paulo.

Além disso, há fluxo de dinheiro estrangeiro saindo da Bolsa, o que pressionar ainda mais a cotação.

- Os estrangeiros estão vendendo ações na Bovespa, depois de ganhos no início do ano. Isso também pressiona a moeda americana - diz o economista Fausto Gouveia da Legan Asset.

A Bovespa também teve sua pior queda no ano. Somente as ações PN da Ambev fecharam em alta nesta segunda, com alta de 0,05% a R$ 77,04. Todas as demais fecharam no vermelho. As piores quedas foram apresentadas pelo setor de construção. Brookfield ON teve queda de 13,85% e fechou a R$ 4,23 após registrar redução de 94% no lucro do primeiro trimestre, para R$ 3,9 milhões. Rossi Resid ON caiu 9,09% a R$ 6,50 e PDG Realty ON, um dos papéis com maior peso no Ibovespa, caiu 10,59% a R$ 4,06.

- Balanços ruins, que mostram situação parecida como atraso na entrega das unidades residenciais, dificuldades de encontrar terrenos vêm derrubando estes papéis. Além disso, muitos estrangeiros venderam ações de construtoras, o que também pesou sobre as ações - avalia Fausto Gouveia, da Legan.

Segundo o economista, houve muitas ordens de stop loss nesta tarde , após o Ibovespa chegar ao patamar de 57 mil pontos. A expressão em inglês significa uma ordem para que as perdas cessem quando se atinge determinado patamar.

Entre as ações com maior peso no Ibovespa todas fecharam no negativo. Vale PNA perdeu 1,73% a R$ 37,34; Petrobras PN se desvalorizou 2,22% a R$ 18,91; OGX Petróleo ON, que divulga seu balanço nesta segunda após o fechamento do mercado, caiu 4,19% a R$ 13,02; Itaú Unibanco PN perdeu 2,44% a R$ 28,38.

O Globo

brasil maravilha : Inadimplência de veículos cresce para 5,7% em março


A inadimplência das operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) de veículos, ou seja, das dívidas sem pagamento por mais de 90 dias, chegou a 5,7% em março - uma alta de 0,2 ponto porcentual em comparação com fevereiro e quase o dobro da inadimplência de 3% registrada em março de 2011, segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).

Segundo a entidade, as novas exigências para a concessão de crédito, com exigência de entrada maior para o financiamento de um veículo ou de um parcelamento mais curto, devem reduzir o porcentual de inadimplentes.

O crédito para o financiamento de veículos, com operações de CDC e também em leasing, fechou março em R$ 201,3 bilhões, alta de 0,2% sobre fevereiro e de 6% em comparação com março de 2011.

De acordo com a Anef, ao final do primeiro trimestre de 2012, a taxa de juros estava em 1,98% ao mês, sendo que em março de 2011 era de 2,2% ao mês.

Nos novos contratos, os planos de financiamento são, em média, de 41 meses e, no máximo, de 60 meses. Ainda de acordo com a Anef, o saldo de crédito para aquisição de veículos em março correspondia a 4,8% do PIB nacional (estimado em R$ 4,2 trilhões), frente a 4,9% no mesmo período de 2011.

Representava 9,7% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional e 30,3% do total do crédito destinado às pessoas físicas.

SEM MINHOCA NO ANZOL : Comissão de Ética arquiva procedimento contra Ideli


A Comissão de Ética Pública da Presidência da República arquivou o procedimento preliminar contra a Ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pela compra de lanchas quando ela estava a frente do Ministério da Pesca.

A decisão considera que ela apresentou uma defesa prévia com argumentos e porque ela sequer foi citada pelo Trtibunal de Contas da União (TCU), que está analisando as irregularidades na compra das lanchas.

Em outra decisão tomada pela comissão na reunião desta segunda-feira, os integrantes concordaram em aplicar, ainda que sem nenhum efeito prático, uma censura ética ao ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci, por ele não ter informado, quando assumiu a pasta, que havia prestado consultorias a entidades privadas.

A decisão não tem uma aplicação prática, mas indica que a Comissão conclui que ele errou em não informar seus rendimentos.

O processo contra a ministra Ideli foi aberto acatando representação do PSDB, por causa da compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca. O conselheiro Américo Lacombe foi escolhido para analisar as explicações de Ideli sobre a compra das lanchas.

lém disso, em março deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidade na compra de 28 lanchas pelo Ministério da Pesca.

A empresa Intech Boating, fabricante das lanchas, contribuiu com recursos para a campanha do PT, em Santa Catarina, nas eleições de 2010, quando Ideli concorreu ao governo do estado. Ideli foi ministra da Pesca nos primeiros meses do governo Dilma.

O Globo

"CARINHO DE MÃE" NA REPÚBLICA DA ENGANAÇÃO. CRECHES 6.427/411CONSTRUÍDAS - PROINFÂNCIA 16% DO ORÇAMENTO EXEC. - REDE CEGONHA DE R$196milhões/R$8(miu) PAGOS - UPAs 500/31 CONSTRUÍDAS.

Como primeira mulher a governar o país, Dilma Rousseff tem tentado transmitir à população que dispensa atenção especial ao público feminino.

É bom que a presidente cuide das mamães, mas seria melhor ainda se o zelo se estendesse por todos os dias do ano e não apenas às datas comemorativas.

Ontem, ela ocupou cadeia de rádio e televisão para anunciar medidas destinadas a combater a miséria na faixa etária de 0 a 6 anos, no que pode ser chamado de Bolsa Mamãe. Oficialmente batizado de Brasil Carinhoso, o programa terá três eixos: acesso a creches, ampliação da cobertura de saúde para crianças e reforço da renda familiar.

Está virando rotina:
o Planalto aproveita a modorra de notícias em dias festivos para tentar emplacar manchetes em jornais, como já havia acontecido no 1° de maio. Infelizmente, Dilma continua pródiga em anúncios, mas muito ruim de execução.

Na área social, não tem sido diferente.

Segundo os jornais, o pronunciamento irá desdobrar-se em cerimônia no Planalto hoje para a presidente detalhar as medidas ladeada por um séquito de ministros. Se for fiel aos fatos, ela terá de explicar, por exemplo, como pretende agora garantir vagas em creches para as crianças, antiga promessa de campanha jamais cumprida.

O compromisso era inaugurar 6.427 unidades até 2014, mas até hoje só 411 foram feitas, de acordo com informações do Ministério da Educação divulgadas hoje pela Folha de S.Paulo. Isso significa que, para honrar a palavra, a presidente teria que inaugurar seis creches por dia, todos os dias, até 31 de dezembro de 2014, quando termina seu mandato.

No ano passado, o ProInfância, programa que deveria cuidar da construção de creches no Ministério da Educação, executou apenas 16% do seu orçamento. Não surpreende que menos de 4% das crianças do Bolsa Família na faixa etária de 0 a 3 anos estejam em creches e que a média nacional não ultrapasse 24%.

Nas ações voltadas à saúde de mamães e bebês, a situação não é melhor. Vistosas promessas de campanha também continuam no papel, como é o caso da Rede Cegonha, destinada a atender gestantes no pré-natal e crianças nos seus primeiros dois anos de vida.

O orçamento deste ano destina R$ 196 milhões ao programa, mas até agora vergonhosos R$ 8 mil (não é erro de digitação, é mil mesmo) foram pagos. Vale lembrar que o Rede Cegonha foi copiado das propostas do candidato tucano em 2010 e da exitosa experiência de atendimento a gestantes desenvolvida por Beto Richa na prefeitura de Curitiba - com a diferença de que lá funcionava...

Mas as mamães não querem apenas boa gestação.
Esperam também contar com atendimento de saúde digno. Todos vão se lembrar que, na campanha, Dilma também prometeu tratamento carinhoso às brasileiras por meio da construção de 500 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

Dinheiro no Orçamento tem, e muito - R$ 578 milhões nestes dois anos.
Mas tratamento médico que é bom, nada:
até agora apenas 13% da dotação do ano passado foi executada e, da deste ano, nenhum centavo.

Segundo balanço oficial, no primeiro ano de governo foram construídas apenas 31 UPAs. Isso significa que, a continuar assim, para honrar o compromisso firmado, Dilma precisaria de quatro mandatos. Não vai dar para esperar.

Não se sabe ao certo como o Planalto pretende reforçar a renda das mulheres que serão beneficiadas com o Bolsa Mãe, conforme anunciado pela presidente ontem. Mas, diante da baixa execução orçamentária, esta parece ser a forma mais fácil que a gestão petista tem encontrado para aplicar o dinheiro.

Mas governar é muito mais do que distribuir bolsas.
Garantir saúde digna, gestação tranquila e atenção adequada à primeira infância são deveres básicos do Estado perante as mamães.
Também neste quesito, a primeira mulher a governar o país não fez diferença.

Continua tudo na promessa.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Bolsa Mamãe

Uma pergunta aos internautas do Brasil...

A VEJA desta semana traz uma reportagem que demonstra que milhares — potencialmente, milhões — de internautas brasileiros estão sendo enganados por grupos organizados, cujo trabalho é fraudar aquela que deveria ser — e, na origem, era! — um dado essencial da rede: a verdade do indivíduo.

No que diz respeito à circulação de informação e de opinião, a novidade trazida pela Internet é justamente a oportunidade de o homem comum se fazer ouvir. A organização das chamadas redes sociais deveria facilitar justamente o contato entre esses indivíduos.

Quando, no entanto, agentes de partidos políticos e de grupos organizados criam falsos perfis e robôs para replicar palavras de ordem, estamos diante de uma mentira.

Tais pessoas não são diferentes daquelas que emporcalham praças públicas, que sujam as praias, que jogam lixo no transporte coletivo e nas ruas, que se apropriam das calçadas, que estacionam em local proibido…

Estamos diante de um flagrante desrespeito às regras do jogo.

O PT chegou até a criar um grupo — chamado de MAV (Militantes em Ambientes Virtuais) — para monitorar a rede e criar palavras de ordem. Já escrevi um post a respeito. O objetivo é entrar nas redes sociais para “defender o partido” quando ele estiver sendo “injustamente atacado”.

Ora, quando não estaria? Vocês imaginam algum petista a considerar justa uma crítica à legenda?

Os internautas comuns passam, então, a ser molestados, a ser moralmente assediados, a ser desqualificados por tropas organizadas.

Como estão trabalhando a serviço do partido, como pertencem a um aparelho, como não pensam segundo o próprio juízo, não concebem que você, leitor, possa ser diferente; não concebem que os demais navegantes da rede não sejam mulheres e homens-causa, com uma missão e um propósito definidos.

Resultado: o leitor que não tem partido, que luta para ganhar a vida honestamente, que não entra na área de comentários para “cumprir uma tarefa”, acaba caindo fora, desistindo.

E os “mavistas” do PT, então, tomam conta do debate, fingem ser centenas, milhares… Por isso, já expliquei, eu expulso do meu blog os que chamo “petralhas”. No dia em que o PT quiser responder a algum post como, digamos, pessoa jurídica, que o faça. Molestar leitores reais é que não vai.

No Twitter, como deixa claro a reportagem da VEJA, a realidade não é diferente. Também ali, tuitaços são organizados por gente que participa do jogo político, e robôs se encarregam de multiplicá-los por intermédio de perfis praticamente sem seguidores.

São “pessoas” que não existem.

Nas respectivas áreas de comentários dos sites noticiosos, você pensa estar debatendo com um outro homem ou mulher-célula (como você), com um indivíduo (como você), e, na verdade, está a enfrentar um militante ou um militonto partidário que representa uma legião.

É absolutamente legítimo que as pessoas tenham partido e até mesmo que o defendam na rede. Mas não é legítimo que o tuiteiro esteja a cumprir uma tarefa da máquina partidária — a menos que se identifique como tal. Você pensa estar, no Twitter, aderindo a uma causa surgida na rede e, na verdade, é apenas peça passiva de manipuladores.

(...)

A mentira como método

Mentir não faz parte das regras! Seja o analista “conservador” ou “progressista”, tenha a ideologia que for, a verdade há de ser um fundamento. E estamos, nesse particular, vivendo dias de um impressionante vale-tudo.

Aquele subjornalismo financiado com dinheiro público, que tem garantido o leite de pata desde que cumpra a tarefa de difamar, sob encomenda, os desafetos que pagam as contas — não tem escrúpulos.

Ora, cada um tenha sobre um determinado fato a opinião que quiser. Assim é na democracia. Uma das conquistas da Internet, repito, foi criar as condições para que indivíduos tornem pública sua visão de mundo.

Mas e a mentira? Esta senhora é a grande sabotadora da liberdade de expressão no país.

Fiquemos com um dos casos muito comentados nesses dias passados, os supostos 200 telefonemas entre um jornalista da VEJA e Carlinhos Cachoeira. Não! Há 46 menções a seu nome nas sei lá quantas centenas de conversas e apenas DUAS ligações.

E os que sustentavam o outro número? Qual a fonte? Quem disse? Por que disse? Pretendia com aquilo o quê?

Virão agora a público para confessar o seu “erro”? EIS A QUESTÃO! Nunca se pretendeu nem acertar nem errar. A pretensão era puramente difamar. E, nesse particular sentido, devem estar bastante satisfeitos, julgando que seu trabalho foi bem feito! Afinal, conseguiram espalhar a mentira na rede, e essa era a tarefa.

Eu lhes pergunto: ISSO É JORNALISMO? ISSO É EXPRESSÃO DE DECÊNCIA? Nota à margem: ainda que houvesse 300 ligações, o número, por si, seria irrelevante.

Mesmo em questões que dizem respeito à vida profissional de desafetos, a ausência de limites é absoluta. Na sexta, “informavam” alguns blogs que o jornalista Mario Sabino teria sido contratado pela equipe de pré-campanha do tucano José Serra, que vai disputar a Prefeitura de São Paulo.

Notem bem: não é que isso seja uma mentira que quase aconteceu porque se chegou a cogitar num dado momento etc. e tal… Não!

Nem a sombra da verdade, que serve, muitas vezes, de pretexto aos mentirosos compulsivos, se manifestou. A suposta notícia era só um pretexto para atacar Sabino e Serra — PORQUE ERA ESSA A TAREFA DAQUELE TEXTO.

Isso é jornalismo? Isso é expressão de decência? Haverá a correção e a admissão do erro? Não! A mentira passou a ser matéria-prima desse tipo de trabalho.

Estamos falando de uma outra atividade, que se confunde, sem ser, com jornalismo. Assim como o joio se mistura ao trigo, embora sejam ao observador minimamente atento escandalosamente diferentes.

Era petista

Essa mentira organizada, deliberada, financiada, é, sim, característica típica desses nove anos de poder petista, especialmente depois que estourou o caso do mensalão, e Franklin Martins, que VEJA classificou certa feita de “ministro da Supressão da Verdade”, foi o seu artífice.

Decidiram armar uma “guerra contra a mídia” porque esta, supostamente, era negligente ao noticiar as conquistas do governo, o que é uma deslavada mentira.

Ao contrário: o noticiário colaborou, e muito — nem sempre com muita atenção aos fatos, a meu ver —, para construir a reputação positiva das gestões petistas. E isso continua verdade com Dilma Rousseff. Nota à margem: há setores do petismo que até acham que a imprensa elogia a presidente em excesso.

Lula já sugeriu que os veículos de comunicação agem assim só para tentar indispô-la com ele… Sabem como é este senhor, com o seu umbigo sempre maior do que o cérebro.

Ora, fico no ambiente da própria VEJA. A revista apontou diversas vezes a prudência, a responsabilidade e a competência de Antônio Palocci quando à frente da economia. E estendeu esse reconhecimento ao próprio Lula por ter — essas palavras agora são minhas — jogado no lixo o programa econômico do PT e governado o país segundo o princípio da realidade.

Mas nem por isso — e foi aí que o petismo ficou enfurecido — deixou de apontar as safadezas do mensalão.

E noticiou o que tinha de ser noticiado sobre Palocci — fatos que impediram a sua permanência no ministério (nas duas vezes) — sem jamais deixar de reconhecer o que havia de virtuoso na sua atuação.

Agora concluindo mesmo!

Os tempos são um tanto bárbaros, cumpre-nos ser claros, mas sem perder a serenidade. Essa súcia que anda por aí, acreditem, começa a viver o seu ocaso. Tem malogrado sistematicamente no esforço de destruir a imprensa livre. À medida que vai acumulando insucessos, vai se tornando mais rombuda, mais agressiva, mais grotesca.

Basta ver o festival de baixarias que permitem em suas respectivas áreas de comentários. Os que abrigam os palavrões, as maldições, as acusações mais ensandecidas, as agressões pessoais mais torpes, esses dizem fazê-lo em nome da “pluralidade”, que jamais deve se confundir com a prostituta da liberdade de expressão ou como a dama de companhia da ambiguidade.

No que me diz respeito, considero até positivo que enveredem por esse caminho. Este blog, felizmente, tem, a cada dia, mais leitores fazendo o contrário. Jamais sou ambíguo sobre qualquer assunto. Opino, sim, sobre muita coisa — o que deixa alguns irritados… Mas sempre de posse dos fatos.

Considero positivo que aqueles caras se dediquem à abjeção e ao estímulo ao linchamento porque revelam quem são, expõem a sua real natureza e, progressivamente, deixam claro a quem servem e por quê. É possível que haja quem goste daquilo. Mas até eles próprios sabem que joio não é trigo. Secretam aquele ódio irracional contra nós não porque não admirem secretamente quem somos, mas porque sabem que não podem ser um de nós.

Transformam-nos em sua pauta permanente num esforço patético de exorcizar os próprios recalques, sempre gritando: “Olhem pra nós!”.

São funcionários do seu ressentimento. E, claro!, precisam ganhar a vida. Que tenha de ser assim é um destino que não desejo, por óbvio, ao pior inimigo…

Original/Íntegra :

Uma pergunta aos inernautas do Brasil...
Texto publicado originalmente às 5h10
Por Reinaldo Azevedo

maio 13, 2012

E PARA O DIA DAS MÃES... Ô, filha, veja o Coaf.

Dona Dilma Jane, sempre me disseram que a sua filha faz tudo o que a senhora pede. Ou quase tudo.

Por isso, neste Dia das Mães, eu pediria, por favor, que a senhora intercedesse perante a sua filha em prol de um órgão para lá de importante da administração pública, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Não é de hoje que o Coaf identifica a turma do "malfeito", maneira que a sua filha se refere a casos de corrupção.
Já pegou muita gente por aí.

Mas o Coaf está no limite.
A senhora é capaz de chorar se ler a resposta do presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI que investiga os negócios do bicheiro Carlos Cachoeira.


O senador pediu ao presidente do Coaf que lhe indicasse dois servidores para ajudar a desvendar o rastro do dinheiro que andou para lá e para cá nas águas desse Cachoeira. Antonio Gustavo Rodrigues aproveitou para desabafar.

Disse que se sentia honrado em colaborar com o trabalho, mas, depois de um floreio danado, avisou que ceder gente para ficar na CPI tempo integral não vai dar.


Por falar em pessoal...

Rodrigues conta, no ofício enviado ao senador, que o quadro de pessoal do Coaf é de 42 servidores, "dos quais apenas 10 desempenham atividades de análises de informações financeiras. E detalhe:
a situação é a mesma desde 2005.

Ele lembra que a ampliação do quadro foi inclusive "objeto de recomendações da CPMI dos Correios", aquela que investigou o mensalão.


Depois desse preâmbulo, ele diz que designar dois servidores à CPI "prejudicaria substancialmente a capacidade operacional do órgão, já fortemente desafiada com o crescente número de comunicações recebidas dos setores obrigados pela legislação".

Desde 1998, bancos e outras instituições informaram mais de 6 milhões de ocorrências ao Coaf.

Só em 2011, confome Antonio Gustavo Rodrigues informou ao senador, foram 1,2 milhão, ou seja, uma média de 5 mil comunicações por mês.
Ou seja, dona Dilma Jane, trabalho é que não falta para esses 10 bravos cidadãos que trabalham na análise de informações financeiras.


Por falar em trabalho...

Alguns relatórios do Coaf, dona Dilma Jane, ficaram famosos ao longo da sua história. Em maio de 2011, o jornal O Estado de S. Paulo publicou que, seis meses antes de estourar o caso Antonio Palocci, o Coaf havia alertado a Polícia Federal sobre o apartamento de R$ 6 milhões que o ex-ministro da Fazenda havia comprado em São Paulo.

Na época em que a informação chegou à PF, a sua filha, dona Dilma, era presidente da República eleita e estava montando o governo.

Aposto uma tarde num Spa, com direito a massagens de pedras quentes e relaxantes, como a senhora teria dito para a presidente Dilma não nomear Palocci ministro da Casa Civil se soubesse dessas coisas.


Este ano, por exemplo, soube-se que o Coaf também andou recebendo informações de movimentações suspeitas de funcionários do Poder Judiciário de vários estados. Tanto é que, por conta disso, no início do ano, a confusão foi grande.

Mas isso, infelizmente, a senhora não tem como interceder porque se trata de outro poder, onde a fiscal é a doutora Eliana Calmon.


Por falar em interceder...

Dona Dilma Jane, o Coaf não precisa de luxo, vinhos Cheval Blanc ou coisa que o valha. Só quer ampliar o seu quadro de homens e mulheres capacitados para fisgar aqueles que fazem lavagem de dinheiro obtido ilegalmente.

É de se estranhar que um órgão tão importante esteja com a mesma estrutura desde 2004, como diz Antonio Gustavo Rodrigues.

Enquanto isso, a gente vê por aí a criação de ministérios só para que tendências do PT ou integrantes de partidos aliados possam desfilar de carro oficial.


Ah, dona Dilma Jane, se levarmos ao pé da letra, há tantas estruturas que podem ser reduzidas a um departamento do tamanho do Coaf ou menor até. Essa cartinha também poderia ficar por aqui.

Mas, ficaria incompleta se não lhe desejasse um feliz Dia das Mães.
À senhora, à sua filha e a todas as brasileiras.

Em especial, às bravas mães dos servidores do Coaf.
Feliz Dia das Mães a todas!

Denise Rothenburg Correio Braziliense
Ô, filha, veja o Coaf

maio 12, 2012

COPA 2014 : ENTRA SÓ NÃO REPARA A BANGUNÇA. Pacote da Copa levado à Fifa é 'peça de ficção'

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O retrato das obras da Copa do Mundo que a comitiva brasileira apresentou à Fifa, para “acalmar” seus dirigentes, está longe da realidade, mostra cruzamento de dados acompanhados pelo governo, pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público.

A maior parte das obras para transporte de torcedores metrôs, Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) e corredores de ônibus nem sequer tem projetos, e as licitações estão atrasadas. Essa é a fatia mais cara das obras financiadas com dinheiro público:
o custo supera R$ 11 bilhões, quase o mesmo valor previsto para estádios e os aeroportos das 12 cidades-sede, juntos.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, levou à Suíça uma nova versão da chamada “matriz de responsabilidade”, o pacote de obras da Copa, que reúne os compromissos assumidos pelos organizadores com a infraestrutura do evento. O documento já exclui alguma das obras previstas em janeiro de 2010, data da primeira matriz, como o corredor de ônibus (BRT) de Salvador.
Anota ainda, aumento acima de 25% do custo de algumas obras. Outras tiveram o prazo de conclusão ajustado até maio de 2014. Mas há prazos irreais, revela olhar mais atento no documento.

Um exemplo é o VLT de Brasília.
Quase dois anos depois do início previsto para a obra, ela se resume hoje a um monte de tapumes a atrapalhar o trânsito num dos acessos ao Plano Piloto. Na quinta-feira, o Ministério Público federal e do Distrito Federal recomendaram a exclusão da obra do pacote da Copa, que dá direito a licitações mais flexíveis, por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC).

A eventual dispensa de licitação a pretexto do prazo curto será considerada ilegal, alertam os procuradores.

“A situação emergencial decorre apenas de fato imprevisível. Como a Copa tem data certa, é inaceitável esse tipo de desculpa”, disse o procurador Paulo Roberto Galvão, um dos integrantes do grupo de trabalho do Ministério Público para a Copa.

As obras de mobilidade urbana da Copa também contam com empréstimos que podem ser pagos em até 30 anos, depois de um prazo de carência (sem pagamentos) de quatro anos, além de juros de até 6% ao ano. O dinheiro vem do FGTS.

Brasília não é um caso isolado.

“Obras que não vão ficar prontas a tempo da Copa não podem contar com os benefícios do Regime Diferenciado de Contratação e dos limites de endividamento dos Estados, há um limite temporal e o seu descumprimento é gravíssimo”, diz o procurador Athayde Costa, coordenador do grupo. Ele disse que o documento levado pela comitiva brasileira à Suíça “parece peça de ficção”.

Sem projeto.

Das 12 cidades-sede, a situação mais complicada é a de Porto Alegre. A cidade tem o maior número de obras de mobilidade urbana previstas para o Mundial: dez, num total de 48 projetos.Nenhuma delas conta com o projeto básico. As licitações não foram iniciadas, como em outros oito casos, mostra acompanhamento do TCU.

“A apenas dois anos e dois meses do evento, apenas 4,1% do montante total financiado foram desembolsados e 72% dos empreendimentos com financiamento contratado ainda não tiveram o contrato de execução das obras assinado, sendo que, desses, 75% tiveram seus contratos de financiamento assinados há mais de 18 meses”, contabiliza ainda o TCU.

O tribunal cobra do governo responsabilidade no estabelecimento de prazos para projetos tocados por Estados e municípios. “Deve-se assumir o peso político dessa tomada de decisões”, diz o ministro Valmir Campelo no voto aprovado na semana passada.

“Essa decisão tem de ser colegiada”, alega Luiza Gomide, diretora de mobilidade urbana do Ministério das Cidades. “Fatalmente, em algum momento, terá de ser tomada”. O ministério aguarda uma nova rodada de visitas a campo para apresentar um retrato mais fiel do ritmo das obras.

Em junho passado, a presidente Dilma Rousseff decidiu suspender o financiamento para as obras que não tivessem sido iniciadas até dezembro de 2011. Em setembro, o governo anunciou que aceitava afrouxar os prazos de licitação das obras, contanto que elas ficassem prontas até 2014.

O resultado é que os Estados e municípios se comprometem a cumprir prazos irreais.
E o governo federal, por ora, aceita.

Na nova matriz de responsabilidades, o monotrilho de São Paulo tem prazo de conclusão previsto para maio de 2014– um ano e dois meses depois da previsão inicial. O custo do empreendimento já aumentou em mais de 25%, registra o documento. O contrato com o consórcio de empresas foi assinado em setembro passado.

Mas o projeto básico da Linha Ouro ainda não teria sido concluído, segundo informações repassadas pelo governo.

Estadão