"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 18, 2012

O medo da CPI da 'Tia do PAC'

Materializou-se um pesadelo do comissariado petista. Foi ao ar o grampo em que o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, diz:
"Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para c.... Pode ter certeza disso, te garanto".


A versão impressa dessa conversa surgiu em maio passado, numa reportagem da revista "Veja". Ela descrevia uma briga de empresários, na qual dois deles, sócios da Sygma Engenharia, desentenderam-se com Cavendish e acusavam-no de ter contratado os serviços da JD Consultoria, do ex-ministro José Dirceu, para aproximar-se do poder petista.

A conta foi de R$ 20 mil.
À época, o senador Demóstenes Torres, hoje documentadamente vinculado a Carlinhos Cachoeira, informou que proporia uma acão conjunta da oposição para ouvir os três empreiteiros.

Deu em nada, como em nada deram inúmeras iniciativas semelhantes. Se houve o dedo de Cachoeira na denúncia dos empresários, não se sabe.


Diante do áudio, a Delta diz que tudo não passou de uma "bravata" de Cavendish. O doutor, contudo, mostrou que sabe se relacionar com o poder. Tem 22 mil funcionários e negócios com obras e serviços públicos em 23 Estados e na Capital.

No Rio de Janeiro, participa do consórcio da reforma do Maracanã. Seu diretor regional de Goiás era interlocutor frequente de Carlinhos Cachoeira. Na última eleição, Cavendish botou R$ 1,1 milhão no cofre do Comitê Nacional do PT e R$ 1,1 milhão no do PMDB.

Em ambos os casos as doações foram legais.
Em apenas quinze meses, durante o segundo mandato de Sérgio Cabral, de quem Cavendish é amigo, a Delta conseguiu contratos no valor de R$ 1,49 bilhão, R$ 148 milhões sem licitações. Suas contas com o PAC chegam a R$ 3,6 bilhões.


Talvez o comissariado petista pensasse que o grampo de 2009 seria sepultado. Seu erro foi, e continua sendo, acreditar que pode empurrar esse tipo de conta para mais tarde.

Se o comissário Ruy Falcão acreditou que a CPI em torno das atividades de Carlinhos Cachoeira exporia a "farsa do mensalão" (rótulo criado por Lula), enganou-se. O PT tem um encontro marcado com as malfeitorias de seu comissariado.

Desde 2004, quando apareceu o primeiro grampo de Cachoeira, no qual ele corrompia um servidor que se tornaria subchefe da Casa Civil, a questão é simples: corta na carne ou continua a contaminar o organismo.


O que o comissariado vem fazendo é mostrar-se poderoso o suficiente para dobrar as apostas. Tamanha é sua onipotência que há nele quem creia ser possível contaminar ministros do Supremo Tribunal Federal.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e ex-ministro de Lula, condena a possibilidade de o ministro José Dias Toffoli vir a se declarar impedido de julgar o mensalão, mesmo tendo sido assessor do PT, da Casa Civil de José Dirceu e advogado-geral da União de Lula.

Nas suas palavras:
"Ele não tem esse direito." (O ministro Ricardo Lewandowsky, em cuja mesa está o processo do mensalão, pertence a uma próspera família de São Bernardo, em cuja Faculdade de Direito diplomou-se.)


Passaram-se sete anos do surgimento da palavra "mensalão" e o PT continua adiando a hora da faxina. Na semana passada os comissários flertaram com a ideia da criação de uma CPI que supunham letal para a oposição.

Em poucos dias, descobriram que estavam enganados.

Elio Gaspari O Globo

abril 17, 2012

De saída da presidência do STF, Peluso critica colegas e Dilma

De saída da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Cezar Peluso disse que o futuro da Corte é preocupante e que o trabalho da ministra Eliana Calmon na Corregedoria Nacional de Justiça não gerou qualquer resultado.

Em entrevista publicada no site Consultor Jurídico, Peluso criticou a presidente Dilma Rousseff, por ter tirado do orçamento deste ano o aumento do Judiciário, e o senador Francisco Dornelles, que ele afirma estar a serviço dos bancos.

Peluso deixa a presidência do tribunal nesta quarta-feira, 18.
De acordo com outros ministros, Peluso pode antecipar em algumas semanas sua aposentadoria e não voltar do recesso de julho.
Na entrevista, Peluso afirma que o futuro do Supremo é preocupante.


"Há uma tendência dentro da corte em se alinhar com opinião pública. Dependendo dos novos componentes", disse.

Marcado pelo conflito travado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a ministra Eliana Calmon, Peluso agora afirma que o trabalho da corregedora não produziu efeitos e diz haver suspeitas sobre a intenção dela de se candidatar.

"Até agora ela não apresentou resultado concreto algum, fez várias denuncias. Ela está se perdendo no contato com a mídia e deixando de lado o foco, a procura de resultados concretos", disse ele.

"No mês de setembro ela sai, retorna para o tribunal dela, que é o STJ. Termina o mandato (de corregedora) e volta. (...) Que legado deixou?", questiona.

Na Corregedoria do Tribunal de Justiça de SP, Peluso afirmou que resolvia os problemas que envolviam juízes suspeitos de irregularidades sem alarde.

"Chamávamos os envolvidos e abríamos o jogo: ''Temos tantas provas contra vocês e se não forem para a rua agora iremos abrir processo''. Nunca fizemos escarcéu com esses casos", contou.


Peluso questionou, na entrevista, os resultados da mudança patrocinada no sistema previdenciário do funcionalismo público e disse que o serviço público não atrairá servidores decentes.

"O governo está interessado em um problema imediato político que é diminuir o déficit da Previdência Social, não está interessado com a eficiência da máquina ao longo do tempo", argumentou.

"Ninguém que tenha capacidade e decência irá procurar emprego no setor público, pois ninguém irá se matar para conseguir um cargo público e aposentar-se com R$ 1,5 mil ou correr o risco de fundos que ficarão nas mãos de grandes bancos", criticou.

Na sua gestão, Peluso não conseguiu viabilizar o reajuste dos salários do Judiciário. E afirma que a presidente Dilma Rousseff descumpriu a Constituição ao tirar do orçamento encaminhado pelo STF a previsão de aumento dos salários.

"A Presidência descumpriu a Constituição, como também descumpriu decisões do Supremo. Mandei ofícios à presidente Dilma Rousseff citando precedentes, dizendo que o Executivo não poderia mexer na proposta orçamentária do Judiciário, que é um poder independente, quem poderia divergir era o Congresso. Ela simplesmente ignorou", disse.

Peluso responsabilizou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) pela não aprovação da proposta de emenda à Constituição que mudava a sistemática dos processos e acelerava a tramitação dos processos. A ideia foi combatida por advogados e criticada por alguns ministros do STF.

"A PEC só não foi votada porque o Dornelles complicou. Quem o senador Francisco Dornelles representa?
Ele é do PP ou do BB - dos bancos e bancas.
Estes são os grandes interessados na discussão do sistema", afirmou.

"O Dornelles é senador pelo Rio de Janeiro, mas de fato representa os interesses dos bancos e representantes das grandes bancas de advocacias de Brasília. Ele travou a votação da PEC", afirmou.

Na série de entrevistas, Peluso critica também o resultado do julgamento que declarou a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa.

"Disse isso no meu voto e repito: nem durante a ditadura militar houve tal medida. Não conheço nenhum lugar no mundo, nem na Rússia comunista se fez isso:
criar uma lei para qualificar um ato já praticado", criticou Peluso.

Estadão

MAIS SOBRE O brasil EMPACADO E SEM "MARQUETINGUE"


O primeiro trimestre do ano foi perdido pela economia brasileira.
A atividade está em declínio, a criação de empregos diminuiu e as famílias encontram-se cada vez mais endividadas.
O país está paradão.


Ontem, o Banco Central divulgou que a atividade econômica caiu 0,23% em fevereiro em comparação com o mês anterior. Foi a segunda vez no ano que isso aconteceu, o que indica falta de vigor capaz de promover recuperação mais consistente, como prometido pelo governo.

Com o resultado de fevereiro, o crescimento do PIB acumulado pelo país nos últimos 12 meses baixou para 2,05%. Este é, pois, neste momento, o ritmo de expansão da economia nacional, sob Dilma Rousseff. Repetindo:
2,05% ao ano.
Não se trata, portanto, de nenhum espetáculo de crescimento...

Analistas econômicos atestam que, neste ano, o crescimento do PIB brasileiro mal ultrapassará os 3%, praticamente repetindo o medíocre desempenho de 2011. Continua no campo das ilusões a previsão oficial de que a expansão possa chegar a 4,5%. Mero desejo.

A atividade econômica só deve mostrar alguma reação no segundo semestre. Mas, por ora, o lado real da economia exibe redução na geração de emprego, indústrias estagnadas e demitindo, dívidas em alta, inadimplência e crédito contido.

O mercado de trabalho sofre os reflexos da freada. Segundo dados do Caged divulgados ontem, a geração de empregos formais no país no trimestre foi a menor para o período nos últimos três anos:
442,6 mil novos postos. Sobre fevereiro, a queda foi de 36%.


Mais uma vez, a indústria foi o patinho feio da história: no trimestre, a criação de empregos no setor caiu quase 60%. Considerando-se apenas o mês de março, o saldo foi negativo, isto é, houve mais demissões do que contratações - algo que, nos últimos nove anos, só havia acontecido em 2009.

A indústria de transformação perdeu 5.048 postos de trabalho em março. Caíram bastante os empregos no segmento de produtos alimentícios, que teve corte de mais de 25 mil postos no mês, a maior parte no Nordeste. No geral, em 11 estados as demissões superaram as admissões.

Além dos culpados de sempre, o esfriamento da economia também encontra razões em fatores menos notórios. Um deles é a inadimplência, que tem subido continuamente desde o ano passado:
as famílias passaram a comprometer parcela cada vez maior de sua renda com pagamento de juros e amortização de dívidas. A corda apertou no pescoço.


Em consequência, também as instituições financeiras tornaram-se mais cautelosas na concessão de crédito, como é natural - afinal, ninguém quer correr risco de perder dinheiro só por causa de broncas mal-humoradas da presidente da República. Com isso, o consumo refreou.

Outro fator diz respeito diretamente à letargia do governo federal. Os investimentos da União continuam travados, como mostrou o Valor Econômico ontem. Os dados oficiais sugerem que eles cresceram 24% no trimestre, mas trata-se de artifícios contábeis.

O governo passou a computar os subsídios concedidos nos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida - antes contabilizados como custeio - como investimentos, inflando-os. Sem a mandracaria, teria havido queda de 18% em relação aos três primeiros meses de 2011.

No transcorrer do ano, vai ficando mais evidente que as previsões otimistas feitas pela presidente e sua equipe econômica no início de 2012 estavam completamente descoladas da realidade.

As ações recentes tomadas pela gestão petista também não parecem ter o condão de alterar profundamente as perspectivas imediatas.
Paradão, o governo assiste a economia adernar.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Brasil paradão

"PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO" COM A GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA DE NADA E COISA NENHUMA : Brasil empaca e frustra Dilma


Prévia do Banco Central para o PIB aponta retração de 0,23% em fevereiro, a segunda do ano. Economistas preveem avanço neste ano inferior aos 4% desejados pela presidente

Se a presidente Dilma Rousseff tinha alguma dúvida de que o crescimento da economia no seu segundo ano de governo tem tudo para ser pífio, ela foi dirimida totalmente ontem.

Pelos cálculos do Banco Central, o nível da atividade recuou pelo segundo mês consecutivo, mostrando que nem a produção nem o consumo estão reagindo aos estímulos dados pelo Palácio do Planalto nos últimos meses.

O IBC-br, prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,23% em fevereiro. Em 12 meses, apresenta avanço de apenas 2%, metade do que o Brasil pode crescer sem gerar inflação, o chamado PIB potencial.

Apesar de já estar preparada para um resultado fraco no primeiro trimestre, a presidente Dilma não escondeu a decepção.

Ela acreditava que, com o corte da taxa básica de juros (Selic) desde agosto do ano passado e as desonerações de impostos dadas à indústria, especialmente às fabricantes de eletrodomésticos da linha branca, a economia começasse a esboçar alguma reação.

Não é o que ocorre.

Tanto que os especialistas já falam em um avanço de apenas 0,5% entre janeiro e março, taxa que, quando anualizada, mostra um salto de minguados 2,4%, menos que os já criticados 2,7% de 2011.

CRISTIANE BONFANTI Correio Braziliense

O EFEITO CASCATA DO BANDITISMO


Já se passaram praticamente 10 anos desde a estreia de Carlinhos Cachoeira, em 2004, na crônica dos escândalos de grosso calibre em Brasília.

O flagrante de propina a Waldomiro Diniz, à época assessor do todo-poderoso José Dirceu na Casa Civil, foi o primeiro episódio a derrubar a máscara ética exibida pelo PT.


Em março de 2012, Waldomiro foi condenado a 12 anos de prisão pelo crime de corrupção. Carlinhos Cachoeira tratou de ampliar sua influência nos meios políticos, alternando ações criminosas com atividades empresariais a fim de obter vultosos contratos na administração pública.

Está preso desde 29 de fevereiro, após a Operação Monte Carlo identificar um megaesquema que envolve bingos e lavagem de dinheiro, desferir um golpe mortal na carreira de um senador e provocar calafrios em políticos de diversos partidos e autoridades de toda ordem.


A influência de Carlinhos Cachoeira causa assombro precisamente pelo fato de se desconhecer até o momento a extensão dos tentáculos do esquema.

O entusiasmo inicial do governo federal rapidamente transformou-se em receio, exatamente pela constatação de que nenhum político brasileiro, neste momento, está em condições de escapar ileso de suspeitas e de ataques.

O esquema comandado pelo bicheiro de Goiás, agora jogado à luz, provoca um temor em cascata a integrantes do PT, do DEM, do PSDB e das demais legendas partidárias.


A sombra de Cachoeira causa angústia porque se mostra capaz de aniquilar a biografia de personalidades que acumulam capital político na arena de Brasília. Mas nada está definido.

Há pouco mais de um mês, Demóstenes Torres gozava de tamanho prestígio que, após a revelação das primeiras denúncias por este Correio, o Senado promoveu ruidosa sessão de desagravo ao parlamentar, com nada menos que 44 apartes favoráveis.

Este é o mesmo Senado que se prepara para dois movimentos:
integrar a comissão mista que investigará as atividades da quadrilha de Cachoeira e conduzir o eventual processo de cassação do senador expulso do Democratas.

Nada indica que haverá resultados efetivos nesses dois institutos.

É improvável que o Congresso, em ano eleitoral, se aprofunde em remexer as entranhas da política nacional.

E resta a pergunta:
quando estaremos livres do banditismo que sustenta a vida pública brasileira?

Carlos Alexandre Correio Braziliense

NO brasil DOS MALFEITOS O MAIOR "BEM FEITO" DO CACHACEIRO PARLAPATÃO O filho...DO brasil : A falência múltipla dos órgãos públicos


Esse mar de lama pode nos purificar
Os corruptos ajudam-nos a descobrir o país.
Há sete anos, Roberto Jefferson nos abriu a cortina do mensalão.

Agora, com a dupla personalidade de Demóstenes Torres, descortinamos rios e florestas e a imensa paisagem de Cachoeira.

Jefferson teve uma importância ideológica.
Cachoeira é uma inovação sociológica.


Cachoeira é uma aula magna de ciência politica sobre o Sistema do país. Vamos aprender muito com essa crise. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras, de palavras que eclodiram diante de nossos olhos nas últimas semanas.

Meu Deus, que riqueza, que profusão de cores e ritmos em nossa consciência política! Que fartura de novidades da sordidez social, tão fecunda quanto a beleza de nossas matas, cachoeiras, várzeas e flores.


Roberto Jefferson denunciou os bolchevistas no poder, os corruptos que roubavam por "bons motivos", pelo "bem do povo", na base dos "fins que justificam os meios". E, assim, defenestrou a gangue de netinhos de Lenin que cercavam o Lula, que, com sua imensa sorte, se livrou dos manda-chuvas que o dominavam.

Cachoeira é uma alegoria viva do patrimonialismo, a desgraça secular que devasta a História de nosso país.
Sarney também seria "didático", mas nada gruda nele, em seu terno de teflon; no entanto, quem estudasse sua vida entenderia o retrato perfeito do atraso brasileiro dos últimos 50 anos.


Cachoeira é a verdade brasileira explícita, é o retrato do adultério permanente entre a coisa pública e privada, aperfeiçoado nos últimos dez anos, graças à maior invenção de Lula:
a "ingovernabilidade".


Cachoeira é um acidente que rompeu a lisa aparência da "normalidade" oficial do país.

Sempre soubemos que os negócios entre governo e iniciativa privada vêm envenenados pelas eternas malandragens:
invenção de despesas inúteis (como as lanchas do Ministério da Pesca), superfaturamento de compras, divisão de propinas, enfrentamento descarado de flagrantes, porque perder a dignidade vale a pena, se a grana for boa, cabeça erguida negando tudo, uns meses de humilhações ignoradas pelo cinismo e pela confiança de que a Justiça cega, surda e muda vai salvá-los.

De resto, com a grana na "cumbuca", as feridas cicatrizam logo.


O governo do PT desmoralizou o escândalo, e Cachoeira é o monumento que Lula esculpiu. Lula inventou a ingovernabilidade em seu proveito pessoal. Não foi nem por estratégia política por um fim "maior" - foi só para ele.

Achávamos a corrupção uma exceção, um pecado, mas hoje vemos que o PT transformou a corrupção em uma forma de governo, em um instrumento de trabalho. A corrupção pública e privada é muito mais grave e lesiva que o tráfico de drogas.

Lula teve a esperteza de usar nossa anomalia secular em projeto de governo. Essa foi a realização mais profunda do governo Lula:
o escancaramento didático do patrimonialismo burguês e o desenho de um novo e "peronista" patrimonialismo de Estado.


Quando o paladino da moralidade Demóstenes ficou nu, foi uma mão na roda para dezenas de ladrões que moram no Congresso:
"Se ele também rouba, vamos usá-lo como um Omo, um sabão em pó para nos lavar, vamos nos esconder atrás dele, vamos expor nosso escândalo por seu comportamento e assim, seremos esquecidos!"


Os maiores assaltantes se horrorizaram, com boquinha de nojo e olhos em alvo: "Meu Deus... como ele pôde fazer isso?"

Usam-no como um oportuno bode expiatório, mas ele é mais um "boi de piranha" tardio, que vai na frente para a boiada se lavar atrás.

Demóstenes foi uma isca.
O PT inventou a isca e foi o primeiro a mordê-la.
"Ótimo!" - berrou o famoso estalinista Rui Falcão.

- "Agora vamos revelar a farsa do mensalão!" -, no mesmo tom em que o assassino iraniano disse que não houve Holocausto. "Não houve o mensalão; foi a mídia que inventou, porque está comprada pela oposição!"
Os neototalitários não desistem da repressão à imprensa democrática...


E foi o Lula que estimulou a CPI, mesmo prejudicando o governo de Dilma, que ele usa como faxineira também das performances midiáticas que cometeu em seu governo. Dilma está aborrecida.

Ela não concorda que as investigações possam servir para que o Partido se vingue dos meios de comunicação e não quer paralisar o Congresso.
Mas Lula não liga. "Ela que se vire..." - ele pensa em seu egoísmo, secretamente até querendo que ela se dane, para ele voltar em 14. Agora, todo mundo está com medo, além da presidente.

O PT está receoso - talvez vagamente arrependido.

Pode voltar tudo:
aloprados, caixas 2 falsas, a volta de Jefferson, Celso Daniel, tantas coisinhas miúdas... A CPI é um poço sem fundo.

O PMDB, liderado pelo comandante do atraso Sarney, também está com medo. A velha raposa foi contra, pois sabe que merda não tem bússola e pode espirrar neles.

Vejam o pânico de presidir o Conselho de Ética, conselho que tem membros com graves problema na Justiça. Se bem que é maravilhoso o povo saber que Renan, Juca, Humberto Alves, Gim Argello, Collor serão os "catões", os puros defensores da decência... Não é sublime tudo isso?

Nunca antes em nossa História alianças tão espúrias tiveram o condão de nos ensinar tanto sobre o Brasil. A cada dia, nos tornamos mais sábios, mais cultos sobre esta grande chácara de oligarquias.

E eu estou otimista. Acho que tudo que ocorre vai nos ensinar muito. Há qualquer coisa de novo nesta imundície. O mundo atual demanda um pouco mais de decência política. Cachoeira, Jefferson, Durval Barbosa nos ensinam muito.

Estamos progredindo, pois aparece mais a secular engrenagem latrinária que funciona abaixo dos esgotos da pátria. A verdade está nos intestinos da política.


Mas o país é tão frágil, tão dependente de acasos, que vivemos com o suspense do julgamento do mensalão pelo STF.

Se o ministro Ricardo Lewandowski não terminar sua lenta leitura do processo, nada acontecerá, e a Justiça estará desmoralizada para sempre.

Arnaldo Jabor
A falência múltipla dos órgãos públicos

abril 16, 2012

E NA REPÚBLICA DOS TORPES... Delta confirma fala de Cavendish sobre o preço de políticos

A suspeita de que a empresa Delta Construções paga propinas para conseguir obras foi reforçada domingo à noite, com a divulgação de áudio em que o dono da construtora, o empresário Fernando Cavendish, fala dos milhões necessários para molhar a mão de políticos.

O áudio foi divulgado no site "Quid Novi" pelo jornalista Mino Pedrosa, que já fez trabalho de consultoria para o laboratório farmacêutico Vitapan, de propriedade do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em nota, a empresa confirma que as falas são de Fernando Cavendish, mas ressalta que elas são parte de uma conversa gravada clandestinamente em dezembro de 2008.

Segundo a Delta, o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata.


- Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para caralho. Pode ter certeza disso.Te garanto - diz Cavendish.

Em outro trecho, é possível ouvir:

- Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado: "ô, senador fulano de tal, se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão".

Cavendish deixa claro que não é qualquer um que vai receber propina dele.

- Eu não me interesso pela raia miúda. Nenhum interesse por raia miúda. Para que raia miúda?

Segundo a Polícia Federal, que prendeu Cachoeira em fevereiro durante a operação Monte Carlo, a Delta transferiu dezenas de milhares de reais para empresas de fachada controladas pelo bicheiro. De acordo com o jornalista que divulgou o áudio, as declarações de Cavendish foram dadas durante reunião da diretoria da empresa.

Leia a íntegra da nota da Delta:

N O T A À I M P R E N S A

O blog do jornalista Mino Pedrosa divulgou no domingo 15 de maio a edição parcial de um áudio gravado clandestinamente em dezembro de 2008 durante reunião na qual se discutia a cisão societária entre as empresas Delta Construção e Sygma Engenharia.

A Delta Construção tem a dizer sobre isso:

1. O trecho é parte editada de uma longa discussão em que os controladores das duas empresas, Delta e Sygma, discutiam em dezembro de 2008 os termos de uma dissociação. Um dos antigos proprietários da Sygma que estão sendo processados pelos controladores da Delta Construção, gravou a longa discussão e pinçou aquele trecho a fim de promover chantagens negociais contra a empresa.

2. O áudio não representa o que a Delta Construção e seus controladores pensam. Antes de tudo, o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata.

3. Tanto a Delta Construção como todos os seus acionistas controladores, diretores e executivos têm profundo respeito pelo Congresso Nacional, pelos congressistas, pelas instituições republicanas e pelo Poder Público.

4. Fernando Cavendish Soares reafirma, por sua vez, que o que está dito naquele áudio gravado clandestinamente em dezembro de 2008 não expressa a sua opinião e foi pronunciado em tom de bravata em meio a uma discussão entre ex-sócios que desde então se enfrentam na Justiça.

Ana Faraco
Conselho de Administração
Delta Construção

AGU vê irregularidades em 60 contratos da empreiteira com o Dnit

Análise da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que, entre 2007 e 2010, foram constatadas irregularidades em pelo menos 60 contratos celebrados entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Delta Construções.

A extensão do dano pode ser maior, uma vez que, como destacado pela assessoria de imprensa, "o quadro não traz todos os trabalhos realizados pela CGU, mas sim uma amostra das apurações realizadas, entre 2007 e 2010, em obras de diversos estados".


Essas obras foram tocadas em Alagoas,
Bahia,
Ceará,
Espírito Santo,
Goiás,
Maranhão,
Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul,
Pará,
Paraíba,
Pernambuco,
Piauí,
Rio de Janeiro,
Rondônia,
Sergipe,
São Paulo e Tocantins.
Ao todo, esses contratos somam R$ 632,3 milhões, mas não há um valor exato de quanto desse dinheiro pode ter sido desviado.


O PSDB já anunciou que vai tentar ouvir Cavendish na CPI do Cachoeira, assim que ela for instalada. Também vai pedir a quebra dos sigilos fiscal e telefônico do empresário.

- Delta é a empresa que mais recebe recursos do governo federal no PAC, cresceu fortemente nos últimos anos e aparece com frequência nas gravações do caso Cachoeira. Cavendish precisa explicar sua atuação e suas declarações - disse o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

O Globo

Mais brasil maravilha : Prévia do PIB mostra recuo da economia pelo 2º mês consecutivo


A economia brasileira encolheu pelo segundo mês seguido. De acordo com os cálculos do Banco Central (BC), o IBC-Br, índice que mede o crescimento do país, caiu 0,23% em fevereiro, levemente acima das apostas do mercado financeiro.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela autoridade monetária.


Foi o segundo mês seguido de queda do indicador, sendo que em janeiro, quando comparado com dezembro, houve retração de 0,18% na economia brasileira.

Nos últimos 12 meses, o IBC-Br acumula alta de 2,05% até fevereiro.
O dado é menor do que no mês passado, quando estava em 2,44%, o que mostra uma desaceleração da atividade econômica.


O objetivo do governo neste ano é o de garantir crescimento da economia na casa de 4%, apesar de o próprio BC calcular uma expansão de 3,5% no Produto Interno Bruto.

Para tanto, o governo vem anunciando medidas para acelerar a atividade e estimular o consumo. As mais recentes aconteceram no início de abril, num pacote de pouco mais de R$ 60 bilhões entre desonerações e nova injeção de capital no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O índice foi criado pelo Banco Central para balizar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), já que os dados oficiais do IBGE demoram três meses para serem conhecidos.

O Globo

O brasil maravilha SEM "MARQUETINGUE" : Geração de emprego sobe mais de 20% em março, mas cai 24,1% no trimestre

A criação de vagas de emprego com carteira assinada no país caiu 24,1% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Neste ano, foram gerados 442.608 postos de trabalho, ao passo que no mesmo período de 2011, a geração de vagas atingiu 583.886 vagas.

Os dados já consideram as vagas criadas nos dois primeiros meses deste ano e de 2011, entregues com atraso e incorporados à estatística.


Em março, foram gerados 111.746 empregos com carteira assinada no país, uma alta de 20,6% ante o apurado no mesmo mês do ano passado que somou 92.675 postos.

Mas o patamar atual de criação de postos está bem abaixo dos 266.415 postos criados em março de 2010, com uma queda de 58,0%.

Além disso, esse número de vagas apurado no mês passado também está abaixo do que foi gerado em 2008 e de 2007.

Esse resultado de vagas líquidas criadas no país em março resulta de 1,765 milhão de admissões e de 1,673 milhão de desligamentos, o maior da série histórica.


Em comparação a fevereiro de a janeiro deste ano, a geração de vagas também mostrou desaceleração em março. Em janeiro, foram geradas 118,8 mil vagas (queda de 5,9%), e em fevereiro, 150,6 mil vagas (queda de 25,8%), sem considerar dados entregues em atraso.

Segundo o Ministério do Trabalho, essa desaceleração na geração de vagas em março pode ser justificada, em parte, pela antecipação de contratações realizadas pelos estabelecimentos no mês de fevereiro e pela redução do número de dias úteis em março, devido ao período de carnaval.


O maior responsável pelo saldo positivo foi o setor de Serviços, com a geração de 83.182 (0,53%) vagas formais, sobretudo com os desempenhos de Ensino e de Serviços Médicos e Odontológicos.

Na Construção Civil foram criados 35.935 postos (1,21%), o segundo melhor resultado para o mês, mas, principalmente, uma reação em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Globo


SEM CAVALOS DE PAU

O futuro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres de Britto, ocupou os jornais no fim de semana para dar uma boa notícia ao país:
no novo cargo, que assumirá na quinta-feira, fará todo o esforço para que o mensalão seja julgado até julho.

Com a manifestação, ele se transformou, desde já, no inimigo n° 1 dos petistas.


Britto propõe um esforço concentrado na Corte para que o julgamento do crime, revelado há sete anos, não fique para as calendas. Se o caso não for julgado agora, uma série de vicissitudes o empurrará para fins de 2013.
É tudo o que o PT mais quer.


Por isso, o esforço de Britto merece amplo apoio da sociedade:
os que querem o bem do país devem se unir em torno da proposta do novo presidente do STF.

Até porque não há dúvida de que, mesmo com todo o empenho, o caminho até a conclusão do julgamento será tortuoso e o PT fará tudo o que estiver a seu alcance - legal e ilegalmente - para dificultá-lo.


Como, aliás, já está fazendo. Segundo a Folha de S.Paulo, o ex-presidente Lula está liderando pressões sobre o STF para livrar petistas de um julgamento mais rigoroso e para "convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano".
É o velho horror petista à Justiça.


Na altura em que está, o julgamento do mensalão só depende da revisão do processo pelo ministro Ricardo Lewandowski. Mas há, aí, um risco ao qual é preciso atenção: "Há 20 dias, em conversa com um amigo, o ministro antecipou que dificilmente concluirá seu trabalho antes do recesso da Justiça, em julho", alerta Ricardo Noblat hoje n'O Globo.

Ora, não há razões para mais protelações. O trabalho pesado já foi concluído em dezembro passado pelo ministro Joaquim Barbosa, que transformou as mais de 50 mil páginas do processo numa síntese de 122 páginas.
É este documento que cabe a Lewandowski agora revisar.


A demora em julgar os delitos da "organização criminosa" denunciada pela Procuradoria-Geral da República emite um mau sinal para a sociedade e acaba funcionando como uma espécie de salvo-conduto para mais falcatruas.

Como as que envolvem o bicheiro Carlos Cachoeira e a banda podre do mundo político, com destaque para a farra que está se revelando em torno da construtora Delta e do governo do Distrito Federal.


Começam a se delinear em torno da empreiteira carioca as mesmas práticas verificadas no mensalão: milionários contratos da empresa com o setor público podem ter sido usados como fonte de recursos para financiar campanhas, como mostrou a Folha em suas edições de ontem e desta segunda-feira.

A Delta é uma espécie de "filha do PAC". A empresa multiplicou-se à base de obras do programa lançado por Lula e ninado por Dilma Rousseff desde a época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil.

Desde o início da gestão petista, os recursos recebidos do governo federal pela Delta cresceram
2.000%.

A Delta pode ser o mais vistoso, mas não deve ser o único guichê que o PT espetou no PAC. É bem possível que as cifras bilionárias do programa que nunca se transformam em obras de verdade alimentem, na realidade, grossos desvios para bolsos partidários.
Caberá à CPI do Cachoeira investigar.


Mas as empreiteiras não estão sozinhas nas urdiduras que serão agora apuradas no Congresso. Também o governo petista do Distrito Federal desponta envolvido até a alma com o submundo do crime, a ponto de uma central de espionagem ter sido montada dentro do Palácio dos Buritis - numa reedição dos velhos métodos totalitários que encantam corações e mentes do PT, como mostra a edição da revista Veja desta semana.

É o desnudamento destas aberrações que amedronta os petistas na CPI, a ponto de alguns próceres do partido já defenderem um "cavalo de pau" nas investigações, como faz Walter Pinheiro n'O Globo de hoje:
segundo o jornal, o líder do PT no Senado "já admite até abortar a CPI".

O senador não fala sozinho.
Ecoa as angústias da presidente da República, que, na sexta-feira, passou cerca de três horas com Lula em São Paulo para tentar achar meios de frear a CPI.


A disposição de Carlos Ayres de Britto pelo término da apuração do mensalão e o ímpeto da CPI pelo desvelamento da teia de interesses escusos montada pelo bicheiro Carlos Cachoeira no mundo político são manifestações de quem quer um Brasil mais limpo.

Quem estiver contra isso tem dois interesses claros:
jogar toda a sujeira para debaixo do tapete e, principalmente, preservar ativos os drenos de recursos públicos que financiam a corrupção.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Sem cavalos de Pau