"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 10, 2011

PETROBRAS : MINISTÉRIO DO TRABALHO INTERDITA PLATAFORMA CHERNE 2.

O Ministério do Trabalho confirmou que a plataforma CHERNE 2, da Petrobras, foi interditada na tarde ontem depois de uma inspeção em que encontrou problemas nas condições da unidade.

A plataforma, instalada na bacia de Campos, já havia sofrido um incêndio a bordo em 19 de janeiro, ficando interditada até 2 de fevereiro, quando foi liberada pela Marinha.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Marcos Breda, afirmou que a vistoria da Marinha tem como foco as condições de segurança para a navegabilidade da unidade, enquanto os técnicos do Ministério do Trabalho dá mais atenção às condições dos equipamentos e instalações e a influência disso na segurança dos funcionários.

Breda explicou que o sindicato tem contato permanente com o ministério, enviando relatos sobre as condições nas plataformas.
"O incêndio facilitou a decisão do ministério de vistoriar a Cherne 2", disse Breda.

Segundo o Sindipetro-NF, a vistoria identificou a precariedade do sistema de combate a incêndio,
a falta de iluminação de emergência,
a insuficiência do ar-condicionado,
a falta de inspeções em equipamentos atingidos pelo incêndio,
a falta de barreiras de contenção nas áreas do incêndio e o descumprimento de diversos itens da Norma Regulamentadora NR-10, que trata das instalações elétricas.

Segundo o Ministério do Trabalho, a interdição não tem prazo e a volta da produção só será atendida quando os problemas encontrados forem solucionados.

Procurada, a Petrobras não se manifestou sobre o assunto.

(Rafael Rosas | Valor)

JOSÉ SERRA : OPOSIÇÃO PRA QUÊ?

O principal risco que correm as oposições - e, portanto, também o PSDB - é perder tempo em embates menores, combates internos fantasmas ou antecipações irrealistas, como trazer 2014 para hoje, inventando bandas de adversários... internos!

Atacar, constranger, prejudicar ou atrapalhar companheiros do próprio partido só faz ajudar os adversários reais, que incentivam esses confrontos.

Para o maior partido da oposição, perder-se em disputas internas seria apequenar-se.
Saímos das urnas com quase 44 milhões de votos, vencendo a eleição presidencial em 11 estados.

O PSDB fez oito governadores; o DEM, dois, e tivemos ainda o apoio do governador de Mato Grosso do Sul.

Aqueles que votaram em nós queriam que ganhássemos, mas sabiam que podíamos perder. A oposição, portanto, é tão legítima quanto o governo; ela também expressa a vontade do eleitor e tem um mandato.

Não podemos deixar o eleitorado que nos apoiou sem representação. É ele, inicialmente, que precisa receber uma resposta e convencer-se de que não jogou seu voto fora.
Até porque as ditaduras também têm governos, mas só as democracias contam com quem possa vigiá-los, fiscalizá-los, em nome do eleitor.


Por isso a oposição tem de ter posições claras, ser ativa, sem se omitir nem se amedrontar. Uma eleição presidencial não é uma corrida de curta duração, de 45 dias, mas uma maratona de quatro anos.
E ninguém corre parado.

Até quem votou no PT conta conosco para que ofereçamos alternativas, para que possamos aprimorar propostas do governo e denunciar, quando é (e como está sendo) o caso, a falta de rumo.
Não se trata de fazer oposição sistemática ou não sistemática, bondosa ou exigente.
Isso é bobagem!

Essa questão não se coloca em nenhuma grande democracia do mundo.
A oposição tem o direito e o dever de expressar seus pontos de vista e de batalhar por eles.
É seu papel cobrar coerência, eficiência e honestidade.

A realidade está aí.
O grave problema fiscal brasileiro veio à luz, herança do governo Lula-Dilma para o governo Dilma.
A maquiagem nas contas não consegue escondê-lo.
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) se transformou no retrato perverso do aparelhamento do Estado, que não se vexa nem diante da realidade dramática da saúde - ou falta dela - dos pobres.


O mesmo acontece em Furnas, palco de escândalos há muitos anos, expressão do loteamento do setor elétrico, onde os blecautes têm sido a regra, não a exceção.
Se a oposição não se fizer presente agora, então quando?

Fazer oposição por quê?

Porque o país experimenta um óbvio desequilíbrio macroeconômico, que reúne inflação alta e em alta, juros estratosféricos, câmbio desajustado, vertiginoso déficit do balanço de pagamentos e infraestrutura em colapso.

As trapalhadas do Enem mostram que o PT tripudia sobre a esperança e o futuro dos jovens.
A imperícia do governo na prevenção de catástrofes e socorro às vítimas não requer comprovação.

Por que fazer oposição?

Porque os brasileiros merecem um governo melhor e pagam caro por isso - uma das maiores cargas tributárias do mundo, sem serviços públicos à altura.
Temos o direito de nos apequenar com picuinhas?
Foi para isso que recebemos um mandato das urnas?

O governo vem fazendo acenos à classe média e às oposições. Conta com o conhecido bom-mocismo dos adversários, tucanos à frente.
Sua intenção é lhes tirar nitidez e personalidade, dividi-los e subtrair-lhes energia e disposição.

Até a próxima disputa eleitoral, quando, então, voltaremos a enfrentar os métodos de sempre:
vale-tudo, enganações, bravatas e calúnias.
Cair nesse truque corresponde a trair a confiança dos que votaram em nós e os interesses do nosso povo e do país.

O PSDB não sabe fazer oposição! Tanto em 2006 como em 2010, pesquisas internas apontaram ser essa uma das críticas que o eleitorado nos faz.
Ainda que fosse injusta, seria forçoso reconhecer que nos tem faltado nitidez.

É razoável que o eleitor considere que não sabe governar quem não sabe se opor.

E nós temos os bons fundamentos! A quem pertence a bandeira da social-democracia no Brasil?

O PT, fundado como um partido classista, sob a inspiração de partidos leninistas, varreu estatuto e ideário para baixo do tapete ao chegar ao poder e adotou como suas a plataforma e as ideias do adversário.

Mas, longe de estar resolvida, após seis eleições presidenciais, sendo três vitoriosas, e dois governos depois, a contradição entre os "pragmáticos do mercado" e os "puros-sangues de Lenin" ainda é um dos flancos do PT não devidamente explorados pela oposição, para prejuízo do país.


O PT adotou as bandeiras, mas perverteu sua prática.
Privatizou as ações do Estado em benefício do partido e aliados.
Banalizou o que a vida pública brasileira tinha de pior.
Rebaixou a Saúde e a Educação.

Transformou em instrumento eleitoral a rede de proteção social herdada do governo FHC.
Virou as costas para a Segurança e descuidou-se da Previdência.

A falsa "social-democracia" petista preside um processo de desindustrialização do Brasil e mantém como principal despesa do orçamento o pagamento de R$180 bilhões anuais em serviço da dívida pública interna.

Sem mencionar erros infantis, como o de reconhecer a China como economia de mercado, enfraquecendo nossos mecanismos de defesa comercial.
Que social-democracia é essa, que pôs a perder o ativismo governamental nas coisas essenciais, que caracteriza o Estado do Bem-Estar Social e seus alicerces?

Essa retomada dos valores da social-democracia, com seu respeito ao jogo democrático e sua prioridade à garantia de condições dignas de vida à população, há de tirar do PSDB o falso carimbo de partido da elite e marcar diferença com o PT, com suas práticas sectárias e/ou ineptas.

Para tanto, é fundamental ao PSDB fortalecer a unidade interna, dando uma resposta àqueles que nos delegaram um mandato por meio das urnas.
Estou, como sempre, a serviço da população.
Ajudei a definir as bandeiras históricas do meu partido e sua renovação.

Por elas e pela unidade, batalhei sempre.
Ninguém andará em má companhia seguindo os Dez Mandamentos.


Para quem está na política, sugiro um 11º, este de inspiração humana, não divina:
"Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido."


JOSÉ SERRA foi deputado, senador, prefeito e governador de São Paulo.

fevereiro 09, 2011

RICAÇOS : MAIS 6 MIL NO TOPO DA PIRÂMIDE NO PAÍS. FECHARAM 2010 COM R$ 371 bi INVESTIDOS NOS BANCOS.

Mais de seis mil pessoas viraram milionárias no Brasil no ano passado. Balanço divulgado ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que o número de pessoas com mais de R$1 milhão aplicado nos bancos brasileiros cresceu para 63.224 no fim de 2010, um aumento de 11% em relação aos 56.991 milionários de 2009.

Total de ativos cresceu 23% em relação a 2009 e número de milionários aumentou 11% no País no ano passado


Os brasileiros de alta renda, aqueles com pelo menos R$ 1 milhão aplicado, fecharam 2010 com R$ 371 bilhões investidos nos bancos, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre o mercado de "private banking".

Na comparação com o ano anterior, houve crescimento de 23% no total de ativos aplicados.

No ano passado, houve alta de 11% no total de milionários no Brasil, para 63,224 mil pessoas.
A estimativa dos bancos é que haja cerca de 150 mil brasileiros com esse nível de renda.

Risco.

Os produtos preferidos dos milionários para aplicar recursos são fundos de investimento, que ficaram com R$ 162,2 bilhões dos ativos desses investidores em 2010.
Papéis de renda fixa, como títulos públicos emitidos pelo governo, respondem por R$ 118,6 bilhões.

Já as ações de empresas lançadas da bolsa ficam com R$ 68,2 bilhões.
Os recursos restantes estão investidos em outros produtos, como poupança e planos de previdência, segundo o levantamento da Anbima.

De acordo com Portásio, os milionários preferem aplicações um pouco mais arriscadas quando comparados com o investidor comum.

Um exemplo são os fundos multimercados, que respondem por 50,7% das aplicações dos endinheirados em fundos de investimento.
Na média geral do setor, a participação desses fundos, que aplicam em ações, renda fixa, câmbio e derivativos, é de 28%.

Os dados da Anbima foram coletados com o próprios bancos e essa é a primeira vez que a entidade divulga informações anuais do mercado de private banking.

O objetivo da entidade é fazer estatísticas regulares desse mercado, que até o ano passado não tinha dados consolidados.
Ao todo, 22 bancos passaram informações à Anbima.

Distribuição

R$ 162,2 bi
foram aplicados em fundos de investimento em 2010

R$ 118,6 bi
foram aplicados em papéis de renda fixa, como títulos públicos

R$ 68,2 bi
foram aplicados em ações

55,3%
das aplicações estão em São Paulo

18,3%
das aplicações estão no Rio

13%
das aplicações estão no Sul

5,5%
das aplicações estão no Nordeste

Altamiro Silva Junior O Estado de S. Paulo

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : LÁ VEM A INFLAÇÃO SUBINDO A LADEIRA SOB O COMANDO DA GERENTE DE NADA E COISA NENHUMA E O MINISTRO BUFÃO.

Começou bem o governo da presidente Dilma Rousseff:
a inflação voltou a subir forte no primeiro mês da nova gestão.
O IPCA (que serve de referência para o regime de metas) atingiu 0,83% em janeiro.

Foi a maior alta desde abril de 2005, igualando a marca de novembro passado.

O que está ruim deve piorar e a inflação mensal pode superar 1% neste mês de fevereiro. Atingir a meta prevista para este ano já é dado como missão impossível - o IPCA acumulado em 12 meses já está em 5,99% e deve furar o teto da margem de tolerância do sistema em meados deste ano.
O fogo do dragão está incinerando a renda do brasileiro.

Para quem quer que tenha que fazer uma compra de supermercado ou pagar o serviço de uma manicure, está mais que evidente que a inflação está voltando a ser um problema cotidiano no país.
Não para Guido Mantega e a equipe econômica petista.

O ministro da Fazenda continua na sua ladainha de que o que o Brasil experimenta é o mesmíssimo processo que se espraia pelo mundo todo, valoriza o preço dos alimentos e puxa os índices de preços para cima.
Seria tudo, portanto, um fenômeno global e uma onda passageira (sazonal).

Entoando este loa, Mantega vai vendo a caravana passar.
A chefe dele também assiste.

O triste é que os dados - estes estraga-prazeres - contradizem Mantega.
A inflação de janeiro foi a maior para este mês do ano desde 2003, ou seja, não há sazonalidade.
Os aumentos dos alimentos, também ao contrário do argumento oficial, foram bem menores agora do que haviam sido em novembro passado - outro mês de inflação igualmente nas alturas.

Em novembro, os alimentos subiram 2,22% e agora quase metade disso:
1,16%.
Não é, portanto, o chuchu o vilão da inflação corrente, como sonha Mantega, talvez saudoso dos anos de chumbo quando desculpas como esta colavam.

Os subíndices que compõem o IPCA, 70% aumentaram em janeiro - isto é, o movimento de alta é generalizado.
Se no comércio a remarcação de preços corre solta, na prestação de serviços já virou epidemia:
a inflação acumulada em 12 meses bateu em 7,88%, nível que não se observava no país desde 1997.

Para o ministro da Fazenda, segundo O Estado de S.Paulo, o importante é "evitar que se instale na economia um 'pessimismo' generalizado em torno da alta de inflação". Assim, o sábio Mantega prefere investir na "comunicação" da posição do governo. Melhor faria se agisse, definisse logo como o governo vai reduzir gastos e administrar melhor o dinheiro do contribuinte.

O tempo urge, porque vem mais inflação por aí.
O IGP-DI, que mede a inflação no atacado, mais do que dobrou:
passou de 0,38% em dezembro para 0,98% em janeiro.
Logo, logo esta onda também baterá no varejo e inchará ainda mais os índices ao consumidor.

Assustadas, as indústrias estão apertando a margem de lucros para não perder vendas, como mostra O Globo.
Não demora, também terão de repassar os custos represados para os preços. Enquanto mantêm os ganhos menores, tendem a cortar investimentos. Neste ciclo, perde o trabalhador em renda e em emprego.

Segundo a Folha de S.Paulo, Dilma Rousseff avaliou como "ruim" o resultado da inflação de janeiro e considera que "o número reforça sua decisão de fazer um 'forte' ajuste fiscal neste início de governo".
A presidente pode alegar tudo, menos surpresa.

A escalada inflacionária foi denunciada pela oposição na campanha eleitoral do ano passado. Dilma negou-a.
A necessidade de impor controle mais robusto sobre os gastos públicos foi defendida pela oposição no ano passado.
Dilma negou-a.

Não pode agora é negar-se a fazer o que é preciso para preservar a maior conquista da sociedade brasileira na história contemporânea: a estabilidade da moeda, conquista esta que seu partido sempre se negou a apoiar

Fonte: ITV

HOJE GOVERNO ANUNCIA O MONTANTE DE CORTES NO ORÇAMENTO.

SÃO PAULO (Reuters) -

O Ministério do Planejamento informou que o anúncio do montante dos cortes no Orçamento da União de 2011 será realizado às 16h desta quarta-feira.

O dado vem sendo aguardado há semanas por economistas, em meio às medidas que vêm sendo anunciadas pelo governo para tentar conter a inflação.

O governo não sinalizou qual o volume que deve ser contingenciado do Orçamento deste ano, mas números em torno de 40 a 50 bilhões de reais têm percorrido os jornais e profissionais do mercado.

Os cortes seriam um meio de conter a demanda doméstica e conter as pressões inflacionárias e evitar que o Banco Central tenha que promover um aperto ainda maior na política monetária. Em janeiro, o BC já elevou a Selic de 10,75 para 11,25 por cento ao ano.

A expectativa das instituições financeiras é de que novos aumentos da taxa serão necessários, assim como mais medidas macroprudenciais, como as anunciadas em dezembro pelo mesmo BC para conter o ritmo de crescimento do crédito.

Na véspera, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou avanço de 0,83 por cento em janeiro, mesma taxa de novembro, que fora a maior desde abril de 2005.

(Por Aluísio Alves, com reportagem adicional de Isabel Versiani)

CRISTALEIRAS


Nosso universo social se divide em bens e serviços e, na categoria dos bens, há os móveis e os imóveis.
Os primeiros vão da camisa (que, dizem os sábios, só precisamos de uma unidade para sermos felizes) ao automóvel, a casa e a conta bancária que fala daquilo que permeia - como as orações no mundo religioso e o favorecimento partidário no político - tudo.


Sobram, é claro, os "móveis" que fabricam a paisagem da casa e são o foco ou a imagem central - símbolos como diriam Geertz, Victor Turner ou Lévi-Strauss - do que chamamos de "propriedade privada".

Pois quase sempre começamos nossas vidas de casados comprando os móveis (a cama e a mesa) da casa para depois completarmos o seu interior com poltronas, armários, aparadores, guarda-roupas, criados-mudos e esse objeto impar e, até onde vai minha enorme ignorância e vã e superada antropologia, as cristaleiras.

Eu só tive consciência desse móvel quando fui aos Estados Unidos e verifiquei que os americanos davam mais valor às suas vastas e confortáveis poltronas e estantes do que a esse repositório de "cristais", situado justamente num local de destaque nas salas de jantar ou em outros espaços nobres das residências.
(...)
O fato é que na América sempre tocquevileana não existiam essas um tanto ostensivas cristaleiras feitas de vidro e espelhos, um móvel que lembra uma catedral, uma caixa de joias e os cetins que envelopavam (revelando, contudo) o corpo das mulheres.

Objeto destacado da casa a ser visto, admirado e eventualmente aberto com extremo cuidado para visitantes ilustres ou ocasiões preciosas como aniversários, mortes e casamentos - os grandes ritos de passagem que marcam as nossas vidas.

Dir-se-ia que a vida marcada pelo ascetismo laico calvinista e pela religiosidade cívica rousseauneana bloqueava essas demonstrações ostensivas de coisas preciosas, já que, para eles, o viver para dentro era mais importante do que essa vida cristalizada para os outros (sobretudo para as visitas importantes ou de maior prestígio), como é o nosso caso.

Vi muitas cristaleiras na minha infância e juventude e, quando casei, compramos a nossa, que imitava o móvel dos nossos lares de origem.

Um dia, numa discussão acalorada entre professores mais velhos, ouvi de um deles o seguinte:
"O Fulano procede como um macaco em cristaleira!"

Jamais ouvi definição melhor daquele colega que por qualquer coisa, usava um canhão para matar um passarinho e fazia uma tempestade num copo d"água, numa descalibragem tão recorrente nos sistemas autoritários, de Estado forte, nos quais a cleptomania se legitima em cleptocracia como faz prova hoje em dia a nossa elite política enriquecida e, mais que isso, aristocratizada com o dinheiro dos nossos impostos que segue diretamente não para obras públicas, mas para as suas cristaleiras.
(...)
Como figura situada entre os anjos e os homens, por contraste com as que (sem casa e cristaleira) dialogavam com as forças satânicas que, entretanto, permitiam o teste e demonstravam a existência desse dom complexo chamado de "liberdade" que nos foi dado por Deus na forma do livre arbítrio.

Dom sem o qual faria com que tudo fosse determinado e justificado, tirando o mérito das escolhas e impedindo que o mundo tivesse significado.
Pois o problema não é a cristaleira, mas a inefável transparência que a constitui, deixando ver em dobro tudo o que colocamos dentro dela.

No plano coletivo, sou inclinado a sugerir que a cristaleira de um país é o seu governo e, no seu governo, o seu Parlamento.
A tal transparência tão invocada pelos mais atrasados coronéis que hoje mandam na nossa riqueza, gastando-a com nomeações de partidários e familiares.

Transparência que é, de fato, uma mera palavra de ordem para encobrir os moveis de chumbo de um Brasil sem crítica, sem contraditório político, sem - enfim - igualdade e transparência.

Esse translúcido móvel feito em vidro e espelho que permeava as casas que, como a República e a Democracia, guardava pureza, honra, compaixão e uma honestidade que sumiram da política nacional.

Roberto DaMatta O Globo -

SENADO : CASA FAZ FESTA PARA "REFORMA". POBRE BRASIL.


Enquanto caso dos atos secretos está parado na CCJ, edição especial destaca ‘transparência’.

Um ano e sete meses depois do escândalo dos atos secretos do Senado - que abalaram a gestão do seu presidente, José Sarney (PMDB-MA) e envolveram 37 senadores em manobras ocultas para criação de novos cargos e benefícios - a Mesa Diretora da Casa investiu numa caprichada edição comemorativa de seu "Biênio da Transparência e da Cidadania", para dizer que o episódio foi superado e está tudo bem.

Sob o título "Crise dos atos secretos dá início a mudanças profundas", a revista traz, em meio a editoriais e autoelogios disfarçados em balanços, uma reportagem sobre tudo o que foi providenciado pela gestão José Sarney para acabar com aqueles abusos.
Menciona punições de dois diretores, a abertura de três inquéritos administrativos, noticia que reagiu a denúncias "abrindo acesso aos dados". Sobre os atos em si, repete as conclusões de um relatório de 2009 segundo as quais "a maioria dos atos secretos tratavam (sic) de temas corriqueiros".

Argumenta, ainda, que "não pairava qualquer dúvida" quanto à "legalidade dos respectivos conteúdos".
Para arrematar, o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), assina um pequeno artigo em que define aquele episódio como "uma das piores crises que o Senado já viveu" mas conclui: "Posso dizer que conseguimos superá-la".

Na gaveta.
Os fatos indicam que a conclusão é apressada.
Uma reforma administrativa anunciada às pressas, em 2009, feita pela Fundação Getúlio Vargas, não agradou a senadores e servidores e está, há tempos, parada na Comissão de Constituição e Justiça.
"Não me parece parada a matéria", disse Sarney em nota no dia 31 de janeiro.
A reforma está recebendo sugestões - cerca de 600 já teriam chegado, adiantou ele.

Na prática, a grande mudança ocorrida na Casa, desde então, foi a recente aprovação de um novo plano de carreira com reajustes de 25% nos salários.
A promessa de reduzir as diretorias de 44 para sete não saiu do papel.

O quadro total de funcionários continua em torno de 10 mil, um terço dos quais "de confiança", escolhidos sem concurso. Servidores fantasmas e falta de controle de horas extras continuam sendo rotina.

A terceirização rola solta, como antes. Mas o editorial que abre a revista, do próprio presidente Sarney, tem como título "Um Senado cada vez mais transparente".

Gabriel Manzano O Estado de S. Paulo

Mais :

Família Sarney mantém feudo no "senado"

fevereiro 07, 2011

DA OBSCURIDADE DA GERENTE DE NADA E COISA NENHUMA HOJE "PRESIDENTA", AO PAÍS À LUZ DE VELAS.


Em outubro de 2009, numa entrevista à TV, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou:
"Temos uma certeza: não vai ter apagão. É que nós voltamos a fazer planejamento".
Menos de duas semanas depois, o país mergulhou numa escuridão nunca antes vista.
Na última sexta-feira, aconteceu de novo e todo o Nordeste afundou nas trevas.
Onde nos levarão as certezas de Dilma?


Na madrugada de sexta-feira, 46 milhões de pessoas que estavam em oito estados nordestinos passaram até quatro horas no escuro.
Para Edison Lobão, foi mera "interrupção temporária de energia".
Para a população, foi apagão mesmo e dos grandes.

Não se sabe ao certo o que causou o blecaute, mas avaliações preliminares apontam para uma falha no sistema de proteção de uma subestação operada pela Chesf em Pernambuco.
Desta vez, pelo menos, não puseram a culpa em raios...

Quaisquer que sejam as conclusões, o diagnóstico já é mais ou menos conhecido:
o sistema elétrico nacional padece de falta de investimentos em modernização e manutenção, notadamente na transmissão e na distribuição.
Por que será?

A explicação está na lógica do modelo elétrico imposto ao país pela então ministra de Minas e Energia de Lula:
sim, ela mesma, Dilma Rousseff.
(...)
O apagão da semana passada não é evento isolado.
Todos se lembram do megablecaute de novembro de 2009, quando 88 milhões de pessoas de 18 estados ficaram às escuras.
(O incidente rendeu a Furnas uma multa de R$ 53,7 milhões até hoje não paga.)
Também se recordarão dos seguidas interrupções no Rio no ano passado e do martírio que pesa sobre as indústrias da Zona Franca de Manaus, às voltas com apagões diários.

Mas há muito mais.
Entre 2008 e 2010, o número de apagões graves no país cresceu 90%, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Foram registrados no ano passado 91 desligamentos superiores a 100 MW (o equivalente ao consumo médio de uma cidade com 400 mil habitantes). Em 2009 haviam sido 77 desligamentos e em 2008, 48, revelou a Folha de S.Paulo no sábado.

No Nordeste, onde o consumo cresce ao ritmo de 8% ao ano desde 2006, o índice de interrupções medido pela Aneel subiu de 18 para 27 horas nos últimos três anos.
A pior situação foi verificada em Sergipe, onde a extensão dos apagões dobrou de 22 horas em 2008 para 44 horas em 2010, segundo O Estado de S.Paulo.

O que vem ocorrendo é que, para garantir custos mais baixos, as empresas de energia têm negligenciado os investimentos em manutenção. Gasta-se cada vez menos para garantir linhas de transmissão em bom estado, estações e subestações de energia em perfeito funcionamento. Com isso, o sistema fica vulnerável, como restou mais uma vez comprovado na semana passada.

A expansão das linhas de transmissão também patina. Em 2010, foram agregados apenas 1.906 km às redes de energia no país. Significa menos da metade do que foi feito em 2003, quando maturaram os últimos investimentos legados pelo governo Fernando Henrique, e uma queda de 37% sobre 2009.

O Planalto apressou-se a informar que a presidente ordenou que a Aneel "reforçasse a fiscalização preventiva" e também mandou o ministro Lobão cobrar das empresas geradoras de energia "um reforço na manutenção do serviço".
Parece coisa séria, mas não é.

Para começar, as atividades de fiscalização da Aneel têm sido sistematicamente garroteadas pelo governo do PT.
Parte das tarifas pagas pelos consumidores nas contas de luz serve para custear o trabalho dos fiscais, mas o Planalto bloqueou 55% dos R$ 1,68 bilhão arrecadados entre 2003 e 2009 pela Aneel com esta finalidade. Com isso, a qualidade do sistema - formado por 450 subestações e 90 mil quilômetros de linhas - desabou.

Quanto às empresas geradoras, a maior parte delas é estatal:
Furnas, Chesf, Eletrosul, Eletronorte etc.
Isso lhe sugere algo?
Claro:
é o setor onde se promove o mais deslavado loteamento de cargos que se tem notícia desde a invenção da luz elétrica.
Dilma diz que agora implodirá os feudos.
Como?
Entregando-os a José Sarney e seus apaniguados.
Quanta treva!

O governo federal prometeu chamar os agentes às falas nesta segunda-feira para que expliquem por que o sistema elétrico falhou de novo.
Se quiser mesmo chegar a alguma conclusão, acabará topando com o nome de Dilma.
Seja como ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil ou presidente da República, seu currículo está repleto de apagões.
Tudo bem que à luz de velas é mais difícil perceber.

Fonte: ITV/ Íntegra ...

"EM JOGO A CREDIBILIDADE DA POLÍTICA FISCAL"

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As discussões a respeito do contingenciamento de gastos a ser conduzido pelo governo federal suscitaram o debate sobre o futuro da política fiscal e seu papel na composição de uma nova política econômica.

Isto é, como aliar o objetivo de ampliar as taxas de crescimento econômico, manter a estabilidade e o controle de preços e, concomitantemente, conduzir o processo de queda de juros reais preconizado pelo governo Dilma, aumentando a formação bruta de capital fixo?

Tudo começa no ajuste fiscal.
A adoção do discurso de maior austeridade, desde o final do ano passado, pela equipe econômica e pelo novo governo que, ao decidir sobre o salário mínimo, por exemplo, mostrou disposição em concretizar uma estratégia de contenção fiscal, foi um passo importante.

No entanto, espera-se, agora, o anúncio do contingenciamento de despesas sobre um orçamento que, inflado pelo Congresso, precisará sofrer significativo ajuste por parte do executivo.

Mais do que isso, será preciso que o governo sinalize e formalize, ao longo do ano, uma estratégia verdadeiramente austera, que culmine no cumprimento da meta cheia de superávit primário sem "contabilidade criativa".
A credibilidade e a formação de expectativas, muito mais do que o resultado, em si, deveriam ser os principais alvos da atuação desta nova política fiscal.

Cálculos da Tendências conduziram a um patamar elevado a ser contingenciado, considerando a projeção de receitas líquidas do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2011 (R$ 804,9 bilhões) e as despesas totais contidas no PLOA já aprovado pelo Congresso (R$ 773,6 bilhões).

Fixando as despesas no valor proposto pelo Legislativo, chegamos ao resultado primário hipotético e comparável à meta de R$ 81,8 bilhões (ou 2,1% do PIB).
Ou seja, podemos concluir que o governo teria que fazer um esforço de contingenciamento de R$ 54,5 bilhões para atingi-lo.

Contudo, as questões recorrentes se referem o que cortar e se há espaço para cortar.
Observando a desagregação das despesas discricionárias, pelo PLOA (conforme enviado pelo Executivo), apenas para entender que também este tipo de despesa guarda rigidez elevada, nota-se que há, de fato, pouco espaço para "grandes" mudanças no curto prazo (um ano).

As despesas discricionárias são compostas por:
saúde (30%),
educação (13%),
Bolsa Família (7%),
PAC (22%) e demais (28%).

Grosso modo, o governo precisaria centralizar os cortes nas "demais", já que saúde, educação, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Bolsa Família estariam blindadas.

O grupo das demais inclui gastos de cerca de R$ 30 bilhões, que vão da Advocacia-Geral da União ao Ministério da Fazenda, o que sugere haver margem para cortes não desprezível, por não se tratar de investimentos ou gastos obrigatórios.
Ainda, pela comparação entre o PLOA enviado pelo Executivo e o aprovado pelo Congresso, nota-se que as "discricionárias + PAC" foram infladas em R$ 18 bilhões.

Contudo, mesmo com tais ajustes, não seria possível chegar ao total de R$ 54,5 bilhões, o que exigiria um contingenciamento no orçamento dos investimentos, não necessariamente dos programas específicos do PAC, mas de projetos de infraestrutura. Isto não significa, no entanto, um "problema", por si só.
(...)
Vale lembrar que, se ocorrer, portanto, um corte de investimentos no orçamento, como parece ser necessário, isso não significará uma paralisação de obras ou algo do gênero, mas apenas uma contenção ou um ajuste de curto prazo para comportar uma estratégia fiscal mais austera e que permitirá ampliar os dispêndios nesta área em prazo maior.
A alternativa seria uma adequação na despesa de pessoal, da qual não se sabe o espaço exato existente, mas que poderia sofrer alguma adequação de modo a minimizar o ajuste no investimento.

Assim, nosso cálculo de contingenciamento, em 2011, considera os seguintes pontos:
Corte total do avanço feito pelo Congresso nas discricionárias:
-R$ 18 bilhões.
Corte de 40% nas discricionárias dos ministérios ligados à produção:
-R$ 2,7 bilhões.
Corte de 30% no orçamento das discricionárias de infraestrutura:
-R$ 14,5 bilhões.
Corte de 65,5% no orçamento das demais discricionárias:
-R$ 19,3 bilhões.
Total: -R$ 54,5 bilhões.
(...)
No curto prazo, não adianta pensar que haverá um choque para baixo no custeio, pois não virá.
Os gastos com pessoal, que são o foco do problema, só mudarão com mais tempo. No curto prazo, o espaço é bastante reduzido neste campo.

Destarte, o que o governo precisará mostrar, com todos os números e sinalizações, será muito mais do que cortes e percentuais.
Será, sim, a disposição em reverter as distorções praticadas recentemente nas contas públicas, interrompendo a deterioração promovida no campo fiscal e reconstituindo um sistema de metas para o superávit primário que seja crível e transmita, minimamente, informações relevantes para o acompanhamento da evolução da dinâmica fiscal.

É imprescindível que, em 2011, a meta seja cumprida sem o uso de contabilidade criativa, muito mais pela sinalização do que pelo esforço efetivo gerado. Isto é, não são os investimentos ou rubricas de programas "x, y ou z" que estão em jogo, mesmo porque o Orçamento é sempre superestimado (basta ver que foi gasto, em 2010, pouco mais de R$ 22 bilhões com o PAC, quando o Orçamento permitia quase R$ 34 bilhões).

A verdade é que está em jogo, definitivamente, a credibilidade da política fiscal.

Felipe Salto Valor Econômico

CAIXA PRETA NA ÁREA DE COMUNICAÇÃO DA PETROBRAS.

Por iniciativa da empresa, só notícias boas merecem ser dadas a conhecimento público, com preferência para os recordes de produção e novas descobertas na área do pré-sal.
Desde a última semana do ano passado, a Petrobrás informou que bateu recordes na produção diária de petróleo e gás natural, na produção de gasolina e de asfalto, registrou aumento de reservas e divulgou uma nova descoberta de óleo na Bacia de Santos.

Quase sempre, esses dados são considerados fatos relevantes, comunicados aos acionistas, publicados em jornais e registrados pela Bolsa. Mas quando as notícias são ruins, a Petrobrás esconde o quanto pode.

Na última sexta-feira, a empresa estatal limitou-se a confirmar que a Plataforma CHERNE II (PCH-2) na Bacia de Santos está paralisada desde o dia 19 por causa de um incêndio, que não deixou vítimas. Vinte dias depois do acidente, a assessoria da Petrobrás informou que "está preparando" um comunicado a respeito, mas não divulgou a data em que isso ocorrerá.

Com tanta delonga, até parece que a nota oficial, além de ser aprovada pelo presidente da empresa, deve passar pelo seu conselho de administração, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e, quem sabe, até pela presidente da República, Dilma Rousseff.

A Petrobrás age como se o País ainda estivesse mergulhado nos anos de chumbo.
Felizmente, o Brasil tem uma imprensa atenta ao que se passa e que ouve as queixas dos que moram ou trabalham nos locais atingidos.
No caso, foi o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Norte Fluminense que, com presteza, informou a irrupção de um incêndio de "grandes proporções" no módulo 5 da PCH-2, com duração de mais de uma hora.

É natural que a companhia institua uma comissão para investigar o que chama de incidente, contando para isso com a colaboração da Marinha.
Mas isso não justifica, em absoluto, a ausência de uma nota oficial dando conta do ocorrido.

A demora para informar constitui um desrespeito não só à população, que tem o direito de ser informada, como aos investidores.
Como empresa de capital aberto, a Petrobrás tem compromisso assumido com normas de transparência na condução de suas operações.

Quanto a isso, a empresa apresentou a desculpa capenga de que não informou o episódio aos investidores por não considerá-lo relevante, uma vez que seu impacto na produção é pequeno (9.300 barris/dia de petróleo, representando 0,5% do total).

Ainda assim, segundo o Sindipetro, o incêndio na plataforma poderia ter resultado em uma tragédia, uma vez que o "sistema de dilúvio" (contra incêndio) não funcionou.

A tentativa de esconder o fato alimenta as suspeitas de que as plataformas mais antigas da estatal não estão operando em condições de total segurança. Não é a primeira vez que se verifica um acidente desse tipo em plataforma marítima da Petrobrás. Já houve um princípio de incêndio na P-35 e, no ano passado, a ANP interditou a P-33 por falta de segurança.

Se houve um injustificável atraso na divulgação do último acidente, há pressa em que a plataforma danificada retome o funcionamento normal, o que, como foi noticiado, deve ocorrer já neste início de fevereiro.
Presume-se que, até lá, esteja concluído o relatório sobre as causas do acidente e, principalmente, que já tenham sido tomadas as medidas necessárias para reforçar a segurança e prevenir incêndios, o que é duvidoso.
Não se sabe igualmente se a ANP, se foi notificada, fez ou fará inspeção no local.

O que se pode concluir é que a Petrobrás não quer perder tempo em elevar a sua produção, principalmente em uma fase em que o óleo está em alta no mercado internacional.
Este é um objetivo compreensível, mas não pode ser perseguido custe o que custar.

Como este jornal tem insistido, a Petrobrás não deu sinal, até agora, de que tem um plano de emergência para a hipótese de acidentes graves na produção offshore, incluindo a da camada do pré-sal, sendo desnecessário lembrar as consequências catastróficas que eles podem acarretar.

O Estado de S.Paulo