"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 19, 2013

NO brasil MARAVILHA DOS CANALHAS E GERENTONA 1,99 : Este ano, US$ 702 milhões deixaram o Brasil

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A saída de dólares do país superou as entradas em US$ 2,9 bilhões neste mês até o dia 13, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) ontem. Só na semana passada, deixaram o país US$ 799 milhões. Com isso, o sal­do do fluxo cambial no ano pas­sou a ficar negativo, em US$ 702 milhões. No mesmo período do ano passado, o saldo estava posi­tivo em US$ 24,4 bilhões.

Do lado da conta comercial, o saldo está negativo em US$ 3,3 bilhões, com exportações de US$ 5,8 bilhões e importações de US$ 9,2 bilhões. Já nas transações fi­nanceiras, a compra de moeda soma US$ 20,4 bilhões neste mês, e a venda está em US$ 20,0 bilhões, resultando em saldo po­sitivo de US$ 382 milhões.

Segundo José Augusto de Cas­tro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a decisão do Federal Re­serve (Fed, banco central ameri­cano) de ontem, que levou a uma queda do dólar, pode piorar a si­tuação da balança comercial. A AEB havia estimado que a receita com as exportações de manufa­turados do país seriam maiores em US$ 7 bilhões no próximo ano com o câmbio a R$ 2,40, o que não deve mais se confirmar: — Esse benefício evaporou. Tínhamos expectativas que o dólar se estabilizasse acima de R$ 2,30. Tinha gente falando mesmo em R$ 2,70.

Segundo Castro, os exporta­dores podem sofrer ainda mais no próximo ano porque a reno­vação do Reintegra, regime tributário especial para os exportadores, foi vetado pelo governo.

O argumento foi que o câmbio havia compensando e que não havia mais necessida­de do programa. O exportador perdeu duas vezes.

FREIO NO INVESTIMENTO EXTERNO 
Para Felipe Salto, economista da Tendências, sem a reação das ex­portações, o fluxo cambial pode continuar negativo.

O fluxo negativo é a ponta do iceberg. Embaixo está todo o o ajuste que a economia brasi­leira está passando — afirma.

O cenário também não é mais tão promissor quando se trata da atração de dólar por Investi­mento Estrangeiro Direto (IED, voltado ao setor produtivo). Se­gundo o diretor-presidente da  Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, a entrada de recursos caminha para fechar o ano em US$ 60 bilhões, queda de 8% em compa­ração aos US$ 65 bilhões do ano passado. E, pela primeira vez desde 2002, o investimento es­trangeiro direto não será sufici­ente para cobrir o déficit em transações correntes do país.

A mudança da política monetária americana contri­buiu para isso, porque deixa o câmbio instável. O investidor não sabe qual cotação colocar em suas contas e decide espe­rar, postergar o investimento.

Ele diz que a queda do IED es­tá ligado a uma piora na per­cepção dos investidores sobre a segurança de investir no país. 

Flávia Pierry O Globo 

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