"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 17, 2013

Moinhos de vento



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Energia é insumo básico para o desenvolvimento de qualquer país. Por isso, desperta tanta atenção, principalmente quando começa a se mostrar escassa ou sob risco. 
Não são pessimistas os que olham com preocupação o futuro da oferta energética no Brasil. Irrealista seria pensar que nossos problemas, tais como moinhos de vento, não existem.

O país caminha hoje no fio da navalha em termos de disponibilidade energética. 
Nunca dependemos tanto das caras e poluentes usinas termoelétricas e até poderemos ser forçados a voltar a usar o fuliginoso carvão para levar eletricidade para residências, comércio e indústrias.

Para complicar, a expansão dos bem-vindos parques eólicos também claudica.

A oferta está apertada. 
Em números gerais, que a Aneel divulga sistematicamente, praticamente metade (48%) da energia prevista para entrar em operação em 2014, ano da Copa do Mundo, enfrenta impedimentos.

São entraves de ordem legal, operacional e/ou ambiental. Há atrasos nas obras de geração (construção de novas usinas), transmissão e distribuição.

"Dos 80 principais projetos do país previstos para o período de 2013 a 2015, 53, ou 66%, estão com atrasos. Além disso, 27% das obras consideradas obrigatórias nas 12 cidades que vão sediar os jogos [da Copa] não serão concluídas no prazo previsto", resumiu o jornal O Globo em reportagem publicada na semana passada. 

 
Uma das consequências é o aumento da possibilidade de faltar energia no país. Segundo levantamento publicado pelo jornal, com os atrasos e o insuficiente ritmo de obras, o risco de um racionamento em 2014 atinge 9% ou quase o dobro da média histórica com a qual o setor energético brasileiro está acostumado a conviver. 

 
O governo federal se apressou em desacreditar estes prognósticos, e anteontem a presidente da República dobrou a aposta, quando participava de mais um dos inflamados encontros petistas. 

 
Para ela, não passam de "pessimistas" os que receiam do que pode acontecer com a disponibilidade de energia no país nos próximos meses.

Dilma Rousseff confunde preocupação legítima com crítica destrutiva, talvez porque assim era quando seu partido militava na oposição. Os alertas, seja de seus adversários políticos, seja de analistas independentes, servem justamente para tentar evitar que o pior aconteça. 


Mas, de cima do palanque em que subiu há uns cinco anos e de onde nunca mais saiu, a presidente, infelizmente, não enxerga isso. 

 
Mas basta ter olhos para deparar-se com motivos de sobra para apreensão. Vejamos, por exemplo, o que está acontecendo com a geração eólica no país, para tomar o pulso dos descaminhos.

Nos últimos anos, a produção nacional de energia a partir dos ventos ganhou força, com mérito para o governo petista - que soube aproveitar a queda dos custos no mundo gerada pelo excesso de oferta dos outrora caríssimos equipamentos para esta área.

Ocorre que parte dos parques eólicos hoje instalados no país não gera um mísero megawatt, simplesmente porque não dispõe de linhas de transmissão para escoar a energia. 

 
Atualmente, há 622 MW parados à espera de linhões, o que representa 25% da capacidade eólica disponível no Brasil. Mas o volume inoperante de energia gerada a partir dos ventos pode mais que dobrar até o fim deste ano, chegando a 1,3 mil MW, segundo a agência especializada Canal Energia.

As deficiências na expansão do parque eólico apenas complicam um pouquinho mais a já crítica oferta de energia no país. A Folha de S.Paulo informa hoje que o país chegará à Copa de 2014 com seus reservatórios no limite do limite .

Como já estamos queimando tudo o que as termoelétricas podem gerar - com custos adicionais de R$ 400 milhões para os consumidores ao mês - um pouquinho menos de chuva ao longo deste ano pode ser catastrófico.
 Um último aspecto a considerar é a depauperada situação a que foram levadas as empresas do setor elétrico brasileiro, a partir da revisão intempestiva de seus contratos de concessão feita em fins de 2012.

No ano passado, segundo a consultoria Economática, o lucro delas caiu 61%, fazendo evaporar R$ 12 bilhões. Obviamente, sua capacidade de investir e expandir a oferta de energia no país restou bastante comprometida.

 
O Brasil exibe um imenso potencial de geração hídrica, vem investindo em novas fontes, mas depara-se com um dramático descasamento entre o que o país precisa consumir e a capacidade que tem de produzir energia.

Ser quixotescamente otimista não é atitude que colabore para enfrentar tamanho desafio.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Moinhos de vento

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