"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

janeiro 25, 2013

E PARA O brasil maravilha dos FALSÁRIOS E DA GERENTONA 1,99 E SEUS CRÉDULOS II : Rosas e espinhos

 
Com um discurso duro contra “previsões alarmistas” sobre o risco de racionamento de energia elétrica, devido ao baixo nível d’água dos reservatórios das hidrelétricas, e triunfante ao declarar que o país “vive uma situação privilegiada no mundo”, a presidente Dilma Rousseff formalizou a redução da conta de luz em cadeia de rádio e TV. Mas com uma surpresa à altura de quem já está em campanha pela reeleição. O corte será maior que o anunciado anteriormente.

Sentindo-se necessitada de construir alguma autonomia política em relação à sua sucessão, antes que a campanha eleitoral ganhe pique, e recuperar a confiança empresarial — condição antecedente para sua viabilidade diante do PT e dos partidos aliados, pois influenciada pela retomada do investimento produtivo e do ritmo do crescimento —, Dilma acomodou tais premissas em seu comunicado, sem escorregar.

Para os consumidores residenciais, o corte da conta de luz será de 18% (contra 16,2%, conforme anúncio feito em setembro), e, para as empresas, poderá chegar a 32% (antes, a 28%), dependendo do setor.


Na prática, será menos. 

A Aneel, a agência de regulação do setor elétrico, começou a preparar a revisão extraordinária das tarifas de todas as distribuidoras, inclusive das que recusaram a renovação antecipada dos contratos de concessão (condicionada à aceitação do corte tarifário), já que o benefício será universalizado.

Qual será o resultado líquido da desinflação da conta de luz para os consumidores? A ata da reunião do Comitê de Política Monetária, em que o Banco Central decidiu manter a Selic em 7,25%, estima que a tarifa residencial deva ter uma queda de 11% este ano (e adiciona a previsão de 5% para o aumento da gasolina). 

Uma pela outra, numa conta rasteira, o ganho liquido médio ao consumidor seria de 6%. 

Na verdade, será um pouco menos, já que, para elevar o tamanho da redução tarifária, o subsídio do Tesouro Nacional, segundo informa a Aneel, passará dos R$ 3,3 bilhões inicialmente estimados para R$ 8,46 bilhões. 

O dinheiro sairá da chamada Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um encargo criado em 2002 para fomentar a geração e distribuição de energia e subsidiar outras fontes, como a eólica. 

Como o Tesouro somos nós, pagamos, nós mesmos, o que recebemos.

Antônio Machado/Correio Braziliense

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