Além de lidar com problemas frequentes de baixa velocidade e instabilidade nas conexões, o brasileiro que navega na internet tem que encarar preços altos para ter acesso a serviços de banda larga de má qualidade.
Essa é a constatação de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) com as principais prestadoras de acesso de seis capitais do país.
A falta de concorrência no setor é apontado pelo Idec como um dos principais vilões da história.
“Além de influenciar a questão do preço, a competição entre as empresas ajuda a construir serviços de melhor qualidade”, defendeu a advogada da entidade, Estela Guerrini.
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 94,5% dos municípios brasileiros cobertos por banda larga a operadora líder no fornecimento de acesso à internet tem mais de 80% de participação, o que demostra a baixa competição.
Comparação
O estudo do Idec demonstrou também que o valor pago é bastante elevado quando comparado ao de outras nações.
“Além de o serviço ser ruim, ele é caro, o que compromete o acesso de pessoas de baixa renda aos serviços on-line”, acrescentou.
Para o brasileiro, o preço(1) da banda larga corresponde a quase 10 vezes o valor pago por consumidores de países desenvolvidos.
Carga tributária
Além da pouca concorrência no mercado, Abdala lembra que a alta carga tributária incidente sobre o serviço e a baixa renda da população também comprometem o acesso à web.
“Para se ter uma ideia, os impostos cobrados pelo governo aumentam, em média, 42% o valor cobrado pelo serviço.
Ou seja, para cada R$ 100 pagos por uma conta de internet, o usuário tem que pagar mais R$ 42 em tributos.
Nos Estados Unidos, essa taxa é de apenas 8,5%”, comparou.
1 - Alheios à rede
Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2009, realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), dos 32 milhões de residências no Brasil que têm computador, 15,6% não acessam a internet por causa do custo elevado da contratação do serviço.
Ou seja, apesar de o número de casas conectadas ter crescido 35% entre 2008 e 2009, ainda existem quase 5 milhões de computadores alheios à rede mundial no país.
RELAÇÃO DIRETA
A taxa de acesso à banda larga é diretamente relacionada ao nível salarial do usuário.
De acordo com estudo do Ipea, apenas 4,6% das famílias que vivem com um a dois salários mínimos contam com o serviço em casa.
Quando a renda do trabalhador cresce, o interesse pela internet de alta velocidade também aumenta.
Cerca de 14% dos domicílios com ganhos de dois a cinco mínimos são conectados, enquanto a participação para aqueles que recebem entre cinco e 20 salários sobe para 48,3%.
Das casas administradas com mais de 20 salários mínimos, 83,5% têm conexão rápida. (FB)
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