"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 11, 2014

"NOVA POLÍTICA 2" - 'Itaú nunca bancou Marina Silva', afirma Neca Setubal. OK ! SE ELEITA MARINA BANCARÁ O ITAÚ? NATURA...

Neca Setubal, coordenadora do programa de governo de Marina Silva e acionista do Itaú, afirma que o banco de sua família nunca sustentou a candidata do PSB ao Palácio do Planalto. Diz que os recursos que a ex-ministra do Meio Ambiente usa para viver vêm de suas palestras. 

E lembra que Marina até participou de conferências no Itaú, mas nunca recebeu por isso. “É baixar bastante o nível da campanha”, afirma Neca, que é socióloga, numa reação à presidente Dilma Rousseff, que anteontem sugeriu que Marina A petista usou o fato de Neca ter doado, como pessoa física, cerca de R$ 1 milhão em 2013 ao instituto fundado pela ex-ministra do Meio Ambiente para desenvolver projetos de sustentabilidade. 

O aporte bancou 83% dos custos da entidade no ano passado. “Não apoio só esse instituto, mas também outras 15 instituições, entre elas a Doutores das Águas, Greenpeace, Casa do Coração, Sonho Brasileiro e Instituto Chapada da Educação”, diz. “Fico muito triste de ver o PT, um partido que sempre admirei e no qual votei algumas vezes - assim como também já votei no PV, no PSB, no PSDB, embora jamais tivesse me filiado a nenhum partido, somente à Rede -, fazendo esse tipo de ataque.”é “sustentada” por banqueiros.Neca afirma que sua ONG Cenpec já trabalhou com vários governos de diversos partidos. 

Neca, que chegou a receber convite para ser secretária de Educação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, conta que se aproximou da candidata do PSB após um encontro em 2010, na produtora do cineasta Fernando Meirelles: “A Marina me marcou muito. Ela observou termos vidas opostas. O destino dela era ser uma menina pobre dos seringais do Acre e o meu era ser uma menina rica de São Paulo. Mas, por causa da educação, nós estávamos ali conversando.” 

A seguir, os principais trechos da entrevista:
A senhora ou o seu instituto sustentam a candidata Marina Silva?
A Marina sempre teve o seu trabalho. Desde que saiu do Ministério do Meio Ambiente, depois das eleições de 2010, passou a ter como sustento suas palestras. Isso já é publico. Nenhuma das instituições às quais estou à frente jamais fez pagamentos a ela. Tampouco o Itaú remunerou nossa candidata.
Consta que a senhora contribuiu com mais de 80% das doações do Instituto Marina Silva.
Isso é verdade, mas o Instituto sobreviveria essa doação. Marina é um nome reconhecido internacionalmente. Ela arrecadaria de outras fontes facilmente.
Ela é remunerada pelo trabalho que faz no Instituto?
Não. E nenhum diretor é. Por ser uma entidade sem fins lucrativos, por lei, é proibida a remuneração.
E de onde vem o dinheiro que sustenta Marina?
Ela tem sua consultoria e dá palestras. Só apoiei o Instituto Marina Silva nos projetos que ele desenvolve em relação a sustentabilidade, jovens e educação.
O Banco Itaú é dono da Fundação Tide Setubal?
Não. É uma fundação familiar sem relação com o banco. Eu sou a presidente do conselho, do qual alguns de meus irmãos também fazem parte. A fundação tem várias parcerias, com diferentes órgãos, inclusive com a Prefeitura, num Telecentro em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Temos diversos convênios firmados, mas nenhum deles de repasse direto de recursos.
Antes de se engajar na campanha de Marina, a senhora foi convidada pelo prefeito Fernando Haddad para ser secretária de Educação. Por que não aceitou?
Tenho muita admiração pelo Fernando Haddad, especialmente pela época em que ele foi ministro da Educação. A pasta e o Cenpec desenvolveram trabalhos em conjunto. Acho que Haddad conseguiu manter as conquistas do Fernando Henrique Cardoso na área da educação e deu um salto em relação a isso. Eu o admiro e participei de sua campanha à Prefeitura. Fiquei muito honrada quando ele me convidou para ser secretária de Educação, porque é um reconhecimento do meu trabalho, da legitimidade da minha atuação na área da educação, mas, naquele momento, preferi não aceitar.
Como a senhora reage ao fato de ter sido chamada pela presidente Dilma Rousseff de defensora dos interesses dos bancos?
Fico muito triste de ver o PT, um partido que sempre admirei e no qual votei algumas vezes - assim como também já votei no PV, no PSB, no PSDB, embora jamais tivesse me filiado a nenhum partido, somente à Rede -, fazendo esse tipo de ataque. São ataques baseados em inverdades, que buscam distorcer uma realidade. Por outro lado, tenho certeza de que essa atitude não é do PT como um todo. Isso é um absurdo, é baixar bastante o nível da campanha.
A senhora já trabalhou com vários governos, votou em vários partidos. O que a fez escolher Marina Silva?
Falei sobre o PT, mas o Cenpec desenvolve trabalhos para todos os partidos, é uma instituição apartidária. De uma forma mais próxima, acompanhamos o projeto da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, fizemos trabalhos para Maria Helena Guimarães de Castro (secretária entre 2007 e 2009, durante o governo de José Serra). Depois, com Alckmin, participamos de um grupo de trabalho com fundações empresariais e ONGs. Sempre recusei cargos na administração pública, como falei, mas a Marina me convenceu de que, para fazer mesmo a diferença, é preciso entrar na política. Para gerar impacto no País, é preciso atuar na esfera política. Desde que conheci a Marina, em 2009, acreditei nessa possibilidade, visualizei no discurso dela, nas propostas dela, uma outra forma de pensar a política e o País - uma forma que não está tão presa a esses rótulos de esquerda e direita, que acabam reduzindo a complexidade da sociedade e de seus problemas.
A senhora acha que há preconceito da sociedade contra banqueiros?
Isso também diferencia a Marina dos outros políticos. Quando ela me conheceu, já sabia da minha história familiar, e nunca teve esse preconceito. Acho que existe, sim, um preconceito da sociedade. E não é apenas da população mais pobre, não, mas também dos empresários. Eu entendo, acho que há uma história muito antiga, vem lá da Idade Média. Não acontece só no Brasil, não, é mundial. Mas isso nunca foi um problema para a Marina, aliás, muito pelo contrário. Em uma das primeiras vezes que nos encontramos - em janeiro de 2010 -, no estúdio do Fernando Meirelles, ele estava fazendo pequenos vídeos, em que a Marina entrevistava convidados. A conversa com Marina me marcou muito, Ela observou termos vidas opostas. O destino dela era ser uma menina pobre dos seringais do Acre e o meu era ser uma menina rica de São Paulo. Mas, por causa da educação, nós estávamos ali conversando. Desde aquele momento, percebi que ela tem uma visão acima da de todos nós. Porque qual é a visão que as pessoas, em geral, têm: “Nossa, Neca, você podia estar no shopping, na Daslu, viajando, mas prefere trabalhar no Cenpec”. Sempre estranho quando as pessoas falam algo do tipo “você não precisava estar aqui”, em tom de elogio. Obviamente que eu agradeço, sou solidária, mas acho que, de novo, isso é rotular, como se as pessoas, por terem dinheiro, porque são da família XYZ, têm um destino pronto, que é corresponder a uma expectativa da sociedade.
Estes ataques podem, de alguma forma, alijar a senhora da campanha?
Estou à frente da campanha, com o Mauricio Rands e tenho o maior apoio de todos, principalmente da Marina e do Beto Albuquerque. Estou nesse lugar porque sou uma educadora, tenho reconhecimento, trajetória profissional de 30 anos. Acho que tenho de enfrentar isso. Nós estamos em uma campanha presidencial, e o fato de eu estar muito próxima da coordenação da campanha me torna uma pessoa pública. Nós estamos em uma democracia, é normal ter de responder a essas questões que vêm da mídia e de diferentes setores. Todos querem saber quem é essa pessoa tão próxima da Marina. Mas espero que isso seja mantido dentro de uma visão de debate de ideias, não de preconceitos ou rótulos. De olhar a minha trajetória, Gostaria que as pessoas entrassem no Google para ver a minha vida profissional. Quero mostrar minha história, não tenho nada a esconder.
O Roberto Setubal disse, recentemente, que a eleição de Marina seria algo natural para o País. Isso é uma indicação de voto?
Não, quando o Lula ganhou, em 2002, também ficou famosa uma declaração dele de que o País não ia mudar, porque o mercado financeiro, naquele momento, estava agitado, a Bolsa caiu e tudo. Acho que, agora, a fala dele foi uma constatação das pesquisas, não uma posição política . Não sei em quem ele vota.
A senhora conversa com ele sobre política?
Converso, porque, na minha casa, com o meu pai, sempre se falava sobre dois assuntos: política e economia. Outros temas não entravam quando ele estava próximo. Então, todos nós falamos bastante sobre política e economia. Mas o Roberto nunca declarou voto.
Em um eventual governo de Marina Silva, haveria algum tipo de conflito de interesses com relação às decisões do Banco Central, já que a senhora é acionista do Banco Itaú?
Eu entendo que as pessoas acabem fazendo uma confusão entre minha história profissional, meu trabalho, e o Banco Itaú. Mas nunca ocupei nenhum cargo no banco, jamais participei de nenhum conselho deliberativo. Faço parte de um conselho consultivo da Fundação Itaú Social. Nunca fiz declaração - pode dar Google - sobre o banco, não participo das decisões nem de nenhuma reunião do banco. Meu trabalho é estar com a Marina.
Entende de economia?
Não, não entendo nada de economia. Agora, como coordenadora do programa, obviamente tive de participar de todas as discussões, mas não tive interferência nenhuma na área de economia, há vários economistas que respondem por essa parte do programa da Marina.
Uma última pergunta: já que a senhora não entende de economia, como aplica seu dinheiro?
No private do Itaú (risos).
Sonia Racy

"NOVA POLÍTICA" COSTELA DO CACHACEIRO VIGARISTA OU : Um debate abastardado

Seria engraçada se não fosse deplorável a troca de acusações entre as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva sobre quem é mais submissa aos banqueiros. Começou, como sabem todos quantos tiveram a desventura de ouvi-las, com um ataque rombudo da presidente à promessa da adversária de que, eleita, encaminhará projeto de lei para tornar o Banco Central (BC) autônomo em relação aos governos de turno e ao Congresso Nacional. 

Em um vídeo de propaganda, na segunda-feira à noite, Dilma se pôs a "explicar" ao público o que significaria, no seu entender, o que "parece algo distante da vida da gente, né?". Seria nada menos do que "entregar aos banqueiros" um poder imenso "sobre a sua vida e a de sua família". Seu fiel escudeiro, Marco Aurélio Garcia, completou a estultícia: "Se houver essa independência, que será a dependência dos bancos privados, teremos a impossibilidade de formular políticas macroeconômicas e de desenvolvimento".

Marina replicou por baixo; fulanizou a discussão, disparando que "nunca os banqueiros ganharam tanto" como no atual governo, graças à "bolsa empresário", à "bolsa banqueiro", à "bolsa juros altos". Trata-se de uma rajada de despropósitos, a começar do primeiro, que deve ter caído no meio empresarial, que carrega um caminhão de justas queixas da assim chamada política econômica, como uma massagem de sal nas suas feridas. De mais a mais, funcionando como funciona o BC, a inflação supera a meta e a economia cambaleia entre a recessão e um pífio crescimento de menos de 1%.
A personalização da pendenga era tudo o que Dilma queria, desde que tomou a decisão (ou tomaram por ela) de partir para cima da rival, trocando as luvas pelo soco inglês. A campanha da presidente parece ter concluído que as suas chances de dar a volta por cima no segundo turno, desmentindo as pesquisas que apontam a vitória da pregadora da "nova política", variam na razão direta da competência de Dilma em oxidar a aura graças à qual a ex-petista, concorrendo pelo Partido Verde, colheu desconcertantes 19,6 milhões de votos na disputa de 2010.

A presidente há de ter intuído que, se é para falar em banqueiros - atrás apenas dos políticos entre os campeões do desafeto nacional, especialmente na população mais pobre -, o negócio é vincular a desafiante aos vice-líderes desse inglório duelo. E mandou ver.

"Não adianta querer falar que eu fiz 'bolsa banqueiro'", retrucou. "Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro me sustentando." É preciso ser muito desinformado para ignorar a pontiaguda alusão à educadora Maria Alice Setubal, a Neca, cujo irmão Roberto preside o Itaú Unibanco, o que a torna herdeira da instituição.

Amiga de longa data de Marina, ela coordena o seu programa de governo e faz a ponte entre a candidata e o empresariado (que a olhava de soslaio quando era vice na chapa de Eduardo Campos). Segundo a Folha de S.Paulo, no ano passado Neca doou perto de R$ 1 milhão para um instituto criado por Marina para desenvolver projetos sobre sustentabilidade. O valor equivale a 83% do total arrecadado no período. 

A troca de desaforos terminou - ou ficou interrompida - com Marina perdendo o prumo. "O Banco Central autônomo", argumentou, juntando tudo e misturando, "é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobrás." Mas isso é o de menos. 

O de mais é que é de pasmar: 
a naturalidade com que as candidatas mais cotadas para adentrar ou permanecer no Planalto em 2015 se puseram a abastardar um debate de grande importância para a condução do Brasil - como é naqueles países com os quais aspiramos a ser comparados. O grau de liberdade da autoridade monetária não apenas para fixar a taxa básica de juros, mas também a política de câmbio, além de zelar pela integridade do sistema financeiro, não deveria ser objeto de tiradas marqueteiras.

A escassa familiaridade da grande maioria dos brasileiros com o assunto deveria ser um motivo a mais para que os presidenciáveis se guardassem de usá-lo como tacape eleitoral. Fazendo a coisa errada, escancaram a pobreza substantiva das suas campanhas. A videopolítica, que privilegia o componente pessoal da competição pelo voto sobre o que efetivamente os competidores têm a oferecer ao País, completa o desserviço.


O Estado de São Paulo

setembro 10, 2014

PARA REGISTRO ! O FUTURO A DEUS PERTENCE OU : TEMPOS ESTRANHOS? Lewandowski toma posse como presidente do STF e cita Luther King

Camuflados: 

"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons." Martin Luther King


O ministro Ricardo Lewandowski, 66, tomou posse nesta quarta-feira (10) como presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), para um mandato de dois anos como chefe do Poder Judiciário brasileiro.

Na posse, o ministro defendeu o protagonismo do Supremo, falou em "censura ao Judiciário" e citou o líder dos direitos civis, Martin Luther King.

"I have a dream, eu tenho um sonho". Era um sonho de igualdade e de fraternidade para todos os americanos indistintamente. Nós também temos um sonho: o sonho de ver um Judiciário forte, unido e prestigiado, que possa ocupar o lugar que merece no cenário social e político deste país", disse.

O novo presidente do STF destacou as críticas que o Judiciário recebe sobre julgamentos polêmicos.

"Alguns falam numa 'judicialização da política', enquanto outros mencionam uma politização da justiça. Ambas as expressões traduzem uma avaliação negativa acerca da atuação do Judiciário, ao qual se imputa um extravasamento indevido de suas competências constitucionais. Outra censura assacada contra o Judiciário diz respeito à morosidade", disse.

O recado foi dado em frente aos presidentes do Senado e Câmara –congressistas costumam reclamar que o Supremo extrapola funções e judicializa questões do Legislativo.

"O Supremo Tribunal Federal, de modo particular, passou a interferir em situações limítrofes, nas quais nem o Legislativo, nem o Executivo, lograram alcançar os necessários consensos para resolvê-las", destacou.

No discurso, o novo presidente do STF disse que esse protagonismo do Judiciário representou mais processos e, por isso, vai estimular soluções para desafogar as demandas. "Valendo-nos dessa janela de oportunidade que o destino aparenta descerrar, buscaremos atingir, na Presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, algumas metas", disse.

Ricardo Lewandowski destacou entre as metas intensificar meios eletrônicos para acelerar julgamentos e desestimular manobras para retardar processos.

DIÁLOGO
Lewandowski assume a vaga de Joaquim Barbosa, que renunciou à presidência para antecipar sua aposentadoria. Barbosa não participou da solenidade.

No Supremo, Lewandowski e Barbosa protagonizaram troca de aspas públicas, durante o julgamento do mensalão. Em diversas situações, Lewandowski tomou posições a favor dos réus do mensalão enquanto Barbosa, contra.

Emocionado durante a posse, o ministro assume também o cargo de presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e ouviu discursos que pregavam o diálogo com autoridades, como ressaltado pelo ministro Marco Aurélio Mello e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Dialogar não representa abrir mão de deveres institucionais, tampouco da a autonomia inerente a cada poder. O diálogo é o amalgama necessário à estabilidade institucional, de modo a permitir o avanço democrático", disse Janot.

A presidente Dilma Rousseff, chefe do Poder Executivo, participou da solenidade, além de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e chefe do Legislativo e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

A cerimônia teve a presença de ex-ministros do Supremo, como Ayres Britto, Cezar Peluso e Nelson Jobim, além de integrantes do governo Dilma, como Aloizio Mercadante (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União).

Do lado de fora, um grupo de cerca de cem servidores manifestavam por aumentos salariais.


Rumo à segundona‏ COM A PRESIDENTA DE RABEIRA DO CACHACEIRO PARLAPATÃO VELHACO


Com uma política à altura do futebolzinho que a seleção brasileira jogou na Copa do Mundo, o Brasil corre o risco de cair para a segunda divisão entre as economias do mundo. A avaliação que os credores internacionais fazem das nossas condições econômicas é cadente.

Ontem foi a vez de a Moody's colocar a nota de crédito do país em perspectiva negativa. A agência segue o mesmo caminho já trilhado pela Standard & Poor's, que em junho do ano passado reduziu a perspectiva dos títulos brasileiros e, nove meses depois, em março último, rebaixou-os.

Entre os motivos que a Moody's cita para sua decisão estão: baixo crescimento da economia, baixo investimento e mau desempenho fiscal. Se alguém se surpreende ou não concorda com isso, provavelmente não conhece o que está acontecendo no Brasil.

Tomando-se apenas o que ocorreu nos últimos sete meses, o resultado primário do governo brasileiro saiu de superávit de R$ 10,4 bilhões em dezembro passado para um déficit de R$ 4,7 bilhões em julho. No mesmo período, a dívida bruta em proporção do PIB subiu de 56,7% para 59%, segundo o Valor Econômico.

Desde que Dilma assumiu o comando do país, a deterioração é ainda mais aguda. Entre 2006 e 2010, a relação dívida bruta/PIB havia caído três pontos: de 56,4% para 53,4%. Em menos de quatro anos, a atual presidente piorou o indicador em quase seis pontos do PIB.

Na alienação que passou a caracterizar a pasta nos anos recentes, o Ministério da Fazenda sustentou que os problemas que levaram à decisão da Moody's "já estão sendo superados". Novamente a culpa pela ruindade econômica do Brasil neste momento foi jogada nas costas do mundo, da Copa e da seca.

Só quem não conhece a fama do demitido Guido Mantega compra uma avaliação desta. A própria Moody's é taxativa: o problema são "fraquezas domésticas" e não fatores globais, num momento em que boa parte das economias que passaram por crise já se recuperam.

Se ocorrer mesmo o rebaixamento, o que pode levar até 18 meses, o degrau seguinte é o nível especulativo. Como consequência, diminui a oferta de crédito para o país e o dinheiro dos empréstimos fica mais caro. A vida da economia, em suma, fica mais difícil.

Fato é que o governo Dilma simplesmente implodiu a responsabilidade fiscal nos moldes como foi estabelecida pela gestão tucana, como parte do tripé macroeconômico que também inclui o regime de metas para a inflação e o câmbio flutuante.

No lugar de uma política vitoriosa, atestada até pelos resultados alcançados nos anos iniciais do petismo com Lula, a atual candidata à reeleição colocou um monstrengo que só conseguiu produzir desaceleração econômica, inflação constantemente alta e um desânimo generalizado no ambiente econômico. Só Dilma para conseguir um feito assim em tão pouco tempo.


Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

DESAVERGONHADA NAS NUVENS! AQUI NUNCA PASSOU DE UMA MERA "MUIÉ" DA BANDIDAGEM, UMA SERVA ÚTIL DO CACHACEIRO VELHACO.


A presidente Dilma Rousseff considera "estarrecedor" que um servidor de carreira da Petrobrás - o seu diretor de abastecimento e refino entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa - tenha sido o mentor do megaescândalo de corrupção na estatal que começou a emergir em março último, com a prisão dele e de seu sócio Alberto Youssef, o doleiro suspeito de branquear R$ 10 bilhões. Costa, como se sabe, conseguiu ser solto, mas voltou para a cadeia em junho, quando se descobriu que mantinha US$ 23 milhões em contas na Suíça, o que poderia induzi-lo a fugir do País. 


Em fins de agosto, para não ser condenado às penas a que de outro modo estaria exposto e, ainda, obter perdão judicial, ele começou a contar ao Ministério Público e à Polícia Federal o que seria a versão integral da roubalheira.

No último sábado, a imprensa divulgou quantos - e, em um caso, quais - seriam os políticos e autoridades que ele teria acusado de receber propinas equivalentes a 3% do valor de contratos firmados com empresas participantes da tramoia. Na segunda-feira, na sua vez de ser ouvida por este jornal na série de entrevistas com os candidatos ao Planalto, a presidente fez a respeito do esquema afirmações, estas sim, de estarrecer. Pelo cinismo, em primeiro lugar.

"Eu não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da empresa", sustentou, de cara lavada. A ex-ministra de Minas e Energia e ex-titular da Casa Civil do governo Lula - e, nessa condição, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, a sua mais alta instância decisória - não pode se passar por nefelibata, vivendo nas nuvens.

Não bastasse a massa de informações sobre a empresa a que tinha acesso por força dos cargos que ocupava no aparato estatal mesmo antes de vir a comandá-lo, as questões relacionadas a energia, em geral, e ao petróleo, em especial, sempre interessaram de perto a ex-mestranda em economia pela Unicamp. Depois, presidente da República, colocou no comando da Petrobrás uma servidora de carreira, cuja lealdade à amiga próxima decerto faria com que compartilhasse com ela histórias do cotidiano da companhia que talvez não comentasse nem sequer com os membros da diretoria executiva por ela nomeados. 


Por último, o serviço de inteligência do Executivo federal sempre poderia ser acionado para seguir de olhos bem abertos o que se passava na maior empresa brasileira.

É praticamente impossível escapar à conclusão de que Dilma, a detalhista, não quis saber do enraizado sistema de fraudes que, ao beneficiar políticos da base aliada do Planalto, contribuía objetivamente para consolidar a agigantada coligação eleitoral de nove partidos com a qual espera se reeleger. No limite, a presidente não teria querido que se soubesse. A sua outra afirmação estarrecedora foi a de "garantir (o termo é dela) que todas as sangrias que pudessem existir estão estancadas". Podem estar, mas, aí sim, pode-se dizer com absoluta certeza que ela não tem nada com isso. 

Suspeitas sobre "malfeitos" na Petrobrás se sucediam havia pelo menos três anos. Paulo Roberto Costa deixou a empresa em março de 2012, mas já em agosto tinha montado uma consultoria que funcionava como uma cópia da chave com a qual, anos a fio, abrira as portas dos gabinetes mais procurados da estatal.

Assim como o então diretor, o novo consultor continuou a manter desenvoltos negócios, por exemplo, com a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tida pelos conhecedores como um poço sem fundo de maracutaias. Era para custar R$ 5,6 bilhões. Deverá custar R$ 41,5 bilhões. A estimativa inicial, desdenhou Costa numa entrevista, era uma "conta de padeiro". O fato é que Dilma, podendo fazê-lo, não moveu um dedo para suturar as veias abertas da Petrobrás. 

Elas continuavam a verter, com toda probabilidade, até a Polícia Federal desencadear a Operação Lava Jato que levou à prisão, entre outros, a empreendedora dupla Costa & Youssef e à decisão do primeiro de delatar o esquema que chefiava em benefício de empreiteiras e políticos governistas. Já a presidente da República, quando podia coi
bir o assalto aos cofres da Petrobrás, não o fez. 
Agora, pelo menos demonstre algum respeito pela inteligência do público.



O Estado de São Paulo

'Homem-bomba' volta a depor sobre esquema de propina na Petrobras. Ex-diretor da estatal falou ontem por mais 10 horas como parte do acordo de delação premiada. Costa até convidou o doleiro Alberto Youssef a também colaborar com a Justiça.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa voltou a prestar nesta terça-feira depoimento a um grupo de procuradores e delegados da Polícia Federal como parte do acordo de delação premiada, em Curitiba. Costa foi interrogado por quase dez horas. O depoimento começou às 8h da manhã e só terminou no início da noite. As declarações do ex-diretor sobre o esquema de propina na estatal são consideradas explosivas.
(...)
A partir do início da delação, a PF mudou a rotina de Costa. Desde o primeiro depoimento, ele está sendo mantido numa cela individual. Quando trocou de advogado e saiu da cela para o primeiro depoimento da delação, Costa até convidou o doleiro Alberto Youssef a também colaborar com a Justiça. 
Youssef agradeceu e disse que o ex-diretor poderia seguir em frente.

Essa teria sido a última vez que os dois conversaram. 
Ambos permanecem detidos na carceragem da PF em Curitiba.

Mas o não de Youssef à sugestão de Costa pode não ser definitivo. Nesta terça-feira, o advogado Antônio Figueredo Basto admitiu que, depois da decisão do ex-diretor da Petrobras de colaborar com a investigação da Lava-Jato, Youssef poderá seguir o mesmo caminho. Basto é contra a delação, mas o cenário mudou nos últimos dias e ele não se surpreenderá se Youssef também resolver contar o que sabe — o que poderia provocar um impacto político ainda maior que as revelações de Costa.

— Se fizerem uma proposta que atenda aos interesses de Youssef, e é ele quem decide, ele tem todo o direito de procurar o melhor caminho de ir para casa — disse Basto.

DIVERGÊNCIA SOBRE ACORDO
O Ministério Público Federal no Paraná continua negociando com o doleiro. Procuradores acreditam que o acordo não saiu até agora porque Youssef teria discordado dos termos acertados. O doleiro, mesmo com a delação, ainda teria de ficar mais dois ou três anos preso. A legislação prevê o perdão judicial ao réu colaborador ou a diminuição da pena em até dois terços. A extinção da punibilidade só pode ser concedida a réus primários, conforme a lei.

Youssef acredita que o potencial das informações que acumula sobre o esquema é muito maior que o de Costa. E seu objetivo é sair da prisão já. Com sete meses cumpridos em regime fechado, ele quer ser beneficiado com, no máximo, mais três meses em regime semiaberto. Sendo assim, já no Natal, estaria livre. O doleiro também quer garantia de que parte de seu dinheiro bloqueado será liberado.

Familiares de Youssef também teriam aumentado a pressão para que o doleiro conte tudo o que sabe e, com isso, se livre de boa parte da punição que pode vir com futuras condenações. Em reuniões internas, quatro dos cinco advogados que defendem Youssef já votaram a favor da delação. O único do grupo a votar contra foi Basto, o chefe da equipe.

— Se ele quiser fazer a delação, eu até ajudo a alinhavar o acordo. Mas deixo o caso. Eu ainda acho que podemos vencer mostrando as falhas processuais. Os fatos investigados teriam acontecido em São Paulo, Rio e Pernambuco. Não tem nada no Paraná. Então o juiz do caso não pode ser de Curitiba — disse Basto.


JAILTON DE CARVALHO E VINICIUS SASSINE
O Globo

setembro 09, 2014

NUNCA SOUBE ! "PRESIDENTA"(?) NÃO SABE O QUE FAZ


Dilma Rousseff forneceu ontem uma das mais perfeitas traduções do que é seu (des)governo. Afirmou, em sabatina promovida por O Estado de S. Paulo, que "não tinha a menor ideia" sobre os escândalos que se desenrolam há anos na Petrobras e sangram os cofres públicos em bilhões de reais. 

Ninguém pode ignorar:
gente tão inepta para governar não pode continuar onde está.


Há quase quatro anos, Dilma ocupa o principal posto de poder no Brasil. 
Chegou lá sem ter disputado uma única eleição anteriormente. Agora, tenta conquistar novo mandato para manter-se mais quatro anos no comando do país. Neste tempo todo, não fez ideia dos desmandos que se desenrolaram, e se desenrolam, sob o seu nariz. Por que continuar lá?

Antes de chegar à principal sala do Planalto, Dilma esteve sempre umbilicalmente ligada à Petrobras. Entre 2003 e 2005 foi ministra de Minas e Energia, pasta à qual está ligada a estatal. Desde que saiu de lá, deixou como sucessores ministros de sua confiança direta. Mesmo assim, "não tinha a menor ideia" do que se passava na Petrobras.

Depois que deixou o ministério, foi para a Casa Civil, onde ficou até 2010. 
Lá comandou o Programa de Aceleração do Crescimento, cujo resultado mais visível foi ter reduzido a taxa de investimentos do país... A Petrobras é a maior fonte de investimentos do PAC, mas Dilma "não tinha a menor ideia" do que se passava por lá.

.A relação mais longeva e direta entre a petista e a estatal deu-se, porém, quando Dilma ocupou a presidência do Conselho de Administração da Petrobras. A função foi desempenhada por ela desde o início do governo Lula até março de 2010. Foi, portanto, sua mais duradoura ocupação. No entanto, Dilma "não tinha a menor ideia" do que se passava por lá.

O que Dilma ignora, o Brasil inteiro está cansado de saber, mesmo que a cada dia surjam revelações cada vez mais escabrosas e estarrecedoras: 
a maior empresa brasileira, orgulho nacional, foi tomada de assalto e tem sido pilhada por anos a fio por uma quadrilha que se apossou do Estado brasileiro chamada PT.

À presidente da República não pode ser dado o benefício da ignorância. As denúncias de corrupção na Petrobras já vêm de longe, os indícios de superfaturamento e desvios de dinheiro já foram sobejamente noticiados. A respeito disso, Dilma Rousseff não tem direito de dizer que "não tinha a menor ideia".
Se o que a petista diz é verdade, então não há outra conclusão a chegar: 
sua competência para gerir uma quitanda que seja é nula, sua aptidão para comandar um país como o Brasil é nenhuma, sua capacidade para ocupar o cargo que ocupa é inexistente. Isso tudo os brasileiros já estamos cansados de saber.
Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela
Dilma não sabe o que faz

"NOVA POLÍTICA" ! Ao contrário do que diz, Marina votou contra a CPMF. Registros do site do Senado mostram que, então no PT, candidata ficou contra o tributo em 1995 e em 1999


Ao contrário do que afirma em declarações públicas, a candidata Marina Silva (PSB) não votou a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Registros do site do Senado mostram que Marina, então no PT, ficou contra o tributo em 1995 e em 1999. Em 2002 não registrou seu voto. O apoio à CPMF tem sido utilizado por ela como discurso de que não fez “oposição por oposição” no Congresso Nacional e que esperava a mesma postura dos parlamentares, caso seja eleita. (Blog Preto no Branco checou as votações)



O registro das principais votações durante o governo do PSDB mostram uma atuação típica de oposição. Em 1997, votou contra a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a quebra do monopólio estatal e o modelo de concessão para exploração de petróleo e a reforma administrativa, que cortou benefícios de servidores públicos. De licença médica, não registrou voto na reforma da previdência de 1997. Em 2000 votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que fixou normas e limites de gastos para a gestão pública. Apoiou apenas projetos na área social em bandeiras compartilhadas por seu partido, como a criação do Fundef com o estabelecimento de financiamento fixo para a educação e a definição de gastos na área de saúde, a chamada emenda 29.

Desde que assumiu a candidatura presidencial neste ano, Marina menciona sua postura quando senadora como modelo de que é possível manter governabilidade sem ter ampla base parlamentar. E cita exatamente a CPMF como principal argumento.

- Quando o presidente Fernando Henrique Cardoso mandou a CPMF para ser votada, o meu partido era contra, mas eu e o Suplicy votamos favorável – disse Marina na semana passada em sabatina do portal G1.

A CPMF foi sucessora do IPMF, criado ainda no governo Itamar Franco, com o objetivo de aumentar investimentos na área de saúde. O ministro Adib Jatene fez campanha no Congresso para conseguir o recurso extra. Em 1995 o tema chegou ao Senado por meio de uma proposta de emenda constitucional (PEC). Marina Silva registrou voto contrário nas duas votações em plenário, em outubro e novembro daquele ano. Quatro anos mais tarde, o tema voltou ao debate no Senado e a candidata votou outras duas vezes contra a cobrança.

Em 4 de junho de 2002 a continuidade do tributo foi novamente debatida. Naquele momento o petista Luiz Inácio Lula da Silva liderava as pesquisas de intenção de voto e foi feito um acordo para prorrogar a cobrança. O líder do PT, Eduardo Suplicy, encaminhou favorável à votação.

- Encaminho a votação, pelas bancadas do bloco de oposição e do Partido dos Trabalhadores, favoravelmente à emenda relativa à CPMF, com o entendimento primeiro de que se trata, no caso, de uma necessidade orçamentária para o período de 2002 a 2004 – disse Suplicy em plenário.A prorrogação teve o apoio de vários integrantes do PT e do então candidato a vice de Lula, José Alencar, crítico do sistema tributário do país.

- Estou aqui para trazer um protesto contra a CPMF, ainda que eu vá votar a favor dela. E assim o farei apenas por que o Brasil não pode prescindir dessa arrecadação, que representa mais de R$20 bilhões – afirmou Alencar na votação.

Presente no plenário, Marina não registrou seu voto. Minutos antes tinha discursado sobre um projeto que liberava a concessão de um empréstimo ao Acre e votou em outra proposta. Sobre a CPMF, não se manifestou. No caso de propostas de emenda constitucional, não votar tem o mesmo peso de ser contrário, uma vez que é preciso ter 49 votos sim para a aprovação. Oito dias depois dessa votação, a matéria foi votada em segundo turno e mais uma vez Marina não registrou voto. 



Questionada deste quarta-feira passada, a assessoria da candidata não se pronunciou sobre a contradição nem apontou qual seria o voto favorável a que ela se refere.


EDUARDO BRESCIANI
O Globo

MENSALÃO 2 ! Os ‘fins justificam os meios’ também na Petrobras

Foi o próprio Roberto Jefferson, deputado federal pelo PTB fluminense, que batizou o esquema de “mensalão” ao denunciar, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, a distribuição de dinheiro sujo entre parlamentares do governo. Transcorria 2005. Sete anos depois, o STF começaria a lavrar as primeiras condenações de mensaleiros. Entre eles, poderosos como o ex-ministro José Dirceu. O próprio Jefferson terminaria preso, por ter sido um deles.


Não se podia esperar, entretanto, que o mesmo grupo do PT responsável pela operação fraudulenta repetiria o delito e, talvez, até em maiores dimensões. Se, no primeiro mensalão, aproveitou-se um aparelho sindical petista montado na diretoria do Banco do Brasil a fim de bombear recursos da instituição estatal para a lavanderia de Marcos Valério, desta vez a estatal saqueada foi a Petrobras. E o destino dos recursos surrupiados, segundo depoimentos sigilosos vazados, feitos ao Ministério Público por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, foi o mesmo: políticos da base governamental, especificamente do PT, PMDB e PP. 


Ressalve-se que, ao aceitar fazer delação em busca do prêmio da redução de pena, Paulo Roberto terá de provar tudo o que diz. Da primeira lista de beneficiários, constam 25 deputados federais, seis senadores, três governadores e um ministro. Virão mais nomes. Entre os destaques, a cúpula do Congresso — Henrique Alves e Renan Calheiros —, Edison Lobão, das Minas e Energia; Sérgio Cabral e o falecido Eduardo Campos.



Fora do campo parlamentar, está na lista de Costa o indefectível João Vaccari Neto, sucessor na tesouraria do PT de Delúbio Soares, mensaleiro em fase de cumprimento de pena. Vaccari seria o intermediário entre Costa e empreiteiros, conhecida fonte de dinheiro de corrupção.

A história do novo mensalão parece mais longa. 
Colocado numa “geladeira” na estatal durante a gestão tucana, Paulo Roberto, chamado de “Paulinho” por Lula, assumiu a diretoria de Abastecimento da Petrobras em 2004 e lá ficou até 2012. Atravessou dois mandatos de Lula, quase completos, e a primeira fase de Dilma no Planalto. Lula deverá repetir o “nada sei” do primeiro mensalão. Dilma, embora ministra de Minas e Energia e da Casa Civil de Lula, e presidente do Conselho de Administração da estatal, já afirmou ontem o mesmo. 

Outros diretores precisarão ser ouvidos, a começar por José Sérgio Gabrielli, ex-presidente, símbolo do lulopetismo na estatal.

A ordenha criminosa de dinheiro público, agora por meio da cobrança de “por fora” de empreiteiras e/ou superfaturamento de contratos assinados com a estatal, abasteceria o doleiro Alberto Youssef, o Marcos Valério deste mensalão. Lavado, o dinheiro chegaria aos políticos. As minas de ouro exploradas seriam a bilionária refinaria Abreu e Lima e a caríssima unidade de refino comprada em Pasadena.

O conhecido lema de certa esquerda de que “os fins justificam os meios” justificou mais delinquências no governo do que se pensava.

Editorial O Globo

Um pré-sal de lama


É ainda muito pouco - e incerto - o que acaba de vir a público do esquema de corrupção na Petrobrás, a partir das informações que o ex-diretor de abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa teria repassado ao Ministério Público e à Polícia Federal desde que começou a contar o que saberia sobre o pré-sal de lama na petroleira. Ele se tornou delator na esperança de escapar a penas que podem somar 50 anos de prisão por suas traficâncias com o doleiro Alberto Youssef, desarticuladas pela Operação Lava Jato em março último. 

Youssef teria branqueado R$ 10 bilhões. No setor de seu parceiro, as maracutaias podem ter custado à Petrobrás R$ 3,4 bilhões em propinas pagas a autoridades, políticos e empresários, estima o jornal Valor, à razão de 3% de cada contrato assinado.

Segundo o Estado, pelo menos 32 figurões - entre parlamentares, um governador e um ministro - teriam se beneficiado. O jornal citou o presidente do Senado, Renan Calheiros. Para a Folha de S.Paulo, seriam 62 os envolvidos. Já a revista Veja fala em 36, dos quais nomeia 12.

Notadamente, além de Calheiros, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves;
a governadora do Maranhão, Roseana Sarney;
o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, todos do PMDB;
e o pernambucano Eduardo Campos, que comandava o PSB.

Os demais incluem o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e o senador Ciro Nogueira, ambos do PP. Os petistas são o deputado Cândido Vaccarezza e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Não se informou o que teriam praticado.

Mas o que se publicou foi suficiente para obrigar os principais candidatos ao Planalto a repensar as suas estratégias, a menos de um mês do primeiro turno. Esta insólita campanha já tinha mudado de rumo depois da morte de Eduardo Campos. Antes dominada por Dilma Rousseff e Aécio Neves, a disputa virou de ponta-cabeça. No lugar do ex-governador, Marina Silva disparou nas pesquisas, em prejuízo do tucano e ameaçando a reeleição da petista.

Agora, o clima tende a mudar.
O tema da corrupção migra da periferia para o centro do debate - tendo como foco o que se cometeu, desde a ida do PT ao poder, na maior e mais estimada empresa nacional.

Não bastará Dilma alegar que o noticiário "não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado", para dissipar as suspeitas - anteriores aos depoimentos de Costa, mas potencializadas pelo que a imprensa lhe atribui - de que ela olhou para o outro lado enquanto prosseguia a predação da Petrobrás, iniciada nos anos Lula. A hipótese se ampara na lógica e nos fatos.

Se o mensalão consistiu no suborno de deputados para que aprovassem os projetos tidos como essenciais pelo então presidente, o assalto tolerado à petroleira decerto servia, na esfera política, para satisfazer os membros, não raro influentes, da base aliada, de modo a assegurar a coligação eleitoral que daria à candidata quase a metade do tempo do horário de propaganda. Se assim é, Dilma tirou da roubalheira proveito material - contabilizado, no caso, em minutos e segundos.

Os fatos, por sua vez, apontam com mais firmeza ainda o dedo para o Planalto. Em dobradinha com Calheiros, a presidente asfixiou a investigação parlamentar sobre a estatal, cujo ponto de partida era o caso da Refinaria de Pasadena, e cujo ponto de chegada poderia ser um terremoto político comparável à sangria a que o patrimônio da Petrobrás foi submetido nos anos recentes.

Dilma argumentou que a CPI pretendida pela oposição - afinal, foram criadas duas, desfibradas - era "eleitoreira". Agora, ironia das ironias, as confissões atribuídas ao ex-diretor apadrinhado pelo PP, endossado pelo PMDB e avalizado por Lula podem fazer mais estragos para Dilma do que uma CPI cujos membros buscam antes o voto do que as verdades a apurar. 


Pode sobrar também para Marina devido à menção do político pernambucano a que se achegou para ser a sua vice (não bastasse a história dos laranjas do avião cedido à campanha). Já Aécio, enquanto nada incriminar qualquer dos dirigentes dos nove partidos que o apoiam, se lançará à chance de voltar a subir nas pesquisas.

O Estado de São Paulo