"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 27, 2011

$EM "MARQUETINGUE" O VERDADEIRO BRAsIL DO (P)artido (T)orpe.

Apesar das conquistas dos últimos anos, país mantém olhos fechados para problemas cruciais, como a enorme carga tributária e a infraestrutura deficiente, que podem inibir o crescimento

No topo das preferências dos grandes investidores estrangeiros, o Brasil das oportunidades está escancarando problemas que reluta em enfrentar. O crescimento da economia, a redução das desigualdades e a melhora do padrão de vida da população vêm trombando com um país cheio de gargalos, que todos veem, mas poucos se dispõem a superá-los.

Seis meses praticamente se passaram do governo de Dilma Rousseff e tudo continua na mesma: estradas, portos, ferrovias e aeroportos precários, taxas de juros elevadíssimas, falta de mão de obra qualificada, carga tributária pesada e injusta e baixos investimentos públicos.

É esse Brasil do atraso que pode travar a continuidade do desenvolvimento a taxas acima de 4% ao ano e manter latente o dragão da inflação.

"O país está estrangulado. Isso é termômetro da falta de uma agenda clara do governo, que está demonstrando falta de capacidade para formular e implantar políticas públicas para resolver os gargalos", diz o economista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani.

Para ele, a recente decisão de privatizar os maiores aeroportos brasileiros é um sintoma da falta de projeto de desenvolvimento consistente, pois a então candidata Dilma havia garantido, durante a campanha, que isso não aconteceria. A deficiência do setor, combinada à escassez de recursos públicos, obrigou a presidente a tomar um choque de realidade.
Ainda que a mudança de posição tenha ocorrido tarde, seria um avanço, não fosse ela um fato isolado em um quadro de extrema ineficiência.

Nas poucas vezes em que o governo sinalizou que agirá no sentido de pôr o país nos trilhos da modernidade, tudo não passou de promessas.
A mais recente delas tem como alvo o estrangulado setor portuário do país.
Segundo o Palácio do Planalto, para incrementar o comércio exterior e reduzir os custos operacionais, a construção e a gestão de 45 portos serão entregues à iniciativa privada.

"Infelizmente, precisamos muito mais. Além da pequena capacidade para receber embarcações, os portos se ressentem da falta de silos para armazenagem de mercadorias. Perde-se muito tempo no carregamento e na descarga por falta de investimentos", afirma o presidente da seção de Transporte de Cargas da Confederação Nacional de Transporte (CNT), Flávio Benatti.

É por essa razão que o economista Fábio Giabiangi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não esconde seu ceticismo.

"O estado de graça acabou no fim do ano passado. Os problemas que estão aparecendo — e assustando — deverão persistir", avisa.

Qualificação

Para um país que é apontado, em todas as pesquisas, como uma das cinco maiores potências econômicas do mundo nas próximas duas décadas, o tempo é vital.

Na avaliação de Giambiagi, a situação está tão crítica que o descaso do passado, de administrações que não se preocuparam com a melhora da educação, faz agora o Brasil se deparar com um apagão da mão de obra — a falta de profissionais mais habilitados e capazes para executar as funções exigidas pelas empresas pressionadas por maior produtividade.

Para o economista, esse problema ficará mais nítido a partir de 2013, com a consolidação da situação de pleno emprego, configurada por uma taxa de desocupação próxima de 5% (hoje está em 6,4%).

Nesse momento, a ausência de trabalhadores qualificados voltará a pressionar a inflação, pois os salários tenderão a subir além do desejável e os custos arcados pelas empresas serão repassados aos consumidores.

O resultado disso poderá ser uma nova rodada de aumento dos juros pelo Banco Central e nova trava no crescimento. A previsão do mercado em geral é de que o país avance a taxas de 4% em 2011 e 2012.

Efeito cruel

O apagão da mão de obra deve causar, de imediato, um efeito cruel. A grande mobilidade social dos últimos anos, que alçou os mais pobres às classes C e D, tenderá a caminhar a passos mais lentos.

Os menos escolarizados terão dificuldade para se colocarem no mercado por causa da sofisticação do processo produtivo e das exigências dos empregadores, avalia o demógrafo Haroldo Torres, da Consultoria Plano CDE.

"Não se recupera a ausência de anos de escola da noite para o dia", acrescenta a antropóloga Luciana Aguiar.

"O fato é que o governo deveria controlar os gastos correntes para sobrar dinheiro e aumentar o investimento público. Em vez de comprar clipes, deveria construir estradas"

Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB

ANA D"ANGELO Correio Braziliense

Endividamento do brasileiro é record/Juro já responde por mais da metade da dívida

O endividamento do brasileiro atingiu nível recorde.
A dívida total das famílias no cartão de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, crédito para compra de veículos e imóveis, incluindo recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social no País, aponta um estudo da LCA Consultores.

Se, do dia para noite, os bancos e as financeiras decidissem cobrar a dívida total das pessoas físicas, isto é, juros e o empréstimo principal, que chegou a R$ 653 bilhões em abril, cada brasileiro teria de entregar o equivalente a 4,8 meses de rendimento para zerar as pendências.

Os cálculos levam em conta a estimativa da massa de rendimentos nacional, não apenas nas seis regiões metropolitanas.

Em dezembro de 2009, a dívida das famílias estava em R$ 485 bilhões, subiu para R$ 524 bilhões em abril do ano passado e, em abril deste ano atingiu R$ 653 bilhões.

Apesar dos ganhos de renda registrados nesse período, as dívidas abocanharam uma parcela cada vez maior dos rendimentos da população.

Quase um ano e meio atrás, a dívida equivalia a 35% da renda anual ou 4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda ou 4,8 meses de rendimento.

'Houve uma forte aceleração do endividamento', afirma o economista Wermeson França, responsável pelo estudo. Ele observa que uma conjugação favorável de fatores levou à disparada do endividamento do consumidor.

O pano de fundo foi o crescimento econômico registrado no ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%. Além disso, bancos e financeiras abriram as torneiras do crédito, com juros menores e prazos a perder de vista.

Dados de outro estudo intitulado 'Radiografia do Endividamento das Famílias nas Capitais Brasileiras', da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), confirmam o avanço do endividamento do consumidor.

De janeiro a maio deste ano, 64%, em média, das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas, ante 61% em igual período de 2010. O valor médio da dívida aumentou quase 18%, de R$ 1.298 mensais, entre janeiro e maio do ano passado, para R$ 1.527 mensais em igual período deste ano.

Depois da explosão do consumo no ano passado, Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio-SP, diz que as medidas de aperto no crédito editadas pelo do Banco Central no fim de 2010, a elevação dos juros e a redução dos prazos dos financiamentos tiveram grande influência sobre o aumento da dívidas das famílias neste início de ano.

'As vendas do comércio a partir de março apontam para uma forte desaceleração do consumo', afirma o economista, justificando que a dívida vem crescendo nos últimos meses por causa dos juros.


Cresceu neste ano a parcela dos juros no total da dívida dos brasileiros.

Em abril de 2010, a fatia dos juros correspondia a 56% de uma dívida total de R$ 524 bilhões. Em abril deste ano, o último dado disponível no Banco Central (BC), os juros equivaliam a 60% de uma dívida de R$ 653 bilhões, aponta estudo da LCA Consultores.

Com as medidas macroprudenciais do BC no fim de 2010 e a alta dos juros básicos iniciada em janeiro, a dívida total aumentou puxada neste ano pelos encargos financeiros', diz Wermeson França, economista da LCA, responsável pelo estudo.

Na sua avaliação, o avanço da parcela dos juros em detrimento do valor principal emprestado mostra uma piora na qualidade da dívida. Isto é, o brasileiro está se endividando mais, não necessariamente porque está indo às compras, mas por causa dos encargos financeiros cobrados nos empréstimos.

Cheque especial.
Outra informação, segundo o economista da LCA, que confirma que o aumento do endividamento do consumidor está sendo impulsionado pelos juros, aparece nas estatísticas do BC.

As duas únicas linhas de crédito que registraram crescimento na média diária de concessões entre dezembro de 2010 e abril deste ano foram o cheque especial e o cartão de crédito, as linhas de financiamento que têm os juros mais elevados e que normalmente são usadas de forma emergencial, isto é, para pagar outras dívidas.

Entre dezembro de 2010 e abril deste ano, a média diária real de concessões no cheque especial aumentou 6,2% e, no cartão de crédito, o acréscimo foi de 17%.

Já no caso do crédito pessoal, houve um recuo de 3,7% nas concessões nesse período, e nos veículos e aquisição de outros bens, a retração foi ainda maior, de 10,6% e de 11%, respectivamente.

Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), relata que os consumidores estão fazendo novos financiamentos para quitar dívidas antigas.

Tanto é que, no ano até abril, os dados de vendas da Fecomércio-SP mostram que o faturamento cresceu apenas 0,73%, sustentado pelos supermercados - cujas vendas praticamente não são influenciadas pelo crédito e que aumentaram 3,02% no período.

Nos demais segmentos, como eletrônicos, móveis e veículos, que são movidos a financiamentos, houve queda.

Risco.
O aumento do endividamento, com maior peso dos juros, pode levar a uma piora da inadimplência neste ano. 'Não vai ser nada explosivo, mas a inadimplência vai mudar de patamar', alerta França, da LCA.

Em 2010, a inadimplência do consumidor encerrou o ano em 5,7% e em abril, último dado do BC, tinha subido para 6,1%. Até dezembro, deve atingir 7,2%, prevê o economista. Ele pondera que o resultado deste ano deve ficar abaixo do de 2009, o ano do rescaldo da crise financeira, quando o calote chegou a 7,7%.

França observa, por exemplo, que apesar de o dado global do BC de abril mostrar que a inadimplência do consumidor com prestações vencidas acima de 90 dias continuar bem comportada, os índices de calote entre 15 e 90 dias de veículos e crédito pessoal superam as taxas acima de 90 dias.
'Esse é um sinal de que a inadimplência está piorando.


Estadão

junho 26, 2011

DESONESTIDADE É CULTURA.


Sempre se tem cuidado com generalizações, para não atingir os que não se enquadram nelas. Às vezes o sujeito odeia indiscriminadamente toda uma categoria, mas, ao falar nela e, principalmente, ao escrever, abre lugar para as exceções, os “não-são-todos” e ressalvas hipócritas sortidas.

Outros recorrem a gracinhas, como na frase do antigamente famoso escritor Pitigrilli, segundo a qual “as únicas mulheres sérias são minha mãe e a mãe do leitor”.
No caso presente, decidi que as generalizações feitas hoje excluem todos os leitores, a não ser, evidentemente, os que desejem incluir-se – longe de mim contribuir para aumentar nossa tão falada legião de excluídos.

Antigamente, era muito comum ler ensaios e artigos escritos por brasileiros em que nós éramos tratados na terceira pessoa:
o brasileiro é assim ou assado, gosta disso e não gosta daquilo.
Em relação a maus hábitos então, a terceira pessoa era a única empregada.
O autor do artigo escrevia como se ele mesmo não fizesse parte do povo cuja conduta lamentava.

Até mesmo nas conversas de botequim, durante as habituais análises da conjuntura nacional, o comum era (ainda é um pouco, acho que o boteco é mais conservador que a academia) o brasileiro ser descrito como uma espécie de ser à parte, um fenômeno do qual éramos apenas espectadores ou vítimas.
Eu não.

Talvez, há muito tempo, eu tenha escrito dessa forma, mas devo ter logo compreendido sua falsidade e passei a me ver como parte da realidade criticada. Individualmente, posso não fazer muitas coisas que outros fazem, mas não serei arrogante ou pretensioso, vendo os brasileiros como “eles”.
Não são “eles”, somos nós.

Creio que, feita a exceção dos leitores e esclarecido que estou falando em nós e não em inexistentes “eles”, posso expor a opinião de que fica cada vez mais difícil não reconhecer, vamos e venhamos, que somos um povo desonesto.
Não conheço as estatísticas de países comparáveis ao nosso e, além disso, nossas estatísticas são muito pouco dignas de confiança.

Mas não estou preparando uma tese de mestrado sobre o problema e não tenho obrigação metodológica nenhuma, a não ser a de não falsear intencionalmente os fatos a que aludo e que vem das informações e impressões a que praticamente todos nós estamos expostos.

Claro, choverão explicações para a desonestidade que vemos, principalmente nos tempos que atravessamos, em que a impressão que se tem é de que ninguém é mais culpado ou responsável por nada.
Há sempre fatores exógenos que determinaram uma ação desonesta ou delituosa.
E, de fato, se é assim, não se pode fazer nada quanto à má conduta, a não ser dedicar todo o tempo a combater suas “causas”.

Essas causas são todas discutíveis e mais ainda o determinismo de quem as invoca, que praticamente exclui a responsabilidade individual.
E, causa ou não causa, não se pode deixar de observar como, além de desonestos, ficamos cínicos e apáticos. Contanto que algo não nos atinja diretamente, pior para quem foi atingido.

Ninguém se espanta ou discute, quando se fala que determinado político é ladrão.
Já nos acostumamos, faz parte de nossa realidade, não tem jeito.
Alguns desses ladrões são até simpáticos e tratados de uma forma que não vemos como cúmplice, mas como, talvez, brasileiramente afetuosa.
Votamos nele e perdoamos alegremente seus pecados, pois, afinal, ele rouba, mas tem suas qualidades.

E quem não rouba?
Por que todo mundo já se acostumou a que, depois de uma carreira política de uns dez anos, todos estão mais gordinhos e com o patrimônio às vezes consideravelmente ampliado?
Como é que isso acontece rotineiramente com prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores, ministros e quem mais ocupe cargo público?

Os políticos, já dissemos eu e outros, não são marcianos, não vieram de outra galáxia.
São como nós, têm a mesma história comum, vieram, enfim, do mesmo lugar que os outros brasileiros.

Por conseguinte, somos nós.
Assim como o policial safado que toma dinheiro para não multar – safado ele que toma, safados nós, que damos.
Assim como o parlamentar que, ao empossar-se, cobre-se de privilégios nababescos, sem comparação a país algum.

Em todos os órgãos públicos, ao que parece aos olhos já entorpecidos dos que leem ou assistem às notícias, se desencavam, todo dia, escândalos de corrupção, prevaricação, desvio de verbas, estelionato, tráfico de influência, negligência criminosa e o que mais se possa imaginar de trambique ou falcatrua.

E em seguida assistimos à ridícula, com perdão da má palavra, microprisão até de “suspeitos” confessos ou flagrados.
A esse ritual da microprisão (ou nanoprisão, talvez, considerando a duração de algumas delas) segue-se o ritual de soltura, até mesmo de “suspeitos” confessos ou flagrados.
E que fim levam esses inquéritos e processos ninguém sabe, até porque tanto abundam que sufocam a memória e desafiam a enumeração.

Manda a experiência achar que não levam fim nenhum, fica tudo por isso mesmo, porque faz parte do padrão com que nos domesticaram (taí, povo domesticado, gostei, somos também um povo muito bem domesticado) saber que poderoso nenhum vai em cana.

E é claro que, por mais que negue isso com lindas manifestações de intenção e garantias de sigilo (como se aqui, de contas bancárias de caseiros a declarações de imposto de renda, algo do interesse de quem pode ficasse mesmo sigiloso), essa ideia de esconder os preços das obras da Copa tem toda a pinta de que é mais uma armação para meter a mão em mais dinheiro, com mais tranquilidade.

Ou seja, é para roubar mesmo e não há o que fazer, tanto assim que não fazemos.
Acho que é uma questão cultural, nós somos desse jeito mesmo, ladravazes por formação e tradição.

João Ubaldo Ribeiro/Estadão

MÁFIA DO CAIXÃO: EMPRESAS DE SEGURO FALSAS DÃO PREJUÍZOS DE R$ 3 BI POR ANO AOS CONSUMIDORES

A pirataria no mercado segurador brasileiro acendeu um sinal de alerta no gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Dados que repousam sobre a sua mesas mostram que mais de 100 empresas estão operando à margem da lei, enganando e causando prejuízos superiores a R$ 3 bilhões por ano aos consumidores.


Essas companhias, se podem ser chamadas assim, vendem seguros falsos, sobretudo de automóveis, e serviços de auxílio funeral. Apenas entre janeiro de 2010 e maio deste ano, foram aplicados R$ 110 milhões em multas a 29 firmas. Outras 44 respondem a inquérito na Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão responsável por regular e fiscalizar o setor.

A preocupação é tanta que ao nomear Luciano Santanna como novo comandante da Susep, Mantega determinou explicitamente que ele mexa nesse vespeiro, identifique as empresas irregulares e as expurgue do mercado.
Com a ordem do chefe, Santanna colocou como prioridade máxima da sua gestão aprimorar a fiscalização.


Se tudo correr como o governo deseja, será promovida uma caçada às seguradoras que não cumprem as exigências legais, como manter reservas nos caixas (provisões) para fazer frente a futuras indenizações.

O que se vê é que, em vez das garantias, os donos das empresas irregulares adicionam ao patrimônio particular o que tiram dos clientes incautos.


O público consumidor tem que ser informado desse tipo de irregularidade porque as pessoas fazem opções por preços mais baixos e acabam tendo prejuízos futuros”, alertou Santanna.

“A nossa meta é de que, em quatro ou cinco anos, as falsas empresas desapareçam do mercado. Aliás, elas são formatadas para serem extintas sem honrar os sinistros (compromissos)”, explicou.


Ele lembrou que até grupos estrangeiros estão operando no Brasil sem seguir as regras locais e não pagam os prêmios e indenizações devidos aos clientes.

Riscos da descrença
O setor de seguros é considerado estratégico pelo governo por ser uma das principais fontes de formação de poupança do país.

Um dinheiro que irá financiar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Pode ser usado ainda para impulsionar o crédito imobiliário.


O maior temor da Fazenda é de que a pirataria acabe com a credibilidade das empresas sérias e o brasileiro deixe de usar o serviço por receio de cair em armadilhas.

O poderio econômico do segmento é tamanho que, apenas em 2010, arrecadou R$ 183,8 bilhões, equivalente a 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país).


Somente as provisões para ressarcir os clientes somaram R$ 90,4 bilhões no ano passado, um montante que cresceu 13,18%, se comparado a 2009.

O advogado José Carlos Mattos, de São Paulo, defendeu uma cliente lesada por uma corretora norte-americana, que atuava que forma irregular no mercado brasileiro. Depois de um ano e meio, a causa foi vencida na Justiça dos Estados Unidos.

A consumidora recebeu indenização de US$ 300 mil referente a um seguro de vida. “Essa corretora atuava ilegalmente no Brasil e continua atuando. Os corretores são brasileiros e vendem seguros de empresas de outros países. Quem procura um seguro é mal informado e precisa ser alertado sobre esse tipo de situação”, afirmou o profissional, que optou por não revelar os nomes da cliente e da corretora.

Atualmente, segundo estimativa da Susep, as estrangeiras ilegais faturam R$ 60 milhões por ano no país.


O seguro pirata vem crescendo e não se consegue medir a dimensão exata dele. No caso da chamada proteção veicular, 500 mil carros estão vinculados a contratos irregulares”, disse Renato Bita, superintendente da Central de Serviços da Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg).

O consumidor precisa ficar atento. Sempre que contratar um serviço, tem que exigir uma apólice de seguros de uma companhia credenciada pela Susep”, afirmou.

Segundo ele, é preciso um cuidado redobrado porque as empresas irregulares copiam a documentação e entregam papéis muito parecidos com uma apólice legal, mas que não garantem nada


Para cumprir a determinação de Mantega, Santanna dividirá o setor de fiscalização da Susep em áreas especializadas. Cada uma atuará nos ramos de seguros.
Ele também pretende estimular a criação de um órgão auto-regulador do sistema, semelhante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela fiscalização do mercado de capitais.


Há segmentos de seguros que não têm recebido a devida atenção. Um dos motivos é que a Susep conta com um número insuficiente de servidores fiscalizar”, afirmou.

Máfia do caixão
Funerárias em todo o Brasil têm operado como seguradoras. Sem regulamentação ou contrato, vendem o auxílio funeral ou planos mútuos, uma espécie de seguro que cobre os gastos do velório e do enterro.

Entretanto, são inúmeros os casos de empresas que se negam a atender as famílias do cliente quando surge a necessidade dos serviços.
Algumas, principalmente em cidades do interior do país, deixam de existir depois de arrecadar um valor considerável dos consumidores.


Em todo o Brasil são mais de 25 milhões de pessoas que usam o serviço.
Em vez de formarem poupança para entregar o que prometem, muitos empresários compram carros ou casas e dão sucessivos golpes.

Fonte: Correio Braziliense

junho 25, 2011

SE GRITAR PEGA...Cabral, seu secretário de Saúde e prefeito do Rio são alvos de suspeitas por desvio de recursos.

Um inquérito da Polícia Federal mobilizou agentes, na manhã desta sexta-feira, na direção dos gastos de campanha do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, também foi alvo de denúncias veiculadas na mídia impressa e em redes sociais.

Cabral é alvo de suspeitas quanto à contratação de um dos fornecedores de adesivos para a campanha de reeleição ao governador.
A Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, que teve seu funcionamento questionado no inquérito, recebeu R$ 33 mil nas eleições do peemedebista.


O processo investiga apenas Cabral e a empresa, segundo reportagem publicada no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, nesta sexta-feira. Segundo o jornal, a Soroimpress forneceu material de campanha para 83 candidatos e dois partidos “e recebeu, no total, R$ 5 milhões”.

O Comitê Financeiro Único do PMDB-RJ, principal doador da campanha de Cabral, pagou R$ 523 mil à empresa, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O principal cliente da Soroimpress, porém, foi o senador Lindberg Farias (PT), que pagou R$ 640 mil, mas não é parte do inquérito.

Em março, a PF pediu esclarecimentos a Cabral, mas ainda não recebeu resposta. A assessoria de imprensa do governador manteve a posição dada à época da campanha, quando afirmou que não faz ‘checagem de endereços’ dos fornecedores de campanha.

Disse que divulgou o interesse na compra de adesivos ‘no mercado’ e recebeu a oferta da empresa. Alegou ainda que a Soroimpress estava ativa na Receita Federal à época da contratação. A assessoria disse que o governador ainda não respondeu à PF porque ainda não foi ‘intimado pessoalmente a se manifestar”, diz a reportagem.

O senador Lindberg Farias (PT-RJ) afirmou, após a eleição, que optou pela empresa porque ela não apresentava pendências na Receita Federal e ofereceu garantias de preços e prazos de entrega.

Sede suspeita

A sede da empresa Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, cujo CNPJ consta em material de campanha de Cabral, indicada na Receita Federal e na Junta Comercial de São Paulo é um prédio em construção vazio em Sorocaba (SP). Fundada em abril deste ano, a empresa tem como sócias duas senhoras de 84 anos.

Uma não foi localizada no endereço indicado à Junta Comercial.
A outra pouco sai de casa, segundo funcionários do prédio onde ela vive, acrescenta o jornal.


A campanha do governador afirmou que “divulga no mercado” o interesse para compra de material e escolhe a empresa que ofereça melhor preço. A assessoria disse que não é feita “checagem dos endereços de fornecedores”.

Afirmou ainda que a empresa não será mais contratada.
A Soroimpress havia recebido R$ 33.450, de acordo com a assessoria.
O caso foi encaminhado pela coligação de Fernando Gabeira (PV), adversário de Cabral na eleição ao governo do Rio, à Procuradoria Regional Eleitoral, que investiga o caso.

Além de adesivos, foram entregues cartazes com o CNPJ da empresa.

Cobertura dos sonhos
Cabral
Secretário de Saúde do governo Cabral,
Côrtes mora em um dos pontos mais elegantes do Rio

Ainda nesta sexta-feira, em sua página em uma rede social, o jornalista, deputado federal e ex-governador do Estado Anthony Garotinho (PR) divulga uma matéria na qual reproduz documentos de compra da cobertura onde mora o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. Segundo o parlamentar, a cobertura duplex fica na Avenida Borges de Medeiros, nº 2.475, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

“É o sonho de consumo de nove entre 10 socialites do Rio de Janeiro morar naquele ponto. Um dos metros quadrados mais caros da Cidade Maravilhosa. Amigos que estiveram dentro da residência numa festa relatam que a quantidade de obras de arte e a decoração suntuosa são de dar inveja a Ali Babá. Sérgio Côrtes tem muito que explicar”, escreve o deputado.


Ainda segundo Garotinho, Côrtes teria subdeclarado “o valor da compra do imóvel em R$ 1,3 milhão quando qualquer carioca sabe que uma cobertura duplex com 5 vagas na garagem, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, num prédio moderno está na faixa de R$ 5 milhões”.

Ele acrescenta que, na época da compra do imóvel, Côrtes dirigia o Instituto de Traumato-Ortopedia (INTO):
“Nenhum diretor de hospital por mais bem pago que fosse, conseguiria juntar R$ 1,3 milhão, o declarado na escritura. Muito menos o seu valor real perto de R$ 5 milhões. Sérgio Côrtes era, portanto, ocupante de cargo público de confiança federal”.

Garotinho informa, ainda, que a escritura mostra que a cobertura foi comprada à vista, com dinheiro em espécie.
Sérgio Côrtes chegou carregando um pacote com R$ 1,3 milhão, que devia estar guardado no colchão. Ou seja, pagou em dinheiro vivo para não deixar rastro de onde veio a propina”, acusou.

Ligações perigosas

Na mesma página, o parlamentar acrescenta que o prefeito Eduardo Paes também estaria envolvido em possíveis irregularidades e que teria versões contraditórias sobre a participação da Delta Engenharia, de propriedade do empresário Fernando Cavendish, que acompanhava o governador Cabral em uma viagem trágica a um balneário no Sul da Bahia, onde morreram sete pessoas em um acidente aéreo.

Após a queda do helicóptero onde estavam amigos e parentes de Cabral e Cavendish, deputados estaduais da oposição passaram a pedir explicações do governador Cabral sobre os contratos do Estado com a empreiteira de Cavendish – e os benefícios fiscais dados ao grupo EBX, de Eike Batista, quem havia emprestado um avião para levar o grupo até o balneário de luxo.

Na viagem, seria comemorado o aniversário do empresário Fernando Cavendish – que estava a bordo -, mas teve fim trágico após a queda do helicóptero com parte dos convidados – incluindo Mariana Noleto, namorada de um dos filhos de Cabral.

Segundo Garotinho, Paes também teria ligações com a empreiteira:
“(Paes) começou mentindo e dizendo que na gestão anterior (Cesar Maia), a Delta tinha mais contratos do que agora. Obviamente quando os números apareceram era o contrário. Na gestão de Paes é que a empreiteira Delta, do amigo de Cabral, está fazendo a festa. Bem o saldo descoberto até agora mostra contratos da Delta com Paes, da ordem de R$ 389,9 milhões. Sendo que quase triplicaram os contratos de emergência, sem licitação. Mas comenta-se na prefeitura que esse valor está previsto subir muito ainda este ano, por conta de obras para as Olimpíadas”.

Por Redação/Correio do Brasil

QUANDO 2012 CHEGAR... POBRE BRASIL! GOVERNO DA FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA EMPURRA DESPESAS PARA 2012.

O governo vem empurrando com a barriga uma série de despesas cuja fatura será cobrada em 2012, tornando o quadro econômico do ano que vem bastante complicado.

Um grande reajuste do salário mínimo, quitação de subsídios dados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), investimentos, inclusive os da Copa e da Olimpíada, e as pressões da base política em ano eleitoral são apenas alguns exemplos dos problemas que terão de ser enfrentados.

Nessa conta ainda tem de ser acrescentada a soma da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que mandou o governo pagar de uma vez só a dívida referente a decisão judicial (precatório) que havia sido parcelada em dez anos.

A Advocacia-Geral da União (AGU) está tentando reverter a decisão, mas caso isso não seja possível serão aproximadamente mais R$ 9,5 bilhões, quase o dobro do que o governo investirá nos aeroportos nas cidades sedes da Copa.

A gastança que se prenuncia no ano que vem não traz, porém, risco de o País ter de dar um calote em sua dívida pública.
O estoque do endividamento pode continuar caindo mesmo que o governo passe a economizar menos do que faz hoje.

Não por acaso, a agência de classificação de risco Moody"s elevou a nota dos papéis brasileiros na terça-feira passada, elogiando a condução da política fiscal.

Meta fiscal.
Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o superávit primário, que é a economia de recursos públicos para pagamento da dívida, pode cair para até 2% do Produto Interno Bruto (PIB) que o estoque do endividamento não crescerá.

Atualmente, o governo mira um primário de 2,9% do PIB e a meta para 2012 é de 3,1% do PIB.
Diante das pressões programadas para o ano que vem, porém, os economistas acreditam que o governo não cumprirá a meta fiscal integralmente, como promete fazer este ano.

Ele deverá usar da prerrogativa de descontar do cálculo os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como fez em 2010.


O problema não é a dívida, é a inflação que tende a crescer e por isso será necessário elevar os juros para combater esse efeito. Segundo cálculos do economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, o setor público responde por cerca de um terço de toda a economia.

E a previsão é que as três esferas da administração pública gastarão mais no ano que vem.

A renda das famílias, diz ele, responde por mais ou menos 40% da economia. E ela vai crescer em 2012 não só por causa do reajuste do salário mínimo, como também pelo efeito da queda da inflação.

Há uma certa sobreposição entre as duas coisas, mas grosso modo fala-se de mais de metade da economia expandindo despesas. "Isso vai fazer com que o Banco Central segure os juros e as medidas macroprudenciais por muito tempo", afirmou Montero.
"O Banco Central sabe que há esses fatores expansionistas já contratados."
Sem qualidade.
Quem olha as contas de 2011, porém, acredita estar diante do mais austero dos governos.
De janeiro a abril, o governo já cumpriu metade da meta de superávit primário prevista para todo o ano.

É, porém, um resultado de má qualidade, baseado em aumento de arrecadação, contenção de investimentos e adiamento de gastos.
Medidas para melhorar a qualidade da despesa pública, como combate a fraudes no seguro-desemprego e um controle mais rigoroso na folha salarial, por enquanto não saíram do papel.
"O governo mostrará um resultado fiscal robusto em 2011, mas boa parte dele não será corte, e sim postergação", disse o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria.

Ele se refere aos gastos com benefícios previdenciários e de assistência social atrelados ao salário mínimo. Este ano, o salário mínimo teve correção só pela inflação, sem nenhum ganho real.

Mas, no ano que vem, o aumento acima da inflação será de 7,5%.
No total, o piso deverá ter uma correção estimada em 14,8%, passando dos atuais R$ 545 para R$ 625, um gasto extra de R$ 23 bilhões para os cofres federais, segundo as estimativas. BNDES.

Outra despesa que aparentemente está sendo empurrada para 2012 é o pagamento de subsídios do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES. Por esse programa, o banco ofereceu linhas de crédito com juros baratos às empresas, para combater os efeitos da crise de 2008 e 2009.

A diferença entre o juro cobrado pelo banco e o custo do dinheiro é bancada pelo Tesouro Nacional mas, conforme revelou o Estado em sua edição de domingo, até agora o BNDES não recebeu nenhum centavo federal.

O alerta foi feito por Mansueto Almeida, para quem a transferência dos recursos referentes ao subsídio do PSI pode ser adiada para 2012. Tesouro e BNDES não confirmam nem desmentem a informação e não dão mais detalhes.
O valor exato da conta de subsídios não foi divulgado.


Sabe-se, porém que uma estimativa feita em 2010 apontava para R$ 17 bilhões, numa época em que o programa podia emprestar até R$ 124 bilhões. Agora, ele foi expandido para R$ 228 bilhões.

Lu Aiko Otta O Estado de S. Paulo

LARANJA MADURA NA BEIRA DA ESTRADA...



... tá bichada, Zé,
ou tem marimbondo no pé!


Que saudades do grande Ataulfo Alves! Sou da geração que, graças a Deus, viveu momentos belíssimos da música brasileira de verdade. Período de letras inteligentes, limpas, sábias, solidárias. Sustentando melodias realmente musicais.
Período ainda livre das escravaturas eletrônicas, dos metais tonitruantes e dos alto-falantes poderosíssimos...


Além disso, eram todas em português.
Lembro-me bem de quando ele apresentou esse samba, numa roda entre amigos, tocando ele mesmo o seu violão.

Foi esse samba que me veio à memória quando li a mensagem que a presidente da República, Dilma Rousseff, enviou ao professor Fernando Henrique Cardoso, que está sendo muito festejado pelos seus provectos 80 anos de idade.

Embora tenha vindo para o Rio de Janeiro muito criancinha, gosto de pensar que nasci em Belém. Uma linda cidade onde, até hoje, a língua portuguesa é muito bem cuidada e respeitada.
Os paraenses falam bem, escrevem certo e conservam muitas peculiaridades... Uma delas, que sempre achei divertida, é o uso maroto do termo "disque" (diz que...).


Todo paraense, mesmo os transplantados, como eu, tem o hábito de usar essa espécie de ressalva antes de narrar fatos ou dar informações que possam ser dignas de certa desconfiança.

Normalmente dizemos assim:
"Disque" Fulano deixou a Beltrana por conta da Sicrana...
Ou então:
"Disque" o prefeito vai pagar os precatórios.
Ou ainda pior:
"Disque" a situação financeira do País vai melhorar...".

O mais famoso de todos os "disques" ocorreu quando, numa entrevista em Paris, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não sabia de nada sobre o mensalão.
Nem ele nem o José Dirceu, nem a Dilma Rousseff, nem o Gilberto Carvalho, enfim, ninguém sabia de nada.


Na língua de Belém, a notícia correu assim:
"Disque" Lula e o pessoal dele não sabiam de nada!
Os deputados que recebiam a boladinha todo mês "disque" achavam que o dinheiro vinha do céu!


No episódio dos aloprados, outra vez a mesma coisa:
"Disque" Lula e o pessoal dele não sabiam de nada.
Em seguida, no primeiro escândalo das chamadas consultorias petistas, os que frequentavam aquela casa chique e lucrativa em Brasília não sabiam de coisa alguma. Só o caseiro Francenildo.


Este, quando perguntado, não usou o "disque".
Foi direto e simples ao dizer:
o Palocci também vem aqui.
Afirmou e confirmou.


Contra ele, outro "disque":
"Disque" que o dinheiro na conta do caseiro foi para ele fazer a denúncia!
Ficou provado que não era.
Então, quem mandou violar o sigilo da conta do rapaz?
"Disque" que foi o diretor da Caixa Econômica Federal...
Cabeças caíram.
Depois apuraram que foi o próprio então ministro da Fazenda, Antônio Palocci.


Agora, temos outros "disques"na praça...
"Disque" que o Palocci ficou muito rico de repente.
"Disque" que comprou por R$ 6 milhões um apartamentaço em São Paulo.
E mais um baita escritório, lá também.
Diante disso, caiu o Palocci, como caiu o Dirceu e como caiu a Erenice Guerra.
E a presidente?
Sabia de alguma coisa.
"Disque" não!
No melhor estilo Lula...


Durante os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso e os oito anos de Lula, os petistas e seus compadres populistas desferiram, o tempo todo, flechas, dardos, balas e obuses contra o plano da recuperação econômica do Brasil.

Projeto iniciado no governo de Itamar Franco e levado a extraordinário êxito pelo governo FHC, pela equipe que é, hoje em dia, mundialmente aplaudida e até imitada. Lula não teve coragem de alterar o sucesso, mas tentou roubá-lo.
Falou o tempo todo em herança maldita!


O alvo preferido era sempre FHC.
Como eram também os tucanos.
Era o DEM.
Era a "zelite" alfabetizada e com diploma.
Eram os loiros de olhos azuis...
Eram os produtores rurais bem-sucedidos.


Infelizmente, na área política, o sucesso tucano não se repetiu.
E graças aos seus próprios erros o País caiu nas garras do populismo sindical.


Mesmo mantendo espertamente os benefícios do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca o País caiu nas mãos de um grupo de dirigentes tão incompetentes, tão despreparados e tão gananciosos.

Os índices brasileiros em educação, saúde publica, condições sanitárias, criatividade tecnológica, produção científica e segurança pública nunca estiveram tão baixos.
Em todos os setores, os sintomas de perda de velocidade já estão sendo percebidos.


Então, por que as pesquisas de opinião ainda revelam que o povo acredita neles?
É o resultado do uso e abuso, intenso, desleal e cruel, de todos os modernos recursos de comunicação.
Os gastos com a propaganda foram simplesmente inacreditáveis!


Dizia Abraham Lincoln que é possível iludir a todos por algum tempo, iludir pouca gente o tempo todo, mas é impossível iludir toda gente por todo o tempo.

Esses limites estão chegando.
A "herança maldita" do Plano Real, assim como foi definida por Lula, Dirceu, Dilma e seu séquito, passou a ser considerada um maravilhoso presente para o País.
E quem não tentou golpes de mão para impedir a posse de seu sucessor passou a ter diploma de estadista.

É isso o que aparece agora, na afetuosa e novelesca carta de parabéns que a presidente da República enviou a Fernando Henrique Cardoso.
Lá, em Belém, o pessoal deu risada quando contaram que "disque" a presidente chamou FHC de querido.
Será?

Laranja madura
na beira da estrada
tá bichada, Zé,
ou tem maribondo no pé!

PROFESSORA, JORNALISTA, FOI
DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH
NO GOVERNO CASTELO BRANCO
E-MAIL: SANDRA_C@IG.COM.BR

junho 24, 2011

A PROMISCUIDADE NA VIDA PÚBLICA

A frase "restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos", atribuída ao Barão de Itararé (Aparício Torelly), retrata bem a postura irônica do humorista, de muitas décadas, diante da crônica de maus costumes éticos na vida política do país.
O afrouxamento moral tem longa história, e não parece que terá fim.

A tragédia ocorrida no fim de semana, com a queda de um helicóptero no Sul da Bahia, desvendou ligações do governador Sérgio Cabral com empresários que colocam questões sérias sobre até que ponto deve ir o relacionamento entre pessoas do mundo privado e público, sem que seja ultrapassada a fronteira do conflito de interesses.

Não se pode imaginar que o governador do Rio de Janeiro, seja qual for, não conheça pessoalmente o empresário Eike Batista, inclusive morador do Rio.
Nem que deixe de ter contato com outros empresários, entre eles empreiteiros, cuja parte ponderável do faturamento vem de verbas públicas.

Eles batem sempre à porta do setor público, nada a estranhar.
A questão entra em área sombria quando é perguntado se o governador deveria ter viajado para Porto Seguro no jato de Eike Batista, numa escala para desembarcar num resort próximo, em que haveria a festa de aniversário de Fernando Cavendish, dono da Delta, construtora com R$1 bilhão em contratos com o governo do Rio, alguns obtidos sem licitação.

Eike, procurado pela imprensa, declarou ter emprestado o jato "com satisfação".
Não se trata disso.
Cabral é que teria de perceber a inadequação da carona e a inoportunidade da festa.

Ligações perigosas existem pelo mundo.
Quando os estragos ocorrem na vida da pessoa pública, nota-se que ela nada enxergava de mal naquele relacionamento indevido.

A ministra francesa de Relações Exteriores, Michele Alliot-Marie, por exemplo, era próxima de empresários tunisianos da órbita do ditador Ben Ali. Passou, inclusive, o feriado de Natal em Túnis, quando já cresciam as manifestações contra o regime.

Como nos enredos da maioria das histórias desse tipo, a ministra voou em jatinhos privados. Pois os ventos da Primavera Árabe derrubaram Ali e a ministra.

O próprio chefe da ministra, presidente Nicolas Sarkozy, deve ter pago algum preço ao aparecer no avião particular e iate do amigo Vincent Bolloré. E não faltam amigos para pessoas poderosas na órbita pública.

No Brasil, depois de, no governo Collor, PC Farias ter ultrapassado todos os sinais vermelhos, a ponto de o presidente sofrer impeachment, veio a Era FH, na qual houve alguns cuidados na separação entre o público e o privado.
Criou-se, então, a Comissão de Ética da Presidência.

Já nos oito anos de Lula, a ética - inclusive a comissão - foi mandada às favas, uma contribuição dramática à deterioração dos costumes na vida pública.
O fato de o partido e o grupo de políticos que se apresentavam como reserva moral fazerem o oposto em Brasília funcionou como um "liberou geral".
Até porque o presidente sempre defendeu "mensaleiros" e "aloprados" petistas.

A tragédia no Sul da Bahia ocorreu dentro de todo este contexto. Deveria servir de alerta aos homens públicos que se descuidam e não delimitam os devidos espaços entre os cargos eletivos que ocupam e os interesses que os cercam.
Legítimos, mas tóxicos.
Precisam ser administrados com cuidado.

O Globo

HOJE É DIA DO "ARRAIÁ DO DIRCEU OU DO ZÉ E EVA"

O ex-ministro José Dirceu (PT) receberá hoje, em sua mansão em Vinhedo, a 80km de São Paulo, cerca de 500 convidados para uma festa junina.

No e-mail que ele mesmo enviou a amigos e parentes, pediu para as pessoas levarem "uma prenda e um trem de comer ou beber".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-primeira dama Marisa Letícia também foram chamados, mas não confirmaram presença. O casal tinha a tradição de promover uma badalada festa de são-joão na Granja do Torto, nos oito anos em que Lula passou no Palácio do Planalto.


A festa de Dirceu ganhou o apelido de Arraiá do Zé e da Eva e foi organizada pela esposa do político, Evanise Santos. Até as 18h ontem, pelo menos 150 pessoas haviam confirmado presença.

O prefeito de Campinas (SP), Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), acusado de corrupção pelo Ministério Público (MP), está entre os convidados.
O próprio Dirceu responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal, ao lado de outros 38 réus, devido à suspeita de envolvimento no episódio do mensalão.


A celebração foi planejada especialmente porque a presidente Dilma Rousseff não manterá a tradição do antecessor. Segundo fontes do PT de São Paulo, o motivo alegado por Dilma seria que a festa de Lula acabava se transformando num encontro político e a nova presidente não estaria bem disposta para um encontro como esse.

Dilma Rousseff também foi convidada, mas, como Lula e Dona Marisa, não confirmou presença na festa de Dirceu.

Até ontem, o casal Lula estava em dúvida se organizava uma festa íntima em uma chácara na Zona Rural de São Bernardo do Campo (SP) ou se ia para o são-joão em Vinhedo.

Correio Braziliense

junho 23, 2011

FIFA/COPA : FESTA MACABRA .

"Há uma percepção crescente de que a aritmética da Copa do Mundo é um tanto instável", escreveu o Times de Johannesburgo um mês depois do triunfo da Espanha nos campos sul-africanos.

"Temos estádios em excesso para nosso próprio uso. Talvez devêssemos exportar estádios para o Brasil, que fará sua Copa do Mundo?".
A constatação estava certa; a sugestão, errada.


O Brasil, país do futebol, terá o mesmo problema que a África do Sul, país do rúgbi. Aqui, como lá, a festa macabra da Fifa é um sorvedouro implacável de recursos públicos.


Mafiosos usam a linguagem da máfia. Confrontado com evidências de corrupção na organização que dirige, Sepp Blatter avisou que tais "dificuldades" seriam solucionadas "dentro de nossa família".

As rendas de radiodifusão e marketing da Fifa ultrapassaram os US$ 4 bilhões no ciclo quadrienal encerrado com a Copa da África do Sul.

O navio pirata já se moveu para o Brasil, onde a Fifa articula com seus sócios a rapina seguinte.


O brasileiro João Havelange planejou a globalização do futebol, expandindo a Copa para 24 seleções, em 1982, e 32, em 1998. Blatter concluiu a transformação, rompendo a regra de rodízio de sedes entre Europa e América.

Como constatou a Sports Industry Magazine, sob um processo milionário de licitação do direito de hospedagem, as ofertas nacionais assumiram "a forma de promessas de mais e mais pródigos novos estádios para os jogos e novos hotéis luxuosos para uso dos dirigentes da Fifa e de fãs endinheirados".


A Copa é um roubo:
as despesas são pagas com dinheiro público, de modo que a licitação "constitui, de fato, um esquema de extração de renda concebido para separar os contribuintes de seus tributos".

O saque decorre da conivência de governos em busca de prestígio e de negociantes em busca de oportunidades. Na Europa a rapinagem é circunscrita por uma cultura política menos permeável à corrupção e pela existência prévia de modernas infraestruturas hoteleiras, esportivas e de transportes.

Por isso a Fifa seleciona seus próximos alvos segundo critérios oportunistas de vulnerabilidade.

Encaixam-se no perfil África do Sul e Brasil, países emergentes que ambicionam desfilar no círculo central do mundo, assim como a semiautoritária Rússia, sede de 2018, e a monarquia absoluta do Qatar, que bateu a Grã-Bretanha na disputa por 2022.

Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte.

A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.


O verdadeiro legado positivo da Copa de 2010 foi a mudança de paradigma no sistema de transporte público urbano, pela introdução de ônibus, em corredores dedicados, e do Gautrain, trem rápido de conexão com o aeroporto de Johannesburgo.
Os ônibus enfrentavam selvagem resistência dos sindicatos de operadores de peruas, superada pelo imperativo urgente do evento esportivo.


O Gautrain serve exclusivamente à classe média, com meios para adquirir bilhetes cujos preços excluem a população pobre. Mas o argumento de que sem uma Copa, não se realizariam obras necessárias de mobilidade urbana equivale a uma confissão de incompetência da elite dirigente.

Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas, mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal.

A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público.

A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá se desenrola um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain.

O Brasil decidiu ultrapassar a África do Sul.
Aqui, serão 12 arenas, a um custo convenientemente incerto, mas bastante superior aos dispêndios sul-africanos. As futuras ruínas já drenam vultosos recursos públicos, mal escondidos sob as rubricas de empréstimos do BNDES e subsídios estaduais e municipais.


O governo paulista prometeu não queimar o dinheiro do povo na festa macabra da Fifa, mas o alcaide Gilberto Kassab assinou um cheque público de US$ 265 milhões destinado ao estádio do Corinthians. São 16 centros educacionais, para 80 mil estudantes, sacrificados por antecipação no altar de oferendas às máfias da Copa.

O gesto de desprezo pelas necessidades verdadeiras dos contribuintes reproduz iniciativas semelhantes adotadas, Brasil afora, por governos estaduais e municipais.

Segundo a lógica perversa do neopatriotismo, a Copa é um artigo de valor só mensurável sob o prisma da restauração do "orgulho nacional".
De fato, porém, a condição prévia para a Copa é a cessão temporária da soberania nacional à Fifa, que assume funções de governo interventor por meio do seu Comitê Local.


O poder substituto, nomeado por Blatter, já obteve o compromisso federal de virtual abolição da Lei de Licitações e pressiona as autoridades locais pela revisão das regras de concorrência pública. Malemolentes, ao som dos acordes de um verde-amarelismo reminiscente da ditadura militar, cedemos os bens comuns à avidez dos piratas.

SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP (DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR);
ADMINISTRADOR DE EMPRESAS E MESTRE EM TURISMO SUSTENTÁVEL