"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 12, 2013

ENQUANTO ISSO III... SEM MARQUETINGUE : Emprego industrial cai há três meses e acumula recuo de 0,7%

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Participação nos lucros no setor extrativo faz folha subir 0,4%
A redução dos postos de trabalho na in­dústria em julho é mais um sinal de que o setor perde fôlego, movimento que se deve à alta do câmbio, à pressão inflaci­onária, à situação das famílias (endivi­damento, restrição ao crédito e com­prometimento da renda), à elevação dos juros e às incertezas do cenário in­ternacional.

Pelo terceiro mês consecu­tivo, houve corte de pessoal na indús­tria. A queda em julho foi de 0,2% frente ao mês anterior, acumulando nesses três meses perda de 0,7%, informou on­tem o IBGE. Apesar de o número de postos na indústria ter diminuído, o va­lor da folha de pagamento real subiu 0,4% frente ao mês anterior, recuperan­do parte da queda de 1,4% observada em junho.

Segundo o IBGE, a alta de 8,7% na folha da indústria extrativa mi­neral, do setor de petróleo, influenciou o resultado geral.

O corte de vagas, na comparação com julho do ano passado, foi ainda maior:
0,8%, marcando o 22º resultado negati­vo consecutivo neste tipo de confronto e o mais intenso desde fevereiro (-1,2%).

No índice acumulado para os sete meses de 2013, o total do pessoal ocupado na indústria também dimi­nuiu 0,8%. O índice acumulado nos úl­timos 12 meses, ao recuar 1,1% em ju­lho de 2013, repetiu o resultado obser­vado no mês anterior, mas apontou queda menos intensa do que as regis­tradas em fevereiro (-1,5%), março (-1,4%), abril (-1,3%) e maio (-1,2%).

— É uma queda suave, mas, por ser a terceira seguida, ganha outros contornos — afirma Rodrigo Lobo, pesquisador do IBGE. — Este cenário de queda mais in­tensa reflete a produção industrial brasi­leira, que está oscilante.

REDUÇÃO EM 12 DE 14 LOCAIS
Com redução no contingente de trabalhadores em 12 dos 14 locais pesquisa­dos, o principal impacto negativo ocor­reu na região Nordeste (-4,3%), pressio­nado pelas taxas negativas em 12 dos 18 setores investigados.

Setorialmente, ain­da no índice mensal, o pessoal ocupado assalariado recuou em 12 dos 18 ramos abrangidos pela pesquisa.
O número de horas pagas registrou que­da de 0,3% em relação a junho. É a terceira taxa negativa consecutiva também, acu­mulando nesse
período perda de 1,5%.

Para Carlos Lima, economista-chefe da CMA, já era esperado que o "remédio amargo" (aumento da Selic) que o gover­no vem dando para conter a inflação re­sultaria, em algum momento, em desa­celeração do mercado de trabalho:
— Com juros mais altos, fica mais caro o crédito, o que gera menor consumo, dimi­nui a renda, derruba o lucro do empresá­rio, reduz a confiança das empresas e afeta diretamente a oferta de emprego— afirma Lima. — Este encadeamento vem ocor­rendo em todas as
esferas e, por fim, che­gou na variável emprego — analisa.

Essa tem sido uma característica deste ano, uma forte volatilidade no resultado do setor ao longo do ano, quando o cresci­mento da produção de um período é pra­ticamente devolvido no período seguinte. A produção industrial brasileira recuou 2% em julho, na comparação com junho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, também do IBGE,
divulgada na semana passada. No mês anterior, subira 2%.

A Confederação Nacional da Indús­tria (CNI) projeta para o ano alta de 2,6% do PIB industrial, número que po­de ser rebaixado diante da forte volatili­dade dos indicadores industriais e da dificuldade do setor em engrenar uma recuperação mais sólida.


Alvaro Gribel O Globo 

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