"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 14, 2012

CVM : Em 10 anos, 33 empresas refizeram dados de balanço


Nos últimos dez anos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que 33 empresas refizessem ou republicassem suas demonstrações financeiras.

Só em 2011 houve cinco casos, envolvendo grupos como Energisa, Hotéis Othon, Estrela e Inepar. As motivações são variadas.

O caso mais recente foi o da Energisa, que terá de republicar os balanços financeiros referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2011.

Segundo a CVM, a empresa errou ao registrar uma captação em notas perpétuas realizada em janeiro daquele ano no patrimônio líquido e não no passivo exigível do balanço.

Em 2009, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) recebeu ofício da Superintendência de Empresas para refazer algumas notas explicativas do balanço do terceiro trimestre de 2008.

As notas traziam explicações sobre a política de hedge da empresa e a contabilização de derivativos como contratos de swap. No mesmo ano, a Perdigão teve de reapresentar os dados do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2008 com ajustes referentes aos processos de incorporação e aquisição de companhias como Eleva e Batávia.

O ex-presidente da CVM, Luiz Leonardo Cantidiano, afirma que o órgão regulador é competente para questionar a omissão ou erro de publicação de uma despesa ou receita, mas deve levar em conta a relevância das informações e as implicações da incorreção no resultado trimestral.

A Petrobras poderia ser chamada a dar explicações, mas só seria punida se constatada má-fé da administração.

"Nesse caso a CVM pode abrir um processo e eventualmente aplicar alguma penalidade", diz Cantidiano.

MARIANA DURÃO/Estado

PETROBRAS : PERDE QUASE 5% E ARRASTA BOVESPA

As ações da Petrobrás intensificaram o movimento de baixa na reta final dos negócios, com perda de quase 5%, levando o Ibovespa a perder o nível dos 65 mil pontos no pior momento.

O mau humor com a petroleira cresceu nesta terça-feira após a teleconferência da empresa com analistas para tentar explicar o resultado decepcionante no quarto trimestre de 2011.


Segundo operadores, a diretoria da Petrobrás não foi convincente em suas explicações para o fraco resultado trimestral e revelou que está em andamento, neste momento, uma análise sobre os dados divulgados no ITR.

A companhia suspeita que possa ter havido uma inversão de números específicos relacionados a serviços e custos de formação de estoques. Petrobrás ON caiu 4,23% e a PN registrou baixa de 4,72%.


No final, o Ibovespa desacelerou um pouco a queda e fechou em 65.038,53 pontos (-0,99%). Na mínima, o Ibovespa atingiu 64.826 (-1,32%) e, na máxima 65.855 (+0,25%). No mês, o índice acumula alta de 3,12% e, no ano, +14,60%.

Além de Petrobrás, o tom externo negativo, dado pelo índice de vendas no varejo nos EUA em janeiro menor do que o estimado, conduziu a Bolsa paulista para o vermelho no fim da manhã.

No meio da tarde, a notícia de que o Eurogrupo não se reunirá amanhã e sim fará uma teleconferência azedou ainda mais o humor do mercado. Com isso, as bolsas de NY ampliaram as quedas, influenciando também a Bovespa.


As ações da Vale deram uma contribuição negativa para a Bolsa hoje. A mineradora, que divulga balanço amanhã, após o fechamento do mercado também, operou em baixa na esteira da queda dos metais em Londres. O papel PNA caiu 1,94% e o ON, -2,64%

Estadão

fevereiro 13, 2012

Máquina viciada ! Convênios para acelerar o PAC servem para contratar secretária e recepcionista

Em vez de se dedicar exclusivamente a fornecer técnicos para acompanhamento de obras, contratos da Fundação Ricardo Franco com Secretaria de Portos e Dnit são usados para empregar mão de obra terceirizada para serviços administrativos

Convênios contratados para melhorar a gestão e dar ritmo às obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão servindo de guarda-chuva para contratar funcionários administrativos terceirizados, como secretárias e recepcionistas, além de assessores para cuidar de pleitos de deputados e senadores em órgãos como a Secretaria de Portos da Presidência (SEP) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Pasta com 131 servidores públicos - a maioria comissionada -, a SEP mantém em Brasília uma lista de funcionários da Fundação Ricardo Franco (FRF), entidade sem fins lucrativos ligada ao Instituto Militar do Exército (IME), graças a um convênio de R$ 20 milhões, assinado em outubro.

O objetivo é monitorar ações do PAC e apoiar, na área de engenharia, a execução de programas.

Mas, além do pessoal técnico, funcionários trabalham no apoio administrativo em quase todos os setores do órgão, como a coordenação-geral, o protocolo e até o gabinete do secretário executivo, Mário Lima Júnior, signatário da parceria.


Embora se trate de um pacote de serviços técnicos a cargo da fundação, a entidade admite pessoal mediante indicação da Secretaria de Portos para cargos que pouco podem contribuir para a aceleração do PAC.

Entre eles, constam parentes de servidores da pasta.
O decreto 7.203/2010, da Presidência, proíbe a contratação, para um mesmo órgão, de familiares de funcionários públicos, mesmo quando terceirizados.



Na quarta-feira, o Estado telefonou para o escritório da fundação em Brasília como se fosse alguém procurando emprego e perguntou sobre a possibilidade de uma vaga de recepcionista, secretário ou auxiliar administrativo na SEP.

"Na verdade, é a própria secretaria que encaminha, direciona os funcionários. Não é a gente que contrata", disse o funcionário da fundação.


Na área responsável pelas contratações da SEP, é uma empregada da fundação, com função de secretária, quem avisa que fica mais fácil conseguir uma vaga se tiver algum conhecido já empregado.

"Traz o seu currículo.
Você é amigo de alguém aqui?"
No gabinete do secretário executivo, vários funcionários administrativos têm vínculo com a fundação.

Nos Recursos Humanos, Patrícia Ribeiro de Sousa - com cargo comissionado de assessora, segundo o Portal da Transparência - é irmã da secretária Alzenira Ribeiro de Sousa, que está na folha salarial da entidade.
As duas estão na lista telefônica da pasta.


Auditoria.
A Ricardo Franco também cedeu 77 funcionários ao Dnit, a título de lidar com projetos básicos e executivos de engenharia.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), concluída em janeiro, constatou que havia pessoal espalhado por inúmeros setores, como a Comissão de Licitação, a Auditoria Interna e até a Corregedoria.

"Os alocados na DG (Diretoria-Geral) realizam trabalhos de assessoria, respondendo aos órgãos de controle e filtrando pleitos parlamentares."


"É uma espécie de barriga de aluguel. Você usa para colocar quem quiser dentro", comparou o ministro José Jorge, do TCU, ao avaliar o caso da SEP. Segundo ele, parcerias como essa, de cooperação técnico-científica, devem ser voltadas para seus objetivos específicos.

Os auditores chamam os funcionários de "quarteirizados", por causa do atípico processo de contratação. Para a execução do projeto, o Dnit repassa recursos ao Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), que o transfere à fundação, a quem cabe fornecer o pessoal. Essa operação é que é chamada de quarteirização.

O procurador do Ministério Público no TCU, Marinus Marsico, diz que vai solicitar os documentos do convênio da SEP para eventual investigação. Ele explica que, para atividades típicas de Estado, o governo é obrigado a abrir concurso.

Para funções que não têm a ver com a finalidade do órgão público, como limpeza, segurança e algumas tarefas administrativas simples, admite-se a terceirização, mediante concorrência para contratação da empresa fornecedora dos serviços.

"O uso generalizado das fundações tem por objetivo contornar as imposições da Lei de Licitações", observa.

FÁBIO FABRINI O Estado de S. Paulo


COM A EX-GERENTONA FAJUTA HOJE PRESIDENTA MAMULENGA E O BUFÃO? G-ZUÍZ ! Perigo nas contas externas .

As contas externas vão piorar neste ano, segundo todas as previsões, e uma luz amarela já se acendeu em Brasília.

Mais uma vez a economia nacional vai ser puxada pelo mercado interno, isto é, pelos gastos do governo, pelo consumo das famílias e pelo investimento das empresas - se nenhum grande susto levar a um adiamento dos projetos.


Autoridades têm chamado a atenção para o mercado interno como uma das vantagens do Brasil em relação a muitos outros países. É esse o mais importante ativo econômico brasileiro, já disseram alguns ministros em momentos de grande entusiasmo.

Mas esse tipo de crescimento envolve riscos.
Quando a demanda avança bem mais velozmente que a oferta doméstica, é preciso importar mais para compensar a diferença.

Sem isso, o resultado é mais inflação. Mas há limites para a capacidade de importar e é preciso administrar com prudência as transações com o exterior.


O governo sabe disso, mas deu pouca importância - até agora, pelo menos - à expansão do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. As principais projeções para as contas externas variam amplamente, mas todas apontam para uma deterioração.

Segundo o Banco Central (BC), o superávit comercial vai diminuir este ano dos US$ 29,8 bilhões do ano passado para US$ 23 bilhões.

As exportações aumentarão apenas 4,3%, para US$ 267 bilhões, enquanto as importações crescerão 7,9%, para US$ 244 bilhões.

Como o déficit em serviços continuará em expansão e as transferências pouco deverão mudar, o buraco na conta corrente se ampliará de US$ 52,6 bilhões para US$ 65 bilhões - de 2,1% para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).


Economistas do mercado financeiro e de consultorias são um pouco mais pessimistas. Projetam um superávit comercial de US$ 19,5 bilhões neste ano e um déficit em conta corrente de US$ 67,9 bilhões.

Além disso, já arriscam projeções para 2013 - superávit de US$ 14,5 bilhões na conta de mercadorias e um rombo de US$ 70 bilhões nas transações correntes.


A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) tem previsões muito mais sombrias:
exportações de apenas US$ 236,6 bilhões - menores, portanto, que as do ano passado - e importações de US$ 233,5 bilhões, 3,2% maiores que as de 2011.

O saldo, pouco superior a US$ 3 bilhões, será o menor em dez anos.

Apesar da ampla diferença entre os números, todas as projeções são baseadas em pressupostos comuns:
a Europa continuará em grave crise, a situação pouco deverá melhorar nos Estados Unidos e o crescimento chinês, embora ainda exuberante, será menor do que foi nos últimos anos.

A estagnação geral, agravada com a perda de impulso da economia chinesa, resultará em preços menores para os produtos básicos, tanto agrícolas quanto minerais.

Como as commodities - matérias-primas e produtos com baixo grau de processamento - têm representado mais de 60% da receita comercial brasileira, o valor das exportações será muito afetado, se as previsões de baixa das cotações se confirmarem.

O temor de um desempenho comercial muito fraco neste ano já contamina os formuladores da política econômica.


No Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a projeção do superávit na conta de mercadorias está na faixa de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões.

O cenário inclui tanto um aumento de importações causado pelo excesso da demanda interna quanto uma expansão medíocre das exportações, por causa do arrefecimento da economia chinesa e da queda de preços das commodities.

Todos os cenários apontam para um déficit maior na conta corrente. Quanto maior esse déficit, piores deverão ser as condições de seu financiamento, mais dependente de endividamento e de capitais especulativos.

O sinal ainda é de alerta e é bom agir antes de se acender alguma luz vermelha.

O governo dará um bom passo adiante se reconhecer, afinal, a insuficiência de seu Plano Brasil Maior e começar a pensar seriamente em como fortalecer a indústria para competir em todos os mercados.

Para isso, precisará confiar menos em remendos fiscais e em barreiras protecionistas e cuidar mais da produtividade e dos custos.

O Estado de São Paulo

COM O( P )artido (T )orpe NÃO É PRIVATIZAÇÃO OU "CONCESSÃO" E SIM, UM ANGU DE CAROÇO.


Mantega questiona fundos sobre leilão dos aeroportos
Ministro quer saber dos dirigentes da Previ e da Funcef se operação vai dar lucro

Surpreso com o apetite com que os fundos de pensão estatais participaram do leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou os dirigentes da Previ (fundo dos funcionários do Banco do Brasil) e da Funcef (fundo dos funcionários da Caixa) para ouvir explicações mais detalhadas sobre a decisão.

Depois da conversa, ele passou um relato à presidente Dilma Rousseff.

Assim como boa parte do mercado, que considerou os ágios pagos pelos aeroportos muito elevados e por isso tem dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio, setores do governo também viram a operação com alguma reserva.

Se por um lado o valor polpudo arrecadado com a operação, R$ 24,5 bilhões, foi visto como um sucesso, por outro surgiram preocupações quanto à lucratividade do negócio e seus reflexos sobre a saúde dos fundos de pensão.

Mantega fez uma espécie de sabatina com os dirigentes dos fundos. Ouviu que as ofertas foram precedidas de estudos e cálculos e que se trata de um bom negócio. Os fundos contam principalmente com receitas hoje não exploradas, com a concessão de novas lojas e a construção de hotéis.

"Há uma imensa demanda reprimida", frisou um auxiliar da presidente Dilma Rousseff.

Uma fonte ligada aos fundos explicou que os investimentos em ampliação e melhoria na gestão deverão alavancar as receitas dos aeroportos e, num período de três ou quatro anos, deverão gerar o montante necessário ao pagamento da outorga.

Modernas. Por outro lado, há no Executivo quem lamente que os leilões de Guarulhos e Brasília tenham sido vencidos por operadores de médio porte de aeroportos internacionais, como a sul-africana Airport Companies South Africa (Acsa)e a argentina Corporación América.

A exigência da participação de operadores internacionais tinha como meta trazer para o País tecnologias mais modernas de gestão de aeroportos.

Previ e Funcef, além do Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, fazem parte do consórcio Invepar, que aceitou pagar R$ 16,2 bilhões, um ágio de 373,5%, para explorar Guarulhos por 20 anos.

A versão que corre no governo é que os fundos não foram orientados a entrar pesadamente no leilão. Tanto é que Mantega estranhou o volume envolvido e a agressividade com que participaram do leilão.

"Se tivéssemos sido pautados pelo governo não haveria tanta surpresa", afirmou uma fonte ligada aos fundos de pensão. Segundo a fonte, o elevado ágio pago não vai atrapalhar a realização dos investimentos previstos no edital, que serão financiados.

Também será preservado o cumprimento das metas atuariais dos fundos no longo prazo (INPC mais 6% ao ano), mesmo que a taxa de retorno fique pouco abaixo do estimado nos estudos de viabilidade econômica.

"Teremos a rentabilidade adequada", destacou a fonte. Oficialmente, Funcef, Previ e Petros não falam sobre o assunto, que é de responsabilidade da Invepar.

A suspeita de que a atuação pudesse ter sido orquestrada foi baseada no ocorrido no setor elétrico. Em 2010, o governo recorreu aos fundos de pensão para salvar o leilão da hidrelétrica de Belo Monte.

Naquela ocasião, Odebrecht e Camargo Corrêa se retiraram da disputa, gerando a desconfiança no Executivo de que a manobra teria sido combinada para favorecer um único participante, que depois recompensaria os demais.

Diante desse quadro, os fundos foram chamados para entrar na disputa.

Por outro lado, os investimentos em infraestrutura são típicas aplicações dos fundos de pensão, que precisam de investimentos de longo prazo. Analistas dizem que não dá para apostar apenas em aumento das taxas de juros e em investimentos em ações para cumprir as metas de rentabilidade.

Dados preliminares dos fundos já mostravam que dificilmente eles conseguiriam atingir metas em 2011. Nesse cenário, investimentos em infraestrutura ganham atratividade.

Para o economista Mansueto Almeida, a participação dos fundos de pensão, por si só, é normal. "Eles também participaram das privatizações dos anos 1990", lembrou.

A diferença com relação à situação atual, observou, é que nos anos 1990 os sindicalistas que faziam parte dos conselhos de administração dos fundos eram de oposição. Hoje, eles apoiam o governo.

"O sistema de freios e balanços era melhor no passado", comentou o economista.

Lu Aiko Otta, de O Estado de S. Paulo

fevereiro 12, 2012

brasil maravilha ! RICOS CALOTEIROS JÁ DEVEM R$ 276 BILHÕES. Famílias endividadas passou de 48,9% para 53,4%.


Levantamento do Banco Central (BC) aponta que as dívidas acima de R$ 50 mil são as que mais crescem no país. O valor, que estava na casa dos R$ 203 bilhões para pessoas físicas, subiu 36% em 12 meses.

Segundo especialistas, os novos integrantes da classe A, que passaram recentemente em concursos e agora contam com altos salários, ajudaram a fazer com que o calote disparasse.

Dados da Pesquisa Nacional de Inadimplência revelam que, nos lares com rendimentos acima de 10 salários mínimos, o índice de famílias endividadas passou de 48,9% para 53,4%.

Passar em um concurso público mudou a vida de João Silva*. De um simples advogado, ganhou status de juiz federal e elevou a sua renda mensal de R$ 2 mil para R$ 24 mil.

Mais do que aumentar o saldo na conta-corrente, Silva passou a viver um estilo de vida insustentável.
Alugou um apartamento luxuoso no Sudoeste, região nobre do Distrito Federal, por R$ 3 mil mensais. Começou a frequentar e a realizar festas caras e comprou um carro, uma Mercedes Benz, por R$ 120 mil, financiada em 72 vezes.
Gastou o que podia e o que não podia por meio de cartões de crédito.

Durante pouco mais de um ano, o juiz ostentou uma vida de milionário. Mas a fatura começou a mostrar o seu peso. Para honrar todos os compromissos em dia, Silva tomou três empréstimos com desconto em folha de pagamento (consignado).

Recorreu ao limite de R$ 30 mil do cheque especial. Passou a sacar dinheiro no cartão de crédito a juros de quase 15% ao mês. Finalmente, chegou o momento em que não tinha mais de onde tirar dinheiro.

Começou, então, a atrasar o pagamento de dívidas. Até que a concessionária que lhe vendeu a Mercedes encaminhou o nome dele para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Foi um transtorno danado. Por lei, um juiz não pode constar na lista de caloteiros.

Silva é um dos milhões de brasileiros de alta renda que se endividaram pesadamente e surfaram na onda do crédito farto dos últimos anos. Muitos, como ele, vieram de famílias humildes ou da tradicional classe média.

Por meio de um concurso público ou mesmo pela dedicação de anos e anos de estudo que permitiram a conquista de um posto de trabalho com alta remuneração na iniciativa privada, passaram a fazer parte do que se convencionou chamar de novos-ricos.

São eles, por sinal, os que comandam a escalada dos empréstimos e financiamentos no Brasil a um ritmo de 20% ao ano e os que mais impulsionam a inadimplência.

Dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontam que, nos 12 meses encerrados em janeiro, enquanto o índice de famílias endividadas com renda inferior a 10 salários mínimos (R$ 6.220) recuou de 61,3% para 59,5%, nos lares com rendimentos acima de 10 salários mínimos disparou de 48,9% para 53,4%.

Entre os mais abastados, as dívidas estão, em média, 63,1 dias atrasadas contra os 62,8 dias dos que têm ganhos menores.

"Temos um retrato muito interessante no país, hoje. A nova classe média, que se esbaldou com o crédito fácil, botou o pé no freio. Já os ricos estão gastando além da conta e criando uma bolha preocupante de inadimplência", diz Felipe Chad, sócio da Corretora DX Investimentos, especializada em finanças pessoais.

Levantamento do Banco Central reforça a percepção de Chad. As dívidas acima de R$ 50 mil são as que mais crescem no país. Em 12 meses até novembro do ano passado, tais operações avançaram 36%. Passaram de R$ 203,5 bilhões para R$ 276,7 bilhões.

"Parte desse público engrossa a nova classe A, que antes não tinha tantos recursos e agora tem um fluxo de caixa elevado para gastar. Em Brasília, tornou-se um quadro comum entre os recém-aprovados em concurso público ostentar dívidas que crescem como bola de neve", ressalta Chad.

*Nome fictício
Cristiane Bonfanti e Victor Martins Correio Braziliense

fevereiro 11, 2012

R$ 154 bilhões em crédito inadimplente - O brasil maravilha "fomentando" o crédito podre e os incautos que se lasquem : A inadimplência no financiamento de veículos cresceu 133% em 2011

O sistema financeiro brasileiro carrega R$ 154 bilhões em crédito inadimplente. No ano passado, o estoque de dívidas com atraso acima de 60 dias cresceu 23%.

Os números estão atraindo investidores estrangeiros especializados no segmento de crédito podre.

A inadimplência no financiamento de veículos cresceu 133% em 2011, ritmo cinco vezes mais rápido que o crédito concedido ao setor.

Não estamos à beira de uma crise como a que outros países viveram, mas temos que olhar com mais respeito os números.

Se o mercado de crédito no Brasil está crescendo muito rápido, também é veloz o ritmo do volume de inadimplência. Preocupados com o efeito desse crédito ruim sobre seus balanços, os bancos revendem os ativos a preços baixos para investidores especializados em cobranças de longo prazo.

— É muito caro para um banco tentar recuperar um crédito vencido há mais de 180 dias, por exemplo. Esse tipo de cobrança foge da sua estrutura. Muitos preferem vender essas carteiras a outros investidores, especializados nisso.

Apesar do prejuízo, os bancos melhoram o perfil de suas carteiras e recuperam parte do dinheiro emprestado — explicou o economista Paulo Bittencourt, da Apogeo Investimentos.

A KPMG registrou em relatório que só o Santander vendeu R$ 16 bilhões em créditos podres.

Aceitou levar um prejuízo de pelo menos 85%. Ou seja, se tinha, por exemplo, uma carteira que valia R$ 100, o banco revendeu a outros investidores por R$ 15.

Pela lógica dos bancos, é melhor recuperar R$ 15 e tentar alguma rentabilidade sobre esse valor do que correr o risco de perder os R$ 100 e ainda ter que dizer ao mercado que carrega esse mico.

Já para o investidor que compra, as chances de lucros grandes são altas, caso ele consiga fazer com que o devedor pague.

A provisão que os bancos têm que fazer para carteiras de crédito com a mais baixa qualidade subiu 22% no ano passado, de R$ 51 bilhões para R$ 64 bi. Esse é o volume total de atrasos maiores que 180 dias, que são classificados com a letra H pelo Banco Central.

Quando o crédito entra nessa classificação, o banco é obrigado a fazer uma reserva de 100% do valor concedido. A provisão feita pelos bancos estrangeiros aumentou 35%.
A KPMG, que presta consultoria para bancos e investidores que querem atuar nesse mercado, estima que, além dos R$ 154 bilhões de crédito em atraso no país, há outros R$ 150 bi contabilizados como perdas pelos bancos, porque ultrapassaram o período de 365 dias inadimplentes.

Segundo Salvatore Milanese, líder da área de reestruturação da KPMG, o crescimento do crédito no ritmo de 20% ao ano está chamando atenção de investidores estrangeiros especializados em inadimplência.

— Os investidores sabem que tudo o que cresce a uma taxa de 20% ao ano uma hora terá que sofrer correção, porque nada pode subir indefinidamente até o céu. A taxa é insustentável, e quem olha para os exemplos históricos percebe isso.

Quando comecei nesse mercado, em 2001, o percentual de crédito H era 1%. Hoje, subiu para 3%. Existe uma enorme correlação entre o crescimento forte do crédito e a alta do crédito inadimplente — afirmou.

O que preocupa nesses números é que 42% do crédito em atraso no Brasil são de consumidores. Ou seja, muitos brasileiros que estão sendo estimulados a fazer financiamentos não estão conseguindo pagar as contas.

O economista Felipe Queiroz, da Austin Rating, aposta que os atrasos não devem crescer tanto este ano porque a perspectiva é de crescimento da economia.

Mas alerta que uma mudança brusca na Europa, que afete os níveis de emprego no país, tornariam o quadro pior:
— A expectativa é que a inadimplência não aumente. Temos a economia com projeção de crescimento, aumento do salário mínimo, redução da Selic. Tudo vai facilitar os pagamentos.

O que pode dar errado é um agravamento da crise na Europa. Uma recessão profunda por lá que tenha reflexo nas nossas exportações e na oferta de crédito.

Os economistas costumam olhar só o crédito/PIB e dizer que, na comparação com outros países, os nossos 49% são baixos.

Mas aqui o dinheiro é caro demais. Um vento contra pode complicar. Por isso, é hora de olhar esses números com lupa.

PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO COM A "dotôra"" 1,99 : Petrobrás perde R$ 28 bilhões em valor de mercado após balanço


As justificativas apresentadas pela Petrobrás para a surpreendente queda do lucro no ano passado não convenceram as instituições financeiras e os analistas do setor petrolífero.

No dia seguinte à divulgação dos resultados, a companhia perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado, segundo cálculos da consultoria financeira Economática.


No pregão desta sexta-feira, as ações ON da estatal caíram 8,28%. As PN, 7,84%. O resultado dos papéis da Petrobrás levou o índice Bovespa a cair 2,34%, para 63.997,86 pontos.

O BTG Pactual chegou a qualificar os resultados da estatal em 2011 como "intrigantes". Em relatório, o BTG Pactual manifestou dúvidas em relação ao aumento dos encargos de depreciação no setor de exploração e produção e à deterioração dos resultados do refino.

Os analistas Gustavo Gattass, Luiz Felipe Carvalho e Dario Valdizan, mesmo debruçados sobre os resultados anunciados pela petroleira, não conseguiram decifrar como a Petrobrás chegou aos resultados financeiros divulgados.


Tamanha derrocada, segundo o BTG, pode ter origem atípica. "Ainda assim, a diminuição nos resultados foi tão grande que não podemos descartá-los como irrelevantes", diz o texto do BTG, que pretende revisar as estimativas para a Petrobrás.

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) apontou o custo da importação de derivados de petróleo como o principal responsável pelo desempenho ruim no quarto trimestre. Nos três últimos meses de 2011, houve prejuízo de R$ 4,412 bilhões na área de abastecimento, responsável pelas importações.

O relatório do Credit Suisse, assinado pelos analistas Emerson Leite e André Sobreira, diz que as perdas no setor de abastecimento da Petrobrás dobraram em seis meses.

"Quanto mais o negócio cresce, maiores são as perdas, mesmo tendo em vista preços da gasolina 10% mais altos e do diesel, 2% maiores, que contribuíram para os resultados a partir de novembro."


Para o Credit Suisse, o trimestre poderia ter sido bom, com o aumento da produção e dos preços dos derivados.

"Com ações que subiram 30% no ano até agora, estimativas de ganhos que podem ser reduzidas depois desses resultados e um cenário de produção que verá um crescimento significativo apenas depois de 2014, continuamos a ver um caso de investimento pouco convincente", dizem os analistas.


Para o Deutsche Bank, a principal causa da queda no lucro foi o aumento da importação, uma vez que a empresa chegou ao limite de capacidade de refino.

Relatório dos analistas Marcus Sequeira e Luiz Fonseca diz que "a magnitude de perdas foi claramente subestimada" pelo mercado.

O banco destacou a alta dos custos operacionais, que se persistir em 2012 poderá gerar "uma onda de redução dos ganhos".

Luciana Collet, Vanessa Stecanella e Sergio Torres, de O Estado de S. Paulo

fevereiro 10, 2012

E NO brasil maravilha da mamulenga e agora também "Rainha dos Canteiros de Obras Paradas"(RA) : Inflação oficial acelera em janeiro


A inflação começou o ano de 2012 em alta. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 0,56% em janeiro, taxa superior à variação de 0,50% de dezembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Nos últimos 12 meses até janeiro, o índice acumula alta de 6,22%, ante 6,50% registrados em dezembro.


O IPCA tinha aumentado 0,83% em janeiro de 2011.

Essa foi a primeira divulgação do IPCA com a nova estrutura de pesos, que incorpora os resultados dos gastos de consumo da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.

A mudança foi feita para refletir melhor o novo perfil de gastos do consumidor brasileiro.

Saiu do cálculo da inflação a máquina de costura, o chuchu e o chope, por exemplo.


Em seus lugares, entraram itens como o salmão e o pacote combo de TV e internet.

A atualização é feita por todos os países, e a recomendação da ONU é que ocorra de cinco em cinco anos, já que os hábitos não mudam rapidamente. A atual estrutura reflete o aumento do poder aquisitivo da população afirmou a coordenadora da pesquisa, Eulina Nunes dos Santos.

A principal contribuição para a inflação em janeiro veio dos grupos alimentação e bebidas, que subiram 0,86%, e do grupo transportes (alta de 0,69%), com 0,34 ponto percentual de contribuição desses dois grupos para a taxa de 0,56%.
Assim, os dois grupamentos foram responsáveis por 61% do IPCA.

A alta de alimentos e bebidas foi menor do que a registrada em dezembro (1,23%).
A carne, que vinha de uma alta de 4,11% em dezembro, caiu 0,64% em janeiro.

Também tiveram quedas o açúcar refinado (de -1,26% para -0,75%),

leite longa vida (de -1,41% para -1,13%),
pão francês (0,91% para -0,30%)
e frango em pedaços (de 1,65% para -0,13%).

Por outro lado, houve alta nos preços de feijão carioca (8,84% para 15,06%), cenoura (de -4,95% para 11,29%),
tomate (de 1,04% para 8,09%),
batata-inglesa (de -4,46% para 8,01%),
feijão preto (de 0,55% para 5,42%)
e hortaliças (de -1,46% para 4,56%).


De acordo com os pecuaristas, o consumo de carne em janeiro é menor do que em dezembro, quando há o período de festas, e a seca obrigou a aumentar o volume de abate, o que se refletiu no preço explicou Eulina.

No grupo de transportes, o maior impacto veio das tarifas dos ônibus urbanos, na maior influência individual do mês, com 2,54% de aumento. O reajuste de 10% nas tarifas de ônibus do Rio foi o que mais impactou.

Também houve aumento em Belo Horizonte (7,75%) e em Recife (1,61%).


Os reajustes dos ônibus urbanos costumam acontecer logo no começo do ano, e devem ter ainda resíduos no resultado de fevereiro. Já as passagens aéreas, hotéis e excursões sofreram ainda um "efeito férias".


O Globo

E NO brasil maravilha... A POLÍTICA "DA OU NA" PETROBRAS : Sobrecarga derruba Petrobras

A Petrobras sentiu o peso da sobrecarga que o governo vem lhe impondo.

A maior companhia do país apresentou ganhos decepcionantes em 2011. Seu desempenho foi afetado, principalmente, por decisões que têm se mostrado muito mais políticas do que empresariais.


O lucro líquido da Petrobras caiu à metade no último trimestre do ano passado. Foram R$ 5,6 bilhões a menos em caixa no período, no pior resultado desde o início de 2007, segundo levantamento feito pela consultoria Economatica.
No ano, a queda do lucro foi menor: 5,5%.


A empresa paga o preço por políticas equivocadas que tem tido de perseguir por determinação do Planalto. Entre as mais danosas estão a participação obrigatória na exploração do pré-sal, a necessidade de respeitar conteúdos nacionais mínimos em suas encomendas e o subsídio para manter baixos os preços dos combustíveis no mercado interno. O câmbio também pesou.

Com o consumo em alta e as capacidades de produção e de refino estacionadas, a Petrobras tem tido de apelar para petróleo bruto e derivados vindos de fora. Só a importação de gasolina cresceu 400% no ano passado.

Como o valor que pratica internamente é menor do que paga no exterior, a companhia só embolsa prejuízo.

Em 2011, deixou de arrecadar R$ 7,9 bilhões com a diferença dos preços do diesel e da gasolina nos mercados internacional e doméstico, estima o Centro Brasileiro de Infraestrutura. Nos últimos oito anos, o rombo chega a R$ 12 bilhões.


A empresa também se vê às voltas com encomendas que lhe saem muito mais caras do que se pudessem ser compradas com liberdade no mercado global. É o caso das sondas para perfuração de águas ultraprofundas do pré-sal.

Por terem de ser construídas no país, como parte de uma política de valorização de conteúdo local, apresentam preços muito acima do mercado: o afretamento de cada unidade custa em torno de meio milhão de dólares por dia.


Já as obrigações impostas à companhia para exploração do pré-sal tendem a lhe causar transtornos crescentes. Pelas regras fixadas, todo consórcio deve ter pelo menos 30% de participação estatal.

O que poderia parecer uma dádiva resulta, na realidade, em elevado risco incorrido, como pôde ser conferido já no ano passado: só com a perfuração mal sucedida de poços secos, a Petrobras dispendeu R$ 717 milhões no último trimestre.


"Ao dar asas à ideia de dar à Petrobras sólido controle da exploração do pré-sal e, ao mesmo tempo, transformá-la num poderoso cartório de distribuição de benesses a produtores de equipamentos, o governo estava fascinado com os enormes benefícios políticos que poderia extrair desse arranjo", avaliou Rogério Furquim Werneck em artigo n'O Globo no início do mês.

A Petrobras tem um ambicioso plano de investimentos pela frente, pelo qual deverá aplicar US$ 224,7 bilhões até 2015. Mas também neste quesito não tem conseguido atingir suas metas: no ano passado, o resultado ficou em R$ 73 bilhões, bem abaixo dos R$ 84,7 bilhões previstos.

A produção da empresa em 2011 também foi fraca, com avanço de mero 0,9%. Mais uma vez, a meta não foi atingida. No ritmo atual, a Petrobras chegará ao fim da década produzindo 30% menos que o previsto, segundo relatório do banco Credit Suisse citado recentemente pela revista Veja.

Para completar o quadro, a Petrobras foi a segunda companhia que mais perdeu valor de mercado em todo o mundo em 2011, abaixo apenas do Bank of America.

Evaporaram US$ 72,4 bilhões, conforme levantamento feito pela Bloomberg News junto a mais de 5 mil corporações globais.
(A reação de suas ações neste início de ano permitiu-lhe recuperar parte da perda.)


Ontem, a companhia mudou seu comando. Graça Foster substituiu Sergio Gabrielli na presidência e mais dois diretores foram trocados. Não está muito claro se a ascensão da técnica de carreira, em oposição ao político militante que durante sete anos e sete meses esteve à frente da empresa, vai alterar os rumos ziguezagueantes da Petrobras.

O que se mostra cristalino é que a maior companhia do país mostra-se hoje vergada pelo sobrepeso que o governo do PT lhe impôs.

A Petrobras deve, sim, apoiar políticas públicas, mas a condição para isto é que sobreviva como empresa lucrativa.

Canibalizada como ela está, o poço pode secar rapidamente.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Sobrecarga derruba Petrobras