"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

dezembro 02, 2010

INFLAÇÃO ALASTRA-SE PELA ECONOMIA.

http://4.bp.blogspot.com/_83QC6N5xNQ8/TBD8j4QaOUI/AAAAAAAAAR8/z_8GZiopCAM/s1600/P96357947097D413A838902E1851FDD2A.jpg
Elevação dos preços aparece também no mês de novembro.
Os alimentos são os que mais sobem, 2,27%, diz a FGV.

O orçamento do consumidor brasileiro continua sendo solapado pelos constantes aumentos de preços em produtos básicos fundamentais.
O registro dessa deterioração apareceu novamente no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que apontou avanço de 1% no levantamento de novembro, maior alta desde a segunda semana de fevereiro (1,04%).

Mais uma vez, o grupo alimentação foi o principal responsável pelo resultado, com expansão de 2,27%.
Entretanto, o segmento não foi o único.

Ao contrário do que ocorreu no início do ano, as pressões inflacionárias agora estão se disseminando na economia e elevando as preocupações com a perda do poder de compra da moeda, segundo avaliação da Fundação Getulio Vargas, responsável pelo indicador.

Para o coordenador do estudo, professor Paulo Picchetti, a diferença fundamental entre os primeiros meses de 2010 e o encerramento do ano é que, naquela ocasião, apesar de a inflação também ter sido liderada pelos produtos alimentícios, foi decorrente de choques pontuais.

Agora, os problemas não são climáticos ou ocasionados por falta de produção interna, como antes. Estamos vendo uma grande pressão de demanda externa, resultante de uma alta dos preços de commodities”, comentou.

Estrago

O professor destaca ainda que há outros componentes apontados no IPC-S que reforçam a disseminação da carestia e o caráter mais estrutural da inflação.
As medições de núcleo avançaram rapidamente nos últimos três meses.
Entre setembro e outubro, o recorte do índice passou de 4,62% para 4,76% (no acumulado de 12 meses).
Em novembro, cresceu para 4,95%.

Juros vão subir

O cenário atual carrega todas as características que sustentam a necessidade de um novo aumento na taxa Selic: inflação em alta, trajetória ascendente dos núcleos e expectativas do mercado se deteriorando.
Para alguns analistas, os juros devem subir já na próxima reunião, em 7 e 8 de dezembro.

Para Élson Teles, da Máxima Asset Management, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode aproveitar o próximo encontro para sinalizar a alta e deixar o arrocho para o novo presidente, Alexandre Tombini.

Gabriel Caprioli/Correio Braziliense

CONTAS A PAGAR : DÍVIDA INFLADA E METAS FISCAIS EXPLODIDAS.

Não se deve olhar o resultado das contas públicas divulgado ontem meramente pela ótica contábil.
O emaranhado de cifras e conceitos é quase incompreensível para a população em geral.

A questão é política:
o que interessa é mostrar que a parcela crescente de recursos que o país compromete com gastos do governo é o preço que a gestão Lula impôs à sociedade para eleger Dilma Rousseff.
São contas a pagar por muitos e muitos anos.


A despeito de toda a criatividade contábil empregada pelos técnicos oficiais para inflar as receitas do governo, é bem possível que a meta fiscal não seja atingida neste ano. Nos últimos 12 meses, o superávit primário está em R$ 99,1 bilhões ou 2,85% do PIB.

O resultado de outubro (superávit de R$ 9,7 bilhões) foi o pior para este mês do ano desde 2005. Até o mês passado, a meta de superávit para este ano era de 3,3% do PIB. Foi reduzida para 3,1% com a exclusão dos investimentos da Eletrobrás dos cálculos.

A estatal é um sorvedouro de dinheiro público e, com sua gestão temerária, estava puxando o resultado das estatais para baixo. Ao invés de tentar saneá-la, o governo preferiu varrer seus gastos para debaixo do tapete.

Mas, mesmo emagrecida, nem Papai Noel é capaz de fazer a nova meta fiscal de 2010 ser alcançada. O resultado primário é tradicionalmente deficitário no fim do ano, quando o governo tem que arcar com pagamento de 13º salário do funcionalismo.

No ano passado, o déficit nominal saltou de R$ 114 milhões em outubro para R$ 10 bilhões em dezembro. Isso significa que o governo petista não executará neste ano o esforço fiscal necessário para reduzir a dívida pública.

Se o passivo não cai, o espaço para o corte de juros fica menor, os gastos saudáveis com investimentos públicos não acontecem e o país mantém-se pagando caro para rolar sua dívida, que cresceu R$ 18,8 bilhões em outubro e atingiu R$ 1,64 trilhão.

O governo tenta defender a escalada de gastos dizendo que era preciso fazer frente à crise econômica. Isso poderia ser - e foi - válido para 2009.

Mas, neste ano, acelerar a gastança foi pura e exclusivamente irresponsabilidade. Ou em português mais claro: uso descarado dos recursos da sociedade em favor de um projeto político.

Gastou-se muito para eleger a sucessora de Lula, não para acelerar o crescimento. O governo do PT está conseguindo jogar no limbo o arcabouço institucional que permitiu ao país emergir da descrença internacional que grassava até a década de 90 para um patamar respeitável.

O firme tripé baseado em responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante encontra-se trôpego. No caso das contas públicas, o resultado deste ano só não é numericamente catastrófico porque a equipe econômica, sob as bênçãos do reconduzido ministro Guido Mantega, lançou mão de uma série de mandracarias para engordar as receitas.

Sem elas, os R$ 99 bilhões do superávit fiscal seriam um terço menores. O golpe mais vistoso foi desferido quando R$ 31,9 bilhões de uma dívida feita para capitalizar a Petrobras foram transformados em R$ 31,9 bilhões de receitas.

Shazam!
A União também garantiu outros R$ 1,4 bilhão com a venda de créditos que tinha na Eletrobrás para o BNDES e mais R$ 958 milhões com o pagamento antecipado, pela Caixa, de dividendos ao Tesouro.
(...)
Uma das operações mais esdrúxulas foram os empréstimos a frigoríficos, em especial ao grupo JBS/Friboi. Foram R$ 11,4 bilhões desde 2008, considerando também a compra de participação pelo BNDES no capital do JBS e do Bertin, hoje enfeixados no mesmo grupo empresarial, conforme análise de Mansueto Almeida.

Isso tornou o JBS o segundo maior grupo privado nacional, atrás apenas da Vale - até 2005, o frigorífico goiano jamais figurara sequer entre as 200 maiores corporações brasileiras. Quase ninguém entendeu a atração do BNDES pelo JBS - conglomerado privado onde o banco mais pôs dinheiro na sua história e do qual é hoje dono de 21%.

A operação não aumentou a capacidade de exportação do país (mas elevou a dos EUA, onde o JBS adquiriu a Swift Foods), nem gerou um bife sequer de inovação tecnológica ou criou novos empregos - pelo contrário.
Mais eis que surge agora uma bela explicação para tamanha camaradagem oficial com o JBS: o grupo foi o maior doador da campanha vitoriosa de Dilma Rousseff.

Foram nada menos que R$ 10 milhões, conforme mostra O Estado de S.Paulo em sua edição de hoje. O valor supera até mesmo o de construtoras e bancos, dois dos setores mais satisfeitos com o governo do PT.

Depois do JBS aparecem, nesta ordem, a Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão. Ambas têm uma vistosa carteira de obras incluídas no PAC, algumas envoltas em suspeita de irregularidades e polêmicas, como a bilionária hidrelétrica de Belo Monte.

Fecha-se, então, o círculo:
o governo abriu a torneira dos gastos, irrigou negócios amigos e recebeu em retribuição, na campanha eleitoral, o auxílio financeiro dos companheiros subsidiados.
Com o país atolado neste "capitalismo estatal", não surpreende que os resultados fiscais sejam cada vez piores.

A conta da eleição de Dilma está sendo apresentada agora à sociedade.
Quem vai pagar por isso?

Fonte: ITV Contas a pagar

ERRADO : " O POVO SOU EU". CERTO : O BÊBADO ABJETO , SOBERBO E PARLAPATÃO SOU EU. QUANTO MAIS VAZIA A CARROÇA(cérebro) MAIS BARULHO ELA FAZ!


O mesmo presidente Lula que aconselhou um repórter deste jornal a fazer psicanálise para se tratar da "doença do preconceito", revelou ter dito de si certa vez algo que deveria levá-lo ao divã do terapeuta mais próximo.

Não fosse a inconfidência, a sua grosseria com o jornalista Leonencio Nossa, baseado no Palácio do Planalto, mereceria ser largada no aterro onde se amontoam os incontáveis rompantes, bravatas e despautérios do mais prolixo dos governantes brasileiros.

Mas o encadeamento das coisas obriga a revolver as palavras do presidente, em consideração ao interesse público.


As cenas constrangedoras se passaram quando Lula visitava as obras da hidrelétrica de Estreito, no Maranhão, para o fechamento simbólico da primeira das 14 comportas da usina.
Perguntado pelo repórter do Estado se a visita era uma forma de agradecer o apoio da oligarquia Sarney ao seu governo, ele perdeu as estribeiras.

Embora o presidente do Senado seja o patriarca do clã que sabidamente controla a vida política maranhense há cerca de meio século e embora seja também notória a sua sintonia com os interesses do lulismo - e vice-versa -, Lula reagiu com indisfarçada hostilidade.


A pergunta "preconceituosa", investiu, demonstraria que o jornalista não teria aprendido que o Senado é uma instituição autônoma e que, ao se eleger e tomar posse, todo político "passa a ser uma instituição". "Sarney não é meu presidente", emendou.

"É o presidente do Senado deste país." Lula domina com maestria o tipo de mentira que consiste em omitir uma parte, a mais importante, da verdade. No caso, o pacto de mútua conveniência entre ambos - que se sobrepõe ao caráter institucional das relações entre dois chefes de Poderes.


Que o diga o PT do Maranhão, obrigado este ano a desistir da candidatura própria no Estado em favor da reeleição da governadora Roseana Sarney. Foi ao pai que Lula se dirigiu em dada ocasião para transmitir uma ameaça ao Congresso.

Segundo a história que o presidente contou na sua fala de improviso em Estreito, no decorrer da crise do mensalão, em 2005, pediu que Sarney advertisse os parlamentares da oposição de que, "se tentassem dar um passo além da institucionalidade, não sabem o que vai acontecer".

Porque "não é o Lula que está na Presidência, mas a classe trabalhadora"

Ou, mais precisamente, porque ele é "a encarnação do povo". Não há o mais remoto motivo para duvidar de que isso é o que ele enxerga quando se olha ao espelho. Luiz XIV teria dito que "o Estado sou eu". Era, de toda sorte, uma constatação política - e a mais concisa definição que se conhece do termo autocracia.

Mas nem o Rei Sol, que via a sua onipotência iluminando a França, tinha a pretensão de encarnar os seus súditos. Não ousaria dizer "o povo sou eu".
Em psiquiatria há diversas denominações para o que em linguagem leiga se chama mania de grandeza.


Lula disse ainda que de início tinha medo do que lhe poderia acontecer à luz de um passado que incluía o suicídio de Vargas, a tentativa de impedir a posse de Juscelino, a deposição de Jango, a renúncia de Jânio e o impeachment de Collor.

A julgar por sua versão, o migrante que passou fome e privações e refez a vida sem renegar as suas origens seria um candidato natural a engrossar a lista dos governantes brasileiros apeados do poder de uma forma ou de outra, no que seria uma interminável conspiração dos descontentes.

Mas "eles", teria dito naquela conversa com Sarney, "vão saber que eu sou diferente".


O que espanta, além da teoria encarnatória, são as circunstâncias que levaram Lula a invocar alguns dos momentos mais turbulentos da história nacional.
Em 2005, a oposição não conspirava para "dar um passo além da institucionalidade" nem o País estava convulsionado por um confronto ideológico que se resolveria pela força.

Os brasileiros, isso sim, estavam aturdidos com as evidências de que o lulismo usava dinheiro que transitava pelos desvãos da política e do governo para comprar votos na Câmara dos Deputados - o mensalão. Lula não estava nem um pouco preocupado com as instituições.

Queria dar dimensão histórica ao que não passava de um caso de polícia.
Encarnou uma mistificação.

O Estado de S.Paulo
O povo sou eu

dezembro 01, 2010

BM&FBOVESPA NÃO RECOLHE TRIBUTOS E É AUTUADA EM R$ 410 MILHÕES.

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) recebeu auto de infração da Receita Federal cobrando R$ 410 milhões em tributos não recolhidos durante o processo de união entre BM&F e Bovespa em 2009 e 2009.

Em comunicado ao mercado, a bolsa afirmou que apresentará pedido de impugnação do auto de infração e que considera que o risco de perdas em razão da cobrança é remoto.

Ontem, o índice Ibovespa caiu 0,3%, a 67.705 pontos. No mês, recuou 4,19%.

Conforme a BM&FBovespa, o auto de infração da Receita refere-se à cobrança de imposto de renda no valor de R$ 301,7 milhões e outros R$ 108,5 milhões de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ambos já acrescidos de multas e juros.

Os valores são correspondentes aos tributos que, segundo a Receita Federal, a bolsa deixou de pagar por força da amortização, para fins fiscais, do ágio gerado na incorporação de ações da Bovespa Holding pela BM&F.

Correio Braziliense

O CÍRCULO VICIOSO E OS TRUQUES DAS CONTAS PÚBLICAS.

As contas públicas de outubro trazem-nos de volta à realidade, ainda que continuem contaminadas pelo truque usado pelo governo em setembro e que permitiu que o governo central apresentasse um superávit nominal de R$ 16,2 bilhões.

Em outubro o déficit foi de R$ 1,7 bilhão. Resta saber se, apesar da muito duvidosa receita de R$ 74,8 bilhões - correspondente à cessão onerosa paga pela Petrobrás -, o governo conseguirá apresentar um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), já descontadas as contas da Eletrobrás

O setor público (que incluiu o governo federal, INSS, Banco Central, Estados, municípios e empresas estatais) apresentou, nos dez primeiros meses do exercício, um superávit primário (receitas menos despesas, sem considerar os juros) de 2,99% do Produto Interno Bruto.

A contribuição do governo federal foi de 2,13%; a dos governos regionais (Estados e municípios), de 0,76%; e a das empresas estatais, de 0,10%.

Depois de excluir a Petrobrás das contas públicas, dado o volume dos seus investimentos, o governo federal decidiu retirar a Eletrobrás pela mesmas razões, assim reduzindo a meta do superávit de 3,3% para 3,1%.

Por coerência, o governo deveria excluir das contas as receitas resultantes dos dividendos dessas empresas.

Apesar daquela exclusão, há grandes dúvidas em relação à capacidade do governo de atingir a meta fixada. No ano passado, o déficit nominal do governo central, que era de R$ 114 milhões em outubro, subiu para R$ 9,959 bilhões em dezembro.

E todos os anos as despesas do governo crescem muito no último mês do exercício, época em que procura realizar o máximo de investimentos. Neste ano, com o fim de um governo, podemos esperar despesas ainda maiores.

O problema é saber que truque inventará o governo para atingir a meta fixada. Justifica-se essa expectativa, porque o governo federal insiste em reduzir para 40% a relação entre a dívida mobiliária federal e o Produto Interno Bruto, que em outubro era de 44,6% - e faz isso no momento em que transfere juros para a dívida e em que o próprio Tesouro Nacional reconhece que as taxas que paga estão aumentando

O truque contábil, aliás, está anunciado:
o governo central poderá deduzir, para o cálculo do superávit primário, os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como se os gastos com investimentos não fossem uma despesa que já em outubro representava mais de R$ 36 bilhões...

O Estado de S.Paulo

É NA MARÉ BAIXA QUE SE VÊ QUEM NADA PELADO .

Nunca se deve subestimar o gosto do presidente Lula pelo som da própria voz. Ainda assim, é improvável que neste seu derradeiro mês no Planalto ele ainda tenha tempo de proferir uma falsidade comparável às suas reiteradas garantias de que não indica nomes para Dilma Rousseff porque o futuro Ministério tem de ter "a cara" dela.

Teria se a sucessora tivesse barba e bigode.

De fato, o que se desenrola em Brasília nas últimas semanas, à vista do País, é menos a constituição de um novo Gabinete, de acordo com as preferências pessoais e os compromissos políticos de um líder em vias de assumir a Presidência, do que outra reforma ministerial do governo Lula.

Foi ele, afinal, quem manteve nos seus lugares - por enquanto - o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o titular da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Dilma também fez a vontade de Lula trazendo o antecessor de Mantega, Antonio Palocci, para a Casa Civil, o coração do poder.
Nesse caso, aliás, pode-se falar em indicações em sequência.

Foi Lula quem instalou o ex-ministro na cúpula da campanha da sua apadrinhada, de onde ele desalojou o amigo mais próximo da candidata, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte. Passada a eleição, nada mais natural que Palocci conduzisse a transição de governo.

A lista continua.
Por escolha do presidente, ficará no Planalto, porém em outra sala, o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Ainda graças a Lula, sairá do Planalto, em direção à Esplanada, a assessora Miriam Belchior, promovida a ministra do Planejamento - cujo titular, Paulo Bernardo, deverá por sua vez migrar para as Comunicações. Lula ainda se movimenta para manter no governo, embora não mais no Banco Central, o atual presidente Henrique Meirelles.

Na montagem da coligação dilmista, Lula tentou emplacar o seu nome como vice, mas o PMDB exigiu Michel Temer.

Agora, com o aval do patrono de Dilma, Meirelles ocuparia o futuro (e cobiçado) Ministério dos Portos e Aeroportos. Lula também aconselhou a sua pupila a conservar Nelson Jobim na Defesa e Marco Aurélio Garcia como assessor internacional.

Teria feito o mesmo por Carlos Luppi no Trabalho e por Sérgio Gabrielli na Petrobrás. Em relação a todos eles, as preferências do presidente ou nem precisavam ser enunciadas ou foram transmitidas com relativa discrição.
(...)
O que, aliás, vem repetindo todos os dias, desde que a formação do Ministério de Dilma passou a ocupar lugar predominante no noticiário político, recorrendo, como sempre, às metáforas futebolísticas tipo "o técnico tem de ter liberdade para mudar seu time".

Já se escreveu que jamais um presidente brasileiro interferiu tanto na composição da equipe do sucessor. Mas a verdade é que a presente conjuntura é única na história da democracia brasileira.

Antes de 1964, só um presidente (Vargas) viu eleger-se quem apoiava (Dutra). Depois da ditadura, Sarney herdou o governo que Tancredo montara, Itamar completou o mandato de Collor, com a glória do lançamento do Real, Fernando Henrique e Lula foram os seus próprios sucessores.

Para completar o ineditismo, elege-se presidente uma figura que nunca disputou um mandato, carente de base política própria, escolhida, construída e conduzida à vitória por seu mentor.

Mesmo que Lula fosse honesto ao falar em "rei morto, rei posto", seria apenas natural que Dilma Rousseff fosse bater à sua porta na hora de escalar o seu time.

O Brasil terá quatro anos para saber até onde irá essa dependência.

O Estado de S.Paulo
Íntegra : A 'reforma ministerial'

novembro 30, 2010

CONFIAR, OU TEMER? VEM AÍ UM GOVERNO "CASTELO DE AREIA"?.

Vice-presidente eleito reafirma compromisso de Dilma Rousseff com um bom desempenho das contas públicas do País.

O vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB) afirmou ontem a investidores do mercado financeiro que eles não devem ter dúvidas quanto ao compromisso do governo da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) em gerar bons resultados das contas públicas a partir de 2011.

"Não desconfiem do governo, o governo estará muito atento", disse, durante participação no 9.º Congresso Brasileiro da Construção, na sede da Fiesp.

Temer destacou que a questão do equilíbrio das contas públicas e de despesas sendo cortadas são objeto de anúncios oficiais "feitos a todo momento, seja pelo ministro Guido Mantega, seja pela presidente Dilma".
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na semana passada que o governo vai gerar um superávit primário de 3,3% do PIB, acima da meta equivalente a 3,1%.


Segundo Temer, a questão fiscal "será um dos assuntos da pauta do próximo governo".

Na sua avaliação, o desafio da nova gestão é continuar mudando o País:
"Temos muito Brasil pela frente e muito a ser feito". E ressaltou que a meta é continuar mudando para que o setor privado seja parceiro do governo em novos investimentos.

Ele prometeu, ainda, que o governo continuará fazendo as desonerações necessárias para atrair o capital privado, mas não entrou em detalhes.

Meirelles.
O vice-presidente eleito elogiou ainda o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que está se despedindo do cargo depois de ficar à frente da instituição nos oito anos do governo do presidente Lula.


Aliado aos elogios, Temer salientou que se o governo Dilma Rousseff puder, Meirelles, que é filiado ao PMDB, poderá vir a ser aproveitado em algum outro cargo.

"Ele (Henrique Meirelles) é um nome que pode ocupar qualquer posição no País, tem uma experiência extraordinária e, onde estiver, cumprirá (suas funções) com a mesma disposição com que atuou o Banco Central", disse Temer, ponderando, contudo, que tudo isso depende, obviamente da conjuntura política e da própria presidente eleita.

O Estado de S. Paulo

SEM MANOBRA CONTÁBIL SUPERAVIT FISCAL CAI PARA R$ 7,7 bi. O PIOR RESULTADO PARA O MÊS DESDE 2006.

Sem o reforço de caixa da Petrobras, o governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) registrou em outubro superavit primário — economia para o pagamento de juros da dívida pública — de R$ 7,7 bilhões, o pior resultado para o mês desde 2006.

Comparado com o mesmo período do ano passado, quando o saldo ficou em R$ 11,2 bilhões, o desempenho foi 31% menor. Apesar de novembro e dezembro serem, por tradição, meses deficitários, o governo mantém a meta prevista para o ano.

De janeiro a outubro, o superavit realizado pelo governo central alcançou R$ 63,4 bilhões, o equivalente a 2,19% do Produto Interno Bruto (PIB).
Para 2010, a meta é de 2,15% (R$ 76,2 bilhões), enquanto o esforço fiscal programado para todo o setor público (União, estados, municípios e estatais) é de 3,3% do PIB.

A receita total bateu em R$ 750 bilhões até outubro.
Já as despesas chegaram a R$ 576 bilhões nos 10 primeiros meses de 2010.
“Estamos trabalhando para o cumprimento da meta”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Os gastos globais com investimentos somaram R$ 36,1 bilhões entre janeiro e outubro, num salto de 51% sobre 2009 (R$ 23,9 bilhões).
Dos desembolsos destinados a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 17,6 bilhões foram pagos até outubro — o crescimento foi de 55%(ano eleitoral) em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 11,4 bilhões).

No balanço, apresentado ontem pelo Tesouro, Arno Augustin confirmou o que a equipe econômica indicada pela presidente eleita, Dilma Rousseff, tem dito. “Vai haver um momento importante de corte de gastos públicos em 2011”, afirmou.

Os números de outubro contrastam fortemente com os de setembro, quando a economia feita pelo governo central foi de R$ 26 bilhões.

O resultado expressivo só foi possível graças a uma manobra contábil na capitalização da Petrobras, em que o Tesouro transformou dívida em receita líquida, rendendo R$ 31,9 bilhões naquele mês.

Sem a mágica, setembro teria tido deficit de R$ 5,8 bilhões. Augustin defendeu a intervenção.

“Estamos seguindo rigorosamente as normas da estatística. Tudo foi feito de forma técnica”, assegurou.

Luciano Pires Correio Braziliense

BOOM IMOBILIÁRIO : BOLHA? "Sinceramente, espero estar errado. Mas não vou investir no mercado imobiliário até 2012".

O Brasil vive um boom imobiliário. Milhões de famílias adquirem o primeiro imóvel, mudam para um maior ou investem num ativo real que tende a se valorizar com o tempo.
É uma euforia geral.
Nunca antes neste país o preço dos imóveis subiu tanto em tão pouco tempo

Um amigo, por exemplo, vendeu há três anos um imóvel de dois dormitórios nos Jardins, em São Paulo, por R$ 160 mil.
Hoje esse imóvel custa R$ 450 mil - valorização de 30% ao ano por quatro anos consecutivos.

Um retorno invejável se comparado a outras aplicações. Pesquisa da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) revela que o preço do metro quadrado de imóveis de dois dormitórios em São Paulo subiu 42,86% no primeiro quadrimestre de 2010, na comparação com igual período de 2009.

Segundo cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo, o capital investido no período em CDIs valorizou-se 9,19% e na caderneta de poupança, 6,68%.

Em ouro, teve desvalorização de 6,84% e, em dólar, retração de 23,83%.
Outro estudo da Embraesp mostra que o preço médio do metro quadrado do apartamento de um dormitório subiu 75% entre 2008 e 2010.

A questão é: esse crescimento é sustentável?

Vivemos uma bolha imobiliária?

Para o grande grupo que afirma que não (banqueiros, investidores e construtores), esse crescimento é sustentável e a tendência é de mais alta nos preços. Essa maioria argumenta que o crédito imobiliário no País é baixo em relação ao PIB, algo em torno de 2%, insignificante se comparado aos 68% nos EUA, 75% na Inglaterra ou 20% no Chile.

Também aponta o grande déficit habitacional do País, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 como impulsores do crescimento do setor.

Não nos vamos iludir. Vivemos uma bolha imobiliária e ela pode estourar em breve. Alguns "sinais periféricos", no jargão dos futuristas, nos levam a pensar assim.

Regras básicas do negócio de imóveis: um pronto vale mais do que na planta, o aluguel gira em torno de 0,5% a 1% do seu valor, o preço do metro quadrado de dois semelhantes varia consideravelmente se tiverem "idades" muito diferentes.

Para uma boa compra, muita pesquisa e paciência. Tais regras não valem atualmente.

Pode parecer sedutor um apartamento na planta no litoral sul de São Paulo vendido pelo mesmo preço de outro já pronto no mesmo empreendimento, em outra torre, com melhor localização.

Mas o valor é parcelado, terá incidência de juros após a entrega das chaves. Tão estranho quanto isso é o fato de esses imóveis serem vendidos pelo mesmo preço de uma cobertura vizinha, pronta há três anos, mas com o dobro da área útil.

E por que pagar 50% a mais pelo metro quadrado por uma diferença de apenas três anos entre os imóveis, já que as demais condições (localização, infraestrutura, etc.) são as mesmas?

A justificativa do corretor é a grande alta no preço dos terrenos nos últimos três anos. Ah, bom, então está explicado! Imóveis têm sido vendidos no prazo de uma semana - o prazo normal era de meses e até anos em épocas anteriores.

Quebras de lógica assim já ocorreram no boom dos negócios da internet, no final dos anos 1990, e no boom dos flats em São Paulo, no início dos anos 2000.

Ambas viraram bolhas que estouraram.

Recente reportagem na TV mostrou um casal que foi passear num shopping, entrou no estande de uma construtora e saiu com apartamento novo. Compra de apartamento por impulso? Essa é nova.

Os aluguéis reforçam a suspeita.

Em tese, a locação de um imóvel que duplicou de preço deveria também dobrar. Mas a renda do inquilino não duplicou no mesmo período. Se esses aumentos generalizados forem absorvidos pelo mercado, causarão pressão inflacionária generalizada pelo País.

Imóveis residenciais para todas as faixas de renda e comerciais de todos os tamanhos sofrem alta. Pesquisa da Cushman & Wakefield aponta, por exemplo, que o preço em reais de locação do metro quadrado comercial de alto padrão, no Rio de Janeiro, subiu 60% entre o terceiro trimestre de 2009 e o terceiro trimestre de 2010.

Essa pressão inflacionária, se somada a outras possíveis, como o aumento da taxa de câmbio, pode desencadear inflação, já que um quinto dos bens consumidos hoje no Brasil provém do exterior. Mais inflação significa aumento da correção e do valor das parcelas de financiamentos superior ao que muita gente pode pagar.

Começaria uma onda de inadimplência. Resultado: algo semelhante à crise do subprime americano. E lá a taxa de juros do crédito imobiliário é de 5%, ante os 12% daqui.

(...)

O brasileiro, em geral, calcula se a parcela cabe no salário, esquece taxas de juros, manutenção, impostos e fator de correção monetária escolhido. Também nunca teve tanta disponibilidade de crédito, e aproveita - para imóvel, carro, eletrodomésticos, computador, etc. Recente Relatório de Inflação do Banco Central informa que as dívidas "comem" 23,8% da renda dos brasileiros, ante 17,02% dos americanos.

E se a inflação subir? E se a China parar de crescer tanto? E se todo esse dinheiro estrangeiro que inunda o Brasil deixar o País em busca de outras praias, como será o dia seguinte?

Em tempo: há uns dois anos não víamos tantos anúncios de imóveis novos em jornais com comparativos de preços por metro quadrado. Será um sinal de mudança no rumo dos ventos?

Agora é acompanhar a escolha de toda a equipe de Dilma, a inflação, a entrada de recursos no País, o desemprego e o mercado imobiliário em si. Sinceramente, espero estar errado.

Mas não vou investir no mercado imobiliário até 2012.

Heitor Mello Peixoto - O Estado de S.Paulo
SÓCIO-FUNDADOR DA EYESONFUTURE (WWW.EYESONFUTURE.COM.BR), CONSULTORIA ESPECIALIZADA EM CENÁRIOS EMPRESARIAIS, FOI SÓCIO-FUNDADOR DA BUSINESS SCHOOL SÃO PAULO (BSP)

Íntegra ...

novembro 28, 2010

"VOCÊ SABE QUAL O VALOR DO INVESTIMENTO? EU NÃO SEI. SABE A RENTABILIDADE? EU NÃO SEI". É A GOVERNANÇA CORPORATIVA DA ELETROBRAS.

A Eletrobrás é uma empresa aberta que se compromete a adotar um alto nível de governança corporativa, baseada em ética, transparência, prestação de contas e responsabilidade empresarial.
Mas nem todos os acionistas acreditam nisso.

Representante dos minoritários no Conselho de Administração da Eletrobrás, Arlindo Magno afirmou, em entrevista a Josette Goulart, publicada no jornal Valor de quarta-feira, que há na estatal inúmeros "assuntos intocáveis", sobre os quais a empresa não presta informação, nem quando indagada formalmente.

Entre eles, a dificuldade de acesso a informações pormenorizadas sobre as companhias por ela controladas - como as subsidiárias Furnas,
Chesf,
Eletronorte e Eletrosul.
Ou as participações minoritárias que tem em mais de 30 empresas, no montante de R$ 6,8 bilhões.

E não há gestão "dessas participações", segundo Magno, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que já trabalhou no fundo de pensão Previ e participa do conselho de várias empresas.

A Usina de Belo Monte, que será controlada pela Eletrobrás, é outro exemplo de falta de informação:
"Você sabe qual o valor do investimento?
Eu não sei.
Sabe a rentabilidade?
Eu não sei.
O leilão aconteceu na primeira parte do ano e até agora não fomos informados sobre quanto a empresa vai investir e o retorno que teremos.

A Eletrobrás tem também obrigações próprias de governo, não só de empresa, cujo papel é obter lucro e remunerar os acionistas.

"Gerenciamos os fundos setoriais" - observou Magno -, mas "por que não mandar isso para um gestor financeiro como o BNDES?"

"Gerenciamos (os programas de governo) o Luz para Todos, o Reluz", mas "nada disso é o nosso negócio."

Em carta ao ministro de Minas e Energia, o conselheiro sugeriu aperfeiçoar as regras de governança e permitir que o Conselho de Administração fiscalize a empresa, mas não obteve resposta.

Em tom de desabafo, Magno afirmou que as subsidiárias não obedecem ao comando da Eletrobrás e que há "uma luta interna para ver quem controla a corporação".
Propõe ele que os diretores que não cumprirem as metas sejam demitidos, independentemente da filiação partidária.

Maior empresa holding do País, a Eletrobrás deve explicações não apenas aos acionistas minoritários brasileiros e estrangeiros, que detêm 21,7% das ações ordinárias e 87,5% das preferenciais, mas também aos contribuintes, pois a União e o BNDES controlam a empresa.

O Estado de S.Paulo