"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 18, 2010

UMA ÉPOCA EM QUE PREVALECEU O PORRE E A LOUVAÇÃO DE UM BRASIL IRREAL MAS IDEAL NOS DISCURSOS ARDILOSOS.

Nosso "oráculo maior" tem repetidamente anunciado para breve os "amanhãs que cantam" como verdade absoluta.

Diferentemente de seu homólogo délfico, ocupa-se também do passado, para ele, sempre maldito.

Há pouco anunciou, com a ênfase que lhe é peculiar, nossa marcha batida rumo ao Primeiro Mundo para alcançarmos a 4.ª posição entre as economias mais avançadas.

Objetivo extremamente louvável, mas não se podem ignorar os inúmeros obstáculos a vencer e que não se rendem a mero falatório peripatético em palcos eleitoreiros.

Proclamou também como "o maior da humanidade" o investimento da Petrobrás no pré-sal; diante disso, são pífios investimentos como os da Nasa, entre outros muitos.
(...)
Nossa resposta às aspirações indeclináveis de conforto crescente, saúde, segurança e acesso aos bens culturais foi bem modesta até hoje, comparada, por exemplo, com países que emergiram das imensas destruições do último conflito mundial.

Assim, a porcentagem de analfabetos em nosso país alcançava 50% em 1950 e hoje, segundo dados do IBGE, ainda temos 20% de analfabetos funcionais, além de 9,8% de adultos iletrados.

Ao longo de nossa vida republicana partimos de diminuta base de acumulação de capital, decorrente de nosso passado colonial, para finalmente desfrutarmos crescimento do nosso PIB de 4% anuais médios.

Valor respeitável, devido a vantagens competitivas dos abundantes recursos naturais e populacionais.
Na atual administração, esse crescimento tem sido em média de 4,3% anuais, colocando-a na 21.ª posição, comparada com administrações republicanas passadas.

Não cabe, pois, o bordão de presumida "herança maldita"... A menos de também incluir-se nela.

A despeito disso, nosso poder de compra por habitante nos situa hoje na 75.ª posição! Apesar do progresso já realizado, mesmo que tardio, a situação da educação é ainda dramática.

Segundo o Academic Ranking of World Universities (2010), a mais prestigiosa de nossas universidades, a USP, foi classificada entre o 101.º e o 150.º lugares, entre as principais instituições de todo o mundo.


As cinco outras universidades de melhor classificação interna estão listadas entre a 201.ª e a 400.ª posições, em ordem decrescente


Nos países da OCDE, 56,7% dos estudantes tiveram desempenho acima da média de 500 pontos.

No Brasil, apenas 15,2% dos estudantes conseguiram esse resultado, isto é, 84,8% ficaram abaixo da média!

O desenvolvimento pressupõe a capacidade de inovar, gerar e/ou apropriar-se de novas tecnologias, frutos da ciência e da engenharia, logo, da educação, cujo panorama, como se viu acima, é desolador.

Não é, pois, surpresa que esse mal também ocorra na inovação, medida em geral pelo número de patentes concedidas.

Recente publicação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual lança preocupante luz sobre o nosso quadro.

O Brasil colocou-se na 33.ª posição, em 2006, quanto ao número de patentes registradas por unidade do PIB, expresso em bilhões de dólares.

E é o 23.º em relação ao número de patentes por despesa com investimento em ciência e tecnologia (ano de 2007), na mesma unidade.

No Brasil, 90,5% das patentes aqui concedidas provêm do exterior (não residentes), colocando-nos em 13.º lugar entre os países em desenvolvimento.

Tais fatos estão seguramente vinculados à baixa participação do setor produtivo nos gastos nacionais com pesquisa e desenvolvimento (P&D), de apenas 6% em 1990, que evoluíram para 30% em 1998 e atingiram hoje cerca de 34%.

Nos países industrializados e em alguns emergentes, de mercado aberto, as empresas chegam a despender 60% dos gastos com P&D.

Para superar nosso atraso torna-se indispensável:

1) Melhorar radicalmente o ensino básico, incluindo salário digno para seus professores;

2) aumentar a participação de P&D de 1,4% para 2%, pelo menos;

3) investir na formação de nossos engenheiros - segundo dados em entrevista à CBN, ingressam anualmente nas escolas de engenharia 130 mil alunos e se formam a cada ano apenas 30 mil, dos quais cerca de 20 mil teriam formação insuficiente;

4) reclassificar, por mérito, instituições universitárias, pela abolição do Regime Jurídico Único, que enquadra seus servidores.

Eis um programa mínimo de trabalho para que o próximo presidente comece a romper o espesso manto da fantasia!

José Israel Vargas - O Estado de S.Paulo

FOI MINISTRO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Íntegra: Sob o espesso manto da fantasia...

setembro 17, 2010

TESOURO/BNDES/CONTAS PÚBLICAS - CONTAB.CRIATIVA-ESCAMOTEAMENTO...

(...)
Conquanto os financiamentos do BNDES, bem como os dos demais bancos públicos, tenham sido fundamentais para a manutenção do crédito no auge da crise, é pouco razoável supor que os empréstimos subsidiados do BNDES tenham sido condição "sine qua non" para a realização de todos os investimentos financiados pelo BNDES depois do fim da crise.


Qualquer empresário que tenha acesso aos recursos do BNDES prefere tomá-los por serem mais baratos.

Daí a não realizar o investimento se não conseguir os recursos subsidiados há uma grande distância.

É importante, para a qualidade do debate, que haja um maior esforço por parte do governo em mensurar adequadamente o papel do BNDES no investimento do país.

Também segundo relatos da imprensa, durante a apresentação, o ministro da Fazenda assegurou que seriam buscados mecanismos alternativos aos empréstimos do Tesouro ao BNDES.

Esta semana, contudo, descobriu-se que o BNDES teria solicitado ao Tesouro mais R$ 60 bilhões para o ano que vem (OESP, 12/9/2010), quando, ao que se saiba, o país não estará exatamente em crise.

É verdade que o sistema financeiro privado ainda não provê adequadamente recursos de longo prazo para o investimento produtivo e que o BNDES seguirá cumprindo importante papel.

Mas, para que o país possa atingir o crescimento sustentado, é necessário que o sistema financeiro privado aumente sua participação, não que ela diminua.

É equivocada a visão de que o BNDES deva continuar expandindo fortemente seus empréstimos.

É igualmente importante constatar que, caso o Tesouro continue a repassar ao BNDES centenas de bilhões de reais em empréstimos subsidiados, estará contribuindo para elevar em muito o risco fiscal.

Especialmente quando se sabe que o Tesouro está engajado em perigosa contabilidade criativa para escamotear o rombo fiscal que vem sendo gerado.

Por exemplo, o BNDES apura seus lucros com base nos empréstimos subsidiados e transfere dividendos ao Tesouro, melhorando o superávit primário.

Com os empréstimos subsidiados, o BNDES já comprou receitas futuras da Eletrobrás, também aumentando o superávit primário.

Semana passada, foi divulgado que o investimento do BNDES na capitalização da Petrobras será contabilizado como receita extra da União, também ajudando a cumprir a meta fiscal deste ano.

Onde tal sequência de atentados às nossas contas públicas vai parar?

Não bastou o exemplo da Grécia como lição de quão imprudente é o caminho da contabilidade criativa?

Ainda que a dívida líquida apresente tendência de queda, o risco fiscal está aumentando significativamente.

O que ora se faz para encobrir o não cumprimento da meta de superávit primário não difere essencialmente do que se fez, em 1973, durante a ditadura, para esconder o aumento da inflação.

Repito que, ao contrário do que está sendo feito, é preciso que os repasses do Tesouro Nacional ao BNDES, bem como os subsídios e riscos implícitos nos mesmos, fiquem bem explicitados e entrem de forma inequívoca no orçamento da União para que a sociedade civil possa avaliar programas desse tipo, exercendo pressões legítimas sobre o Executivo e o Legislativo.

Esse é o arranjo correto em uma sociedade democrática.

Márcio G. P. Garcia Valor Econômico
Contabilidade criativa e risco fiscal

FASCÍSMO SINDICAL POPULISTA -O PRÍNCIPE MODERNO - NAS VEREDAS DO VEREZA.

Erenice Guerra, nada fez de anormal.

Nada que "O Grande Timoneiro" não passe a mão pela cabeça e minimize, classificando todo esse banditísmo, como "coisa de aloprados...".

É interessante lembrar, que Erenice foi indicada para o cargo por Dilma Roussef, que, agora, concorda com o afastamento da amiga, (sic) "...para que as investigações sejam insuspeitas."

A antropofagía petista, para sobreviver, não hesita em "queimar seus quadros", pela preservação da "causa."

É comportamento de quadrilha mesmo.
Utilízam a máquina publíca, cobram propinas, tudo por um totalitário projeto de poder.

José Dirceu, o retorno!

O chefe do mensalão dá uma palestra, sem saber da presença de jornalísta, que gravou o que Dilma já ratificara, "assinando sem saber...",o programa de governo do PT, que, entre outras aberrações, propõe a censura aos meios de comunicação.
Ditadura sindicalísta a vista
!

Fidel Castro, abre a economia cubana para o "capitalísmo predatório...",depois de 50 anos de um regime de exceção!

Enquanto isso, os primatas petistas, pretendem implantar no Brasil, um sistema históricamente falido e superado. Estatizar os meios de produção...


Controle dos meios de comunicação...
Desapropriações, "julgadas" por um conselho popular...
Nós somos a Venezuela amanhã...

Antonio Gramsci, o ideólogo do partido, comunista italiano que uniu as idéias de Marx à Maquiavel, entronizando o estado como o príncipe moderno, é o grande orientador de petístas como Tarso Genro, Dirceu,e o stalinísta mór, Marco Aurélio Garcia!

Assim, com a provável vitória do poste, o Brasil ,retrocederá á condição de republiqueta, submetido, -não duvidem-, a um fascismo-sindical-populísta!

O PRENÚNCIO DA NEFASTA CONTINUIDADE, SE ELA REALMENTE SE CONSUMAR. AINDA HÁ TEMPO PARA EVITAR.

À primeira vista, é um paradoxo.

O mesmo dirigente petista José Dirceu, que batalhou para trazer o PMDB para o governo já no primeiro mandato do presidente Lula e desde o ano passado percorreu o País para construir alianças estaduais que ampliassem a base política da candidata Dilma Rousseff, acaba de colocar na mesa um projeto hegemônico para o PT no eventual governo da sua sucessora na Casa Civil.

Diga quantas vezes queira que a imprensa deturpou as suas declarações, foi exatamente o que fez na sua polêmica palestra da última segunda-feira para uma plateia de petroleiros, em Salvador.

Mas o paradoxo é apenas aparente.

Ao afirmar que a eleição de Dilma será "mais importante" do que a de Lula, Dirceu desenhou um modelo de governo de coalizão em que o seu partido ocuparia um espaço desproporcional ao de seus aliados, incluindo o PMDB que forneceu o vice da chapa de Dilma, deputado Michel Temer.

O PT, argumenta Dirceu, não tem maioria para eleger o presidente, porém, chegando ao Planalto pela terceira vez, tem condições inéditas de conduzir efetivamente o governo, partilhando "o pão", como diria Temer, não o leme do poder.

Isso porque, diferentemente de Lula, "que é duas vezes maior que o PT", mas já não estará lá, Dilma, não sendo "uma liderança que tinha uma grande expressão popular, eleitoral, uma raiz histórica no País", estará fadada a encarnar o projeto político que lhe for servido pelo partido - no qual não tem raízes históricas nem jamais representou uma liderança expressiva.

Falta, naturalmente, combinar com o seu criador.

Em mais de uma oportunidade, Lula deixou claro que pretende ser a partir de 2011 um presidente-sombra, arquivada a idílica lorota de que se dedicaria a ficar assando coelhos no seu sítio.

E Dirceu obviamente não ignora que, a se consumar a vitória de Dilma, terá sido Lula o verdadeiro vencedor.

À parte as ambições pessoais de Dirceu, enquanto espera a sentença da Justiça sobre a acusação de que foi o "chefe da quadrilha" do mensalão, registre-se que o papel que ele tem em mente para os partidos parceiros de Dilma é o mesmo que o seu detrator, o deputado petebista, também cassado, Roberto Jefferson, descreveu já em 2005.

Aos aliados, cargos, verbas e facilidades, mas nenhum assento na mesa das decisões estratégicas. De novo, falta combinar com os russos - a caciquia peemedebista.

Os enxundiosos interesses fisiológicos do partido não excluem que, no pós-Lula, funcione como freio e contrapeso à guinada para a esquerda que o PT procuraria imprimir a um governo Dilma.

Até que ponto essa seja a meta de Dirceu, quando fala em "aprofundar as mudanças, cuidar do partido, dos movimentos sociais, da organização popular", é uma questão em aberto.

O ex-capitão do time de Lula, como este o chamava, é um expert em dosar ideologia, pragmatismo - e negócios, bem entendido.

O certo, de todo modo, é que o PMDB se oporá, como já se opôs no episódio do programa de Dilma, a qualquer iniciativa de "controle social" dos meios de comunicação que Dirceu venha a incentivar, em parte por convicção, em parte para agradar à companheirada com que conta para voltar a ser o número um do partido.

Ele verbera "o abuso do poder de informar" da mídia nacional, um imaginário bloco monolítico, além de aliada por excelência do "poder econômico" - como se o aliado de escolha das elites do capital não fosse, isso sim, o presidente Lula.

O que Dirceu não consegue esconder é o seu ressentimento com a posição do adversário Antonio Palocci na campanha de Dilma.

Ele acusa a imprensa de "pressionar pela constituição do governo", como se fosse ela, e não o presidente Lula, que tivesse planos de poder para o ex-ministro da Fazenda também na eventual gestão de sua sucessora.

A reação do PT à fala de Dirceu foi de puro constrangimento.

Tudo que o partido não precisa é ele dividir o palco com Dilma.

Já basta que a propaganda do tucano José Serra identifique a candidata com o antecessor derrubado pelo mensalão.

"Quem fala pela campanha é o presidente do partido, José Eduardo Dutra", corrigiu o secretário petista de Comunicação, André Vargas.

"Não é o José Dirceu."

- O Estado de S.Paulo

IDEOLOGIA DOMINANTE : A CARTA DE ERENICE ANALISADA POR ARNALDO JABOR. CARACTERÍSTICA DE PESSOA VIL, É PADRÃO DO GOVERNO.

setembro 16, 2010

BRASIL CARCOMIDO POR : ROUBOS, CORRUPÇÃO, CHANTAGENS, PORRES, PALAVRÕES,DESVIO DE VERBAS ETC. É A ÉTICA DO (P)ARTIDO (T)ORPE DESGOVERNO DO ÉBRIO.

A quase um ano da realização dos V Jogos Mundiais Militares, o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de irregularidades em contratos sem licitação para a competição, no valor de R$ 27,3 milhões. TCU investiga contratos assinados sem licitação para os Jogos Mundiais Militares

O Rio será sede, nos próximos anos, de uma série de grandes eventos esportivos, e o primeiro deles já está sendo investigado.


Faltando cerca de 300 dias para a realização dos V Jogos Mundiais Militares, o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou indícios de irregularidades em contratos para a competição que somam R$ 27,3 milhões.


Eles foram firmados sem licitação pelo Ministério da Defesa com três instituições ligadas às Forças Armadas, para a prestação de serviços que incluem a implantação de toda a tecnologia a ser utilizada no evento.

Nos contratos, não estão especificadas as quantidades de aparelhos nem seus preços.
Na lista de obrigações, há desde o desenvolvimento de programas de computador a consultorias para preparar licitações.

Em dois casos, os problemas não se limitaram à falta de licitação
: segundo o TCU, entre outras irregularidades, faltam elementos que comprovem que os valores contratados para serem pagos aos consultores responsáveis pela elaboração dos projetos são compatíveis com os cobrados no mercado.


São três contratos investigados.


O de maior valor
foi com a Fundação Ricardo Franco (FRF), vinculada ao Instituto Militar de Engenharia (IME), para a prestação de serviços que somam R$ 19,5 milhões.


Como O GLOBO revelou numa série de reportagens em maio deste ano, a entidade é suspeita de fraudes em várias licitações do próprio IME e do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), realizadas entre 2004 e 2006, que chegam a R$ 15,5 milhões e estão sendo investigadas pelo Ministério Público Militar.


Mais R$ 4,8 milhões
foram destinados à Fundação de Apoio Roberto Trompowsky Leitão de Almeida.
A terceira instituição contratada para os V Jogos Mundiais Militares, por R$ 3 milhões, é o Instituto de Fomento e Inovação do Exército Brasileiro (Ifiex).

Essas e outras entidades vêm prestando serviços sem licitação, fato que não se justifica diante dos serviços envolvidos (...) que, em princípio, poderiam ser licitados (...), diz um trecho do relatório do TCU votado na semana passada.


Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército negou as irregularidades. Segundo a entidade, os convênios com as fundações cumpriram plenamente o ordenamento jurídico vigente.

O Exército disse ainda que as despesas realizadas são compatíveis com o previsto no seu orçamento.
Ainda segundo a corporação, os problemas detectados na auditoria do TCU, como a falta de detalhamento de projetos básicos, já teriam sido sanados.


Luiz Ernesto Magalhães e Vera Araújo O Globo

BOLSA- EMPRESÁRIO

Jamais pensei assistir a tamanho descalabro.

Doze associações empresariais publicaram, nos principais jornais do país, um manifesto de apoio à política de financiamentos subsidiados do BNDES.

De quebra, o presidente da Fiesp, em entrevista ao Valor, disse que o Brasil precisaria não de um, mas de três BNDES, além de fechar as fronteiras às importações por um tempo.

A mamata defendida pelo baronato tupiniquim, e apelidada pelos experts de política industrial, há muito deveria estar excluída da agenda política.

Afinal, distribuir benesses a certos setores da economia costuma frear a competitividade, alimentar incompetência e corrupção, além de distorcer os preços relativos, com efeitos nefastos sobre toda a cadeia produtiva e sobre a eficiência mesma dos mercados.

É inconcebível que, com tantos problemas de infraestrutura, com tantas reformas necessárias a implementar, as quais poderiam desonerar o sistema como um todo, além de reduzir a burocracia asfixiante que tortura as empresas, o governo, apoiado justamente por grandes empresários, opte pela implementação de uma política industrial retrógrada, capenga e altamente discricionária, cujo resultado mais visível é a transformação do famigerado BNDES num enorme balcão de negócios.

Já no início do século passado, Henry Hazlit dizia que enquanto certos interesses econômicos são os mesmos para todos os grupos, cada grupo, separadamente, concentra determinados interesses que são antagônicos aos interesses de todos os demais.

Assim, enquanto certas políticas públicas serão, a longo prazo, benéficas para todos, outras irão beneficiar alguns setores apenas, em detrimento de todos os outros.

Este é, sem qualquer dúvida, o caso da política industrial atualmente operada pelo governo.

Qualquer empresa que não esteja em condições de enfrentar a concorrência (interna ou externa) sem a ajuda do governo é uma empresa doente, que precisa reciclar-se, aperfeiçoar-se, tornarse eficiente, ou sair do mercado.

A ajuda governamental a produtores ineficientes, seja através de subsídios, renúncia fiscal ou medidas protecionistas, só contribui para obstruir o processo de destruição criadora do capitalismo e dificultar a vida dos concorrentes eficientes.

Além disso, estimula o investimento de tempo e dinheiro na espúria atividade de rent-seeking, cujo objeto não é outro senão a pilhagem dos dinheiros públicos.

Não há uma tradução exata para a expressão inglesa rent-seeking.

No entanto, ela pode ser entendida como a ação articulada e onerosa de indivíduos, empresas, organizações e grupos de interesse na busca de vantagens, privilégios e ganhos especiais, sempre através do uso do poder discricionário da autoridade governamental.

Tal atividade é tanto mais eficaz quanto for a capacidade dos governos de interferir arbitrariamente nos mercados, escolhendo vencedores e perdedores.

O fato de que os bons empreendimentos floresçam sob o capitalismo não significa que todos os empresários sejam necessariamente capitalistas.

Talvez a alguns surpreenda saber que uma boa parte deles detesta a competição e, por extensão, o livre mercado, razão pela qual nos acostumamos a vêlos rotineiramente ao redor dos políticos e dos burocratas, para que estes os protejam da sua própria ineficiência.

Esse empresariado sabe que é precisamente o governo o único que pode evitar a livre concorrência, atuando discricionariamente para favorecer alguns em detrimento de muitos, seja sob a égide da proteção ao produto nacional, da preservação dos empregos ou de evitar uma eventual crise sistêmica.

(...)

O que eles não compreendem é que tal sistema convém justamente aos governos intervencionistas da nova esquerda, dita democrática.

Uma esquerda que não pretende expropriar os empreendimentos privados, mas, ao contrário, usá-los para implementar sua agenda política, exatamente como testemunhamos hoje no Brasil.

Para esses governos, é desejável que as corporações sejam tão grandes quanto possível, afinal o que é mais fácil, atrelar cinco mil gatos a uma carroça ou um imenso par de bois?

João Luiz Mauad O Globo

setembro 15, 2010

PRONTOS PARA UMA DITADURA CONSENTIDA

Dada a toada em que vamos — e caso as instituições e as pessoas comprometidas com a democracia não reajam —, o estado de direito no Brasil falecerá aos poucos, como vem falecendo, sem estrondo, mas em breves suspiros, para lembrar metáfora um tanto cara à literatura.

Acrescentem-se aqui e ali um sussurro ou outro, não mais do que isso.
O que é o escândalo das violações de sigilo?


A transformação em letra morta das garantias individuais da Constituição. O que é o escândalo da Casa Civil?

A transformação do bem público em assunto privado de um partido. Como o governo reage nos dois casos?

No primeiro, acusa a vítima; no segundo, a oposição — que, não por acaso, é justamente a vítima no primeiro caso.

E como reage certa imprensa?

Ora, pergunta a José Serra, por exemplo, se dá mesmo para responsabilizar o PT pela quebra de sigilo já que Dilma não era ainda candidata em setembro de 2009. Isso é pergunta?

Não! Essa é só a desculpa do PT, desmoralizada de saída quando se sabe que os sigilos foram invadidos por petistas e que a declaração de Eduardo Jorge, por exemplo, estava com a turma que fazia a campanha de Dilma.

Isso, sim, é fato, não especulação ou desculpa.

Mas é Serra quem tem de dizer o que acha da, pasmem!, afirmação do PT. Na condição de vítima do partido, é compelido a responder a uma acusação do algoz.

Esse é o estado a que chegou certa imprensa — ou sei lá como chamar a esse tipo de delinqüência.

E noto que não é só a canalha a soldo que está fazendo isso, não.

Em tese ao menos, também há gente séria nessa parada.

Lá vou eu usar o método Lula de argumentação — parece ser o único que certos coleguinhas conseguem entender hoje em dia. Imagino um desses jornalistas sendo assaltado na rua.

Na delegacia, alguém poderia perguntar durante o feitura do BO: “O que o senhor fez para provocar a ação do bandido?

Estava andando em lugar suspeito?

Estimulou, de algum modo, o assalto?”

A isso chegamos.

(...)

A política, felizmente, não se move de modo linear. Eventos fora da cadeia de previsibilidades podem mudar humores e tal. Uma coisa, no entanto, é certa.

O ambiente intelectual vigente no país é favorável a um governo autoritário. Dele só se exigirá que seja eficiente e que promova a inclusão social.

Se for debaixo do porrete e da censura, tudo bem.

Com inclusão, isso não deixa de ser, dizem, uma das formas de ser da democracia.

ELES VIVEM E USUFRUEM DA POLÍTICA ADEPTA DAS TREVAS, NÓS QUEREMOS LUZ, E VIDA COM LIBERDADE.

Acuado por mais uma avalanche de escândalos, o presidente da República pôs todos os seus muitos subordinados em campo nesta semana para defender uma ministra de Estado cujos familiares montaram um balcão de negócios dentro do seu governo.

Vale tudo, incluindo o uso descarado da estrutura pública para fins partidários - agora até notas com timbre oficial ocupam-se de fazer política eleitoral para o PT.

Mas o artifício central do estratagema petista é posar de vítima de um "golpe da imprensa".

O lulismo tem horror ao escrutínio dos meios de comunicação e detesta a fiscalização de quaisquer das instituições do Estado democrático de Direito.

Contraditório, só vale se for o deles.

A dura realidade é mero detalhe ou simples versão distorcida dos fatos na farsa asfixiante que o PT tenta nos impor.

O governo de Lula age com a desenvoltura de quem se acha inimputável ao deslanchar seus malfeitos.

Transformou o ministério mais poderoso da Esplanada numa central de falcatruas.

Ali se urdiram a aliança com bicheiros pelas mãos de Waldomiro Diniz; o assalto aos Correios e a uma penca de estatais para financiar o mensalão; a feitura de dossiês espúrios para caluniar adversários políticos; o armazém de secos e molhados que trafica influências a troco de "taxas de sucesso".

Bem ali, um andar acima de onde despacha o presidente.

Tudo isso sabemos hoje por causa da atuação vigilante e independente dos órgãos de imprensa.

Foram eles que puseram no ar a grotesca cena em que o então assessor direto de José Dirceu embolsava maços de dinheiro.

Foram eles que escancararam e escarafuncharam quando Roberto Jefferson expôs os meandros do pagamento de mesadas a parlamentares.

Foram eles que demonstraram que assessores diletos de Dilma Rousseff produziam quilos de planilhas com dados protegidos por lei e viviam em gostoso conluio com lobbies.

Foi, por fim, a imprensa que revelou que a campanha petista à presidência da República manipulava sigilos fiscais em associação com criminosos.

Dependesse do PT, nada disso seria sabido.

Para os partidários de Dilma, imprensa boa é imprensa calada ou subserviente.

Resumindo numa frase saída da boca de um prócer do partido, para eles "o problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa".

Espantosa, a afirmação foi feita anteontem por um dos chefes da campanha dilmista: o onipresente José Dirceu.

Será esta treva, a da mordaça, o que nos aguarda se a candidata de Lula triunfar nas urnas?

O PT convive mal com o contraditório, aceita com ressalvas os princípios democráticos, arrosta as liberdades.

Só tolera opinião que é a favor - coisa que o petismo tem sobra na rede espúria de vassalos que disseminou pela internet e em veículos de imprensa do interior do país cevados a gordas verbas de publicidade oficial.

Esse é o mundo que o petismo tenta a todo o custo nos impor: críticos tratados como "inimigos da pátria", áulicos mimados com benesses públicas.

"Aos críticos do 'milagre lulista' foi reservado o pior dos mundos.

Criou o seu próprio 'ame-o ou deixe-o'.

Quem está com ele - e nessa categoria o arco é amplo, vai do MST ao grande empresariado - 'ama' o Brasil; quem está contra é inimigo e tem de ser destruído", resume com precisão cirúrgica o historiador Marco Antonio Villa na edição de hoje da Folha de S.Paulo.


Não é de hoje que Lula mostra os caninos a quem se interpõe em seu caminho.

A imprensa é o alvo mais reiterado, mas não é o único.

Órgãos como o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o Ibama, responsáveis por zelar pela coisa pública, já foram mil vezes enxovalhados pelo presidente da República sempre que apontaram malfeitos do governo.

Dividem com os meios de comunicação o papel de bode expiatório pelos fracassos petistas.

Tivesse o dom divino que acredita ter, Lula não teria dúvidas: teria extirpado todos da sua frente, como sonha fazer com adversários da oposição, um a um. Seu pavor à luminosidade do escrutínio só tem similar na escuridão produzida pelos regimes ditatoriais.

Mas tudo tem um fim.

E o da era de trevas do governo Lula está próximo.

Fonte : ITV/ Horror à luz

ENTRE FRALDAS E FRAUDES .

Quando virei avô, um papel social para o qual eu contribuí apenas indiretamente, pois como sabe o óbvio mais ululante quem faz os netos são os nossos filhos, entendi a força daquilo que chamamos de “graça”.

(...)

Podemos ser fraudes como genitores, mas é impossível fraudar o papel de avô.

Num caso, exige-se muito; noutro, a fraude é substituída pelas fraldas.


Ora, fraudar é mais do que mentir: é criar ilusões, é inventar competências, é encobrir malfeitos com imagens e propaganda enganosa.

Fraldar, porém, diz respeito a fazer o exato oposto.

Trata-se de vestir o infante, dando-lhe aquela primeira tintura de um traço que temos como básico na nossa sociedade:
a diferença essencial entre o sujo e o limpo.

Se as regras forem realmente honradas, as fraudes devem ser punidas; fraldas, entretanto, são jogadas fora.

Mas tanto a fralda quanto a fraude implicam alguma sujeira no sentido popular do termo.

Fraudes remetem a falcatruas e hipocrisias (por exemplo: eu falo que vou fazer isso ou aquilo só para ter votos); fraldas têm tudo a ver com mamadas e banhos que fazem crescer.

Ademais, elas limpam e separam o sujo do limpo.

Entendese, portanto, o ato falho auditivo da candidata Dilma quando, ao ser perguntada sobre “fraldas”, entendeu que era questionada sobre “fraudes”.
Essas mal traçadas sobre o que significa ser avó ou avô, esses papéis nos quais — dizem — o sexo e a sexualidade não têm mais importância, talvez ajudem a compreender a falha da audição de uma candidata tão preocupada em pretender ser o que obviamente não é; que a fralda da avó se confunde com a fraude tão comum na política do partido que ela representa.

Um dia eu escrevi um texto teorizando sobre o “voto amigo”, no qual jus-tificava por que não ia votar motivado ideologicamente, mas por simpatia pessoal.

A nota, que foi recebida furiosamente por uma esquerda que sempre espuma de ódio com os outros, mas vive debaixo de uma ética de condescendência consigo mesma, foi escrita com o intuito de politizar os elos pessoais.

Os laços de amizade e reciprocidade que até hoje nos obrigam a escolher mais pessoas amigas do que representantes dos movimentos sociais como motivos para o voto.

(...)

Afinal de contas, eis o que eu dizia, se exigimos uma politização do mundo, como deixar de fora os amigos, a casa, os parentes e os compadres?

Se a coerência é impossível, não seria o caso de discuti-la e, assim, politizá-la no sentido mais produtivo desta palavra?

Fiquei muito feliz descobrindo que muitos brasileiros geniais, ilustres e sábios, como Caetano Veloso e Oscar Niemeyer, vão votar em amigos.

O arquiteto vai votar em Marco Maciel — um neoliberal que, para muitos, deveria queimar no inferno — porque, diz Niemeyer, “eu o conheço há tempo honestíssimo” — enfatiza.

Haveria algum problema entre o desejo de mudar, permanecendo leal àqueles que “eu conheço”?

A amizade suspende todos os juízos, leis e normas?

Afinal pelos amigos podemos fazer tudo.

E se Judas, Stalin, Fidel, Chávez ou Hitler fossem meus amigos?

Eu acho que é preciso distinguir fraudes e fraldas.

E essa distinção é o projeto mais básico no nosso momento político-eleitoral.

Agencia o Globo/Roberto DaMatta