"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 11, 2013

Vai piorar

 
Deu na coluna de ontem do Ilimar Franco (Panorama Político): prefeitos relataram que estão com dificuldade de contratar empresas de ônibus; as concessionárias não têm se habilitado às licitações. Alegam que vão perder dinheiro, pois se tornou inviável aumentar o preço das tarifas.

Ou seja: 
o transporte urbano vai piorar nessas cidades, mesmo que as prefeituras assumam o serviço. Nesse negócio, o setor público gasta mais e entrega menos.

Deu no "Valor" de terça: o Ministério dos Transportes vai dispensar as concessionárias de rodovias federais de novos investimentos. 
É uma forma de compensar a suspensão do reajuste de pedágios, única fonte de receita das empresas.

Ou seja, uma violação de contrato (a suspensão dos reajustes) compensada por outra (investimentos cancelados). As estradas vão piorar e os programas de privatização de infraestrutura estarão prejudicados por mais uma insegurança jurídica.

Imagino que terá gente dizendo: estão vendo? 
Os manifestantes fazem aquela baderna e dá nisso, tudo piora.

É um erro de julgamento, claro. Muita coisa, de fato, pode piorar, mas a culpa não será dos manifestantes. Será dos políticos que estão no poder - federal, estaduais e municipais - que não sabem como responder à demanda das pessoas. Esses manifestantes, na verdade, serão vítimas duas vezes: na primeira, pelo uso dos serviços ruins; na segunda, pela piora dos serviços em consequência da inépcia dos governantes.

Nenhuma pessoa normal é obrigada a saber a planilha de custos de um serviço público, seja de uma viagem de ônibus ou de um atendimento no posto de saúde. Mas qualquer pessoa sabe se o serviço é bom ou ruim. Os manifestantes reclamaram do que percebem como ruim. Também reclamaram do preço que pagam, quer diretamente, via tarifas, quer indiretamente, via impostos.

(Aqui, aliás, tem um fato curioso: nos últimos anos, aumentou o número de trabalhadores com carteira assinada, ou seja, o número de pessoas que podem ver no contracheque o quanto pagam para os governos.)

Cabe aos políticos/governantes saber exatamente quanto custa o serviço e, mais importante, quem vai pagar a conta.

Parece óbvio, mas tem muito governante que não sabe. Muitos prefeitos, governadores e ministros que cancelaram reajustes disseram que iam passar um pente-fino nas tarifas para procurar (e cortar) gorduras ou, tese preferida, excesso de lucros dos concessionários. Mas só desconfiaram disso agora? Esta não é uma questão política, mas técnica.

Política é a decisão sobre o que fazer depois que se sabe o custo: para quem mandar a conta? Só há duas possibilidades: paga o usuário direto do serviço (pelo bilhete do ônibus, pela consulta ou pela mensalidade) ou paga o contribuinte que recolhe impostos, seja ou não usuário.

Numa estrada com pedágio, quem paga é o motorista que trafega por lá. Se não há pedágio, se a estrada é mantida pelo poder público, então um cidadão que compra uma garrafa de cerveja e morre com ICMS, IPI e tudo o mais está ajudando a financiar a rodovia, mesmo que nunca passe por ela.

Em tese, parece mais justo, sempre, que o usuário pague. E pensando longe, se todos os serviços públicos fossem remunerados pela pessoa que os utiliza, a carga tributária geral poderia ser reduzida expressivamente.

Mas não é simples assim. No caso dos pedágios, a situação, de fato, é mais fácil de elaborar. Por que uma pessoa pobre financiaria, com os impostos que paga sobre alimentos e roupas, por exemplo, a estrada pela qual os mais ricos viajam para o fim de semana?

Já não é tão simples dizer que o paciente do SUS deveria pagar pelas consultas e tratamentos. Aqui entra outra tese: os ricos devem recolher mais impostos para financiar os serviços essenciais para os pobres. Mas para que isso funcione, é preciso que o sistema tributário seja progressivo, cobrando efetivamente mais de quem pode mais.

Para isso, o grosso dos impostos deveria incidir diretamente sobre renda e patrimônio das pessoas e não indiretamente sobre o consumo, como é o caso do Brasil. Pobres e ricos pagam o mesmo imposto num livro escolar ou numa conta de celular, por exemplo. O sistema é regressivo.

Resumindo: se quisermos aliviar a conta para os usuários dos diversos serviços, será preciso aumentar os impostos, decidindo-se, então, quem vai recolher mais.

Eu perdi alguma coisa ou não há mesmo nem sombra desse debate?
Resumindo, se a resposta é só cancelar reajustes, vai piorar.

Carlos Alberto Sardenberg O Globo

SEM "MARQUETINGUE" II ! COM A "MAIS PREPARADA 1,99" SEGUNDO O PARLAPATÃO CACHACEIRO : Calote sobe, venda cai

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A taxa de inadimplência no varejo subiu 1,13% em junho ante maio, segundo dados divulgados ontem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil).

Nos últimos 12 meses, a alta dos calotes foi de 1,52%. 
Além das dificuldades para receber as dívidas, o comércio vendeu menos 3,74% em junho frente a maio, devido principalmente à elevação do dólar e dos juros e às manifestações que tomaram conta das ruas do país. Foi o terceiro recuo seguido.

No período de 12 meses, o crescimento do comércio foi de 0,67%, considerado mínimo por Roque Pellizzaro, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo Pellizzaro, o cenário no segundo semestre continuará preocupante para o setor varejista. “Nossa expectativa é de que a inflação feche o ano no teto da meta (6,5%), muito alta ainda”, disse.

O economista do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, concorda que junho não foi favorável para os lojistas. Mas para ele, o varejo terá desempenho positivo ao longo do ano. “Frente ao PIB, o setor apresentará bons números”, afirmou.

Otimismo não partilhado pela CNDL, que revisou o crescimento de 6% para 5%. “Se os juros aumentarem, esse índice pode cair para 4,5%”, disse Roque.

O professor Roberto Piscitelli, da Universidade de Brasília, acredita que a alta de juros não vai conter o consumo, mas aumentar a dívida das famílias.
Correio Braziliense

SEM "MARQUETINGUE" ! COM A "MAIS PREPARADA 1,99" SEGUNDO O PARLAPATÃO CACHACEIRO : Emprego na indústria tem pior queda desde dezembro de 2009

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Em linha com a queda de produção registrada em maio e a piora do mercado de trabalho de um modo geral, o emprego no setor também recuou, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira.

Em maio, o total de pessoas ocupadas na indústria mostrou retração de 0,5% na comparação com abril, na série livre de influências sazonais (típicas de cada período).

O resultado reflete uma piora, já que veio após o emprego industrial ficar praticamente estável nos últimos meses.

A queda de maio foi a mais intensa desde dezembro de 2009 (-0,6%), quando o país e especialmente a indústria ainda sentiam os reflexos da grande crise global detonada no final de 2008.

Na comparação com maio de 2012, o emprego industrial registrou queda de 0,7% no mesmo mês deste ano. Trata-se do 20º resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o resultado veio "ligeiramente mais intenso que o observado no mês anterior", quando a queda ficou em 0,5%, segundo o IBGE.

No índice acumulado nos cinco primeiros meses de 2013, o total do pessoal ocupado na indústria caiu 0,8% e apontou uma leve redução no ritmo de queda frente ao registrado no primeiro trimestre de 2013 (-1,0%), sempre nas comparações contra igual período do ano anterior.


Já a taxa acumulada nos últimos 12 meses, ao recuar 1,3% em maio de 2013, repetiu o patamar registrado em dezembro (-1,4%), 
janeiro (-1,4%), 
fevereiro (-1,5%), 
março (-1,4%) 
e abril (-1,4%).

Em maio, a produção da indústria surpreendeu negativamente e caiu 2% frente a abril, num tombo superior às previsões de analistas --de um recuo em torno de 1%. O resultado, que ocorreu após dois meses de crescimento expressivo do nível de atividade do setor, rebateu agora no emprego industrial.

SETORES E REGIÕES

Pelos dados do IBGE, os principais impactos negativo na queda do emprego na comparação com maio de 2012 vieram da Região Nordeste (-3,2%) e de São Paulo (-0,7%).

Já setorialmente, o emprego recuou em nove dos 18 ramos pesquisados, com destaque para as pressões negativas de
calçados e couro
(-6,5%),
máquinas e equipamentos (-3,3%),
outros produtos da indústria de transformação (-4,4%),
máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-3,5%),
vestuário (-2,5%)
e minerais não-metálicos (-2,2%).

Boa parte desses ramos também apontou retração na produção em maio.

HORAS EXTRAS

Após dois meses seguidos em alta e num sinal de alento ao setor industrial, o número de horas pagas (indicador que sinaliza as horas extras contratadas pelas empresas) caiu 0,7% de maio para maio, já descontadas as influências sazonais.

O indicador, em geral, antecede futuras contratações. Primeiro os industriais pagam horas extras aos seus funcionários para ocupar a capacidade ociosa de suas linhas de produção. Só após um período maior de recuperação é que eles passam a contratar novos empregados.

Em relação a maio de 2012, as horas pagas recuaram 0,1%, após avançar 0,2% em abril, primeira taxa positiva na ocasião após 19 meses consecutivos de queda.

No acumulado do ano, o índice registra queda de 1%. 
Nos últimos 12 meses até abril, houve retração de 1,6%.

PEDRO SOARES DO RIO

HORA DE VERDADES OU TEMPO REAL PARA O "HOMI" DE 2015 : Fundo de pensão do Banco do Brasil tem perda com empresas de Eike


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A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, perdeu pelo menos R$ 13 milhões com ações das empresas do grupo EBX, de Eike Batista.

O cálculo considera o valor dos papéis ao final de 2011 e no término do ano passado, quando o fundo ainda possuía ações do grupo.

Em meio à forte desvalorização das ações, a Previ se desfez da maior parte dos papéis neste ano. Atualmente, ela diz possuir apenas R$ 300 mil em ações das empresas.

Segundo levantamento feito pela Folha, o fundo dos funcionários do BB tinham, no fim do ano passado, cerca de R$ 15 milhões em ações de companhias do grupo EBX, totalizando cerca de 2,8 milhões de papéis.

No final do ano anterior, o investimento da Previ equivalia a R$ 28 milhões, de um total de 2,4 milhões de ações de empresas de Eike.

A perda pode ser ainda maior dependendo da data em que vendeu as ações, o que não foi informado à Folha. No final de 2012, os papéis da petroleira OGX, valiam R$ 4,38 no último pregão foram cotados a R$ 0,53.

A maior parte do prejuízo veio de ações da petroleira. O plano Previ futuro destinado a funcionários que ingressaram no banco após 24 de dezembro de 1997possuía na sua carteira de investimentos 1,68 milhão papéis da OGX ao final de 2012, com valor total de R$ 7,4 milhão. Um ano antes, 1,60 milhão de ações valiam R$ 21,9 milhões.

A exposição não ocorreu no no plano dos funcionários que ingressaram no banco até 24 de dezembro de 1997.

O professor de finanças da FEA-USP, José Roberto Ferreira Savoia, diz que a maior parte dos grandes gestores tinham ações do grupo nos últimos anos. Para ele, os prejuízos não devem comprometer a Previ. "É um valor pequeno perto do portfólio que o fundo possui."

Segundo relatório da caixa de previdência, os recursos da entidade somavam R$ 165 bilhões ao final de 2012.

OUTROS FUNDOS

O fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, também teve perdas por causa de aplicação em ações do grupo EBX. O valor, no entanto, não foi revelado.

Em gravação obtida pela Folha, Wanderley José de Freitas, presidente da Globalprev (consultoria contratada pelo Postalis), disse a um grupo de funcionários que o deficit do fundo de R$ 985 milhões nos últimos dois anos "decorre da significativa redução dos juros e da diversificação que ocorreu na Bolsa, concentrada especialmente em ações das empresas de Eike Batista".

Já os fundos de pensão da Petrobras (Petros) e da Caixa (Funcef) não possuem ações das empresas do grupo EBX, assim como não tinham ao final dos anos anteriores.

DENISE LUNA/MARIANA SALLOWICZ/DO RIO

julho 10, 2013

CHARGES







Ladeira abaixo

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O clamor das ruas desviou um pouco a atenção sobre a péssima situação que atravessa a economia brasileira. Passados os momentos mais feéricos, porém, os desequilíbrios começaram a aflorar e a mostrar-se evidentes, deixando claro que a perspectiva do país é hoje bastante desfavorável.

Diferentemente de outros períodos recentes, o Brasil hoje destoa negativamente do resto do mundo:
por quaisquer ângulos que se observe, estamos nos saindo pior que as demais nações. Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou previsões para a economia nas quais figuramos como o patinho feio da turma.

A expectativa para a expansão global caiu de maneira generalizada.
O Brasil foi, contudo, o país que teve a maior reversão: a previsão para este ano baixou de 3% para 2,5% e, para 2014, de 4% para 3,2%.

Ainda assim, o FMI pode estar sendo otimista demais com o Brasil.
As previsões colhidas pelo Banco Central por meio do boletim Focus projetam expansão de apenas 2,34% para o PIB brasileiro em 2013 e de 2,8% em 2014.

Além do crescimento medíocre, o Brasil tem uma salada de problemas a enfrentar: inflação renitentemente alta, juros em elevação na contramão do mundo, câmbio em rápida desvalorização e contas externas em petição de miséria.

Talvez tarde demais, o país está se dando conta de que o modelo que vem sendo exaustivamente aplicado pela gestão petista já deu o que tinha que dar. Estímulos ao consumo e gastos públicos em alta desabrida sem a devida contrapartida de investimentos e de aumento de poupança levaram o Brasil a uma incômoda convivência com a inflação.

"Sem reformas (tributária, no mercado de trabalho, previdenciária) e aumento da taxa de investimento, o país não ampliou, durante a fase de bonança (até 2010), seu potencial de expandir a atividade produtiva sem gerar pressão sobre os preços. A inflação elevada é uma herança da falta de conserto dos defeitos estruturais. Isso inclui uma política fiscal muito expansionista para isolar o Brasil da crise”, sintetiza
 O Globo.


Se confirmadas as piores previsões, a média de crescimento do governo Dilma será de pífios 2,2%, a mais baixa desde Fernando Collor. Considerando o ritmo de aumento da população, a evolução do produto per capita desde 2010 está em 1,2% ao ano.

A esta velocidade, demoraremos seis décadas para alcançar a renda per capita atual da Grécia – um paradigma, convenhamos, nada desejável.

Hoje, o Copom define a nova taxa básica de juros da economia.
Como a inflação não deu folga e, agora, o dólar também passou a pesar para turvar o horizonte, a perspectiva é de alta de 0,5 ponto percentual, o que elevaria a Selic a 8,5% ao ano.

Com isso, o Brasil deve reassumir a vice-liderança no ranking mundial de juros reais, perdendo apenas para a China. Uma das consequências é que o consumo, já em processo de acomodação, vai esfriar ainda mais, freando mais ainda o desempenho do PIB. Parece que estamos mesmo num beco sem saída...


A esta salada indigesta, Dilma Rousseff juntou mais um ingrediente:a instabilidade política, decorrente da erosão da sustentação do seu governo pelos aliados e dos erros cometidos em série por ela.

A presidente da República insiste em iniciativas que não resolvem nenhum dos nossos problemas, como a natimorta constituinte, o recém-sepultado plebiscito e o programa mal-ajambrado que vai botar mais médicos nos nossos hospitais... mas só daqui a oito anos.

Assim não há risco de dar certo.


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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do
Instituto Teotônio Vilela

E COM A "MAIS PREPARADA 1,99"... Inflação da baixa renda ganha força em junho, diz FGV

O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que mede a variação de preços para famílias com renda de até 2,5 salários mínimos mensais, subiu 0,33% em junho, ante 0,18% em maio, informou a Fundação Getulio Vargas nesta quarta-feira (10).

O indicador acumula alta de 3,03% no ano e, 6,43%, nos últimos 12 meses. O teto da meta de inflação do governo federal, que utiliza o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE, como base, é de 6,5%.

Em junho e no acumulado em 12 meses, a inflação das famílias de menor renda ficou abaixo da média. Isso porque os preços medidos pelo IPC-BR (das famílias com renda de até 33 salários) subiram 0,35% no período e acumulam alta de 6,22% em 12 meses.

Dos oito grupos de despesa que integram o cálculo do índice, cinco apresentaram acréscimo em suas taxas de variação:
transportes (de -1,02% para 0,88%);
habitação (de 0,29% para 0,67%);
comunicação (de -0,16% para 0,29%);
educação, leitura e recreação (de 0,12% para 0,31%) e
despesas diversas (de 0,17% para 0,29%).

Denro desses grupos, os destaques ficaram com as variações de preços de tarifa de ônibus urbano (de -1,69% para 1,53%),
tarifa de eletricidade residencial (de -1,33% para 0,83%),
tarifa de telefone residencial (de -0,53% para 0,00%),
passeios e férias (de -2,41% para 1,73%)
e serviço religioso e funerário (de 0,07% para 0,88%).

Na contramão, registraram decréscimo em suas taxas de variação os grupos alimentação (de 0,26% para -0,22%);
saúde e cuidados pessoais (de 0,74% para 0,39%);
e vestuário (de 0,87% para 0,51%).

Nestas classes de despesa, as principais influências partiram dos itens: hortaliças e legumes (-1,20% para -6,60%),
medicamentos em geral (1,30% para 0,22%)
e roupas (1,13% para 0,75%), nesta ordem.


G1

Saídas de dólares superam entradas em US$ 780 mi na primeira semana do mês

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O mês de julho começou com saldo negativo das entradas e saídas de dólares do país. De acordo com dados divulgados hoje (10) pelo Banco Central (BC), nos cinco dias úteis da semana passada, o saldo ficou negativo em US$ 780 milhões.

A saída de dólares permanece maior do que a entrada, como registrado em junho (saldo negativo de US$ 2,636 bilhões).

De janeiro até a primeira semana de julho, o saldo do fluxo cambial ficou positivo em US$ 8,754 bilhões, com resultado negativo do segmento financeiro em US$ 8,687 US$ bilhões e positivo do comercial, em US$ 17,441 bilhões.

Na primeira semana de julho, o resultado negativo veio do segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), US$ 1,362 bilhão.

O fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) registrou saldo positivo de US$ 582 milhões, na semana passada. No último dia 3, o BC eliminou as restrições de prazos para que os exportadores financiem pagamentos antecipados.

Antes, os exportadores que quisessem antecipar o recebimento das receitas com as vendas para o exterior poderiam pegar empréstimos de até cinco anos. O BC derrubou esse limite, permitindo que financiamentos de prazos mais longos sejam concedidos. A medida aumenta a oferta de dólares no mercado, empurrando a cotação para baixo.

De acordo com os dados do Banco Central, as operações de pagamento antecipado ficaram em US$ 798 milhões, na primeira semana de julho. As operações de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) chegaram a US$ 690 milhões. Esses valores estão incluídos nas exportações, que totalizaram US$ 4,027 bilhões. As importações ficaram em US$ 3,445 bilhões, na primeira semana de julho.

Além dessa medida para estimular a entrada de dólares no país e, com isso, ajudar a reduzir a cotação da moeda, o BC retirou o depósito compulsório sobre a posição vendida de câmbio. Com a medida, os bancos deixaram de recolher à autoridade monetária parte dos valores aplicados em apostas de que o dólar vai cair.

O BC também tem feito operações de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro, para tentar suavizar a alta do dólar.

Há mais de um mês, o mercado financeiro global enfrenta turbulências por causa da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduza os estímulos monetários para a maior economia do planeta.

Se a ajuda diminuir, o volume de moeda norte-americana em circulação cai, aumentando o preço do dólar em todo o mundo.


Agência Brasil

NOVOS TEMPOS ! HORA DE VERDADES : O "HOMI" DE 2015 DO brasil maravilha DOS FARSANTES. DE QUERIDINHO E EXEMPLO, SE TORNA "POBREMA" : Com Eike na mira

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As empresas de Eike Batista, estão sendo escrutinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM, que já abriu 16 ou 17 apurações contra o grupo EBX nos últimos meses. 


Segundo um executivo com conhecimento do assunto, o órgão regulador quer descobrir se empresas do conglomerado, incluindo a petroleira OGX, divulgaram comunicados com informações corretas ao mercado. As apurações antecedem as investigações, que podem levar à abertura de processos e a punições.

Atualmente, há dois processos em andamento contra Eike na autarquia. Um deles apura possível violação legal nas declarações de Eike e José Olympio Pereira, executivo do Credit Suisse, por ocasião da oferta inicial de ações da OGX, em junho de 2008. O outro se refere à divulgação de informações pelo empresário e executivos das empresas, como o ex-diretor financeiro do grupo EBX, Otavio Lazcano.

A CVM ficou mais alerta à situação do grupo após a renúncia dos três conselheiros independentes da OGX, os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda) e Rodolpho Tourinho(Minas e Energia) e a ex-presidente do Supremo Tribunal FederalEllen Gracie. “Isso mostra que a situação é grave”, disse a fonte.

Paralelamente, foi criada na semana passada a União dos Acionistas Minoritários das Empresas X (Unax) para unificar a comunicação com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a CVM e auditorias externas independentes. Os minoritários não descartam tomar medias judiciais contra Eike.
Correio Braziliense 

julho 09, 2013

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO ! NUNCAANTESNAHISTÓRIADESTEPAÍS DE "MARQUETINGUE" FARSANTE : "Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte."

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Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O "sucesso" de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: 
Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.

Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

A demanda voraz da China por recursos naturais, que por sorte o Brasil tem em abundância, fez com que o valor de nossas exportações disparasse. Por outro lado, após a crise de 2008 os principais bancos centrais do mundo injetaram trilhões de liquidez nos mercados. Isso fez com que o custo do dinheiro ficasse muito reduzido, até negativo se descontada a inflação.

Desesperados por retorno financeiro, os investidores do mundo todo começaram a mergulhar em aventuras nos países em desenvolvimento. Algo análogo a alguém que está recebendo bebida grátis desde cedo na festa, e começa a relaxar seu critério de julgamento, passando a achar qualquer feiosa uma legítima "top model".

Houve uma enxurrada de fluxo de capitais para países como o Brasil. A própria presidente Dilma chegou a reclamar do "tsunami monetário". Os investidores estavam em lua de mel com o país, eufóricos com o gigante que finalmente havia acordado. Havia mesmo?

O fato é que essa loteria permitiu o surgimento dos fenômenos Eike Batista e Lula. Eike, um empresário ousado, convenceu-se de que era realmente fora de série, que tinha um poder miraculoso de multiplicar dólares em velocidade espantosa, colocando um X no nome da empresa e vendendo sonhos.

Lula, por sua vez, encantou-se com a adulação das massas, compradas pelas esmolas estatais, possíveis justamente porque jorravam recursos nos cofres públicos. A classe média também estava em êxtase, pois o câmbio se valorizava e o crédito se expandia. Imóveis valorizados, carros novos na garagem, e Miami acessível ao bolso.

O metalúrgico, que perdera três eleições seguidas, tornava-se, quase da noite para o dia, um "gênio da política", um líder carismático espetacular, acima até mesmo do mensalão. Confiante desse poder, Lula escolheu um "poste" para ocupar seu lugar. E o "poste" venceu! Nada iria convencê-lo de que isso tudo era efeito de um fenômeno mais complexo do que ele compreendia.

Dilma passou por uma remodelagem completa dos marqueteiros, virou uma eficiente gestora por decreto, uma "faxineira ética", intolerante com os "malfeitos". Tudo piada de mau gosto, que ainda era engolida pelo público porque a economia não tinha entrado na fase da ressaca. O inverno chegou.

O crescimento chinês desacelerou, e há riscos de um mergulho mais profundo à frente. A economia americana se recuperou parcialmente, e isso fez com que o custo do capital subisse um pouco. Os ventos externos pararam de soprar. Os problemas plantados pela enorme incompetência de um governo intervencionista, arrogante e perdulário começaram a aparecer.

A maré baixou, e ficou visível que o Brasil nadava nu. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os "campeões nacionais", entre eles o próprio Eike Batista. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

A liquidez começou a secar. 
O fluxo se inverteu. 
E o povo começou a ficar muito impaciente. 
Eike Batista se viu sem acesso a novos recursos para manter seu castelo de cartas. As empresas do grupo X despencaram de valor, sendo quase dizimadas enquanto as dívidas, estas sim, pareciam se multiplicar. 
A palavra calote passou a ser mencionada. 
O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro.

Já a presidente Dilma, criatura de Lula, mergulhou em seu inferno astral. Sua popularidade desabou, os investidores travaram diante de tantas incertezas, e todos parecem cansados de tamanha incompetência.

Eike e Lula deveriam ler Camus: 
"Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte."

 Rodrigo Constantino 
A queda