"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

abril 16, 2013

"MÃE" CAPCIOSA E "FILHO" GOLPISTA : Obras do PAC estão paradas há quase dois anos em Itaboraí. Prejuízo aos cofres públicos se materializa em forma de abandono

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Em Niterói, depois que prédios do Minha Casa Minha Vida que receberiam sobreviventes do Morro do Bumba racharam, o desperdício ficou evidente. Dois edifícios foram demolidos antes mesmo de serem ocupados.

A cerca de 30 quilômetros dali, em Itaboraí, o prejuízo aos cofres públicos se materializa em forma de abandono. Já faz quase dois anos que estão paradas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Itambi, para a construção de 256 unidades habitacionais destinadas a moradores de áreas de risco da região, próxima ao Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj).

Os oito prédios já foram erguidos.
Mas ficaram inacabados, quatro deles sem reboco e pintura.
E exibem os sintomas do tempo deixado de lado, como infiltrações, buracos abertos nas fachadas, infiltrações e janelas quebradas.

Segundo o secretário municipal de Habitação, Wolney Trindade, as obras começaram há seis anos. E, na gestão anterior da prefeitura, chegaram a ser gastos R$ 16 milhões dos R$ 20 milhões do projeto, em parceria com o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal.

Mas levantamentos feitos desde o início deste ano, afirma Wolney, indicam que faltam cerca de 22 mil itens, como piso, pias, lâmpadas e acabamento, para completar o empreendimento.

Enquanto isso, em comunidades que seriam beneficiadas pelas novas casas, como a do Pavilhão e da Bacia, em Itambi, as pessoas continuam vivendo, literalmente, no meio da lama. Com ruas cheias de poças d’água, é difícil o acesso às duas localidades. Na Bacia, uma vila de pescadores próxima ao Rio Caceribu, casas estão construídas à beira de um canal, muitas delas precárias.

No lugar, cheio de mosquitos, os moradores não têm esgoto nem água. Para as tarefas do dia a dia, como lavar louças, conta o Otacílio Gonçalves, de 73 anos, muitos puxam água de um duto que liga a captação de Imununa à Estação de Tratamento de Água de Laranjal e, portanto, consomem água ainda não tratada.

— A água que temos é suja. Aqui também seria construída uma estação de tratamento de esgoto, que atenderia inclusive ao condomínio para onde nos mudaríamos ou nos mudaremos. Mas as obras pararam. Foram consumidos milhões e não sabemos o que vai acontecer — lamenta Otacílio, lembrando que bem perto da casa em que vive passará uma estrada de acesso ao Comperj.
 
Questionado sobre o motivo de as obras terem sido interrompidas, o ministério afirmou apenas que a empresa contratada para execução do empreendimento (a R.C. Vieira Engenharia) solicitou, há cerca de um ano, a rescisão do contrato à prefeitura, mas não explicou o motivo.

O órgão federal também garantiu que não serão necessárias demolições em Itambi, a exemplo do que aconteceu em Niterói, embora vizinhos das obras apontem que existem rachaduras no interior de dois prédios.

Rafael Galdo (Email · Facebook · Twitter)

Percentual de cheques devolvidos em março é o maior desde 2009. Número de devoluções aumentou 29,6% em relação à fevereiro.


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Do total de cheques movimentados no país em março, 2,31% foram devolvidos (segunda devolução por falta de fundos), segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (16) pela Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

Trata-se do maior percentual desde maio de 2009, quando a proporção de cheques devolvidos chegou a 2,46%. Em fevereiro, o percentual atingiu 1,87% e em janeiro foi de 1,98%. Em março de 2012, o número de cheques devolvidos atingiu a proporção de 2,14% do total de cheques movimentados.

Segundo a Boa Vista, o número de cheques devolvidos no mês de março aumentou 29,6% em relação a fevereiro de 2013. Por outro lado, também houve crescimento dos cheques movimentados (4,7%), o que contribuiu para a alta do índice.

Na comparação com março de 2012, o número de cheques devolvidos caiu 7,3% e o número total de cheques movimentados recuou 14,0%.

Separando os cheques devolvidos de pessoas físicas e jurídicas, no primeiro trimestre do ano de 2013 na comparação com o mesmo período do ano anterior, a devolução para as pessoas físicas foi 9,4% menor e para as pessoas jurídicas a redução foi de 5,5%. 
No total, os cheques devolvidos recuaram 8,4% no ano, enquanto que os movimentados diminuíram 10,6%.

Globo

PORQUE SERÁ HEIN ??? Brasil é último colocado em ranking sobre pouco retorno dos impostos


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Entre os 30 países de maior carga tributária do mundo, Brasil é o que oferece o menor retorno em serviços públicos de qualidade à população, mostra pesquisa divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (BPT) 
Esta é a quarta vez seguida que o país aparece no último lugar no ranking que relaciona volume de impostos à qualidade de vida.

Para chegar ao índice de retorno, o IBPT considerou a carga tributária dos países em 2011, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2012, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que considera nível de educação, renda e expectativa de vida.
 
 Os Estados Unidos aparece no primeiro lugar como provedor de serviços públicos de qualidade à população, como saúde, educação, segurança, transporte e outros. Na sequência, estão Austrália e Coreia do Sul. Em 2011, a Austrália tinha ficado na liderança.

O Brasil permaneceu na 30ª posição do ranking porque terminou 2011 com carga tributária de 36,02% do PIB, e ocupa apenas a posição de número 85 no IDH.

Nas últimas posições do rankimg, à frente do Brasil, aparecem 
Dinamarca (29ª posição), 
França (28º) 
e Finlândia (27ª).

"O Brasil continua na retaguarda em termos de qualidade dos serviços públicos, perdendo para os países vizinhos Uruguai e Argentina, que ocupam, respectivamente, a 13ª e a 21ª posições no ranking", destacou o estudo.

Para o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, o estudo reforça a necessidade de cobrar dos governos federal, estaduais e municipais uma melhor aplicação dos recursos arrecadados para que o volume de impostos cobrados da população seja revertido em serviços público de qualidade, como fazem as demais nações.

"É importante que se diga que todos os cidadãos brasileiros pagam impostos, mesmo aqueles que estão isentos do IPTU e do Imposto de Renda das Pessoa Física, porque consomem produtos e serviços que têm uma alta carga tributária embutida, mesmo aqueles de primeira necessidade, como: arroz (17,24%), 
feijão (17,24%), 
carne (23,99%), 
pasta de dente (31,37%), 
caderno escolar (34,99%) e outros“, afirma.
Do G1, em São Paulo

abril 15, 2013

Obras eternamente em construção

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Para um país que precisa urgentemente assegurar melhor qualidade de vida à sua população e melhores condições de produção a suas empresas, é inaceitável que o Brasil continue a jogar montanhas de dinheiro fora em obras que nunca chegam ao fim. Sem que o poder público cuide adequadamente do planejamento e da execução criteriosa dos gastos, não iremos longe.

Esta não é, para sermos justos, uma deficiência exclusiva do governo petista. Mas é certo que as gestões de Lula e Dilma Rousseff vêm se esmerando em fazer malfeito e em torrar dinheiro do contribuinte. É longa a lista de promessas e maior ainda a de obras que, mesmo engolindo recursos públicos com avidez, nunca saem do papel.

O Programa de Aceleração do Crescimento é o cemitério onde jazem estes empreendimentos. Sua execução continua muito abaixo da aceitável. Entre 2007 e 2010, nos quatro primeiros anos do programa, menos da metade do previsto foi investido. Depois, com Dilma, o ritmo aumentou, mas ainda é bastante insuficiente.

Sem fazer muito esforço, dá para citar um monte de obras eternamente em construção: as ferrovias Norte-Sul e Transnordestina, a transposição das águas do rio São Francisco, a refinaria Abreu e Lima, apenas para ficar nas mais emblemáticas. Algumas delas, apesar de em obras, já estão em ruína.

O Valor Econômico mostra hoje, em detalhes, o descalabro em que se transformou a construção da Norte-Sul. Obras dadas como prontas não têm condições de receber uma locomotiva sequer e trechos inteiros estão apodrecendo.

A extensão de quase 900 km entre Anápolis e Palmas, prometida por Lula para 2010, nunca viu um trem, apesar de ter consumido R$ 4,2 bilhões. O TCU auditou o empreendimento e conclui: as obras entregues até agora "não configuram um produto pronto, face à dilapidação promovida no escopo original do trecho".

Mas a lista tem também o metrô de Salvador, os parques eólicos parados no Nordeste porque não têm linhas de transmissão, a ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa, que está prontinha, mas não tem vias de acesso... Procurando um pouco mais, nem caberia neste espaço. Todas essas obras já consumiram bilhões de reais de investimento público, mas não estão nem perto da conclusão.

Mais graves são as obras que, ainda em construção, já estão desabando, como foi o caso dos conjuntos erguidos pelo Minha Casa, Minha Vida em Niterói para abrigar famílias atingidas pela tragédia do Morro do Bumba, ocorrida três anos atrás. Em péssimas condições, tiveram de ser demolidos, antes mesmo de finalizados.

O problema da falta de qualidade nas moradias entregues pelo programa é tão grave que a Caixa decidiu assumir o reparo de defeitos estruturais e vícios de construção das unidades: em pouco mais de 20 dias, recebeu mais de 2 mil reclamações de moradores.
 

Para piorar, o Minha Casa, Minha Vida está agora às voltas com suspeitas de fraudes, implicando ex-servidores do Ministério das Cidades filiados a partidos da base governista e também Erenice Guerra, ex-braço direito de Dilma, segundo O Globo.

Até a revista Carta Capital, tradicionalmente acrítica em relação ao desempenho dos governos petistas, deu o braço a torcer: "O desperdício de dinheiro público é apenas uma fração do que o país perde com obras mal executadas, algo de difícil mensuração em estudos. 
(...) 
O Brasil precisa planejar melhor", afirma, em sua edição desta semana.

Segundo a revista, o país poderia ter evitado a perda de R$ 10 bilhões nos últimos quatro anos se o governo petista tivesse se importado em corrigir falhas e irregularidades encontradas em obras federais. "Das 200 obras fiscalizadas em 2012 havia deficiências de projeto em 49%. 


Sobrepreços ou superfaturamentos ocorreram em 46%", afirmou Augusto Nardes, presidente do TCU, à Carta Capital. É por estas e outras que está coberto de razão o economista Marcos Lisboa. Em lúcida entrevista publicada hoje pela Folha de S.Paulo, ele diz que a situação de deterioração da infraestrutura do país chegou a um ponto que deixou de preocupar apenas empresários e investidores e passou a ser de interesse de toda a sociedade.

O desenvolvimento do Brasil está hoje estrangulado em rodovias, portos e ferrovias que não dão conta de suportar a demanda. Em qualquer hipótese, desperdiçar dinheiro público é inaceitável, mas, numa situação como a nossa, jogar fora recursos do contribuinte em obras essenciais que nunca terminam chega a ser criminoso.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Obras eternamente em construção

Inflação, quem te trouxe de volta?

Economistas ouvidos pelo Correio atribuem o aumento do custo de vida e o baixo crescimento a uma sequência de falhas da política enconômica, a começar pela queda nos juros sem controle do gasto público.

Especialistas apontam erros de política econômica que levam o país a viver uma estagflação - situação que combina custo de vida em alta e baixo crescimento

Há pelo menos uma década, quando o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder e os mercados não sabiam o que esperar, o assunto inflação não ganhava as ruas como nas últimas semanas.

Seja nas redes sociais, mesas de bar ou corredores de supermercado, a carestia está no centro do debate, sobretudo depois de ter estourado o teto da meta em março, quando bateu em 6,59% no acumulado de 12 meses, obrigando o governo a colocar a alta de juros de volta na agenda econômica.

O custo de vida corrói o orçamento das famílias por meio do tomate, da batata, do arroz, da farinha — alimentos indispensáveis ao brasileiro cujos preços dispararam e causaram a sensação de que o dinheiro está valendo pouco.

Segundo analistas, foi o modelo de gestão adotado pelo governo nos últimos anos que empurrou o país para o atual cenário que combina inflação alta e baixo crescimento — no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,9%.

O fenômeno é chamado pelos economistas de estagflação.

A política leniente com a carestia, que defende que um pouco de inflação ajuda no crescimento, se mostra, na visão de especialistas, equivocada. O resultado da produção industrial e das vendas do comércio em fevereiro, que caíram de 2,5% e 0,4% respectivamente, mostra porque a alta generalizada de preços é, na verdade, perversa.

Para os especialistas, ela tira renda de quem consome e confiança de quem investe. Sem investimento, o país perde produtividade e cresce pouco.

Segundo economistas ouvidos pelo Correio, o atual quadro de inflação alta e baixo crescimento é resultado de uma sequência de falhas da política econômica. Os juros foram colocados no menor patamar da história — o que, em princípio, não é ruim — sem que houvesse controle do gasto público.

Em 2012, mesmo maquiando os números, o governo não cumpriu a meta de superavit nas contas públicas, de 3,1% do PIB, e admite que também não vai fazê-lo neste ano. A política fiscal expansionista, combinada com juro baixo e crédito farto, gerou um volume de demanda que o sistema produtivo não conseguiu suprir.

No ano passado, quando o mundo vivia uma queda na oferta de alimentos e alta nas cotações de commodities, o governo permitiu que o dólar subisse, o que pressionou os preços dos importados. E, na tentativa de baixar as tarifas de eletricidade — objetivo, em si, também meritório —, o governo promoveu uma atabalhoada intervenção nos contratos de concessão de energia, que assustou o setor privado.

Com isso, os investimentos terminaram o ano passado com queda de 4%, o pior desempenho desde 2009.

“Tudo isso pressiona a inflação”, constata Simão Silber, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP).

“O instrumento mais geral para segurar a inflação é a taxa de juros. Em segundo lugar, gerenciar melhor os gastos públicos, para eles não injetarem demanda adicional. É preciso ainda deixar de controlar o câmbio artificialmente. Do jeito que estão os fundamentos econômicos, tudo conspira para ter inflação elevada”, pondera.


VICTOR MARTINS » ROSANA HESSEL Correio Braziliense

Sua Excelência, o tomate!


Ao contrapor a realidade como limite ao excesso de idealização, o deputado Ulysses Guimarães dizia a interlocutores “sonháticos” que na política manda “Sua Excelencia, o fato”, agora representado pelo tomate inflacionário, vilão que trouxe para as ruas a preocupação econômica até então circunscrita aos especialistas.

O fato impõe sério revés à estratégia do Planalto de manter no âmbito técnico o debate sobre a economia e põe em xeque o diagnóstico precoce de que sua fase negativa não afetaria o bolso do eleitor a tempo de influir na campanha presidencial de 2014.

Mais cedo ainda do que supunham mesmo os mais pessimistas, as imagens de consumidores revoltados em supermercados ganharam espaço nos telejornais exibidos no horário nobre, o tomate virou piada nacional nas redes sociais, e os candidatos de oposição a presidente Dilma Rousseff ganharam a munição eficiente para difundir a dúvida sobre sua capacidade gestora.

“Sua Excelência, o tomate”, é o figurino recente da "Velha senhora”, a inflação, dada como a única ameaça à reeleição da presidente se, em médio prazo, não for contida.

Para enfrentá-la, aumentam-se os juros o que, por sua vez, encarece investimentos e põe um freio na anestesia do consumo, ópio do eleitorado.

O governo, que receia mais do que demonstra, prepara-se para essas providências, cuja protelação pretendia estender, dispondo-se a pagar o preço após a reeleição da presidente Dilma.

Mas a conta chegou mais cedo, combinando inflação e falta de investimentos e exibindo a insuficiência das desonerações em série como antídoto eficaz.

João Bosco Rabello O Estado de S. Paulo

PRIVATIZAÇÃO PETRALHA

Não existem diferenças conceituais entre as privatizações dos anos 1990 e a venda de ativos que está promovendo a Petrobras, documentada em longa reportagem da "Época". 

Ambos os episódios derivam da necessidade de fazer caixa. 
O anterior, de demanda do próprio Estado, sufocado por longa série de iniciativas desastrosas, e o atual, da maior das estatais brasileiras, que precisa levar avante seu ambicioso plano de investimentos. 

Quando conduziram as primeiras concessões em seus governos, os próceres petistas cuidaram de fazer crer que eram tratativas distintas. As privatizações teriam alienado patrimônio público, e as concessões não eram admitidas como tal, pois, após o prazo contratual, os ativos retornariam ao controle estatal. 

Simples sofisma, incapaz de ocultar a dura realidade da maior eficiência da gestão privada. Entretanto, pelo que se verifica da matéria na revista, a Petrobras está vendendo parcela substancial de seu patrimônio. 

A operação é conhecida como "Feirão", e inclui refinarias, poços de petróleo, equipamentos, participações em empresas, redes de distribuição etc. Curiosamente sua condução está a cargo de uma gerência que se intitula de "Novos Negócios", quando mais apropriado seria alcunhá-la de "Velhos Negócios" - ou seja, aqueles que não são mais necessários aos fins da companhia. 

Trata-se, de fato, de privatização, porque estamos falando da maior empresa pública brasileira e de bens valiosos que estão contabilizados em seus ativos. O que impressiona neste caso, e o distingue fundamentalmente das privatizações, é a falta de transparência com que o assunto é conduzido. 

As dezenas de operações dos anos 1990 foram executadas no âmbito do PND (Programa Nacional de Desestatizações). Cabe recordar que havia audiência prévia do TCU (Tribunal de Contas da União), gestão do processo pelo BNDES, avaliações por consultores independentes e ampla divulgação de condições através da publicação de extensos editais elucidativos. 

Mas, sobretudo, a venda em hasta pública, aberta a quem estivesse em condições de competir, mediante leilões cristalinos na Bolsa de Valores. 

E, mesmo assim, as privatizações foram alvo dos mais veementes e incivilizados protestos oriundos do petismo e seus aliados. 

A reportagem documenta a venda de metade da participação na Pesa - Petrobras Argentina - a um determinado empresário portenho, que seria velho parceiro dos governos Kirchner. 

Algumas perguntas estão sem resposta. 
Quais foram as condições do negócio? 
Houve algum tipo de competição? 
Como foi estabelecido o preço? 
Existiriam outros interessados? 
E as demais alienações? 
Como serão conduzidas? 

A Petrobras vem apresentando uma sólida e consistente perda de valor em Bolsa, resultado da descrença em sua gestão. A caixa-preta do "Feirão" só contribui para o agravamento desta tendência. 

Era melhor que a companhia adotasse os mesmos critérios de transparência com que foram implementadas as privatizações da década de 90.

NEY CARVALHO/O Globo
Privatização petista

abril 14, 2013

UMA GOVERNADORA E O DESASSOSSEGO NA "CASTA" ! NA HORA DE BENEFICIAR A "PLEBE" II ... Direito dos aposentados

O projeto de lei que assegura aos aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que voltaram a trabalhar o direito de renunciar aos benefícios para requerer ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o recálculo da nova aposentadoria, com a incorporação do período adicional de contribuição, repara uma injustiça e deve reduzir substancialmente a quantidade de ações abertas na Justiça por segurados que reivindicam esse direito.

Apresentado em 2010 pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o projeto que permite a renúncia à aposentadoria para recálculo do valor do benefício foi aprovado, na forma do substitutivo do senador Paulo Davim (PV-RN), pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado em caráter terminativo.

Se não houver recurso para votação em plenário, seguirá para a Câmara.

O projeto cria a figura da "desaposentadoria". 
Com ela, os aposentados do INSS que voltaram a trabalhar com registro em carteira poderão se beneficiar da contribuição previdenciária que são obrigados a recolher, mas que, pela legislação atualmente em vigor, não lhes rende mais nada.

Ou seja, o projeto restabelece o verdadeiro significado da contribuição previdenciária, que é um recolhimento que o segurado do RGPS faz durante sua fase ativa com o objetivo de assegurar uma renda durante o período de inatividade.
Como a legislação não prevê a possibilidade de renúncia ao benefício, o INSS rejeita todos os pedidos de desaposentadoria apresentados por beneficiários que querem solicitar nova aposentadoria, a qual levará em conta o tempo adicional de contribuição, a idade do trabalhador e sua expectativa de vida no momento da solicitação, elevando o valor do benefício.

Muitos aposentados que voltaram a trabalhar - estima-se que haja de 500 mil a 700 mil pessoas nessa situação - tiveram de recorrer à Justiça para obter esse direito.

Estão nesse caso segurados que começaram a recolher a contribuição cedo, e, por isso, se aposentaram quando eram relativamente jovens, e os que optaram pela aposentadoria proporcional, mas continuaram trabalhando.

O governo estima que haja, no momento, 24 mil processos com pedido de reconhecimento do direito à desaposentadoria. Alguns já chegaram ao STJ.

O grande número de processos dessa natureza levou o STF a escolher, em 2011, um dos recursos que chegaram até lá para ter efeito de repercussão geral, isto é, para que sua decisão seja seguida por todas as instâncias do Judiciário.

Mas ainda não há data para o julgamento, pois o relator do processo era o ministro Ayres Britto, que se aposentou.

Em recurso apresentado por aposentados do Rio Grande do Sul em 2010, o ministro relator, Marco Aurélio Mello, votou a favor do recálculo do benefício quando o aposentado volta a contribuir, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista.
Sempre que derrotado em ações desse tipo - o que acontece na grande maioria dos casos -, o INSS tem exigido dos segurados a restituição dos valores recebidos enquanto ele esteve aposentado. Para o relator do projeto, senador Paulo Davim, isso é "inadmissível", pois, a seu ver, o segurado "fez jus aos proventos decorrentes do benefício da aposentadoria".

Por isso, em seu substitutivo, incluiu um parágrafo estabelecendo que a renúncia à aposentadoria "não implica devolução dos valores percebidos enquanto esteve aposentado".

O governo, como sempre age em casos como esses, já apresenta cálculos bilionários. Em 20 anos, a desaposentadoria poderá custar de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões, segundo suas estimativas. Qualquer que seja o custo, porém, o projeto apenas restabelece o direito do segurado ao benefício proporcional ao valor e ao tempo de contribuição.
Mesmo assim, o governo quer barrar o projeto ainda no Senado, alegando que não há dinheiro.

Mas ele existe, por exemplo, para pagar a aposentadoria da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, como servidora do Senado - onde foi admitida sem concurso público - com benefício vitalício de R$ 20,9 mil, que se somará aos R$ 15,4 mil que receberá de aposentadoria como governadora. 

Estadão

SEM "CADEIA"... DE RÁDIO E TV ! AOS CRÉDULOS ÚTEIS DO MODÊLO PETRALHA DA GERENTONA FARSANTE DE "GUVERNÁ" : Benefícios tarifários se diluem

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Já começam a se desfazer os benefícios para os consumidores de energia elétrica da redução das tarifas anunciada duas vezes em rede nacional de televisão pela presidente da República, em setembro do ano passado e em janeiro deste ano, como mostrou a reportagem de Renée Pereira, no Estado de anteontem.

Em 2012, o governo anunciou uma redução, em média, de 16,2% das tarifas de energia das residências e de 28%, das empresas. 
Esses porcentuais foram elevados para 18% e 32%, respectivamente, quando a legislação foi aprovada, em janeiro.

Mas, passados menos de três meses, a rotina de reajustes das tarifas foi retomada. As regras dos contratos de concessão preveem que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aplique, periodicamente, os reajustes previstos.


Quando isso foi feito, a surpresa:
houve diminuição ou quase eliminação dos benefícios alardeados pela chefe do governo.

Conforme os cálculos da comercializadora de energia Comerc, que se baseou nos números oficiais da Aneel, tarifas médias de alta-tensão aplicadas aos consumidores industriais das áreas das distribuidoras Cemig e CPFL, que tiveram reduções originais de 20% até 25,7%, foram reajustadas pela Aneel e o benefício caiu para porcentuais entre o máximo de 17% e o mínimo de 0,85%.

Para os consumidores residenciais, os reajustes da Aneel foram menores e os benefícios, mais bem preservados.

O valor das atuais contas de eletricidade seria ainda maior se o governo não tivesse aliviado a situação das distribuidoras, financiando os gastos decorrentes da aquisição de energia térmica. 
As usinas térmicas geram energia a custo mais elevado e operarão a plena carga, neste ano, para desobrigar as hidrelétricas de consumir mais água dos reservatórios, afetados pelo regime de chuvas.

Mas estão previstas novas pressões sobre o custo da energia para os consumidores - e poderão ser fortes. O governo estuda, segundo o jornal Valor, mudar as regras dos leilões de energia nova deste ano. O objetivo é conferir confiabilidade ao sistema elétrico, evitar atrasos na construção dos empreendimentos e assegurar um aumento do volume de energia comercializável.

Atualmente, é grande a distância entre a capacidade nominal das usinas e a oferta real de energia. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, já admite o risco de alta de preços da energia eólica.


A modicidade tarifária de que Dilma Rousseff falava quando ministra e, agora, como presidente está de novo ameaçada.
O Estado de S.Paulo 

abril 13, 2013

BRASIL REAL ! DE(S)CÊNIO DOS FARSANTES E CRÁPULAS COMO O CACHACEIRO PARLAPATÃO E SUA GERENTONA FALSÁRIA : Inflação salga alimentos básicos como farinha de mandioca e feijão

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Na casa do aposentado Luiz Carlos da Fonseca, 58, só ele vai ao supermercado. A cada mês, diz, compra a mesma lista de produtos. Mas os gastos aumentam, e a culpa, na sua percepção, é dos preços dos alimentos.
 

"Há um ano, fazia a compra do mês com R$ 450. A despesa foi subindo cada vez mais, e, no mês passado, cheguei a gastar R$ 700." 
 
O ex-garagista, pai de quatro filhos e morador do subúrbio carioca de Del Castilho, controla todo o orçamento da família. 
"Minha mulher é muito gastona", justifica.

Fonseca sentiu no bolso a alta persistente dos alimentos desde o fim do ano passado, intensificada neste primeiro trimestre quando a alimentação no domicílio subiu 5,58%, quase o triplo da inflação média pelo IPCA no período (1,94%). 

 
A Folha fez um levantamento com os 146 produtos alimentícios pesquisados pelo IBGE em 11 capitais e regiões metropolitanas do país e constatou que 117 deles, ou 80%, ficaram mais caros no trimestre passado.

E os reajustes não foram nada modestos: 
5 produtos tiveram alta maior do que 50%, 
13 tiveram reajuste maior que 20% 
e 33 superaram 10%. 
             Só 29 ficaram mais baratos.                   

William Mur/Editoria de Arte/Folhapress

No topo da lista, aparecem hortaliças e frutas como 
tomate (o campeão, com 60,9%), 
repolho (58,15%), 
açaí (55,66%), 
cebola (54,88%) 
e cenoura (53,3%). 

Outros aumentos de destaque são de produtos típicos e básicos do prato do brasileiro, como batata (38,11%), 
farinha de mandioca (35,18%), 
 feijão-carioca (22,85%) 
e mandioca (22,18%).

SEM FARINHA
Fonseca, adepto do hábito de anotar todas as despesas, reparou nos preços mais altos. "Eu pagava menos de R$ 2 pelo quilo da farinha de mandioca, que não faltava lá em casa. No mês passado, estava a R$ 7. Simplesmente não comprei." 

O aposentado diz ainda que, diante do preço salgado do tomate (R$ 9 o quilo), levou só três frutos. 

Segundo Priscila Godoy, economista da Rosenberg & Associados, o clima desfavorável e as quebras de safra explicam os reajustes. Pesou ainda, afirma, o custo maior dos fretes com a nova lei que determina a troca de motoristas em viagens longas e os dois aumentos recentes do preço do diesel. 

Um pequeno alívio veio de alguns produtos da cesta básica, que já vinham em queda e mantiveram a tendência após a desoneração promovida pelo governo no início de março. 

"Não sentimos ainda nenhum impacto da queda dos preços dos produtos desonerados." 

Entre os itens que tiveram isenção tributária estão o arroz e as carnes, cujos preços caíram 2,28% e 0,62%, respectivamente, no primeiro trimestre. Ambos integram a refeição básica do brasileiro. 

Angela Maria Ribeiro, dona de casa, diz que nos supermercados da zona oeste do Rio, onde mora com a família, os preços subiram antes da medida do governo de cortar tributos da cesta básica.

 "Tudo ficou mais caro. O arroz, o açúcar e o óleo de soja. Quando veio o desconto, os preços ficaram na mesma." 

A expectativa de analistas é que, a partir de maio, comece a haver redução do preço dos alimentos. 

Variação de preços de todos os itens de alimentação no domicílio no acumulado do primeiro trimestre, em %
Tomate 60,9
Repolho 58,15
Açaí (emulsão) 55,66
Cebola 54,88
Cenoura 53,3
Batata-inglesa 38,11
Farinha de mandioca 35,18
Inhame 33,28
Anchova 27,74
Coentro 25,62
Feijão - carioca (rajado) 22,85
Mandioca (aipim) 22,18
Feijão - macassar (fradinho) 21,47
Laranja - pera 19,44
Banana - prata 18
Mandioquinha (batata-baroa) 17,98
Banana-da-terra 17,77
Alface 16,59
Abóbora 16,11
Couve 15,95
Goiaba 14,08
Maracujá 13,36
Brócolis 13
Ovo de galinha 12,13
Farinha de trigo 12,02
Morango 11,93
Frango em pedaços 11,48
Tilápia 11,44
Abacaxi 10,83
Manga 10,71
Ervilha em conserva 10,51
Couve-flor 10,24
Feijão - mulatinho 10,22
Cheiro-verde 9,97
Pão de forma 9,21
Cação 9,11
Patê 9,09
Corvina (peixe) 8,42
Dourada (peixe) 8,05
Presunto 7,62
Azeite de oliva 7,56
Atum em conserva 7,34
Vermelho (peixe) 7,31
Frango inteiro 7,07
Melancia 7,02
Manteiga 6,15
Macarrão 6,12
Cavalinha (peixe) 5,97
Doce de frutas em pasta 5,82
Merluza (peixe) 5,67
Tangerina 5,58
Leite de coco 5,58
Hambúrger 5,4
Farinha vitaminada 5,21
Milho-verde em conserva 5,17
Bolo 4,8
Coco ralado 4,79
Salame 4,74
Feijão - preto 4,72
Massa semipreparada 4,63
Sardinha em conserva 4,51
Biscoito 4,46
Café solúvel 4,41
Salsicha em conserva 4,38
Pão doce 4,29
Pescada 4,28
Atomatado (molho de tomate) 4,23
Quiabo 4,21
Salmão 4,21
Pão francês 3,87
Farinha de arroz 3,81
Salsicha 3,28
Chocolate e achocolatado em pó 3,26
Carne de porco salgada e defumada 3,21
Sal e condimentos 3,15
Margarina 3,11
Amido de milho 3,09
Leite condensado 3,06
Pão de queijo 3,03
Queijo 3,01
Tempero misto 2,91
Azeitona 2,86
Pepino em conserva 2,84
Leite em pó 2,78
Fermento 2,75
Balas 2,7
Palmito em conserva 2,67
Maionese 2,63
Iogurte e bebidas lácteas 2,59
Fubá de milho 2,58
Alho 2,5
Leite longa vida 2,49
Camarão 2,48
Chá 2,27
Carne de porco 2,07
Peito (corte de carne bovina) 2,05
Carne de carneiro 1,99
Mortadela 1,97
Refrigerante e água mineral 1,96
Caldo concentrado 1,83
Uva 1,83
Sopa desidratada 1,8
Laranja - baía 1,7
Sorvete 1,69
Carne em conserva 1,27
Vinagre 1,27
Linguiça 1,26
Outras bebidas alcoólicas 1,23
Suco de frutas 1,17
Banana - d'agua 1,15
Banana - maçã 0,49
Café moído 0,49
Cerveja 0,31
Caranguejo 0,26
Flocos de milho 0,25
Carne-seca e de sol 0,24
Mamão 0,03
Sal -0,03
Contrafilé -0,08
Maçã -0,12
Pá (corte de carne bovina) -0,26
Costela (corte de carne bovina) -0,54
Alcatra (corte de carne bovina) -0,68
Lagarto redondo (corte de carne bovina) -0,8
Chocolate em barra e bombom -0,86
Cavala (peixe) -0,87
Fígado -1,14
Chã de dentro (corte de carne bovina) -1,15
Acém -1,3
Lagarto comum (corte de carne bovina) -1,33
Patinho (corte de carne bovina) -1,48
Castanha -1,57
Creme de leite -1,89
Músculo -2,11
Arroz -2,28
Pera -2,36
Óleo de soja -2,66
Sardinha -2,83
Tucunaré (peixe) -2,97
Açúcar cristal -3,87
Açúcar refinado -4,77
Filé-mignon -4,81
Serra (peixe) -5,57
Limão -8,14
Pimentão -17,57
Abacate -21,31



PEDRO SOARES/DO RIO  

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