"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 09, 2011

NOVO CICLO DE DESENVOLVIMENTO COM A "PRESIDENTA 1,99" : Custo de vida não dá trégua aos brasileiros. Inflação chega a 7,3% e castiga consumidor.

A disparada dos preços não tem dado trégua para o bolso dos brasileiros. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,53% em setembro e acumulou alta de 4,97% desde janeiro.

O resultado deixou para trás a meta central de 4,5% e ampliou as chances de a inflação encerrar 2011 acima do limite estabelecido, de 6,5%. A despeito do sacrifício dos consumidores, o governo jogou a toalha.

O IPCA subiu 7,31% nos últimos 12 meses — maior valor desde maio de 2005 — e, embora o Banco Central mantenha o discurso otimista, esperando uma desaceleração até o fim do ano, o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda já não veem problemas em a carestia ficar acima do teto.

Desde que seja garantido, no mínimo, um crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).


Apesar da piora no cenário da inflação, endossada inclusive pelo próprio BC no último relatório trimestral sobre o tema, a preocupação maior da presidente Dilma Rousseff é garantir empregos e expansão econômica nos próximos anos.

Mesmo que não sejam alcançados números exuberantes, a ordem é crescer sempre. Desta vez, com impulso da política monetária — diferentemente de 2008, quando o lado fiscal ditou o avanço do país.


Segundo analistas, o papel de instigador caberá ao presidente do BC, Alexandre Tombini, que, sob a batuta de Dilma, patrocinará uma redução da taxa básica de juros (Selic) "moderada", segundo ele próprio.

Para o Itaú Unibanco, o país caminha em direção a uma alíquota de um dígito — para 9% — ao fim de 2012. "O governo tem enfatizado o papel central da política monetária na reação à crise, anunciando uma intenção de não recorrer a estímulos adicionais de política fiscal", destacou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

"A inflação, entretanto, seguirá relativamente alta", completou.


Diante da certeza de que a inflação deste ano está praticamente perdida, o mercado colocou o BC contra a parede e, na bolsa de apostas, acredita-se que, nem em 2012, o IPCA ficará no centro da meta de 4,5%. Apenas em 2013 esse objetivo teria chances de ser alcançado.

"As previsões para o indicador em 2012 relutam em cair devido à rigidez da inflação, oriunda, por exemplo, do aumento nos preços de serviços", explicou Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

O salto do IPCA em 2011, segundo Barros, causará grande impacto na carestia do próximo ano.


As pressões sobre o custo de vida vêm de todos os lados. Os serviços têm sido um dos vilões para o orçamento familiar. O cabeleireiro subiu 6,08% no ano, enquanto os serviços bancários avançaram 12,25%.

As passagens aéreas foram responsáveis pelo avanço do grupo transporte, ao dispararem 31,48%.

Itens indispensáveis na mesa do brasileiro também estão em escalada, como o feijão carioca (6,14%) e o arroz (1,97%).
Até a cervejinha ficou 1,34% mais cara.

Victor Martins Vera Batista Ana Carolina Dinardo Correio Braziliense

É "COSA NOSTRA"

Os jogadores de futebol Emerson, o "Sheik", do Corinthians, Diguinho, do Fluminense, e Kleberson, do Atlético Paranaense, e os cantores Latino e Belo estão entre os famosos que tiveram seus carros confiscados ontem durante a operação da Polícia Federal.

O grupo, segundo as investigações, teria se beneficiado do esquema montado pela máfia israelense e os bicheiros do Rio para venderem carros de luxo importados por preços muito abaixo do mercado.


Segundo as investigações federais, jogadores e cantores, além de empresários de várias partes do país, teriam comprado veículos com a quadrilha, obtendo vantagens como descontos de até R$150 mil.

A PF informou que, além do confisco dos veiculos, todos deverão ser processados por crime de contrabando. Segundo um delegado federal, eles terão que provar se agiram de boa-fé. Caso contrário, vão responder por contrabando.


Entre os 35 carros de luxo apreendidos em todo país, havia um Lamborghini Gallardo LP 560, avaliado em R$1,3 milhão, em São Paulo.

- Embora os veículos contrabandeados chegassem pelos portos, não temos elemento que indiquem a participação de servidores aduaneiros no esquema.

Além dos carros, eles contrabandeavam pedras preciosas, que chegavam ao Brasil com o certificado de origem (documento que comprova de onde é a pedra) falsificado - adiantou o procurador Antônio do Passo Cabral, do MP federal.


Em Curitiba, no Paraná, a Polícia Federal apreendeu um Jeep Hummer na casa do jogador Kleberson.

Em nota, o jogador diz que comprou o carro em abril do ano passado, "numa empresa em regular funcionamento e que o valor devido foi integralmente pago, da forma ajustada, e consta da nota fiscal" emitida em seu nome.


- É contrabando adquirir um veículo de maneira fraudulenta na concessionária. Vamos analisar cada caso para identificar as fraudes - afirmou Marcus Vinicius Vidal Pontes, superintendente da Receita Federal no Rio.

PETROBRAS SEM "MARQUETINGUE" : Após 2 vazamentos de gás, Marinha impede produção na plataforma P-35

Depois de dois vazamentos de gás num intervalo de nove dias, que deixaram mais de 22 trabalhadores intoxicados na Plataforma de petróleo P-35, na Bacia de Campos, a Marinha do Brasil impediu que a Petrobras voltasse a produzir na plataforma, depois da inspeção feita na quinta-feira à noite na unidade.

Segundo a Capitania dos Portos do Rio, o certificado técnico da plataforma estava vencido desde 30 de setembro.


Em 26 de setembro, 22 trabalhadores foram intoxicados por um vazamento de dióxido de carbono, que chegou aos alojamentos pelo ar-condicionado.

Na última quarta-feira, o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) relatou novo vazamento, desta vez de gás sulfídrico (H2S), o chamado gás da morte, oriundo de um tanque desativado.


Em nota, a Petrobras disse que a P-35 foi liberada no fim do dia de ontem pela Marinha, após vistoria e a emissão de um novo certificado.

A estatal informou também que "vai aproveitar a ocasião para antecipar manutenção já programada na plataforma", que continuará parada por mais alguns dias.

A unidade produz cerca de 55 mil barris de petróleo e 360 mil metros cúbicos de gás por dia. A tripulação da unidade é de 200 pessoas.


Embora tenha sido liberada pela Marinha, a P-35 passará na terça-feira por uma nova inspeção. Procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e fiscais do Ministério do Trabalho vão avaliar o pedido de interdição da unidade feito pelo Sindicato dos Petroleiros na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Segundo o diretor de Comunicação do Sindipetro-NF, Marcos Breda, trabalhadores da P-35 afirmam que ainda há graves problemas na manutenção do gerador de emergência, que estaria sem funcionar há quase um ano.

De acordo com os relatos dos petroleiros, a Petrobras tem usado um gerador reserva alugado, que não tem acionamento automático como o de emergência.


O vazamento de dióxido de carbono de setembro resultou na emissão de 43 comunicações de acidente de trabalho.

Apesar de 22 trabalhadores terem desembarcado para atendimento médico, apenas oito comunicações registraram necessidade de afastamento.

Mariana Durão O Globo

outubro 07, 2011

MEIA ENTRADA PARA UMA MEIA COPA

Mal foi aprovada pelos deputados, a concessão de meia-entrada para estudantes em eventos culturais e esportivos corre risco de cair por terra, por veto do Planalto.

O governo deixou claro ontem que mais valem os interesses da Fifa do que a vontade expressa pelos representantes do povo no Parlamento. Estamos nos tornando uma espécie de país da meia Copa.


Líderes governistas adiantam que a presidente Dilma Rousseff deverá vetar o benefício aprovado na quarta-feira como parte do Estatuto da Juventude. Antes disso, o governo ainda fará carga para mudar o texto no Senado, por onde a matéria ainda terá de tramitar antes de seguir para sanção presidencial.

O novo estatuto diz que estudantes de 15 a 29 anos terão desconto "de, pelo menos, 50% do valor do preço da entrada em eventos de natureza artístico-cultural, de entretenimento e lazer, em todo o território nacional".

Transforma em lei federal o que antes era tratado apenas no âmbito da legislação de estados e municípios.


Não dá para dizer que o governo foi pego de surpresa. O Estatuto tramita há sete anos no Congresso. Além disso, foi relatado por uma proeminente integrante da base aliada, a deputada Manuela D'Ávila, do PCdoB gaúcho.

Também passou sem enfrentar oposição do ministro dos Esportes, do mesmo PCdoB.


O problema para o Planalto é que o texto do Estatuto colide com os ditames aos quais o governo brasileiro se sujeitou nas negociações com a Fifa com vistas à realização da Copa de 2014 no país.

No início da semana, a presidente reforçou tais compromissos, em encontro com a cúpula da entidade, ocorrido em Bruxelas.


A Fifa alardeia que a concessão da meia-entrada para jovens e idosos - esta já garantida por meio do Estatuto do Idoso, vigente no país há anos - custará US$ 100 milhões, informa a Folha de S.Paulo. Nada mal para quem faturou US$ 4 bilhões na Copa da África do Sul e planeja faturar ainda mais no Brasil até 2014...

Pelo texto atual da lei da Copa, que deve começar a ser discutido no Congresso a partir da próxima semana, a Fifa tem a palavra final para decidir quanto custarão os ingressos. Vale ter presente que, na média, os preços das entradas nos dois últimos Mundiais giraram em torno de salgados US$ 135.

PSDB e PPS já anunciaram que irão brigar para assegurar a meia-entrada aos estudantes nos jogos do torneio. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) vai propor emenda à Lei Geral da Copa para garantir o direito, informa O Estado de S.Paulo.

Vale registrar que a proposta original do Estatuto da Juventude continha aberrações que só foram limadas pela atuação da bancada da oposição, durante a votação ocorrida na quarta-feira.

O texto que chegou ao plenário da Câmara criava um verdadeiro trem da alegria, ao prever a criação de cargos, inclusive com remuneração, para os Conselhos da Juventude nos estados e municípios.
O trecho foi retirado pelo PSDB, como registrou O Globo.


As confusões em torno da concessão da meia-entrada, às quais se soma também a queda de braço em torno da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, ressaltam o grau de improviso com que a preparação para a Copa de 2014 vem sendo conduzida pelo governo brasileiro.

Com apenas a construção de parte dos estádios dentro do cronograma, dificilmente a população brasileira obterá benefícios duradouros com o evento, na forma de obras de melhoria das condições de vida nas cidades-sede.

Nada mais adequado que, para uma meia Copa, se cobre meia-entrada.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Botox na inflação

A inflação continua acelerada e não há sinal, até agora, do arrefecimento previsto pelo governo para os próximos meses.

Com a alta do dólar, os preços ganharam impulso adicional nas últimas semanas e isso já é visível tanto no mercado de matérias-primas como no varejo.

Mas o câmbio é só uma parte do problema, como advertiu o economista Salomão Quadros, da FGV, ao comentar a elevação de 0,75% do Índice Geral de Preços (IGP-DI) em setembro.

Segundo ele, são mais preocupantes outros fatores, como a demanda interna ainda aquecida e o próprio corte dos juros básicos pelo Banco Central (BC).

Esse corte, observou Quadros, gerou dúvidas quanto ao compromisso do governo com a meta de inflação e alimentou a expectativa inflacionária.

Em agosto, o IGP-DI havia subido 0,61%. Mas também os dados sobre a atividade econômica justificam dúvidas sobre as previsões do BC.

Números da indústria fornecidos por diferentes fontes ainda não permitem um diagnóstico seguro das condições de produção e demanda.


Quanto aos preços, tudo indica, por enquanto, a tendência de forte elevação nos próximos meses. Ainda na quinta-feira, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico informou em comunicado os aumentos de preços decididos por grandes fornecedores de matérias-primas.

De acordo com a associação, a Braskem anunciou majoração da ordem de R$ 700 por tonelada. A Dow notificou seus clientes de uma elevação de R$ 600 por tonelada a partir de 3 de outubro.


Em setembro, os preços por atacado subiram 0,94%, segundo a FGV. Esse item é o principal componente do IGP-DI, com peso de 60%. No mercado internacional de matérias-primas houve algum recuo, atribuído aos temores de uma nova recessão.

Analistas, no entanto, evitam apostar numa tendência de baixa, ou de baixa significativa.

A FAO já alertou para o risco de novos aumentos das matérias-primas agrícolas, por causa das condições inseguras de suprimento.
De toda forma, produtos básicos continuam pressionando a inflação brasileira.


O índice de preços ao consumidor da FGV, outro componente do IGP-DI, subiu 0,5% em setembro, 4,69% no ano e 7,13% em 13 meses. Em agosto havia aumentado 0,4%.

Outros indicadores de preços apontam na mesma direção. O índice de preços ao consumidor pesquisado em São Paulo pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos subiu 0,69% em setembro, 0,30 ponto mais que no mês anterior.

O Índice de Custo de Vida da Classe Média apurado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo aumentou 0,37% em agosto e 6,47% em 12 meses.


O IBGE estimou uma redução mensal de 0,2% da produção industrial em agosto. A Confederação Nacional da Indústria, no entanto, apontou uma alta real de 8,4% no faturamento, expansão de 3,5% nas horas de trabalho e de 0,4% no emprego.

O nível de uso da capacidade instalada subiu de 82% para 82,2%, descontados os fatores sazonais.

A associação das montadoras informou uma queda de 19,7% na produção de veículos em setembro, mas esse dado, segundo um dirigente da entidade, é em grande parte explicável pela sazonalidade e por greves. A média diária de vendas (14.840 unidades) foi 4,2% maior que a de agosto.


O quadro da produção, portanto, está longe de ser claro, apesar de algum efeito da contenção do crédito. Mas, de modo geral, a demanda continua forte, alimenta a inflação e é em parte suprida por importações.

Em Brasília já se admite, extraoficialmente, a adoção de medidas extraordinárias para impedir o estouro do limite superior da meta (6,5%) no fim do ano. Poderá, adiantou uma fonte, haver uma redução temporária de impostos.

Mas isso seria um remendo, uma forma de disfarçar e não de eliminar as pressões inflacionárias.

Essa informação parece confirmar o pior dos temores:
o governo renunciou a enfrentar para valer a inflação e já admite aplicar botox nos preços, para fazer crescer o PIB em ano de eleição - a qualquer custo, literalmente.

O Estado de São Paulo

A mãe de todas as faxinas


A OAB ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal para proibir as doações de pessoas jurídicas para as campanhas eleitorais.

O ministro Dias Toffoli escreveu recentemente um artigo contra a participação de empresas nas eleições.

Como empresas não fazem filantropia eleitoral, mas investimentos que esperam dividendos, esta seria a mãe de todas as faxinas no processo eleitoral e a sua real democratização.


Enquanto isso, no escurinho das comissões, sob o pretexto de moralizar as eleições e diminuir a influencia do poder econômico, um grupo de deputados de vários partidos paria uma proposta indecorosa.

Além do que já recebem em valioso tempo de rádio e televisão, que negociam entre eles como mercadoria eleitoral, e dos fundos partidários milionários que usam sem qualquer controle, eles ainda querem o "financiamento público" das campanhas, dizem, para evitar o inevitável caixa dois.

E pior:
assim como o tempo de TV, a bolada sairá do nosso bolso para ser distribuída proporcionalmente ao tamanho das bancadas que vão votar o projeto no Congresso, institucionalizando a permanência no poder dos que lá estão.

Mas o relator, deputado Henrique Fontana (espero que seus eleitores saibam disso) ainda manteve as doações de pessoas físicas e jurídicas. Só faltou pedir um beijinho.


A proposta obscena consegue piorar o já péssimo sistema atual e ofende a inteligência de um jumento. Quem seria tão burro para engolir isto?

Mas não duvido que venha a ser aprovada, porque a maioria dos congressistas perdeu qualquer pudor em explorar o contribuinte e o Estado.

Alguém acredita que não haveria o mensalão se na época houvesse financiamento publico das campanhas?
Nem o Zé Dirceu.


Na democracia representativa é cada cidadão um voto.

Os melhores e os piores, os bons e os maus, os poderosos e os oprimidos, todos são iguais diante da urna. Como os eleitores são cidadãos que escolhem os seus representantes, são as suas doações individuais, com limites controlados, que devem financiar as campanhas.

Assim, o voto do dono da empresa e do seu mais humilde trabalhador vale o mesmo. Democracia é isso aí, bebê

Nelson Motta O Globo

outubro 06, 2011

Indicador que ajusta dívidas dos Estados com a União acumula altas de 4,30% no ano e de 7,45% em 12 meses

A inflação medida pelo IGP-DI tornou-se mais intensa e foi de 0,75% em setembro, após avançar 0,61% em agosto, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A taxa veio dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções (de 0,57% a 0,83%), mas acima da mediana das expectativas (0,65%).


Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, a taxa acumulada do IGP-DI ainda é usada como indexadora das dívidas dos Estados com a União. Com o resultado divulgado hoje, o indicador acumula altas de 4,30% no ano e de 7,45% em 12 meses.

No caso dos três indicadores que compõem o IGP-DI, o IPA-DI subiu 0,94% em setembro, após avançar 0,77% em agosto. O IPC-DI teve avanço de 0,50% no mês passado contra taxa positiva de 0,40% em agosto.

Já o INCC-DI mostrou alta de 0,14% em comparação com o aumento de 0,13% em agosto.


Os preços agropecuários no setor atacadista voltaram a subir. A inflação dos produtos agrícolas no atacado foi de 1,85% em setembro, em comparação com o avanço de 1,64% em agosto, segundo a FGV.

Ainda segundo a fundação, o setor industrial atacadista também mostrou inflação mais forte: a taxa de variação de preços no setor passou de 0,46% para 0,62% de agosto para setembro.


Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais tiveram queda de 0,05% em setembro contra alta de 1,14% em agosto.

Por sua vez, os preços dos bens intermediários subiram 0,65% no mês passado em comparação com o recuo de 0,30% em agosto. Já os preços das matérias-primas brutas tiveram alta de 2,44% em setembro, frente a aumento de 1,73% em agosto.


Atacado

A inflação atacadista medida pelo IPA-DI acumula altas de 3,84% no ano, e de 7,52% em 12 meses até setembro, segundo a FGV. O IPA-DI representa 60% do total do IGP-DI.

De acordo com a FGV, os preços dos produtos agropecuários no atacado acumulam aumentos de 3,73% no ano, e de 14,22% em 12 meses.
Já os preços dos produtos industriais registraram taxas positivas de 3,88% no ano e de 5,30% em 12 meses.


Entre os produtos pesquisados no atacado pela fundação, as altas mais expressivas no atacado foram apuradas em soja em grão (5,49%);
minério de ferro (3,66%);
e café em grão (9,57%).

Já as mais significativas quedas de preço foram apuradas em algodão em caroço (-5,03%);
açúcar cristal (-5,75%);
e ovos (-5,12%).


Varejo

No varejo, a inflação medida pelo IPC-DI acumula altas de 4,69% no ano e de 7,13% em 12 meses até setembro, segundo a FGV. O IPC-DI representa 30% do total do indicador.

A aceleração na taxa do IPC-DI, de agosto para setembro (de 0,40% para 0,50%) foi influenciada por aumento mais intenso nos preços de Habitação (de 0,38% para 0,65%).

Nesta classe de despesa, houve fim de queda de preços e taxas de inflação mais intensas em itens de peso no cálculo da inflação varejista, como tarifa de eletricidade residencial (de -0,25% para 0,74%),
taxa de água e esgoto residencial (de 0,80% para 2,12%)
e gás de botijão(de 0,11% para 1,26%).


Entre as sete pesquisadas, mais cinco classes de despesa mostraram aceleração de preços ou fim de deflação, de agosto para setembro.

É o caso de Vestuário (de -0,33% para 0,93%),
Despesas Diversas (de -0,04% para 0,29%),
Transportes (de 0,11% para 0,14%),
Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,46% para 0,51%)
e Educação, Leitura e Recreação (de 0,19% para 0,20%).


Construção

Na construção civil, a inflação apurada pelo INCC-DI acumula altas de 6,37% no ano e de 7,68% em 12 meses até setembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, a instituição anunciou o IGP-DI do mês passado - sendo que o indicador da construção civil representa 10% do total do IGP-DI.

A leve aceleração na taxa do INCC-DI de agosto para setembro (de 0,13% para 0,14%) foi influenciada por taxa de inflação mais forte em materiais, equipamentos e serviços (de 0,22% para 0,28%).

Entre os produtos pesquisados para cálculo da inflação da construção civil, as altas de preço mais expressivas foram registradas em projetos (0,75%); tijolo/telha cerâmica (0,74%); e refeição pronta no local de trabalho (1,18%).

Já as mais expressivas quedas de preço foram apuradas em condutores elétricos (-1,51%); placas cerâmicas para revestimento (-0,38%); argamassa (-0,04%).


O período de coleta de preços para o IGP-DI de setembro foi do dia 1º a 30 do mês passado.

Alessandra Saraiva, da Agência Estado

"PRESIDENTA" DE NADA E COISA NENHUMA PASSEANDO, E AQUI... Indústria: 9 locais registram queda acima da média nacional

O IBGE divulgou há pouco que a produção industrial recuou em agosto em dez dos 14 locais pesquisados.



Como já havíamos publicado esta semana aqui no blog, o indicador, que representa a média nacional, desacelerou em agosto em relação a julho, ao registrar redução de 0,2%, depois de ter avançado 0,3%.


Como mostra o gráfico abaixo, nove estados tiveram queda na produção industrial acima da média nacional, com destaque para Goiás (-6,6%) e Espírito Santo (-6,4%), onde os recuos foram mais acentuados.

Mas outros locais, como Amazonas (-4,5%),

Pernambuco (-3%),

Bahia (-1,9%),
Rio Grande do Sul
(-1,5%),

Pará
(-1,2%),

Minas Gerais (-1,1%)

e região Nordeste (-0,9%) também estão nessa lista.

- São Paulo, parque industrial mais diversificado do país e de maior peso na estrutura da indústria, apontou variação negativa de 0,1% - diz a nota do IBGE.

Paraná (7%),

Rio de Janeiro (4,3%),
Santa Catarina
(1,9%)

e Ceará (1,5%) foram as localidades que registraram aumento na produção industrial entre julho e agosto.


Valéria Maniero/O Globo

outubro 05, 2011

DÁ-LHE "PRESIDENTA GERENTONA 1,99/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA/FAXINEIRA : INDÚSTRIA RUMO AO FUNDO DO POÇO E EM CACOS


A indústria brasileira continua sua trajetória em direção ao fundo do poço. O fraco desempenho do setor deve prejudicar um pouco mais o crescimento do PIB neste ano. É o custo dos juros altos e do câmbio desfavorável, aliados à ausência de reformas estruturais no país.

A produção industrial teve queda de 0,2% em agosto em comparação com o mês anterior. Foi a terceira vez no ano que isso aconteceu, repetindo abril e junho. Ao longo de 2011, o setor vem andando de lado: a um mês de alta segue-se outro de queda.

O país produz hoje em níveis abaixo dos de maio de 2010. Ou seja, nestes 15 meses desde então a indústria brasileira atrofiou, com consequências negativas para a geração de renda e emprego no país.

Em agosto, 11 das 27 atividades pesquisadas pelo IBGE apontaram redução na produção em relação ao mês anterior. O principal impacto negativo sobre a média geral veio do setor de alimentos, que recuou 4,6% em razão, principalmente, de dificuldades na exportação de produtos.

No acumulado em 12 meses, a indústria brasileira apresenta crescimento de 2,3%. Para se ter ideia de quão pouco isso representa, basta ver que há um ano, em outubro de 2010, o mesmo indicador estava em 11,8%. Significa que, a cada mês que passa, o parque industrial nacional fica mais fraquinho.

Outra forma de perceber a vertiginosa perda de vigor da indústria brasileira é observar o seu comportamento por quadrimestres. Entre janeiro e abril de 2010, o crescimento havia sido de 18% em relação a igual período do ano anterior. De maio a agosto últimos, o percentual caiu a 1,2%, na mesma base de comparação.

Analistas são unânimes em dizer que o setor que responde por quase um terço da economia brasileira definha, principalmente, por causa de dois fatores: os juros altos e o câmbio desfavorável.

Mesmo com a recente valorização da moeda americana, que favorece nossas exportações, o ainda pujante mercado interno brasileiro continua sendo abastecido preferencialmente por produtos vindos de outros países. Quanto aos juros, mesmo com o corte efetuado em agosto pelo Banco Central, a taxa real em vigor no Brasil mantém-se como a mais alta do mundo.

Ao coquetel mortal junta-se também a elevada carga tributária e a falta de infraestrutura adequada, como aponta Tony Volpon, analista da Nomura Securities, na Folha de S.Paulo:
"A falta de competitividade vai além da questão cambial. (Mas) Infelizmente, enquanto a alta do dólar devolve à
indústria alguma competitividade, os efeitos da crise diminuem a demanda, e os preços das nossas exportações caem."

Um dado positivo da pesquisa mensal do IBGE é que o setor de bens de capital tem apresentado os resultados mais favoráveis entre os que compõem o parque industrial nacional.

Em agosto, cresceu 0,9% em relação a julho, e 8,6% na comparação com igual período do ano passado. São mais máquinas e equipamentos para ampliar a produção de toda a indústria local.


Mas, mesmo neste quesito, a trajetória é descendente, como observa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), segundo O Estado de S.Paulo.

"Há forte desaceleração da produção de bens de capital desde dezembro de 2010.
A produção de bens de capital fechou 2010 com crescimento de 20,9%, e hoje o crescimento está em 6,8% no acumulado em 12 meses. Está desacelerando muito rápido".

Até agora, a única atitude do governo diante da debacle da indústria brasileira tem sido buscar dar-lhe mais proteção, por meio da imposição de barreiras tarifárias a produtos importados.

Seria mais benéfico se reformas estruturais fossem levadas adiante, recuperando para o parque industrial nacional a competitividade que a política econômica em vigor lhe subtraiu.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

TÁ NERVOSO?BOLSA PESCA : História de pescador de R$1,3 bi

Um benefício que este ano consumirá R$1,3 bilhão do Orçamento da União está sendo pago sem qualquer controle pelo governo federal.

O seguro-defeso ou Bolsa Pesca - no valor de um salário mínimo, pago por quatro meses a pescadores artesanais na época da reprodução de peixes e outras espécies, quando a pesca é proibida - é alvo de dezenas de inquéritos do Ministério Público Federal nos estados devido a denúncias dos mais diversos tipos de fraudes.

Há estados em que o benefício virou moeda de barganha para compra de votos em eleições.

Em artigo publicado ontem no GLOBO, o fundador da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, expôs o aumento do número de benefícios concedidos pela Bolsa Pesca:
em 2003, eram 113.783 favorecidos;
em 2011, esse número foi para 553.172
- o que fez aumentar o gasto do governo com o benefício, que foi de R$81,5 milhões em 2003 para R$1,3 bilhão, mais que o dobro do orçamento do Ministério da Pesca (R$553,3 milhões).

O Bolsa Pesca é pago pelo Ministério do Trabalho.

O principal problema apontado por profissionais da área e por procuradores que investigam as irregularidades é o controle falho do governo federal. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, hoje o governo nem sabe quantos pescadores artesanais existem no país:

- Começaram um cadastramento no 1º mandato do governo Lula que foi muito malfeito e nem foi concluído. Havia gente que apresentava carteira até com a foto trocada. A fraude está na concessão do RGP (Registro Geral da Pesca, concedido pelas superintendências do Ministério da Pesca nos estados, e necessário para a obtenção do seguro-defeso).

Em alguns estados, como Bahia, Paraíba e Pará, soubemos que usaram o seguro-defeso para pessoas se elegerem - diz. - Muita gente coloca a culpa nas colônias de pescadores, dizendo que elas não controlam a inscrição.

Mas há três anos o pescador não precisa mais apresentar declaração de que é de alguma colônia.

Cruz se refere a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, julgando uma ação direta de inconstitucionalidade movida por pescadores, derrubou a exigência de filiação do pescador a sindicato ou a outra entidade para se registrar.

Outra lacuna apontada no controle da concessão do benefício é o fato de que a lei 10.779 de 2003 reduziu de três anos para um ano o tempo mínimo que o pescador precisa ter para ter direito ao seguro.

- Outro problema é a falta de transparência. Esses dados não aparecem nos sites do governo federal - diz Gil Castello Branco, citando outras medidas que o governo poderia adotar. - O mínimo seria fazer um recadastramento dos beneficiados. Em 2008, a CGU (Controladoria Geral da União) já dizia que esses dados não eram confiáveis.

- Não tive conhecimento de aumento no número de pescadores. Esse aumento de beneficiários é falta de critérios de controle mesmo - destaca Flavio Leme, secretário-executivo do Conselho Nacional da Pesca.

Deputado teve mandato cassado

Com as falhas no controle, as irregularidades nos estados não param. No Rio Grande do Sul, o MPF investiga mais de 200 pessoas em Rio Grande e São José do Norte. Inquérito apura irregularidades também no Amazonas.

Em Santa Catarina, donos de restaurante e mercearias e até proprietários de casas de veraneio estavam sendo beneficiados e foram alvo de uma ação penal por estelionato proposta pelo procurador Darlan Airton Dias em Criciúma, em 2006.

Em Tubarão (SC), o procurador Michael Gonçalves contou que abre uma nova linha de investigação para chegar às fraudes:
- Várias são as pessoas que, empregadas por anos, passam de uma hora para outra a "exercer atividade de pesca". Começamos a pedir à Justiça do Trabalho esses tipos de caso.

Outro caso ocorreu no Pará, onde o deputado estadual Paulo Sérgio Souza, o Chico da Pesca, foi cassado em agosto pelo TRE-PA por abuso de poder político e econômico (em setembro, o tribunal concedeu uma liminar permitindo que o deputado continue no cargo até o julgamento do recurso). Segundo o Ministério Público Eleitoral, Chico da Pesca - que já foi superintentende da Secretaria Federal da Pesca no Pará - incluiu centenas de pessoas irregularmente no RGP em troca de votos.

Segundo o MPF no Pará, entre 2008 e 2010 o número de beneficiários do seguro-defeso no estado cresceu 1.400%. A pedido do MPF, a Polícia Federal investiga, há mais de cinco anos, a chamada "Máfia do Seguro-Defeso" na cidade de São João do Araguaia, no sudeste do Pará.

Já em Nova Ipixuna, também no Pará, em julho deste ano o MPF encaminhou à Justiça denúncia criminal contra o vereador Zacarias Rodrigues da Silva. Junto com a mulher e um pescador, ele é acusado de organizar um esquema que desviava recursos do seguro-defeso.

Além deles, seis pessoas foram denunciadas por estelionato. Em troca do cadastramento o vereador solicitaria a transferência de título eleitoral, com o objetivo de angariar votos. O caso foi encaminhando ao MPE, para apuração de crime eleitoral.

O Ministério da Pesca atribui o aumento no número de beneficiários à regularização da situação dos pescadores feita nos últimos anos. "O Ministério da Pesca e Aquicultura tem buscado combater as fraudes na emissão do RGP através de investigação e cruzamento de dados. Só no ano de 2011, até o mês de junho, foram cancelados 87.160 registros.

Desde janeiro deste ano e até dezembro estão suspensas as emissões de novos registros", informou por email. O ministério diz que não fez recadastramento de pescadores, mas que "constantemente acompanha e revê o Registro Geral da Pesca, através do cruzamento de dados com outros cadastros do governo federal.

O MPA estuda a realização de um recadastramento geral dos pescadores em todo o país e o aprimoramento do sistema de registro".

Alessandra Duarte O Globo