"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 17, 2011

PELA ESTRADA DE OURO FINO...


Só a força do fisiologismo explica a manutenção de Wagner Rossi no cargo de ministro da Agricultura. Sua pasta é terreno fértil onde brota uma vastíssima safra de irregularidades.

Lá ele montou uma autêntica nova "república de Ribeirão Preto", com poder de rivalizar com as barbaridades daquela que seu conterrâneo Antonio Palocci instalou em Brasília anos atrás.

O ministério que "só tem bandido", que movimenta gordos envelopes de propina, que franqueia sala especial para lobista redigir contratos de licitação pública, agora também voa nas asas de jatinhos de empresas amigas, como revelou o Correio Braziliense em sua edição de ontem - e todos os principais jornais do país reproduzem hoje.

Rossi admitiu que "em raras ocasiões" usou o Embraer Phenon 100 da empresa Ourofino para se deslocar. Se foram poucas ou muitas vezes, não importa. O que importa é que o ministro feriu o Código de Ética da Alta Administração Federal e deve, portanto, estar sujeito a penalidades severas.

Ele já tem, na realidade, ficha corrida mais que suficiente para estar fora do governo.

Diz o texto do Código, em seu artigo 7º: "A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade".

Dúvida sobre a probidade das relações entre o ministro e a Ourofino é o que mais há. Em outubro do ano passado, a empresa obteve do Ministério da Agricultura, já sob o comando de Rossi, licença para fabricar vacina contra a febre aftosa.

Também no ano passado, foi inserida pela pasta na campanha nacional de imunização contra a doença.

Com as bênçãos de Rossi - que chegou ao requinte de ir pessoalmente aos sócios da empresa anunciar a concessão da licença para fabricar a vacina antiaftosa - a Ourofino ingressou num seleto nicho disputado por pouquíssimas firmas.

Foi uma das pioneiras no bilionário mercado nacional, antes dominado por multinacionais.

Os amigos ribeirão-pretanos de Rossi vêm se saindo muito bem: nos últimos tempos, o faturamento da Ourofino explodiu. Só em maio deste ano, a divisão de saúde animal da empresa registrou aumento de 81% em seu faturamento, saltando de R$ 16,4 milhões para R$ 29,7 milhões, mostra O Estado de S.Paulo.

Desde 2004, o capital de duas de suas subsidiárias cresceu exponencialmente. O da Ourofino Tecnologia e Genética Animal passou de R$ 100 mil para R$ 44 milhões atualmente. No mesmo período, o da Ourofino Participações e Empreendimentos subiu de R$ 32 milhões para R$ 150 milhões, informa hoje o Correio Braziliense.

"Integrantes do governo e empresários do setor afirmaram que a empresa é beneficiada pelo ministério por meio de processos mais ágeis para obter licenças de seus produtos.

Relatos dão conta de que servidores do Ministério da Agricultura fazem pressões nesse sentido junto ao Comitê Técnico de Assessoramento de Agrotóxicos, que conta com representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária", revela o Estadão.

Tanto descalabro não parece ser suficiente para que Rossi seja varrido na "faxina" prometida pela presidente da República.

Aliás, até agora sua pasta continua imune ao esfregão:
apenas o secretário-executivo foi trocado e, na Conab, só o atual procurador-geral da companhia foi afastado do cargo.

Dilma Rousseff não quer bulir com o partido de Rossi, apadrinhado do vice-presidente Michel Temer, e "fará o máximo de esforço para evitar repetir com o PMDB a experiência traumática que vive com o PR", informa o Estadão. Segundo o jornal, o ministro será mantido no cargo, mas seus amigos, não.

É difícil crer que um ministério seja moralizado se seu comando é mantido nas mãos de alguém atolado até o último fio de cabelo em denúncias de irregularidades.

Se o exemplo de cima é o pior possível, como agirão os subordinados?
Enquanto lá permanecer, Rossi continuará a abrir porteiras para boiadas passarem, lá pelas bandas de Ourofino...

Fonte: ITV

DÍVIDA DA PETROBRAS COM BANCOS PÚBLICOS É DE R$ 51 bi.

Quando perguntei ao presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em entrevista na semana passada, como seria financiado o projeto de investimento da empresa, ele disse que conseguiria parte dos recursos com venda de produtos e o restante por meio do lançamento de papéis no exterior.

Hoje, reconhece, em entrevista ao Globo, que pode ter dificuldades na captação de recursos e vê riscos para a capitalização de até US$ 91 bi por causa da crise. Então, de onde viria o dinheiro? Há espaço para mais financiamento via bancos públicos?


Citando números do balanço da empresa divulgado ontem, o economista Mansueto Almeida, do Ipea, diz que a dívida da Petrobras com Banco do Brasil, Caixa e BNDES está em R$ 51 bilhões, já descontando as aplicações.

Ele não tem dúvida de que se a empresa não conseguir emprestar no exterior, recorrerá mais uma vez ao BNDES, mas acha que esse não é o melhor caminho:


- Não tenho dúvida de que a retórica da crise pode ser usada para novos empréstimos. Se a Petrobras não conseguir lá fora, o BNDES vai emprestar. Há folga para aumentar a exposição aos bancos públicos, mas isso não é bom - diz.

O economista afirma que, teoricamente, não existe empresa com mais capacidade para levantar dinheiro em qualquer lugar do mundo:

- A Petrobras tem condições de conseguir parceiros privados, mas tem acesso a bancos públicos em condições melhores. Para a empresa, é mais cômodo pegar com o BNDES, mas para o Brasil, seria melhor se pegasse empréstimo com bancos privados. Uma instituição que trabalha com habitação, como a Caixa, não deveria colocar R$ 5,7 bilhões, é equivocado - diz.

Segundo o economista, nas décadas de 80 e 90, a Petrobras se vangloriava de não precisar de apoio do BNDES; hoje, é uma empresa que tem vínculo grande com o banco.

Em 2006, de acordo com Mansueto, a companhia era grande aplicadora dos bancos públicos; em 2011, no entanto, tem dívida elevada:

- O passivo (empréstimos) da Petrobras junto aos bancos públicos passou de menos R$ 2,56 bilhões (os depósitos eram maiores que sua dívida junto a bancos públicos), em 2006, para R$ 50 bilhões em 2010, e agora, para R$ 51 bi.

Isso aconteceu sem precisar.
É mais competitivo captar no mercado privado, mas está exposta aos bancos públicos.

Se uma empresa com as qualidades da Petrobras ainda precisa de um apoio tão forte do setor público para o seu crescimento, o que podemos dizer dos milhares de empresários pequenos e médios do Brasil? - pergunta.


O economista lembra que recentemente o Tesouro deu empréstimo de R$ 55 bi ao BNDES e se aumentarem ainda mais os empréstimos para a Petrobras, esses aportes do Tesouro também podem crescer.

Mirian Leitão/O Globo

A OMISSÃO DA "ELITE PARTIDÁRIA" NO COMBATE À CORRUPÇÃO.

Passados 45 dias do afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes, a elite partidária do país pouco ou quase nada disse que efetivamente demonstrasse preocupação com a onda de denúncias da prática de corrupção no quinhão que lhes coube no rateio do governo.

Muito se discute o papel da Polícia Federal, que transforma cada prisão num espetáculo midiático, como se não houvesse uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) disciplinando o assunto.

Mas são desconhecidas as manifestações dos líderes e dirigentes partidários sobre as causas que levam o Brasil a ser classificado como um dos países mais corruptos do mundo e sobre a necessidade de se desenvolver mecanismos apropriados para conter a sangria do dinheiro público.


A omissão da elite política dirigente ofende o eleitor, tenha ou não votado no partido envolvido no escândalo do dia. Chega a ser inacreditável que os dissidentes de partidos situacionistas se vejam na obrigação de sair em defesa do governo que desencadeou a ofensiva moralizante.

Ofende os contribuintes, obrigados a trafegar por estradas intransitáveis ou a esperar horas sem fim na fila da emergência de hospitais sucateados por falta de investimentos. Ofende a autoestima em recuperação dos brasileiros, após o controle da superinflação, em meados dos 90.

Numa paráfrase do líder negro americano Martin Luther King, assassinado no fim dos agitados anos 60, o que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter e dos sem-ética - o que mais preocupa é o silêncio dos bons.

Esses parecem reduzidos a uma dezena de senadores que se pronunciaram na tarde de segunda-feira, ainda assim, alguns aproveitando a onda para surfar sobre as direções partidárias que os isolaram e outros tendo em vista um bom pretexto para a adesão ao governo, pura e simplesmente.


A reação dos líderes é a de quem considera normal a ocorrência de corrupção; anormal seria a forma como a roubalheira é exposta. Apesar de as denúncias surgidas até agora serem vagas, não se viu um dirigente questionar o mérito das acusações.

Mas todos correram para responsabilizar a mídia por divulgar e escandalizar o que é um escândalo, ou para dizer que as denúncias (nem se fala mais em supostos desvios de verbas) não atingiam suas respectivas siglas partidárias.

A reação dos dirigentes e líderes dos dois principais partidos da base aliada - PT e PMDB - é sintomática. "Não vi escândalo nenhum. Vi uma manipulação.

Estamos nos solidarizando ao Mário Moysés, porque o que houve foi uma manipulação de órgãos da mídia", disse o presidente do PT, Rui Falcão (SP), sobre a "Operação Voucher", responsável pelas prisões suprapartidárias que a PF fez na cúpula do Ministério do Turismo.


Em vez de discutir a prática de corrupção, o presidente do PT tratou de isentar o companheiro de legenda e de governo no período em que Marta Suplicy foi prefeita da cidade de São Paulo.

Outras autoridades do governo alegaram abusos da imprensa nas recorrentes denúncias de corrupção dos ministérios. Na mesma linha de Rui Falcão, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que as acusações ao ministro do Turismo, Pedro Novais Lima (PMDB-MA), eram somente "armações da imprensa".

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), usou a experiência adquirida em meio século de política para dizer que não era responsável pela indicação de Pedro Novais Lima (o ministro do Turismo).

"Essa é uma afirmação que não foi bem apurada pela imprensa", disse. Sarney não teve a mesma preocupação quando os jornais colocaram o ministro em sua cota pessoal no ministério. A nomeação era, então, um sinal de prestígio político.


Cita-se dois líderes políticos, dos partidos mais importantes, mas há manifestações parecidas de políticos em todas as siglas partidárias.

Há pelo menos 10 anos o Brasil aparece em posição vergonhosa no índice de percepção da corrupção elaborado pela organização Transparência Internacional.

A nota oscila sempre em torno dos 3,5, numa escala que vai de zero a dez. Como diria Rui Barbosa, o homem chega a desanimar da virtude, "a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

Valor Econômico

Abertura de vagas com carteira caiu 40% no mês .

A geração de empregos formais no Brasil voltou a desacelerar em julho.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostram que foram criados 140.563 postos no mês, o que representa um recuo de quase 40% em relação a junho, quando o total de vagas chegou a 234 mil.

Um dos responsáveis por esse quadro, segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi a concorrência desleal imposta por produtos importados, que tem afetado o emprego principalmente na indústria de transformação.


A criação de vagas também caiu (22,5%) em relação a julho do ano passado, quando surgiram 182 mil empregos formais. No acumulado do ano, o total de empregos criados no Brasil já chega a 1,593 milhão, o que equivale a uma queda de 14,1% em relação ao mesmo período de 2010: 1,856 milhão.

- Ao sentir a concorrência externa, a indústria diminuiu sua capacidade contratação - disse o ministro.

Os dados do Caged mostram que a indústria de transformação criou 289.174 empregos com carteira assinada entre janeiro e julho de 2011.

O total representa uma queda de 38% em relação aos 466.490 postos abertos no mesmo período no ano passado.

Este ano o setor de serviços permanece como a principal força de geração de empregos com carteira, com a contratação líquida de 622.611 pessoas, praticamente o mesmo patamar de 2010 (628.469).


Lupi garantiu ainda que o Brasil deve gerar 3 milhões de empregos este ano.
Para isso, o governo conta com a admissão de pessoas aprovadas em concursos públicos que não puderam ser contratadas em 2010 por causa do período eleitoral.


Para o professor de economia da Unicamp Cláudio Dedecca, a desaceleração do mercado de trabalho é natural, considerando que a economia vai crescer menos em 2011 e também que a crise mundial acaba tendo reflexos sobre o desempenho do país. Para ele, é pouco provável que o país consiga gerar 3 milhões de empregos este ano:

- Se em 2010, quando a economia cresceu mais de 7%, o total de empregos chegou a 2,5 milhões. Imagine se uma meta de 3 milhões vai ser atingida com um crescimento em torno de 4%. Vamos ter que suar a camisa para conseguir 2 milhões.

Martha Beck O Globo

UM BRASIL NO POÇO SEM FUNDO.


Chegam a ser admiráveis, se não fossem trágicos, a coragem e o cinismo dos corruptos brasileiros. Eles sabem que estão sendo vigiados, mas saqueiam os cofres públicos.

Eles sabem que existem atualmente instrumentos e técnicas de rastreamento e de vigilância eletrônica dos mais sofisticados, mas partem para cima das licitações,
das verbas de urgência,
das rubricas gordas e fartas do erário,
deixam crianças sem merenda escolar,
deixam pontes sem estradas e estradas sem pontes,
deixam o agricultor sem plantar,
deixam a seca matar,
as enchentes destruírem cidades e povoados inteiros, de ponta a ponta do país.


Mas eles estão sempre lá de prontidão, não para ajudar, mas prontos para atacar. Mal enterram seus mortos, as mesmas comunidades agredidas pelas intempéries e pela gana de políticos e empresários desonestos veem as chances de reconstrução de suas vidas sumirem na poeira das promessas.

Mas eles estão sempre lá, atentos, como hienas que rondam um cadáver no deserto.

Seja no Ministério dos Transportes, seja na Agricultura ou no Turismo, a corrupção é a mesma, as quadrilhas apenas se revezam no tempo, mas os ladrões são os mesmos, somente trocam de nomes.


Eles vestem a mesma indumentária de picaretas profissionais, possuem o mesmo rosto, calçam o mesmo número de sapatos, mudam apenas de partido, de cidade, de pasta. Eles estão sempre lá, infelizmente.

Eles falam a mesma língua da ironia e do desprezo para com as populações que buscam melhoria de vida e acreditam em suas palavras em época de eleições.


Mas eles são sempre os mesmos, embora troquem de partido, a dança da corrupção não tem cor partidária e os corruptos não perdoam. Seja em Niterói, em Friburgo, em Teresópolis, no Nordeste, na Região Amazônica.

Se for possível fazer uma comparação, é de se pensar que as guerras matam menos do que a corrupção.

Os bandidos de colarinho branco usam outros tipos de armas, mas matam do mesmo jeito. Que o digam os parentes dos mortos nas enchentes,
nas secas,
nas cidades,
nas margens de um mundo paralelo que só funciona à base do cinismo.

Carlos Tavares Correio Braziliense

A ÉTICA NÃO É ELÁSTICA! Ou se é, ou se não é. Mais ou menos ético não existe.

Duas perguntas ecoam na Esplanada dos Ministérios.
A primeira é até onde vai a resistência de Wagner Rossi para se manter no principal cargo da pasta da Agricultura.
A segunda é se a ética é elástica.


A primeira resposta depende do entendimento da presidente Dilma Rousseff, que já se mostrou disposta a fazer faxina nos ministérios envolvidos ou acusados de algum tipo de irregularidade.

A segunda questão é fácil de responder.
A ética não é elástica, por mais que o ministro Rossi justifique que usou o jatinho de uma empresa do ramo de agropecuária "em raras ocasiões".


O artigo 7º do Código de Ética da Alta Administração Federal deixa claro que "a autoridade pública não poderá receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade".
Mais claro impossível.


Assim, tanto faz se Rossi utilizou um pouquinho ou um montão o jatinho da Ourofino. Ele, pelo que diz a lei, simplesmente não poderia ter utilizado. Que procure um outro argumento.

Correio

agosto 16, 2011

General Luiz Gonzaga Shroeder Lessa : "Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, vamos ter que aturar o embaixador Amorim",

Um artigo do general reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa (foto), ex-presidente do Clube Militar, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha "psicótica necessidade de se fantasiar de militar" e "já vai tarde".
O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa e circula desde o fim de semana em blogs de militares. Escrito como desabafo dirigido a Jobim, sugere que parte da classe se sentiu vingada com sua demissão.

CARTA AO SR. JOBIM.
Fonte: Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, 12 de agosto de 2011.

Como era natural, o senhor se foi, sem traumas, sem solavancos, substituído quase que por telefone, não durando mais do que cinco minutos o seu despacho de despedida com a presidente, que, de forma providencial, já tinha até o seu substituto definido.

Surpreso? Nem tanto.

Substituição aceita com a maior naturalidade, pois ela é parte da rotina militar.O senhor talvez esperasse adesões e simpatias que não ocorreram, primeiro, pela disciplina castrense e, depois, pelo desgaste acumulado ao longo dos seus trágicos 4 anos de investidura no cargo de ministro da defesa.

E como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram, por dever de ofício, a desventura de servir no seu ministério (veja que omiti a palavra comando, porque o senhor nunca os comandou).

O desabafo à revista Piauí, gota d’água para a sua saída, retrata com fidelidade e até mesmo estupefação o seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores no trato dos assuntos funcionais, o desconhecimento dos preceitos da ética e do comportamento militar, a psicótica necessidade de se fantasiar de militar, envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas, como se um oficial-general se fizesse unicamente pelos uniformes, galões e insígnias que usa, esquecendo que a sua verdadeira autoridade emana dos longos anos de serviços prestados à Nação e da consideração e do respeito que nutre pelos seus camaradas.

O senhor, de fato, nunca a entendeu e nunca foi compreendido e aceito pela tropa, por faltar-lhe um agregador essencial – a alma de Soldado.Sua trajetória no Ministério da Defesa foi a mais retumbante desmistificação daquilo que prometeu realizar.

Infelizmente, as Forças Armadas ficaram piores, ainda mais enfraquecidas. Suas promessas de reaparelhamento e modernização não se realizaram. Continuam despreparadas para cumprir as suas missões e, na realidade, são forças desarmadas, só empregadas no cumprimento de missões policiais, muito aquém das suas responsabilidades constitucionais.

A Marinha poderá até apresentar um saldo positivo no seu programa de submarinos, mas a força de superfície está acabada, necessitando de urgente renovação, que não veio. A Aeronáutica prossegue sonhando com os modernos caças com que lhe acenaram, programa que desafia a paciência e aguarda por mais de 10 anos.

O Exército parece ser o que se encontra em pior situação no tocante ao seu equipamento e armamento, na quase totalidade com mais de 50 anos de uso. Nem mesmo o seu armamento básico, o fuzil, teve substituto à altura. Evolução tecnológica, praticamente, nenhuma.

O crônico problema salarial que, por anos, atormenta e inferioriza os militares que são tratados quase como párias, não teve uma programação que pretendesse amenizá-lo. A Comissão da Verdade, em face da sua dúbia atitude, é obra inconclusa, que tende a se agravar como perigoso fator desagregador da unidade nacional.

O que fez o senhor ao longo desses quatro últimos anos para reverter essa situação, Sr Jobim. Nada!
Só palavrório, discursos vazios, promessas que não se cumpriram, enganações e mais enganações.
Mas sempre teve a paciência, a lealdade e a fidelidade dos Comandantes de Força.

A Estratégia Nacional de Defesa é o maior embuste que tenta vender. Megalômana, sem prazos e recursos financeiros delimitados por específicos programas governamentais, é um documento político para ser usado ou descartado ao sabor das circunstâncias, como atualmente ocorre, quando é vítima dos severos cortes orçamentários impostos às Forças Armadas, que inviabilizam os seus sonhos de modernização.

Mal sobram recursos necessários para a sua vida vegetativa.

O caos aéreo que prometeu reverter com a modernização da infra-estrutura aeroportuária só fez crescer e ameaça ficar fora de controle.Você (como gosta de chamar os seus oficiais-generais) foi um embuste, Jobim.

Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde.
Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias, das suas pretensões de efetivamente comandar as Forças Armadas, mesmo que para isso tivesse que usurpar os limites constitucionais.

Você parte amargando a compreensão de que nada mais foi do que um funcionário “ad nutum”, como todos os demais, demitido por extrapolar os limites das suas atribuições.

A contragosto, é forçado a admitir que o verdadeiro comandante das Forças Armadas é a Presidente Dilma que, sem cerimônia, não tem delegado essa honrosa missão exercendo-a, por direito e de fato, na plenitude da sua competência.

Você acusou o golpe.
Não teve, nem sequer, a disposição de transmitir o cargo que exerceu.
Faceta da sua personalidade que a história saberá julgar.

Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, vamos ter que aturar o embaixador Amorim, que por longos 8 anos deslustrou o Itamaraty e comprometeu a nossa tradicional e competente diplomacia.

Sem afinidade com as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais prementes, com notória orientação esquerdista, só o tempo dirá se a sua indicação valeu a pena.

No fundo, creio mesmo que só ao Senhor dos Exércitos caberá cuidar das nossas Forças Armadas.


VETOS RUDIMENTARES : É A HORA DOS "CARAS ENRUGADAS".

O governo federal perdeu uma boa oportunidade de aperfeiçoar a execução dos gastos da União.

Foram divulgados ontem os vetos da presidente da República à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que estabelece as regras para elaboração do Orçamento de 2012. Nunca se cortou tanto, e de forma tão rudimentar.


Foram feitos 32 vetos à LDO aprovada em julho pelos congressistas.
Nenhum dos compromissos assumidos pelo governo com os parlamentares, seja da base aliada, seja da oposição, foi honrado.

Na prática, o governo simplesmente ignorou as alterações e recompôs a versão inicial do texto, tratorando o Parlamento.


"O governo não cumpriu nada do que acertou comigo. Na verdade, acertou não só comigo como também com os líderes dos partidos do governo e da oposição", comentou o relator da LDO, deputado Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG).

Fica fácil entender porque a relação do governo Dilma Rousseff com os congressistas é tão azeda...


Com os cortes, caiu por terra a possibilidade de ganho real, em 2012, para aposentados e pensionistas que recebem mais de um salário mínimo.

O texto aprovado no Congresso estabelecia que um reajuste maior seria negociado, ainda que não o garantisse.
Mesmo assim, foi tesourado; os benefícios serão recompostos apenas pela inflação.


Já se sabe que os aposentados não aceitarão a decisão de Dilma e prometem iniciar a pressão já a partir de 1º de setembro.

"Na era Collor, os caras pintadas iam para rua. Na era Dilma, será a vez dos caras enrugadas",
avisou Warley Martins, presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap).

Os aposentados acabam pagando o pato pela sobrecarga imposta aos gastos orçamentários em função dos aumentos salariais concedidos ao funcionalismo ao longo dos anos Lula - que chegaram a 31,4%.

O pagamento a servidores atingiu R$ 87 bilhões no primeiro semestre, ou R$ 8,8 milhões a mais que em igual período de 2010, num crescimento muito superior à inflação do período.


Este ano, os aumentos de remuneração dos servidores decorrentes das reestruturações feitas desde 2008 elevarão as despesas da União com o pagamento de pessoal em R$ 6,9 bilhões.

A escalada continuará em 2012, com uma conta superior a R$ 800 milhões a ser paga, conforme calculou o Valor Econômico
(AQUI) em sua edição de ontem.

Numa forma de tentar contribuir para uma melhor gestão das contas públicas, a oposição havia apresentado emendas à LDO que visavam dar maior equilíbrio fiscal ao governo federal. Mas nada passou pelas mãos de tesoura da equipe de Dilma.

Entre as propostas aprovadas em julho, estavam a que estipulava meta de 0,87% do PIB para o déficit fiscal em 2012;
a que limitava o crescimento das despesas de custeio à evolução dos gastos com investimentos;
a que obrigava o governo a submeter a emissão de papéis da dívida pública ao Congresso;
a que previa reserva financeira para compensar estados exportadores por perdas decorrentes da Lei Kandir;
e a que determinava que gastos decorrentes de emendas parlamentares individuais não seriam atingidas pelo contingenciamento orçamentário.

Tudo foi vetado.


A verdade é que o governo tem enormes dificuldades para bem gastar o dinheiro que retira do contribuinte. Especialista em contas públicas, o economista Fabio Giambiagi analisou a execução do Orçamento da União no primeiro semestre deste ano e concluiu que o "ajuste" nas contas executado por Dilma é feito "nos moldes do FMI", ou seja:
mais impostos, menos investimentos e muito gasto de custeio.


"O fato, quando se olha para os números, é que no primeiro semestre as despesas de investimento caíram 5% em termos reais, e as despesas correntes aumentaram 5%, também em termos reais, usando o IPCA como deflator. Não houve corte algum do gasto agregado, que aumentou 4% reais.

Estamos diante de um ajuste convencional: mais carga tributária na veia - a receita aumentou 13% reais! - e redução do investimento", escreve Giambiagi em O Globo.


No primeiro governo Lula, a então ministra-chefe da Casa Civil bombardeou uma proposta urdida pelo então ministro Antonio Palocci que visava levar o resultado fiscal do governo central a um déficit nominal zero no decorrer de dez anos. Classificou-a de "rudimentar" e interditou o debate.

Dilma Rousseff mudou de posto, mas mantém a mesma ojeriza a qualquer aperfeiçoamento na execução do Orçamento.


Fonte: ITV

DIARISTA! É FAXINA OU FACHADA?

Dilma, apelidada de “a diarista” pela faxina ética no governo, não percebeu o lixo no Turismo porque não quis.

Na Agricultura e nos Transportes, a presidente pegou firme na vassoura.
Mesmo quem não votou nela apoiou. Enfim, alguém começava a espanar os sujismundos em Brasília.

Mas, no Turismo apadrinhado por Sarney, a diarista foi surpreendida pela limpeza promovida por 200 homens da Polícia Federal.


Só o PMDB apostava um centavo na lisura de um ministério comandado por Pedro Novais, conterrâneo do presidente vitalício do Senado, José Sarney.

Para refrescar a memória,Novais, antes de assumir o Turismo, foi reembolsado pela Câmara por uma festa com 15 casais no Motel Caribe, de São Luís.

Octogenário como seu mestre, casado, Novais culpou os assessores pelo “erro”. Assumiu um ministério que planejava investir R$ 257 milhões e treinar 230 mil pessoas para receber turistas na Copa do Mundo em 2014.


Isso não significa que o maranhense esteja implicado no novo escândalo – embora tenha pensado em pedir demissão. Os convênios fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá e no Paraná foram assinados em 2009, quando o PT e a turma da senadora Marta Suplicy estavam no comando.

Pense bem:
turismo milionário no Amapá?
O Estado que em 2006 elegeu Sarney senador recebeu, no ano passado, 459 turistas estrangeiros.
A maior atração é a pororoca.


Agora, a pororoca foi transferida para Brasília. Denúncias em cascata dão um ar de novela. “Insensata Corrupção” é acompanhada diariamente pelo povo.
Gravações mostram empresários se tratando de “bicho” e “animal”, no capítulo dedicado ao Amapá.

O ministro da Agricultura demitido por Dilma diz:“
Eu não sou lixo”.
Esperamos que não seja reciclável.


O roteiro da novela é confuso porque surgem mais figurantes, siglas e partidos políticos.O dinheiro desviado costuma ser estratosférico, uma grana que 99% dos brasileiros jamais verão na vida.

Computadores são confiscados, sigilos são quebrados, mas os maiores amigos do poder são poupados. As maldades dos vilões chocam até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):
“As acusações geram perplexidade, insegurança e indignação”.

Os bispos alertam:
“Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar sobretudo os pobres”.
Nem ateus discordariam.


Dilma ficou chocada não com a corrupção no Turismo – mas com as algemas usadas pela PF

Dilma e seu vice-presidente,Michel Temer, também estão “chocados”. Mas não com as ONGs de fachada, as notas fiscais falsas e a conivência de servidores num ministério que deveria servir de exemplo em véspera de Olimpíada e Copa.

Estão indignados com as algemas usadas pelos policiais federais.
“Pegou mal”, disse Temer.
“Uma cinte”,disse Dilma.
“Uma operação atabalhoada”, afirmou o Planalto.

O presidente da Federação dos Policiais Federais,Marcos Wink, defendeu algemas para todos:
“Devem ser usadas no secretário do ministério, assim como no Joãozinho da Silva lá na favela”.


No centro da pororoca, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazia cara de paisagem. Garantiu desconhecer a operação que prendeu 36 pessoas no Turismo por desvio de verba.

Nossa presidente não gostou.
Pretende manter o controle de sua faxina seletiva e não deixar degringolar os próximos capítulos.
A roteirista é ela.


Cara Dilma, começou, tem de ir até o fim.
Não dá para limpar só os quartos e a cozinha.
Procure os cantos das salas de estar e jantar.

Retire dos armários os cabides de empregos, onde estão pendurados afilhados políticos e parentes de caciques do PMDB e do PT.
Filhos,
ex-mulheres,
sobrinhos.
Contratados sem concurso.

Assuste os fantasmas, porque a opinião pública vai apoiar.
Mesmo que a senhora não concorde que Ideli é
“fraquinha”, desautorize- a a falar bobagens.
É risível ouvir de sua comadre que a operação da PF foi “armação da imprensa”.


Não se deixe intimidar pela tal “base” rebelada.
A democracia não será aperfeiçoada se seu governo liberar R$ 1 bilhão em emendas para esse bando concordar em votar o que interessa à nação.

Há algo mais ridículo do que congressistas de braços cruzados, ameaçando uma “greve branca” contra a faxina?
Com amigos assim, uma diarista não precisa de inimigos.

Ruth de Aquino Época

"OBJETIVO COMUM"! TUDO EM NOME DA "COALIZÃO" : Pacote prevê liberação imediata de R$ 1 bi para emendas. DESPUDORADAMENTE.


A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, deve apresentar, em um almoço hoje com a base aliada, um pacote de medidas com o objetivo de tranquilizar os congressistas e conseguir dar prosseguimento às votações de interesse da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o pacote consiste na liberação imediata de cerca de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares tanto para os reeleitos quanto para os novatos, além de um cronograma fixo de pagamento dos restos a pagar dos anos anteriores e também dos empenhos (promessa de pagamento) referentes ao orçamento deste ano.

De imediato, será oferecida a liberação de R$ 1 milhão a cada novato e R$ 2 milhões aos reeleitos, o que alcançaria os cerca de R$ 1 bilhão.

Outros R$ 3 bilhões seriam empenhados até dezembro, sendo R$ 1 bilhão para a oposição e R$ 2 bilhões para governistas.

No total, foram apresentados R$ 7,4 bilhões em emendas individuais ao orçamento deste ano, mas o cálculo utilizado pelo governo é de que deve ser considerada metade disso, uma vez que houve renovação do Legislativo e praticamente metade da Câmara foi substituída.

Com o pacote, o Palácio espera que o Congresso aprove até dezembro a proposta de emenda constitucional que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU), prioridade de Dilma neste semestre. A proposta dá ao governo maior liberalidade para mexer no orçamento, na medida em que desvincula 20% da receita tributária da União.

No entanto, se o empenho de R$ 1 bilhão era tido ontem como certo, o cronograma dos próximos pagamentos ainda era dúvida e estava sendo negociado.

Integrantes do PT e do PMDB se reuniram no Palácio com Ideli, Dilma e o vice-presidente Michel Temer à noite, para tentar fechar um acordo. O cronograma, porém, era defendido pelos dois partidos.

"Precisamos montar um rito de pagamento para construção de um diálogo permanente que quebre arestas e o mal estar que é próprio do processo político", afirmou o vice-líder do governo e vice-presidente do PT, José Guimarães (CE).

"Não queremos R$ 1 bilhão agora para daqui a um mês ter de pressionar de novo, gerar um novo estresse e um novo desgaste. O que queremos é um cronograma que atenda a média histórica de pagamentos que é de 60% a 70% das emendas.

É algo simples de se organizar", afirmou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

De acordo com ele, é a "falta de clareza, franqueza e respeito" que podem criar dificuldades no Congresso, não a simples falta de liberação de emendas.

"Ninguém vai radicalizar em relação a isso. Se há uma dificuldade momentânea no pagamento, nós compreendemos. O que não pode é fazer como se fosse uma concessão do governo, quando é apenas o cumprimento de uma lei".

Ele se disse otimista quanto à possibilidade de a Câmara retomar as votações e de não repetir a obstrução que impediu que qualquer projeto fosse apreciado na semana passada.

Caio Junqueira Valor Econômico