"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

fevereiro 14, 2011

AINDA SOBRE A "TESOURA" DE R$ 50 BILHÕES.


A conta pela expansão acelerada dos gastos públicos chegou e o governo anuncia um enxugamento recorde.
A dúvida é se o corte será realmente cumprido

Durante a campanha eleitoral, a então candidata Dilma Rousseff negava a necessidade de ajustes. Na semana passada, o óbvio aconteceu.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciaram um plano para cortar R$ 50 bilhões nos gastos previstos no Orçamento da União para este ano. Anúncios de corte de despesas sempre ocorrem nesta época do ano.
Mas esse é recorde. A conta chegou.

Ao rever as despesas, o governo reduziu a estimativa de receita, de R$ 819 bilhões para R$ 801 bilhões.
Também jogou para baixo o crescimento da economia esperado para 2011 (de 5,5% para 5%).
Ainda deixou em aberto a possibilidade de que esse crescimento seja ainda menor.

Embora pareça enorme, o corte anunciado de R$ 50 bilhões é relativamente pequeno perto do montante de despesas obrigatórias da União. Previdência, pessoal e outros itens intocáveis beiram R$ 545 bilhões, 74% das despesas previstas no Orçamento.

No ano passado, esses gastos obrigatórios subiram R$ 100 bilhões em relação a 2009, o que gerou muita crítica. Agora, as autoridades reconheceram o problema.
Pelo menos no discurso. Mantega disse que o corte vem para ficar, mesmo que a receita aumente:
“Nossa intenção é manter esse patamar até o fim do ano. O quadro será mais drástico”, afirmou.

No mercado, a notícia do corte dos R$ 50 bilhões gerou dúvidas.
Muitos duvidam que seja possível atingir uma economia desse tamanho apenas com limitações ao BNDES, suspensão de contratações, corte de viagens e outras medidas menores. Informações mais detalhadas sobre o pacote de redução de despesas devem ser anunciadas nesta semana.

De fato, é difícil acreditar que o governo consiga atingir a meta anunciada de corte de R$ 50 bilhões. A história recente mostra que nenhum contingenciamento de despesas prometido no início do ano foi integralmente cumprido após 12 meses.

No ano passado, a diferença entre a economia prometida e a cumprida foi a maior já vista. O corte anunciado de R$ 21,8 bilhões caiu, no fim do ano, para R$ 6,4 bilhões.
Esse resultado foi obtido graças a um artifício envolvendo a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal.
A União cedeu o direito exploratório de suas reservas à Petrobras, antecipando uma receita.
Com isso, conseguiu transformar barris de petróleo ainda enterrados no fundo do mar em receita presente.

Ainda que o corte de R$ 50 bilhões não seja integralmente cumprido, o anúncio recorde mostra que o governo acordou para o tamanho do desajuste das contas públicas – que ele vinha negando.
É um fato alvissareiro.

Isabel Clemente/Época

DIFÍCIL INFLAÇÃO EM 12 MESES BAIXAR DE 6%.

A inflação em 12 meses continuará rondando a casa dos 6%; dependendo do mês, um pouco mais acima ou mais abaixo desse patamar, até atingir o teto da meta em julho. No mês seguinte, ela ultrapassaria os 6,5%, ao ficar em 6,75%.
Essas são as previsões do economista Elson Teles, da Máxima Asset.

Como a demanda ainda está muito aquecida, ele acha que os serviços continuarão pressionando o IPCA, além dos alimentos.
A alta também é explicada em parte pela base de comparação baixa, já que entre junho e agosto do ano passado, depois de subir muito no começo do ano, a inflação mensal ficou próxima de zero.
Segundo o último dado divulgado, o IPCA acumulado está em 5,91%.

- Ao longo do ano, vai ser duro baixar de 6% a inflação em 12 meses.
A retirada dos estímulos, o aperto monetário e o ajuste fiscal, em tese, devem fazer efeito sobre a atividade.
Mas com o mercado de trabalho aquecido e um ambiente de demanda ainda crescendo acima da oferta, mesmo com as medidas para contê-la, será difícil.
Além da pressão interna, há a externa também, por conta do aumento dos preços das commodities agrícolas.
Para 2011, não tem jeito, é rezar para que a inflação não ultrapasse o teto da meta no fechamento do ano - diz o economista.

Teles acha que nos quatro últimos meses do ano, a inflação em 12 meses poderá cair um pouco para perto de 5,7%, se os alimentos pressionarem menos.
Mas para isso acontecer, é preciso combinar com as commodities, que não param de subir por vários fatores.

- Não tem nada ajudando, como câmbio, queda das matérias-primas, e a atividade continua aquecida. O máximo a fazer é conter a demanda para evitar que a inflação fuja do controle - afirma Teles.

Segundo o boletim Focus, divulgado hoje pelo BC, o mercado espera que o IPCA feche 2011 em 5,75%, bem acima do centro da meta (4,5%).

Valeria Maniero/Globo

RAPOSA E O GALINHEIRO.

Eleito primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB-TO) gastou mais de R$ 5,8 mil em verba indenizatória com despesas de hospedagem em Brasília e cidades do Distrito Federal.
O valor representa quase a metade do total gasto pelo parlamentar com diárias de hotel no ano passado (R$ 12 mil).

No entanto, Gomes — que terá entre as novas atribuições supervisionar atos administrativos da Casa e ratificar compras e contratos — já recebe auxílio-moradia.

Servidor licenciado do governo de Tocantins, Gomes mora em uma casa alugada com o dinheiro da Câmara, segundo informações do gabinete.

A prática contraria regras para despesas com a cota parlamentar. De acordo com o Ato 43/2009, da Mesa Diretora, o dinheiro para hospedagem só pode ser usado pelos deputados federais fora de Brasília. Os parlamentares já contam com auxílio-moradia ou têm à disposição apartamentos funcionais. .

A assessoria do deputado nega irregularidades e afirma que a verba foi usada para pagamento de diárias de assessores. Porém, o gabinete não informou quais funcionários. Pela norma, gastos com hospedagem só podem ser realizados por servidores efetivos, ocupantes de cargos de natureza especial ou secretários parlamentares da Câmara dos Deputados, desde que custeados mediante reembolso ao deputado.

De acordo com funcionários do gabinete, o parlamentar costuma arcar com despesas de servidores do estado e aliados que estão de passagem pela capital federal.

Segundo os registros da Câmara, os gastos foram feitos ao longo do ano passado em vários hotéis da capital.
Gomes apresentou notas do Hotel Esplanada Brasília, por exemplo, nos meses de fevereiro, março e abril, num total de R$ 2,3 mil.
Também foram pagas diárias no St. Paul e no Manhattan.

Escritório político
Gomes apresentou ainda despesas no Lord’s Hotel (R$ 150), no Núcleo Bandeirantes, e em Sobradinho, no Hotel Alvimar (R$ 125).
O Lord’s é um hotel simples, com diária de R$ 80 para o casal, e usado por viajantes e representantes comerciais. O perfil é semelhante ao do Alvimar, distante 24 quilômetros de Brasília, e com diárias que variam de R$ 83 a R$ 144.

O deputado ainda gastou R$ 3,8 mil em hotéis de Tocantins.
Em outubro, o parlamentar pediu reembolso de R$ 2,6 mil em diárias em Palmas. Segundo o gabinete, sua casa no estado foi transformada em escritório político.

A cota única reúne gastos para o exercício da atividade parlamentar incluindo transporte, passagens aéreas, consultoria, serviços de telefonia, manutenção de escritórios, assinatura de publicações, alimentação, postagens, entre outros.
Os valores variam de acordo com o estado do deputado.

Alana Rizzo Correio Braziliense

JUSTA DESCONFIANÇA .

Não sei se repararam, mas convém registrar:
o famoso tripé de política econômica está em pleno funcionamento neste início do governo Dilma.

O governo federal anuncia uma contenção de gastos para fazer um superávit primário (e assim reduzir a dívida pública líquida) e para ajudar no combate à inflação, cumprindo assim o espírito e a letra da Lei de Responsabilidade Fiscal e seus complementos.

O Banco Central, agindo com autonomia, está em um processo de alta da taxa básica de juros, para trazer a inflação de volta ao centro da meta.

O Banco Central e o Tesouro compram dólares no mercado, a moeda excedente num sistema de flutuação da taxa de câmbio.

A primeira perna do tripé é de 1998.
As outras duas, regime de metas de inflação e câmbio flutuante, são de 1999.
Toda a construção, portanto, deu-se no governo de Fernando Henrique Cardoso, sob a liderança de Pedro Malan, ministro da Fazenda naqueles oito anos.

Foi mantida e reforçada no primeiro governo Lula, meio avacalhada no final do segundo mandato e, agora, parece, está sendo reforçada nos seus fundamentos.

Por exemplo:
o governo de Dilma Rousseff está comprometido com uma meta de superávit primária "cheia", sem descontos e sem artifícios contábeis.
Ou seja, sem as manobras dos últimos dois anos, comandadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Banco Central também vacilou no final do ano passado. Em pleno processo eleitoral, interrompeu um ciclo de alta de juros, em setembro, alterando abruptamente sua interpretação da realidade econômica. Depois de seguidas análises apontando a força da inflação, o Banco Central de Henrique Meirelles mudou, sem prévio aviso, para uma visão mais benigna - a alta de preços seria episódica, passageira - de modo que a dose de juros poderia ser suspensa. Surpreendeu o mercado e deixou no ar a suspeita de que a mudança se dera por razões políticas.

De todo modo, prevaleceu então a tese de Guido Mantega nos dois pontos.
O Banco Central não precisaria mais elevar juros - nem o governo precisaria conter seus gastos, pois, tal o argumento central, não haveria excesso de demanda (consumo) na economia brasileira.

Com juros parados, o governo acelerou seus gastos, roubou na contabilidade para adequar as contas aos requisitos da responsabilidade fiscal e... Lula fez a sucessora.

Começa o governo Dilma, e o que temos?
O Banco Central, fazendo séria advertência sobre a virulência da alta de preços - demanda muito aquecida! -, começa a elevar juros e diz que um ajuste fiscal é peça essencial para colocar a inflação na meta.
Passo seguinte:
Guido Mantega e a ministra Miriam Belchior, da Pasta do Planejamento, anunciam um corte de gastos públicos "com dor".

No caso do Banco Central, a gente já está vendo para crer.
O Comitê de Política Monetária, o Copom, elevou os juros na primeira reunião da era Dilma e, mais que isso, escreveu que outras altas se seguirão.

No caso do corte de gastos, anunciado na quarta passada, logo depois de um índice horroroso de inflação - o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, em 12 meses, chegou a 6%, só um pouquinho abaixo do teto de tolerância (6,5%) -, o pessoal desconfiou.

Espera para ver duas coisas.
Primeira:
onde serão os cortes, pois os ministros deram apenas o número total (menos R$ 50 bilhões) e indicações vagas de que reduzirão alguns itens, como despesas de viagem.
É pouco.

Reparem:
o mercado entende que há limites para o corte, aceita que o gasto total de 2011 seja maior que o do ano passado (a redução se dará sobre a previsão de despesas aprovada pelo Congresso) e afirma que essa política já será de boa ajuda, caso os gastos cresçam menos que o Produto Interno Bruto (PIB).

E daí vem a segunda desconfiança:
será que o governo vai mesmo cumprir o corte prometido?

Muitos poderão dizer:
é má vontade com o novo governo.
Não é.
A desconfiança faz sentido.
Esse ajuste fiscal está sendo feito por autoridades (Mantega e Belchior) que já declararam, no passado, não acreditar nesse tipo de política.
E Mantega, nos últimos dois anos, atropelou, na prática, essa proposta.

A credibilidade do Banco Central também está abalada.
Menos, mas está.
Tanto que os cenários do mercado têm sido mais pessimistas do que o da autoridade monetária. O Banco Central eleva juros, o governo federal promete austeridade, mas o mercado tem elevado a previsão de inflação e de juros.

Confiança é difícil de conquistar e fácil de perder.
Ou, como se lê em Guimarães Rosa, "confiança - o senhor sabe - não vem das coisa feitas ou perfeitas: ela rodeia, é o quente das pessoas".

E quando há desconfiança na capacidade ou na disposição do governo de aplicar uma política econômica restritiva, esta tem de ser ainda mais restritiva.
Ou seja, juros maiores, cortes maiores e sem vacilações.
Por exemplo, a presidente Dilma não pode ceder nem que seja um real no salário mínimo.

A ver.

Carlos Alberto Sardenberg O Estado de S. Paulo

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : INFLAÇÃO BATE GANHO DE MAIS POBRES COM MÍNIMO.


Além do impacto nas contas públicas, a discussão sobre o reajuste do valor do salário mínimo tem um novo ingrediente:
a escalada da inflação, que tem pesado bem mais no bolso da camada mais pobre do Brasil.
Pior:
a inflação está mais alta também nas regiões mais pobres, do Norte e o Nordeste.

O economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), reconhece que um reajuste menor, num contexto de inflação em alta, pode gerar uma perda de renda para o trabalhador.
Mas é preciso considerar, alerta, que a política defendida pelo governo garantirá(?) no ano que vem um reajuste bem acima da inflação.

Na semana passada, o Banco Central apresentou em Salvador (BA) dados mostrando que, no último trimestre de 2010, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial de inflação, ficou acima da média nacional no Norte e Nordeste, as áreas mais pobres do País e onde o governo garantiu a eleição de Dilma Rousseff.

Segundo o BC, nessas duas regiões a inflação subiu 2,78% e 2,49% de outubro a dezembro, contra a média nacional de 2,23%.
Esse movimento decorre da alta nos preços dos alimentos, que nessas regiões tem peso maior na cesta de consumo em comparação com o resto do País.

Outro dado que evidencia a perda maior do poder de compra pelos mais pobres é o aumento da cesta básica, que subiu 15,8% de janeiro a janeiro.

Dessa forma, a reposição apenas pela inflação cheia representa perda real de renda para parte significativa da população.
Apesar disso, Dilma demonstra firme disposição de gastar parte de sua popularidade para aprovar só o valor de R$ 545, parte da estratégia de repor as contas públicas em ordem.

Uma fonte da área econômica argumenta que essa perda de renda real de quem ganha um salário mínimo ocorre no curto prazo, já que no médio prazo a atual política garante que essa parcela se aproprie do crescimento da renda nacional.
A fonte lembra que em 2012 o mínimo terá aumento real de 8%.

Para o economista, o aquecimento do mercado de trabalho é outro fator que precisa fazer parte da discussão.
"Numa conjuntura como a atual, com o mercado de trabalho aquecido, o impacto do salário mínimo é menor. O trabalhador tem melhores condições de arrumar um emprego."

Escalada

2,23%
É o IPCA nacional medido no último trimestre de 2010

2,49%
É o IPCA da região Nordeste, também no último trimestre

2,78%
É o índice da região Norte medido no mesmo período

Fabio Graner, Renato Andrade O Estado de S. Paulo

fevereiro 13, 2011

EXÉRCITO E OBRAS DO PAC . CONSTRUTORAS :COM A "PERDA", ELAS RECLAMAM DE CONCORRÊNCIA "DESLEAL".

RIO e GOIANA (PE) -
Há uma parte expressiva das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que corre sob rígida disciplina e hierarquia, inclusive com ordem unida e até farda:
as construções feitas pelo Exército Brasileiro.

E seu volume não é nada desprezível. Graças a convênios com o governo federal, os militares receberam R$ 1,2 bilhão nos últimos três anos para executar duplicações de estradas, construção de aeroportos, preparar novos gasodutos e iniciar a transposição do Rio São Francisco.

E estes contratos não param.
No momento, nove mil homens trabalham em obras que vão gerar mais R$ 410 milhões à caserna em 2011.

A atuação do Exército - que, segundo especialistas, ficou responsável por obras que poderiam ser licitadas - sofre críticas dos empresários da construção civil. Além de atacar a concorrência desleal, eles afirmam que a participação expressiva dos militares inibe o investimento e impede a geração de empregos.
(SIC)

Desde 2008, a atuação do Exército como empreiteira cresceu muito, nas esteira do PAC, com receitas anuais na faixa de 400 milhões.
Este volume é o equivalente ao faturamento de empresas tradicionais do setor de construção, como a Serveng-Civilsan e a Tenda, como se fosse a 15 maior construtora do país.
No auge das obras, 12 mil soldados atuaram na construção civil para o governo.

Antes do governo Lula, o valor era muito menor: em 2002, o Exército recebeu R$ 35 milhões para fazer construções para outros órgãos governamentais. Entre as principais obras realizadas por trabalhadores fardados estão diversos lotes de duplicação da BR-101 no Nordeste, a pavimentação das BR-163 (Pará) e BR-319 (Amazonas), a construção do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN) e de diversos trechos de canais e barragens necessárias para a transposição do Rio São Francisco.

Exército não concorre com empresas, diz general

Além da conclusão destas obras, estão previstas para 2011 a revitalização do Rio São Francisco e o início da terraplenagem do terceiro terminal de passageiros do Aeroporto de Guarulhos (SP).

Os militares também fizeram obras para estatais - como as clareiras na selva para a construção do gasoduto Coari-Manaus, e para outros níveis de governo, como a atual construção do Caminho da Neve, estrada que Santa Catarina quer abrir para unir Gramado (RS) a São Joaquim (SC), favorecendo o turismo de inverno.


O general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), afirma que a atuação dos militares só ocorre quando é bom para o país e para a instituição:
- A gente não pleiteia obras.
Elas são oferecidas e aceitamos quando elas são importantes para o desenvolvimento do país e para nosso treinamento.
Esse é o nosso grande objetivo com elas.
Os militares da infantaria, por exemplo, podem simular combates, nós da engenharia não podemos simular construções.


Temos que estar adestrados para quando o país precisar de nós - afirmou o general, que, até maio do ano passado, atuava na linha de frente das obras que o Exército executa no Nordeste.

Algumas das obras assumidas pelos militares, segundo o general, eram consideradas prioritárias e tinham problemas para serem tocadas pela iniciativa privada.
Ele lembra, por exemplo, que havia uma briga no consórcio vencedor da licitação para a duplicação da BR-101 e que as empresas fugiam do início das obras da transposição do São Francisco porque o canteiro ficaria no polígono da maconha.

O general conta que foi feito um trabalho social na violenta área e que dois hospitais chegaram ser montados na região, para atendimento à população.

Para o general Fraxe, as obras ajudam a formar um contingente de 2.000 a 2.500 rapazes que passam pelo serviço militar obrigatório e que voltam para a sociedade com um ofício, quando são utilizados pela Engenharia dos militares. Ele diz que também são geradas novas tecnologias:
- No fim do ano passado fizemos um boletim técnico que cedemos à Associação Brasileira de Pavimentação sobre novas técnicas na construção de pistas de concreto, que ficaram com qualidade das alemãs.

Ele diz que o assédio aos cerca de 600 engenheiros do Exército prova que a qualidade do trabalho é reconhecida pelo mercado.
Entretanto, ele diz que não há uma debandada generalizada.
Ele minimiza o medo das construtoras com a concorrência dos empreiteiros fardados:

- O Exército não é um construtor.
Quem pensa que vamos concorrer com as empresas está equivocado.
Só atuamos para treinar nosso pessoal - disse o general, que afirma que contrata empresas privadas para a construção de pontes e viadutos.


Mas as empresas privadas enxergam a atuação dos militares de forma diferente:

- O setor da construção civil não vê com bons olhos a atuação do Exército em obras como duplicação de estradas e construção de aeroportos.
Não há necessidade de os militares assumirem obras desse tipo - disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, que lembra que os militares ficaram com 9% das obras do DNIT em 2009.

O Globo

fevereiro 11, 2011

FALTA DE APTIDÃO :QUEM NUNCA GERENCIOU NADA E COISA NENHUMA, NÃO FALA, NÃO CRIA, SÓ COPIA.


Mudança de planos

Nos primeiros meses no comando do país, Dilma Rousseff anunciou medidas que foram tratadas na campanha eleitoral como ameaças em um provável governo tucano.

Veja alguns exemplos:

Suspensão de novos concursos públicos
Cancelamento das convocações de candidatos aprovados em concursos
Privatização de aeroportos
Arrocho do salário mínimo e reajustes sem aumento real
Freio nos investimentos e redução de gastos
Corte no orçamento proposto pela equipe do governo Lula


As decisões anunciadas pela equipe de Dilma Rousseff mais parecem uma lista de consolidação das ameaças divulgadas durante a campanha eleitoral como primeiras medidas de um possível governo de José Serra (PSDB).

Ao longo dos meses que antecederam a disputa, petistas e simpatizantes da candidatura que representou o continuísmo anunciavam que a gestão tucana estaria disposta a mudar o rumo do governo Lula, cortando a proposta de Orçamento apresentada no fim do ano passado e encolhendo a máquina de investimentos e contratações.

Pouco mais de quatro meses separam o calor dessas discussões dos anúncios desta semana.
Uma realidade que tem sido seguida de notícias que seriam uma crônica anunciada se não fosse o fato de o script ser protagonizado pelo governo do PT:
integrado justamente por quem acusava a oposição de planejar tais medidas.

Durante a campanha, o candidato José Serra teve de modificar um dos programas eleitorais gratuitos para negar as notícias que circulavam na internet anunciando que ele estava disposto a suspender a convocação de concursados aprovados e de frear a realização de novas seleções públicas.

“Tivemos de mudar tudo para que o Serra aparecesse na televisão dizendo que foi o governador que mais contratou concursados. Foi uma resposta a uma rede de boatos que surgiam a todo tempo. Acreditamos que essa ameaça feita por nosso opositores interferiram no desempenho ruim do nosso candidato principalmente em Brasília”, avalia Juthay Júnior (PSDB-BA), um dos coordenadores da campanha tucana à Presidência.

Mas essa não é a única demonstração de afinidade entre o que os governistas diziam que José Serra faria e o que Dilma Rousseff tem decidido nesses primeiros meses de governo.
Além do arrocho de gastos que vai resultar na suspensão de concursos e no corte das emendas parlamentares, a prática petista se distancia do discurso eleitoral quando o assunto é a privatização de aeroportos, alternativas ao Bolsa Família e até reajustes do salário mínimo.

Críticas

Pelo menos em três dos programas eleitorais gratuitos do PT, o tempo disponível foi usado para criticar privatizações e acusar os governos do PSDB de recorrerem à prática frequentemente. Na internet, o tema sempre constava dos manifestos contrários ao candidato tucano.

Agora, no mundo real, o governo de Dilma Rousseff começa a perceber que, sem privatizar, será impossível concluir as obras de estruturação dos aeroportos a tempo da realização das Olimpíadas no Brasil.

Outra fonte de votos dados à Dilma Rousseff — que agora tem tratamento diferente do que o anunciado durante a campanha eleitoral — é o programa Bolsa Família.

No decorrer da disputa presidencial, o PT falava apenas em ampliação dos beneficiários, e a oposição tinha de desmentir diariamente o desejo de reduzir o programa ou acabar com ele.

Agora, a nova ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, adota o discurso da campanha fracassada do PSDB e diz que o principal desafio do governo é o de encontrar uma “porta de saída” para os dependentes do auxílio entrarem no mercado de trabalho. Campello aceitou comandar a pasta porque a presidente concordou com a implantação de uma política destinada a reduzir o número de brasileiros que dependem do programa.

O polêmico reajuste do salário mínimo é outra mudança de discurso que não fazia parte do enredo anunciado na campanha de Dilma Rousseff.
Com a sucessão de aumento real dado pelo governo Lula, a então candidata pouco detalhava valores durante os pronunciamentos que antecediam a eleição.

Dizia apenas que daria continuidade a política adotada pela equipe do então presidente.
Agora, propõe reajuste abaixo do esperado.

“Se os brasileiros analisarem bem, vão ver a lista enorme de coisas que diziam que o governo de Serra iria fazer para prejudicar nossa candidatura e o que estão fazendo agora. Eles pensavam em fazer e jogavam o boato de que éramos nós os idealizadores dessas propostas.

Uma tática eleitoral que deu certo, mas não foi honesta”, critica Juthay Júnior.

Izabelle Torres/Correio Braziliense

LAVANDO A ÉGUA , DEITANDO E ROLANDO : PROJETOS PARA A COPA 2014 TÊM MUITOS PROBLEMAS, SEGUNDO O TCU.

O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou ontem relatório que aponta problemas nos projetos para a Copa do Mundo de futebol de 2014.

Entre as falhas apontadas, além de deficiências nos próprios projetos, o tribunal identificou falta de transparência nas ações do governo federal e descumprimento de prazos.

O relatório é do ministro Valmir Campelo, responsável por acompanhar as obras da Copa no TCU.


"Os riscos de aditivos contratuais, sobrepreço, aportes desnecessários de recursos federais e contratos emergenciais são muito grandes, a exemplo das obras do Pan [Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro]", apontou o ministro.
Só no caso do novo Estádio da Fonte Nova, em Salvador, a diferença entre o valor previsto e o orçamento atual é de mais de 100%, de R$ 591,7 milhões iniciais para R$ 1,605 bilhão. Para Campelo isso atesta a "precariedade da estimativa do custo global da obra".


O relatório diz que há indícios de "possível fragilidade no acompanhamento feito pelo Ministério do Esporte, característica que dificulta muito as ações de controle".
Uma das críticas recai sobre a demora do ministério para enviar ao TCU as matrizes de responsabilidade das obras nos portos e aeroportos, prontas desde 2010.


Segundo Campelo, transferências voluntárias do governo federal para a Copa que não constam das matrizes também prejudicam a auditoria do tribunal.

PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO : TAXA DE DESEMPREGO CRESCE ENTRE OS MAIS POBRES, SEGUNDO O IPEA.

A redução do nível de desemprego registrada nos últimos cinco anos e o aumento da taxa de ocupação, com uma sensível melhora na renda obtida pelos trabalhadores, não só não foi suficiente para eliminar as desigualdades sociais, como as ampliou entre os desempregados das seis principais regiões metropolitanas do país.

Segundo técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), enquanto nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife a taxa de desemprego geral caiu 31,4% de dezembro de 2005 ao mesmo mês de 2010, entre os 10% mais pobres o desemprego cresceu 44,2%.

Além disso, cresceu também a desigualdade entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos.
A partir dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os técnicos do Ipea constataram que a diferença nas taxas de desemprego dos dois grupos, que em 2005 era de 11 vezes, passou a ser de 37 vezes em 2010.

SEM PETROBRAS, DESPESA REAL VAI SUBIR 3,7% ESTE ANO .

Ao contrário do que publicou ontem o Valor, as despesas do governo federal em 2011, após o corte anunciado na quarta-feira, vão crescer 3,7% em termos reais, ante os gastos feitos no ano passado.

A despesa primária (sem o pagamento de juros) projetada pelo governo para este ano, depois do corte de R$ 50 bilhões, soma R$ 719,9 bilhões, o que representa aumento nominal de 2,8% sobre os gastos de 2010, que ficaram em R$ 700,1 bilhões, e uma queda real de 2,6%.

O problema é que a despesa deste ano não pode ser comparada com a executada no ano passado por causa da capitalização da Petrobras.
Nesta operação, o governo realizou a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal à Petrobras por R$ 74,8 bilhões.

Deste total, utilizou R$ 42,9 bilhões para subscrever as ações da estatal.
Essa receita e essa despesa precisam ser excluídas do cálculo para que a comparação entre 2010 e 2011 não fique distorcida.

Assim, com a exclusão da despesa de subscrição das ações da Petrobras, as despesas primárias da União no ano passado passariam para R$ 657,2 bilhões.
A despesa projetada para este ano de R$ 719,9 bilhões representa um aumento nominal de 9,5% em relação aos R$ 657,2 bilhões e real de 3,7%, utilizando-se o deflator do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,6% estimado pelo governo.

Valor Econômico