"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 26, 2013

Os assíduos usuários da "FAB Linhas Aéreas"



Um relatório produzido pela Força Aérea Brasileira (FAB) joga luz sobre os hábitos de autoridades do governo federal no uso de aeronaves oficiais para deslocamentos a trabalho ou no trajeto entre Brasília e os estados de origem.

Desde o início do governo Dilma Rousseff até o fim do primeiro semestre deste ano, a FAB operou voos em 7.244 trechos, o que dá uma média de quase oito decolagens por dia para atender a um grupo de autoridades que compreende o corpo ministerial do governo, além dos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relatório, desde 2010 foram atendidos pedidos para 5.250 deslocamentos de autoridades - sendo que uma viagem pode englobar decolagens em várias localidades e em datas diferentes.
O campeão no “programa de milhagem” governamental é o Ministério da Saúde. Nesse período, a FAB fez 511 missões em atendimento à pasta. Só entre janeiro e junho deste ano, foram 110 trechos voados atendendo a demandas da pasta. O montante representa um crescimento de 48,6% em relação aos voos realizados nos 12 meses de 2010.

No último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foram 74 voos em atendimento ao ministério.

Na sequencia dos órgãos que mais viajam nas asas da FAB, aparecem, nessa ordem, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Justiça e da Defesa, a presidência da Câmara dos Deputados e o Ministério de Relações Institucionais.


No relatório, obtido pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) em solicitação ao Ministério da Defesa, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, explica que a relação não inclui os atendimentos ao vice-presidente, “em prol da segurança da referida autoridade”.
A utilização de aeronaves oficiais é regulamentada pelo Decreto n° 4.244 de 2002.
A prerrogativa é concedida ao vice-presidente da República, aos presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do STF, a ministros de Estado e demais ocupantes de cargo público com prerrogativas de ministro de Estado, aos comandantes das Forças Armadas e ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

O ministro da Defesa e o Comandante da Aeronáutica podem autorizar o transporte aéreo de outras autoridades, nacionais e estrangeiras.

Os pedidos de transporte de autoridades devem atender aos critérios previstos no decreto: motivos de segurança e emergência médica, viagens a serviço e deslocamentos para local de residência permanente, seguindo essa mesma ordem de prioridade.
Viagens para o estado de origem, por exemplo, constituem a maioria dos deslocamentos autorizados para a pasta das Relações Institucionais, comandada pela ministra Ideli Salvatti. Desde 2011 até junho deste ano, foram 256 autorizações atendendo a solicitações da secretaria, que tem status de ministério.

Cotada para disputar o governo de Santa Catarina em 2014, Ideli “tem residência permanente em Florianópolis”, segundo a assessoria de seu gabinete, o que enquadraria as viagens na regulamentação do uso dos aviões oficiais.

Casa Civil
A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é outra usuária frequente das aeronaves da FAB para fazer o trajeto Brasília-Curitiba.

A assessoria de imprensa de Gleisi explica que “a residência oficial da ministra se encontra em Curitiba, o que justifica a frequência dos voos”.
Ainda assim, Gleisi ocupa, em Brasília, a residência oficial destinada aos ministros da Casa Civil, no Lago Sul. Gleisi deve se candidatar ao governo do Paraná no próximo ano e é dada como certa a sua saída da Casa Civil no início de 2014, para participar das eleições estaduais.

A presença do Ministério da Educação na lista dos maiores usuários da FAB se justifica pelo grande número de viagens durante a gestão de Fernando Haddad, hoje prefeito de São Paulo. Em 2011, último ano do petista à frente do ministério, a pasta foi atendida em 135 voos de aeronaves oficiais.


No início de 2012, Haddad deixaria o cargo para disputar a prefeitura da capital paulista. Sob o comando do ministro Aloizio Mercadante, o número de voos despencou. Em 2012, foram 74. No primeiro semestre deste ano, apenas 36. 

Correio Braziliense

GERENTONA 1,99 A MAIS "PREPARADA" E O JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Refinarias da Petrobras vendem R$ 1,5 tri sem lucrar um centavo

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Entre janeiro de 2003 e junho de 2013, as refinarias da Petrobras venderam R$ 1,55 trilhão em combustíveis aos distribuidores, sem que a estatal ganhasse um centavo sequer com essa atividade. Pelo contrário. A empresa teve perda acumulada de R$ 663 milhões com refino de petróleo nos últimos dez anos e meio.

Isso significa que todo o lucro acumulado nesse período pela estatal, de R$ 272 bilhões, veio dos demais segmentos da empresa, principalmente da exploração e produção de petróleo.

Por causa da política de preços imposta pelo governo, as refinarias da empresa, que possuem ativos de R$ 198 bilhões, não contribuíram com nada em qualquer comparação: nos últimos dois anos, três anos, cinco anos etc.

Os números derrubam o argumento de que as perdas recentes da Petrobras com a defasagem de preços estaria apenas compensando ganhos acima do que seria justo na época da crise financeira, quando o petróleo despencou no exterior e a companhia não reduziu seus preços.

Esse encontro de contas já ocorreu, e é a Petrobras que está no vermelho. A culpa não é da equipe da área de abastecimento da companhia.

De 2003 a 2010, as vendas das refinarias somaram R$ 1,01 trilhão e renderam lucro líquido acumulado de R$ 39 bilhões para a Petrobras, com uma margem modesta, mas positiva, de 3,8%.

Na sequência, em apenas dois anos e meio, do início de 2011 a junho de 2013, a venda de mais R$ 540 bilhões em derivados gerou prejuízo de R$ 39,6 bilhões para a estatal, jogando pelo ralo o lucro acumulado nos oito anos anteriores com essa atividade.

Se todo lucro de uma empresa mais cedo ou mais tarde vira caixa (com raríssimas exceções), a Petrobras queimou meio ano de investimentos e o equivalente a 17% do seu valor de mercado atual com essa situação.

Mas isso não preocupa a empresa. Em nota à reportagem, a Petrobras disse que, "por ser uma empresa integrada de energia, estabelece suas políticas de preços com base na análise dos resultados consolidados e não com base no resultado isolado de um segmento". Cabe lembrar que a empresa divulga voluntariamente o lucro por área de negócio desde 2003 e tem diretorias específicas para cuidar delas.

Segundo a estatal, o "resultado dessa política pode ser verificado nas demonstrações financeiras divulgadas ao mercado".

Ao se fazer isso, nota-se que o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa como um todo ficou em 25% na média entre 2003 e 2010 e caiu para 10%, também na média, de 2011 até agora - como consequência não só da defasagem de preços, mas também da capitalização.

Mas o que explica a diferença de resultado entre os períodos, se a política de preços é a mesma?

Afinal, não é de hoje que os preços da gasolina e do diesel no mercado interno não acompanham a variação de curto prazo do petróleo no mercado externo. Os próprios executivos da Petrobras costumavam defender essa prática porque ela dá previsibilidade ao fluxo de caixa da companhia e facilita a execução de investimentos de longo prazo.

Contudo, houve uma mudança relevante nos últimos anos que não pode ser ignorada.

Enquanto a demanda no Brasil era inferior à capacidade de produção e de refino da Petrobras, a estatal só deixava de ganhar mais quando o preço cobrado pelo combustível no Brasil ficava abaixo da cotação internacional.

Num exemplo com números hipotéticos: no exterior a gasolina é comercializada pelo equivalente a R$ 10, enquanto a Petrobras vende no Brasil por R$ 7. Se o custo de produção for R$ 4, ela não chega a ganhar os R$ 6 que poderia, mas ainda embolsa R$ 3, o suficiente para ficar no azul.

Mas o crescimento da economia elevou bastante o consumo de combustíveis. Como a produção da Petrobras está estagnada há dois anos e a capacidade de refino não aumentou porque as obras estão atrasadas, isso obriga a empresa a importar cada vez mais gasolina e diesel.

No exemplo acima, ela passou a ter que comprar a gasolina por R$ 10 no exterior e vendê-la no Brasil por R$ 7. Aquilo que ela antes apenas deixava de ganhar se tornou uma perda efetiva. 


A presidente Graça Foster tenta reduzir a distorção e conseguiu emplacar cinco reajustes de preços desde outubro de 2011, com elevações acumuladas de 26% para a gasolina e de 24% para o diesel. Mas o descasamento de preços não foi corrigido porque, embora o petróleo esteja estável, o dólar saltou 40% nesse período, saindo de R$ 1,70 em outubro de 2011 para a faixa atual de R$ 2,40.

Fernando Torres | De São Paulo Valor Econômico

agosto 25, 2013

INCOMPETÊNCIA E CORRUPÇÃO ROUBAM R$ 1 TRILHÃO POR ANO DO BRASIL

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É estarrecedor, mas o desperdício equivale ao PIB argentino. 
Em outras palavras, de cada R$ 100, quase R$ 25 são drenados pela ineficiência, pela informalidade, pela gestão atrapalhada ou pela má-fé. Em uma reportagem especial, o Correio repassa todas as mazelas embutidas no chamado Custo Brasil e mostra que o setor privado não escapa da sangria. O diagnóstico dado pelos especialistas ouvidos é preocupante: como nação, optamos pelo atraso, o que impactará a vida das gerações futuras.

Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. 

Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento.

Além de dinheiro, que poderia ser investido em educação, saúde e transporte público, escorre pelo ralo muitas outras oportunidades. 

O Brasil deixou passar a bonança externa — entre 2003 e 2008, o mundo viveu a sua era de ouro, puxado pelo supercrescimento chinês — sem fazer as reformas estruturais necessárias à economia.
 Agora, se vê sem capacidade de colher os frutos do bônus demográfico, período único em que as nações usam a sua força de trabalho para se tornarem ricas. De farto e próspero, o país ganha cada vez mais a cara do desperdício.

Não à toa, o Brasil está tomando uma sova de desconfiança. O real, que ostentou, por anos, o status de moeda forte, é hoje a divisa no mundo que mais perde valor ante o dólar. Para piorar, o crescimento médio anual do PIB, de 1,8%, é o menor em 20 anos. A inflação se mantém sistematicamente próxima ao teto da meta, de 6,5%. Os investimentos produtivos minguam e a confiança das famílias está no chão. Mais uma vez, o futuro que nos parecia tão perto toma feições de miragem.

O período de forte crescimento global na década passada, quando havia grande fluxo de capitais e os nossos produtores agrícolas eram muito bem pagos para alimentar o planeta, deu a folga necessária para a administração pública aposentar a incompetência e a ineficiência e entrega serviços melhores, apesar da montanha de dinheiro que os brasileiros depositam todos os meses nos cofres da Receita Federal. Nada foi feito. "Infelizmente, fizemos a opção pelo atraso", resume o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Atlântico e integrante do Movimento Brasil Eficiente.
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Amarras
Nas últimas três semanas, o Correio vasculhou o país para ir além do que se habituou a chamar de Custo Brasil. O resultado encontrado é assustador. As manifestações que tomaram as ruas entre maio e junho surpreenderam muita gente. Mas o desperdício justifica o sentimento de basta. Não é mais aceitável que uma nação com tantos recursos naturais, apontada como o maior celeiro do mundo, jogue no lixo, todos os anos, o equivalente a quase um quarto do PIB nacional. Essa, ressalte-se, é a parte visível dos prejuízos, baseada em estimativas conservadoras, admitem os especialistas.

A falta de cultura de manutenção e de planejamento e um sistema político que facilita os desmandos e os malfeitos se transformaram em barreiras que impedem que tanto dinheiro seja revertido em benefícios à sociedade. Água, energia elétrica, comida — tudo vai fora. "Há também o desperdício moral. Todos esses problemas desmoralizam a capacidade desse eu coletivo, que é a sociedade brasileira, de ter vontade de perseguir a eficiência, a produtividade e o comprometimento com o sucesso", argumenta Rabello de Castro.

A pesada carga tributária é o veículo por meio do qual o governo suga os recursos que serviriam de energia vital para as empresas e para as famílias. Verbas que viram gastos estéreis, jogados em obras que não andam. A ineficiência do Estado, contudo, tem queimado mais que dinheiro, despreza as chances de brasileiros que amargam uma vida de pobreza, impede uma educação formal de qualidade, ceifa vidas em leitos de hospitais sem estrutura.

Um carimbo em tempo hábil pode ser a diferença entre viver e morrer, ao menos para quem depende da saúde pública no interior do país. Em Águas Lindas (GO), distante quase 40 quilômetros da sede do Ministério da Saúde, em Brasília, é comum os pacientes terem de se deslocar para a capital federal em busca de atendimento. Muitos morrem no meio do caminho.

O socorro não pode ocorrer no município porque um dos hospitais da cidade, que deveria ter quase 300 leitos, está abandonado. A licitação para a obra foi embargada devido à corrupção. "É preciso reconhecer que a forma como o Estado contemporâneo atua não é mais capaz de atender as necessidades da população", observa Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo. Ele pondera que a forma de organização dos governos está ultrapassada, e encontrar maneiras de pensar e executar políticas públicas é um desafio para o Brasil.

Diante de tanto descalabro, os especialistas são unânimes em um ponto: as ineficiências do Brasil são a maior fonte de riqueza e de oportunidade. Se todos os recursos desperdiçados fossem devidamente aproveitados, o país trocaria a cadeira de emergente por uma de desenvolvido. O PIB potencial, que é a taxa de crescimento possível sem gerar inflação e desequilíbrios, seria bem maior que os 2% ou 2,5% atuais. A população poderia ser beneficiada verdadeiramente com serviços públicos e privados eficientes.

Gula tributária
A carga tributária no Brasil é uma das mais pesadas no mundo. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o brasileiro trabalhou cinco meses neste ano, até 31 de maio, apenas para pagar impostos. Se fosse na Argentina ou nos Estados Unidos, seriam aproximadamente três meses. Comparado aos anos de 1970, esse tempo dobrou no país. Atualmente, são pagos pelos contribuintes 63 tributos.

"Infelizmente, fizemos a opção pelo atraso"
Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Atlântico e integrante do Movimento Brasil Eficiente

"É preciso reconhecer que a forma como o Estado contemporâneo atua não é mais capaz de atender as necessidades da população"
Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo.

Correio Braziliense 

agosto 24, 2013

TUDO SOB CONTROLE E PREVISTO : País tem déficit externo recorde para julho, Rombo nas contas externas do País foi de US$ 9 bi no período e chega a US$ 52,4 bi nos sete primeiros meses do ano



As contas externas brasileiras registraram um déficit recorde para o mês de julho, informou nesta sexta-feira, 23, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. No mês passado, o saldo ficou negativo em US$ 9,018 bilhões. "Em julho, as contas mostraram déficit um pouco maior do que tínhamos previsto", admitiu Maciel. "E, em grande parte, por causa da balança comercial", continuou, lembrando do comportamento negativo da conta petróleo.

Nos sete primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 52,472 bilhões, o que representa 3,95% do Produto Interno Bruto (PIB). Já no acumulado dos últimos 12 meses até julho de 2013, o saldo negativo está em US$ 77,713 bilhões, o equivalente a 3,39% do PIB.

Em julho, o saldo da balança comercial foi negativo em US$ 1,898 bilhão, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 4,088 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária no mês passado em US$ 3,303 bilhões. Entenda as três contas do Balanço de Pagamentos.

O saldo de remessas de lucros e dividendos ficou negativo em US$ 1,215 bilhão em julho. No mesmo mês do ano passado, o resultado foi uma saída líquida de US$ 1,719 bilhão. No acumulado de 2013, o saldo está negativo em US$ 15,317 bilhões até julho ante US$ 11,7 bilhões , também negativos, vistos no mesmo período de 2012.

O BC informou ainda que as despesas com juros externos somaram US$ 2,125 bilhões no mês passado e US$ 8,050 bilhões no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Em 2012, esse gasto totalizou US$ 1,768 bilhão em julho e US$ 6,239 bilhões de janeiro a julho.

Dívida externa.
 O Banco Central informou que a estimativa para a dívida externa brasileira em julho de 2013 é de US$ 314,072 bilhões. Em março de 2013, último dado verificado, a dívida estava em US$ 324,773 bilhões. No fim de 2012, estava em US$ 312,898 bilhões. A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 280,550 bilhões em julho, enquanto o estoque de curto prazo estava em US$ 33,523 bilhões no fim do mês passado, segundo estimativas do BC.

De acordo com a instituição, a variação da dívida externa de longo prazo é explicada por captações líquidas dos empréstimos tomados pelo governo (US$ 1 bilhão) e amortizações líquidas de empréstimos e títulos tomados pelos bancos (US$ 1,7 bilhão e US$ 247 milhões, respectivamente). A variação por paridades reduziu o estoque em US$ 69 milhões.


Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado

agosto 23, 2013

SERVOS CUBANOS

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Não são meras razões políticas que motivam críticas à importação de médicos vindos de Cuba. São, principalmente, razões humanitárias. Tudo indica que os profissionais que começarão a chegar ao Brasil na próxima semana deverão ter de se submeter a um regime próximo ao de servidão, numa relação quase feudal de trabalho.

A importação de 4 mil médicos cubanos foi acertada entre o governo brasileiro e o regime castrista. A Organização Pan-Americana de Saúde entrou como intermediária da negociação, até mesmo para dar um verniz de maior seriedade à conversa. Entretanto, ninguém sabe dizer ao certo como vão se dar as contratações.

O contratante – o governo petista – diz desconhecer quanto receberão os contratados – os médicos cubanos – numa estranha relação de trabalho em que o patrão não sabe como remunera seu empregado. Se não sabe, como lhe cobrará empenho, dedicação e qualidade na prestação do serviço?

O Ministério da Saúde diz que cabe ao regime dos irmãos Castro definir o valor a ser embolsado por cada profissional. Se é assim, e observando o que acontece em outros países, não será fácil a vida dos cubanos que começarão a desembarcar no Brasil a partir de segunda-feira.

O Correio Braziliense divulga hoje um "termo de conduta de trabalho” imposto pelo governo de Cuba a médicos enviados à Bolívia em 2006. Para dizer o mínimo, a liberdade deles era quase nula e as condições de vida, aviltantes. Também foi assim na Venezuela, anos depois. Será que os "nossos” cubanos serão tratados da mesma maneira?

"O cubano deveria pedir permissão ao superior caso fosse sair à rua depois das 18h, além de informar para onde ia e com quem. Em caso de relacionamento amoroso com algum 'nativo', o profissional deveria informar imediatamente o chefe. Os médicos também não poderiam fazer empréstimos de dinheiro ou dar informações sobre Cuba”, resume o jornal.

Os médicos cubanos que vão trabalhar no exterior são selecionados pelo regime castrista de maneira compulsória – no Brasil, sequer poderão escolher onde atuar. Quem se recusa passa a ser considerado contrarrevolucionário, sujeito às hostilidades da ditadura comunista.

Na realidade, os médicos são tratados como meras mercadorias em Cuba – e isso não é mera figura de retórica. O item "exportação de serviços médicos” é o que mais gera divisas para o país dos irmãos Castro, relata a Folha de S.Paulo. Com o negócio, a ilha arrecada cerca de US$ 6 bilhões por ano, mais do que consegue com o turismo e com as exportações de níquel, por exemplo. A Venezuela chavista é um dos maiores importadores da "mercadoria”, trocada por barris de petróleo.


O governo brasileiro diz que repassará R$ 511 milhões ao governo de Cuba pela importação. Mas já é sabido que apenas uma pequena fração deste valor chegará ao bolso dos médicos. Estima-se que, no fim das contas, o salário de cada profissional será igual ao que receberia se estivesse na ilha: entre US$ 25 e US$ 41. Ou seja, não passará de R$ 100 por mês!
Um profissional cubano que já trabalhou no interior Brasil na década de 1990 relatou a'O Globo como funciona o sistema. "Quem recebia o dinheiro era a embaixada cubana, que depois nos passava a nossa parte. Quando sobrava um pouco, enviávamos de volta para a família em Cuba. Era muito pouco pela quantidade de trabalho”. Não espanta que deserções sejam comuns.

Diante disso, razões não faltam para o Ministério Público, que ontem considerou a contratação dos cubanos "totalmente irregular”, questionar a contratação. As irregularidades incluem ausência de concurso e remuneração abaixo do salário mínimo. Mas, não satisfeita, a gestão petista pensa em usar o mesmo modelo para importar engenheiros e até professores...

O governo federal tenta resolver no atacado, na base de um regime de trabalho que, na melhor das hipóteses, se assemelha à servidão o que não conseguiu resolver no varejo, com o Mais Médicos. Na modalidade de recrutamento amplo, geral e irrestrito, o programa foi um fracasso retumbante: apenas 1.387 das 15.460 vagas foram preenchidas, o que dá menos de 9% da demanda inicial.

O governo aposta na simpatia da população por suas boas intenções. De fato, ninguém é contra ampliar o acesso das pessoas à saúde, levando mais profissionais aos rincões e às nossas periferias. Mas uma pesquisa de opinião divulgada hoje pelo O Estado de S.Paulo indica que dois em cada três brasileiros não concordam com o remendo da importação de médicos estrangeiros. Têm razões de sobra para isso.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

Mais imprestável que assento ejetor de helicóptero. GERENTONA 1,99A PREPOSTA MAIS "PREPARADA" ENCONTRA CACHACEIRO PARLAPATÃO EM SP


Em meio a uma investida nos redutos eleitorais de prováveis adversários na disputa eleitoral de 2014, a presidente Dilma Rousseff se encontrou ontem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, na quinta visita que fez ao estado desde o início do mês. Mentor político de Dilma, Lula coloca São Paulo e Minas Gerais entre as prioridades dos esforços da presidente em recuperar ao menos parte da popularidade perdida com as manifestações populares de junho e julho.

A orientação está sendo seguida à risca por Dilma. 
Só em São Paulo, a presidente já anunciou mais de R$ 10 bilhões em investimentos para a capital e para cidades da região do ABC paulista. Na próxima semana, a presidente já tem viagens previstas para Belo Horizonte, na terça-feira, e para Campinas, na quinta-feira. Acompanhada do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a presidente conversou com Lula por mais de duas horas em um hotel no centro da capital paulista, antes de seguir para solenidade comemorativa de um milhão de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Dilma aproveitou a cerimônia para fazer um aceno ao Congresso, elogiando a aprovação da lei que destinou 75% dos royalties do petróleo, mais a metade do Fundo Social, para a educação. “É uma vitória histórica da educação brasileira e é uma vitória que vai durar em torno de 50 anos”, disse Dilma, que viu derrotada sua intenção de destinar 100% dos royalties para o setor.

A presidente está empenhada em melhorar suas relações com o Legislativo, que lhe concedeu uma vitória importante ao manter vetos presidenciais importantes, sobretudo na questão do Fundo de Participação dos Estados, mas que ainda apresenta desafios para a articulação política de Dilma. Nova batalha espera a presidente no Congresso em setembro, com a apreciação do veto à extinção da multa de 10% sobre o FGTS nas demissões sem justa causa.

KARLA CORREIA

ENQUANTO ISSO... SEM "MARQUETINGUE" ! brasil maravilha DOS FARSANTES : Renda cai pelo quinto mês

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O aumento da inflação está corroendo o poder de compra dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média real dos trabalhadores caiu 0,9% em julho, para R$ 1.848,40, o quinto mês seguido de recuo. No acumulado do ano, a perda é de 0,6%. A tendência, acreditam os analistas, é de esse quadro perdurar até que o governo consiga domar a alta do custo de vida.

Neste ano, a inflação jamais ficou abaixo de 6% no acumulado de 12 meses, apesar de o alvo perseguido pelo Banco Central ser de 4,5%.

A boa notícia, conforme o IBGE, foi a primeira queda do desemprego neste ano. De junho para julho, o índice cedeu de 6% para 5,6%, dando um alívio ao governo, que teme pelo aumento da desocupação, diante da fragilidade do crescimento econômico. Pelas contas do Caged, cadastro de trabalhadores formais administrado pelo Ministério do Trabalho, no mês passado, foram abertas pouco mais de 41 mil vagas — o pior julho em 10 anos. O mercado de trabalho ainda positivo, mesmo que mais fraco, é a única bandeira que pode ser ostentada, pelo menos por enquanto, pela presidente Dilma Rousseff em sua campanha à reeleição em 2014.


Apesar do arrocho promovido pelo BC, que vem aumentando a taxa básica de juros (Selic) desde abril para conter a inflação, os efeitos da carestia se fazem sentir no orçamento das famílias. Para o coordenador da pesquisa de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, o quadro merece atenção, mas não há motivo para alarde. No entender dele, apesar da retração na renda média real, a formalização da mão de obra aumentou e a indústria contratou mais. “O numero de trabalhadores com carteira assinada subiu 3,5%, um crescimento de 392 mil formalizações”, frisou.
 
(...)
Na avaliação do economista-chefe da Corretora Concórdia, Flávio Combat, a inflação continuará a pressionar a renda dos trabalhadores. Ele justificou que o dólar valorizado frente ao real e a necessidade de reajuste no preço dos combustíveis terão impacto nos índices que medem a carestia. “Com a inflação em alta e a desaceleração da economia, a taxa de desemprego deve fechar o ano em 5,9%, chegando a 6,5% em 2014”, completou.


Em meio a esse cenário de incertezas, o eletricista João Carlos da Silva, 41 anos, foi demitido há dois meses. Ele contou que, desde o começo do ano, o salário já não era suficiente para fazer as compras do supermercado e pagar as despesas de casa. À procura de emprego, ele já admite receber menos para não atrasar os compromissos.

ANTONIO TEMÓTEO Correio Braziliense

O JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" DA GERENTONA 1,99 A MAIS "PREPARADA" DO CACHACEIRO PARLAPATÃO : Por mês, Petrobras perde R$ 700 milhões


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A chance de a gasolina e o diesel sofrerem aumento nos próximos dias ficou ainda mais provável e já deixa consumidores apreensivos. A política de combate à inflação via controle dos preços e a incapacidade da Petrobras em atender a demanda nacional de combustíveis apertaram o caixa da estatal de forma insustentável.

O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) estima prejuízo mensal de R$ 700 milhões para a companhia em razãoda defasagem dos preços dos combustíveis. “A empresa precisa de fôlego”, resumiu José Maria Rangel, representante dos empregados no conselho de administração.

O estresse, que já dura cinco anos, atingiu o auge nos últimos dias com o dólar alcançando patamar acima de R$ 2,40. A esse nível, a diferença entre os preços do combustível importado e o cobrado dos consumidores chega a 30%, segundo cálculos do mercado. Esse descompasso, no entanto, só poderia ser eliminado de forma escalonada, mas, de olho na inflação, o governo considera um reajuste de, no máximo 10%, ou menos que isso.


Os rumores sobre o aumento ganharam força na quarta-feira, após a notícia de que a presidente Dilma Rousseff havia definido os reajustes naquele dia, em reunião, no Palácio da Alvorada, com a presidente da Petrobras, Graça Foster, que seguiu para uma viagem à China. A situação é agravada porque a estatal terá, em breve, de desembolsar bilhões de dólares em razão de ser a única operadora em todos os leilões do pré-sal, participando com pelo menos 30% dos investimentos.

O porta-voz da Presidência, Thoma
s Traumann, descartou que o reajuste dos combustíveis tenha estado na pauta do encontro. Mesmo assim, as ações da estatal dispararam no pregão de ontem, refletindo a esperança e o alívio dos investidores.

“Em um horizonte até 2015, quando as refinarias do Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará devem entrar em operação, a Petrobras continuará dependendo das importações de gasolina para atender a demanda crescente”, observou Hernani Chaves, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e estudioso do setor.

Segundo o professor, a empresa está pagando o preço do “longo congelamento” dos combustíveis. “Quando mais se demora a corrigir preços, piores as consequências”, resumiu. Ele lembra que também está pesando sobre a decisão praticamente inevitável da presidente Dilma Rousseff de alterar as tabelas o fato de terem se esgotado os poucos instrumentos fiscais e operacionais de que o governo dispõe para compensar as perdas da petroleira sem afetar o bolso do cidadão.
Inflação

O diesel foi reajustado duas vezes este ano, com altas de 6,6% em janeiro e de 5% em março, enquanto a gasolina subiu 5,4% só em janeiro. O Planalto tentou amenizar o impacto dessas mudanças no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) elevando, a partir de maio, o volume de álcool misturado na gasolina, de 20% para 25%. No ano passado, quando outros aumentos controlados foram anunciados, o governo fez cortes nas alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis, até ela ser zerada.

Agora, o consumidor tem razão de se preocupar. Sem a Cide, caso se confirme o reajuste de 10% no preço da gasolina, como defende uma ala do governo, a inflação do ano ganharia 0,38 ponto percentual de alta, estima a Franklin Templeton. “Nossa previsão é de que fique ao redor de 6% este ano, com um novo aumento desta ordem em 2014”, calculou Vagner Alves, economista da gestora de recursos.

Alexandre Póvoa, economista-chefe da Canepa Asset, avalia que o governo será cuidadoso, para não estourar o teto da meta de inflação, de 6,5%. “Se reajustarem, será coisa de um dígito”, apostou. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, explicou que a gasolina pesa 4% no cálculo do IPCA, mas tem efeito dominó sobre outros preços. “Um reajuste não levaria ao estouro da meta de inflação, mas colocaria em xeque a promessa de deixá-la menor que a de 2012”, observou.

» Balanço adaptado
As pressões do mercado em favor de maior proximidade entre as cotações domésticas e externas dos combustíveis cresceram logo após a divulgação do balanço financeiro da Petrobras. A empresa apresentou lucro líquido de R$ 6,2 bilhões no segundo trimestre, graças a uma fórmula contábil que limitou o impacto da alta do dólar e postergou R$ 8 bilhões em perdas financeiras.

Os efeitos negativos do câmbio e dos preços congelados dos combustíveis levaram o diretor financeiro, Almir Barbassa, a se reunir com agências de classificação de risco para discutir os níveis de endividamento da estatal.


VICTOR MARTINS » SÍLVIO RIBAS Correio Braziliense

agosto 22, 2013

brasil MARAVILHA DOS FARSANTES : A crise chega ao emprego


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A crise vai aos poucos se espraiando e agora já atinge também o mercado de trabalho. A geração de empregos perde força, num tom de cinza muito acima do esperado. São reflexos de uma economia em desaceleração, indicando que os bons ventos ficaram, definitivamente, para trás.

Pelas estatísticas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgadas ontem pelo governo, foram abertos apenas 41,5 mil novos postos de trabalho no mês passado. Os resultados representam uma série de recordes, todos negativos.

Desde 2003, não se criavam tão poucos empregos no país num mês de julho. Também pela primeira vez em dez anos, o saldo líquido nas nove regiões metropolitanas foi negativo: foram fechadas 11 mil vagas nos grandes centros brasileiros no mês passado.

Todos os grandes setores econômicos geraram menos vagas agora do que um ano atrás. Exceto na agricultura, que caiu "só” 24%, os demais despencaram: a queda chegou a 93% no comércio, 80% na construção civil e 71% em indústria e serviços, sempre na comparação com julho de 2012.

Isso significa que os motores da economia estão perdendo propulsão de forma generalizada. Alguns segmentos específicos mais demitiram do que contrataram, fechando postos de trabalho. É o caso dos serviços industriais de utilidade pública e da extrativa mineral.

Subsetores da indústria de transformação – como material elétrico e de comunicações; madeira e mobiliário; borracha, fumo e couros; e vestuário – também eliminaram empregos no mês, assim como o comércio varejista e os serviços de ensino.

Um aspecto especialmente grave é o que acontece no comércio. Em julho, a atividade abriu apenas 1.545 vagas, no pior desempenho desde 1998, segundo a LCA Consultoria. Para se ter ideia do tombo, nos dois últimos anos a média de geração de empregos do setor no mês havia sido de quase 26 mil.

Trata-se de uma indicação clara de que as molas-mestras do modelo de crescimento que vigorou nos últimos anos no país enferrujaram. Consumo e renda em baixa, afetados por uma inflação renitente, estão agora martelando o mercado de trabalho.

No acumulado no ano, a queda verificada na geração de empregos formais é de 33%. São 457 mil empregos a menos do que os gerados entre janeiro e julho de 2012. Não é pouca coisa; na realidade, é o pior resultado para o período desde 2009. O Nordeste, onde estão as mais altas taxas de desemprego do país, fechou quase 9 mil vagas neste ano, segundo a Folha de S.Paulo.

Os resultados do Caged divulgados ontem são especialmente decepcionantes porque a expectativa era de que o país tivesse criado cerca de 100 mil empregos em julho. Não veio nem a metade disso, prenunciando a sangria que deve marcar o desempenho da nossa economia neste terceiro trimestre.

"O mais surpreendente do número do Caged divulgado ontem é o tamanho da queda, e não a redução em si, que já era esperada. Chama ainda mais atenção o fato de que o recuo na geração de empregos é generalizado na economia. A intensa desaceleração levanta a possibilidade de uma elevação mais rápida da taxa de desemprego”, analisa Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre n'O Estado de S.Paulo.

O aumento da taxa de desemprego ainda não aconteceu, conforme divulgou o IBGE nesta manhã. A média ficou em 5,6%, abaixo dos 6% de junho, mas maior que os 5,4% de julho de 2012. Particularmente piores foram os índices no Nordeste: na comparação com julho do ano passado, a taxa apresentou alta significativa em Salvador (de 6,7% para 9,3%) e em Recife (de 6,5% para 7,6%).

Mesmo diante de tudo isso, há quem, no governo da presidente Dilma, ainda considere que o Brasil "tem dado de goleada”, como disse ontem a ministra Ideli Salvatti. É gente que parece não ver que, na realidade, a defesa já foi toda vazada.

Esta dose excessiva de irrealismo e alheamento não ajuda nada no enfrentamento dos problemas que estão se acumulando no dia a dia do país. Preservar o emprego deveria ser prioridade número um do governo petista. Mas ele prefere cantar vitória muito antes da hora. Quem perde são os trabalhadores.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

Caminhão de inflação já está na estrada. IPCA-15 já sente os efeitos da disparada da moeda dos EUA e sobe 0,16% em agosto. Previsão do presidente do BC começa a se confirmar

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Salvo intervenções ou truques de última hora, o governo terá muita dificuldade em alcançar o objetivo que estabeleceu para si mesmo de fechar o ano com a inflação abaixo dos 5,84% registrados em 2012. Com a escalada do dólar e a pressão por reajuste de combustíveis, o custo de vida tende a pegar embalo e a manter a trajetória de alta. 


Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a prévia da inflação oficial de agosto: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,16%, acima das estimativas do mercado.

O resultado mostra que o “caminhão de inflação” provocado pela alta da moeda norte-americana — expressão usada recentemente pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini — começou o seu trajeto. “Pelo menos nos preços dos alimentos, o impacto da desvalorização do real já pode ser percebido”, diz o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat. 


Nas contas do próprio Tombini, uma valorização de 20% da moeda norte-americana, percentual já alcançado, significa um ponto percentual a mais no IPCA em 12 meses.

No acumulado do ano, segundo o IBGE, a taxa que mede a prévia da inflação oficial chegou a 3,69%, acima dos 3,32% relativos a igual período de 2012. Em 12 meses, o índice ficou em 6,15%, abaixo dos 6,40% nos 12 meses anteriores, mas bem distante do centro da meta do governo, de 4,5%. 


Nessa referência, em 2013, o IPCA-15 se manteve acima dos 6% em todos os meses até aqui. Em duas ocasiões, rompeu o teto da meta, de 6,5%: em abril (6,51%) e em junho, quando atingiu o pico de 6,67%, o maior nível desde novembro de 2011.
A situação não é nada confortável. Em agosto, a deflação de alimentos e bebidas apresentou ritmo menor se comparada com o mês anterior (de -0,18% para -0,09%), embora itens como o tomate (queda de 22,96%), considerado vilão meses atrás, tenham barateado significativamente. 


O mesmo ocorreu com o grupo transporte (-0,55% para -0,30%), bastante influenciado pela revogação de aumentos das tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, trem e metrô, depois dos protestos de rua. Pesaram na composição do IPCA-15I as variações no grupo saúde e cuidados pessoais (0,45%) — que sofre influência direta do dólar, por usar matérias-primas importadas —, habitação (0,56%), artigos de residência (0,62%) e educação (0,68%).

Mesmo se o Comitê de Política Monetária (Copom) forçar a mão e fizer a taxa básica de juros (Selic), hoje de 8,5% ao ano, chegar à casa dos dois dígitos ao longo das próximas três últimas reuniões do ano, é pouco provável que a inflação recue a um patamar inferior ao de 2012. 

Além da questão cambial, a defasagem dos preços dos combustíveis se tornou outro grande problema para a equipe econômica do governo. Caso o reajuste seja confirmado, a inflação deve chegar a dezembro girando em torno de 6,2%, tornando o cenário para 2014 ainda mais nebuloso.

O governo não tem cartas na manga para compensar um provável aumento de combustíveis e, assim, tentar blindar a inflação. Pressionado pela Petrobras, o Planalto está segurando ao máximo os preços da gasolina e do diesel porque sabe que há risco de a alta do custo de vida sair de vez do controle. “O governo tem um caminho complicado pela frente. Não vejo muito saída”, previu o economista João Luiz Mascolo, sócio da gestora de ativos SM Management e professor do Insper.



Diante do atual cenário e das perspectivas para o restante do ano, Mascolo disse que somente uma “maquiagem” nas estatísticas faria com que a inflação terminasse 2013 abaixo da registrada em 2012. “Mas isso pouco importa. O mais grave é o governo flexibilizar a meta e achar que está tudo bem se o índice ficar abaixo do teto de 6,5%”, ponderou ele, explicando que a variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo deveria servir apenas para acomodar variações excepcionais de preços.

Nas capitais
Na avaliação dos índices por capital, o maior aumento, em agosto, foi observado em Curitiba (0,51%), por conta do reajuste de 8,64% nas tarifas de energia elétrica. O IBGE identificou o menor índice em Salvador (-0,17%), onde os alimentos apresentaram queda de 1,23%. Em Brasília, o IPCA-15 variou 0,36%, após recuo de 0,04% em julho.


No bolso (em %)
Veja a prévia do comportamento dos preços em agosto

» Índice geral 0,16
» Alimentação e bebidas -0,09
» Habitação 0,56
» Artigos de residência 0,62
» Vestuário -0,12
» Transportes -0,30
» Saúde e cuidados pessoais 0,45
» Despesas pessoais 0,51
» Educação 0,69
» C
omunicação 0,07

Fonte: IBGE


DIEGO AMORIM Correio Braziliense