"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 06, 2013

E NA REPÚBLICA ASSENHOREADA PELA CANALHA E NULIDADES : Julgar sem paixão


Segundo o senador Pedro Simon, "vivemos atualmente um regime anárquico em termos de produção legislativa", numa referência a matérias aprovadas no Congresso, produto de maiorias eventuais que "votam o que bem entendem". 
O senador propôs a retomada de um costume vigente no governo Itamar Franco, "em que se realizavam mensalmente reuniões das quais participavam representantes dos três poderes", o que prevenia o surgimento de crises entre essas instâncias.

Seria simpático, e certamente útil. 
Mas para que isso acontecesse seria preciso uma certa boa vontade básica que, neste momento, não está muito em evidência. 

Pelo contrário: 
o atrito entre poderes vem de um ambiente marcado pelo inconformismo dos que sentem na pele o julgamento do mensalão. 
 É esse inconformismo que procura, agora, turvar o funcionamento das instituições. 
A já famosa PEC 33 propõe-se, por exemplo, a "resgatar o valor da soberania popular e a dignidade da lei aprovada pelos representantes legítimos do povo, ameaçadas pela postura ativista e usurpadora do Supremo Tribunal Federal".

Tenta-se, assim, solapar a autoridade do STF sob o argumento de que ele estaria, em relação ao Congresso, mais longe da "soberania popular", já que seus membros não surgem de eleições diretas.

É o sonho da "democracia direta", de que participam países como a Venezuela e a Argentina. 


Os membros do Supremo, entretanto, não são menos legítimos por não surgirem do voto direto: 
são escolhidos pelo presidente da República, que é fruto do voto popular, e referendados pelo Senado, que tem a mesma origem. 
São pessoas mais velhas, "de ilibada reputação e saber jurídico", o que as torna mais aptas para a função que exercem: 
a de serem a cúpula do sistema judiciário.

O fato de não surgirem de votação direta significa uma liberdade maior em relação a correntes de opinião. Quando se tenta a democracia direta, tudo passa a depender da paixão política e da arregimentação partidária. Isso não combina com uma certa frieza de julgamento que é o que se espera da cúpula do Poder Judiciário.

Por serem pessoas ilustres, que já não precisam fazer propaganda de si mesmas, os membros do Supremo não se curvam facilmente a injunções e partidarismos. 
Assim se viu o julgamento do mensalão transcorrer a boa distância das filiações partidárias ou lealdades políticas, embora a vasta maioria de seus membros tenha chegado à função por indicação do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff.

Um outro aspecto da "democracia direta" é que ela traduz um determinado momento da opinião pública. Mas é função do Supremo, justamente, defender o direito mesmo quando ele esteja no lado mais fraco da balança. 
Por isso ele não pode estar sujeito à "voz das multidões".

O Globo 

maio 03, 2013

"A ÚNICA PESSOA "PREPARADA" PARA CONDUZIR O brasil" .COMO DISSE CERTA FEITA UM CACHACEIRO PARLAPATÃO. RESULTADO : Comerciante de espelhinhos


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De recorde negativo em recorde negativo, o comércio exterior brasileiro vai afundando. O mau desempenho reflete uma visão tacanha a respeito da inserção externa do Brasil num mundo cada vez mais sem fronteiras. 
País fechado, como quer o governo petista, é país sem futuro.

A balança comercial brasileira teve, nos primeiros quatro meses de 2013, o pior resultado para o período em 18 anos. O rombo chegou a US$ 6,15 bilhões. Foi também o primeiro déficit para o primeiro quadrimestre desde 2001 e a pior marca para um mês de abril desde 1995. 
A coleção de péssimos resultados parece infinita.

Há uma combinação perversa em marcha: vendemos menos ao exterior, mas continuamos comprando muito. Enquanto as exportações caíram 3% entre janeiro e abril na comparação com os mesmos meses de 2012, as importações subiram 10%. 
Compra-se de tudo: 
bens de consumo aumentaram 23% em abril, com destaque para aquisição de quinquilharias como cosméticos, que subiram 55% no mês.

Já nossas vendas praticamente se limitam a matérias-primas. Bens de alto valor agregado, principalmente industriais, estão, cada vez mais, perdendo espaço na nossa pauta exportadora. 
Quanto maior o conteúdo tecnológico, maior a nossa dependência das importações: segundo o Iedi, só a indústria da transformação teve rombo de US$ 16,3 bilhões até março, 25% maior que no mesmo período de 2012.

Diante dos resultados colhidos até agora - que não seriam tão ruins se o governo federal não tivesse manobrado para maquiar os dados de 2012, postergando a contabilização de importações feitas pela Petrobras - já há dúvida até mesmo se a balança brasileira conseguirá fechar no azul neste ano. Isto depois de o saldo comercial já ter caído 35% em 2012, para US$ 19,4 bilhões.

Embora cadentes, as projeções de mercado colhidas pelo Banco Central ainda apontam perspectiva de superávit de US$ 10,2 bilhões até dezembro. Os números divulgados ontem, porém, já sugerem resultados bem menores ou até mesmo déficit, segundo a Folha de S.Paulo.  

Seria a primeira vez desde 2000 que isso aconteceria.

O mercado brasileiro está sendo, cada vez mais, abastecido por produtos importados, uma vez que a produção nacional, sobretudo a da indústria, não tem conseguido competir com os artigos estrangeiros. 
Trata-se de decorrência do pernicioso descompasso entre consumo interno em alta e oferta estagnada, que também está no cerne do recrudescimento da nossa inflação.

Na outra ponta, o comércio exterior brasileiro perde cada vez mais mercado no exterior. O Valor Econômico mostrou ontem que nossas vendas para destinos como China, Estados Unidos, União Europeia, Argentina e Chile estão caindo, a despeito de nossos parceiros continuarem comprando de outros fornecedores.

Antes superavitário, depois de uma década o comércio com os europeus passou ao vermelho, numa virada que começou em 2011 e vem se aprofundando. O mesmo aconteceu nos negócios com os norte-americanos: saímos de um superávit de US$ 5 bilhões em 2002 para um déficit de US$ 5,6 bilhões em 2012. 
Como se percebe, estamos encolhendo.

Os resultados declinantes do nosso comércio exterior refletem as dificuldades de se produzir no país. Os insuportáveis custos e as ineficiências oneram em cerca de 35% os bens e serviços made in Brazil, segundo mostrou estudo divulgado pela Fiesp em março. 
É a nossa competitividade escorrendo pelo ralo em razão da logística caótica, da burocracia insana e de uma carga tributária sem concorrentes.

Mas há, sobretudo, as dificuldades de inserção do país no mundo resultantes da visão que emana do governo petista. Desde 2003, nossa política externa voltou-se para o umbigo, movida por preconceitos ideológicos e uma concepção equivocada do que seja ser uma grande nação no mundo contemporâneo.

Sob o PT, o Brasil se contenta em ser líder entre países da rabeira do mundo e não protagonista entre os líderes globais. 
Preferimos um abraço de afogados com os países do Mercosul do que acordos de livre comércio com países desenvolvidos - nos últimos anos, só firmamos pactos comerciais com Palestina, Egito, Jordânia e Israel, além de acordos limitadíssimos com Índia e África do Sul.

Não surpreende que o Brasil tenha perdido participação no comércio mundial em 2012 e seja hoje considerado um país extremamente protecionista, com adoção de barreiras que podem até beneficiar alguns setores eleitos, mas certamente acabam por penalizar os consumidores. 
O país não deveria se fechar. 
Deveria, ao contrário, tornar-se mais eficiente, competitivo, moderno, para ter capacidade de enfrentar seus concorrentes de igual para igual.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela 
Comerciante de espelhinhos

DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA 1,99 : Rombo sobe 165%


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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou, em março, o pior resultado para o mês desde 2010: 
deficit de R$ 5 bilhões, valor 165,9% maior do que no mesmo período do ano passado. 
Segundo o Ministério da Previdência, a arrecadação de contribuições somou R$ 22,7 bilhões, volume insuficiente para cobrir a folha de benefícios, que alcançou R$ 27,7 bilhões.

Entre os fatores que contribuíram para o aumento do rombo, segundo o ministério, estão o reajuste de 9% do salário mínimo a partir de janeiro, o aumento do estoque de benefícios e a revisão das aposentadorias pagas por incapacidade de trabalho dos segurados. Apenas essas revisões elevaram as despesas em R$ 1,1 bilhão.

A quantidade total de pagamentos também cresceu. Em março, o INSS contabilizou 30,2 milhões de benefícios diversos, um aumento de 3,4% em relação a um ano antes. Desse total, 16,8 milhões são aposentadorias. Já o salário mínimo pesa sobre as contas da Previdência porque mais de 70% dos segurados recebem mensalmente o equivalente ao piso salarial.

As desonerações promovidas pelo governo para reduzir o custo das empresas com a folha de pagamento também afetaram o resultado, mas o ministério não informou qual foi o impacto das medidas.

Considerando somente os trabalhadores urbanos, o sistema previdenciário não apresentou deficit em março, uma vez que as receitas somaram R$ 22,2 bilhões e as despesas, R$ 21,7 bilhões. O setor rural, por sua vez, arrecadou apenas R$ 483,5 milhões, para um gasto de R$ 6 bilhões com benefícios.


R$ 1,7 bilhão entra no país

Depois de um desempenho fraco no mês de março, o fluxo de dólares para o Brasil voltou a apresentar desempenho positivo em abril, um saldo de US$ 1,7 bilhão até o dia 26. 
Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, o ingresso de capital estrangeiro no país têm sido alimentado pelos exportadores, que aproveitam a cotação da moeda ao redor de R$ 2 para repatriar recursos que estavam guardados lá fora. 
No mercado financeiro, em contraponto, a fuga de capitais se intensificou no mês passado: 
as saídas superaram os ingressos em US$ 2,6 bilhões.

"estão pregando prego no buraco " 'Seleção de vencedores e perdedores não deve ser feita pelo BNDES'

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Lucianne Carneiro

Defensor de um plano que inclui impostos de importação menores, o economista Edmar Bacha admite que alguns setores da indústria vão se adaptar à mudança e outros, não. Mas diz que "a seleção de vencedores ou perdedores não será feita pelo BNDES". Bacha, que é filiado ao PSDB, afirma que o governo atual não tem estratégia para o futuro.
Como seria o "Plano Real para a indústria", conforme publicou o jornal "Valor Econômico"?

Hoje temos Pibinho com inflação alta e desindustrialização. Proponho que a indústria se recupere. É focado na indústria, mas o objetivo é retomar o crescimento com baixa inflação.
Como seria a forma de atuação?

É uma proposta para ser implementada num período de oito anos. Primeiro, é preciso reduzir a carga tributária para a indústria. Para que seja de forma efetiva, é necessário ajuste no orçamento do governo. De nada adianta desonerar com elevação de déficit fiscal. Isso só aumenta a dívida pública. Poderíamos ter um período até 2020 com o gasto público crescendo 2% ao ano, para uma expansão da economia de 4%.
O plano também prevê redução de tarifas de importação, não?

Proponho uma troca da proteção da indústria pelo câmbio. Temos tarifas elevadas de importação, exigência de conteúdo nacional alto e normas técnicas que dificultam a entrada de produtos estrangeiros. A norma da tomada de três pontos, por exemplo, é só do Brasil e só serve para dificultar a importação de eletrodomésticos. Isso deve aumentar importações, e o mercado vai vender real e comprar dólar, gerando desvalorização do real. Para isso, teremos um câmbio verdadeiramente flutuante.

Também é preciso avançar nas negociações comerciais?
Essa é a terceira área. 
O Brasil é uma economia ainda muito fechada. 
O que é fundamental é anunciar e explicar tudo antecipadamente. Na mesma linha do Plano Real: 
"Só vamos fazer o que anunciar e só vamos anunciar o que vamos fazer".
A redução de impostos de importação não pode colocar em risco alguns setores da indústria?
Obviamente é preciso ter acompanhamento e políticas compensatórias para ajudar na transição. Globalmente, essas propostas preveem um crescimento maior. E vai ter mais dinheiro para compensações. Algumas indústrias vão se adaptar, outras, não. E terão que mudar de ramo.
Pode haver seleção de ganhadores e perdedores? 

Será seleção de vencedores e perdedores, mas não mais pelo BNDES.

Por que as desonerações para a indústria não têm sido suficientes para estimular a economia?
Hoje não tem plano, não tem estratégia, não tem visão de futuro. Eles (o governo) estão pregando prego no buraco.  

Entrevista publica em O Globo

ENQUANTO A GERENTONA 1,99 TEM A "CAXIROLA" DO CÉREBRO FOCADA EM 2014 : Confiança do comércio cai, aponta FGV

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O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 2,9% na média do trimestre concluído em abril, frente ao mesmo período do ano passado, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas).

No resultado anterior, referente ao período de três meses terminados em março em comparação com igual trimestre de 2012, a FGV havia anunciado queda de 2,3%.

A pesquisa mostrou que a confiança do setor passou de 126,8 pontos para 123,1 pontos. Medições acima de 100 indicam otimismo; abaixo, pessimismo. Quando há queda no valor, o indicador aponta piora na confiança.

O setor de Varejo Restrito teve baixa de 4,0% no trimestre concluído em abril na comparação com o mesmo período do ano passado, ante queda de 2,3% em março.

No Varejo Ampliado setor que inclui veículos, motocicletas, partes e peças a confiança recuou 3,6% no indicador trimestral até abril, após ter registrado queda de 2,8% no período de três meses encerrado em março.

Já no Atacado, o índice de confiança caiu 1,6% no trimestre até abril, depois de perder 1,6% no resultado de três meses anterior.

Além disso, o indicador do estudo que mede a percepção do setor em relação à demanda no momento atual o Índice de Situação Atual (ISA-COM) médio registrou 98,4 pontos, nível acima do obtido no mesmo período do ano anterior, de 97,7 pontos. 
 
Já o indicador trimestral do Índice de Expectativas (IE-COM) recuou 5,2% em abril na comparação com um ano antes. Em março, houve queda de 6,4% no mesmo quesito.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulga no 15 de maio os dados sobre as vendas no varejo de março.
Em fevereiro, as vendas no setor varejista surpreenderam ao cair 0,4% sobre janeiro, afetadas pela inflação elevada que acabou minando a demanda. 
DA REUTERS 

SEM "MARQUETINGUE" ! O DE(s)CÊNIO QUE NINGUÉM VÊ NA TEVE : Piora nas exportações levanta hipótese de deficit na balança comercial em 2013

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Com o resultado negativo recorde da balança comercial em abril, especialistas já consideram a possibilidade de deficit no ano. Seria a primeira vez, desde o ano 2000, que as importações superariam, em valor, as exportações.

Dentro do próprio governo, o superavit é considerado incerto, apurou a Folha. Segundo técnicos que acompanham os dados de comércio exterior, o saldo positivo está "em xeque".

No mês passado, a conta ficou no vermelho em US$ 1 bilhão, levando o país a acumular um deficit recorde também para o quadrimestre, de US$ 6,2 bilhões. A série histórica do Ministério do Desenvolvimento, que divulgou os dados ontem, começa em 1993.

Desde 2001, o país não registrava resultados negativos na balança comercial.

Parte do resultado negativo neste ano já era prevista pelo governo, que considerava desde janeiro a possibilidade de deficit nos primeiros meses de 2013.

Isso porque o país começou o ano com estoque de US$ 4,5 bilhões em importações feitas pela Petrobras em 2012 e cujo valor só começou a ser registrado em 2013.

Sabia-se que as importações iriam subir. Mas não estava nos cálculos uma queda de 4,2% nas exportações.

Com queda da demanda global e produção menos robusta da Petrobras, a venda de petróleo caiu 54%, derrubando o desempenho dos produtos básicos, que garantem o saldo comercial.

Do lado dos industrializados, em que o Brasil sofre problemas de competitividade, houve queda significativa nas vendas de óleos combustíveis (-39%) e de aviões (-35%).

Os números acenderam o sinal amarelo de analistas.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil afirma que terá de revisar para baixo suas estimativas para o ano e que não descarta a possbilidade de deficit. A previsão atual é de saldo de US$ 14,5 bilhões, o que já representaria queda de 25% ante os US$ 19,4 bilhões de 2013.

A estimativa da Confederação Nacional da Indústria, de US$ 11,3 bilhões, também passará por revisão.

A deterioração da balança preocupa por seu efeito nas contas externas. Em fevereiro, o Banco Central elevou a projeção de deficit externo do país, para US$ 67 bilhões, pela expectativa de ganhos menores com o saldo comercial.

Os cálculos se amparam numa estimativa de US$ 15 bilhões de superavit, saldo considerado improvável por especialistas e governo. Com isso, o deficit não será inteiramente financiado pelos investimentos estrangeiros, que ficarão em US$ 65 bilhões neste ano, segundo o BC.


BALANÇA NO VERMELHO

US$ 71,47 bi
é o valor das exportações no acumulado do ano

US$ 77,61 bi
é o valor das importações entre janeiro e abril 
RENATA AGOSTINI DE BRASÍLIA
Folha

maio 02, 2013

Uma palavra e 27 segundos para a inflação

Dilma Rousseff ocupou ontem 11 minutos e 46 segundos de rede nacional de rádio e televisão. 
Em meio a uma penca de temas, nem sempre conexos, dedicou exatos 27 segundos a falar do assunto que mais interessa ao país hoje: 
a estabilidade da moeda e o controle da inflação.

A desproporção ilustra as reais preocupações do governo petista com a carestia.

Supostamente dedicada ao Dia do Trabalho, a fala da presidente juntou assuntos tão díspares quanto educação, royalties de petróleo, geração de emprego e - até mesmo - inflação.
Mais serena que das outras vezes, nem por isso perdeu seu costumeiro tom eleitoral, a ponto de Dilma terminar seu pronunciamento com quatro frases seguidas em exclamação, sobre pomposa trilha sonora.

Foi o 13° pronunciamento da presidente em rede nacional. Dilma já conseguiu tornar-se mais loquaz que seu antecessor: 
Lula precisou de cinco anos para alcançar o mesmo número que a presidente alcançou em menos de dois anos e meio, segundo levantamento publicado hoje por O Globo.

Mas o que interessa aqui é avaliar como a presidente, e, consequentemente, seu governo, enxerga o problema da inflação no país.
A palavra foi usada apenas uma única vez no seu discurso de ontem, em meio a outros 1.428 vocábulos. O tema é tratado em apenas um dos 29 parágrafos redigidos por João Santana para Dilma recitar no rádio e na TV.

Eis a frase única:
"É mais do que óbvio que um governo que age assim e uma presidenta que pensa desta maneira não vão descuidar nunca do controle da inflação. Esta é uma luta constante, imutável, permanente. Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica, que têm por base o crescimento sustentado e a estabilidade."

Nenhuma palavra mais foi dita a respeito. 
Por que será? 
Porque, assim como o PT, a presidente baseia sua visão sobre inflação numa crença fajuta: 
vale trocar um pouco de aumento nos preços por um tantinho mais de crescimento.

No Brasil de Dilma, acontece uma coisa, mas não acontece a outra:
nossa inflação é alta, mas nosso crescimento é baixinho.
A inflação brasileira está bem acima da média mundial. 

Enquanto as previsões mais otimistas esperam algo em torno de 5,7% para este ano, as economias avançadas devem ter inflação de apenas 1,6%, segundo o FMI.
  
O avanço da nossa economia, porém, tem sido bem menor. 
Na América Latina, depois de perdermos para todos os países exceto o Paraguai em 2012, neste ano só ganharemos da Venezuela, segundo a Cepal.

Mesmo assim, Dilma preserva uma visão míope do problema, que externara com todas as letras em março, na África do Sul: "Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença é complicado, é uma política superada".


A presidente não cumprirá a meta de inflação em nenhum dos quatro anos de seu mandato.

Na semana passada, o coro engrossou quando Fernando Pimentel disse que o Brasil tem uma "inflação de base" de 5% a 6%, dando a entender que, com os petistas, dificilmente a taxa cairá abaixo disso e que o PT não vai fazer o menor esforço para tanto.


O ministro do Desenvolvimento fala com base na experiência:
 na era petista, a média de inflação no Brasil foi de 5,8%.

Em março, a inflação superou o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano, chegando a 6,59%. Em abril e maio, o índice deve arrefecer um pouquinho por razões estatísticas, pela ajuda da safra agrícola recorde e pelo recuo de preços internacionais, principalmente das commodities.

Em junho, porém, a taxa deve voltar a subir e novamente furar o teto.
Será uma boa ocasião para discutir uma mudança importante no tratamento do problema no país:
no fim do semestre chegará a hora de o CMN - integrado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central - estipular a meta de inflação que valerá para 2015, ou seja, para o primeiro ano do próximo governo.

Se o governo do PT, de fato, tiver algum compromisso com o controle da escalada dos preços, será um bom momento para o país passar a perseguir, progressivamente, patamares mais baixos de inflação, e não continuar flertando perigosamente com o teto de uma meta que se tornou fictícia.

A meta para 2015 poderia ser mais baixa que os 4,5% que vigoram no país desde 2005. Nosso patamar atual é alto sob quaisquer ângulos que se analise: entre 29 países que adotam regimes como o brasileiro, apenas Gana e Turquia têm hoje metas superiores à nossa. 
 
Convenhamos, não deveriam ser os melhores modelos para o Brasil...

Como quem reconquistou a estabilidade da nossa moeda, a oposição sabe como é importante garantir que o país não perca esta conquista, o que penaliza, sobretudo, os mais pobres. Contra a inflação, tolerância zero.

 
Esta convicção, infelizmente, tem faltado ao governo da presidente Dilma Rousseff, como, mais uma vez, ficou claro no seu pronunciamento de ontem.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Uma palavra e 27 segundos para a inflação

ENQUANTO ISSO... NO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA 1,99 COM A "CAXIROLA" NA REELEIÇÃO III : Balança comercial fecha abril com déficit de quase US$ 1 bi. É o pior resultado para o mês desde que esse dado começou a ser coletado; déficit do ano é de US$ 6,1 bi

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Depois de registrar um leve superávit em março, a balança comercial brasileira voltou a registrar déficit em abril. De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o déficit ficou em US$ 994 milhões, o pior resultado da história para o mês.

As exportações somaram US$ 20,632 bilhões e as importações, US$ 21,626 bilhões - os dois resultados são recordes para o mês de abril.

De janeiro a abril, as importações brasileiras registraram recorde histórico ao somarem US$ 77,618 bilhões. Pela média diária, de US$ 946,6 milhões, o crescimento é de 10,1% em relação ao mesmo período de 2012.

Por outro lado, as exportações apresentam valor de US$ 71,468 bilhões, com média diária de US$ 871,6 milhões, o que significa uma queda de 3,1% na comparação com a média diário do primeiro quadrimestre do ano passado.

No mesmo período, a balança está deficitária em US$ 6,150 bilhões, valor que também para os quatro primeiros meses do ano.

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou que a balança comercial brasileira deve registrar, em maio, um superávit, mostrando uma reversão ante o quadro de abril.

"Nossa expectativa é de ter superávit na balança comercial em maio e seguimos com a expectativa de ter um ano com saldo positivo na balança", afirmou Tatiana ao comentar os dados de abril.

Ela destacou que, embora haja um déficit superior a US$ 6 bilhões até abril, no acumulado em 12 meses, a balança ainda registra um superávit de quase US$ 10 bilhões.

Na quarta semana de abril, cujos dados só foram divulgados hoje, houve um superávit de US$ 322 milhões, com vendas externas de US$ 4,794 bilhões e importações de US$ 4,472 bilhões. Na quinta semana do mês, o superávit foi de apenas US$ 23 milhões, resultado de exportações de US$ 1,698 bilhão e compras de US$ 1,675 bilhão.

Em janeiro deste ano, o déficit comercial foi de US$ 4,039 bilhões. Em fevereiro, o saldo foi negativo em US$ 1,278 bilhão. Em março, apresentou um resultado positivo de apenas US$ 161 milhões.

Petrobrás. Tatiana informou que ainda falta ser registrado US$ 1 bilhão em operações de importações de petróleo e derivados realizadas pela Petrobras em 2012. De Janeiro a abril, houve o registro de US$ 3,5 bilhões, que impulsionou os números de 2013. Em abril, foram US$ 847 milhões, segundo a secretária.

Ela, no entanto, disse que mais explicações deveriam ser dadas pela Petrobras e pela Receita Federal. O prazo para registro pelo Petrobras é de 50 dias após o desembaraço da mercadoria, o que já foi superado. "Esclarecimentos sobre questões operacionais do registro devem ser dados pela Petrobras e Receita", disse. 


Renata Veríssimo, da Agência Estado

ENQUANTO ISSO... NO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA 1,99 COM A "CAXIROLA" NA REELEIÇÃO II : Déficit de competência

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As estropiadas contas do governo continuam ladeira abaixo, afetadas severamente pela crise cada vez mais grave - não a internacional, mas a crise de seriedade e competência da administração federal brasileira.
Os resultados de março e o acumulado no ano foram os piores para o mês e para o trimestre desde 2010.

Ao divulgar os últimos números do setor público consolidado, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, recorreu a uma explicação generosa. Segundo ele, a arrecadação mais fraca reflete principalmente dois fatores.

O primeiro é a redução de impostos e contribuições concedida a setores selecionados. O segundo é a defasagem entre a recuperação da atividade e a melhora da receita.

A referência à desoneração de tributos poderia tornar o cenário menos feio, se a renúncia fiscal, superior a R$ 40 bilhões em 2012, tivesse produzido algum benefício significativo. Mas o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu só 0,9% e o investimento produtivo encolheu 4% no ano passado.

De janeiro a março, o superávit primário, a economia destinada ao pagamento de juros, ficou em 2,72% do PIB. Um ano antes, havia chegado a 4,45%. O acumulado em 12 meses diminuiu de 2,46% em janeiro para 2,16% em fevereiro e 1,99% no mês seguinte.

A meta oficial, de 3,1%, já está praticamente descartada, porque o governo deverá descontar, segundo anunciou, as desonerações e os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Há um vínculo entre a piora das contas públicas e o baixo ritmo de crescimento da economia, mas a relação é muito diferente daquela apontada por funcionários do governo. São fenômenos irmãos, porque um e outro resultam de erros da política econômica.

A presidente Dilma Rousseff aponta o corte dos juros como grande realização. No primeiro trimestre de 2011, antes da redução, o governo central gastou com juros o equivalente a 4,25% do PIB. De janeiro a março do ano passado, 4,86%. No primeiro trimestre deste ano, 4,24%. Onde está o ganho?

Quando se adicionam os juros ao resultado primário, chega-se ao resultado global. Um buraco de 2,79% do PIB foi o saldo geral do setor público no primeiro trimestre deste ano, maior que o de um ano antes (1,26%) e que o de janeiro a março de 2011 (2,05%).

Juros altos, como se comprovou, estão longe de ser, ao contrário das alegações do governo, o grande problema das finanças públicas brasileiras. Os defensores da tese governista menosprezam ou desconhecem alguns fatos simples e importantes.

A política fiscal tem sido ex-pansionista, como lembrou mais uma vez o economista Túlio Maciel, do Banco Central Além disso, o governo tem continuado a endividar-se. A dívida bruta cresceu 12,5% em 12 meses.

Números do governo central, divulgados no dia anterior, haviam mais uma vez comprovado a expansão dos gastos. De janeiro a março, a receita total foi 3,9% maior que a de um ano antes, enquanto a despesa foi 11,5% superior à de janeiro a março de 2012.

A Previdência arrecadou 8,8% mais que nos primeiros três meses do ano passado, mas gastou com benefícios 14,3% mais que em igual período de um ano antes.

O aumento do investimento em relação ao primeiro trimestre do ano passado ficou em 74%, enquanto as despesas totais do Tesouro aumentaram 9,7%. A elevação do dispêndio, portanto, foi puxada principalmente pelo custeio.

Além disso, boa parte do valor contabilizado como investimento corresponde a desembolsos para programas habitacionais.

Mesmo com alguma reativação econômica, o estado geral das contas públicas deverá continuar precário. A gastança e as desonerações - até agora mal planejadas e com resultados quase nulos para a economia -devem continuar, segundo informou o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

É fácil prever o resultado.
O potencial de crescimento continuará muito limitado e as finanças públicas serão sacrificadas por incompetência e demagogia eleitoreira.
 
 
O Estado de São Paulo

ENQUANTO ISSO... NO DE(s)CÊNIO DOS FARSANTES E FALSÁRIA 1,99 COM A "CAXIROLA" NA REELEIÇÃO : BRASIL PERDE ESPAÇO EM SEUS MAIORES MERCADOS

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A desaceleração ou a falta de recuperação dos mercados externos não é a única explicação para o fraco desempenho das exportações brasileiras, que caíram 7,7% no primeiro trimestre, ante igual período de 2012.

Uma comparação entre a evolução da importação dos destinos mais importantes para o Brasil e a da exportação brasileira para os mesmos locais mostra que os produtos do país perderam fatia de mercado.

Segundo analistas, o quadro resulta da alta dependência da pauta brasileira de exportação em relação às commodities e da falta de competitividade da indústria doméstica no mercado internacional.

Segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), a China aumentou as suas importações em 8,4% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado. 
 
A exportação brasileira para o país asiático, porém, teve queda de 2,2%.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil e responde por 15% das exportações do país.

Na Argentina, a importação total no trimestre aumentou 5%, enquanto as exportações brasileiras para o país vizinho caíram 10,4%.

Para o Chile, a tendência é a mesma e os números são parecidos: enquanto a importação total chilena cresceu 6,3%, a exportação brasileira para o país caiu 11,7%.

Para os Estados Unidos e União Europeia, há dados disponíveis somente até o primeiro bimestre. De janeiro a fevereiro, a importação americana total ficou estável, com crescimento de 0,14%.

A exportação brasileira para os americanos, porém, caiu 25%.
No mesmo período as importações da União Europeia originadas de países de fora do bloco caíram 2,6%. Os embarques brasileiros para a zona do euro também tiveram queda, mas muito mais alta, de 9,7%.

"Há o fraco desempenho da economia internacional. Mas a diferença nas variações mostra que o Brasil está perdendo fatia de mercado", diz Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior.  
 
Para alguns países, como China, por exemplo, a evolução pode ser explicada pela alta de preços e demanda de commodities, os principais produtos que o Brasil exporta para o país asiático.

"Para os Estados Unidos há a representatividade do petróleo. E para os manufaturados, há a falta de competitividade da indústria brasileira para exportar. Mas de qualquer forma, em todos esses casos, o Brasil está perdendo mercado."

Em relação à China, um dos grandes problemas é a alta concentração da pauta exportadora brasileira. Juntos, minério de ferro, petróleo e soja representaram no primeiro trimestre 79% do valor total embarcado pelo Brasil rumo ao país asiático.

A alta de preços foi um dos principais componentes que elevaram o valor da exportação brasileira até 2011 e esse componente não promete ajudar muito neste ano.

O preço da soja está abaixo do que havia sido estimado para o mês de abril e o preço do minério de ferro também não deve, segundo economistas, subir muito em 2013. 
 
 Com dependência dessas commodities na pauta exportadora, diz Barral, há poucas alternativa para compensar a perda com a venda de outros itens para a China que, mesmo tendo desacelerado mais do que se imaginava, elevou as importações durante o primeiro trimestre.

A exportação para os Estados Unidos tem problema parecido. O petróleo responde por 20% da pauta de exportação do Brasil para os americanos e as vendas do óleo bruto caíram em razão da alta demanda do mercado doméstico e da falta de capacidade de elevação da produção interna.

Somente em março, os embarques totais de petróleo em bruto do Brasil caíram 33% na média diária em relação ao mesmo mês do ano passado.

O desempenho do embarque de petróleo contribuiu para a queda de 20% nas vendas do Brasil aos americanos no primeiro trimestre. De novo, a falta de diversidade da pauta exportadora dificulta a reação dos embarques.

Rumo aos países da União Europeia, a exportação brasileira sofre com os preços das commodities e com a falta de reação dos manufaturados.

Para o grupo dos produtos industrializados, diz Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica, o grande problema é a falta de competitividade da indústria de transformação brasileira.

Até 2008, lembra ele, a economia internacional estava em crescimento e havia espaço para todos. No mercado pós-crise, porém, a concorrência aumentou com a superoferta resultante da desaceleração da economia mundial.

Esse novo ambiente, diz Barral, fez diversos países adotarem estratégias mais agressivas para aumentar a competitividade.

"O Brasil, porém, ficou para trás. Temos apenas o Reintegra, que é uma medida sem continuidade e é mera compensação para o tributo acumulado na cadeia produtiva", diz ele, referindo-se ao incentivo fiscal que concede crédito equivalente a 3% do valor exportado.

O alto custo interno, diz o economista Silvio Campos Neto, da Tendências, está tirando o Brasil do processo de produção global.

"E o câmbio já não é mais capaz de explicar o problema da competitividade do produto brasileiro", diz ele, lembrando que, apesar da perda de fatia do Brasil no mercado mundial, o nível cambial atual é mais vantajoso à exportação que o do início do ano passado.

Tradicional comprador de manufaturados brasileiros, a Argentina é um caso emblemático da dificuldade para exportar da indústria doméstica. Cerca de 90% do que o Brasil exporta para a Argentina é de manufaturados.

As restrições colocadas pelo país vizinho para as importações foram parte da explicação para a queda de 20,8% nos embarques brasileiros aos argentinos em 2012, quando a exportação total brasileira caiu 5,3%.

Os números do primeiro trimestre mostram, porém, que as importações totais feitas pela Argentina cresceram 5%. "A oportunidade tem sido aproveitada por países como China e Vietnã, mas não pelo Brasil", diz Barral.
Marta Watanabe | De São Paulo Valor Econômico