"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 22, 2011

Desde junho, alta do dólar elevou dívidas de empresas em R$21,96 bi

Câmbio corroeu 57,6% do lucro bruto de 242 companhias, aponta Economatica

Estudo da Economatica com um grupo de 242 empresas de capital aberto mostra que, de 30 de junho até a última terça-feira, o endividamento em moeda estrangeira dessas companhias aumentou o equivalente a R$21,96 bilhões com a alta do dólar no período, passando de R$151,8 bilhões a R$173,7 bilhões.

Isso significa que a valorização cambial no período, de 14,4%, corroeu mais da metade - 57,6% - do lucro antes de impostos e despesas financeiras (Ebit) que essas empresas registraram, juntas, no segundo trimestre.

Se for excluída a Petrobras, cuja dívida em dólar saltou do equivalente a R$73,1 bilhões para R$83,7 bilhões, o aumento do endividamento das outras 241 companhias foi de R$11,3 bilhões.

Esse valor pode ser ainda maior, pois outras 76 empresas listadas na Bolsa de Valores ficaram fora da compilação da Economatica por não terem publicado o valor de suas dívidas em moeda estrangeira nos balanços enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre as excluídas estão gigantes como Vale, Gerdau, CSN e Usiminas.

Embora a valorização do dólar tenha elevado sua dívida em um valor equivalente a 86,7% do Ebit do segundo trimestre, a Petrobras não vê ameaça a sua contabilidade e se considera protegida do câmbio. Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, o fato de o preço do petróleo ser cotado em dólar dá à empresa um hedge (proteção) natural, mesmo que o maior volume de suas receitas venha das vendas de derivados no mercado interno.

- O que acontece com essas flutuações são mais efeitos contábeis do que reais - disse Barbassa, para quem o dólar está próximo de seu pico, devendo recuar para um patamar entre R$1,65 e R$1,70 mais adiante.

A JBS, maior exportadora mundial de carne bovina, acumulava dívidas de US$3,8 bilhões no fim de junho e viu essa conta aumentar em quase R$600 milhões até esta semana. Mas também não se considera ameaçada. Segundo seu diretor de Relações com Investidores, Jeremiah O"Callaghan, boa parte desses débitos foi contraída nos Estados Unidos pela JBS USA, e a dívida contraída no Brasil está protegida.

- A geração da dívida e seu custo foi feita nos EUA. Para fins de contabilidade, essa dívida vai aumentar no balanço deste trimestre, mas essa variação é mais contábil - afirmou ele, lembrando que o faturamento da JBS, por ser grande exportadora, também vai aumentar com a alta da moeda americana. - Vamos receber mais reais, que compensam boa parte do aumento da dívida em dólar.

O estudo da Economatica não considera as estratégias de hedge cambial eventualmente adotadas pelas empresas.

- Essa é uma análise seca, em cima de valores do balanço do segundo trimestre - diz Einar Rivero, da Economatica.

A despeito do efeito contábil do câmbio nos balanços das empresas no trimestre corrente, a maior parte dos analistas trabalha com a perspectiva de uma acomodação do dólar à frente. Para Sidney Nehme, diretor da NGO Corretora, essa elevação das dívidas é passageira. Ele projeta o dólar a R$1,70 em dezembro:

- Há uma série de movimentos no mercado que apontam que o real voltará a se valorizar ainda este ano.

Ronaldo D"Ercole O Globo

Alta do dólar afeta outros preços e pressiona inflação.


Com o dólar em alta e mais pressão sobre os preços, a inflação deve subir mais. O gráfico abaixo fala por si: a moeda americana subiu 17% em 14 dias; ontem, mais de 4%. Em julho, estava em R$ 1,50; e agora, em R$ 1,86.

Ontem, bancos e consultorias começaram a enviar para seus clientes uma revisão total das previsões de inflação.

Acham que, se continuar nesse nível, a inflação realmente estoura a meta este ano e está comprometida para 2012.

O dólar bate em vários preços, como por exemplo, nos alimentos, mesmo aqueles que são produzidos no Brasil, como o café, porque são cotados em dólar. O país importa metade do trigo que consome - mais uma razão para subir.

O dólar afeta também outros preços: o petróleo e seus derivados ficam mais caros.

A Petrobras venderia nafta com preço mais elevado para empresas que produzem resinas plásticas. A embalagem, com isso, ficaria mais cara. Quando o petróleo sobe, sobe também o detergente, por exemplo.

A alta das matérias-primas afeta todos os outros produtos e também os alimentos, que mais sobem nos últimos tempos. O Banco Central não está atento a isso.

O Globo

Ana Arraes: roubem e depois a gente analisa



Do blog :
http://maisseriedade.blogspot.com/
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Ministro rebate acusação de uso da máquina em favor de Ana Arraes

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, rebateu as acusações de deputados de que usou a máquina do ministério e a promessa de liberação de emendas para conseguir votos para a eleição da deputada Ana Arraes (PSB-PE) para ministra do Tribunal de Contas da União.

- Minha agenda é pública. De forma alguma houve promessa de verba em troca de voto para Ana Arraes. Além disso, o orçamento do ministério é baixo e não tenho como comprometer nada - reagiu o ministro Fernando Bezerra.

Ele ressaltou ainda que todas as liberações de emendas são feitas em sintonia com a Secretaria de Relações Institucionais, ligada diretamente ao Palácio do Planalto. Nos últimos dias, houve uma campanha intensa dos grupos políticos dos principais candidatos.

Na quarta, vários deputados e candidatos derrotados acusaram o ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, de ter prometido liberação de emendas ao mesmo tempo em que fazia campanha para Ana Arraes.

- O jogo é pesado. O Ministério da Integração (Nacional) ofereceu verba para deputados do PMDB. É preciso apurar isso - reagiu o deputado Átila Lins (PMDB-AM), que ficou em terceiro lugar com 47 votos.

Gerson Camarotti (gcamarotti@bsb.oglobo.com.br)

Recuo de moedas emergentes indica fuga de capitais



A forte queda de moedas de economias emergentes em relação ao dólar reflete mais a demanda pela moeda americana como refúgio seguro, em meio à desaceleração das economias desenvolvidas e redução do apetite causado pela crise da zona do euro, do que mudanças importantes na política cambial dos emergentes.

A avaliação é de analistas europeus, prevendo que desvalorização das divisas emergentes poderá continuar pelo resto do ano e que as moedas asiáticas tendem a ser as primeiras a se recuperar.

O que parecia uma onda de valorização persistente das moedas de emergentes acabou sofrendo uma reversão.

O real brasileiro caiu mais de 7% desde segunda-feira.

O won da Coreia do Sul perdeu 2,4% apenas na segunda-feira e a rupia da Indonésia declinou 1%.

O rublo da Rússia perdeu 11% nos últimos dois meses. O forint da Hungria e o zloty da Polônia declinaram mais de 13% contra o dólar.

A moeda americana recuperou parte de seu tradicional status de refúgio seguro. Primeiro, expectativas de mais afrouxamento monetário (QE3) pelo Federal Reserve diminuíram Segundo, isso permitiu ao dólar se beneficiar mais do menor apetite global ao risco.

E terceiro, a desaceleração da economia mundial e queda nos preços de commodities diminuíram a pressão por aperto monetário que antes causara também valorização de moedas dos emergentes.

"Não vemos nenhum desses fatores se inverter tão cedo, de forma que a pressão de baixa das moedas de emergentes pode persistir por mais algum tempo", diz Julian Jessop, chefe de economia global da consultoria Capital Economics.

No caso do real brasileiro, analistas do Barclays, de Londres, veem mais causas de preocupação. Se o mundo desenvolvido cair na recessão, os preços de commodities podem sofrer mais e o real seria afetado.

Outro ponto é sobre o montante de remessas de lucros e dividendos. Conforme o Barclays, desde 2003 o estoque de Investimentos Diretos Estrangeiros (IED) e fluxos de portfólio para o Brasil alcançaram US$ 614 bilhões em meados deste ano.

Mas, em período de estresse, as companhias estrangeiras são pressionadas a enviar mais dinheiro para as matrizes.

O banco nota que foi o que ocorreu em 2008, quando as remessas aumentaram 51% comparadas a 2007. Este ano a saída por essa conta já atingiu US$ 37 bilhões, ante com US$ 30,4 bilhões de 2010.

Para o Barclays, se a situação econômica global deteriorar, o risco é claro de o real sofrer mais pressão de baixa.

Assis Moreira Valor Econômico

AS TAXAS DO P artido T orpe.

A recriação da CPMF foi ferida de morte ontem com a votação da regulamentação da Emenda Constitucional nº 29 pela Câmara.

Mas ainda não foi a bala de prata. O PT votou a favor da ressurreição do tributo e vai insistir em avançar no bolso do contribuinte. É o partido das taxas em ação.


A proposta de criação do novo tributo chegou ao Congresso em 2008, enviada pelo governo Lula. Um destaque apresentado pelo DEM inviabilizou-o:
o texto aprovado ontem retira a base de cálculo sobre a qual incidiria a Contribuição Social para a Saúde, a reencarnação da CPMF.
Sem ela, não há imposto novo.


Dos deputados, 355 votaram contra o novo tributo e 76 a favor - quase todos do PT. Derrotados na Câmara, os petistas vão tentar emplacar a nova CPMF no Senado, justamente onde o "imposto do cheque" foi derrubado pela oposição em dezembro de 2007. Não agem isoladamente; têm o aval do governo para isso.

A presidente da República não quer se expor ao desgaste da criação de um imposto, ainda mais um tão famigerado quanto a CPMF. Ao longo das últimas semanas, ela protagonizou um jogo de idas e vindas para despistar seu desejo de contar com mais recursos em caixa. Mas as reais intenções são cristalinas: impor nova carga ao contribuinte.

"Nesta novela, Dilma Rousseff tenta ficar apenas com um papel coadjuvante, de quem faz o diagnóstico sobre a situação da saúde brasileira e suas necessidades de mais recursos para se tornar um serviço de ponta. O fato é que Dilma quer novas fontes de recursos para a saúde", analisa Valdo Cruz na Folha de S.Paulo. Não restam dúvidas quanto a estas pretensões.

Nos últimos dias, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ocupou-se em divulgar seguidos "estudos" indicando a necessidade de mais recursos para financiar a saúde. Num deles, mostrava que a regulamentação da EC 29, tal como estava o texto, retira R$ 6 bilhões do setor, por excluir o Fundeb dos cálculos. O Senado deve corrigir isso.

Noutro, acusou parte dos estados de não cumprir o que estabelece a emenda, ou seja, a aplicação de 12% de suas receitas em saúde. E, anteontem, trouxe a público levantamento que sugere que o Brasil precisaria gastar mais R$ 45 bilhões - quase exatamente o que se arrecadava com a CPMF em 2007 - para equiparar-se aos investimentos de vizinhos como Chile e Argentina no setor.

Ou seja, o governo tenta disseminar na opinião pública a impressão de que não se melhora a saúde sem arrancar mais dinheiro dos cidadãos. Mas não mostra a menor disposição para fechar os ralos da corrupção, que drenaram pelo menos R$ 2,3 bilhões do setor nos últimos nove anos, nem para melhorar a eficiência dos gastos.

Dinheiro de impostos, convenhamos, há, e muito. Aumentos nas alíquotas de tributos como CSLL e IOF mais que compensaram a perda de arrecadação da CPMF desde 2007, mostrou a (Folha de S.Paulo) na segunda-feira. Pelas estimativas oficiais, a receita total da União deverá chegar perto de 20% do PIB até dezembro, já descontados repasses obrigatórios para estados e municípios. Um recorde absoluto.

A previsão de receita do governo federal para este ano é de R$ 997 bilhões. O valor da nova estimativa foi divulgado pelo Tesouro nesta semana e confirma todos os prognósticos de que o governo do PT, o partido das taxas, arrecada como nunca. Só em relação ao bimestre anterior (o terceiro), o aumento foi de R$ 25 bilhões.

Vejamos qual foi o comportamento da arrecadação ao longo da gestão petista. Ela só caiu em 2003 e 2009.

Nos demais exercícios, houve seguidos aumentos reais, ou seja, sempre acima da inflação:
10,6% em 2004;
5,65% em 2005;
4,48% em 2006;
11,09% em 2007;
7,68% em 2008;
e 9,85% em 2010.


Continua assim neste ano.
Entre janeiro e julho últimos, foram arrecadados R$ 67 bilhões a mais do que nos sete primeiros meses de 2010, já descontada a inflação do período.
O aumento real é de 14%. Vale lembrar que apenas cerca de 7% deste bolo vai para a saúde...


A despeito de tudo isso, a regulamentação da EC 29 é uma vitória da saúde pública. A proposta chegou ao Congresso em 2000, no bojo de uma mobilização suprapartidária liderada pelo então ministro da Saúde, José Serra.

Resta agora ao governo do PT, o partido das taxas, cumprir o que diz a lei, sem assaltar, mais uma vez, o bolso do contribuinte.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

setembro 21, 2011

BANCO CENTRAL EM XEQUE : VOOS, ROUPAS, MOTEL. ESTÁ TUDO MAIS CARO.


Os preços do dólar romperam ontem a barreira psicológica de R$ 1,80 ao longo do dia e deixaram o Banco Central em uma situação ainda mais desconfortável.

Apesar de, oficialmente, o governo mostrar simpatia pela recuperação da moeda norte-americana, já que as cotações atuais tendem a favorecer as exportações, há um temor generalizado quanto ao impacto dessa arrancada sobre a inflação, que, em 12 meses, atingiu 7,33% e se distanciou muito do teto de 6,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O dólar em alta contamina toda uma cadeia de preços: alimentos, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, viagens ao exterior, aluguéis e tarifas públicas, esses últimos por meio dos Índice Gerais de Preços (IGPs).

Ontem, a moeda dos Estados Unidos registrou a terceira alta consecutiva contra o real e avançou 0,81%, cotada a R$ 1,790 — o maior nível em 15 meses. Apenas em setembro, a divisa acumula valorização de 12,42%. No ano, a alta é de 7,48%.

Caso o dólar atinja R$ 2, como estimam alguns especialistas, ou se a crise mundial piorar e ele bater nos R$ 2,40 — a exemplo de 2008, quando o Lehman Brothers quebrou, espalhando caos pelo mundo —, a missão de manter os preços sob controle será algo quase impossível para um BC que já enfrenta dificuldades para conter os reajustes dos alimentos.

"Entendemos que a recente alta do dólar, não compensada por uma redução na mesma magnitude dos preços internacionais das commodities, eleva o risco de a inflação ao consumidor se manter acima de 6,5% por um período mais prolongado", alertou Nilson Teixeira, economista-chefe do Banco Credit Suisse.

"O repasse dessa valorização (da moeda norte-americana) para os preços tende a ser verificado, em um primeiro momento, nos índices ao produtor", explicou. Em setembro, até a segunda semana, os preços à indústria avançaram 0,59% e os agropecuários, 1,33%.

Constantin Jancson, economista do HSBC, faz coro com Teixeira. "A desvalorização do real nas últimas semanas, caso se sustente, e sem um declínio correspondente nos preços das commodities, constitui um risco significativo para a inflação, especialmente se considerarmos a força da demanda doméstica e o aperto no mercado de trabalho", observou.

A despeito de toda a alta do dólar registrada até agora, analistas têm dificuldade de prever qual o limite para essa elevação. O consenso, entretanto, é de que a moeda continuará subindo enquanto a Grécia estiver sob o risco de decretar um calote na sua dívida e as condições fiscais na Europa se mantiverem em deterioração.

Mas se a disparada do dólar representa um abalo para o controle da inflação, traz também tranquilidade aos exportadores e para a parte do governo que os defendem. "É bom para nós. O dólar está recuperando o patamar que já teve e que é razoável para a economia brasileira.

Essa pequena desvalorização do real nos últimos dias é muito boa para as nossas exportações", defendeu, em Nova York, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel.

A seu ver, a economia brasileira tende a melhorar muito com o "pequeno ajuste" da moeda norte-americana.

No bolso
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a primeira consequência da escalada do dólar ao bolso do consumidor é o preço de viagens ao exterior. "É o único item que será afetado imediatamente", observou.

Ele prevê, entretanto, que produtos importados, como eletrônicos, fiquem mais salgados ao longo do tempo, já que os componentes importados vão encarecer esses produtos.

"Talvez essa alta não seja repassada a esses produtos, caso o dólar continue no patamar atual ou registre queda. Se o real continuar se desvalorizado, há um prazo mínimo de três meses para pressionar os preços, pelo menos até o fim dos estoques atuais", analisou.

Para Agostini, não há como prever o comportamento do mercado financeiro pelos próximos meses. "Vale lembrar que a crise do euro está puxando o dólar e, por isso, tudo pode acontecer até o fim do ano", observou.

Todo esse cenário de incerteza no exterior fez os investidores trocarem suas estratégias. Eles passaram a empreender uma corrida por ativos mais seguros, como a divisa norte-americana e os títulos do Tesouro dos EUA — situação que tem puxado a cotação do dólar para cima.

Perdas
Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa) amargou perdas de 1,27% e fechou aos 56.378 pontos. Apesar do volume de negócios de R$ 6,2 bilhões, a bolsa paulista não resistiu ao clima de incertezas que permaneceu elevado, principalmente em relação à Europa.

VICTOR MARTINS Correio Braziliense

setembro 20, 2011

FMI reduz previsão de crescimento para o Brasil em 2011



Em seu mais recente relatório sobre a economia mundial, divulgado nesta terça-feira em Washington, o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu para 3,8% a projeção de crescimento para o Brasil neste ano.

As incertezas sobre a recuperação da economia mundial também provocaram uma rodada de revisões nas expectativas para a expansão global.

De acordo com as previsões reunidas no relatório World Economic Outlook ("Perspectivas da Economia Mundial", em tradução livre), o Brasil terá o segundo menor crescimento na América do Sul neste ano, ficando atrás somente da Venezuela (com previsão de 2,8%) e abaixo da média da região, de 4,9%.

Segundo o FMI, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro também será menor que a média prevista para as economias emergentes e em desenvolvimento (6,4%) e para o crescimento global como um todo (4%), mas ainda ficará à frente da previsão para as economias avançadas, de apenas 1,6%

A nova estimativa representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à previsão anterior do FMI, de 4,1%, divulgada em junho, e está abaixo da expectativa do governo brasileiro, mas ainda acima do esperado pelo mercado.

Apesar de, oficialmente, o governo brasileiro ainda manter a expectativa de crescimento de 4,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, a própria presidente Dilma Rousseff já declarou recentemente que o governo faria "um esforço para chegar a 4%, quatro e pouco (%)".

O mercado é menos otimista e, o mais recente Boletim Focus (levantamento semanal do Banco Central com base em consultas ao mercado), divulgado na segunda-feira, reduziu pela sétima semana consecutiva sua projeção de crescimento para a economia brasileira, passando de 3,56% para 3,52%.

Para 2012, o FMI manteve inalterada sua projeção para o crescimento da economia brasileira, em 3,6%, ligeiramente abaixo dos 3,7% previstos pelo mercado.

Inflação

O FMI afirma que, no geral, a perspectiva para as economias emergentes voltou a ser "incerta", em parte como reflexo de um cenário mundial menos favorável, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

No Brasil, economistas já vêm apontando a piora no cenário externo como um dos fatores para o crescimento menor, ao lado da desaceleração na indústria, provocada especialmente pela valorização do real frente ao dólar e das medidas adotadas pelo governo para conter a inflação.

O Banco Central do Brasil espera trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5% (com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo), até o fim de 2012.

A projeção do FMI, no entanto, é de que a inflação brasileira chegue a 6,6% em 2011 - acima dos 6,46% projetados pelo mercado e levemente acima do teto da meta, de 6,5% - para retroceder a 5,2% em 2012 (abaixo dos 5,5% previstos pelo mercado).

Riscos

Assim como em relatórios anteriores, o FMI voltou a apontar riscos do rápido aumento do crédito e de preços e da forte entrada de capital estrangeiro verificados no Brasil e em muitas economias da América Latina após a crise mundial de 2008.

"É necessário manter a vigilância para limitar os riscos à estabilidade financeira", diz o relatório.

Ao citar o Brasil ao lado de outros emergentes que enfrentam problemas semelhantes, o FMI afirma que "os riscos à estabilidade financeira em todas essas economias devem ser monitorados por algum tempo, devido ao grande volume de crescimento de crédito nos últimos cinco anos".

No caso do Brasil, medidas para restringir a concessão de crédito estão entre as ferramentas usadas pelo governo para tentar controlar a inflação.

Desde 2010, o governo também já adotou diversas medidas para tentar conter o fluxo excessivo de capital estrangeiro, que provoca a valorização do real frente ao dólar e acaba reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.

O FMI reconhece essas medidas adotadas pelo governo, mas recomenda que o Brasil e outros países também tenham como uma de suas prioridades a reversão do deficit público.

Estadão

NA REPÚBLICA MAMBEMBE : Feriado para o planejamento

É com o famoso "jeitinho brasileiro" que o
governo Dilma Rousseff pretende enfrentar os problemas e desafios advindos do Mundial de 2014.

A divulgação da Lei Geral da Copa, ontem, cinco meses após o prazo inicialmente previsto, indica que o improviso mantém-se como a principal marca dos preparativos oficiais para o torneio de futebol.


O governo petista arrumou uma forma de driblar os contratempos que a realização dos jogos deve causar a metrópoles insuficientemente preparadas para grandes eventos: decretar feriados nas datas dos jogos.

A medida visa compensar o atraso nas obras de mobilidade urbana previstas para a Copa e que, ao que tudo indica, não sairão do papel a tempo. Será uma forma de esvaziar as ruas e tentar evitar o caos no trânsito.

É assim, na base de remendos, que o Brasil do PT vai se aprontando para um evento para o qual teve quase oito anos para se preparar, mas, passados quatro anos, quase nada fez até agora. É a cultura da improvisação.

Encarregada de "planejar" os investimentos com vistas à Copa, a ministra Miriam Belchior não vê problema algum em as obras relacionadas à melhoria e expansão de linhas de trens, monotrilhos, metrôs, corredores de ônibus e vias urbanas não estarem prontas a tempo para o torneio.

"As obras de mobilidade são importantes, mas como legado. Não são essenciais para o funcionamento da Copa do Mundo. Se eu der feriado no dia do jogo, a cidade vai estar em condições de não ter trânsito para a locomoção dos torcedores", justificou ela, em sua peculiar visão do que é fazer planejamento.

Belchior diz que o importante é garantir os estádios e os hotéis, bem como os aeroportos e os portos (onde as obras hoje são também uma miragem). Ela só não explica como um visitante que eventualmente desembarque e se hospede sem problemas no país vai se locomover aos estádios sem as obras de mobilidade. Só dando feriado para o planejamento.

Conforme balanço oficial divulgado na semana passada, de um total de 49 obras de mobilidade urbana, só nove foram iniciadas até agora, o que dá menos de 20%. Das 40 restantes, três estão em fase de projeto, 27 por licitar e três encontram-se em licitação. Ou seja, o que a Copa de 2014 poderia trazer de herança bendita para os brasileiros provavelmente ficará para as calendas.

Em seus 46 artigos, a Lei Geral da Copa também traz outros pontos polêmicos.
A meia entrada para idosos foi assegurada, mas para estudantes não.

A venda de bebidas alcóolicas - cujos efeitos benéficos em termos de diminuição da violência em estádios são evidentes - será permitida nos jogos do torneio.

A atividade de ambulantes nas proximidades das arenas será proibida.
Tudo no intuito de satisfazer a Fifa.


Não é só na parte legal que os organizadores oficiais da Copa exibem improviso. Na financeira a situação é muito pior. Ninguém no governo federal sabe ao certo quanto a realização do evento vai custar ao país: as estimativas variam de R$ 23,4 bilhões a R$ 112 bilhões. Disse ontem a ministra do Planejamento a respeito: "Eu desconheço qual é o valor que vai custar a Copa do Mundo no Brasil. Não há nenhum estudo que diga isso."

A justificativa oficial para o alto grau de improvisação é que apenas em 2009 as cidades-sede da Copa foram definidas. Sim, mas era pule de dez que metrópoles como São Paulo,
Rio,
Belo Horizonte,
Porto Alegre,
Salvador,
Recife,
Fortaleza
e Brasília não teriam como ficar fora da lista.
Havia, portanto, margem suficiente para a ação preventiva do governo.


Se para a Copa, que está logo ali, a menos de mil dias, já há um rosário de demonstrações de má gestão, para as Olimpíadas de 2016 não é diferente.

Mostra
( O Globo ) hoje que uma das empresas estatais criadas especialmente para o evento - a surreal "Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016" - será extinta antes mesmo de ver a luz do sol. Mas não sem antes pagar meses de jetons aos integrantes de seu conselho de administração, entre eles a notável planejadora Miriam Belchior.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

EFEITO CACHAÇA! DÁ-LHE GERENTONA/FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA HOJE "PRESIDENTA" : Déficit comercial da indústria cresce 50% e chega a US$ 30 bi .

O aumento do déficit reflete não só o crescimento de importações em ritmo mais acelerado que as exportações, mas também uma dependência maior dos segmentos industriais que ainda contribuem com superávits para a balança comercial.

De janeiro a agosto de 2005, dos 22 setores analisados, 13 tinham saldo comercial positivo. No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, apenas seis contribuíram com superávit.

Desses, somente três segmentos - produtos alimentícios, celulose e metalurgia básica - responderam por 92,5% desse superávit.


Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), diz que os segmentos industriais que ainda seguram o saldo positivo são de baixo valor agregado.

"São setores que têm em básicos agrícolas ou metálicos alta representatividade na composição do preço dos produtos. Por isso, estão muito mais vulneráveis às oscilações de preços das commodities, o que torna seus saldos favoráveis ainda mais frágeis."


A concentração de superávits em poucos setores ocorreu porque segmentos que antes contribuíam para a balança comercial da indústria com saldos positivos acabaram trocando o sinal de seus resultados comerciais e hoje entram na conta apresentando déficits significativos.

O setor de produtos têxteis, por exemplo, fechou os oito primeiros meses de 2005 com superávit de US$ 413,6 milhões. No mesmo período deste ano, o segmento teve déficit de US$ 1,63 bilhão.

O setor de veículos automotores teve uma trajetória mais impressionante.
Na mesma base de comparação, o segmento passou de um superávit de US$ 4,44 bilhões em 2005 para um déficit de US$ 4,88 bilhões neste ano.


Fernando Ribeiro, economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), diz que o segmento de veículos teve seu saldo comercial deteriorado porque foi afetado nos últimos anos pela menor exportação de aeronaves e embarcações, que também entram no cômputo do setor.

Outros segmentos, como os setores têxtil e de confecção, que são de mão de obra intensiva, enfrentam um problema de competitividade. Essas indústrias, afirma Ribeiro, começaram a ter saldo comercial negativo porque passaram a enfrentar, tanto no mercado interno como no internacional, a concorrência de países que utilizam mão de obra barata, como Indonésia, Vietnã e Paquistão.

"Trata-se de uma questão estrutural difícil de resolver. Nos últimos anos praticamente todas as categorias têm conseguido aumentos reais. Ou seja, os salários médios reais têm crescido. Com a evolução do câmbio, os salários têm tido aumento ainda maior em dólares", diz Ribeiro.

"Também chama a atenção que alguns setores de média baixa e de baixa tecnologia, que sempre geraram algum superávit, embora pequeno, tenham passado a contribuir para a balança da indústria com saldo negativo", completa Souza. "Isso revela que o déficit não está mais restrito ao setores de maior intensidade tecnológica."


Outros segmentos que chamam a atenção são os que já tinham déficit e aprofundaram o saldo negativo. O setor de máquinas e equipamentos mostrava déficit de US$ 322,5 milhões no acumulado de janeiro a agosto de 2005. No mesmo período deste ano, o saldo negativo saltou para US$ 9,38 bilhões.

Na mesma comparação, o déficit da indústria eletrônica e de comunicações saiu de US$ 2,39 bilhões para US$ 9,88 bilhões. O saldo negativo do setor químico, de US$ 5,42 bilhões, chegou nos oito primeiros meses deste ano a US$ 17,98 bilhões.


A deterioração maior nos segmentos de máquinas e de eletrônicos, analisa Ribeiro, revela outro problema estrutural. "Esses setores são muito intensivos em inovação tecnológica, que é um ponto fraco do país."

Já na indústria química, diz, deixando à parte o segmento farmacêutico, o grande problema do Brasil é a escala de produção, que ainda traz falta de competitividade, principalmente ao setor petroquímico.


Em vários dos setores, lembra José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a indústria nacional tem enfrentado dificuldade em razão da pressão de custos em reais - como a dos salários - e da competição com o produto importado que ficou muito mais barato em razão do câmbio.

"Na verdade o câmbio deixou evidentes os problemas estruturais da indústria brasileira." Para ele, em vários segmentos o importado já ocupou espaço e não há a curto prazo possibilidade para reversão.


Para Ribeiro, a perspectiva da indústria é manter o quadro deficitário. Para este ano, o economista projeta déficit entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. "A tendência de déficit comercial crescente da indústria de transformação não deve mudar pelo menos no horizonte dos próximos três anos", estima.

Esse é, segundo ele, o tempo mínimo para algumas iniciativas começarem a dar os primeiros resultados. Ele dá como exemplo o plano Brasil Maior, que tem entre seus objetivos a recomposição da verticalização das cadeias produtivas e o incentivo à inovação.

Hoje, lembra Ribeiro, a taxa de investimento industrial é baixa e o quadro atual impulsiona a importação.


O economista da Funcex leva em consideração a expectativa de crescimento da economia em níveis próximos a 4% ao ano. "Isso deve manter um ritmo razoável de crescimento da demanda doméstica por importados."

Ou seja, o Brasil manterá o quadro propício ao aumento de importações, mas ainda não terá ganho competitividade necessária na exportação.
Marta Watanabe / Valor Econômico

Memória :
Em 2010
DÉFICIT/ INDÚSTRIA TRIPLICA E CHEGA A US$ 18 BI .

A HORA E A VEZ DA VOZ DAS RUAS.

Milhares de pessoas foram às ruas no feriado de 7 de Setembro protestar contra a corrupção.

Ao contrário do que estamos acostumados a ver, não foi um evento com patrocínio de movimentos "sociais" mobilizados pela esquerda; estes aderiram ao constrangedor silêncio de quem parece satisfeito com as gordas verbas estatais.

Desta vez, os grupos se organizaram de forma espontânea e apartidária pelas redes sociais. Nas palavras de uma revista, tratou-se do "despertar das consciências".


A iniciativa merece apoio daqueles cansados de tanto descaso no uso do dinheiro público. Bilhões são desviados todo ano, políticos são pegos em flagrante, mas nada acontece.

O ex-presidente Lula ajudou muito a criar este clima de anestesia geral, utilizando sua popularidade para proteger aliados corruptos. Parece que as pessoas estão finalmente acordando para o fato de que a letargia de hoje será paga com mais abusos amanhã.


Já era hora de as pessoas honestas, saturadas de tanto abuso dos governantes, partirem para alguma ação efetiva.

A pressão popular é uma arma legítima em qualquer democracia. O ideal é que este movimento se mantenha blindado contra o oportunismo político.

Desta forma ele ganha mais legitimidade, até porque o combate à corrupção é uma bandeira da sociedade contra o corporativismo político, não contra um partido específico.


A corrupção tem muitas causas, mas creio que duas merecem destaque: impunidade e concentração de poder. Quanto à impunidade, a arma mais eficaz talvez seja justamente a pressão popular, com passeatas de protesto.

Lembremos que o "mensalão" ainda nem foi julgado e corre o risco de prescrever. Os brasileiros decentes não podem aceitar tanto escárnio!


Já quanto à concentração de poder, será preciso atuar no campo das ideias, com foco no longo prazo. A mentalidade predominante no país, que desconfia do livre mercado e deposita fé quase religiosa no governo, terá que mudar.

Mas isso não ocorre num piscar de olhos. É preciso investir nas ideias, apostar no poder dos bons argumentos. Esta mudança cultural será crucial para a sustentabilidade de um modelo com menos corrupção.


A ONG Transparência Internacional possui um ranking com os países percebidos como menos corruptos por seus cidadãos. Já o The Heritage Foundation publica anualmente o Índice de Liberdade Econômica.

Não será surpresa alguma para quem compreende a teoria econômica saber que há enorme correlação entre ambos, ou seja, os países menos corruptos são também os países com maior liberdade econômica.

Nada menos que 15 países estão entre os 20 primeiros colocados de ambos indicadores.

Já o Brasil está na rabeira dos dois. E ainda culpam os "neoliberais" por nossos males!


Quanto mais recursos da economia forem canalizados para o governo central, maior será a tentação de grandes empresas tentarem capturar tais recursos por meio de propinas.

Quando o destino de um setor inteiro depende da poderosa caneta de um burocrata, parece natural supor que o preço desta caneta vai às alturas no mercado negro. Subornar governantes passa a ser bem mais lucrativo do que investir na competitividade.


Milton Friedman destacava quatro formas de se gastar dinheiro. A primeira é quando gastamos nosso dinheiro conosco, com total foco no custo e no benefício.

A segunda é gastar nosso dinheiro com terceiros, como na compra de um presente. O benefício já perde alguma importância. Já as duas últimas são as piores: gastar dinheiro dos outros com os outros e com nós mesmos.

O famoso "dinheiro da viúva", sem dono e, portanto, sem grandes preocupações com o custo. Estas são as formas estatais de gasto. Alguém ainda fica surpreso com tanto desperdício?


A verdade é que ninguém cuida tão bem de um carro alugado.

A tendência natural é cuidar melhor daquilo que nos pertence. Por isso é tão comum o descaso com a coisa pública, especialmente quando tudo importante sobre ela é decidido lá longe, em Brasília.

Em nossos condomínios ainda investimos algum tempo, pois sabemos que temos maior poder de influência. Mas com tanto poder concentrado no governo central, quanto vale o meu único voto entre tantos milhões?


Estava mesmo na hora de os brasileiros saírem às ruas contra a impunidade. Talvez seja a melhor medida de curto prazo contra a corrupção. Mas também devemos investir em ideias, para reduzir a concentração de poder no governo central. Governo obeso é um convite à corrupção.

Até agora já pagamos este ano mais de R$1 trilhão em impostos, o grosso para o governo federal. Acorda, Brasil!

Rodrigo Constantino