"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

junho 28, 2014

COPA DAS COPAS : Não houve caos nos aeroportos, mas serviço precisa melhorar . E... Turistas se queixam de obras inacabadas, informação deficiente e até falta de comida


A previsão de caos aéreo durante a Copa não vingou. 
Cenários de filas intermináveis no saguão dos aeroportos ou congestionamento de aeronaves não foram cenas corriqueiras na primeira quinzena do Mundial. Mas não faltaram percalços nesta primeira fase do torneio, de falta de comida a dificuldades na comunicação com os turistas.

Em Cuiabá, o dia mais confuso foi terça-feira passada, dia do último jogo na Arena Pantanal, entre Colômbia e Japão. Tinha tanta gente no aeroporto que faltou comida, e a Infraero teve que providenciar às pressas um carrinho com lanches.

Em Porto Alegre e no Rio, foram tantos turistas que os aeroportos se transformaram em dormitórios. O idioma foi outro problema. Houve queixas da falta de orientação em espanhol. A falha foi percebida pela Secretaria de Aviação Civil (SAC):

— Não faz sentido não ter informação em espanhol. A maior parte dos turistas que recebemos fala essa língua — diz o ministro da SAC, Moreira Franco, que já ordenou a instalação de sinalização na língua dos hermanos.

A Infraero informou que quando é identificada alguma dificuldade de comunicação, os turistas são orientados a procurar o balcão de informações, onde ficam os empregados terceirizados bilíngues.

Acostumado ao movimento intenso do carnaval, o aeroporto de Salvador apresentou obras inacabadas. Brasília também sofreu com infraestrutura precária: os alagamentos foram recorrentes. Congonhas (SP), por sua vez, viveu uma experiência única na Copa. Com a queda das viagens de negócios, o movimento de passageiros desde o início do Mundial está 13% abaixo do mesmo período de 2013.

Pelos 20 aeroportos que atendem as cidades-sede já passaram 7,6 milhões de pessoas . O governo trabalha com uma previsão de até 11,6 milhões considerando o período de 6 de junho a 16 de julho. Com o fluxo de passageiros dentro da expectativa e com o clima ajudando — em Curitiba, até a neblina, que costuma tumultuar o tráfego aéreo nesta época do ano, deu uma trégua —, o índice de atrasos de voos nos aeroportos da Copa tem girado em torno de 7,5%, abaixo da média europeia (8,4%)

LANCHINHO NO MEIO-FIO

No Aeroporto Marechal Rondon, em Cuiabá, o dia mais cheio foi a terça-feira passada, quando aconteceu o último jogo na Arena Pantanal, entre Colômbia e Japão. Com cerca de 30 mil turistas estrangeiros na cidade, a praça de alimentação do aeroporto não foi suficiente para dar conta da fome dos passageiros. 

Com apenas um restaurante fast food, uma choperia, uma gelateria e uma lanchonete, a Infraero contratou emergencialmente um carrinho de lanches, que foi instalado no meio-fio do terminal de passageiros, para ampliar a oferta de alimentação. Uma funcionária da lanchonete contou que foi confuso.

TERMINAL-DORMITÓRIO

No terminal 1 do Galeão, a Fun Zone tem videogame, mesa de totó, telão, wi-fi e máquinas de lanches. Mas o que os passageiros mais têm aproveitado nas esperas por conexões são os sofás e almofadas espalhadas pelo chão, que se tornaram camas para os cansados. A qualquer momento em que se entre na Fun Zone, há alguém tirando um cochilo. Na terça-feira passada, por exemplo, um menino de cerca de dez anos dormia enrolado em uma bandeira do Chile. 
Quem não encontra lugar nas almofadas não faz cerimônia:
 dorme no chão mesmo.

Em Porto Alegre, cerca de 400 torcedores argentinos que não tinham reserva em hotéis dormiram no terminal Salgado Filho, acomodados em sacos de dormir ou nas poltronas da área de desembarque. A Infraero autorizou a permanência dos turistas durante a madrugada do dia 25 e não registrou tumultos.
(...)
DESCULPE, ESTAMOS EM OBRAS

Com apenas uma das novas alas operando e o restante das obras de ampliação suspenso por causa da Copa, o aeroporto de Brasília enfrentou problemas hidráulicos, mas os passageiros saíram ilesos. Esta semana, pela terceira vez em menos de um mês, o aeroporto da capital teve problemas de alagamento. 
Uma tubulação se rompeu, e a água que desceu pelo teto inundou a área de desembarque doméstico, danificando caixas eletrônicos.

O aeroporto de Salvador passou por uma reforma para a Copa, mas as obras não terminaram a tempo, o que deixa visíveis vigas e tapumes em sua área externa, logo na saída do desembarque. Mas, internamente, o local parece funcionar bem. A capital paranaense foi outro local onde as obras não ficaram prontas. Os turistas que desembarcaram no terminal da Infraero ouviram o barulho das obras e viram tapumes e escadas.

FALE BEEEEEEEM DEVAGAR

Em uma Copa lotada de turistas hermanos, muitos reclamam da dificuldade de obter informações em espanhol nos aeroportos.

— Só entendo um pouco de português se a pessoa falar beeeem devagar. Quase não havia gente que falasse espanhol para nos dar informação — disse o colombiano Oscar Roa, no Galeão. — O problema foi ainda maior em Guarulhos (SP). Na área doméstica não tinha ninguém mesmo.

Coordenadora de uma equipe de voluntários no aeroporto de Porto Alegre, Cristiane Grahl Baptista relatou que até em algumas companhias aéreas pediram ajuda para dar informações . Funcionária de uma lotérica no aeroporto de Brasília, Maria Elineuza Ribeiro passou apuros para atender um francês que queria um chip de celular. Compra feita, ele não conseguia fazer a ligação e não entendia os motivos.
— Viramos um balcão de informações — diz ela.


ANDRÉ MIRANDA, CATHARINA WREDE, DANIELLE NOGUEIRA, FLÁVIO ILHA, GERALDA DOCA, HENRIQUE GOMES BATISTA, LAURO NETO E LINO RODRIGUES
O Globo

O PAC do trem fantasma ! COISAS DA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA DESAVERGONHADA QUE NÃO SABE O QUE ACONTECE OU: "é propaganda ruim, nem sequer enganadora."


Um trem fantasma circula entre Campinas e Rio de Janeiro, correndo nos trilhos imaginários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Prometido inicialmente para este ano, o trem-bala nunca saiu da promessa, continua como um vago projeto e, assim mesmo, seu status aparece como "adequado" no 10.º balanço do PAC, apresentado na sexta-feira pela ministra do Planejamento, Míriam Belchior. Em agosto do ano passado o leilão do trem de alta velocidade, com percurso de 511 quilômetros e custo estimado de R$ 32 bilhões, foi adiado pela terceira vez. 

Mas oficialmente o projeto está em dia.

Bastaria essa classificação para minar a credibilidade de mais um balanço triunfal de realizações federais. Mas outros dados comprovam, mais uma vez, o baixo grau de sucesso de um programa destinado principalmente, como indica seu nome, a ampliar a capacidade de expansão da economia brasileira.

O novo relatório comprova, mais uma vez, a predominância dos gastos com habitação no mais vistoso programa do governo central. 

A execução orçamentária do PAC 2 até 30 de abril deste ano envolveu aplicações de R$ 871 bilhões, 84,6% do total previsto para o período 2011-2014. Os financiamentos habitacionais, R$ 285,3 bilhões, corresponderam a 32,7% do valor aplicado. Nem sequer se poderia classificar esse montante como investimento, até porque o dinheiro pode ter sido gasto, no todo ou em parte, em imóveis velhos.

Somando-se a isso as aplicações do programa Minha Casa, Minha Vida, R$ 78 bilhões, chega-se a R$ 361,6 bilhões, ou 41,7% dos R$ 871,4 bilhões comprometidos entre 2011 e o fim de abril. O resto é dividido entre os demais setores, com destaque para os de energia e de transportes.

Não há como desmentir: 
o PAC é essencialmente um conjunto de financiamentos e investimentos habitacionais. Os programas de moradia podem ser importantes socialmente, economicamente úteis e louváveis sob vários aspectos, mas a aceleração do crescimento, finalidade explícita do programa, depende muito mais de investimentos em infraestrutura.

Os dispêndios das estatais, R$ 231,4 bilhões desde o início do PAC 2 até 30 de abril, corresponderam a 26,6% das aplicações totais. Somados os gastos do Orçamento-Geral da União chega-se a R$ 324,2 bilhões, valor bem menor que o dedicado à habitação.

Como explicar o peso desproporcional dos gastos com habitação?
 A resposta provavelmente envolve a dificuldade muito maior de planejar, projetar e executar obras de estradas, 
ferrovias, 
portos,
 armazéns, 
aeroportos, 
centrais elétricas, 
sistemas de transmissão e de pesquisa, 
exploração e refino de petróleo.

A escassa competência do governo federal no tratamento dessas questões já foi comprovada muitas vezes, especialmente a partir do primeiro PAC. Muitos projetos emperram antes de sair do papel, ou já nas primeiras fases de execução, por descumprimento, por exemplo, dos padrões financeiros cobrados pelo Tribunal de Contas da União. Outros emperram por má administração ou mesmo por falhas escandalosas de planejamento, como, por exemplo, nos casos de centrais elétricas impedidas de funcionar por falta de linhas de transmissão.

O PAC nunca foi, de fato, mais que uma sigla usada para marketing político. Desde a primeira versão, esse nome serviu basicamente para designar uma colcha formada pela costura apenas formal de várias ações desenvolvidas, em nível federal, pela administração direta e pelas várias estatais.

Já existiam os grandes projetos do setor elétrico. 
O planejamento da Petrobrás, periodicamente revisto e atualizado, era parte da rotina da empresa. As necessidades do setor de transportes eram conhecidas e obras importantes estavam em execução. O PAC nada acrescentou a esse conjunto, além de um nome de fantasia e de uma bandeira de propaganda.

Esse programa - ou "programa" - teria algum valor prático se tivesse ao menos servido para introduzir maior racionalidade no planejamento federal. Nada semelhante ocorreu. Ao contrário: a qualidade gerencial decaiu, como ficou demonstrado com a desastrosa intervenção na política de tarifas de energia, com a manutenção do controle de preços da Petrobrás e com o uso das estatais para remendar as contas públicas. 
O resto é propaganda ruim, nem sequer enganadora.

O Estado de São Paulo

junho 27, 2014

ENQUANTO A COPA DAS COPAS BOMBA EM CAMPO... Promessas descumpridas: gastos com Copa não estão transparentes



As promessas feitas pelo ex-presidente Lula ao trazer a Copa para o Brasil foram descumpridas: 
os investimentos não foram realizados só com recursos privados, assim como os gastos para o mega evento não estão transparentes. 
O Portal de Transparência da Copa (www.portaltransparencia.gov.br/copa2014) está desatualizado e com informações divergentes entre si.

Isso pode ser verificado em qualquer consulta sobre a execução de empreendimentos de infraestrutura ou até mesmo dos estádios. 
Para esse último, por exemplo, apenas três das 12 cidades-sede, Porto Alegre, Manaus e Cuiabá, apresentam dados de 2014. 
As outras cidades estão com as contas desatualizadas: 
os dados mais recentes são de janeiro a outubro de 2013.

Quanto aos portos, o cenário encontrado é similar. 
Para as obras de Salvador, foram executados 48,5% do total previsto, isto é, R$ 19,7 milhões dos R$ 40,7 milhões orçados para construção do terminal marítimo de passageiros, estacionamento e urbanização da área portuária. Entretanto, esse dado não é confiável, pois é originário do 3º Balanço das ações do Governo Brasileiro para a Copa, publicado em abril de 2012. 
Então, a última informação prestada ao usuário comum está dois anos atrasada.

Além disso, os dados disponibilizados no portal não são claros. 
O caso é facilmente percebido se analisadas as obras do Porto de Fortaleza. 
Para elas, o Portal indica R$ 202,6 milhões de previsão de investimento. 
Na última prestação de contas, em janeiro de 2013, informou-se que 20% havia sido concluído.

Contudo, também é informado, para o mesmo empreendimento, que R$ 175,5 milhões foram contratados (destinados à obra já em contrato) e R$ 227,2 milhões já executados. Sendo assim, o valor executado é superior ao contratado, como também ao previsto, o que faz o percentual demasiadamente superior aos 20% indicados.

A prestação de contas dos aeroportos no Portal sofre do mesmo mal. 
A de Brasília e Natal possuem obras com a última atualização apenas de abril de 2012, quando foi publicado o 3º Balanço da Copa. Mesmo se fossem utilizados dados do último balanço publicado, o 5º Balanço, a informação ainda estaria desatualizada, pois esse contém dados de setembro de 2013. As outras cidades-sede possuem dados mais atuais, que variam de fevereiro a abril de 2014.

Dessa forma, o decreto assinado em 2009 pelo à época presidente, no qual previa que o Portal, sob a responsabilidade da Controladoria Geral da União (CGU), reuniria todas as informações de orgãos e entidades que administraram recursos destinados a Copa, não foi plenamente cumprido.

Apesar das desatualizações, a CGU acredita que o Portal de Transparência vem cumprindo a função de dar publicidade aos recursos federais aplicados na Copa, haja vista a quantidade de visitantes diários que o site recebe: 
955,9 mil em 2013 e 756,5 mil no primeiro semestre de 2014. 
Além disso, informou que o Portal representa proatividade e ineditismo por parte do governo brasileiro, já que essa iniciativa não ocorreu nos demais países que sediaram o Mundial.

Já o Ministério do Esporte, que agrega os dados prestados pelas entidades executoras das obras, diz que a transparência dos investimentos feitos para o mega evento permite amplo acompanhamento do cidadão brasileiro. 
Para a Pasta, qualquer cidadão que tenha acesso à internet, em qualquer lugar do mundo, pode fazer o acompanhamento por meio do portal em questão.

Portal do Congresso

No mesmo período em que Lula assinou o decreto, em dezembro de 2009, o Congresso Nacional também lançou um portal de transparência da Copa sob o seu regimento. Esse sequer existe.

Idealizado pela Rede de Fiscalização e Controle da Copa de 2014, das Comissões de Fiscalização e Controle do Senado e da Câmara, o portal deveria estar hospedado na página do Senado (www.senado.gov.br/fiscaliza2014) e permitir ao usuário acompanhar a execução das obras, dos procedimentos licitatórios e dos serviços contratados. 

Mas, ao tentar abrí-lo, o internauta se depara com uma mensagem de serviço temporariamente indisponível.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal não responderam os questionamentos do Contas Abertas sobre o portal em referência até o fechamento da reportagem.

Gabriela Salcedo e Thais Betat
Contas Abertas

O FUTURO A DEUS PERTENCE! Nas mãos de Deus


Embora reconheça que a inflação piorou, o
 Banco Central (BC) parece ter entregue tudo às mãos de Deus. 
O que tinha de ser feito foi feito. 

É o que pode ser deduzido do segundo Relatório de Inflação deste ano, divulgado nesta quinta-feira.

O BC já não conta com um recuo. 
Em março, projetara para todo o ano de 2014 uma inflação de 6,1%; agora admite que não ficará abaixo de 6,4%, a uma polegada do admissível. O risco de que a inflação transborde o teto da meta ao final deste ano saltou de 38% para 46%.
As projeções oficiais para 2015 também pioraram.
Foram de 5,5% em março e passaram a 5,7%.
Há razões para entender que o desrepresamento dos preços administrados pode provocar ainda mais estrago.

Se cumprisse à risca o regime de metas de inflação, o colegiado do BC teria de continuar a puxar os juros para cima. Desistiu de fazê-lo porque, no fundo, também faz a pergunta que o presidente Lula fez no dia 6, em Porto Alegre, quando apontou o indicador para o secretário do Tesouro, Arno Augustin: 
“Se a gente não tem inflação de demanda, por que está barrando o crédito?”.

O avanço do PIB está abaixo do previsto e “o deslocamento do hiato do produto” faz o jogo anti-inflacionário. É um jargão dos economistas para expressar tanto o aumento da capacidade ociosa como o crescimento econômico abaixo do potencial da economia. Na prática, o BC olha para os altos estoques das montadoras e para a velocidade das máquinas do resto da indústria e conclui que, nessas condições, os empresários contam até dez antes de fazer remarcações.

No diagnóstico do BC há mais fatores a considerar. 
Fazem o jogo contra o controle da inflação. A situação de pleno-emprego aumenta os riscos de inflação, diz o Relatório. O BC pede mais “moderação salarial”, ou seja, pede reajustes salariais mais baixos, que olhem mais para a inflação futura do que para a inflação passada. Embora não o diga explicitamente, pressupõe que um pouco mais de desemprego ajudaria a combater a inflação.

Outra afirmação grávida de consequências é a de que “há dois importantes processos de ajustes de preços relativos em curso na economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e realinhamento dos preços administrados em relação aos livres”. Se traduzisse esse código para algo mais compreensível, o BC estaria dizendo, em primeiro lugar, que o câmbio (cotação do dólar) cumpre uma função relevante na contenção da inflação, na medida em que preços mais baixos dos importados reduzem os reajustes dos preços internos. Há aí uma faca de dois gumes. Quando deixar que o dólar se ajuste para cima, em vez de derrubar, o BC estará concorrendo para aumentar a inflação.

Em segundo lugar, há o problema já conhecido dos preços administrados. Quando a panela de pressão das tarifas represadas de energia elétrica, dos combustíveis e dos transportes urbanos for destampada, os demais preços entrarão em ebulição.

São fatores que concorrerão para puxar para cima a inflação futura e, se isso for para o salário, como quer o BC, teremos mais inflação, e não menos.


Aí está a evolução do desemprego no Brasil. 
As estatísticas de maio ficaram prejudicadas pela greve dos funcionários do IBGE, que não permitiu o levantamento das informações em duas praças importantes do Brasil: 
Salvador e Porto Alegre. 
O número de maio reflete a situação em São Paulo.

Goal-Line Technology

Depois que admitiu que a inflação deste ano não ficará abaixo de 6,4%, o Banco Central terá de adotar a tecnologia da Fifa para saber se a bola ultrapassou ou não a linha fatal (meta de 4,5% mais 2 pontos porcentuais de tolerância).

Celso Ming
Estadão

junho 26, 2014

DESAVERGONHADA/"GERENTONA"/"FAXINEIRA"... Palavra dada é palavra empenhada


Dilma Rousseff é bastante coerente no que diz. Já se apresentou aos brasileiros como gerentona, como faxineira e, mais recentemente, se disse firme na decisão de não ceder a chantagens partidárias e recusar-se a mexer em sua equipe em troca de apoio eleitoral. 
Em todos os casos, manteve a linha: 
não cumpriu nada a que se propos. 
Percebe-se agora que o que vale não é a palavra empenhada, mas a disposição de vender a alma ao diabo pela vitória.

Dilma Rousseff é uma pessoa de palavra.
Quatro anos atrás, apresentou-se ao eleitorado como gerente gabaritada. 
Eleita, correu para vestir uniforme de faxineira. 
Há algumas semanas, assegurou que não mudaria sua equipe ministerial apenas em troca de alguns minutinhos a mais no rádio e na TV. 
As circunstâncias e o figurino podem mudar, mas Dilma Rousseff mantém a coerência: 
não cumpre nada do que fala.
Dilma havia dito há algum tempo que “faria o diabo nas eleições”. 
Mas, vê-se agora, é muito mais que isso: 
a candidata-presidente está disposta mesmo é a vender a alma ao diabo. 
Os lances mais recentes da montagem do palanque reeleitoral são pródigos neste sentido. No balcão de negócios, o céu é o limite.
A presidente da República trocou ontem mais um de seus ministros para assegurar o apoio de mais um partido à sua elástica coligação eleitoral. 
Dilma dissera que estava muito satisfeita com César Borges no Ministério dos Transportes – e, convenhamos, pelo histórico de inoperância da pasta na era petista ele até vinha bem – e jamais o tiraria do cargo.

A palavra dada pela presidente, contudo, não foi honrada. 
O partido do ministro, o PR, cobrou a substituição de Borges e Dilma prontamente atendeu. Entregou sua cabeça e trouxe de volta para o cargo o mesmo ministro afastado há menos de 15 meses. Se isso não é ser coerente, o que mais pode ser? A Borges, restou a Secretaria dos Portos como prêmio de consolação.

Em 2011, o mesmo partido e o mesmo Ministério dos Transportes estiveram no centro da “faxina” – aquela em que a sujeira é varrida para baixo do tapete – promovida pela presidente. Se havia alguma dúvida do artificialismo do figurino ético de Dilma, não remanesce nenhuma mais. Na alça da mira agora estão a diretoria-geral do Dnit e o comando da Valec, também num movimento de desfazer a limpeza que, embora timidamente, fora feita.
A coerência administrativa da presidente ao nomear sua equipe é de dar gosto. Basta lembrar, também, o que aconteceu no Ministério da Pesca três meses atrás. Lá o ministro que não sabia o que era uma minhoca deu lugar a seu suplente no Senado, um teólogo e jornalista que, possivelmente, não faz ideia do que seja pescar com caniço e samburá.

Em todos estes episódios, salta aos olhos a falta de autoridade da presidente e sua total ausência de controle e critérios para compor uma equipe. Já não bastassem os maus resultados que ela tem a exibir em termos de obras e realizações, cabe a pergunta: 
Que espécie de gerentona eficiente é esta?

No seu vale-tudo pelo poder, o PT faz uso de suas armas mais típicas, como a também odienta caça aos que ousam não compactuar com os planos eleitorais do partido. O Globo noticia hoje que o Planalto foi em busca dos nomes de cada um dos prefeitos do PMDB fluminense que hipotecaram apoio a Aécio Neves. Para que será?

Pego no flagra, o ministro de Relações Institucionais disse que pretendia apenas convidá-los para um convescote no Planalto. “Prefeito, quando você chama para almoçar, para conversar sobre algum assunto, ele vem. Isso é do jogo”, disse Ricardo Berzoini, de notáveis atuações no submundo da guerrilha petista em eleições passadas. 
Não parece um fidalgo?

A uma presidente sem autoridade e com um currículo de parcas realizações para mostrar ao eleitorado como justificativa para merecer um novo mandato, junta-se um partido disposto a tocar o terror para vencer as eleições e perpetuar-se no poder. Nem com todos os arranjos e malandragens do mundo isso vai dar certo. 
O vale-tudo tem limite.
Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

E ENQUANTO ISSO... PETROBRAS/EXPECTATIVA E PETEBRAS REALIDADE : Mais reservas, menos caixa ou Reserva é o que não falta, extrair o petróleo é que são elas


Do ponto de vista econômico é importante reforço para a Petrobrás, como disse a presidente Graça Foster. Já dispunha de 16 bilhões de reservas medidas, outros 16 bilhões de reservas prováveis e terá à disposição mais 15 bilhões. Reserva é o que não falta. 
Tirar o petróleo de lá é que são elas.

O custo imediato é a cobrança de um bônus de R$ 15 bilhões, em parcelas anuais até 2018. Neste ano, a Petrobrás deverá recolher ao Tesouro R$ 2 bilhões, quantia que deverá reforçar o superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) do governo federal.

Alguma engenharia financeira já estava sendo esperada porque era preciso fechar um acordo sobre a tal cessão onerosa. 
(Só para quem não acompanhou esse assunto, cessão onerosa é o petróleo da União que já foi transferido à Petrobrás como parcela da União no aumento de capital realizado em 2010. Corresponde a 5 bilhões de barris de petróleo futuro.)

Para a exploração do petróleo da cessão onerosa, a União cedeu o Campo de Búzios (antiga área de Franco), no pré-sal da Bacia de Santos. 
No entanto, Búzios, mais o entorno, revelou muito mais, um total recuperável próximo dos 20 bilhões de barris (5 bilhões da cessão onerosa mais 15 bilhões da nova concessão). Embora a produção regular dessa área só deva começar em 2021, a Petrobrás não poderia equacionar seus investimentos sem conhecer as condições de exploração do campo ou do que excedesse os tais 5 bilhões de barris. 

O especialista em Petróleo Adriano Pires estima que os investimentos necessários para desenvolver apenas essa nova área sejam de US$ 245 bilhões a US$ 380 bilhões.

O maior complicador é que a Petrobrás, que mal vai dando conta do que já tem de fazer, não dispõe dos recursos para investir em mais esses campos. 
Sua capacidade de endividamento (alavancagem) chegou ao limite. A saída seria aumentar o capital. Como tem créditos a receber da Petrobrás e como tem direitos sobre o petróleo futuro (os mesmos que serão produzidos no regime de partilha), a União poderia subscrever sua parte sem tirar recursos do cofre. Bastaria transferir esses recursos futuros ao capital da Petrobrás, como aconteceu por ocasião da cessão onerosa.

O problema está na parcela a ser subscrita pelos demais acionistas, ou dos detentores dos outros 53,9% do capital. Em princípio, ninguém vai colocar nem mais um centavo em capital novo da Petrobrás se continuarem a prevalecer as atuais regras que mantêm achatadas as tarifas dos combustíveis, que estrangulam o caixa da Petrobrás e que a impedem de encontrar sócios para as refinarias que terão de ser construídas.

Já se espera certa descompressão das tarifas, mas é altamente improvável que seja anunciada antes das eleições. E mesmo se for anunciada depois, é preciso ver antes quem vai conduzir o próximo governo e que política reservará à Petrobrás e à política do petróleo.

A entrega de mais essa área exploratória para a Petrobrás exigirá outras medidas complementares. Enquanto não forem conhecidas não dá para avaliar adequadamente sua qualidade. 

CONFIRA:

Estatização?

Nesta quarta-feira o mercado financeiro temeu manobra do governo para estatizar de vez a Petrobrás. Seria decidido forte aumento de capital para garantir os investimentos na área de Búzios. O Tesouro subscreveria sua parte com os tais créditos ou com direitos a petróleo futuro (como está explicado acima). O acionista minoritário não aceitaria subscrever o que lhe coubesse, porque não concordaria com as atuais condições. Assim, o Tesouro teria de assumir a subscrição das sobras. O resultado seria a diluição da participação do setor privado no capital da Petrobrás.

E o caixa?

Essa manobra aumentaria o capital da Petrobrás, mas não resolveria seu grave problema de caixa, mesmo com a melhora da sua capacidade de endividamento proporcionada pelo aumento patrimonial. Ou seja, mesmo se o governo decidisse aprofundar a participação do Tesouro no seu capital, seria necessário municiar a Petrobrás com dinheiro vivo e evitar novos laudos negativos das agências de classificação de risco.

Celso Ming 

Estadão

junho 25, 2014

Empregos a perigo


O governo Dilma sempre se recusou a discutir a sério os problemas da economia. Escuda-se na alegação de que o mercado de trabalho vai bem e que, sendo assim, não há que se falar em fraquezas. O que dirão agora que a geração de empregos despencou no país?

Porta-vozes oficiais têm adotado o mantra de que “PIB não enche barriga” no intuito de criar uma narrativa que – com o fracasso de Dilma Rousseff na promoção do crescimento – desdenha a importância da expansão econômica para o bem-estar da população. 
Mas, se PIB não enche barriga, é o emprego que põe comida na mesa. 
Ou não?

Neste sentido, são muito ruins os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo governo. Em maio, foram criadas apenas 58,8 mil novas vagas de trabalho em todo o país.

Parece bom? 
Uma frase ajuda a qualificar o dado: 
foi o pior resultado para meses de maio desde 1992, tempo em que Fernando Collor ainda era presidente da República. Lá se vão 22 anos. 
Nem em tempos de crise brava, como foi 2009, fomos tão mal assim.

Nos cinco primeiros meses deste ano, foram criadas 543 mil novas vagas de trabalho, com queda de 28% em relação ao mesmo período de 2013. 
Na comparação com os cinco meses iniciais do primeiro ano da gestão Dilma, a queda é bem mais significativa: 
55% quando comparadas as médias mensais.

O segmento mais penalizado pelos cortes é a indústria da transformação: 
em maio, 28,5 mil postos de trabalho foram eliminados. 
É o segundo mês seguido com quedas no setor – em abril, o saldo fora negativo em 3,4 mil e, no acumulado no ano, a redução no emprego industrial já é de 2% em relação a 2013.

No ano, até maio, a indústria criou apenas 3,6 mil novas vagas de trabalho e caminha para fechar 2014 praticamente no zero a zero, na melhor das hipóteses. O pior é que, em geral, os ciclos de demissões na economia começam pelo setor industrial, o que permite acender luz amarela para o mercado de trabalho em geral nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, a atividade industrial deve ter queda no ano (-0,14%), conforme as previsões mais recentes colhidas pelo Boletim Focus do Banco Central. Frise-se que são os empregos industriais justamente os mais bem remunerados e qualificados. O trabalhador brasileiro, portanto, empobrece.

São todos resultados muito ruins para um país em véspera de Copa do Mundo, como era o Brasil em maio passado. Se, dentro de campo, o Mundial de futebol está sendo um espetáculo, fora dele os sinais são frustrantes, como ilustra o mercado de trabalho. Deveríamos estar bombando, mas não.

O governo prefere culpar empresários e seu “pessimismo”, como se humores e não dados da realidade fossem o motor dos investimentos produtivos.
 Gente como Lula consegue ser ainda mais irrealista, ao dizer que Dilma está “mantendo a inflação na meta com manutenção de salário e emprego”. 
Só se for em Marte...
A meta de criação de 1,4 milhão de vagas neste ano não deve se confirmar e deve ser oficialmente revista pelo governo já no próximo mês. 
O governo Dilma diz que criou 5,1 milhões de empregos. 
Não é verdade. Segundo o Caged, foram apenas 3,6 milhões. 

É bom, mas é quase 30% menos do que a propaganda oficial apregoa.

A crise na criação de empregos no país é mais um efeito da duvidosa política econômica da presidente Dilma Rousseff. 
Se já tínhamos a mais perversa das combinações, com inflação alta e crescimento baixo, agora adicionamos uma pitada a mais de pimenta, com a forte perda de dinamismo do mercado de trabalho. 
O caldo entornou.

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junho 24, 2014

Governo impõe à Petrobras pagamento de R$ 15 bi por excedente do pré-sal

Em mais uma intervenção desastrada, o governo federal impôs um novo fardo à Petrobras, o que fez as ações da estatal caírem mais de 3%. Em reunião nesta terça-feira, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com aval da presidente Dilma Rousseff, decidiu que a empresa será a única a explorar o óleo excedente em quatro áreas da chamada cessão onerosa do pré-sal. A escolha da Petrobras, sem licitação ou leilão, garante reservas adicionais entre 10 e 15 bilhões de barris de petróleo, o que é bom. 

Contudo, impõe à empresa altamente endividada um custo de 15 bilhões de reais em bônus e antecipações, segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira.

Como a Petrobras não tem caixa suficiente para pagar o Tesouro pelo direito de explorar o excedente dos quatro campos (Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi), o governo desenhou condições consideradas, digamos, de pai para filho. A estatal arcará com o pagamento de 2 bilhões de reais este ano e fará a provisão dos 13 bilhões de reais restantes em barris de petróleo. Na prática, o governo contabilizará o recebimento de 15 bilhões de reais este ano, o que ajuda a engordar o superávit primário. Mas o pagamento ocorrerá ano a ano, até 2018, da seguinte forma: 2 bilhões serão desembolsados em 2015, 3 bilhões em 2016, 4 bilhões em 2017 e 4 bilhões em 2018.

Os papéis preferenciais da companhia fecharam com perdas de 3,61%, revertendo ganhos de mais de 3% durante a manhã de terça. Apesar de o governo ter afirmado que a Petrobras tem caixa para arcar com o bônus de 2 bilhões este ano, as ações despencaram influenciadas, sobretudo, pelos efeitos da mão pesada do governo na gestão da empresa.

 "A diretoria da Petrobras, em reuniões com o mercado, disse que não esperava nenhum impacto no caixa da empresa por conta dessa reavaliação de reservas. Parece que não será assim", afirmou a Elite Corretora, em nota.

Outro fator negativo evidenciado pelo fato relevante é a impossibilidade de a estatal manter seu plano de investimentos em dia e ao mesmo tempo satisfazer a ânsia do Tesouro por recursos para fechar suas contas. O Itaú BBA afirmou que a notícia "confirmou seus piores medos" e que não há forma de a Petrobras antecipar a produção do volume previsto no acordo a menos que adie outros projetos em seu portfólio. "Em outras palavras, a Petrobras vai pagar 15 bilhões de reais ao governo em cinco anos para barris que serão produzidos no longo prazo", afirmou banco em relatório a seus clientes.

Cessão onerosa — 
Em setembro de 2010, a Petrobras fechou acordo com o governo federal para pagar cerca de 75 bilhões de reais pelos 5 bilhões de barris iniciais do contrato de cessão onerosa do pré-sal, que incluiu um total de sete áreas de exploração. A estatal informou que os volumes adicionais ao contrato da cessão eram de entre 6,5 bilhões e 10 bilhões de barris em Búzios; entre 2,5 bilhões e 4 bilhões de barris em Entorno de Iara; de 300 milhões a 500 milhões de barris em Florim e entre 500 milhões e 700 milhões de barris em Nordeste de Tupi.

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, ressaltou que estes volumes são "meras estimativas", colocando ainda mais dúvidas sobre o que esperar das reservas do pré-sal, num período em que a empresa é varrida por uma CPI e inúmeras suspeitas de irregularidades ao longo da gestão de José Sergio Gabrielli.

A estimativa é de que a Petrobras comece a produzir os cerca de 14 bilhões barris excedentes dos campos de Búzios, Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi entre 2020 e 2021. A estatal terá 35 anos para fazer a exploração desses campos, sem sócios. A empresa já possui uma cessão onerosa para explorar outros 5 bilhões de barris por 40 anos, contados a partir da concessão em 2010, com previsão para começar a produzir em 2016.

Veja.com
(Com agência Reuters)

Brasil perde uma posição em ranking de investimento estrangeiro direto. Levantamento é da UNCTAD. Em 2013, País recebeu US$ 64 bilhões, recuo de 1,9% em relação a 2012



O Brasil recebeu US$ 64 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) durante 2013, 1,9% menos do que os US$ 65,3 bilhões de 2012. Os dados foram divulgados nesta terça-feira em um relatório da UNCTAD, agência das Organizações das Nações Unidas (ONU) para o comércio e desenvolvimento. Agora, portanto, o país caiu da quarta para a quinta posição no ranking de países que mais receberam recursos internacionais — atrás dos Estados Unidos, China, Rússia e Hong Kong.

— Há a necessidade de abrir novas portas. A ausência de reformas e de impulso à produtividade fizeram o Brasil perder a quarta posição para a Rússia. Se isso não for revertido, a tendência é de seguir em queda — explicou Luís Afonso, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), responsável pela divulgação dos dados da ONU.

A perspectiva de seguir caindo se deve também pela diminuição da diferença do volume de investimentos recebido por Singapura (que está na sexta posição, com US$ 63,8 bi) e Canadá (na sétima colocação, com US$ 62,3 bilhões).

— Se o investimento nos outros países continuar na mesma velocidade de crescimento e aqui for concretizada a projeção do Banco Central de US$ 60 bilhões em IED neste ano, cairemos para a sétima posição em 2014 — estimou Afonso.

Ainda assim, o Brasil segue à frente, além de Singapura e Canadá, de países como Reino Unido, Alemanha e Chile, conforme frisou Reynaldo Passanezi, diretor da Sobeet. Em suas palavras, embora “o Brasil não seja mais a bola da vez, ainda é uma bola importante”.

O IED é todo recurso aplicado na estrutura produtiva de um país, como infraestrutura, criação de empresas ou também por meio de participação acionária em empresas já existentes.

América Latina e Caribe

O destaque positivo da América Latina e Caribe ficou com o México, que embora esteja na 10ª posição do ranking, viu o volume de investimentos recebidos saltar de US$ 18 bilhões em 2012 para US$ 38 bilhões — equivalente a 111%. Além do setor de óleo e gás, o relatório da UNCTAD chama atenção para as reformas feitas no país e para o setor automotivo do “México que, assim como o Brasil, está estimulando planos de investimentos”.

“O desenvolvimento da indústria automotiva é promissor no México e no Brasil, com diferenças claras entre as políticas governamentais”, diz o relatório, ressaltando ainda que no país na América Central há “ elevado fluxo de exportação de automóveis” ao passo que aqui “a produção é para o mercado local”.

Fluxo global

O fluxo global total do IED subiu 9% em 2013, chegando a US$ 1,45 trilhão. Afonso explica, em sintonia com o relatório da UNCTAD, que o número deve ser visto como um “otimismo cauteloso” já que o volume ainda está abaixo do verificado em 2006.

A participação das economias emergentes neste fluxo total também caiu no ano passado, de 54,8% para 53,6%. O percentual dos países desenvolvidos, por sua vez, subiu de 38,8% para 39% de um ano para outro.

— O Brasil ainda é um bom mercado, mas depende de reformas. Enquanto isso, de novo, tudo está se voltando para o primeiro mundo — acrescentou o economista Nicola Tingas, diretor da Sobeet.

Internacionalização brasileira em baixa

Um outro estudo divulgado nesta terça-feira pela consultoria Maksen, em parceria com o Insper, mostra também que as empresas brasileiras estão “abaixo de seu real potencial de internacionalização”. O material mostra que das 50 maiores empresas do Brasil, 56% são internacionalizadas. Nos Estados Unidos, esse índice é de 90%.


— O Brasil está ficando para trás em termos de internacionalização. De 2004 para 2012, o Brasil subiu do 14º lugar para 7º no ranking das maiores potências mundiais. No entanto, o nível da internacionalização apenas passou de 24º para 20º — diz Sérgio do Monte Lee, diretor da Maksen no Brasil.

ROBERTA SCRIVANO
O Globo

Esperança no futuro. Qual futuro?

Na entrevista que o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, deu à revista Conjuntura Econômica na edição de abril de 2014, com o titulo “Esperança no Futuro”, o secretário falou que:

“Os investidores estrangeiros têm visto o Brasil de forma muito positiva e isso pode ser demonstrado facilmente. O investimento feito por eles cada vez mais ocupa uma parcela maior da dívida interna. Isso significa que estão entrando para investir na nossa dívida e confiam, portanto, nela e também nas nossas emissões externas…”

Essa é uma meia verdade e digo isso porque já fiz a mesma pergunta a vários investidores estrangeiros. Nenhum investidor estrangeiro acredita que o Brasil, um país que é credor liquido em dólar, corre o risco de dar calote. Assim, ninguém trabalha com o risco de default. Todos consideram a gestão macroeconômica recente desastrosa, mas como me falou um deles:

“Quem sem importa! Você estão me pagando muito bem para eu colocar meu dinheiro aqui em renda fixa e ainda tenho a segurança da taxa de câmbio com as intervenções do Banco Central. Vocês que deveriam estar preocupados com uma combinação de juros elevados, baixo crescimento e inflação elevada”.

Vamos aos fatos. 
Em outubro de 2010, o governo brasileiro elevou o IOF sobre aplicações em renda fixa de 2% para 6%. O sinal era muito claro: não queremos a entrada forte de recursos para renda fixa. A queda da taxa de juros também ajudou a reduzir a atratividade do investimento estrangeiro em renda fixa.

O gráfico abaixo mostra que, um ano depois dessa medida, o investimento externo líquido em renda fixa no Brasil (série 8225 do BACEN), acumulado em 12 meses, passou de um saldo positivo de US$ 16,6 bilhões para um saldo negativo de US$ 735 milhões. Em outubro de 2011, o Investimento Direto Externo (IDE) em 12 meses era de US$ 75 bilhões para um déficit em conta corrente em 12 meses de US$ 48 bilhões. Ou seja, o IDE era mais do que suficiente para financiar o déficit em conta corrente no final de 2011.

Tudo isso mudou para pior. 
O déficit em conta corrente agora é de US$ 81 bilhões e o IDE foi reduzido para US$ 64,4 bilhões, insuficiente para cobrir o déficit em conta corrente. Em condições normais de temperatura e pressão, a taxa de câmbio deveria estar se desvalorizando, mas as intervenções do Banco Central no mercado cambial e a forte entrada de recursos para investimento em renda fixa evitam a depreciação do Real.

E no caso do investimento em renda fixa, o governo agradece a forte entrada de capital que, em 12 meses até abril de 2014, alcançou um saldo liquido acumulado de quase US$ 37 bilhões, ante um saldo negativo de US$ 735 milhões em 12 meses de outubro de 2011. 

O que aconteceu? 
Duas coisas.

A forte elevação da taxa de juros doméstica de 7,25% ao ano para 11% ao ano e o governo, em junho de 2013, reduziu o IOF sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa de 6% para “zero” – observem o forte crescimento do investimento estrangeiro em renda fixa de maio a setembro de 2013.

Moral da história: 
a turma de fora está trazendo muita grana para o Brasil não porque “confia no Brasil”, mas sim porque : 
(i) pagamos a eles uma taxa de juros estratosférica, 
(ii) o governo reduziu de 6% para “zero” o IOF de aplicações de estrangeiros em renda fixa, e (iii) ainda sinalizamos este ano uma banda cambial que diminui o risco de aplicar em renda fixa no mercado doméstico.

Atrair “capital especulativo” é uma política consciente do governo e uma forma de financiar nosso déficit em conta corrente sem perder reservas cambiais. 
Não é sinal de confiança. Estamos pagando muito caro para que os estrangeiros “confiem no Brasil”. 

Investimento Externo em Carteira – 
Renda Fixa Curto e Longo Prazo negociado no País (líquido) 
– acumulado em 12 meses – 
JAN/2008-ABR/2014 – US$ bilhões


Saldo em Conta Corrente - acumulado em 12 meses – 
JAN/2008-ABR/2014 - US$ bilhões


Investimento Direto Externo- acumulado em 12 meses – 
JAN/2008-ABR/2014 - US$ bilhões


Original/Íntegra: