"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 16, 2013

NO brasil ASSENHOREADO... Supremo em julgamento : "A História registrará que ter Joaquim Barbosa no STF era necessário, mas não suficiente para a regeneração de nossas práticas atuais. " ?


A construção de uma Grande Sociedade Aberta no Brasil é uma tarefa de permanente aperfeiçoamento institucional. Um episódio exemplar desse esforço histórico foi a decisiva atuação de Joaquim Barbosa à frente do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão.

Se o Executivo e o Legislativo tornaram a governabilidade um pretexto para a compra e venda de votos; convertendo-se o Congresso em balcão de negócios, precisamos de uma Justiça alerta e comprometida com a ordem democrática.


A condenação dos mensaleiros, como um marco da independência do Poder Judiciário, foi então celebrada por uma imprensa livre, também comprometida com o aperfeiçoamento de nossas instituições. 

O novo ministro Roberto Barroso não quer "que o direito de 11 seja atropelado pelo interesse de milhões". Mas quereria que o direito de milhões (a um regime democrático decente) seja atropelado pelos interesses (condenados, por escusos) dos 11?

Outro recém-indicado, Teori Zavascki, refere-se ao Pacto de São José da Costa Rica, subscrito na Conferência Interamericana de Direitos Humanos (1969).

Explica-se, portanto, a reportagem de capa da revista "Veja" desta semana: 

"O ministro Celso de Mello agora tem de decidir entre a tecnicalidade e a impunidade."  
A qualidade técnica dos novos indicados para o STF, apesar de seus votos reforçarem as posições de Toffoli e Lewandowski, é suficiente para que sejam rechaçadas as acusações de "aparelhamento" do STF pelas forças governistas.

Mas, caso triunfe a impunidade, não escapará o STF de seu descredenciamento perante a opinião pública como agente das imprescindíveis reformas políticas.

A História registrará que ter Joaquim Barbosa no STF era necessário, mas não suficiente para a regeneração de nossas práticas atuais.

"A ascensão do mundo ocidental é fundamentalmente um caso de sucesso na história das inovações institucionais" observa o Prêmio Nobel Douglass North. Mas retrocessos também ocorrem.

Da República de Weimar emergiu a Alemanha nazista. 

Os parlamentos e a imprensa estão ainda hoje sitiados em países vizinhos.

Nosso Banco Central se enfraqueceu. 

Há indivíduos extraordinários que contribuem para o fortalecimento das instituições de uma sociedade aberta. 

Mas há também os que contribuem para seu declínio.
 

Paulo Guedes O Globo

setembro 13, 2013

O TEMPO É O SENHOR DA RAZÃO ! A apoteose da mediocridade

A economia brasileira continua sua trajetória de mediocridade. 
A atividade econômica voltou a cair em julho, prenunciando que o crescimento vistoso do PIB no segundo trimestre foi mesmo apenas um espasmo. Dilma Rousseff caminha para ser um dos três presidentes da República com pior desempenho neste quesito em mais de um século de história.

Nesta manhã, o Banco Central divulgou seu índice de atividade econômica (IBC-Br). O resultado veio mais ou menos dentro do esperado: 
a economia brasileira caiu 0,33% em julho. 
Tudo indica que, quando os resultados oficiais do trimestre que acaba daqui a duas semanas forem conhecidos, o PIB do país terá sofrido retração no período.

O IBC-Br de julho espelha retração de 2% verificada na indústria naquele mês, queda apenas em parte compensada pelo bom resultado do varejo, que cresceu 1,9%, conforme divulgou o IBGE ontem. 
Foi a terceira queda mensal do indicador do BC neste ano: 
em fevereiro, já havia caído 0,39% e, em maio, 1,48%.

O IBC-Br funciona como espécie de antecedente do índice oficial das contas nacionais, aferido pelo IBGE e divulgado a cada três meses. Segundo o indicador do BC, a economia brasileira cresceu 2,11% nos últimos 12 meses, na série dessazonalizada. 
É bem próximo à previsão média dos analistas de mercado para o desempenho da nossa economia neste ano: 
2,35%.

Para o próximo ano, a estimativa é praticamente a mesma (2,28%).
 A se confirmarem estes prognósticos, o Brasil terá crescido uma média de exatos 2,06% ao ano durante o período do governo da presidente Dilma. Será um dos piores desempenhos no mundo e também em toda a história republicana do país.

Segundo
estudo feito pelo professor Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, numa lista de 30 presidentes da República, somente Fernando Collor de Mello e Floriano Peixoto saíram-se pior que Dilma. 
Aquele, primeiro presidente a sofrer impeachment na nossa história, dispensa explicações; este, que governou entre 1891 e 1894, enfrentou séria crise institucional e política.
No topo da lista elaborada por Gonçalves aparece Garrastazu Médici, que não é exemplo para nada nem para ninguém. 
Mas no quinto lugar está Juscelino Kubitschek, cujo governo democrático levou o Brasil a crescer 8,1% ao ano. 
Para se ter ideia do que isso representa, significa dizer que, mantido o ritmo do fim da década de 50, o PIB brasileiro teria duplicado em oito anos; com Dilma, levaria 35.

A presidente petista não faz feio apenas no cotejo com a história brasileira. Faz papel ainda pior quando o desempenho econômico de seu governo é comparado ao resultado que outros países vêm obtendo neste exato momento.


Enquanto o Brasil avançará somente 2% ao ano durante o mandato de Dilma, o mundo crescerá 3,5% em média, de acordo com levantamentos do Fundo Monetário Internacional. 
Os países em desenvolvimento – grupo de economias com padrão similar ao do Brasil – crescerão mais ainda: 
5,4%. Em todos os anos do período 2011-2014 foi ou será assim: estaremos sempre para trás.

"Na perspectiva histórica o governo Dilma é a apoteose da mediocridade. O crescimento econômico é medíocre pelos padrões internacionais atuais e pelos padrões históricos brasileiros”, escreve Gonçalves. "Durante este governo o Brasil fica para trás e isto não se explica pelo que acontece no mundo.” 
Não precisa dizer muito mais.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do
Instituto Teotônio Vilela

brasil maravilha da GERENTONA 1,99 : IBC-Br - Prévia do PIB aponta queda de 0,33% da economia em julho.Resultado do IBC-Br mostra uma virada de tendência, pois em junho o indicador havia registrado alta de 1,03%; baixa é a terceira do ano, segundo o Banco Central

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,33% em julho ante junho, após registrar alta de 1,03% em junho ante maio (dado revisado), na série com ajuste sazonal.

É a terceira queda no ano.
De acordo com dados divulgados pelo BC, o número passou de 146,29 pontos em junho para 145,81 pontos em julho, na série dessazonalizada.


Analistas ouvidos pelo AE Projeções esperam uma queda maior no mês. O resultado ficou maior do que a mediana das estimativas deles, de -0,60%. O intervalo das estimativas ia de -0,20% a -1,00%.
Na comparação entres os meses de julho de 2013 e de 2012, houve expansão de 3,38%.
Com os dados observados, o IBC-Br de julho terminou em 149,77 pontos. O indicador em base anual ficou acima da mediana de 2,70% - as previsões dos analistas do mercado financeiro iam de 2,10% a 3,30%.

Nos 12 meses encerrados em julho de 2013, o crescimento está em 2,11%. No acumulado do ano até o mesmo mês, houve alta de 2,97%. O IBC-Br registrou estabilidade (0,007%) na média do período de maio a julho na comparação com os três meses anteriores (fevereiro a abril), na série com ajuste sazonal.

O índice passou de uma média mensal de 145,54 pontos para 145,63 pontos nessa base de comparação. Revisão O Banco Central revisou alguns dados do índice de atividade econômica calculado pela instituição, o IBC-Br, na série com ajuste.

Para junho de 2013, por exemplo, a taxa passou de 1,13% para 1,03%. 
Para maio de 2013, o dado foi revisado de -1,50% para -1,48%.
Para abril deste ano, passou de 0,93% para 0,94%.
Para os primeiros meses de 2013 também houve mudanças.
Para março, a taxa passou de 1,10% para 1,08%.
Para fevereiro, foi revista de -0,38% para -0,39% e, para janeiro, de 1,15% para 1,13%. 

Célia Froufe, da Agência Estado

setembro 12, 2013

ENQUANTO ISSO III... SEM MARQUETINGUE : Emprego industrial cai há três meses e acumula recuo de 0,7%

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Participação nos lucros no setor extrativo faz folha subir 0,4%
A redução dos postos de trabalho na in­dústria em julho é mais um sinal de que o setor perde fôlego, movimento que se deve à alta do câmbio, à pressão inflaci­onária, à situação das famílias (endivi­damento, restrição ao crédito e com­prometimento da renda), à elevação dos juros e às incertezas do cenário in­ternacional.

Pelo terceiro mês consecu­tivo, houve corte de pessoal na indús­tria. A queda em julho foi de 0,2% frente ao mês anterior, acumulando nesses três meses perda de 0,7%, informou on­tem o IBGE. Apesar de o número de postos na indústria ter diminuído, o va­lor da folha de pagamento real subiu 0,4% frente ao mês anterior, recuperan­do parte da queda de 1,4% observada em junho.

Segundo o IBGE, a alta de 8,7% na folha da indústria extrativa mi­neral, do setor de petróleo, influenciou o resultado geral.

O corte de vagas, na comparação com julho do ano passado, foi ainda maior:
0,8%, marcando o 22º resultado negati­vo consecutivo neste tipo de confronto e o mais intenso desde fevereiro (-1,2%).

No índice acumulado para os sete meses de 2013, o total do pessoal ocupado na indústria também dimi­nuiu 0,8%. O índice acumulado nos úl­timos 12 meses, ao recuar 1,1% em ju­lho de 2013, repetiu o resultado obser­vado no mês anterior, mas apontou queda menos intensa do que as regis­tradas em fevereiro (-1,5%), março (-1,4%), abril (-1,3%) e maio (-1,2%).

— É uma queda suave, mas, por ser a terceira seguida, ganha outros contornos — afirma Rodrigo Lobo, pesquisador do IBGE. — Este cenário de queda mais in­tensa reflete a produção industrial brasi­leira, que está oscilante.

REDUÇÃO EM 12 DE 14 LOCAIS
Com redução no contingente de trabalhadores em 12 dos 14 locais pesquisa­dos, o principal impacto negativo ocor­reu na região Nordeste (-4,3%), pressio­nado pelas taxas negativas em 12 dos 18 setores investigados.

Setorialmente, ain­da no índice mensal, o pessoal ocupado assalariado recuou em 12 dos 18 ramos abrangidos pela pesquisa.
O número de horas pagas registrou que­da de 0,3% em relação a junho. É a terceira taxa negativa consecutiva também, acu­mulando nesse
período perda de 1,5%.

Para Carlos Lima, economista-chefe da CMA, já era esperado que o "remédio amargo" (aumento da Selic) que o gover­no vem dando para conter a inflação re­sultaria, em algum momento, em desa­celeração do mercado de trabalho:
— Com juros mais altos, fica mais caro o crédito, o que gera menor consumo, dimi­nui a renda, derruba o lucro do empresá­rio, reduz a confiança das empresas e afeta diretamente a oferta de emprego— afirma Lima. — Este encadeamento vem ocor­rendo em todas as
esferas e, por fim, che­gou na variável emprego — analisa.

Essa tem sido uma característica deste ano, uma forte volatilidade no resultado do setor ao longo do ano, quando o cresci­mento da produção de um período é pra­ticamente devolvido no período seguinte. A produção industrial brasileira recuou 2% em julho, na comparação com junho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, também do IBGE,
divulgada na semana passada. No mês anterior, subira 2%.

A Confederação Nacional da Indús­tria (CNI) projeta para o ano alta de 2,6% do PIB industrial, número que po­de ser rebaixado diante da forte volatili­dade dos indicadores industriais e da dificuldade do setor em engrenar uma recuperação mais sólida.


Alvaro Gribel O Globo 

ENQUANTO ISSO II... A crise chegou ao bolso do brasileiro. Salário terá o menor aumento desde 2005

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Depois de dois anos seguidos de baixo crescimento e de inflação elevada, os trabalhadores começam a pagar a fatura da desordem econômica. A oferta de empregos esfriou e o peso da frustração com o Produto Interno Bruto (PIB) recai, agora, sobre a renda das famílias, até então o sustentáculo do país.

Cálculos do Bradesco mostram que o reajuste real médio dos salários em 2013 será de 2,5% — o menor ganho em nove anos. A instituição projeta ainda uma desaceleração do consumo para 2,7%. No ano passado, essa taxa havia sido de 3,1%.

Além de uma inflação persistente, o endividamento elevado das famílias e bancos mais seletivos na oferta de crédito são vistos como um quadro adverso que pode agravar as condições no país, que já enfrenta sérias dificuldades para encontrar uma taxa de expansão satisfatória. Não à toa, segundo os analistas, os ganhos dos trabalhadores e os empregos estão sendo afetados.

As empresas adiaram demissões o quanto foi possível, mas, com as margens de lucro estranguladas pela carestia e por uma economia aquém do ideal, o mercado de trabalho e a renda começam a esfriar. O sonho do pleno emprego, de acordo com os economistas, está ameaçado.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) reforçam a tese do Bradesco para a renda. Diminuiu o número de categorias que obtiveram ganhos salariais acima da inflação. Em 2012, 96,3% delas conquistaram reajustes capazes de vencer a carestia.

Este ano, o número caiu para 84,5%. O tamanho do ganho real também encolheu, passou de 2,3%, no ano passado, para 1,2%. Especialistas alertam que o processo de correção dos salários, em muitos casos acima da produtividade, deve se tornar cada vez mais raro.


Produtividade
“Os que têm salário próximo do mínimo receberam ganhos maiores que sua produtividade, não nos parece mais possível aumentos tão exagerados”, ponderou Nilson Teixeira, economista-chefe do Banco Crédit Suisse.


Alexandre Schwartsman, economista e ex-diretor do Banco Central, ponderou que as empresas, em função do elevado custo de demissão e contratação, adiaram planos de cortar postos. “Houve um entesouramento de mão de obra.

Os empresários optaram por esperar o máximo possível na expectativa de que o crescimento do país melhorasse. Como essa recuperação é lenta, eles pararam de absorver perdas e o mercado de trabalho esfriou”, argumentou.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, faz avaliação semelhante. “Desde 2004, a demanda por mão de obra vinha crescendo acima da oferta. Agora, isso se inverteu, a disponibilidade de emprego desacelera a uma velocidade maior”, observou. Com a menor oferta de postos de trabalho, a possibilidade de ganhos acima da inflação se reduziu.

Na construção civil, até 2010, era comum um trabalhador migrar de uma empresa para outra, cooptado por rendimentos maiores.

Diante da desaceleração da economia, o número de obras caiu e a necessidade de operários, também, o que possibilitou às empresas manterem um empregado por mais tempo e com o mesmo salário.

A situação não se restringiu apenas à construção civil. A indústria amarga as piores condições. O setor parou de gerar postos de trabalho e o total de ocupados em fábricas está nos piores níveis desde 2009. O gasto com a folha de pagamentos, em alguns setores, também está menor, a exemplo dos ramos de transporte, papel e gráfica, produtos de metal, ma
deira e calçados e couro.

Círculo vicioso 

 “O crescimento mais fraco da economia influencia negativamente o mercado de trabalho. Não há como ser diferente”, disse José Pastore, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Quando se tem queda nas vendas, os segmentos de comércio e serviços sofrem e a indústria, por consequência, produz menos.

Tudo isso reflete, em algum momento, em desaceleração do aumento da renda”, explicou. Para Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, o Brasil entrou em um círculo vicioso. Na visão dele, os sinais são claros de que o mercado de trabalho está perdendo força. “Hoje, o país cresce abaixo do PIB potencial e, para reaquecer o emprego, é preciso de uma atividade mais dinâmica”, argumentou.

Com a renda dos trabalhadores crescendo a um ritmo menor, o varejo começa a se preparar para tempos de vendas em baixa. As projeções do Bradesco são de forte desaceleração no comércio. Enquanto, em 2012, o setor avançou 8,4%, a previsão para este ano é de 3,2%. Para 2014, o cenário piora mais, e o número cai para 3%.

A instituição também estima crescimento menor para o crédito em 2013 — expansão de 14%. No ano anterior, havia sido de 16,4%.

Para integrantes do governo, essa diminuição da oferta de empréstimos e financiamentos é influenciada, principalmente, pelos bancos privados, que perderam espaço para as instituições públicas. Depois da cruzada do Palácio do Planalto contra os juros altos, os particulares se viram obrigados a pisar no freio por não terem condições de concorrer no mesmo nível.

O endividamento das famílias, também em patamar elevado, deixou mais lento a tomada de crédito. “Tudo está ligado. Esse quadro afeta a economia e o crescimento”, observou Pastore.


» Aposta nas concessões 
A fim de minimizar a situação, tentar recuperar o dinamismo da economia, incrementar a renda do brasileiro e garantir a manutenção de postos de emprego, o governo colocou todas as fichas no programa de concessões de infraestrutura. O objetivo é ampliar os desembolsos para obras.

Depois de uma queda de 4% no total de recursos alocados pelos setores público e privado no ano passado, a expectativa dos economistas do Bradesco é de uma recuperação em 2013 — um avanço de 5,5%—, o que deve deixar a taxa de investimento em 19,2% do PIB. Se o programa de privatizações obtiver sucesso, esse indicador, até 2018, deve chegar a 22,2%. Caso ele falhe, a expectativa é de que ele fique em 20,7%.


VICTOR MARTINS Correio Braziliense

setembro 10, 2013

ENQUANTO ISSO NO BRASIL ASSENHOREADO PELOS CANALHAS... Uma reforma que só interessa ao parlamento

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Anunciada como proposta enxuta para estar em vigor já em 2014, a minirreforma eleitoral sugerida pelo Senado será votada hoje em segundo turno sem tocar em temas centrais e com alguns retrocessos.

O relatório elaborado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) traz a permissão do uso do Fundo Partidário para o pagamento de multas eleitorais, além da flexibilização da punição por não apresentar a prestação de contas ou tê-las rejeitadas. Se aprovado hoje, o texto seguirá para a Câmara dos Deputados.

Na sugestão, que será avaliada nesta terça na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), há a previsão de suspender a punição por irregularidades na prestação de contas de campanha durante o segundo semestre de anos eleitorais. Hoje, nesses casos, os repasses do Fundo Partidário são suspensos ou reduzidos.


Para o relator da proposta, a lei, hoje, já é tão falha que, na prática, não fará muita diferença. "O importante era termos avaliado o modelo de financiamento de campanha, mas vamos votar o que já pode valer para o ano que vem", explica Raupp.

Já o pagamento de multas eleitorais com o Fundo Partidário é tão polêmico que o relator avalia retirá-lo do texto. "Pagar multas com o fundo significa que o dinheiro público estará financiando um ilícito. Isso é grave", argumentou o senador Pedro Taques (PDT-MT). Raupp destaca ainda outro ponto.

Segundo ele, como os comitês municipais não recebem recursos do fundo, a mudança na regra poderia abrir brecha para que essas instâncias recorressem aos diretórios nacionais ou estaduais para o pagamento das penalidades.

"Pode gerar um custo muito alto para os partidos. Os recursos não vão dar para todo mundo", analisa. Raupp disse que conversaria com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), autor do PLS n° 411/2012, para discutir a retirada do trecho.

Por outro lado, sugestões que poderiam reduzir os custos da campanha ou dar mais transparência ao processo foram rejeitadas pelos parlamentares ainda na semana passada, na votação em primeiro turno.

Os senadores que apresentaram emendas descartadas pela comissão tentarão inserir as mudanças novamente hoje. A manobra é permitida por se tratar de um substitutivo ao original. 

 
Doações

Entre as propostas rejeitadas, está a determinação de apresentar quem são os doadores de campanha antes das eleições. Hoje, os candidatos só precisam divulgar quem os financia depois do pleito. "O eleitor tem o direito de saber quem é que está por trás da candidatura", justificou o senador Pedro Taques (PDT-MT), autor da emenda.

Outra sugestão rejeitada foi a que proíbe a contratação de cabos eleitorais, para evitar que o vínculo seja, na verdade, uma compra de votos disfarçada. O substitutivo traz apenas uma limitação, proporcional ao número de eleitores nos municípios. 

 
Para o coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), juiz Márlon Reis, o Congresso está "praticando em verdadeiro engodo". "Não parece haver uma tentativa mínima em aprovar uma reforma séria. Pelo contrário, estão piorando o que já é ruim", avalia.

Segundo ele, os parlamentares estão apostando que não haverá resposta nas ruas e estão subestimando as consequências em 2014. "Eles estão fazendo uma aposta alta demais. Pior, uma aposta perigosa para eles e para o Brasil", acredita.
 

O projeto
 Veja quais são as mudanças propostas no PLS n°441/2012

» A falta de prestação de contas ou a desaprovação delas, que hoje são punidas com a proibição do repasse de novas cotas ou descontos do Fundo Partidário, não poderão ser penalizadas no segundo semestre de um ano eleitoral. Atualmente, a sanção é aplicada em qualquer período, desde que não ultrapasse 12 meses.

» O Fundo Partidário poderá ser usado para pagar multas eleitorais e, nos anos em que os institutos de pesquisa ligados aos partidos não utilizarem toda a verba, os recursos serão convertidos para quaisquer outras atividades partidárias.

» Não será considerada campanha antecipada, podendo ter cobertura nos meios de comunicação, inclusive na internet, a participação de filiados ou de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates no rádio, na televisão e na web, inclusive com exposição de plataformas e projetos políticos.

» Não haverá limite de horário para a realização de comícios com a utilização de som no evento de encerramento da campanha.Hoje, o horário permitido é entre as 8h e as 0h.

Saiba quais emendas que foram rejeitadas devem ser reapresentadas hoje

» Pedro Taques (PDT-MT) reapresentará emenda que obriga a divulgação dos nomes dos doadores de campanha antes das eleições.

» Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentará novamente texto que determina a prestação de contas em tempo real, com os nomes de doadores, além dos valores recebidos e dos gastos.

» A proibição de contratação de cabos eleitorais, para evitar a compra de votos disfarçada, será proposta mais uma vez por Humberto Costa (PT-PE).


Correio

FAZENDO O "DIABO" ! NO brasil maravilha da GERENTONA 1,99 DOS TRUQUES E TRAMBIQUES "CONTÁBEIS" : Dívida cresce e assusta

A estratégia do governo de estimular o consumo das famílias por meio do aumento do crédito, assim que o mundo ruiu com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, fez com que a dívida pública do Brasil desse um salto monumental. 

 Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que, nos últimos cinco anos, o endividamento bruto passou de 63,5% para 67,2% do Produto Interno Bruto (PIB), nível superior ao registrado por vários países da Zona do Euro antes do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. A França, por exemplo, tinha, ao fim de 2007, um índice de 64,2%.

O salto da dívida bruta brasileira foi estimulado, sobretudo, pela injeção de recursos, pelo Tesouro Nacional, nos bancos públicos. Apenas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu mais de R$ 300 bilhões, criando, no entender do economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um orçamento paralelo, que ajudou a minar a confiança dos agentes econômicos no país.

Para ele, o desconforto é enorme, pois, não bastasse a transferência de recursos às instituições públicas, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, com o aval do ministro da Fazenda, Guido Mantega, recorreu a truques fiscais para dar às contas públicas uma saúde que elas não têm. A maquiagem nos números foi tão intensa que o Brasil está sob ameaça de rebaixamento pelas agências de classificação de risco. 

Foi justamente a expressiva recuperação do país logo depois do estouro da bolha imobiliária que levou essas empresas a concederem à economia brasileira o tão sonhado grau de investimento, chancela de porto seguro para o capital.

Hoje, porém, o que impera no Brasil é o pessimismo. 
Em especial porque o reforço de capital dos bancos públicos, que já respondem por mais de 50% do crédito concedido no Brasil, teve outro efeito colateral: 
o endividamento excessivo das famílias. 
Pelos cálculos do Banco Central, em setembro de 2008, 32% da renda dos lares brasileiros estavam comprometidos com o pagamento de dívidas. 


Em junho deste ano, último dado disponível, 45% do orçamento familiar vinham sendo usados para a quitação de juros e das parcelas de débitos contraídos com os bancos.

Inflação 
Na avaliação do estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, as ações do governo no auge da crise mundial foram louváveis, porque permitiram ao país sair rapidamente de um severo processo recessivo. O problema foi ter insistido nas medidas de incentivo ao consumo além do recomendável. Pior: em vez de o Brasil ter impulsionado o crescimento, o que se viu foi o aumento da inflação e a desaceleração da atividade, uma vez que o poder de compra dasfamílias foi corroído.

Para o economista Andrew Storfer, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), as fragilidades do Brasil cinco anos depois da quebra do Lehman Brothers foram se acentuando à medida que ficou clara a saída dos países desenvolvidos da recessão.

"Diante de tantos buracos na economia, o capital ficou receoso e passou a buscar oportunidades menos arriscadas nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, que voltaram a crescer", assinala. "Com isso, fica claro que o Brasil está jogando fora a oportunidade de ser um país melhor a médio e longo prazos. O que todos esperavam era uma nação que mostrasse uma face para o mundo de mais investimento, mais amigo do capital, e não criando insegurança."

No entender de Rostagno, infelizmente, se os ajustes vierem, será somente em 2015, depois das eleições presidenciais. O problema é que, até lá, os entraves acumulados exigirão um esforço redobrado para botar ordem na casa. E a fatura, mais uma vez, acabará no colo do lado mais fraco, a população, sobretudo a mais pobre.

 

» Nova ordem global
O estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, considera que a velha ordem global está de volta. Com os países ricos saindo do atoleiro no qual se meteram a partir de setembro de 2008, e os emergentes sentindo o baque da desconfiança, a tendência é de que as nações mais ricas voltem a responder pela maior parte do crescimento mundial e, claro, de que fiquem com a maior parcela dos investimentos que circulam pelo mundo.
 

» Aperto
Saldo da crise levou Brasil a acumular dívida superior à da França no pré-crise

Disparada  

Para turbinar a economia, governo injetou dinheiro em bancos públicos, o que elevou dívida bruta (% do PIB)...

Brasil
 2007    65,2
2008    63,5
2009    66,9
2010    65,1
2011    64,9
2012    68,5
2013*    67,2
2014*    65,8

França  
2007    64,2
2008    68,2
2009    79,2
2010    82,3
2011    86,0
2012    90,2
2013*   92,7
2014*  94,0

 

*Projeção
Orçamento apertado
Na mesma toada, seguiu o endividamento das famílias brasileiras, que é
recorde


Comprometimento da renda (em %)
Set/08    32,21
Dez/09    35,41
Dez/10    39,16
Dez/11    41,70
Dez/12    43,41
Jun/13    44,82

Portas fechadas
Desde a crise, sete bancos já foram liquidados extrajudicialmente
Banco Morada
Cruzeiro do Sul
Banco Prosper
BVA
Banco Simples
Banco Rural
Banco Mais

Troca de controle Outras instituições, que também tiveram problemas financeiros, acabaram vendidas para concorrentes
Unibanco
Panamericano
Schahin
Matone
Fonte: Banco Central e FMI

Correio Braziliense

setembro 09, 2013

Cadeia nacional de empulhação


Está virando hábito, um condenável hábito: 
a presidente da República ocupar cadeia nacional de rádio e televisão para fazer proselitismo político. Aconteceu de novo na sexta-feira, quando, a pretexto das comemorações pelo 191° aniversário da Independência, Dilma Rousseff protagonizou mais um horário antecipado de propaganda eleitoral gratuita.

Foram dez minutos em que a presidente, mais uma vez, se dirigiu à nação como chefe de um governo, ou, mais precisamente, de uma facção. Novamente faltaram a suas palavras o que distingue um líder de Estado de um temporário ocupante da principal sala do Palácio do Planalto. Dilma, não há dúvida, confirmou-se meramente isso: uma burocrata circunstancialmente instalada no topo do comando do país.

A presidente teima em aprisionar a história do Brasil ao que aconteceu – supostamente de bom – nos "últimos anos”. É incapaz de manifestar alguma visão de nação, de reconhecimento à trajetória de um povo que há séculos luta para avançar e já há pelo menos um par de décadas parece ter encontrado seu melhor caminho.

Não fosse apenas a pequenez da abordagem, o pronunciamento da presidente também pecou pela inexatidão dos argumentos. Dilma surfou sobre resultados episódicos do PIB registrados no segundo trimestre – para surpresa geral, inclusive e principalmente de seu governo – para dourar a pílula de uma economia que claudica a olhos vistos.

A presidente se vangloriou de um país com "garantia do emprego, a inflação contida e a retomada gradual do crescimento”. Onde? A geração de emprego está no nível mais baixo dos últimos dez anos, conforme o mais recente levantamento do Caged. A inflação voltou a subir em agosto, segundo o IBGE, e o que a presidente classifica de "contidos” são alguns dos preços mais altos do mundo, como qualquer compra de supermercado ou conta de boteco comprova.
A "retomada gradual do crescimento” é um capítulo à parte nesta saga de empulhações. Embora para a presidente "o pior já passou”, há quem projete PIB negativo no terceiro trimestre – e não são poucos. O ritmo de expansão da economia sob Dilma equivale à metade do registrado no governo anterior. No continente, só ganharemos da Venezuela.

Com sua média anual de 2% de crescimento, a petista só será superada em ruindade pelos presidentes Fernando Collor e Floriano Peixoto – em toda a história da República! "O modelo Dilma fracassou. Em 2015, a economia terá que passar por ajustes, mesmo na hipótese possível de ela se reeleger. O que Dilma escolheu teve resultado negativo”, escreveu Míriam Leitão na edição de domingo d'O Globo.

No trecho eminentemente político de seu pronunciamento, Dilma apresenta aos brasileiros um balanço edulcorado dos cinco pactos que propôs à sociedade em junho e que resultaram, na vida real, em praticamente nada.

O da saúde resume-se a um programa correto nos objetivos, mas leviano no diagnóstico e desumano na ação. O pacto da educação limita-se a iniciativas que levarão, na melhor das hipóteses, uma década para surtir efeito.

Já o pacto da reforma política redundou em piadas como a Constituinte exclusiva e o plebiscito natimorto, e ressurge agora no Congresso por meio de projeto sem chance de valer nas próximas eleições. Dilma também teve a pachorra de dizer no pronunciamento que sua proposta para o transporte público produzirá resultados no curto prazo. Perdeu o bonde.

Fantasiosas também são suas palavras sobre o "equilíbrio fiscal”. Neste ano, os resultados do governo serão piores que os do maquiado 2012. Em 2014, o esforço fiscal proposto pela presidente ao Congresso será o menor em 12 anos. Os investimentos continuam representando fração ínfima das despesas públicas – só não vê isso quem não anda pelo Brasil real.
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O viés eleitoreiro dos pronunciamentos presidenciais tem se intensificado. Dilma ocupa longos espaços na TV e no rádio – pagos com isenção de impostos – para propagandear supostos feitos de seu governo que não mereceriam nem notas de rodapé. Basta lembrar que programas como Brasil Carinhoso e Melhor em Casa já renderam redes nacionais, embora ninguém hoje saiba mais do que se trata.

Mais uma vez, o pronunciamento da presidente da República a esta nação de 200 milhões de brasileiros foi coberto pela capa do marketing. Mas não foi capaz de ofuscar os enormes problemas que a gestão de Dilma Rousseff não apenas não tem conseguido superar, como tem contribuído para tornar ainda mais severos.

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Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica
estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela

BRASIL REAL ! "Marolinha" de 2008 ganha força em 2013. Brasil paga caro por não fazer dever de casa

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Durante um bom tempo, o Brasil se vangloriou de ter sido o primeiro país a sair da crise que varreu o mundo a partir de 15 de setembro de 2008, quando um dos maiores símbolos do capitalismo ruiu, o banco norte-americano Lehman Brothers.

 Cinco anos depois do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que revelou ao mundo o monstro dos subprimes — créditos de péssima qualidade vendidos como o melhor negócio do planeta —, a nação comandada por Dilma Rousseff está entre as mais vulneráveis do globo, justamente no momento em que deveria tirar proveito da retomada da atividade internacional, puxada por sua maior locomotiva, os Estados Unidos.

Se, em 2008, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu como “marolinha” o tsunami que destruiu pelo menos US$ 18 trilhões em riquezas no mundo, pelos cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil pôde lançar mão de medidas que minimizaram os estragos na economia, hoje, o que se vê é um governo com pouca margem de manobra para encarar o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chama de “minicrise”.
Não sem motivos.

Em vez de aproveitar a recuperação da atividade, que teve seu ápice em 2010, com o crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — o maior, em 24 anos —, para consolidar a estabilidade, o país cometeu uma sucessão de equívocos e improvisos que resultaram na alta da inflação, na perda de ritmo da expansão econômica e em um rombo crescente nas contas externas.

O quadro que se vê no Brasil é desalentador, admite Roberto Fendt, diretor executivo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Em vez de cortar juros para estimular o crescimento, o país está sendo obrigado a elevar o custo do dinheiro para que a inflação, que se mantém insistentemente próxima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 6,5%, não saia do controle.

Ao contrário de dar um sinal claro aos investidores de que o ajuste fiscal é para valer, o Palácio do Planalto encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de Orçamento de 2014 na qual reduz a economia para pagamento de juros da dívida (superavit primário) a 2,1% do PIB. A gastança nos últimos anos foi tamanha, que já não há mais espaço para estímulos à atividade, em especial aos investimentos produtivos.

Não por outra razão, o Brasil passou a liderar a onda de desconfiança que inundou os países emergentes desde maio, quando o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, indicou que estava se preparando para reduzir os estímulos que vinha dando à maior economia do planeta. Com os juros norte-americanos apontando para cima, os investidores optaram por selecionar os países nos quais manteriam suas aplicações.

De prioridade, o Brasil passou a ser visto com ressalvas. Os problemas estruturais da economia, com a infraestrutura precária, o intervencionismo estatal, a leniência com a inflação e truques fiscais, deixaram de ser relevados. A cobrança veio por meio de uma forte saída de recursos do país e da disparada de quase 20% do dólar ante o real.


Blindagem falha

Na avaliação dos especialistas, mais do que olhar para trás, para os cinco anos pós-Lehman, o que assusta é a falta de transparência do que será a política econômica em um eventual segundo mandato de Dilma. “Infelizmente, o Brasil nunca teve o costume de fazer o dever de casa”, afirma Creomar Lima e Souza, professor de relações internacional da Universidade Católica de Brasília.

E poucos acreditam que as tarefas que poderiam blindar o país neste momento serão executadas com êxito. “Os tempos são de incerteza para o Brasil, quando todos deveriam estar comemorando a recuperação da economia mundial, em especial a dos Estados Unidos”, acrescenta Ernesto Lozardo, professor da Fundação Getulio Vargas.

Ninguém espera, contudo, a ruína dos países emergentes, em especial de Brasil, Índia, Indonésia, Turquia e África Sul, cujas moedas estão derretendo, por causa da fragilidade crescente nas contas externas e da alta do endividamento interno. “Teremos pelo mais dois anos de dificuldades, até que se saiba ao certo como será a condução da política monetária norte-americana”, destaca Lozardo. Muitos acreditam que o desmonte dos estímulos dados pelo Fed será complexo, pois não se sabe para onde vão os juros norte-americanos.

Antônio Corrêa de Lacerda, professor de economia política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz não ter dúvidas de que o Brasil apresentou uma das melhores respostas de países emergentes ao terremoto financeiro oriundo dos EUA. “O uso de bancos públicos para compensar as dificuldades de crédito e estimular a demanda interna foram positivas e impediram a economia de levar um tombo igual ao de Rússia e México ”, explica.

De toda forma, ele acredita que, desde 2009, estava claro para o governo que o modelo de desenvolvimento não poderia mais se ancorar no consumo das famílias, cujo comprometimento da renda com dívidas saltou de 32%, em setembro de 2007, para 45%, em junho deste ano. “As ferramentas usadas para superar a crise no auge dela não servem mais agora”, resume.

ROSANA HESSEL SÍLVIO RIBAS DECO BANCILLON DIEGO AMORIM Correio Braziliense

DOIS EM UM ! E NO DE(S)CÊNIO DA REPÚBLICA DO CACHACEIRO PARLAPATÃO/TORPES E A NADA E COISA NENHUMA ... A AUTOSSUFICIÊNCIA DE PETRÓLEO E PETEBRAS ESPIONADA

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Em nossa série “Túnel do tempo” de hoje vamos regressar a 2006. 
É a inauguração da plataforma P-50 na Bacia de Campos. Repetindo o gesto de Getúlio Vargas, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva suja sua mão de óleo negro e posa para a foto(acima).

Havia motivo para tanta celebração ufanista. Ou ao menos assim pensava o presidente. A P-50 era o marco tão esperado pelos nacionalistas desde que a Petrobras foi fundada, em 1953. Finalmente, após mais de meio século, a estatal, que gozara de monopólio absoluto no setor por quase todo esse tempo, chegaria a autossuficiência na produção de petróleo.

“O petróleo é nosso!”, bradaram todos os nacionalistas, de esquerda e de direita, por décadas. E agora, com a inauguração dessa grande plataforma, o país seria capaz de produzir a mesma quantidade consumida do ouro negro e seus derivados.

Não bastava celebrar a redução da necessidade de importação do importante produto; era preciso dar um tom todo especial a isso. O presidente Lula, então, chamou a conquista de “independência” e a comparou ao esforço de Tiradentes, que “ousou desafiar a idéia de que o Brasil não poderia ser independente”. 
A esquerda nacionalista foi à loucura.

Mas era tudo prematuro demais.
O cheiro de demagogia tomou conta do lugar. 
Lula teria, pelo visto, cantado vitória muito antes do tempo. Avançando para os dias de hoje, como está essa questão de autossuficiência do petróleo? 

Vejamos alguns dados do último balanço disponível da Petrobras:


Fonte: Petrobras

Como fica claro acima, a Petrobras ainda precisou importar 400 mil barris/dia de petróleo e derivados no primeiro semestre desse ano. Houve paradas programadas na produção, mas explicam apenas parte do problema. A tendência é de alta na necessidade de importação de petróleo.


Fonte: Petrobras

Vendo de outra forma a mesma coisa, a Petrobras utiliza praticamente toda a sua capacidade instalada, mas mesmo assim só é capaz de atender cerca de 80% da demanda. O restante tem que ser suprido pela importação mesmo.

Que fique claro o seguinte: 
a autossuficiência em si não é o mais importante. 
Isso é mentalidade mercantilista. 
Países desenvolvidos importam petróleo sem problemas, e focam naquilo que são mais competitivos. Por outro lado, países exportadores de petróleo muitas vezes são atrasados, corruptos e vítimas de regimes autoritários. Essa obsessão com o óleo viscoso é puro fetiche irracional.

Dito isso, claro que seria bom para o país ter um setor de petróleo mais dinâmico, com várias empresas privadas competindo para explorar nossos recursos naturais. Seriam mais divisas, mais dólares exportados permitindo a importação de outros bens e serviços.

O então presidente Lula não explorou essa visão racional da globalização quando comemorou (precipitadamente) a nossa autossuficiência. Para ele, era uma conquista análoga à independência. Agora sim, o Brasil ficaria livre da necessidade de importar petróleo!

Sete anos depois… ainda temos de importar 20% do que consumimos, pois a produção da Petrobras não consegue crescer no ritmo da demanda. Cresce pouco mais de 2% ao ano desde que o PT assumiu o poder, uma taxa medíocre.

Fonte: Petrobras

Como podemos ver, nada mais incômodo para populistas de plantão do que os fatos históricos. Nosso “túnel do tempo” está aqui para isso.

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A Petrobras foi espionada pelos americanos. O que eles descobriram? Ou: Quem tem amigo como o PT não precisa de inimigo externo.

Agora mexeram com nosso “orgulho nacional”. Afinal, o petróleo é nosso! Já posso até ver os nacionalistas babando de ódio porque a agência de segurança americana (NSA) espionou, segundo documentos vazados (a conta gotas e de forma seletiva) por Greenwald, a nossa querida Petrobras. Confesso que até eu fiquei muito irritado!

Afinal, há muitas dúvidas no ar, e nós, brasileiros, queremos respostas. Os americanos poderiam nos explicar melhor como foi que a Petrobras torrou quase um bilhão de dólares para comprar uma refinaria em Pasadena, no Texas, que não vale quase nada? Podem nos dizer como a estatal investiu tantos bilhões, aumentou tanto seu endividamento, mas não consegue fazer a produção crescer?

Sobre o caso da espionagem e a revolta cívica seletiva, meu vizinho virtual Reinaldo Azevedo já disse que deveria ser dito
aqui. Pretendo apenas quantificar um pouco a análise qualitativa do jornalista. Vamos ver alguns números da Petrobras, para compreender melhor que seu verdadeiro inimigo não são os americanos, mas sim nosso próprio governo, sob o comando do PT.

Em primeiro lugar, vejam quantos bilhões de dólares foram investidos apenas no setor de Exploração & Produção desde que o PT assumiu o poder:


Fonte: Petrobras

Trata-se de uma montanha de recursos! Após tantos bilhões destinados ao setor de exploração e produção, podemos imaginar que o resultado logo apareceu no crescimento de produção, certo? Errado. Estamos falando de uma estatal, ora bolas, e gerida por petistas! Eis, portanto, o resultado da produção total da empresa, em barris de óleo e equivalentes:

Fonte: Petrobras

É um crescimento medíocre, sendo benevolente com a empresa. Mais precisamente 2,3% ao ano desde 2003. A Petrobras alcançou a marca de 2 milhões de barris/dia em agosto de 2008, e em julho de 2013 sua produção era… 2 milhões de barris/dia!

A sensação que fica é a de que toneladas de recursos foram aportadas apenas para o crescimento se manter estável. Bem, sempre pode ser pior. A Venezuela que o diga. A PDVSA torra bilhões de dólares e a produção cai ano após ano! É o efeito do bolivarianismo na empresa.

Se os investimentos têm aumentado tanto e a produção não, então o endividamento deve ter explodido em relação ao valor de mercado da empresa, certo? Exato. É o que podemos verificar abaixo:

O impacto disso tudo pode ser observado quando comparamos o desempenho das ações da Petrobras (PBR) com uma cesta de empresas do mesmo setor (XLE). Toda a euforia com o Brasil, em boa parte fruto do crescimento chinês e do baixo custo de capital nos países desenvolvidos, dissipou-se nos últimos anos:
Fonte: Bloomberg
Explicando melhor: 
 a Petrobras já perdeu 80% de seu valor relativo a essa cesta de empresas do setor desde 2010! Nossa estatal é o “patinho feio” do setor de petróleo no mundo. Os investidores não querem saber dela. Sua destruição de valor para os acionistas – leia-se todos os brasileiros – é assombrosa.
 
Pergunto:
alguém precisa de espiões estrangeiros para destruir a Petrobras? Claro que não! Basta deixar o PT mais alguns anos tomando conta dela. Quem tem amigos como o governo do PT não precisa de inimigos…

Transcrito do original em :