"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 27, 2013

JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Percepção de risco da Petrobras dobra no ano e é a maior do mundo


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Custo para proteger dívida da Petrobras por 5 anos usando CDS quase dobrou neste ano para 280 pontos-base, maior nível entre 20 petrolíferas integradas no mundo, segundo dados da CMA.

Dívida líquida/Ebitda de 3x é a maior entre petrolíferas com valor de mercado acima de US$ 50 bi, segundo dados compilados pela Bloomberg. 

“Nós vemos o CDS como provavelmente o comentário mais em tempo real sobre como os credores estão vendo o risco”, diz Thomas Coleman, analista da Moody’s Investors Service, por telefone de Nova York. “Há muita pressão sobre o rating. O momentum é mais negativo agora”.

Petrobras preferiu não comentar sobre o aumento de seus gastos e dívida ou sobre a percepção de risco dos investidores e seu rating.


NOTA: 
Moody’s tem rating A3 para Petrobras com perspectiva negativa para possível rebaixamento.

NOTA:
 Fitch disse semana passada que contratos indicam rating BB+, um nível abaixo do grau de investimento e 2 abaixo da nota BBB da Petrobras.

Apertando a tecla SAP para os mais leigos em linguajar de mercado financeiro: O CDS (Credit Default Swap) mede o risco de default dos títulos emitidos pela empresa. Ele é uma espécie de seguro que investidores compram, e bancos vendem, para o caso de algum evento de crédito no futuro.

Se a empresa deixar de efetuar um pagamento em seus títulos, quem comprou o CDS se protege em parte, ou quem apenas especulou, apostando no pior sem ter os papéis, coleta um bom lucro. Foi o que fez John Paulson ganhar bilhões na crise de 2008.

O CDS, portanto, é um bom indicador da percepção de risco de um ativo por parte dos investidores. Se ele começa a subir muito, ou seja, se o prêmio para contratar esse seguro ou apostar na catástrofe fica mais caro, isso é sinal de que há muito nervosismo entre os investidores. Quanto maior o prêmio do seguro, maior a percepção de risco de sinistro.

A Petrobras perde credibilidade perante os investidores, tanto de renda fixa como variável, dia após dia. A empresa sofre forte ingerência política, não tem liberdade para praticar preços de mercado, não consegue crescer sua produção, e ainda tem um gigantesco programa de investimentos à frente. O endividamento sobe sem parar.

Em bilhões de reais. Fonte: Bloomberg

Os riscos são grandes e crescentes. 
É o que mostra o termômetro do CDS.
 Ou a Petrobras muda o rumo de sua gestão e o governo libera o preço do combustível, ou as chances de um problema no pagamento de seus títulos serão cada vez maiores.

Via :  
Rodrigo Constantino

Herói tratado como delinquente

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A demissão do chanceler Antonio Patriota em razão da transferência do senador boliviano Roger Pinto Molina de La Paz para território brasileiro ilustra a pequenez que orienta nossa diplomacia na era petista. Também demonstra que, nestes tempos bicudos, Brasília preza mais a ideologia do que direitos fundamentais e humanitários – algo que o tratamento dispensado aos médicos cubanos já havia revelado.

Molina foi transferido no último fim de semana a Brasília pelo encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia, o diplomata Eduardo Saboia. Estava há 452 dias confinado num cômodo da representação brasileira em La Paz depois de ter obtido asilo do governo brasileiro. Aguardava, desde então, que o governo Evo Morales lhe concedesse, como preveem as boas regras de conduta do direito internacional, salvo-conduto para poder deixar o país. Sem sucesso.

As condições em que vinha vivendo o senador – o mais aguerrido político de oposição ao governo Morales – eram precárias. Ele não via a luz do sol, não saia do quarto (na realidade, uma sala sem ventilação onde fica o telex da embaixada) e mal encontrava pessoas. Da família, só teve contato com a filha mais nova, Denise, ao longo destes 15 meses. Sua saúde estava em estado deplorável.

"Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? (...) O senador estava havia 452 dias sem tomar sol, sem receber visitas. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi. O asilado típico fica na residência, mas ele estava confinado numa sala de telex, vigiado 24 horas por fuzileiros navais”, relatou Saboia à Folha de S.Paulo.

Há uma semana, Molina foi examinado por um médico, depois que Saboia informara o Itamaraty que seu quadro de saúde piorava a olhos vistos. O laudo apontou uma série de problemas, como candidíase (infecção que indica enfraquecimento do sistema imunológico), taquicardia, hiporexia (perda de apetite), taquicardia, dificuldade respiratória, pressão alta e síndrome depressiva, como informa o Valor Econômico.

O governo Dilma, porém, continuou sem agir. Foi aí que Saboia, fortemente movido por valores cristãos, levou adiante a transferência do senador boliviano para solo brasileiro. Deixou de lado regulamentos frios e optou por princípios que nossa diplomacia sempre prezou, em especial a defesa dos direitos humanos, mas que claramente vinham sendo violados no caso de Molina.

Para levar seu intento a bom termo, o diplomata teve que cruzar 1.600 km de estradas, cortar áreas dominadas pelo tráfico de drogas e, finalmente, desembarcar em Corumbá (MS) depois de uma epopeia quase heroica. Por sua postura valorosa e ousada, Saboia receberá como retribuição do governo brasileiro um processo administrativo e deverá ser "severamente punido” por "grave quebra de hierarquia”, segundo O Estado de S.Paulo.

Entre ficar com valores que historicamente orientam nossa diplomacia e agradar um governo pouco afeito à democracia, o governo da presidente Dilma Rousseff ficou com a segunda opção. Sacrificar o chanceler Patriota e punir Saboia com rigor transformou-se em gesto de mesura de Brasília junto ao governo de Evo Morales, ao qual, mais uma vez, a gestão petista se curva – numa tradição que vem desde a desapropriação acintosa de um bilionário ativo da Petrobras logo no início do mandato dele, em 2006.

O que Eduardo Saboia fez é o que qualquer pessoa de bem faria: ajudar um cidadão a não sucumbir à tentação de desistir da vida. Entre praticar o que os preceitos humanitários indicam e defender a liberdade de um homem ou dizer amém a um governo insensível e despótico, ficou com suas convicções cristãs. Deveria ser tratado com honrarias, mas, para a apequenada e pusilânime diplomacia brasileira, ele não passa de um delinquente.

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"Que bom", diz o senador

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O senador Roger Pinto Molina, que chegou ao Brasil na madrugada do último domingo, comemorou a demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

“Que bom, estamos no caminho certo”, disse, ao ser informado da saída do diplomata brasileiro do cargo.

O parlamentar boliviano passoua segunda-feira na casa do seu advogado, Fernando Tibúrcio Pena, no Lago Norte. Em boa parte do tempo, falou com a família pela internet. Molina ainda recebeu a visita do senador brasileiro Sérgio Petecão (PSD-AC), que já mantinha contato antes da vinda dele ao país.

Ele o abraçou longamente e ficou emocionado. 
O ex-deputado estadual do Acre Fernando Melo também o visitou. No fim da noite, jantou comida chinesa e se reuniu com mais amigos.
À tarde, o senador apareceu por três vezes na parte externa para registro de i
magens da imprensa.


“Eu amo o Brasil”, disse, bem humorado, ao lado de um dos quatro cachorros da residência.

Ele evitou, porém, responder as pergunt
as feitas pelos jornalistas.
Molina dará, hoje, uma entrevista coletiva na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Segundo relatos da defesa, ele está muito feliz por chegada ao Brasil. “Foi duro ficar sem ver o sol. Nem prisioneiro passa o que passei”, afirmou Molina ao Correio.

Molina permaneceu 455 dias na embaixada do Brasil em La Paz, que lhe concedeu asilo. A Bolívia se recusava a dar autorização para que ele viajasse para território brasileiro. Na última sexta-feira, ele saiu da embaixada em um carro diplomático, escoltado por militares brasileiros.

A cada parada para passar por revista no trajeto de 22 horas de viagem até chegar a Corumbá (MS), ele achava que seria impedido de chegar ao destino. Mas, como estavam em carro diplomático, a comitiva era liberada. Havia o receio de que narcotraficantes que atuam na região o reconhecessem. O advogado do parlamentar, Fernando Tibúrcio Pena, afirmou que “não existe a possibilidade” de o boliviano ser extraditado.


Outros casos

 Nome: Cesare Battisti
Situação: refugiado
Quando: janeiro de 2009
Caso: 
O ex-militante político italiano foi condenado em seu país por homicídios entre 1978 e 1979. Os advogados de Battisti alegam que ele foi condenado à revelia e sem direito de defesa. Na decisão de conceder refúgio, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, citou o Estatuto dos Refugiados, de 1951, e a Lei nº 9.474, de 1997, que traz como um dos motivos para o abrigo o “fundado temor de perseguição por motivos de raça (...) ou opinião política”. Para Genro, a Itália reconheceu a conotação política dos crimes, uma vez que a sentença de Battisti traz o trecho: “com a finalidade de subverter o sistema econômico e social do país”.
 
Nome: Guillermo Rigoundeaux e Erislandy Lara
Situação: 
extraditados
Quando: 
agosto de 2007
Caso: 
Os dois boxeadores cubanos abandonaram a delegação do seu país durante o Pan 2007, com a intenção de se instalarem no Brasil, mas acabaram deportados poucos dias depois da fuga. Na época, a Polícia Federal informou que eles estavam sem documentos e que isso já era “motivo suficiente” para a extradição.  
Nome: Lúcio Gutiérrez
Situação: 
recebeu asilo, mas “renunciou”
Quando: 
desde abril de 2004
Caso: 
O ex-presidente do Equador, Lúcio Gutiérrez, chegou ao Brasil três dias depois de ser deposto da presidência, em 24 de abril de 2004, em meio a protestos populares. Após pedir e obter asilo político no país, renunciou ao “status” dias depois.
 
Nome: Raúl Cubas Grau
Situação: 
ficou asilado no país durante sete anos e depois voltou ao Paraguai
Quando: 
entre 1999 e 2006
Caso: 
O ex-presidente do Paraguai foi tirado do poder sete meses depois de assumir a presidência do país por um “golpe parlamentar” de seus adversários políticos, em março de 1999. Conseguiu asilo político no Brasil, mas surpreendeu seu país e, em 2006, apresentou-se a um juiz paraguaio para responder a processos.
 
Nome: Lino Oviedo
Situação: 
ficou asilado no país e depois voltou ao Paraguai
Quando: 
entre 2000 e 2004
Caso: 
O ex-candidato à Presidência do Paraguai em 1998 foi condenado a 10 anos de prisão em 1999. Ele foi acusado pelos aliados do ex-presidente Juan Carlos Wasmosy (1933-1998) pelo assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, também inimigo político de Oviedo. Em 2001, conseguiu asilo político no Brasil depois de pedido do Paraguai para que fosse deportado. Voltou ao seu país em 2004. Morreu este ano em acidente de helicóptero na província de Chaco. Ele concorria novamente à Presidência do Paraguai.
 
Nome: Alfredo Gustavo Stroessner
Situação: 
recebeu asilo
Quando: 
1989
Caso: 
Em 1954, Stroessner proclamou-se presidente do país, tendo sido reeleito por sete mandatos consecutivos em eleições consideradas fraudulentas, com um governo marcado pela repressão ferrenha a qualquer oposição. Foi derrubado por um golpe militar em 1989, quando recebeu asilo do Brasil, onde viveu até os 94 anos. Morreu em 2006, de complicações pós-cirúrgicas depois de uma operação de 
hérnia inguinal.

PAULA BITTAR e LEANDRO KLEBER Correio Braziliense

Era uma vez o juro baixo...


Mercado encara o BC e faz a moeda norte-americana aumentar 1,3%, para R$ 2,384. Amanhã, Selic deve passar para 9%, mas instituições que mais acertam projeções veem a taxa básica chegando a dois dígitos em janeiro

Os investidores deram ontem uma amostra consistente de que não será fácil a vida do Banco Central para controlar os preços do dólar, que já impactam a inflação. Apesar de a autoridade monetária ter mostrado um arsenal de mais US$ 60 bilhões a ser usado até o fim do ano, a moeda norte-americana voltou a subir ontem e a romper os R$ 2,40, refletindo toda a insegurança dos investidores em relação aos rumos da economia brasileira, que combina baixo crescimento e custo de vida elevado.

A divisa dos Estados Unidos encerrou a segunda-feira cotada a R$ 2,384 para venda, com alta de 1,3% no dia e de 16,6% no ano.

Diante do fracasso do BC, que cumpriu a promessa de vender dólares no mercado futuro, a onda de desconfiança se espraiou. Tanto que as cinco instituições que mais acertam as projeções colhidas semanalmente pela autoridade monetária, os Top 5, passaram a prever que a taxa básica de juros (Selic), hoje de 8,50% ao ano, voltará à casa dos dois dígitos até janeiro de 2014, puxada pelo dólar e pela constante inflação próxima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%.

Para esse grupo, a Selic chegará a 10% e, na melhor das hipóteses, permanecerá nesse patamar ao longo de todo o ano em que a presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição.




No entender dos especialistas, o novo patamar de câmbio — e a baixa garantia de eficácia do plano em vigor do BC — dificultará ainda mais a missão da instituição de controlar a escalada dos preços. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne hoje e amanhã e a aposta quase unânime é que os dirigentes da autoridade monetária decidirão por uma alta de 0,50 ponto percentual nos juros, com a Selic passando de 8,5% para 9% ao ano.

Ainda restarão dois encontros até dezembro, nos quais a taxa básica terá novos aumentos.



Reajustes

Por mais que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, diga que o governo não permitirá “o contágio do câmbio na inflação”, a desvalorização do real ante a moeda norte-americana já provocou reajustes de até 12% nas tabelas de setores como os de informática e de alimentos e bebidas.

“Há uma alta probabilidade de subida mais rápida da taxa de juros”, comentou o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. A inflação, no entender dele, está longe de dar trégua.

Não à toa, o mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus, voltou a elevar a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013, algo que não ocorria há sete semanas. A estimativa do indicador oficial de inflação saiu de 5,74% para 5,80%.

“O governo deixou de lado o crescimento para segurar o custo de vida, mas acabou ficando sem nada”, avaliou a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Macedo. A carestia continua no teto da meta e a expansão da atividade, apontando para o chão.


Com discurso semelhante ao adotado pela maior parte dos empresários, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Fabio Arruda Mortara, criticou duramente o governo. O provável aumento dos juros é considerado “remédio amargo para segurar a inflação”. “O governo ficou refém da Selic em decorrência de erros da política econômica”, atacou ele, que prevê imediata retração da demanda, da rentabilidade das empresas e do nível de emprego no segmento.

Em entrevista ao Correio, Mortara lembrou, ainda, que o menor patamar de juros da história — de 7,25% ao ano, registrado em outubro de 2012 — não se sustentou por inoperância do governo. “Foi uma alegria que durou pouco”, disse. A equipe econômica, acrescentou o presidente da Abrigaf, deu vários “tiros no pé” ao insistir em equívocos, como não reduzir os gastos públicos e segurar indefinidamente os reajustes dos combustíveis, que agora só potencializam a “minicrise” de Mantega.

Com juros mais altos e a pressão do dólar sobre os preços, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 segue despencando. Em janeiro, o mercado previa alta de 3,26% no ano. Ontem, com o registro de mais um recuo pelo Focus, o índice esperado pelos analistas caiu para 2,20%. O cenário pode piorar depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, na próxima sexta-feira, o PIB do segundo trimestre. No primeiro, o Brasil avançou pífio 0,6%.

O maior problema para o governo, disse economista e ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes, é o impacto do câmbio no custo de vida. “Inflação alta e baixo crescimento é tudo o que a presidente Dilma não queria”, sobretudo com a campanha eleitoral batendo à porta do Palácio do Planalto.

“Está difícil cravar para onde vai o dólar. Ainda há muita volatilidade no mercado”, completou ele, que chefia a divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Pelas suas contas, o PIB deste ano deverá fechar ao redor 1,8%. No mês passado, ele ainda acreditava em um resultado acima de 2%. Em janeiro, falava em 3%.

Mão pesada
Para o economista e ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes, a autoridade monetária terá de ir além dos arsenal de US$ 60 bilhões anunciados na semana passada para segurar a desvalorização do real e acalmar o mercado.

“O desempenho do dólar neste começo de semana mostra que o BC será obrigado a agir mais. Talvez, até tenha de elevar, amanhã, os juros acima do 0,50 ponto percentual previsto inicialmente pelo mercado”, apostou.

DIEGO AMORIM » ROSSANA HESSEL Correio Braziliense

agosto 26, 2013

Os maus negócios da Petebras


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Como é possível uma empresa faturar mais de um trilhão de reais e não produzir um único centavo de lucro com o negócio? Esta situação ruinosa está acontecendo na maior companhia brasileira, a Petrobras, em razão de uma política que não apenas lhe tolhe os ganhos, como também coloca o Brasil na contramão da agenda da sustentabilidade. Os maus negócios da Petrobras vêm se dando em suas operações de venda de combustíveis, como relata o Valor Econômico em sua edição de hoje. Desde que o PT assumiu o comando do país, as refinarias da companhia venderam R$ 1,15 trilhão em combustíveis e não ganharam nadinha com isso. Pelo contrário: as operações causaram perda de R$ 663 milhões à empresa no período.

A situação agravou-se nos últimos dois anos e meio. De janeiro de 2003 a junho último, a Petrobras vendeu R$ 540 bilhões em combustíveis e obteve prejuízo de R$ 39,6 bilhões com a operação. O rombo anulou os lucros alcançados pela empresa com a comercialização de derivados nos oito anos anteriores.

A razão desta desastrosa trajetória empresarial é conhecida: a política adotada pelo governo federal em relação ao preço dos combustíveis vendidos no país. Para evitar uma disparada ainda maior da inflação, os valores cobrados dos consumidores ficaram longos períodos praticamente congelados no país, obrigando a Petrobras a matar as perdas no peito.

É incrível como uma empresa petrolífera é forçada a atuar por anos a fio sem poder lucrar com seu principal negócio, ou seja, vender os combustíveis que produz e refina. Mas é isso o que está ocorrendo no país na era petista. Não fossem os ganhos obtidos com a área de exploração e produção de petróleo, a Petrobras provavelmente teria naufragado de vez.

Atualmente, os preços dos combustíveis praticados no Brasil estão defasados cerca de 30% em relação ao mercado internacional. Com a escalada recente do dólar, a situação agravou-se e a companhia passou a acumular perdas mensais de R$ 700 milhões. A possibilidade de conceder novo reajuste passou a ser considerada pelo governo.

Por vários outros aspectos, a estatal não passará incólume pela experiência de gestão levada a cabo pelos petistas. Eles foram os primeiros depois de Fernando Collor a levar a empresa produzir menos petróleo, quebrando uma série ascendente que vinha desde a gestão Fernando Henrique. Sem falar também no primeiro prejuízo trimestral contabilizado neste século, registrado no segundo trimestre do ano passado.

Desde o início de 2010, a Petrobras perdeu praticamente metade de seu valor de mercado. Quase US$ 100 bilhões evaporaram ao longo do período, à medida que foi ficando evidente que a companhia terá dificuldades crescentes para honrar seus compromissos, principalmente os do pré-sal. Boa parte do dinheiro injetado pelos acionistas na operação de capitalização, em 2010, simplesmente evaporou.

A interferência da política federal nos preços praticados pela Petrobrás também causa outro indesejável efeito indireto: deprime a produção brasileira de etanol. Como o combustível renovável concorre diretamente com os fósseis, o valor cobrado por estes limita o praticado sobre aquele. Como consequência, o setor agoniza.

Nas duas últimas safras, a produção nacional de etanol caiu 15%, levando dezenas de usinas a fechar as portas e demitir mais de 18 mil trabalhadores. O Brasil, que figurava como provável maior potência produtora e exportadora de combustível limpo e renovável do mundo, hoje chega a importar álcool dos Estados Unidos...

Ao mesmo tempo, a política de subsídio aos preços da gasolina resulta em aumento explosivo do consumo deste combustível, contribuindo para piorar as nossas condições ambientais. No ano passado, enquanto o consumo total de combustíveis cresceu 6% no país, o de gasolina aumentou 12% e o do etanol caiu 9,6%. Nos dois últimos anos, a frota de veículos flex que usam etanol caiu à metade.

Usar uma empresa como a Petrobras como instrumento de manipulação de mercado só serve para produzir desequilíbrios e ineficiências. A estatal é um patrimônio do povo brasileiro que o governo petista está dilapidando, ao mesmo tempo em que coloca o país na contramão do que o mundo cada vez mais pratica em relação ao desenvolvimento sustentável. É um mau negócio, em todos os aspectos.


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BNDES colhe o que plantou



Embora tenha alcançado lucro líquido de R$ 3,3 bilhões no primeiro semestre do ano, 20,4% mais do que obteve na primeira metade de 2012, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem. sendo forçado a absorver os resultados negativos das empresas nas quais aplicou quantias muito altas nos últimos anos.

A desvalorização das ações dessas empresas está obrigando a BNDESPar - seu braço para operações de participação no capital de companhias privadas - a registrar pesadas baixas contábeis, o que vem comprimindo seus lucros.
Estima-se que, com a desvalorização de sua carteira de ações, em razão do mau desempenho dos papéis de pelo menos cinco empresas, a BNDESPar teve de contabilizar uma baixa de R$ i bilhão no primeiro semestre do ano. Em consequência, como mostrou reportagem do Estado (21/8), seu lucro líquido no segundo trimestre de 2013 ficou em RjS 228 milhões, 66,7% menor do que o dos primeiros três meses do ano, No semestre, o resultado (R$ 639 milhões) foi 42,7% menor do que o do mesmo período de 2012.

O BNDES não informou quais participa
ções forçaram a baixa contábil, esclarecendo apenas que elas se referem a empresas não coligadas, isto é, aquelas nas quais o banco estatal tem participação acionária, mas não tem poder para interferir na gestão (no caso das empresas coligadas, o BNDES influi na administração).

Embora não decida sobre a administração das empresas não coligadas, em algumas delas o banco estatal tem participação importante. Um caso muito citado nos últimos meses é o da fabricante de produtos lácteos LBR, da qual a BNDESPar detém. 30,28% das ações. A constituição da empresa, seu desempenho e a participação do banco estatal no seu capital sintetizam a política recente do BNDES - cujos maus resultados a instituição oficial agora está sendo obrigada a registrar em seus balanços.


Criada em 2010 por forte estímulo do BNDES, a LBR resultou da fusão de duas empresas do setor. Na época, tinha 31 unidades em operação, mas, desde fevereiro do ano passado - quando pediu o regime de recuperação judicial e ainda era classificada pelo BNDES como empresa coligada vem encolhendo, Agora são apenas 12 unidades produtoras e o número de empregados caiu de 4,6 mil para 3,4 mil. No ano passado, o BNDES teve de provisionar R$ 865 milhões por causa dos problemas da LBR, No momento, uma empresa francesa negocia sua compra.

Outro caso é o do frigorífico Marfrig, do qual a BNDESPar detém 19,63%. Estimulado pelo banco estatal, o frigorífico fez várias aquisições, mas, há poucos meses, teve de se desfazer da mais importante delas, a do frigorífico Seara, que vendeu para seu concorrente, o frigorífico JBS - no qual igualmente o BNDES tem participação.

O banco não teve perdas expressivas com. as dificuldades pelas quais passam as empresas do Grupo EBX, do empresário Eike Batista - só a petroleira do grupo, a OGX, provisionou R$ 3,6 bilhões para perdas em razão dos maus resultados de alguns campos de petróleo pois é pequena sua participação nelas.
A BNDESPar detém 0,66% do capital da mineradora MMX e 0,26% da OGX, Mas, entre 2009 e 2012, o BNDES emprestou cerca de R$ 8 bilhões para as empresas do grupo.

Essas operações se enquadram na política de constituição daquilo que a diretoria do BNDES chamou de "campeões nacionais", empresas brasileiras com porte e poder para competir no mercado mundial.

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Setores e grupos empresariais escolhidos pelo banco receberam vultosos financiamentos, a juros inferiores aos do mercado privado, e aporte de capitais, mas em muitos casos, como alguns dos citados acima, seus resultados foram frustrantes.

Há alguns meses, em entrevista ao Estado, o presidente do BNDES, Luciano Cantinho, embora discordasse da expressão "campeões nacionais", reconheceu que "a promoção da competitividade de grandes empresas de expressão internacional é uma agenda concluída". Os resultados dessa política, porém, estão surgindo e persistirão -onerando o Tesouro, isto é, os contribuintes.


O Estado de São Paulo

Os assíduos usuários da "FAB Linhas Aéreas"



Um relatório produzido pela Força Aérea Brasileira (FAB) joga luz sobre os hábitos de autoridades do governo federal no uso de aeronaves oficiais para deslocamentos a trabalho ou no trajeto entre Brasília e os estados de origem.

Desde o início do governo Dilma Rousseff até o fim do primeiro semestre deste ano, a FAB operou voos em 7.244 trechos, o que dá uma média de quase oito decolagens por dia para atender a um grupo de autoridades que compreende o corpo ministerial do governo, além dos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relatório, desde 2010 foram atendidos pedidos para 5.250 deslocamentos de autoridades - sendo que uma viagem pode englobar decolagens em várias localidades e em datas diferentes.
O campeão no “programa de milhagem” governamental é o Ministério da Saúde. Nesse período, a FAB fez 511 missões em atendimento à pasta. Só entre janeiro e junho deste ano, foram 110 trechos voados atendendo a demandas da pasta. O montante representa um crescimento de 48,6% em relação aos voos realizados nos 12 meses de 2010.

No último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foram 74 voos em atendimento ao ministério.

Na sequencia dos órgãos que mais viajam nas asas da FAB, aparecem, nessa ordem, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Justiça e da Defesa, a presidência da Câmara dos Deputados e o Ministério de Relações Institucionais.


No relatório, obtido pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) em solicitação ao Ministério da Defesa, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, explica que a relação não inclui os atendimentos ao vice-presidente, “em prol da segurança da referida autoridade”.
A utilização de aeronaves oficiais é regulamentada pelo Decreto n° 4.244 de 2002.
A prerrogativa é concedida ao vice-presidente da República, aos presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do STF, a ministros de Estado e demais ocupantes de cargo público com prerrogativas de ministro de Estado, aos comandantes das Forças Armadas e ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

O ministro da Defesa e o Comandante da Aeronáutica podem autorizar o transporte aéreo de outras autoridades, nacionais e estrangeiras.

Os pedidos de transporte de autoridades devem atender aos critérios previstos no decreto: motivos de segurança e emergência médica, viagens a serviço e deslocamentos para local de residência permanente, seguindo essa mesma ordem de prioridade.
Viagens para o estado de origem, por exemplo, constituem a maioria dos deslocamentos autorizados para a pasta das Relações Institucionais, comandada pela ministra Ideli Salvatti. Desde 2011 até junho deste ano, foram 256 autorizações atendendo a solicitações da secretaria, que tem status de ministério.

Cotada para disputar o governo de Santa Catarina em 2014, Ideli “tem residência permanente em Florianópolis”, segundo a assessoria de seu gabinete, o que enquadraria as viagens na regulamentação do uso dos aviões oficiais.

Casa Civil
A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é outra usuária frequente das aeronaves da FAB para fazer o trajeto Brasília-Curitiba.

A assessoria de imprensa de Gleisi explica que “a residência oficial da ministra se encontra em Curitiba, o que justifica a frequência dos voos”.
Ainda assim, Gleisi ocupa, em Brasília, a residência oficial destinada aos ministros da Casa Civil, no Lago Sul. Gleisi deve se candidatar ao governo do Paraná no próximo ano e é dada como certa a sua saída da Casa Civil no início de 2014, para participar das eleições estaduais.

A presença do Ministério da Educação na lista dos maiores usuários da FAB se justifica pelo grande número de viagens durante a gestão de Fernando Haddad, hoje prefeito de São Paulo. Em 2011, último ano do petista à frente do ministério, a pasta foi atendida em 135 voos de aeronaves oficiais.


No início de 2012, Haddad deixaria o cargo para disputar a prefeitura da capital paulista. Sob o comando do ministro Aloizio Mercadante, o número de voos despencou. Em 2012, foram 74. No primeiro semestre deste ano, apenas 36. 

Correio Braziliense

GERENTONA 1,99 A MAIS "PREPARADA" E O JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Refinarias da Petrobras vendem R$ 1,5 tri sem lucrar um centavo

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Entre janeiro de 2003 e junho de 2013, as refinarias da Petrobras venderam R$ 1,55 trilhão em combustíveis aos distribuidores, sem que a estatal ganhasse um centavo sequer com essa atividade. Pelo contrário. A empresa teve perda acumulada de R$ 663 milhões com refino de petróleo nos últimos dez anos e meio.

Isso significa que todo o lucro acumulado nesse período pela estatal, de R$ 272 bilhões, veio dos demais segmentos da empresa, principalmente da exploração e produção de petróleo.

Por causa da política de preços imposta pelo governo, as refinarias da empresa, que possuem ativos de R$ 198 bilhões, não contribuíram com nada em qualquer comparação: nos últimos dois anos, três anos, cinco anos etc.

Os números derrubam o argumento de que as perdas recentes da Petrobras com a defasagem de preços estaria apenas compensando ganhos acima do que seria justo na época da crise financeira, quando o petróleo despencou no exterior e a companhia não reduziu seus preços.

Esse encontro de contas já ocorreu, e é a Petrobras que está no vermelho. A culpa não é da equipe da área de abastecimento da companhia.

De 2003 a 2010, as vendas das refinarias somaram R$ 1,01 trilhão e renderam lucro líquido acumulado de R$ 39 bilhões para a Petrobras, com uma margem modesta, mas positiva, de 3,8%.

Na sequência, em apenas dois anos e meio, do início de 2011 a junho de 2013, a venda de mais R$ 540 bilhões em derivados gerou prejuízo de R$ 39,6 bilhões para a estatal, jogando pelo ralo o lucro acumulado nos oito anos anteriores com essa atividade.

Se todo lucro de uma empresa mais cedo ou mais tarde vira caixa (com raríssimas exceções), a Petrobras queimou meio ano de investimentos e o equivalente a 17% do seu valor de mercado atual com essa situação.

Mas isso não preocupa a empresa. Em nota à reportagem, a Petrobras disse que, "por ser uma empresa integrada de energia, estabelece suas políticas de preços com base na análise dos resultados consolidados e não com base no resultado isolado de um segmento". Cabe lembrar que a empresa divulga voluntariamente o lucro por área de negócio desde 2003 e tem diretorias específicas para cuidar delas.

Segundo a estatal, o "resultado dessa política pode ser verificado nas demonstrações financeiras divulgadas ao mercado".

Ao se fazer isso, nota-se que o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa como um todo ficou em 25% na média entre 2003 e 2010 e caiu para 10%, também na média, de 2011 até agora - como consequência não só da defasagem de preços, mas também da capitalização.

Mas o que explica a diferença de resultado entre os períodos, se a política de preços é a mesma?

Afinal, não é de hoje que os preços da gasolina e do diesel no mercado interno não acompanham a variação de curto prazo do petróleo no mercado externo. Os próprios executivos da Petrobras costumavam defender essa prática porque ela dá previsibilidade ao fluxo de caixa da companhia e facilita a execução de investimentos de longo prazo.

Contudo, houve uma mudança relevante nos últimos anos que não pode ser ignorada.

Enquanto a demanda no Brasil era inferior à capacidade de produção e de refino da Petrobras, a estatal só deixava de ganhar mais quando o preço cobrado pelo combustível no Brasil ficava abaixo da cotação internacional.

Num exemplo com números hipotéticos: no exterior a gasolina é comercializada pelo equivalente a R$ 10, enquanto a Petrobras vende no Brasil por R$ 7. Se o custo de produção for R$ 4, ela não chega a ganhar os R$ 6 que poderia, mas ainda embolsa R$ 3, o suficiente para ficar no azul.

Mas o crescimento da economia elevou bastante o consumo de combustíveis. Como a produção da Petrobras está estagnada há dois anos e a capacidade de refino não aumentou porque as obras estão atrasadas, isso obriga a empresa a importar cada vez mais gasolina e diesel.

No exemplo acima, ela passou a ter que comprar a gasolina por R$ 10 no exterior e vendê-la no Brasil por R$ 7. Aquilo que ela antes apenas deixava de ganhar se tornou uma perda efetiva. 


A presidente Graça Foster tenta reduzir a distorção e conseguiu emplacar cinco reajustes de preços desde outubro de 2011, com elevações acumuladas de 26% para a gasolina e de 24% para o diesel. Mas o descasamento de preços não foi corrigido porque, embora o petróleo esteja estável, o dólar saltou 40% nesse período, saindo de R$ 1,70 em outubro de 2011 para a faixa atual de R$ 2,40.

Fernando Torres | De São Paulo Valor Econômico

agosto 25, 2013

INCOMPETÊNCIA E CORRUPÇÃO ROUBAM R$ 1 TRILHÃO POR ANO DO BRASIL

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É estarrecedor, mas o desperdício equivale ao PIB argentino. 
Em outras palavras, de cada R$ 100, quase R$ 25 são drenados pela ineficiência, pela informalidade, pela gestão atrapalhada ou pela má-fé. Em uma reportagem especial, o Correio repassa todas as mazelas embutidas no chamado Custo Brasil e mostra que o setor privado não escapa da sangria. O diagnóstico dado pelos especialistas ouvidos é preocupante: como nação, optamos pelo atraso, o que impactará a vida das gerações futuras.

Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. 

Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento.

Além de dinheiro, que poderia ser investido em educação, saúde e transporte público, escorre pelo ralo muitas outras oportunidades. 

O Brasil deixou passar a bonança externa — entre 2003 e 2008, o mundo viveu a sua era de ouro, puxado pelo supercrescimento chinês — sem fazer as reformas estruturais necessárias à economia.
 Agora, se vê sem capacidade de colher os frutos do bônus demográfico, período único em que as nações usam a sua força de trabalho para se tornarem ricas. De farto e próspero, o país ganha cada vez mais a cara do desperdício.

Não à toa, o Brasil está tomando uma sova de desconfiança. O real, que ostentou, por anos, o status de moeda forte, é hoje a divisa no mundo que mais perde valor ante o dólar. Para piorar, o crescimento médio anual do PIB, de 1,8%, é o menor em 20 anos. A inflação se mantém sistematicamente próxima ao teto da meta, de 6,5%. Os investimentos produtivos minguam e a confiança das famílias está no chão. Mais uma vez, o futuro que nos parecia tão perto toma feições de miragem.

O período de forte crescimento global na década passada, quando havia grande fluxo de capitais e os nossos produtores agrícolas eram muito bem pagos para alimentar o planeta, deu a folga necessária para a administração pública aposentar a incompetência e a ineficiência e entrega serviços melhores, apesar da montanha de dinheiro que os brasileiros depositam todos os meses nos cofres da Receita Federal. Nada foi feito. "Infelizmente, fizemos a opção pelo atraso", resume o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Atlântico e integrante do Movimento Brasil Eficiente.
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Amarras
Nas últimas três semanas, o Correio vasculhou o país para ir além do que se habituou a chamar de Custo Brasil. O resultado encontrado é assustador. As manifestações que tomaram as ruas entre maio e junho surpreenderam muita gente. Mas o desperdício justifica o sentimento de basta. Não é mais aceitável que uma nação com tantos recursos naturais, apontada como o maior celeiro do mundo, jogue no lixo, todos os anos, o equivalente a quase um quarto do PIB nacional. Essa, ressalte-se, é a parte visível dos prejuízos, baseada em estimativas conservadoras, admitem os especialistas.

A falta de cultura de manutenção e de planejamento e um sistema político que facilita os desmandos e os malfeitos se transformaram em barreiras que impedem que tanto dinheiro seja revertido em benefícios à sociedade. Água, energia elétrica, comida — tudo vai fora. "Há também o desperdício moral. Todos esses problemas desmoralizam a capacidade desse eu coletivo, que é a sociedade brasileira, de ter vontade de perseguir a eficiência, a produtividade e o comprometimento com o sucesso", argumenta Rabello de Castro.

A pesada carga tributária é o veículo por meio do qual o governo suga os recursos que serviriam de energia vital para as empresas e para as famílias. Verbas que viram gastos estéreis, jogados em obras que não andam. A ineficiência do Estado, contudo, tem queimado mais que dinheiro, despreza as chances de brasileiros que amargam uma vida de pobreza, impede uma educação formal de qualidade, ceifa vidas em leitos de hospitais sem estrutura.

Um carimbo em tempo hábil pode ser a diferença entre viver e morrer, ao menos para quem depende da saúde pública no interior do país. Em Águas Lindas (GO), distante quase 40 quilômetros da sede do Ministério da Saúde, em Brasília, é comum os pacientes terem de se deslocar para a capital federal em busca de atendimento. Muitos morrem no meio do caminho.

O socorro não pode ocorrer no município porque um dos hospitais da cidade, que deveria ter quase 300 leitos, está abandonado. A licitação para a obra foi embargada devido à corrupção. "É preciso reconhecer que a forma como o Estado contemporâneo atua não é mais capaz de atender as necessidades da população", observa Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo. Ele pondera que a forma de organização dos governos está ultrapassada, e encontrar maneiras de pensar e executar políticas públicas é um desafio para o Brasil.

Diante de tanto descalabro, os especialistas são unânimes em um ponto: as ineficiências do Brasil são a maior fonte de riqueza e de oportunidade. Se todos os recursos desperdiçados fossem devidamente aproveitados, o país trocaria a cadeira de emergente por uma de desenvolvido. O PIB potencial, que é a taxa de crescimento possível sem gerar inflação e desequilíbrios, seria bem maior que os 2% ou 2,5% atuais. A população poderia ser beneficiada verdadeiramente com serviços públicos e privados eficientes.

Gula tributária
A carga tributária no Brasil é uma das mais pesadas no mundo. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o brasileiro trabalhou cinco meses neste ano, até 31 de maio, apenas para pagar impostos. Se fosse na Argentina ou nos Estados Unidos, seriam aproximadamente três meses. Comparado aos anos de 1970, esse tempo dobrou no país. Atualmente, são pagos pelos contribuintes 63 tributos.

"Infelizmente, fizemos a opção pelo atraso"
Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Atlântico e integrante do Movimento Brasil Eficiente

"É preciso reconhecer que a forma como o Estado contemporâneo atua não é mais capaz de atender as necessidades da população"
Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo.

Correio Braziliense 

agosto 24, 2013

TUDO SOB CONTROLE E PREVISTO : País tem déficit externo recorde para julho, Rombo nas contas externas do País foi de US$ 9 bi no período e chega a US$ 52,4 bi nos sete primeiros meses do ano



As contas externas brasileiras registraram um déficit recorde para o mês de julho, informou nesta sexta-feira, 23, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. No mês passado, o saldo ficou negativo em US$ 9,018 bilhões. "Em julho, as contas mostraram déficit um pouco maior do que tínhamos previsto", admitiu Maciel. "E, em grande parte, por causa da balança comercial", continuou, lembrando do comportamento negativo da conta petróleo.

Nos sete primeiros meses do ano, o déficit em conta corrente está em US$ 52,472 bilhões, o que representa 3,95% do Produto Interno Bruto (PIB). Já no acumulado dos últimos 12 meses até julho de 2013, o saldo negativo está em US$ 77,713 bilhões, o equivalente a 3,39% do PIB.

Em julho, o saldo da balança comercial foi negativo em US$ 1,898 bilhão, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 4,088 bilhões. A conta de renda também ficou deficitária no mês passado em US$ 3,303 bilhões. Entenda as três contas do Balanço de Pagamentos.

O saldo de remessas de lucros e dividendos ficou negativo em US$ 1,215 bilhão em julho. No mesmo mês do ano passado, o resultado foi uma saída líquida de US$ 1,719 bilhão. No acumulado de 2013, o saldo está negativo em US$ 15,317 bilhões até julho ante US$ 11,7 bilhões , também negativos, vistos no mesmo período de 2012.

O BC informou ainda que as despesas com juros externos somaram US$ 2,125 bilhões no mês passado e US$ 8,050 bilhões no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Em 2012, esse gasto totalizou US$ 1,768 bilhão em julho e US$ 6,239 bilhões de janeiro a julho.

Dívida externa.
 O Banco Central informou que a estimativa para a dívida externa brasileira em julho de 2013 é de US$ 314,072 bilhões. Em março de 2013, último dado verificado, a dívida estava em US$ 324,773 bilhões. No fim de 2012, estava em US$ 312,898 bilhões. A dívida externa de longo prazo atingiu US$ 280,550 bilhões em julho, enquanto o estoque de curto prazo estava em US$ 33,523 bilhões no fim do mês passado, segundo estimativas do BC.

De acordo com a instituição, a variação da dívida externa de longo prazo é explicada por captações líquidas dos empréstimos tomados pelo governo (US$ 1 bilhão) e amortizações líquidas de empréstimos e títulos tomados pelos bancos (US$ 1,7 bilhão e US$ 247 milhões, respectivamente). A variação por paridades reduziu o estoque em US$ 69 milhões.


Célia Froufe e Eduardo Cucolo, da Agência Estado