"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 31, 2012

O dia em que a poupança minguou

A redução dos juros anunciada ontem pelo Copom é histórica. Primeiro, por jogar a taxa básica vigente no país para o mais baixo patamar que se tem notícia.

Segundo, por diminuir o rendimento pago aos pequenos poupadores que deixam seu dinheirinho nas cadernetas, algo nunca antes acontecido em mais de 150 anos de tradição.


O comitê do Banco Central tomou uma decisão acertada. Afinal, anormais eram os juros que vigoravam no país até agora. Ainda assim, o Brasil continua sendo onde se praticam algumas das mais altas taxas do planeta - atrás, agora, apenas de Rússia e China: 2,8% reais.

É bom não perder de vista que, na média, o juro real no mundo é hoje negativo, mostra
ranking da Cruzeiro do Sul Corretora.

Pode-se firmar com tranquilidade que a queda da Selic ora empreendida chega com anos de atraso: pelo menos desde 2008 já haviam surgido condições para uma redução significativa da taxa. Foi o governo petista, primeiro o de Lula, depois o de Dilma em sua fase inicial, que não quis.

Com isso, alguns bilhões de reais extras foram torrados - R$ 236,7 bilhões apenas em 2011, recorde absoluto.


Em agosto passado, o BC iniciou a série de cortes prosseguida ontem. Foram sete quedas consecutivas, suficientes para levar a Selic a 8,5% ao ano. Para a economia como um todo, é muito bom.

Mas não será tão agradável para o pequeno poupador:

com a nova redução da taxa, passam a valer as novas regras de remuneração das cadernetas, agora cadente.

Como presente, a partir de agora pequenos poupadores que tenham feito depósitos após 4 de maio receberão menos pelo investimento:
doravante, a centenária aplicação pagará 70% da taxa básica de juros mais a TR. Numa simulação feita por O Globo, quem tem R$ 10 mil guardados, perderá R$ 22 em um ano.


O governo diz que teve de mexer na poupança para poder reduzir os juros. É apenas parte da história. Não é por bom mocismo que a autoridade monetária vem diminuindo a Selic de maneira mais contundente; é por estrita necessidade.

Trata-se de reação ao esfriamento geral da economia brasileira.


Nos últimos meses, ficou evidente que, possivelmente, neste ano o país não conseguirá sequer repetir o pibinho de 2011 - algo que os resultados do primeiro trimestre, a serem divulgados amanhã pelo IBGE, devem confirmar.

O governo lança mão, assim, de todo um leque de medidas para reanimar a economia.

Mas ela não reage.
Por que será?


Primeiro, porque as ações governamentais são desconjuntadas, aleatórias, capengas. Segundo, porque o básico continua não sendo feito: alavancar os investimentos.
Os números oficiais continuam a mostrar que os gastos do poder público com obras, novos maquinários e equipamentos mantêm-se cadentes.


Entre janeiro e abril, os investimentos caíram 3,5% na comparação com mesmo período de 2011. A maior parte despendida neste ano continua a ser de orçamentos passados, os chamados restos a pagar:
do Orçamento Geral da União de 2012, somente R$ 1,51 bilhão foram aplicados, informa O Estado de S.Paulo.

Diante disso, não surpreende que o Brasil continue ladeira abaixo no quesito competitividade, como mostra nova rodada da pesquisa "Índice de Competitividade Mundial", feita pelo International Institute for Management Development. Entre 59 países analisados, estamos em 46° lugar - há dois anos, estávamos em 38°.

A redução dos juros é muito bem-vinda, ainda que esteja chegando atrasada. Tal demora é um dos fatores que levaram a economia brasileira à espiral descendente em que hoje se encontra.
Os pequenos investidores em caderneta de poupança foram os primeiros a pagar a conta. Com a anemia do PIB, a fatura também vai chegar para o resto da sociedade.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
O dia em que a poupança minguou

Bovespa sobe, mas tem pior desempenho mensal desde 2008

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuperou as perdas registradas pela manhã e fechou o pregão desta quinta-feira em alta de 1,29%, aos 54.490 pontos pelo Ibovespa, seu principal índice.

O avanço não impediu, no entanto, que o mercado brasileiro registrasse seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008 (24,80%), no auge da crise financeira internacional. O Ibovespa recuou 11,86% no mês, terceiro queda mensal seguida e o pior resultado para meses de maio em 14 anos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,09%, cotado a R$ 2,016 na compra e R$ 2,018 na venda. Pela manhã, a moeda chegou a avançar 0,64% em meio a uma queda de braço de agentes do mercado em torno da formação da Ptax taxa de câmbio que liquida contratos de câmbio no mercado futuro. O Banco Central (BC) não atuou.

No mês, a moeda avançou 5,82% e no ano acumula agora alta de 7,97%.

Entre as chamadas blue chips, ações mais negociadas, as ações da OGX ON fecharam em queda de 1,05%, a R$ 10,30. Nas altas, os papéis Vale PNA avançaram 0,74%, a R$ 36,72, e Petrobras PN subiram 4,25%, a R$ 19,13.

Os mercados europeus tiveram alta no início da sessão, mas os principais índices terminaram o pregão em queda após pesquisas mostrarem sinais de uma desaceleração na economia americana.

O índice FTSE Eurofirst 300, que acompanha o desempenho das 300 maiores empresas europeias em valor de mercado, caiu 0,5% nesta quinta-feira, para 971,28 pontos. Em maio, o FTSE Eurofirst 300 tombou 7%, maior queda mensal desde a perda de 10,6% em agosto do ano passado, quando os mercados sofriam preocupações semelhantes às atuais com a crise europeia.

O IBEX 35, principal índice da Bolsa de Madri, caiu 0,01%, em meio à preocupação crescente com o aumento da retirada de depósitos dos bancos do país. Aumentaram os temores de que os problemas da Espanha e da Grécia se espalhem para outros países europeus.

Em Frankfurt, o DAX caiu 0,26%. Em Paris, o CAC 40 avançou apenas 0,05%. Em Milão, o FTSE MIB subiu 0,01%.

brasil maravilha : Lucro das empresas no Brasil cai 12,01% no 1º trimestre de 2012

As empresas brasileiras estão menos lucrativas.
Estudo feito pela Economatica aponta que no primeiro trimestre deste ano os ganhos de 333 companhias chegou a R$ 50,8 bilhões.
O número é 12,01% menor em relação ao mesmo período do ano passado, quando chegou R$ 57,7 bilhões.


Com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, o setor mais lucrativo foi o bancário. As 25 instituições acumularam R$ 11,4 bilhões no primeiro trimestre, contra R$ 12 bilhões no ano passado.
Foi um recuo de 4,92 %.


Em seguida, aparece o setor de petróleo e gás, com ganhos de R$ 9,3 bilhões.
Porém, o tombo foi de 15,63% em relação ao início de 2011.
A Petrobras respondeu por 80% do lucro no setor neste início de 2012.


Em terceiro, está o setor de mineração.
Em 2012, o lucro chegou a R$ 8 bilhões, queda de 39,94% em relação ao ano passado. A Vale respondeu por 72% dos ganhos.


O Globo

DANDO COM UMA MÃO E TIRANDO COM A OUTRA ! Com alta de IPI, refrigerante e cerveja podem subir cerca de 2,85%

Com o anúncio da correção dos impostos cobrados sobre as bebidas frias como a cerveja, os refrigerantes e água o preço desses produtos pago pelos consumidores poderá subir 2,85%, se as empresas repassarem os aumento, de acordo com a Receita Federal.

Segundo o subsecretário de Tributação da Receita, Sandro Serpa, a medida publicada nesta quinta-feira, elevando a tributação dessas bebidas, passará a valer apenas a partir de outubro deste ano.

O decreto define um regime de quatro anos para as bebidas frias, em que um ajuste na tributação é feito para elevar a carga tributária.


A correção foi feita tanto nas alíquotas desses itens quanto no redutor aplicado para se calcular o valor a ser recolhido em tributos, o que terminará por elevar o quanto essas empresas irão recolher ao Fisco. A mudança valerá para a forma de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do PIS/ COFINS.

Apenas neste ano, em dois meses de recolhimento dos tributos pela nova regra, a Receita deverá elevar a arrecadação em R$ 495 milhões.
Em 2013, a arrecadação nesses produtos deve crescer R$ 2,970 bilhões, o que deve ser mantido em 2014 e 2015, enquanto a nova regra estiver vigente.


Serpa afirma que o resultado prático da medida é o aumento da arrecadadão.
Ele defendeu que o efeito é compensar as recentes desonerações concedidas pelo governo, mas afirmou que o setor produtor das bebidas frias tem uma carga tributária aquém da de outros setores da economia, e que esse ajuste será uma forma de equilibrar essa desigualdade.


Tributo de motos, micro-ondas e ar-condicionado também foi elevado

A Receita Federal informou nesta quinta-feira que o governo também elevou o IPI sobre motos, micro-ondas e aparelhos de ar-condicionado do tipo split para proteger a indústria nacional da forte entrada de importados.

Segundo Serpa, a medida atende um pedido feito pelas empresas situadas na Zona Franca de Manaus e que são os principais fabricantes desses produtos no país.


Como na Zona Franca não há incidência de IPI, a medida atinge em cheio os importados. No entanto, Serpa admitiu que um fabricante brasileiro que esteja situado fora da Zona Franca também sofrerá o impacto do aumento do imposto. Segundo decreto publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, o IPI do ar-condicionado subirá de 20% para 35%.

No caso de micro-ondas, a alta será de 30% para 35%.
Já nas motos, a alíquota subirá de 15% ou 25% (dependendo da cilindrada) para 35%. O aumento entra em vigor em setembro.


Serpa também admitiu que embora tenha sido adotada para proteger a indústria brasileira, a medida dará um reforço de R$ 122 milhões na arrecadação federal.

Cervejarias podem rever investimentos, diz associação do setor

A CervBrasil, entidade que representa o setor cervejeiro, disse que o aumento da carga tributária da ordem de 27% para cervejas e 10% para refrigerantes quebra o ciclo virtuoso de crescimento do setor.

Em nota, a entidade disse que esta é a maior majoração de tributos da história recente do Brasil e se sobrepõe ao aumento de 17% aplicada no ano passado.

A CervBrasil diz que haverá repasse nos preços para os consumidores.

A entidade diz ainda que a indústria pode rever os investimentos.
Estava previsto R$ 7,9 bilhões neste ano, gerando 300 mil novos empregos. Diz ainda que os preços maiores podem colocar em risco os pequenos estabelecimentos comerciais do país.

Hoje, 1 milhão de pontos de vendas comercializam apenas cerveja.

O Globo

A espada e a faca

Dicionários da língua portuguesa relacionam, como sinônimos do vocábulo corrupto, podre, estragado, deteriorado, corrompido, infeccionado, empestado, inquinado, adulterado, putrefato, errado, vicioso, viciado, devasso, desmoralizado, depravado, pervertido.

Ainda que maior número de expressões houvesse, seriam incapazes de traduzir o grau de putrefação que contamina a vida nacional, na triste confirmação da contundente frase do historiador batavo.

É lamentável, mas não há como ignorar que, não obstante certa dose de podridão seja constante nas páginas da humanidade, nunca antes (neste país) havia alcançada a plenitude a que foi levada entre nós. É como se, de tempos em tempos, a criminalidade ganhasse forças para testar a eficácia da polícia, do Ministério Público, do Poder Judiciário.

Oito séculos antes de Cristo, o profeta se lamentava: "No país inteiro não há uma só pessoa honesta... Autoridades exigem dinheiro por fora, e juízes recebem presentes para torcer a justiça" (Mq 7.2-3). À época do Brasil Colônia, em sermão dedicado a Santo Antônio, pregado em 1657, o Padre Antonio Vieira apontava a depravação dominante entre o povo.

Para ilustrar a peroração, acusava o jesuíta:
"Grande sabor é o do alheio, até para o gosto e paladar daqueles que o trazem costumado aos mais esquisitos manjares". Em seguida, narrava:
"Pôs-se uma vez à mesa el-rei D. João III e trazia grande fastio.

Entre os fidalgos que o assistiam, um muito conhecido, por discreto. Disse-lhe el-rei:
Que remédio me dais, D. Fulano, para comer, que de nenhuma coisa gosto? Coma Vossa Alteza do alheio, como eu faço, e verá como lhe sabe bem".

É do que ficamos pasmos, na época presente.
Notórios delinquentes fartam-se do alheio roubado, por ser gratuito, saboroso e se sentirem confiantes. É assustador o silêncio de pessoas convocadas para se apresentarem perante comissão parlamentar de inquérito.

Indiferentes a fatos comprovados em volumes de documentos e horas gravadas pela Polícia Federal, comportam-se de maneira audaciosa, como se nada houvesse acontecido.Crentes de que, com o passar do tempo, prevalecerá o esquecimento, livres e tranquilos aguardarão pela absolvição.

Saqueada por farsantes habituados a viver e se refestelar com o alheio, à nação pretende acreditar que haverá punição dos culpados. Está aí o famigerado caso do mensalão. Ocuparam a presidência do STF, desde a denúncia formulada pelo procurador-geral da República, os ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e César Peluso.

Dentro de 6 meses aposentar-se-á, e deixará o tribunal, o presidente Ayres Brito. No mesmo período, o Supremo conheceu outras alterações. Ignora- se, todavia, decorrido tanto tempo, quando o rumoroso feito será levado à pauta, pois ainda se discute como será a sessão.

Não se trata de obrigar eminentes ministros a julgar, com a faca no pescoço, como teria sido ditocomo óbvio propósito de protelação. Diante de matéria de relevante interesse nacional, espera-se do Poder Judiciário que não seja lento nem quede em silêncio, alheio à opinião pública. A ocasião é oportuna para desmentir-se o ditado popular, segundo o qual cadeia é para pobre, preto e prostituta.

O envolvimento do sr. Carlinhos Cachoeira com senador da República e membros dos poderes Executivo e Legislativo,em volumosos negócios que cobram explicação, e do ocupante de cargo de confiança da Prefeitura de São Paulo, proprietário de cento e tantos imóveis, apontado por se locupletar com a emissão de alvarás de construção, reforçam a necessidade de enérgicas medidas do Ministério Público e de respostas do Judiciário.

Não há punhal dirigido à jugular de ninguém. O que existe é necessidade de respeito à Justiça, cuja imagem granítica, fincada à frente do STF, traz na mão esquerda a balança, como símbolo de imparcialidade, e, com a destra, empunha espada, garantidora das decisões.

Estou seguro de que contraria o projeto de vida, do ministro Ayres Britto, concluir a impoluta carreira sem antes presidir o julgamento dos réus do mensalão. De uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal, os protagonistas entrarão para a história.

Almir Pazzianotto Pinto

SEM "MARQUETINGUE" ! "PARA O brasil SEGUIR MUDANDO" 300/200/100%...Ranking internacional : Brasil recua na competitividade

O Brasil voltou a perder espaço entre as economias mais competitivas do mundo. De acordo com o ranking 2012 do Índice de Competitividade Mundial (WCY, na sigla em inglês), divulgado hoje pelo International Institute for Management Development (IMD), o país caiu da 44 posição, que ocupava em 2011, para a 46.

O "frágil" crescimento da economia, combinado com a baixa produtividade da indústria e da força de trabalho locais, anularam pequenos avanços, como a ligeira melhora nas condições de infraestrutura.

Como já havia perdido seis posições no ano passado, o Brasil se aproxima do fim da fila entre os 59 países analisados pelo IMD, o que deve ser entendido como um alerta na avaliação do professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, que coordena a compilação de dados sobre a economia brasileira para o WCY:

- O Brasil continua em evidência aos olhos do mundo, apesar de haver questionamentos, mas os dados do WCY mostram que o país não consegue avançar para deixar de ser apenas um país em desenvolvimento.

Nuno Fernandes, do IMD, destaca o excessivo protecionismo como inibidor da competitividade da indústria brasileira.

Outras economias latino-americanas e do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também perderam capacidade competitiva. O Chile caiu da 25 para a 28 posição e o México viu seu índice encolher, mas subiu uma posição no ranking, para 37. No Brics, mesmo tendo perdido posições, China e Índia seguem à frente do Brasil, na 23 e 35 posições, respectivamente. A Rússia subiu um degrau, para o 48 posto, e a África do Sul, dois, para o 50.

Na ponta do ranking, os EUA cederam para Hong Kong o posto de economia mais competitiva do mundo. A Suíça está em terceiro, e Cingapura, em quarto, seguida de Suécia, Canadá e Taiwan. Noruega, Alemanha e Qatar completam a lista das dez economias mais competitivas.

Ronaldo D"Ercole O Globo

maio 30, 2012

Blindagem de Sérgio Cabral enfrenta resistências na CPI

A blindagem do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), na CPI do Cachoeira enfrenta resistências internas de deputados que não querem arcar com o desgaste político da operação.

O deputado Artur Maia (PMDB-BA) enviou ofício ao líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), cobrando explicações e a confirmação da existência da operação que já produziu os primeiros resultados, evitando a convocação de Cabral.

Maia foi o único que se manifestou, lembrando ao líder ter tomado conhecimento da blindagem pela imprensa e concluindo que, "como o partido não se reúne, fica difícil entender como as coisas funcionam".

Ele disse que precisa saber o que de fato o partido pretende porque tem sido cobrado por eleitores seus, na Bahia, a dar explicações sobre o episódio.
Para o peemedebista, a obrigação do líder é chamar a bancada e tomar uma posição clara.

A cúpula do PMDB não se preocupou em colocar uma tropa de choque em defesa de Cabral na CPI, mas foi uma questão estratégica e não de abandono do governador fluminense. Um dirigente do partido explica que a intenção foi jogar sobre o PT a responsabilidade de não complicar a vida de Cabral, uma vez que a CPI tinha sido uma "invenção" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é amigo pessoal do governador peemedebista.

Henrique Eduardo não polemizou com Maia. Disse apenas que não tinha como convocar a bancada para discutir polêmicas lançadas a toda hora pela imprensa, a menos que mantivesse uma convocação permanente, 24 horas no ar. Maia respondeu com ironia. "Manter uma bancada convocada 24 horas não é preciso.

A mim bastaria que ele reunisse os liderados por uma hora a cada 24 dias", disse o parlamentar, destacando que a última reunião da qual se recorda deve ter ocorrido há cerca de cinco meses.

CHRISTIANE SAMARCO
O Globo

Copom reduz juros para 8,5% ao ano

Os juros chegaram ao menor nível no Brasil em uma noite histórica.
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira cortar a taxa básica de juros (Selic) de 9% ao ano para 8,5% ao ano.

Essa é a primeira reunião do colegiado em que os votos dos diretores passaram a ser revelados, para atender a Lei de Acesso à Informação. A decisão foi unânime, e não será desta vez que o resultado da votação será divulgado nominalmente.

"O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária", atesta o comunicado dos diretores divulgado após o encontro.

Outro fator inédito nesta reunião é que com a decisão, a nova regra para a remuneração da poupança foi acionada.

No início do mês passado, o governo anunciou que os novos depósitos na caderneta de poupança seriam remunerados não mais pela antiga fórmula - de 6% ao ano mais da taxa referencial (TR) - toda vez que a Selic caísse para 8,5% ao ano.

A partir de amanhã, os depósitos feitos nas cadernetas após o dia 4 de maio renderão 70% da taxa básica de juros mais a TR.

Com a mudança, a equipe econômica evitou que houvesse uma migração de aplicadores de fundos de investimento para a poupança (que tem isenção de Imposto de Renda para atrair os pequenos poupadores).
E deixou o caminho para o BC continuar a reduzir os juros.

O Banco Central aproveita uma janela de oportunidade para jogar os juros básicos no menor patamar da história. O antigo piso, de 8,75% ao ano, vigorou no auge da crise da bolha imobiliária americana em 2009.

A sétima queda seguida dos juros vem num cenário de crescimento lento aquém do esperado, inflação dentro da margem de tolerância do sistema de metas e perspectivas cada vez mais pessimistas em relação ao cenário internacional.

Para o economista da Corretora Votorantim, Roberto Padovani, se o Banco Central (BC) fosse seguir à risca a cartilha do sistema de metas para a inflação, não deveria cortar mais os juros porque a previsão do mercado para a inflação oficial está acima da meta de 4,5% neste ano.

No entanto, ele argumenta que os diretores têm mostrado uma tolerância maior com a inflação para não cometer o mesmo erro da crise anterior quando demoraram demais para estimular a economia e a consequência foi que o crescimento do país simplesmente travou.

- Banqueiros centrais do mundo inteiro têm sido mais sensíveis ao crescimento dada a gravidade da crise de 2008 e isso não significa abandonar o sistema de metas - pondera o analista.

No entanto, a previsão atual do BC é de inflação de 4,4% ao fim deste ano. E ainda há sinais de desaceleração por causa da crise como a queda do preço das commodities. Por isso, os índices estão sendo menores do que o previsto.

- Está tudo conspirando para o Banco Central continuar a cortar os juros e esse não é um movimento ousado analisou Sérgio Vale da MB Associados, que completou:

- A atividade está fraca e não vejo motivo de o Banco Central ser mais comedido.
 . Foto: . / .
O Globo

brasil maravilha 300/200/100%? Bovespa recua 13% no mês e está perto de ter pior maio da década


A Bovespa acompanhou a perda de seus pares no exterior e registrou a pior pontuação do ano.

Mais uma vez, o mau humor generalizado foi motivado pelo cenário internacional, com a divulgação de pesquisas de opinião na Grécia e dados fracos na Europa e nos EUA. As blue chips – Vale e Petrobrás – e o setor de construção contribuíram para a performance negativa.

O Ibovespa encerrou com declínio de 1,53%, aos 53.797,91 pontos – esta é a pior pontuação desde 10 de outubro de 2011 (53.273,11 pontos). Com isso, a Bolsa ampliou a queda no mês para 12,98% e já tem a pior perda para um mês de maio na década.

Se a tendência negativa for mantida amanhã, último dia do mês, o índice pode registrar o pior desempenho para um mês de maio desde igual período de 1998, quando a Bolsa caiu 15,68%.

No ano, o declínio é acumulado é de 5,21%. Na mínima do dia, o índice caiu 53.382 pontos (-2,29%) e, na máxima, 54.632 pontos (estável). O giro financeiro ficou em R$ 6,472 bilhões.

Para Bruno Gonçalves, analista da Alpes Corretora, a Bolsa ainda tem espaço para cair mais, principalmente porque os problemas não foram resolvidos. “Existe a preocupação se a Grécia vai conseguir fazer um governo de coalização, após as eleições, e manter os compromissos acordados até agora. Também há temores com o sistema financeiro europeu”, disse.

Petrobrás acompanhou a queda do petróleo no mercado internacional e registrou declínio de 2,29% a ação ON e 2,65% a PN. Na Nymex, o contrato da commodity com vencimento em julho caiu 3,24%, a US$ 87,82.

Vale também acompanhou as commodities metálicas e caiu 0,59% na ON e 0,41% na PNA. Na London Metal Exchange (LME), os contratos de metais básicos fecharam com forte recuo, também com preocupações com a crise da dívida na zona do euro. Na rodada livre de negócios (kerb) da tarde na LME, o contrato de cobre para três meses perdeu 2,5%, fechando a US$ 7.475,00 a tonelada.

O setor de construção, voltou a ter dia de perda, mas sem nenhum motivo novo aparente. Cyrela (-1,71%),
Rossi Residencial (-3,56%),
Brookfield (-4,55%)
e MRV (-5,88%).

Entre os destaques de queda do índice, figuraram três ações do empresário Eike Batista. OGX (-8,36%),
MMX (-7,00%)
e LLX (-6,07%).
Segundo alguns profissionais, as empresas ainda embutem um risco maior, em razão de ainda estarem na fase inicial de produção.

Nos EUA, a Associação Nacional dos Corretores informou que número de norte-americanos que assinaram contratos para compra de moradias usadas caiu em abril para o nível mais baixo em quatro meses.

O índice sazonalmente ajustado de vendas pendentes de casas usadas diminuiu 5,5% em comparação com março, para 95,5, o dado mais fraco desde dezembro.

Nos EUA, o índice Dow Jones caiu 1,28%, o S&P 500 perdeu 1,43% e o Nasdaq caiu 1,17%.

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado

Por que não falas, PARLAPATÃO CACHACEIRO?

No recente episódio envolvendo a tentativa de chantagear o Supremo, a principal linha de defesa dos partidários de Luiz Inácio Lula da Silva tem sido tentar desacreditar o relato feito por Gilmar Mendes.

Mas, enquanto o ex-presidente mantém-se mudo, o ministro do STF reitera o que diz, elevando, inclusive, o tom das revelações. Com atitudes assim, quem demonstra estar com a razão?


Nos últimos dias, Mendes falou à Veja; reiterou sua versão aos jornalistas que o procuraram no domingo, quando a revista começava a circular; voltou a falar com repórteres anteontem em Manaus e, ontem, deu uma entrevista coletiva de 19 minutos, além de atender jornais em separado.

Não parece nem um pouco em dúvida de suas convicções.


"A gente está lidando com gângsteres. Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos. (...) O objetivo era melar o julgamento do mensalão. Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção", afirmou o ministro, quando foi abordado por repórteres ao se encaminhar para uma sessão da 2ª Turma do STF.

As palavras de Mendes fazem ou não sentido? Evidentemente. Desde que foi apanhado no escândalo do mensalão, o gigantesco esquema de desvio de dinheiro público para comprar apoio no Congresso, o PT bate na tecla de que age como os outros.

Ou seja, tenta nivelar a todos por baixo.
Exatamente como agora, ao buscar arrastar também o Supremo para a vala comum da escória.


Ao contrário do arrojo de Gilmar Mendes, o outrora palavroso ex-presidente limitou-se até agora a uma nota de 184 palavras emitida pelo instituto que leva seu nome. Microfones a seu dispor não faltam. Mas, por que, afinal, Lula não fala?

Se nada disse ao longo destes dias, o ex-presidente não se eximiu de sacar as armas de que dispõe: conclamar, por meio de Rui Falcão, a militância petista a resistir às "manobras" e, por intermédio de seus asseclas no Congresso, investir contra Mendes na CPI do Cachoeira, como mostra hoje a Folha de S.Paulo.

"Sem alarde, a CPI do Cachoeira requisitou ontem à Polícia Federal as transcrições de todos os diálogos envolvendo personagens com foro privilegiado captados nas operações Vegas e Monte Carlo. A iniciativa, subscrita pelos deputados Cândido Vaccarezza e Paulo Teixeira, é interpretada por integrantes da comissão como uma investida do PT para constranger Gilmar Mendes. (...) Petistas o elegeram como novo alvo das investigações."

Por que, afinal, Gilmar Mendes incomoda tanto os petistas? Porque a atitude do ministro do Supremo equivale a pôr o dedo numa ferida que está exposta em várias dimensões, momentos e situações, mas que, pela onipresença que vai tomando, às vezes começa a passar despercebida: o achincalhe perpetrado pelo PT, Lula à frente, às instituições da República.

Vale lembrar alguns episódios em que o então presidente tentou desacreditar órgãos de fiscalização e controle cuja função é zelar pelo bem público. Foi assim, por exemplo, com o Tribunal de Contas da União, com o Ministério Público e até com repartições ligadas à preservação do meio ambiente.

Sempre que se interpuseram no caminho de alguma vontade de Lula, foram alvo do escárnio do então presidente. O TCU foi acusado de retardar obras; o MP de proceder a investigações incômodas; os órgãos ambientais de zelar até por "bagres" em detrimento do interesse maior da marcha desenvolvimentista empreendida pelo PT.

Na realidade, o que estas instituições estavam fazendo, assim como o grito de Gilmar Mendes agora faz, é cuidar de impor algum freio ao desmesurado desejo de Lula e do PT de subverter toda a ordem constituída a seu inteiro favor.

Há mais uma penca de exemplos neste sentido: o uso de instituições públicas, como o BNDES, para beneficiar empresas amigas e, em contrapartida, arrancar-lhes gordas doações, como aconteceu em 2011; a montagem de uma rede de descarados propagandistas na internet, também alimentada por polpudos patrocínios públicos; os conluios com empresas favorecidas pelo PAC, como ficou evidente com a construtora Delta. E por aí vai.

A imprudência de Lula ao tentar chantagear Gilmar Mendes permite à sociedade brasileira defrontar-se, mais uma vez, com esta escalada de ilícitos. Reabre a possibilidade de que se dê um sonoro "basta" aos exageros e afrontas praticados pelo PT. Felizmente, este acerto de contas está próximo.

Com sua soberba, Luiz Inácio Lula da Silva acabou fazendo um favor ao país: tornou inadiável o julgamento do mensalão e a punição de seus réus pelo STF.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Por que não falas, Lula?