"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 20, 2012

SE A REPÚBLICA É DA ENGANAÇÃO... A CANALHA FAZ "FESTA COM DISTRIB. SOCIAL DE BENEFÍCIOS" : MÁFIA DO SUPERENDIVIDAMENTO

Até para quem não sabe ler, o apelo é tentador.
Letreiros coloridos exibem reproduções de notas de R$ 50 e R$ 100 e imagens de idosos sorridentes. "As melhores conquistas também fazem parte da melhor idade", diz um deles.


"Mais rápido e pronto para resolver seus problemas", promete o outro. No comércio de Coroatá, cidade do cerrado maranhense a 276 quilômetros de São Luís, casas de empréstimo consignado estão em cada esquina.

Elas chegaram dispostas a democratizar o acesso ao crédito "fácil, sem consulta ao SPC ou avalista", mas tudo o que conseguiram foi levar para o sertão uma epidemia que se espalha pelo país:
o golpe do superendividamento, embalado pela exploração da boa-fé de aposentados e pensionistas.

Damião Sátiro de Oliveira, de 71 anos, caiu na tentação. Analfabeto e aposentado rural em Coroatá, recorreu a uma das lojas, cujo nome não lembra, para pedir um empréstimo consignado. Queria pagar uma dívida. Entregou os dados pessoais e calcou o dedo polegar no contrato.

Meses depois, descobriu que outros quatro empréstimos foram feitos em seu nome, sem que tivesse autorizado.
Hoje, recebe apenas R$ 300 do benefício de R$ 622 - o restante é retido para pagamento das dívidas - e foi obrigado a cortar remédios de uso contínuo para viver com metade da renda habitual.

- Nunca ouvi falar dos bancos que estão descontando o meu dinheiro. Para piorar, a minha mulher caiu no mesmo golpe - lamentou o aposentado.

Mas Damião Oliveira não é um caso isolado.
Em um país que registrou, somente nos cinco primeiros meses de 2012, R$ 11,4 bilhões em contratos de empréstimos consignados, o INSS reconhece que o golpe do superendividamento não é um problema só dos bolsões de pobreza do Nordeste, mas de todo o Brasil.


O instituto já recebeu denúncias de que, para atrair os incautos, há até pequenas lojas que colocam a logomarca "INSS" na fachada. Oficialmente, a Previdência Social contabilizou 3.200 vítimas do golpe no ano passado, mas o número pode estar subestimado. Somente o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Coroatá ajuizou 600 ações indenizatórias em nome de vítimas do golpe e pretende ingressar com outras 400.

- Estão transformando uma legião de miseráveis em uma legião de miseráveis endividados - lamenta o ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Empréstimos em mais de uma cidade

Presidente da comissão de juristas que preparou o anteprojeto de atualização do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), Benjamin se refere aos aposentados e pensionistas mais pobres, vítimas preferenciais dos golpistas e do próprio sistema de crédito, que não informa os riscos do empréstimo.

Para estancar a sangria, a comissão está propondo o veto à prática de atos de assédio ao consumidor de crédito, especialmente o idoso, o doente ou em estado de vulnerabilidade agravado, e um limite de endividamento pessoal fixado em 30% da remuneração mensal líquida, chamado de "mínimo existencial".

- O crédito consignado é uma bomba-relógio, uma perversão da democracia. É como medicamento. Se a pessoa não tem condições de entender a bula, não tem também condições de identificar os perigos do contrato de crédito - disse Benjamin.

Por lei, a concessão de empréstimos à revelia do favorecido é caso de polícia. Por causa disso, o INSS mantém, desde março, um posto avançado na Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Teresina, que atua em todo o Piauí e suspende o desconto das parcelas dos empréstimos consignados quando o aposentado prejudicado registra o caso em boletim de ocorrência.

Mas a investigação é difícil, desarticulada e raramente chega à autoria do crime.

Como as operações de empréstimo consignado são fechadas por agentes credenciados pelas instituições financeiras (os correspondentes bancários ou "pastinhas", como são popularmente conhecidos), eles encabeçam a lista de suspeitos do golpe. Isso não significa que sejam os únicos.

De acordo com o INSS, um dos casos mais comuns é a chamada fraude familiar, quando um filho ou parente se vale da boa-fé do aposentado e falsifica documentos, ou até mesmo mente para que o idoso assine um papel dando à pessoa a autorização para fazer empréstimos em seu nome.

O golpe do superendividamento não prospera apenas nas camadas mais pobres da população. A aposentada carioca Sônia Regina Canha Rosa, de 53 anos, tomou um susto quando recebeu apenas R$ 700 da aposentadoria mensal de R$ 6,2 mil.

Ao cobrar explicações do INSS, descobriu que incidiam sobre o benefício as parcelas correspondentes a dois empréstimos consignados que alegou nunca ter pedido:
- Quero meu dinheiro de volta.

Sônia disse que, há meses, o seu nome tem sido usado em vários tipos de golpes, entre os quais a compra de equipamentos eletrônicos e a instalação de linhas telefônicas.

Ela acredita que os dois empréstimos consignados estão nesse contexto. Com o apoio da Defensoria Pública, a aposentada ajuizou ações de ressarcimento, mas só conseguiu a devolução do dinheiro de um dos bancos, ainda assim sem juros:


- O que mais me impressiona é a quantidade de pistas deixadas pelos golpistas. Mas ninguém, dos lojistas aos funcionários dos bancos, fez nada para esclarecer.

O presidente do Sindicato Rural de Coroatá, Antônio Viana, disse que o golpe não perdoa nem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que assegura transferência de um salário mínimo a pessoas com mais de 65 anos e que não pode ser usado para empréstimos consignados.

Viana disse que, para burlar o veto, o "pastinha" abre uma nova conta bancária em nome do beneficiário, para onde o dinheiro é transferido sistematicamente. Como é conta comum, está livre para aceitar as consignações.

Em Coroatá, pedidos de indenização já são 80% das 3.700 ações em andamento na vara especializada.

Na tentativa de reduzir o número de fraudes, o INSS determinou que não sejam mais efetuados empréstimos de um mesmo segurado em estados diferentes. Antes, uma mesma pessoa podia fazer empréstimos em cidades diferentes, o que fez com que muitos golpistas aproveitassem para conseguir, com documentos falsos, a liberação de empréstimos em cidades diferentes da que a vítima residia.

Ou seja, demorava muito para que o aposentado tomasse conhecimento e pudesse saber de onde veio a fraude.

Para o ministro Herman Benjamin, o que foi feito até agora não resolve.
Ele disse que, entre as medidas cobradas, é preciso analisar "certa promiscuidade" entre o empregador público e as instituições credenciadas para operar o crédito consignado:
- O crédito não é algo que se deva oferecer, mas, sim, buscar.
Não sou contra.

É um instrumento de distribuição social dos benefícios da sociedade de consumo.

Porém, se não houver providências das autoridades, o crédito terá efeitos catastróficos na vida de milhões de brasileiros sem condições de pagar dívidas sem fim.


Chico Otavio O Globo

O BRASILEIRO DO "brasil maravilha" DEVE R$22 bilhões NO CHEQUE ESPECIAL.

O brasileiro que precisa recorrer ao cheque especial para fechar as contas do mês usa esse tipo de crédito um dos mais caros do mundo por 22 dias, em média. Ou seja, o salário desses correntistas dura apenas oito dias na conta. Depois disso, começam a usar o limite.

O custo da estripulia financeira é estratosférico.

No Brasil, os juros cobrados nessa modalidade são de 185% ao ano. Os dados mais recentes do Banco Central (BC) mostram que mesmo num momento de crescimento dos empréstimos e de consolidação de linhas de financiamento mais baratas como o consignado , o volume de crédito no cheque especial cresceu 15,6% somente nos três primeiros meses do no.

Ao todo, são R$ 21,9 bilhões negativos.

Se todo esse dinheiro fosse dividido pelo número de correntistas do país, significaria que cada pessoa que tem conta em banco está R$ 190 no vermelho.
Jovem solteiro é o maior cliente do cheque especial

Nem o BC nem a Febraban têm um perfil do endividado no cheque especial, mas as instituições financeiras fazem de perto esse controle não apenas para calcular o risco que correm, mas também para prever os lucros.

Na Caixa Econômica Federal, os clientes que mais usam essa modalidade de crédito são os solteiros.


O banco identificou ainda que são pessoas entre 25 a 35 anos, sem filhos, e com ensino médio completo e renda mensal entre R$ 700 e R$ 2 mil.

Já o Banco do Brasil constatou que os correntistas que recebem salário pela instituição são os que mais ficam no vermelho. O banco alega que só permanece nessa ciranda financeira quem desconhece o programa de redução dos juros lançado recentemente que permite um refinanciamento da dívida.

Itaú, Bradesco e Santander se recusaram a informar quais as características dos seus clientes que vivem pendurados no cheque especial. Juntos, esses cinco bancos detém mais de 70% dos ativos do mercado bancário brasileiro.

Durante anos, o BC tem alertado correntistas sobre o peso pesado desses juros. Proibitivo é o adjetivo usado recorrentemente pela autarquia para classificar a taxa do cheque especial. A palavra foi adotada no vocabulário do brigadista Rafael Rocha.

Ele descobriu a duras penas que bastava entrar no vermelho que o seu banco aumentava o limite. Começou com R$ 40 negativos. Quando deu por si, estava com um rombo de R$ 400 na conta. A dívida não cabia mais no bolso. Rafael precisou fazer um acerto com a instituição para estancar os juros.

Aproveitou o momento da economia com taxas menores ao consumidor , foi à agência, negociou com o gerente e trocou seu débito caro, que não parava de crescer, por um crédito mais barato e com juros fixos acertados no início do contrato.

Hoje, só usaria o cheque especial em uma situação em que eu precisasse muito e se estivesse perto de receber salário, só para não correr o risco de cair de novo nos juros conta Rafael.

Especialista recomenda cortar gastos supérfluos

Renegociar dívidas é o conselho do educador financeiro Ronaldo Domingos. O economista, presidente do instituto Dsop, recomenda que o endividado faça um diário por um mês. O prazo curto é para não tornar chata e cansativa a tarefa de controlar as finanças. Todas as despesas devem ser contabilizadas para que a família tenha a exata noção para onde vai o salário e onde está o desperdício.

De acordo com um levantamento da bandeira de cartão Visa, o brasileiro não sabe onde gasta 26% de tudo o que ganha. A pesquisa da empresa mostra que, em média, o descontrole consome R$ 2,4 mil por ano de cada brasileiro.

Para Domingos, é com esse dinheiro que o endividado crônico deve quitar sua dívida no cheque especial. Por isso, considera tão importante o diagnóstico feito durante o primeiro mês para cortar supérfluos e reestruturar as despesas.

Geralmente, essa pessoa vê que gasta mais do que ganha argumenta Domingos.

Se frear o consumo não for o suficiente para sair do sufoco, ele sugere pegar créditos mais baratos como o desconto em folha de pagamento. Nessa situação, é preciso abolir o cheque especial para não correr o risco de acumular mais dívida.

Domingos alega que este é o momento ideal para fazer essa transição. Com a queda dos juros bancários determinada pela presidente Dilma, que usou instituições públicas para forçar a concorrência, os principais bancos reduziram as taxas .

Para o especialista, a tarefa é difícil, principalmente porque o brasileiro que se afunda no cheque especial é jovem, que, para aproveitar a vida, incorpora a linha de crédito ao salário e usa o dinheiro para consumir:

É uma ciranda, a consequência é a inadimplência .

maio 19, 2012

E NO LIMITE DO CRESCIMENTO ... brasil maravilha(DO BUFÃO) e o BC "200% PREPARADO"


Na semana em que o dólar rompeu a barreira dos R$ 2 e o agravamento da crise na zona do euro assombrou os mercados, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, manteve sua habitual serenidade.

Na sexta-feira, ao receber o GLOBO, disse que o cenário internacional é desafiante, admitiu que não sabe até onde vai a alta do dólar, mas destacou que o BC está 200% preparado para reagir. Tombini disse que o BC atuará no câmbio sempre que necessário, mas que agora não pensa em inverter as medidas contra a valorização do real.

E disse que os juros continuarão caindo pois a economia está crescendo abaixo do potencial. Isso é a essência do regime de metas de inflação, disse, rebatendo as críticas de que teria abandonado o sistema.

O GLOBO:
A situação externa está fora do controle?

ALEXANDRE TOMBINI:
A situação da Europa não é completamente imprevisível. Obviamente que é sempre uma boa filosofia esperar o melhor e se preparar para o pior. Acho que o Brasil está muito bem preparado para enfrentar cenários adversos. Melhor do que estávamos em setembro de 2008. Tínhamos US$ 205 bilhões de reservas internacionais e hoje temos US$ 370 bilhões. Liquidez em reais (valor dos compulsórios) de R$ 270 bilhões, hoje temos mais de R$ 400 bilhões. A própria relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos no país) hoje é menor, na faixa de 36%, e vem caindo.

O pior ainda está por vir?

TOMBINI:
É difícil dizer. O que eu posso dizer é que o Banco Central está 200% preparado para acompanhar e eventualmente reagir num evento extremo.

O senhor acha que se a Grécia sair da zona do euro a situação se agrava muito, ou será o início da solução?

TOMBINI:
Fica difícil especular sobre um evento específico. Do que eu conheço das discussões com os colegas da Europa é que há um esforço grande para que o bloco supere esses problemas, que são sérios e graves e que dizem respeito ao peso da dívida. Eles tomam tempo para serem resolvidos.

Se a União Europeia continuar a carregar a Grécia, o país pode levar toda a UE para o fundo do poço?

TOMBINI:
O que precisamos no Brasil é estar preparados para um eventual agravamento da situação internacional. Nossa visão agora é que a economia cresce menos, tem liquidez, tem mais volatilidade, sem dúvida, neste momento, mas temos de acompanhar a situação como estamos acompanhando. Quaisquer desdobramentos que sejam, temos de pensar nos impactos para o Brasil com tranquilidade. Estamos preparados para agir.

Desde o início da crise europeia, o impacto nunca foi tão forte no câmbio quanto agora. É só o efeito Grécia?

TOMBINI:
Nas duas últimas semanas, esse movimento de valorização do dólar reflete o acirramento da situação europeia, das dúvidas em relação à Grécia e das dúvidas em relação a outras economias do continente. Esse movimento de maior aversão ao risco e de fuga para a qualidade refletiu-se em todas as moedas. O real nem andou tanto quanto as outras nas duas últimas semanas. Andou em linha com as outras moedas, e até um pouco menos.

A tendência é estabilizar ou ir para outros patamares?

TOMBINI:
Câmbio é difícil de prever por causa do ambiente internacional e por causa da quantidade enorme de variáveis que impactam qualquer taxa de câmbio. Nosso câmbio também flutua. Tem de ver como esse processo internacional do dólar vai se dar nos próximos dias e semanas.

A equipe econômica tomou medidas para estimular a alta do dólar, e agora há preocupação com esse câmbio acima de R$ 2. Qual seria o ponto de equilíbrio?

TOMBINI:
O Banco Central sempre falou que o volume de ingresso de capitais no país, dependendo da intensidade e da velocidade, gera problemas. O câmbio é flutuante e pode flutuar para os dois lados. Nós cuidamos com medidas tributárias como o IOF e com medidas macroprudenciais. Temos nossa política de acumulação de reservas. Se não tivéssemos tomado (as medidas), poderia haver consequências para o lado real da economia. Nós entraremos (no mercado) sempre que for preciso. O câmbio é flutuante, mas ninguém vai deixar o câmbio sofrer impactos de um volume extraordinário de liquidez que existe no mundo. A primeira linha de defesa em um agravamento é o câmbio flutuante.

Mas nos bastidores do governo há uma preocupação grande com esse dólar acima de R$ 2...

TOMBINI:
Se aumenta o estresse lá fora, as moedas vão se desvalorizar em relação ao dólar. Não vai ser diferente do que está ocorrendo nessas duas semanas. Mas também, por temos feito o dever de casa, temos os instrumentos. Sabemos como funciona isso. Quando for necessário, vamos entrar nos mercados. O momento internacional é desafiador, mas temos os instrumentos. Estamos mais bem preparados do que estivemos lá atrás.

Não é o momento de retirar o IOF para venda de dólares no mercado futuro?

TOMBINI:
Não. Estamos trabalhando com a estrutura que temos hoje. Antecipamos um movimento (na sexta-feira, o BC vendeu contratos de swap cambial, o que equivale a oferecer dólares no mercado futuro para segurar a cotação da moeda americana). O mercado está funcionando bem. A moeda brasileira está andando em linha com as outras moedas, depois de ter corrido um pouco mais no período anterior dessa recaída da crise europeia.

O impacto da alta do dólar na inflação preocupa?

TOMBINI:
Nosso repasse ( histórico) gira em torno de 3% a curto prazo e entre 6% e 8% em um prazo mais longo. No momento, há um movimento internacional de valorização do dólar. Ninguém sabe onde vai parar isso, vai depender dos desdobramentos da crise europeia.

Já dá para prever esse impacto adicional do câmbio na inflação?

TOMBINI:
Tem de ver onde vai parar esse movimento internacional das moedas. Hoje, a nossa visão é que o que já aconteceu terá um impacto moderado sobre a inflação.

Abril foi um ponto fora da curva na visão do BC em relação à inflação?

TOMBINI:
Podemos dizer que março saiu da curva também. Abril tem alguns fatores pontuais fortes que não vão se repetir. Nos próximos três meses, a inflação será menor que a de abril. Este mês, nos próximos dois seguramente e, quiçá, nos outros até o final do ano.

Na visão de boa parte do mercado, o BC abandonou o regime de metas de inflação...

TOMBINI:
Isso é a essência do regime de metas de inflação. Havendo espaço, você vai ajustando o instrumento (a taxa básica).

Mas não persegue mais o centro da meta...

TOMBINI:
Estamos, sim, buscando o centro da meta este ano. Começamos a distensionar a política monetária no final de agosto. Previmos que poderíamos fazer isso com convergência da inflação. O IPCA está em 5,1%. Estava em 7,33% em setembro do ano passado. As nossas projeções indicam uma convergência adicional, até o fim do ano, em direção ao centro da meta.

O resultado do IBC-Br no trimestre reforça as expectativas de baixo crescimento em 2012. O Banco Central está seguindo a orientação do governo de estimular o crescimento ao cortar juros?

TOMBINI:
O motivo é a economia estar crescendo abaixo do potencial há alguns trimestres. Não é por outro motivo pelo qual o Banco Central está baixando juros.

O senhor está vivendo uma terceira onda de críticas fortes. Boa parte do mercado e dos analistas consideram que o Banco Central perdeu a autonomia...

TOMBINI:
O Banco Central continua trabalhando como sempre trabalhou: usando seus instrumentos para atingir o objetivo de convergência da meta de inflação. Esse Banco Central pode ser diferente de alguns bancos centrais porque tem também a missão de estabilidade do sistema financeiro. Coisa que é sempre muito útil, na crise foi muito útil. Nós vemos esse movimento ocorrendo em outros bancos centrais: trazer para o Banco Central a questão da responsabilidade sistêmica. Sempre houve, e continuará havendo, um estreito contato entre as áreas econômicas. O Banco Central tem a sua responsabilidade, que é, de um lado, a estabilidade monetária, e, de outro, a responsabilidade do sistema financeiro. Se esse Banco Central consegue dialogar melhor ou pior, é uma questão de intensidade, de preferência.

Crescimento menor e a mudança no rendimento da poupança reforçaram as apostas de que o Banco Central continuará a fazer cortes na Selic. Com o agravamento da crise externa e a economia parada, o mercado está prevendo uma queda maior dos juros. É essa a direção?

TOMBINI:
Recentemente, demos uma direção. Essa direção permanece válida em relação ao futuro da política monetária. Ao mesmo tempo, também indicamos que esse processo já tem uma acumulação de reduções da taxa básica de juros que vem desde o fim de agosto. Esse processo no futuro tem de ser feito com parcimônia e cuidado. Isso está válido no momento.

Com as mudanças da Lei do Acesso, vamos ter a justificativa dos votos dos diretores do Copom?

TOMBINI:
Essa justificativa já existe hoje, tanto no comunicado quanto na ata. O comunicado será exatamente o mesmo. Embaixo vai dizer: Membros votantes fulano, beltrano e ciclano votaram em.... A justificativa virá na ata. Se houver três posições diferentes, vão ter três explicações.

O senhor acha que a divulgação pode interferir nos votos? Estimular a unanimidade?

TOMBINI:
Não acredito que nenhum diretor do Banco Central vai mudar o seu voto pelo simples fato de o conteúdo passar a ser divulgado. Temos 130 reuniões (do Copom) no regime de metas de inflação. Em 24 reuniões houve dissidência. É 18%. Levem isso em consideração. Há anos em que não há dissidência: o ano de 1999, o ano de 2001. Há anos em que houve apenas uma reunião com dissidência. Não é uma coisa frequente.

O BC informou que não podia ser divulgado o placar das reuniões anteriores à lei porque não há registro. Como isso é possível?

TOMBINI:
O sistema começou em 1999, com um nível de transparência elevadíssimo. Tem a ata uma semana após a reunião: uma das defasagens mais curtas em termos de comitês de política monetária. Você explicita voto dissidente. Você tem o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgando suas projeções de inflação e suas projeções de crescimento. Não são todos os comitê que fazem isso. Quando foi criado o regime, havia o entendimento que não seriam nominados os votos. Logo, essa governança não foi montada para o registro dos votos nominais. Tanto que o regimento interno não previa o registro nominal dos votos. Não era um dos quesitos de transparência.

O senhor não acha que uma mudança como essa não deveria vir combinada com mandatos para os membros do Copom?

TOMBINI:
Quem decide mandato é o Congresso.

Não seria mais confortável para os diretores se houvesse um mandato?

TOMBINI:
A nossa avaliação é que não afeta.

O movimento de queda dos juros bancários está sendo feito de forma prudente?

TOMBINI:
Como regulador do sistema, queremos é que o sistema não exagere na fase boa do ciclo econômico, quando a economia está crescendo, e não gere uma expansão mais veloz do que a que seria adequado. E também, quando a economia está começando a se recuperar lentamente, como neste momento , não queremos que o sistema pise no freio ou seja excessivamente conservador em relação ao crédito. Esse tipo de mensagem, o Banco Central passa. Ele quer um sistema mais neutro, até talvez um pouco anticíclico. Nós vimos aí a inadimplência subir. A inadimplência geral está começando a reagir. No caso dos automóveis, essa inadimplência deve recuar no segundo semestre. Olhando para frente, a concessão de crédito deveria estar mais forte. Na questão do spread, o movimento que estamos vendo está em linha com a questão prudencial. Já vemos um movimento mais forte, e isso é bom que isso aconteça de fato, para a economia e para o sistema. Temos uma agenda de longo prazo no spread. Passa por uma série de coisas, mas tinha uma questão de curto prazo: o Banco Central ajustou a sua política em 350 pontos, e em algumas linhas as taxas ficaram constantes ou até subiram um pouco.

Não é marketing dos bancos que colocam que cortaram bastante a taxa, mas quando você chega lá não é bem assim?

TOMBINI:
Como regulador do sistema, não vou tecer comentários sobre comportamento de cada instituição.

Genericamente, está de fato acontecendo um movimento de redução de spread, ou as taxas estão sendo reduzidas na margem e isso não significa que o spread está sendo, de fato, reduzido?

TOMBINI:
Esse processo está começando agora.
Esse processo tem duas ou três semanas. A gente tem de acompanhar para ver o resultado. A gente vê alguma movimentação de redução. Nossos números vão mostrar isso ao longo das próximas semanas. Estamos vendo algum movimento, sim, mas está no início.

LIMITE DO CRESCIMENTO - MODELO DESGASTADO ! E O BC DA REPÚBLICA DA ENGANAÇÃO E brasil maravilha : Economia vai crescer menos de 3%.

Mesmo com o esforço que o governo vem fazendo para estimular os negócios por meio do aumento do crédito, de cortes de impostos e da redução das taxas de juros, a economia brasileira mostra sinais de desaceleração.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que é visto como uma prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) recuou em março pelo terceiro mês consecutivo.

A queda foi de 0,35% em relação a fevereiro, que também já tinha registrado retração de 0,38% na comparação com janeiro.


No acumulado do primeiro trimestre, o indicador mostrou crescimento de 0,15% sobre o últimos três meses de 2011 e de apenas 1,06% quando comparado com o primeiro trimestre do ano passado.

"Com esse resultado aumenta cada vez mais a probabilidade da expansão real do PIB ficar abaixo de 3% este ano. Aliás, acho que está caminhando para uma faixa em torno disse 2,5%", disse Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. Se a previsão para o ano se confirmar, a economia crescerá neste ano menos do que os 2,7% registrados em 2011.

Oficialmente, o governo mantém a estimativa de 4,5%, mas, nos bastidores, os técnicos admitam que essa meta está cada dia mais difícil.

O resultado do IBC-Br foi uma surpresa negativa para o mercado, que apostava em uma alta de 0,49%. Em relatório divulgado ontem, o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco,
Octávio de Barros, observou que o índice "contraria os sinais mais favoráveis vindos do consumo das famílias", que ainda permanece razoavelmente elevado.

O que tem puxado os indicadores para baixo, segundo os economistas, é o desempenho ruim da indústria, que deverá mostrar nova contração quando o IBGE divulgar o PIB do primeiro trimestre.

Juros

O fraco resultado do IBC-Br, ainda segundo Eduardo Velho, aumenta a probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) promover num corte maior do que o esperado na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião, marcada para o fim deste mês.

"A julgar pela ata passada, virá mais uma redução de 0,50 ponto percentual, mas como a situação internacional piorou muito, não me surpreenderia que o Copom fosse mais ousado e baixasse a taxa em 0,75ponto percentual", observou.

Jankiel Santos, economista-chefe do BES Investimento é outro que acredita que a variação do PIB não vai passar de 3% este ano. "E será preciso acelerar muito no segundo semestre para chegar a isso", ponderou. De acordo com as contas feitas pela Prosper, para que o PIB do ano fique em 3% será preciso um aumento médio de 1,6% em cada um dos três outros trimestres de 2012.

"O problema é que os indicadores antecedentes da atividade econômica, tanto de abril como de maio, comportam uma expansão melhor em relação ao primeiro trimestre, mas ainda inferior a 1%. Ou seja, isso dificilmente vai acontecer", avaliou Eduardo Velho.


maio 18, 2012

“Perdeu a credibilidade”

Fechou o tempo para o lado de Cândido Vaccarezza na CPI mista do Cachoeira. Senadores que integram o bloco de apoio ao governo no Senado (composto por PT, PDT, PSB, PCdoB e PRB) estão falando cobras e lagartos do petista depois do flagrante da mensagem de celular enviada a Sérgio Cabral.

Vanessa Grazziotin diz que Vaccarezza “perdeu a credibilidade” e constrangeu os colegas governistas que não compactuam com o esquema de blindagem vendido pelo petista a Cabral. Para a senadora, Vaccarezza tentou se cacifar, ficar bem na foto com Cabral, ao “vender um serviço que não tinha”.

O que o Vaccarezza fez foi de uma insensibilidade, criou uma confusão sem precedentes. Um membro da CPI não deve discutir essas coisas, porque vai perdendo a credibilidade. Ele tentou vender um serviço que ele não tinha e agora ele vai ter que dar explicações.

Os senadores se reúnem na noite de segunda-feira para discutir o que fazer com Vaccarezza. Walter Pinheiro já disse aos colegas do bloco que a atitude mais digna ao deputado petista, para não expor os colegas, seria pedir para deixar a CPI. Resta saber como está o humor dos outros sete integrantes do bloco.

O bloco até tinha a intenção de livrar Cabral (leia mais em Cabral blindado), mas isso teria de ser feito em silêncio, não com SMS de celular.

Por Lauro Jardim

Leônidas Pires : Comissão da Verdade é ‘moeda falsa’, diz general

Ex-ministro do Exército do governo José Sarney, o general da reserva Leônidas Pires Gonçalves atacou a presidente Dilma Rousseff e a Comissão da Verdade instalada na quarta-feira, em solenidade no Palácio do Planalto, classificando-a de “uma moeda falsa, que só tem um lado” e de “completamente extemporânea”.

Ao Estadão, Leônidas disse que a presidente Dilma deveria ter “a modéstia” de deixar de olhar o passado e olhar para frente, “para o futuro do País”.

Recolhido em sua residência, Leônidas, que está com 91 anos, evita fazer declarações à imprensa, mas fez questão de falar sobre a instalação da Comissão da Verdade por considerar que os militares estão “sendo injustiçados” e não vê quem os defenda no governo.

Segundo ele, quando Nelson Jobim era ministro da Defesa havia um interlocutor. “Ele se colocava”, disse. “Mas o seu sucessor, Celso Amorim, que deveria se manifestar está ligado ao problema.”

O general se diz indignado com o que define como “injustiça que está sendo feita com o Exército”. Para ele, a Força está sendo “sumariamente julgada e punida”. Mas Leônidas defendeu a liberdade de expressão.

“Que se respeite a minha opinião. Aqui é uma democracia. A palavra é livre e isso foi graças à nossa intervenção”, reagiu.

Para ele, “embora o discurso seja de que não haverá punição com esta Comissão da Verdade, já estão promovendo a maior punição ao Exército, que está tendo o seu conceito abalado injustamente”.

O ex-ministro do Exército acha que os comandantes militares deveriam falar em defesa da categoria e espera que eles, pelo menos, estejam levando a insatisfação dos oficiais aos demais integrantes do governo em relação à Comissão da Verdade.

Leônidas declarou ainda que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica “têm de orientar como os militares que forem chamados à comissão devem se comportar”.

Convite.
O general da reserva não acredita que será convidado a depor na comissão.

“Não há razão para eu ser convidado”, declarou ele, citando que no tempo em que o DOI-Codi do Rio de Janeiro esteve vinculado a ele, entre abril de 74 e fevereiro de 77, “nunca apareceu nada nem ninguém que tivesse alegado ter sido torturado”.

E emendou:
“Eu já desafiei que alguém se apresentasse na TV e nunca apareceu nada”.

Nas declarações feitas ao Estado, o ex-ministro - que foi um dos avalistas da posse do presidente Sarney, quando Tancredo Neves morreu, garantindo a transição de um governo militar para o civil - diz que a presidente Dilma Rousseff tem que “esquecer o passado, olhar para a frente” e se preocupar com o futuro do País.

O general Leônidas Pires rechaçou a possibilidade de a Lei de Anistia ser revogada, como um segundo passo, depois de a comissão da Verdade fazer seu trabalho, por conta de pressão das esquerdas.
“Isso não tem cabimento. A não ser que exista vontade expressa do revanchismo.”

Para ele, “é impossível mexer na Lei da Anistia, que foi fruto de um acordo no passado e que já foi chancelada pelo Supremo”.
E emendou:
“Se quiserem fazer pressão no Supremo, o poder moderador tem de entrar em atuação no País”.

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

brasil maravilha SEM "MARQUETINGUE" : MAIS UM PIBINHO À VISTA . É O BRASIL MUDANDO COM A FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA ... ENGANADORA

Feios sinais de crise começam a emergir na economia.
A geração de empregos está em queda livre, a dívida em dólar de empresas brasileiras disparou e as companhias locais já não conseguem mais acessar o mercado internacional de crédito para financiar seus investimentos.

O melhor que o governo tem a fazer é não apelar para improvisos, como já se teme por aí.


Ontem foram conhecidos os números relativos à geração de empregos formais no país em abril. Foi o pior resultado para o mês desde 2009, quando, recorde-se, o mundo inteiro estava mergulhado numa recessão feia:
apenas 217 mil vagas foram geradas, de acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho.


O balanço dos primeiros quatro meses do ano no mercado de trabalho brasileiro é bastante negativo. No período, a criação de empregos com carteira assinada caiu 20% na comparação com o quadrimestre inicial de 2011.

Em números absolutos, significa que, entre um ano e outro, deixaram de ser criados quase 180 mil postos de trabalho.


Mais uma vez, a indústria continua exibindo o pior desempenho entre os setores. Em abril, foram criadas apenas 30 mil vagas no segmento - ante 51 mil um ano atrás e 82 mil no mesmo mês de 2010. Com isso, a expansão dos empregos industriais acumula pífia alta de 1,4% nos últimos doze meses.

A retração do emprego é o sinal mais feio até agora da crise que começa a se espalhar pela economia. Já se dá de barato que o crescimento do PIB neste ano dificilmente ultrapassará os 2,7% do Pibinho de 2011, com a presidente Dilma Rousseff engatando seu segundo ano de maus resultados.

Outras evidências incômodas da crise em gestação vêm de abalos na saúde financeira de algumas de nossas principais empresas. O Globo mostra que, com a alta de quase 10% do dólar desde o fim de março, o custo das dívidas em moeda estrangeira de 200 companhias brasileiras subiu R$ 18,7 bilhões.

Desde abril, também secou o crédito externo para empresas nacionais. Segundo o Valor Econômico, desde o fim do mês passado "nenhuma companhia se arriscou a acessar os mercados internacionais". Com a cotação do dólar superando R$ 2, captar lá fora torna-se pecado mortal para os balanços contábeis.

Era previsível que, mais cedo ou mais tarde, o Brasil seria afetado pela maré negativa que assola os mercados externos - em especial, o da cada vez mais combalida União Europeia.

O que assombra é a pouca prudência que nossas autoridades econômicas exibiram ao longo das últimas semanas, agindo como se estivessem numa ilha isolada do mundo.


Do Ministério da Fazenda, a tônica foram comentários róseos completamente descolados da realidade. Até poucos dias trás, Guido Mantega ainda falava numa expectativa de crescimento de 4,5% para o PIB brasileiro neste ano.
Puro delírio.


O mais aterrorizante é o risco de o governo apelar para mais medidas voluntaristas a fim de incensar a economia, implodindo alguns fundamentos saudáveis, como a responsabilidade fiscal.

Um primeiro alerta veio da confirmação de que a arrecadação federal começou a ceder, o que pode induzir a gestão petista a querer ultrapassar alguns limites e economizar menos.


"O governo voltou a matutar novas mágicas e milagres a fim de fazer o país sair do marasmo, coisas como reduzir o superávit primário e soltar as amarras da prudência nos bancos públicos", alerta Vinicius Torres Freire na Folha de S.Paulo.

Estamos diante do esgotamento de um modelo que, bem ou mal, mostrou resultados nos últimos anos: crescer pelo consumo, mediante abundante oferta de crédito.
Os governos do PT apostaram nesta rota e jamais conseguiram fazer o que era realmente necessário:
preparar o país para avanços mais robustos por meio de investimentos estruturantes.


Em momentos de turbulência como o atual, prudência e responsabilidade são as palavras-chave. Medidas açodadas ou ações carcomidas - como os manjados incentivos à indústria automobilística, novamente em pauta - não serão suficientes para resolver problemas estruturais.

Para vencer as dificuldades, será preciso bem mais do que continuar apostando em lotar shopping centers.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Mais um pibinho à vista

POBRE brasil ASSENHOREADO PELA CANALHA : Polícia prende oito dos dez vereadores de cidade do Alagoas


Pelo menos oito dos dez vereadores do município de Rio Largo, localizado na Grande Maceió, foram presos no início da noite desta quinta-feira, 17, por policiais da Força Nacional de Segurança Pública, acusados de corrupção e desvio de dinheiro.

A prisão, realizada por determinação da 17ª Vara Criminal da Capital após denúncia do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público Estadual, foi realizada no momento em que os políticos participavam de sessão ordinária na Câmara Municipal.

Os oito vereadores presentes no plenário tiveram a prisão decretada e foram levados ao Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, onde passam, neste momento, por exames de corpo de delito.

Segundo informações do Ministério Público, os dez vereadores que formam a Câmara Municipal de Rio Largo são acusados de negociarem, por 700 mil, um terreno no município avaliado em R$ 25 milhões. Os outros dois vereadores que não estavam presentes à sessão desta sexta, ainda estão sendo procurados por policiais da Força Nacional.

O Poder Legislativo Municipal de Rio Largo é composto pelos vereadores Aurízio Esperidião da Hora (PP),
Cícero Inácio Branco (PMDB),
Graça Calheiros (PMDB),
Ionaide Cardoso (PMDB),
Jean Móveis (PRP),
Jefferson Alexandre (PP),
Luiz Felhipe Malta Buyers, (PSB)
Milton Pontes (PPS),
Reinaldo Cavalcante (PP)
e Thalez Luiz Peixoto Cavalcante (PSB).

Além dos políticos, os policiais também cumprem mandados de prisão contra empresários e outras lideranças do município.

Estadão

Reincidente : PSDB e PPS pedem abertura de processo contra Pimentel

A bancada do PSDB no Senado e o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), pediram nesta sexta-feira que a Comissão de Ética Pública da Presidência abra um processo administrativo contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.

Os requerimentos se baseiam em reportagem do portal Terra, que afirmou que o ministro teria utilizado avião de um empresário durante viagem com comitiva da Presidência na Europa, em outubro de 2011.

O pedido, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), é para que o colegiado apure se houve possível prática de ato atentatório aos princípios éticos que norteiam as atividades dos órgãos superiores da Administração Pública federal e a provável quebra de decoro.

- Essa é a segunda vez que Pimentel é flagrado em atitudes suspeitas. Primeiro foi a história das consultorias milionárias. Agora, fica andando em jatinho pago por empresários interessados em negócios com o governo. Esses consultores do PT, de alto valor de mercado, perderam mesmo a noção entre o público e o privado - criticou o líder do PPS.

Baseando o pedido de abertura de processo na reportagem, o PSDB afirma que a assessoria do ministro teria reconhecido que Pimentel utilizou o avião do empresário João Dória Jr., sem divulgar se o uso desse avião foi custeado, mesmo argumento usado pelo PPS.

Não se tem notícia alguma sobre publicidade do pagamento dessas despesas. Pelo contrário, o empresário João Dória Junior negou a repórteres o custeio privado desse transporte, afirma o PSDB no requerimento.

Esse fato, inclusive, se confirmado, sustentaria, ainda, na pior das hipóteses, dúvidas acerca de quem efetivamente teria financiado esse transporte aéreo internacional. Por outro lado, se houve efetivamente o pagamento dessas despesas por particular, ainda assim o fato violaria as regras de conduta ética de autoridades públicas, destaca o PSDB no documento entregue nesta sexta-feira.

A assessoria de imprensa do MDIC, defendeu, em nota divulgada nesta sexta-feira que o Código de Conduta da Alta Administração Federal autoriza a participação de servidores e autoridades públicas em seminários, congressos e eventos organizados por terceiros, inclusive com o pagamento de eventuais despesas de transporte, desde que a participação seja tornada pública.
A pasta destaca que o evento foi divulgado na agenda do ministro.

Além disso, o MDIC afirma ter consultado a Comissão de Ética Pública em 21 de junho de 2011 sobre o assunto. A participação do ministro no evento era do interesse do governo brasileiro para expor a estes empresários o potencial de investimento no Brasil, afirmou o MDIC, na nota.

Segundo a pasta, pela viagem ter sido motivada por uma palestra ministrada por Pimentel, em evento promovido pelo grupo Lide e pela Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria), que é uma entidade de classe que reúne os principais industriais daquele país, e constar em agenda pública do ministro, o fato não configuraria quebra de decoro ou falta de ética.

Além, disso, segundo a pasta, a viagem do ministro foi feita em avião particular em virtude da impossibilidade de o ministro chegar à Roma a tempo de sua palestra, e que não houve remuneração de qualquer tipo nem o pagamento de nenhuma outra despesa por parte dos organizadores.

O Globo

Mensalão: 15 cidades vão às ruas pedir celeridade no julgamento. E VOCÊ ?


Movimentos contra a corrupção vão promover neste fim de semana um mutirão em 15 cidades para recolher assinaturas com o objetivo de pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) celeridade no julgamento dos 38 réus do mensalão.

Mais de 28 mil pessoas já aderiram ao abaixo-assinado e a intenção é aumentar o máximo possível este número para pressionar os ministros a colocarem o tema em pauta.


Em meados de abril, 24 estados e o Distrito Federal fizeram manifestações com este propósito e, desde então, o número de adesões passou de 12 mil para as atuais 28 mil.

As assinaturas já deveriam ter sido entregues no mês passado ao ministro Ricardo Lewandowski, com quem representantes dos grupos Transparência Brasil e Queremos Ética na Política tinham uma audiência marcada.
Lewandowski é revisor do processo, que tem o Joaquim Barbosa como relator.


Segundo o fundador do Movimento 31 de Julho no Rio, Marcelo Medeiros, o encontro foi desmarcado sem explicação do ministro. Ainda assim, eles tentarão entregar o abaixo-assinado a um ministro do STF ainda este mês.

O grupo de Marcelo é o responsável por promover a manifestação no Rio. Será no posto 9 da Praia de Ipanema, de 11h às 14h no domingo. O Movimento 31 de Julho já encontrou uma forma de tentar chamar a atenção de quem passa pela orla.

- Teremos uma jaula que vai representar a impunidade. Ela estará vazia, e nós vamos colocar uma bandeira do Brasil dentro. A ideia que a gente quer passar é a de que quem deveria estar lá dentro não está.
Quem está aprisionado é o Brasil disse Marcelo.


Estão programadas manifestações também em Belo Horizonte,
Belém,
Vitória,
Florianópolis,
Goiânia,
João Pessoa,
Campo Grande,
Cuiabá e Cascavel (PR).

Em São Paulo, além da capital, os grupos vão se reunir em São Bernardo do Campo, Botucatu,
Dracena
e Panorama.

As manifestações coordenadas são marcadas pelo Facebook.

As assinaturas colhidas nos eventos vão se somar às da internet.

Segundo os movimentos que coordenam a petição, já aderiram ao abaixo-assinado o príncipe João de Orleans e Bragança,
o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira,
o diretor de TV Daniel Filho,
a cantora Olívia Byinton
e os economistas Paulo Guedes,
Elena Landau e Pérsio Arida.


Confira o horário do evento em sua cidade:

Belém - Basilica Santuario Nossa Senhora de Nazaré, das 8h30m às 13h de domingo

Belo Horizonte - Praça da Liberdade, no domingo

Botucatu - Na Praça do Bosque, Centro, das 10h às 15h de sábado

Campo Grande - Av. Afonso Pena, esquina com Rua 13 de maio, das 8 às 11 h de domingo

Cascavel - Lago Municipal, a partir das 14h, no domingo. Mais informações no Facebook

Cuiabá - Praça Alencastro (em frente à prefeitura), a partir das 9h, nos dias 18 e 19 de maio. Mais informações no Facebook

Dracena - Praça Arthur Pagnozzi, das 8h às 13h de domingo

Florianópolis - de 10h às 12h de domingo, na Trapiche da Av. Beiramar norte

Goiânia - às 10h de sábado na Praça Cívica, junto ao evento #ForaMarconi

João Pessoa - Coleta itinerante de assinaturas em vários pontos da cidade

Panorama - Em frente ao Mercado São João no domingo

Rio - Posto 9 da Praia de Ipanema, das 11h às 13h

São Bernardo do Campo - pista de skate no Centro (próximo à prefeitura), a partir das 11h de domingo

São Paulo - no MASP, das 10h às 12h de domingo e também na Universidade Uninove

Vitória - Praia de Camburi (Hotel Aruan), das 15h às 19h de domingo

O Globo