"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 07, 2011

A VISÃO OTIMISTA E PERIGOSA DO BNDES.

Ante o agravamento da economia mundial, parece que o governo brasileiro decidiu optar por um discurso otimista quanto à capacidade do País de enfrentar com tranquilidade a tempestade.

A presidente Dilma Rousseff deu o tom, seguida por diversos ministros, mas, certamente, as declarações mais importantes - e preocupantes - foram as do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, em palestra para o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças.


Após expor a política industrial que está dando à instituição, Luciano Coutinho considerou necessário avisar que "o BNDES chegou a um ponto que não é sensato se agigantar mais" e que um dos desafios importantes da economia brasileira é desenvolver alternativas de financiamento de médio e de longo prazos. Reconheceu, porém, que a necessidade de o Banco Central (BC) elevar os juros tem frustrado esse objetivo.

No entanto, na sua visão, apesar da crise internacional, a economia brasileira tem boa perspectiva de crescimento. Os bancos, segundo o presidente do BNDES, adotarão um comportamento diferente do adotado em 2008, não congelando o fluxo de empréstimos para empresas e famílias, uma vez que o Brasil tem um vasto mercado interno e será um dos poucos países atraentes para os investimentos estrangeiros.

Segundo Coutinho, caberá aos países emergentes evitar pisar no freio e, no Brasil, é possível que possa até ocorrer uma alteração de prioridades na gestão fiscal, esclarecendo que "não é mais sensato pensar em subidas adicionais da Selic", uma vez que a curva de juros no Brasil embute a ideia de que o BC vai baixar essa taxa mais cedo do que se espera.

O presidente do BNDES tece um prognóstico otimista sobre a evolução da economia brasileira num mundo em crise, mas discorda dos meios utilizados até agora para evitar uma volta da inflação.

Ora, basta dizer que só o aumento do salário mínimo em 2012 trará gasto extra de R$ 51 bilhões para o governo, que o Brasil vai enfrentar dificuldades para obter recursos externos, cujos custos aumentarão, enquanto, mesmo admitindo uma indústria mais competitiva - que as medidas recém-tomadas estão longe de assegurar -, teremos uma queda de nossas exportações para países em crise, ao passo que o preço das commodities baixará, à exceção talvez dos de produtos agrícolas.

É diante desse quadro que o presidente do BNDES prega o fim de uma política monetária austera e uma expansão do crédito.

Estadão

VAI "FAXINAR"? O CABIDE E A LISTA DO EMPREGUISMO DA CONAB LOTEADA POR PMDB E PTB



Rodrigo Rodrigues Calheiros, filho do senador Renan Calheiros (PMDB):
Assessor da presidência da Conab

Matheus Benevides Gadelha, neto do deputado e exsenador Mauro Benevides (PMDB):
Coordenador de Acompanhamento das Ações Orçamentárias

Alexandre Magno Franco de Aguiar, genro do ex-deputado Armando Abílio (PTB): Ex-presidente da Conab e atual assessor especial do ministro da Agricultura

Marcelo de Araújo Melo, exdeputado, foi vice na chapa de Iris Resende em 2010 (PMDB):
Diretor de Operações e Abastecimento

Boaventura Teodoro de Lima, há décadas ligado a Wagner Rossi, foi seu "carregador de mala":
Ocupa a diretoria de Infraestrutura, Logística e Parcerias Institucionais

Milton Ortolan, também do grupo pessoal de Wagner Rossi, de quem foi chefe de gabinete na Conab:
Ex-secretário- executivo do Ministério da Agricultura.
Pediu demissão ontem.

Nastassja Ferreira Tolentino:
Lotada na Conab, na Gerência de Promoção Institucional, mas despacha no gabinete do ministro da Agricultura

Janaína de Freitas:
Também lotada na Conab, mas não aparece na companhia.
Despacha no ministério, na secretaria executiva

Um cabide de emprego a serviço da ingerência política e da sanha dos aliados. Esse é o retrato da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), que tem parte de seus cargos ocupada por sobrenomes conhecidos da política - como Calheiros e Benevides -, por derrotados nas urnas, amigos do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e outras indicações e nomeações sem critério técnico.

Esses apadrinhados recebem salários que variam de R$8 mil a R$10 mil. Controlada por um consórcio do PMDB com o PTB, partidos que lotearam os principais cargos da companhia, a Conab está na mira da Controladoria Geral da União (CGU), que, desde a semana passada, enviou 12 técnicos para investigar denúncias de corrupção no órgão.

Matheus Benevides Gadelha está na Conab desde maio de 2008. Raramente é visto no órgão. É neto do ex-presidente do Senado e hoje deputado federal Mauro Benevides (PMDB- CE), que trabalha para nomeá-lo titular da Diretoria Financeira, que era ocupada por Jucá Neto. Matheus é coordenador de Acompanhamento de Ações Orçamentárias, um cargo criado para ele na época de Wagner Rossi.

Nomeado em abril deste ano, Rodrigo Rodrigues Calheiros, filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), é assessor especial do novo presidente da Conab, Evangevaldo Moreira dos Santos, que assumiu o órgão no mesmo mês. Evangevaldo foi indicado pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO).

Evangevaldo é advogado e produtor rural. Em pouco tempo no cargo, conquistou o apoio dos servidores do órgão após conceder aos funcionários benefícios da carreira. Na sua primeira reunião com os servidores, Evangevaldo fez um discurso de aproximação e, no microfone, disse que seria presidente da Conab durante 24 horas por dia e divulgou o número de seu telefone celular.

Rossi se rodeou de amigos na Conab

Em nota, na semana passada, Evangevaldo afirmou que a atual crise no órgão não tem nada a ver com ele. Os escândalos que atingem hoje a Conab ocorreram na gestão de Alexandre Magno Franco de Aguiar, que presidiu a Conab durante um ano, até abril passado, quando deixou a companhia, a contragosto, e virou assessor especial de Wagner Rossi no ministério.

Aguiar é genro do ex-deputado federal Armando Abílio (PTB-PB), que o indicou para o posto, e diz que deixou o comando da Conab após pressão política. Apesar de não ter formação na área agrícola, Aguiar afirmou que, "sem subestimar qualquer agrônomo", um advogado pode presidir a companhia. Ele admitiu que sem apoio político não chegaria aonde chegou.

O ministro Wagner Rossi presidiu a Conab durante três anos e deixou o cargo, em março de 2010, para assumir a pasta. Na sua gestão na Conab, prevaleceram indicações políticas e de amigos, que manteve quando foi deslocado para o ministério. Amigos de décadas, que o acompanham desde Ribeirão Preto (SP), foram contemplados com cargos.

Um deles é Milton Elias Ortolan, atual secretário-executivo do ministério e que foi seu chefe de gabinete na Conab. Quando Rossi comandou Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), no final da década de 90, uma decisão judicial determinou a exoneração de Ortolan, que teria sido contratado de forma irregular.

Outro amigo do ministro, Boaventura Teodoro Lima ocupou cargo na Conab na gestão de Rossi e, agora, está lotado na diretoria de Infraestrutura, Logística e Parcerias Institucionais do Ministério da Agricultura. Boaventura era uma espécie de carregador de pasta de Rossi. Também é do interior de São Paulo.

Rossi também fez de seu gabinete no ministério uma extensão da Conab. Funcionárias que deveriam despachar na companhia, trabalham para o ministro e não comparecem à Conab, que paga seus salários. São os casos de Nastassja Ferreira Tolentino, que ocupa a Gerência de Promoção Institucional, e de Janaína de Freitas, ambas lotadas na Conab.

O ex-deputado federal Marcelo de Araújo Neto (PMDB-GO) assumiu recentemente o cargo de diretor de Operações e Abastecimento da Conab. Foi candidato, derrotado, a vice-governador de Goiás na chapa de Iris Rezende (PMDB) ano passado.

Em março de 2010, O GLOBO revelou que, quando presidiu a Conab, Wagner Rossi nomeou até presidentes de clubes de futebol do interior de São Paulo - Ary José Kara (Taubaté) e Virgilio Dalla Pria (Rio Preto) - como seus assessores. Eles não iam a Brasília. Até mesmo um dentista de Ribeirão Preto, Rodrigo Casasanta, ocupou cargo na gestão de Rossi.

O Ministério da Agricultura informou que algumas indicações são políticas e outras, pessoais, de escolha de Wagner Rossi. "Todos são profissionais qualificados", informou a assessoria. Segundo o ministério, Nastassja assessora o ministro e Janaína trabalha com o secretário-executivo. Boaventura e Ortolan foram escolhidos pelo ministro.

"As nomeações de Rodrigo Rodrigues Calheiros, Matheus Benevides Gadelha e Marcelo Araújo Melo foram indicações políticas do PMDB", informou o Ministério da Agricultura.

Evandro Éboli O Globo

agosto 06, 2011

MINISTRO PLENIPOTENCIÁRIO OU DEBOCHE À REPUBLICA?


Para Lula, 'não cabe a militares gostar ou não gostar' de Celso Amorim

Ex-ministro das Relações Exteriores de Lula será o novo ministro da Defesa.
'Quando se analisa a competência (...), não tem igual ao Amorim', disse Lula.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (5), em Bogotá, na Colômbia, que "não cabe aos militares gostar ou não gostar" da indicação do ex-ministro das Relações Exteriores de seu governo Celso Amorim, que foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para ocupar o Ministério da Defesa.

(...)

Ao ser perguntado sobre uma possível insatisfação dos militares com a escolha de Amorim para o cargo, Lula afirmou:
"Não cabe aos militares gostar ou não gostar de uma indicação da presidente da República.

Temos que aprender a trabalhar para depois ver se vai dar certo ou não", afirmou o ex-presidente após palestra no evento "Nutrição Infantil para Prosperidade de Todos".


Lula não comentou sobre os motivos que levaram à demissão de Jobim.
"Eu não sei o que aconteceu com o ministro Jobim, mas eu penso que, quando se analisa a competência intelectual e o trabalho, não tem pessoa igual ao Amorim no Brasil", disse.


Na análise de Lula, se a Dilma convidou Amorim é porque ela sabe que o ex-chanceler tem condições de fazer um bom trabalho, e se Amorim aceitou o cargo, é porque ele sabe que pode fazer um bom trabalho.

Perguntado se o número de ministros demitidos não é grande para o pouco tempo de governo da presidente Dilma Rousseff, Lula respondeu que se trata de uma decisão difícil mas lembrou, contudo, que em período eleitoral alguns ministros pedem demissão sem consultar o presidente sob a alegação de que o "dever à pátria" os chamam.

Que coisa mais absurda, ex-presidente se meter em assunto de estado, ainda mais com uma declaração infame dessa.

Esse professor nomeado, que ficou conhecido no fiasco diplomático, durante a intermediação Iraniana, que foi um verdadeiro picadeiro internacional, não tem as mínimas condições de ocupar o cargo de Ministro da Defesa, da mesma forma que o anterior.


Ministro da Defesa, pela própria natureza do cargo, tem que ter formação militar, assim sendo, o sr. dois ll deveria imitar os militares quando, em fim de carreira, e ir para casa vestir o pijama, de preferência listrado, igual uma zebra.

Porque durante dez anos só deu maus exemplos em todos os sentidos, principalmente pela sua forma de se expressar, pelo seu vocabulário e declarações chulas.

Foi eleito com discurso de indignado de esquerda e entregou o país na bandeja de presente aos gringos, deixou uma dívida bilionária e contribuiu para iludir o povo e institucionalizar e promover no Brasil e no mundo, um comportamento político num nível tão baixo que a imaginação humana não pode alcançar.


Melhor será que ele continue, uma vez que não há lei que proíba, a dar palestras com remuneração milionária, aproveitando da sua condição de lobista, discursando sobre temas que além de não dominar, ignora.

Dixi

A MORTE DE DONA DULCE FIGUEIREDO e a república do pARTIDO tORPE, o brasil de todos os canalhas.

Recebi pelo e-mail yahoo este texto que compartilho abaixo e noto que este pessoal do PT não tem nenhum analista do campo político que os advirta sobre os riscos do comportamento aliancista-a-qualquer-preço que adotaram para manter o poder.

"A Morte de Dona Dulce Figueiredo."

ASSIM SÃO ESSES "EXTRANHOS" "AUTORITÁRIOS"!
A Morte de Dona Dulce Figueiredo.

E falava-se horrores do Andreazza!
Que estaria riquíssimo, que teria ganho de presente das empreiteiras, um edifício na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, que não tinha mais onde guardar dinheiro.


Não sei se Amália Lucy Geisel ainda estará viva. Pouco mais velha do que nós, tinha alguns problemas de saúde.

Pois bem:
ela era Professora do Colégio Pedro II e, mesmo quando o pai era Presidente, ia de casa ao trabalho de ônibus. Cansei de encontrá-la neles, ela e eu a caminho do centro do Rio.

Meu pai chamava isso de "os três dês do milico":
decência, decoro, discrição.

A Morte de Dona Dulce Figueiredo.

Primeiro, morreu o Cel. Mário Andreazza.
Quando Ministro dos Transportes, foi responsável pela construção da ponte Rio-Niteroi, obra que teve empréstimo inglês de 2 bilhões de dólares (Sim! Dois bilhões! De dólares!).


Por ocasião de sua morte, seus 37 colegas de turma tiveram de fazer uma vaquinha para que o corpo pudesse ser transladado para o Rio Grande do Sul. Portanto, depois de gerenciar tanta verba pública, bem administrada, diga-se de passagem, morreu pobre.

Já em 2003, foi a vez de Dona Lucy Beckmann Geisel. Seus últimos anos de vida, viveu de forma pobre e discreta. Morreu em acidente de carro na lagoa Rodrigo de Freitas.

Ano passado, foi a vez de dona Dulce Figueiredo, que ficou viúva em 1999, do último Presidente militar. Em 2001, devido a problemas financeiros, teve que organizar um leilão para vender objetos pessoais do marido. Foi a forma que encontrou para sobreviver dignamente.

Faça suas comparações com os políticos de hoje e compare o estilo de vida do último Presidente brasileiro, de sua mulher, que frequenta o mais caro cabeleireiro do Brasil, as mais caras butiques, os mais caros cirurgiões plásticos, gastou os mais altos valores do cartão de crédito, que não precisava prestar contas.

Nunca fez um trabalho social pelo Brasil.
Só o que fez foi viajar com o marido por todos os lugares do mundo, às expensas do suor dos brasileiros trabalhadores.
Seus filhos enriqueceram da noite para o dia.
Isto é que são políticos "populares".
Tire suas conclusões. "


O texto, incontestavelmente, diz verdades.

O problema é que ele leva a uma reflexão golpista, a de que a democracia é incompatível com a honestidade. Quer levar a crer que a ditadura militar produziu morte e destruição, mas desenvolveu o Brasil e ninguém lucrou pessoalmente com isto, mostrando que as viúvas dos generais da ditadura morreram ou vivem pobremente.

Sim, isto é verdade, mas à sombra da ditadura militar PROSPERARAM os civis ADESISTAS que ganharam fortunas com o regime autoritário. Se você mora no Nordeste, basta olhar pela janela e verá emissoras de TV e rádio, empreiteiras e todo tipo de empresas construídas por civis que eram capachos dos ditadores militares.

Os generais e suas famílias podem ter ficado numa situação difícil, mas o pessoal da entourage NÃO!

O mesmo acontece agora com o PT.
Sem dúvida nenhuma, os petistas chegaram ao poder com um discurso e até mesmo uma prática que visava a melhoria das condições do povo brasileiro, sempre em nome das classes trabalhadoras.


Contudo, ao chegar ao poder, querem permanecer nele a qualquer custo e abandonaram o discurso e a prática em nome da convivência com uma BASE ALIADA formada por partidos absolutamente descomprometidos com qualquer coisa honesta, como é o caso do PR no Ministério do Transportes e também o próprio PT, cheio de gente envolvida nas mais incríveis mutretas.

Os líderes históricos do petismo recusam-se a fazer autocrítica e acham que democracia é isso mesmo. TEM QUE CONVIVER COM LADRÕES PARA FAZER AVANÇAR O PROJETO.
Isto é puro Lenin, mas traz em suas entranhas os germes de sua destruição.


As pessoas começam a COMPARAR a vida simples dos militares que nos martirizaram, mas trabalharam pelo Brasil, com a vida de políticos (e seus pimpolhos) cuja única tarefa no poder é enriquecer, mantendo o
Brasil como:
1) exportador de matérias-primas EXCLUSIVAMENTE, o que nos reduz ao nível de uma Bolívia;
2) desindustrializado, pois mandamos a matéria-prima e recebemos produtos acabados caríssimos feitos com nossas matérias-primas exportadas a preços ridículos;
3) atrasado tecnologicamente, pois nossa educação é voltada para atividades primárias, não havendo pesquisa científica digna deste nome em nenhum campo;
4) um lugar de trabalhadores mal-pagos que compram serviços e mercadorias a preços caríssimos.

Ao deixar a corrupção desenfreada e PARTICIPAR dela, o governo atual permite que se COMPARE cada vez mais o sistema atual com o anterior.

E, é claro, sempre há uma penca de gente que está mamando que não quer despertar para os riscos.
Mas eles já estão aí.

Por A. Fleming

agosto 05, 2011

SENADO TORTUOSO, CONSELHO DE "ÉTICA" ANÉTICO. O PODER PERTENCE AOS DELINQUENTES.


O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), arquivou a representação apresentada pelo PSOL contra o ex-ministro dos Transportes e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), por quebra de decoro parlamentar.

A decisão do senador foi tomada na véspera do recesso parlamentar e publicada pelo Diário do Senado no dia 15 de julho.

Ao determinar o arquivamento, João Alberto alegou que o partido, em vez de apresentar documentos sobre as irregularidades ocorridas na pasta durante a gestão de Nascimento, anexou recortes de jornais. E que não teria confirmado a assinatura eletrônica do presidente do partido colocada no documento.

Procurado ontem pelo Estado, João Alberto negou ter tomado qualquer atitude corporativista ou "na calada da noite". Mas o presidente do Conselho de Ética do Senado entrou em contradição ao ser questionado pela reportagem sobre o arquivamento da representação.

Primeiro, João Alberto afirmou que o PSOL havia sido informado sobre sua decisão. Segundo o presidente do colegiado, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) o teria procurado para saber de sua decisão.
Ao Estado, Rodrigues negou essa informação.

João Alberto, então, disse que, de fato, não avisou o colega, mas alegou que a decisão havia sido tornada pública ao ser divulgada pelo Diário do Senado e que, por esse motivo, não precisaria ser comunicada aos líderes de partidos ou à bancada do PSOL.

Randolfe rebateu os motivos alegados por João Alberto para arquivar a representação contra Nascimento. O senador afirmou que a assinatura do presidente do PSOL foi confirmada e que cabe ao Conselho de Ética examinar "indícios" de quebra de decoro, e não apenas provas.

"Não pedimos a condenação do ex-ministro, mas que fosse aberto um processo por quebra de decoro contra ele", justificou Randolfe. O partido vai pedir ao presidente do Conselho de Ética uma nova manifestação oficial sobre essa decisão.

Atuação.
Escolhido a dedo para comandar o Conselho de Ética pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), João Alberto ficou conhecido por ter "esvaziado" o colegiado nas duas outras vezes em que o presidiu. Ao que parece, sua atuação seguirá a mesma linha das anteriores.

Tanto que a decisão pelo arquivamento do pedido já era esperada.
A senadora Marinor Brito (PSOL-PA) contou que, no dia em que apresentou a representação, João Alberto teria sugerido à colega que desistisse da representação.

O senador nega a informação.
"Isso não aconteceu, estou surpreendido, sempre procurei a isenção", afirmou.

Rosa Costa O Estado de S. Paulo

COPA DO MUNDO E SUAS ARMADILHAS.

Os países que disputam a primazia de realizar uma Copa do Mundo o fazem na esperança de projetar uma boa imagem. A escolha do Brasil para sediar o evento significa uma grande oportunidade.

É como se fosse um pênalti, representa uma grande chance de marcar o gol.
Às vezes, entretanto, perde-se um pênalti.


O britânico Simon Anholt, criador da ideia de marca de países, algo que ele mesmo considera sujeito a todo tipo de picaretagem, advertiu, em entrevista à BBC, que o Brasil pode prometer, e muito, e por causa disso decepcionar na Copa.

A festa do sorteio das chaves foi uma bola fora.
Estive no Largo do Machado, onde se concentraram os manifestantes que pedem transparência na Copa. Impossível não reconhecer a justeza do pedido. A festa foi um modelo de opacidade autoritária.

Ninguém foi consultado sobre o investimento de R$ 30 milhões pagos por cariocas e fluminenses, uma vez que o Estado e cidade do Rio dividiram os custos. A avaliação do prefeito Eduardo Paes é de que os gastos compensam por divulgarem a imagem do Rio em todo o planeta.

Como explicar que a iniciativa privada não se tenha interessado por ela, se tinha tão grande poder de divulgação? Por que Panasonic, Nike, Coca-Cola não se apresentaram para dividir custos?


A ideia de que o mundo estaria de olho no Rio é falsa. O mundo interessa-se é pelo sorteio das chaves. Mas, como na loteria, o que importa é o resultado, não o ato de sortear. Há inúmeras possibilidades de recuperar a informação ao longo do dia.

Hoje muita gente no planeta sabe que França e Espanha estão na mesma chave e desconhece, por exemplo, que Ivete Sangalo mora num país tropical, abençoado por Deus, etc.


O fechamento do Aeroporto Santos Dumont por quatro horas também não resultou de nenhuma consulta. Reconheço que as autoridades acham que isso é para o nosso bem. Acreditam que a Copa trará melhorias para todos, logo, todos podem sacrificar-se um pouco por ela.

O problema da visão autoritária é este:
ela decide por nós. Milhões são destinados ao Maracanã, às construção do Itaquera, à festa do sorteio. O que fazer com a parte considerável da população que gostaria de ver o dinheiro empregado na solução de problemas reais?


A maneira como o prefeito Eduardo Paes justificou a festa na Marina da Glória, área que está em poder do bilionário Eike Batista, também não reflete a opinião de todos. Ele quer que o Rio seja a cidade da Copa.

Acontece que a ideia geral é que o Brasil será o país da Copa, utilizando várias cidades para hospedá-la. Por que gastar dinheiro para substituir o País e ofuscar as outras?


Os milhões foram gastos numa festa que dava exclusividade à TV Globo, tanto que outras emissoras tiveram a credencial negada. Se os contribuintes fossem ouvidos, certamente condenariam essa cláusula do contrato.

Num evento pago pela iniciativa privada, ninguém questionaria a exclusividade. Mas os patrocinadores eram públicos e deveriam tratar os meios de comunicação em pé de igualdade.


Dizem que a presidente Dilma ficou irritada com isso. O que significa, no jargão jornalístico, que ela quer distanciar-se da decisão. Toda vez que o governo faz algo errado e é preciso salvar a reputação do presidente, alguém divulga que ficou muito irritado.

Os patrocinadores, apesar de não nos terem consultado, foram Sérgio Cabral e Eduardo Paes, ambos aliados de Dilma. Por que não chamá-los a um canto e perguntar: que história é essa? Na Copa, a presidente não é apenas uma convidada. É a anfitriã.

Os manifestantes na rua pediam a queda de Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Dilma procurou distanciar-se dele, convidando Pelé e se apoiando nele, para evitar incômodas associações.

Eis outra armadilha da Copa. O futebol, com sua magia, tende a atenuar as mágoas provocadas pela corrupção. Mas pode também agravá-las, tanto no caso da Fifa como no do governo.

Pelo menos cinco dos Ministérios de Dilma estão sob suspeita de corrupção. Aparecem denúncias quase todos os dias e no fim de semana ficam mais robustas, nas revistas e edições dominicais.

Por seu turno, os aliados Sérgio Cabral e Eduardo Paes acham que a amizade com a Globo os autoriza a tomar decisões sem consulta ou mesmo a desprezar outros meios de comunicação. Não compreendem que a Globo é uma instituição.

Se a opinião pública condenar os erros de condução na Copa, a própria emissora vai lançá-los ao mar. E não serão os primeiros que ela lança ao mar, na História recente do Brasil.


O próprio inventor da marca de um país e do ranking das marcas, Simon Anholt, na entrevista à BBC, revela que esteve no México prestando assessoria ao governo e que a imagem do país não foi tratada de forma superficial, mas dentro de uma perspectiva de solução de problemas reais e crescimento do turismo.

A ideia subjacente é a de tirar proveito da marca, e não ser enganado por quimeras provincianas.


Dilma-Cabral-Paes são experientes o bastante para saber que os jornalistas estrangeiros não se contentam com as notícias oficiais nem com a representação estética da Globo. Eles vão examinar aeroportos, viajar pelas estradas, conversar com o ministro do Turismo. Esse, então, será um momento sublime.

Depois do encontro com o ministro Pedro Novais, vão se interrogar se o Brasil está gastando dinheiro só pelo amor ao futebol ou tem algum plano sério de recuperá-lo na frente. Vão acabar no Maranhão, também abençoado por Deus, bonito por natureza e governado pela família Sarney. Essa previsão é uma decorrência natural de quem acompanha o trabalho da imprensa. Foi assim na África do Sul e será assim em todos os países que sediarem a Copa.

Com esse mergulho no Brasil real, os jornalistas talvez não tenham o bom humor do prefeito do Rio, que, ao receber uma medalha da Fifa, olhou para ela e disse a Joseph Blatter: você sabe que vou derretê-la, não?

Blatter ganhou uma chave do Rio. Foi mais discreto. Disse que ia mantê-la, embora não seja estranha à Fifa a arte de derreter.

Fernando Gabeira

APOSENTADOS DEVEM CR$14,8 bi

Os idosos que contam com o dinheiro da aposentadoria ou da pensão todo mês não param de se endividar.

Os empréstimos consignados — com desconto em folha — feitos pelos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no primeiro semestre do ano atingiram a soma de R$ 14,8 bilhões, com um crescimento de 8,74% em relação ao mesmo período de 2010, quando foram contratados R$ 13,6 bilhões, divulgou ontem o Ministério da Previdência Social.

Em número de operações, segundo o INSS, também houve aumento em comparação com o mesmo período do ano anterior. Até junho, foram realizadas 5.887.251 operações, contra 5.546.915 nos primeiros seis meses do ano passado, um aumento de 6,14%.

Dos R$ 14,8 bilhões contratados no semestre, R$ 2,3 bilhões são de operações feitas no mês de junho. Mais de 80% das novas contratações de crédito foram parceladas entre 49 e 60 meses.

Os segurados com renda mensal de até um salário mínimo

pegaram, no mês, um total de R$ 985 milhões. Na faixa salarial acima de um e até três salários mínimos, foram contratados, em junho, R$ 719,3 milhões.

E quem ganha acima de três salários mínimos financiou, no mês,

R$ 701,3 milhões. Do total de operações realizadas, 37% foram contratadas por segurados na faixa etária de 60 a 69 anos.

Benefício
As faixas etárias de 50 a 59 anos e de 70 a 79 anos foram responsáveis, cada uma, por 23% dos empréstimos contratados no último mês do primeiro semestre.

Entre as regiões, quem mais procurou por financiamentos foram os segurados que moram na Região Sudeste. Eles foram responsáveis por 385.587 contratos de crédito consignado, num valor total de R$ 1,184 bilhão.


São Paulo lidera a lista tanto em volume quanto em quantidade de operações, com R$ 687,3 milhões, com 209.098 contratos.
A Região Nordeste vem em seguida, com 214.590 operações, que correspondem a R$ 562,2 milhões.
A terceira posição em valor contratado cabe à Região Sul.
As operações somaram R$ 383,2 milhões e totalizaram 132.999 contratos.


Quem recebe benefício assistencial do INSS também poderá obter empréstimo bancário com desconto em folha.

Na quarta-feira, o Senado Federal aprovou projeto de lei que estende esse direito também para os idosos a partir de 65 anos e os portadores de deficiência física de qualquer idade que recebem o auxílio de um salário mínimo (R$ 545), mesmo não tendo o prazo necessário de contribuição previdenciária.


A proposta ainda precisa passar pela análise da Câmara dos Deputados, mas ainda não há data para votação na Casa. Se aprovada, vai para sanção da presidente Dilma Rousseff para entrar em vigor.

Vânia Cristino Correio Braziliense

ELAS, ELES E...NÓS.


Elas prestam serviços relevantes na construção do país, têm prestigio internacional, criam empregos e geram divisas.
Mas por que nas grandes falcatruas, propinas e licitações viciadas em ministérios e estatais elas estão sempre envolvidas ?

Muitas vezes a Polícia Federal e o Ministério Público conseguem provas robustas de corrupção contra políticos, funcionários e empresários, às vezes alguns são demitidos, outros até são presos e obrigados a devolver os roubos.

Mas nunca se viu uma grande empreiteira condenada por suborno.
No Brasil, além dos recursos não contabilizados, criou-se a figura do corrupto sem corruptor, como uma moeda podre de uma só face.

Os advogados das empreiteiras, entre os mais caros e competentes da praça, usam seus conhecimentos legais e pessoais para anular processos, arquivar denúncias e desqualificar provas e testemunhas contra seus clientes.

Na outra ponta, os corruptos pegam carona.
Já vimos até deputados algemados, mas nunca um diretor de empreiteira na cadeia ou pagando uma multa milionária por ceder a extorsões ou oferecer propinas.


Não por acaso, são elas as maiores patrocinadoras das campanhas eleitorais, doaram R$2,5 bilhões, 77% do total, democraticamente (rs), para todos os grandes partidos e até para alguns pequenos, pavimentando suas futuras relações de trabalho. Como e onde vão recuperar esse investimento?

Diz a lenda que empresas que não pagam propinas e agem dentro da lei perdem mercado para concorrentes desonestas, que molham as mãos que assinam os cheques. Um problema insolúvel, elas se lamentam, mas sempre foi assim, o que se há de fazer?

É a tese do jabá defensivo, tão cínica e deslavada como chamar o roubo para o partido de caixa 2.

Mas empresa vota?
Se não vota, não deveria participar de eleições.
Para mudar radicalmente este quadro, não se precisa de financiamento público, basta não permitir contribuições de pessoas jurídicas, afinal são os cidadãos, como indivíduos, que escolhem seus candidatos e trabalham por eles.

Com doações individuais e limitadas, as eleições seriam bem mais limpas e democráticas, mas quem quer isto?

Nelson Motta

PROCURAÇÃO! SEGUINDO E SEGUNDO AS ORDENS DO CACHAÇA : FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA TROCA MINISTRO DO ÉBRIO POR MINISTRO... DO ÉBRIO.

Em sete meses de governo, a presidente Dilma Rousseff demitiu ontem o terceiro ministro, todos indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foram três demissões em apenas dois meses.

Depois de Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes), ontem foi a vez de Nelson Jobim deixar o Ministério da Defesa.
O PMDB, partido de Jobim, tentou ficar com o posto, mas Dilma escolheu outro ex-ministro de Lula, o embaixador aposentado Celso Amorim, que foi chanceler de 2003 a 2010.


Jobim perdeu o cargo depois de várias provocações à presidente, com quem nunca teve uma relação próxima. Sua saída foi decidida por Dilma ainda na noite de quarta-feira, quando ela soube do teor das declarações de Jobim à revista "Piauí".

Nos últimos dez dias, o ministro provocou polêmicas no governo, culminando com a revelação, à "Piauí", de um diálogo com a presidente sobre a contratação do ex-deputado petista José Genoino para a assessoria do Ministério da Defesa e também do que pensa sobre as ministras Ideli Salvatti - "bem fraquinha" - e Gleisi Hoffmann - "nem conhece Brasília".

No caso de Genoino, Jobim contou à revista que, quando Dilma lhe perguntou se ele seria útil como assessor na Defesa, teria respondido:
"Presidente, quem sabe se ele pode ser útil ou não sou eu". Para Dilma, isso foi a gota d"água.


Jobim entregou a carta de demissão à presidente pouco depois das 20h, 15 minutos após desembarcar na Base Aérea de Brasília, num encontro rápido e frio no Palácio do Planalto que durou cerca de cinco minutos.
(...)
Ele estava em Tabatinga (AM) quando recebeu um telefonema de Dilma, depois do almoço. Ele só voltaria a Brasília no fim da noite, mas ela pediu que ele antecipasse o retorno, pois não queria protelar a exoneração.


Amorim é o segundo diplomata a ocupar o Ministério da Defesa e chegou a ser citado para o cargo em outras crises na pasta. O embaixador José Viegas foi o primeiro ministro da Defesa de Lula, depois substituído pelo então vice José Alencar.


A saída de Jobim já era dada como certa pela classe política desde as primeiras horas do dia. Tanto adversários como amigos do peemedebista diziam que ele havia extrapolado e perdido as condições de continuar no cargo. Já a escolha de Celso Amorim para a Defesa dividiu opiniões entre políticos governistas e de oposição.

- Achei a escolha brilhante. Um nome muito preparado, uma solução muito boa. É um diplomata com grande experiência governamental, ficou oito anos no Ministério de Relações Exteriores e tem grande afinidade com Lula - disse Paulo Teixeira (SP), líder do PT na Câmara.

O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), também elogiou a escolha de Amorim:

- É uma bela escolha da presidente Dilma. Ótima escolha.

Já o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), avaliou como temerária a ida de Amorim para um cargo estratégico como a Defesa, por seu viés esquerdista e sua política de aproximação com ditaduras, como a do Irã. Disse que Jobim era de competência incontestável e disciplinou as Forças Armadas.

- Jobim foi trocado por um fanático esquerdista. Isso é um perigo na Defesa pelo seu passado de aproximação com ditaduras e suas ligações com Cuba e Venezuela. Muito mais que uma crítica, vejo a solução como extremamente temerária para um cargo estratégico de defesa nacional.

Só falta o Amorim levar o Marco Aurélio Garcia e o Samuel Pinheiro Guimarães. Acho que será um desastre! - comentou Demóstenes.


Mesma preocupação foi manifestada pelo líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP):

- Espero que ele (Celso Amorim) não deixe se contaminar com o viés político-ideológico, o que muita vezes ocorreu no Ministério das Relações Exteriores.
Gostaria de lamentar a saída de Jobim, com um currículo extremamente qualificado.


- Essa é uma colocação totalmente descabida! Qualquer que fosse o ministro iria executar a política da presidente Dilma. A política externa implementada por Amorim não tinha viés ideológico. É um nome muito adequado para o cargo - retrucou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Antes mesmo da oficialização da demissão de Jobim, já havia se estabelecido uma acirrada disputa entre petistas e peemedebistas pelo comando do Ministério da Defesa - nenhuma das partes ganhou.

A lista de candidatos citados ao longo do dia tinha quase uma dezena de nomes:
o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo;
o vice-presidente Michel Temer;
o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP);
o ministro Moreira Franco, que o PMDB tentou emplacar;
e até o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, que era visto como uma solução institucional.

O nome de Celso Amorim também entrou nessa lista, mas com algumas ressalvas de que ele teria resistência junto às Forças Armadas.

Luiza Damé, Cristiane Jungblut O Globo

agosto 04, 2011

Militares reagem à escolha de Amorim

A escolha do ex-chanceler e Celso Amorim para substituir Nelson Jobim no Ministério da Defesa desagradou almirantes, generais e brigadeiros e foi considerada "a pior surpresa" dos últimos tempos pelos militares, só comparável à escolha de José Viegas Filho, também diplomata, no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, para o mesmo cargo.

No caso de Celso Amorim, de acordo com oficiais-generais da ativa ouvidos pelo Estado, que não podem se pronunciar para não serem punidos por descumprirem o regulamento disciplinar e quebra de hierarquia, a situação ainda é mais delicada porque todos conhecem as posições do ex-chanceler durante sua passagem pelo Itamaraty, quando "contrariou princípios e valores" dos militares.

Apesar de toda contrariedade, os militares, disciplinados, não tomarão nenhuma atitude contra Amorim. Não há o que fazer, além de bater continência para o ocupante de uma das carreiras que os militares mais têm rivalidade. Para os militares, a escolha de Amorim tem "o dedo de Lula", dizem.

Dilma Rousseff é a presidente da República e cabe a ela escolher o novo ministro da Defesa e aos militares acatarem a decisão.

"É quase como nomear o flamenguista Márcio Braga para o cargo de presidente do Fluminense ou do Vasco, ou vascaíno Roberto Dinamite como presidente do Flamengo", comentou um militar, recorrendo a uma analogia futebolística e resumindo o sentimento de "desgosto" da categoria.