"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

janeiro 18, 2011

AOS POUCOS VAI SE DESCAMUFLANDO A "GERENTONA FRENÉTICA DE NADA E COISA NENHUMA", FICANDO ÀS CLARAS A "PRESIDENTA" ELEFANTA DOS CEGOS.


Os danos e o rastro de mortes causados pelas tempestades dos últimos dias atestam a incapacidade do país para lidar com desastres da natureza. As tragédias se repetem a cada ano e as desculpas são sempre as mesmas. As formas com que o poder público age, porém, não se alteram.

O que se vê hoje na região Serrana do Rio de Janeiro é basicamente o mesmo filme que Angra dos Reis e Niterói assistiram há um ano; Alagoas e Pernambuco sentiram na pele há sete meses e Santa Catarina vivenciou em 2008.
O que muda é o nível de horror e o espanto por, mesmo com todo este histórico, o poder público continuar despreparado como sempre para lidar com catástrofes.

Fica claro que nossas autoridades preferem remediar a prevenir, numa triste inversão do ditado que nós, simples mortais, preferimos ter como norma, mas que o governo insiste em desafiar.

Mostrou a ONG Contas Abertas que as ações da defesa civil brasileira têm muito de socorro e pouco de previdência. Em 2010, o investimento em prevenção foi 13 vezes menor do que o gasto de maneira emergencial para responder a desastres.

Ao longo do governo Lula, o Ministério da Integração Nacional deixou de investir quase R$ 1,8 bilhão na prevenção de danos e prejuízos provocados por desastres naturais em todo o país. O valor é a diferença entre o orçamento autorizado para o programa de "prevenção e preparação para desastres" e o que foi, de fato, desembolsado, informa hoje a Contas Abertas

Não espanta que, conforme mostrou o O Estado de S.Paulo em sua edição de ontem, o Brasil esteja "despreparado para tragédias". Não se trata de uma constatação externa ou uma avaliação da oposição; trata-se de análise do próprio governo federal feita em novembro do ano passado e enviada à ONU.

A maioria dos órgãos que atuam em defesa civil está despreparada para o desempenho eficiente das atividades de prevenção e de preparação", diz o documento. Segundo a Folha de S.Paulo, só uma de cada cinco cidades brasileiras dispõe de serviços organizados de defesa civil.

Sempre se poderá argumentar que a natureza é senhora do destino e contra seus rompantes pouco se pode fazer. É fato que as mudanças climáticas têm acelerado os desastres relacionados a fenômenos climáticos: em todo o mundo, as ocorrências passaram de 317 para 828 desde 1980.

O que não é aceitável é o poder público não estar minimamente preparado para prevenir o pior. Há dois anos está previsto no Orçamento federal a instalação de um Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres. Mas até hoje ele não saiu do papel. Ainda espera o quê?

Na semana passada, a presidente anunciou a liberação de R$ 780 milhões para serem usados emergencialmente pela Defesa Civil. É, mais uma vez, o cachorro correndo atrás do próprio rabo: programas de prevenção tinham R$ 137 milhões previstos para este ano, o que equivale a menos de um terço do autorizado para 2010.

Já o programa de resposta a desastres não tinha nada autorizado para ser gasto no Orçamento atual e agora terá R$ 600 milhões.

Não custa lembrar que, ao longo de anos, Dilma Rousseff foi apresentada ao distinto público como "a gerente" do governo Lula, a quem, supostamente, deveriam ser creditados os eventuais louros da gestão passada. Se assim era, lícito concluir que a responsabilidade pela incúria vista na aplicação de recursos públicos para prevenir catástrofes também cabe à agora presidente.
Vale de alerta.

Fonte: ITV
Gerência catastrófica

janeiro 15, 2011

A FARRA DO FUNDO PARTIDÁRIO(FP). OU : FINANCIAMENTO DE PATOTA.

Numa democracia ideal, os partidos políticos se sustentariam exclusivamente com as contribuições dos cidadãos - excluídas empresas e associações de qualquer natureza.
A subsistência das agremiações, nesses termos, seria o primeiro teste de sua representatividade.

Nas democracias da vida real, a liberdade de organização política se desdobra em mecanismos de sustento das legendas que cumprem requisitos legais para se constituir.

De um lado, o capital é autorizado (dentro de limites) a financiar as suas campanhas.
De outro, a sociedade é obrigada a garantir-lhes o pão de cada dia e a cobrir os rombos da sua gastança eleitoral.
E isso, sem limites - como tampouco há limites para as investidas dos políticos ao bolso dos contribuintes.

No Brasil, o uso de recursos oficiais para arrimar os partidos - que, afinal, são entes privados de direito público - se consubstanciou na criação do Fundo Partidário.
Anualmente, a Justiça Eleitoral atualiza os valores que o governo deve repassar às siglas, com base na variação do tamanho do eleitorado.

Só que o Congresso tem a prerrogativa de elevar os montantes já corrigidos, e estes podem ser tranquilamente utilizados pelos partidos para fechar as contas de suas campanhas.
Ou seja, a legislação e os (maus) costumes da política nacional funcionam objetivamente como um incentivo à esbórnia financeira na competição pelo voto popular.

Segundo essa lógica perversa, já que as legendas são, por lei, corresponsáveis pelas dívidas de campanha de seus candidatos, acione-se o Fundo Partidário para quitá-las, como se correspondessem a despesas de custeio da organização e não a verdadeiros investimentos para a conquista de poder.

Dá no que dá.
Ontem, este jornal revelou que, em 13 de dezembro passado, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional aprovou um arranjo pelo qual o Executivo deverá destinar este ano ao Fundo Partidário R$ 100 milhões a mais do que os R$ 165 milhões originalmente previstos.

O assalto ao erário foi aprovado por unanimidade, pela óbvia razão de que o butim será repartido entre as 27 agremiações registradas no País - desde o PT, no topo do edifício, aquinhoado com R$ 42,8 milhões (ou R$ 16,1 milhões extras) até o PCO, o Partido da Causa Operária, no rés do chão, com R$ 510 mil (RS$ 190 mil a mais).

Por que R$ 100 milhões de acréscimo?

Deve ser porque é um número redondo e robusto o suficiente para contentar a todos.
Ou, como diz a senadora petista Serys Slhessarenko, presidente da Comissão, porque todos os partidos nela representados chegaram a um acordo sobre esse valor.

Os R$ 16,1 milhões adicionais a serem repassados ao PT equivalem a 60% da dívida deixada pela campanha da então candidata à Presidência, Dilma Rousseff.
Os R$ 11,4 milhões acrescidos ao PSDB cobrem, com folga, os débitos da candidatura José Serra, da ordem de R$ 9,6 milhões.

A piada é que tanto petistas quanto tucanos garantem que não se servirão da bolada engordada para acertar as contas com os seus credores.
Na realidade, as conversas para se dar um jeitinho de facilitar a vida dos devedores naquela que seria a mais cara campanha da história começaram ainda em outubro, antes mesmo, portanto, do segundo turno.

"O aumento do Fundo resultou em melhora para todos os partidos. E, quando todos são beneficiados, ninguém reclama", comentou um líder partidário que - naturalmente - pediu para não ter o nome citado.

E haja benefício.

Todo ano o Congresso eleva mais que proporcionalmente ao crescimento do eleitorado as verbas do Fundo.
No último decênio, enquanto a população apta a votar aumentou 17%, o repasse acumulado mais do que duplicou.

Em nenhum outro ano, porém, os políticos se permitiram expandir em deslavados 65% os recursos a que teriam direito.

Sairia mais barato, argumenta o líder tucano na Câmara dos Deputados, João Almeida, se o financiamento público das campanhas fosse adotado de uma vez por todas.

Mas os políticos são mais cínicos.

Para eles, observa o cientista político Carlos Melo, melhor o esquema atual, que não só os poupa de defender uma iniciativa impopular, como ainda lhes permite tanto receber doações privadas como cevar o Fundo Partidário.

O Estado de S.Paulo

janeiro 14, 2011

"No lugar dos valores da vida, preferiu-se o poder, o sucesso e a riqueza por si mesmos".

Quem analisa o século passado, da urbanização mundial, encontra um traço profético nessa afirmação do "pai da psicanálise".

No Brasil, o desenvolvimento econômico também tem se baseado na exacerbação da cultura individualista e na degradação da esfera pública.
Mas não há progresso real se não se supera a desigualdade e o atraso político.
Nesses aspectos essenciais continuamos mal.


Entre nós, onde os 10% mais ricos ainda ganham 40 vezes mais que os 10% mais pobres, o abismo social ganha tom de tragédia:
enlutados, vejamos a condição da maioria absoluta dos vitimados nas enchentes.

Não se culpe o destino ou uma fatalista "ira divina", e sim a falta de prioridade para políticas públicas que poderiam amenizar essa dor indizível.

Não se atribua tudo a fenômenos naturais, alguns de fato inéditos.
O imprescindível planejamento urbano raramente desce de virtuosas Leis Orgânicas, Planos Diretores e Estatuto das Cidades para a vida.

Os insuficientes investimentos em macrodrenagens, contenções e programas habitacionais contrastam com os custos adicionais bilionários da reforma do recém-reformado Maracanã, por exemplo.
No plano global, as políticas contra o aquecimento, que implicariam em mudanças drásticas do modo de produzir e consumir, não avançam com a celeridade das crescentes oscilações climáticas.

O país emergente que celebra crescimento tem sua dimensão política soterrada pela avalanche do interesse menor, alimentado pela enchente do desinteresse coletivo.
A comovente e episódica onda de solidariedade não tem se transformado em torrente cidadã permanente.

Promessas de prevenção das autoridades vão embora com as águas de março ou fecham-se após as chuvas de abril.

Ocupar função pública, salvo exceções, não é mais missão de serviço e sim carreira promissora, inclusive com plano de vencimentos e oportunidades de negócios. Muitos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário distanciam-se da sociedade, fechados em estamentos que se autorregulam e tornam-se espaço de interesses privados.

A moeda de troca nas alianças políticas é a distribuição de cargos e empenhos para consolidação dos "currais" modernos de legitimação pelo voto - até nos recursos para a Defesa Civil!

Os palácios só costumam ter alguma conexão com as praças quando ocorrem tragédias ou nos períodos bienais de captação de votos. Hannah Arendt lembrava que "a sociedade burguesa, baseada na competição e no consumismo, gerou apatia e hostilidade em relação à vida pública, não somente entre os excluídos, mas também entre elementos da própria burguesia".

Desde os primórdios os povos enfrentam dois desafios:
adequar-se à natureza, para não perecer, e limitar o poder, para as maiorias não serem escravizadas.

Caminhamos entre intenções cruzadistas e suas guerras nada santas, entre avanços tecnológicos que propiciariam o bem viver e relações de dominação que excluem amplos setores desses benefícios.

É imperativo o resgate da vida pública cooperativa, transparente, participativa. Res publica livre do interesse mercantil e/ou demagógico - inclusive em relação ao solo urbano.
As mortes que se repetem a cada ano nos interpelam de forma dramática.


Chico Alencar / O Globo
Governo, negócios e... tragédias

NÃO É A CHUVA QUE DEVE IR PARA A CADEIA.

Das surpresas do clima quem pode falar por todos os políticos com conhecimento de causa são os faraós egípcios.
Eles, como o ex-presidente Lula, agiam como enviados do céu à terra.
E, ao contrário do ex-presidente Lula, não falam desde que saíram de cena, a não ser por intermédio de escribas e hieroglifos.

Mas, como encarnações do sol, se o sol fracassava lá em cima eram arrancados do trono cá embaixo, surrados e cuspidos no fundo do Nilo. Tudo porque o rio deixava de inundar o delta que nutria seu reino agrícola. Lá, o regime político mudava conforme o regime do rio. Tornava-se violento e insurreto até o Nilo voltar à normalidade, irrigando uma nova dinastia.

As vítimas dessas tragédias políticas e climáticas não tinham, na época, como saber que as cheias do Nilo eram regidas pelas chuvas de monção do Sudeste Asiático, que por sua vez dependiam de ventos conjurados pela temperatura das águas no Oceano Pacífico, do outro lado da terra, na costa da América do Sul, um lugar mais distante que o sol do cotidiano egípcio.

O culpado da desordem era um fenômeno natural que só entrou há duas décadas no noticiário internacional, com o nome de El Niño. Mas deixar o clima fazer seus estragos à solta, em Tebas ou Menfis, tinha custo político, porque da regularidade do rio dependiam vidas humanas.

O preço era injusto, cruel e exorbitante.
Como é injusto, e talvez seja também cruel e exorbitante, que hoje não se processe no Brasil, por homicídio culposo, o político que patrocina baixas evitáveis e supérfluas em encostas carcomidas e vales entulhados por ocupações criminosas.

No dia em que um prefeito, olhando as nuvens no horizonte, enxergar a mais remota possibilidade de ir para a cadeia pelas mortes que poderia impedir e incentivou, as cidades brasileiras deixariam aos poucos de ser quase todas, como são, feias, vulneráveis e decrépitas.

De graça, ou com o dinheiro virtual do PAC, os políticos não consertarão nunca a desordem que os elege.

Não adianta ameaçá-los com ações contra o Estado ou a administração pública, porque o Estado e a administração pública, na hora de pagar a conta, somos nós, os contribuintes.
O remédio é responsabilizar homens públicos como pessoas físicas pelos crimes que cometem contra a vida. Às vezes em série, como acaba de acontecer na Região Serrana do Rio de Janeiro.

O resto é conversa fiada.
Ou, pior, papo de verão em voo de helicóptero, que nessas ocasiões poupa às autoridades até o incômodo de sujar os sapatos na lama. Pobres faraós.
O longo e virtuoso caminho civilizatório que nos separa de seu linchamento está nos levando de volta à impunidade anárquica das entressafras dinásticas, quando a favelização lambia até as suntuosas muralhas de Luxor.

Linchar um político não é a mesma coisa que malhar seus projetos. E os brasileiros estão perdendo mais uma chance de bater com força no projeto de lei número 1.876/99, que o deputado Aldo Rabelo transfigurou, para enquadrar o Código Florestal nos princípios do fato consumado.

Ele reduz à metade as áreas de preservação em margens de rio, dispensa da reserva legal propriedades pequenas ou médias e consolida os desmatamentos ilegais.

Nunca foi tão fácil saber aonde ele quer chegar com isso, folheando as fotografias aéreas das avalanches em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
Dá para ver nas imagens o que havia antes nos pontos mais atingidos.

É o que o novo Código Florestal vai produzir no campo.
Mais disso.
Marcos Sá Corrêa O Globo


janeiro 12, 2011

ÉLIO GASPARI E O GOVERNO MEDICI


Em "A ditadura derrotada", um libelo contra o regime militar, Élio Gaspari afirma o seguinte sobre o governo Medici:

A ditadura estava no seu oitavo ano, no terceiro general. Médici cavalgava popularidade, progresso e desempenho.

Uma pesquisa do IBOPE realizada em julho de 1971 atribuíra-lhe 82% de aprovação.
Em 1972 a economia cresceria 11,9%, a maior taxa de todos os tempos.
Era o quinto ano consecutivo de crescimento superior a 9%.

A renda per capita dos brasileiros aumentara 50%. Pela primeira vez na história as exportações de produtos industrializados ultrapassaram 1 bilhão de dólares.
Duplicara a produção de aço e o consumo de energia, triplicara a de veículos, quadruplicara a de navios.

A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro tivera em agosto uma rentabilidade de 9,4%.
Vivia-se um regime de pleno emprego.
No eixo Rio-São Paulo executivos ganhavam mais que seus similares
americanos ou europeus.

Kombis das empresas de construção civil recrutavam mão de obra no ABC paulista com altos falantes oferecendo bons salários e conforto nos alojamentos.

Um metalúrgico parcimonioso ganhava o bastante para comprar um fusca novo.
Em apenas dois anos os brasileiros com automóvel passaram de 9% para 12% da população e as casas com televisão de 24% para 34%.

O Secretário do Tesouro americano, John Connally, dissera que "os EUA bem poderiam olhar para o exemplo brasileiro, de modo a pôr em ordem a sua economia".

Isto está lá, nas páginas 26 e 27 do livro de Elio Gaspari "Ditadura Derrotada".

É isso aí!
Para completar, a Polícia era Polícia e o Bandido era Bandido e nós não morávamos atrás de grades...

E acrescento:
E os larápios e assaltantes do dinheiro público, falsos democratas encastelados no PT e no governo, só sabem falar em tortura.

É bom lembrar que:
ITAIPÚ – TUCURUÍ – CARAJÁS – PORTOS DE TUBARÃO E ITAQUI– CORREIOS CONSIDERADO O MELHOR DO MUNDO – ENERGIA NUCLEAR – TRANSAMAZÔNICA – ESTRADAS DE RODDAGEM – CORREDORES DE EXPORTAÇÃO – AGRONEGÓCIO - EMBRAPA- AEROPORTOS RIO – SÃO PAULO –CUBICA – DESENVOLVIMENTO DA PETROBRÁS – e sem roubo. NÃO TINHA REELEIÇÃO.


Publicada em:11/01/2011
Estamos Vivos!
Grupo Guararapes!
Personalidade Jurídica sob reg. Nº 12 58 93, Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza.

EXPECTATIVA DA SELIC(ELEVAÇÃO), EMPRÉSTIMOS CAROS E AUMENTO DO CALOTE

Em função do aumento do calote e da esperada elevação da taxa básica de juros da economia (Selic), o consumidor deve pagar crédito mais caro em 2011.
A inadimplência cresceu 6,3% no ano passado em relação a 2009, segundo o Indicador Serasa Experian.


A alta foi maior do que a verificada em 2009 (5,9%), ano com fortes impactos da crise financeira no país.
“O reflexo de tudo isso é que o valor cobrado pelo crédito deve subir, já que a inadimplência representa 32% na formação da taxa de juros”, afirma Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa.


A falta de compromisso para honrar pagamentos, segundo Almeida, ocorreu principalmente em função dos prazos mais alongados de financiamento, em setores como móveis e automóveis.

Além disso, o aumento da inflação contribuiu para reduzir o poder aquisitivo, afetando parte da renda destinada ao pagamento de dívidas.

“Com isso, o consumidor entra em 2011 mais endividado. Nos primeiros três meses, a taxa deve ser superior à do ano passado”, observa.


A perspectiva para este início de 2011 é de que o aperto na política monetária para controlar a inflação, pagamento de impostos (IPTU e IPVA) e despesas escolares aumentem a inadimplência.
Quando comparado dezembro de 2010 ao mesmo mês de 2009, a alta do calote foi de 20,9%. Frente a novembro, o salto ficou em 1,1%.


As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras e serviços) avançaram 2,4% de novembro para dezembro, contribuindo com 0,9 ponto percentual para o indicador.
Os cheques devolvidos por falta de fundos cresceram 3,5% no mês, com uma contribuição de 0,4 ponto.


Geórgea Choucair/Daniel Camargos/Correio

janeiro 11, 2011

QUESTÃO DE TEMPO...

Atenta aos códigos, no dia seguinte à eleição de Dilma Rousseff a capital federal já sabia que Antonio Palocci seria, depois da presidente, o poderoso de plantão.

A indicação para a chefia da Casa Civil apenas confirmou o entendimento anterior, mas o que consolidou a certeza de que Palocci é o eixo sobre o qual funcionará o governo foi o discurso dele de posse sinalizando discrição e comedimento no exercício do poder.

Quando ouviu Palocci dizer que não caberá a ele emitir "opinião sobre todas as coisas" nem dar muitas entrevistas muito menos fazer pronunciamentos, afirmando ser "apenas mais um" no time da presidente, Brasília logo entendeu que em torno dele gravitariam as questões mais importantes, os assuntos estratégicos, as soluções para crises, os temas mais delicados.

Um auxiliar de Dilma que na campanha até nem se deu muito bem com ele, mas agora é todo referências positivas, dá um exemplo sobre o tipo de função que exercerá sem dizer que exerce.

Se em algum momento mais à frente a crise com o PMDB se agravar ao ponto de pôr em risco algum interesse do governo, será Palocci o encarregado de advertir os companheiros de aliança sobre a conveniência de recuar. Lembrando-lhes que o partido pode não ter tido tudo o que quis, mas tem muito a perder, se for o caso.

Nada explícito nem rude de modo a demonstrar "quem manda". Este era o modelo de José Dirceu, que não só pretendeu ser o homem forte da administração e da política, como fazia absoluta questão de deixar isso muito claro.

Já derrubado pelo escândalo do mensalão, Dirceu saiu da Casa Civil anunciando que voltava à Câmara para, de lá, comandar o governo. Como deputado não conseguiu concluir o discurso de posse e foi cassado meses depois.

Desse tipo de conduta, que no governo é tido como o erro fatal de Dirceu, Palocci deve manter distância. Por uma questão de personalidade, de conveniência, mas também de necessidade.

Passou "raspando" pelo STF, que numa votação dividida não aceitou incluí-lo entre os réus do caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e não pôde concorrer ao governo de São Paulo porque as pesquisas indicavam que politicamente essa conta ainda estava em aberto ao juízo do eleitor.

Portanto, Palocci precisa de tempo, condições objetivas e de um período para lustrar a imagem a fim de se credenciar a candidaturas futuras. Para isso é essencial que se mantenha longe de tiroteios e seja o mais discreto possível, a despeito da importância real de suas atribuições.

Na forma, será a antítese do poderoso de plantão, como convém a quem de fato tem a força.

Guerra de imagem.

O PT está fazendo com o PMDB agora o que Lula tentou, sem sucesso, em 2003: joga com a má fama do partido para impedir o avanço dos pemedebistas no governo, certo de que ganha a batalha da comunicação junto à opinião pública.

Para todos os efeitos, a confusão em torno dos cargos seria um "bom combate" que o governo estaria fazendo em prol da melhoria de critérios de ocupação de espaços, contra o fisiologismo.

O plano é evidente e obviamente já detectado pelo PMDB, que, por isso, fez um recuo estratégico.

Seria uma boa jogada, não fosse um "pormaior": a falta de credibilidade do PT nessa área. Além de seguir aliado aos setores mais atrasados da política, o partido teve durante os oito anos de governo Lula tempo suficiente para se insurgir contra os desmandos que agora usa como justificativa para tirar postos estratégicos do parceiro, e não o fez.

Ao contrário.

Quando teve oportunidade de enfraquecer politicamente o PMDB - por conta de escândalos envolvendo próceres como José Sarney e Renan Calheiros - preferiu reforçar o partido de olho na conveniência eleitoral de 2010.

A confiança demonstrada pelo PT ao entregar o lugar de vice na chapa presidencial não combina com as alegações desabonadoras que o próprio PT faz agora a respeito do PMDB.

Os petistas têm razão, mas não só avalizaram a conduta do parceiro ao aprovar a aliança em convenção nacional, como nada fazem de diferente que os autorize à crítica no quesito ético.

Dora Kramer

O avesso do avesso

janeiro 08, 2011

A MEGA SENA POLÍTICA DA VIRADA . O CASSINO DO PLANALTO...


O brasileiro adora uma "fezinha".
No bicho, na Loto, na Sena, na Loteca, no bingo, enfim, gosta de tudo em que entre sorte ou azar.
A maior banca de jogatina é sempre dos governos.
As loterias são a sua especialidade.

O pior é que também na política esse espírito se manifesta.
Os rateios são feitos, as cartas são distribuídas, as apostas são altas.
O negócio é ter sorte.
Torcer para ganhar

O nosso sistema eleitoral, por exemplo, é uma roleta. Graças ao voto proporcional, que a classe política brasileira insiste em manter, a composição do Congresso Nacional acaba sendo uma divertida rodada.
O eleitor escolhe um número e acaba dando outro!
Todo jogo é assim.
Surpresas, espantos, prêmios para uns, prejuízos certos para os outros.

A Mega Sena da virada do ano, por exemplo, foi uma verdadeira loucura. Pagou o maior prêmio de todos os tempos.
Nunca antes se viu uma bolada tão apetitosa!
Mais apetitosa do que essa, só na montagem do grupo para comandar o País.
Nunca se viu coisa parecida.

O insigne presidente que saiu jamais deixou de fazer suas apostas durante os oito anos em que comandou a banca.
A insigne presidente que entrou só agora vai poder revelar sua capacidade de se sentar à mesa do jogo.

Quanto aos demais associados do grande cassino do Planalto, sabemos da história de alguns.
Muitos dos insignes ficantes são bem conhecidos.
E muitos dos insignes chegantes já são velhos habitués das mesas do pôquer brasiliense.

Na verdade, só a insigne presidente entrante, já a postos para receber as cartas, tem um rosto desconhecido.
A atitude fria, absolutamente sem transparência, nessa presença inaugural na mesa, não permite deduzir nada.

De uma coisa, porém, estou certa: nunca houve até hoje uma sena como esta!
O povo compareceu com milhões de apostadores.
Quem vai ganhar, o povo ou a banca?



Resposta difícil.
Aliás, as dificuldades já começaram com a dúvida idiota surgida por conta do título da ocupante do Planalto:
vai ser presidente ou presidenta?
Segundo informam os bajuladores mais próximos, parece que a própria prefere ser chamada de presidenta.
Será que assim ela fica mais contenta?
Vai ser mais competenta?
E, sem dúvida, mais eficienta?

Não sei.
Em todo caso, esse estrago inicial contra a última flor do Lácio, inculta e bela, não me surpreende, após os oito anos da inacreditável e dinamitadora gramática do insigne presidente que saiu -
se é que saiu...

A vitória do povo só acontecerá se o prêmio desta outra sena da virada trouxer benefícios reais para os apostadores.

O presidente que saiu deixou imensos problemas para a presidente que entrou.
Primeiro, ela terá de encaminhar, com coragem e energia, as reformas fundamentais que seu patrono prometeu e não fez.

A mais importante de todas será a que devolver aos eleitores brasileiros o direito de ver suas vontades representadas de forma real.
Hoje em dia somos obrigados a eleger, mas não temos nem o poder nem os meios para deseleger!

A segunda reforma, não menos importante, mas talvez mais urgente, recai sobre o sistema tributário.
Não dá mais para continuarmos sendo um país sem democracia na área dos impostos.
Somos um povo contribuinte, mas não temos um governo retribuinte!

Na área da educação tudo tem de ser revisto.
O Estado precisa entender que o povo brasileiro dispensa ser tutelado, como se todas as famílias e as pessoas não tivessem capacidade de dirigir a sua vida, com total liberdade de escolha.
A responsabilidade de educar, o direito de educar, isso cabe às famílias e à sociedade.
Ao Estado cabe garantir e oferecer os instrumentos, os meios e os recursos. Para isso pagamos altíssimos impostos.

Chega de paternalismo.
Chega de maternalismo.
Chega de monitoramento político e ideológico.
Chega de infantilização.
Chega de impor opiniões e comportamentos.
Somos uma democracia e queremos ser livres.
Não queremos continuar como uma carneirada, tangida por pastores que não escolhemos.

Na área da saúde, por favor, pensem antes de tudo na parte sanitária.
Não repitam os erros dos nossos geniais arquitetos, que foram capazes de construir uma nova capital sem rede de esgotos!
É vergonhosa a estatística brasileira nessa matéria.
Sempre a história de que faltam recursos.

A hanseníase ainda está por aí.
A tuberculose continua matando.
A dengue é um pavor.
E a gastroenterite, a leishmaniose, o tifo, enfim.
Para onde foram os impostos destinados à saúde?
Só para postos de emergências?
Só para hospitais?
A prioridade, na saúde, é a prevenção.
O nome já diz tudo:
tem de chegar antes.

Na área administrativa, a mais importante de todas as providências será a proposta de adoção da escala metropolitana de governo.
Sem ela a gestão das grandes concentrações urbanas ficará impossível.
A escala metropolitana de governo já foi implantada no mundo civilizado há mais de um século!

O atraso do Brasil é inacreditável. Em várias partes do planeta a escala metropolitana começa a ser substituída pela escala megalopolitana!
As metrópoles expandiram-se tanto que já se misturam, como já se verifica no Vale do Paraíba.
Só a Região Metropolitana de São Paulo engloba 39 prefeituras! Tudo desarticulado. Tudo desentrosado.

Tudo desperdiçado.
Planos e projetos desencontrados, superpostos, conflitantes e competitivos!
A mesma coisa no Rio, no Recife,
em Belém,
em Belo Horizonte,
em Salvador, em Porto Alegre... só para citar essas!

Será que a ganhadora da sena política vai enxergar tudo isso?
Não sei.
Ninguém consegue saber o que essa loteria reserva para nós.

PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH DO GOVERNO CASTELO BRANCO E-MAIL: SANDRA_C@IG.COM.BR

janeiro 07, 2011

IGP-DI /2010 de +11,3% É O MAIOR EM 6 ANOS .


Aumentos nos preços das commodities puxaram para cima a inflação medida pelo índice, que é usado para reajustar dívidas dos Estados com a União

A alta dos preços das commodities no atacado no ano passado puxou para cima a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que encerrou 2010 com alta de 11,3%, a mais forte elevação anual em seis anos.

A taxa, anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi bem diferente da apurada em 2009, ano em que o indicador encerrou em deflação pela primeira vez em sua história, com queda de 1,43%.

Apesar da elevação na taxa anual, o indicador, criado na década de 40 e usado para reajustar dívidas de Estados com a União, perdeu força junto com as commodities no fim do ano:
em dezembro, a taxa foi de 0,38%, ante 1,58% no mês anterior.

Mesmo com o recuo na margem, os preços no varejo apurados pelo IGP-DI mostraram "persistência inflacionária", nas palavras do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
O núcleo da inflação varejista saltou de 0,43% para 0,55% de novembro para dezembro, a maior alta desde maio de 2005 (0,73%).
(...)
Para o especialista, medidas prudenciais em compulsórios que indiretamente inibem um pouco a oferta de crédito não são suficientes para conter o avanço da demanda no mercado interno - principal fator que originou essa persistência inflacionária no varejo.

"Não existe mais justificativa para não se fazer uma alta na taxa básica de juros (Selic), agora em janeiro", avaliou.
"É preciso aumento de juros e ajuste fiscal. Se isso continuar dessa forma, sem nenhum outro tipo de medida de contenção de demanda, creio que vai ser difícil atingir o centro da meta inflacionária em 2011 (de 4,5%)."

Em 2010, a inflação total do varejo medida pelo IGP-DI, que representa 30% do indicador, também encerrou em alta, com 6,24%, quase o dobro da apurada em 2009 (3,95%).
Os alimentos foram os grandes responsáveis pelo avanço da inflação no ano passado. No entanto, na margem, os preços dos alimentos mudaram de trajetória e começaram a subir menos.
Isso conteve o avanço da inflação do consumidor, de novembro para dezembro (de 1% para 0,72%).

O atacado, que representa 60% do IGP-DI, encerrou 2010 com alta de 13,85%, após deflação de 4,08% em 2009.
"O atacado foi o setor que mais influenciou o aumento do IGP-DI no ano", comentou Quadros.

Já os preços na construção civil subiram 7,77% no ano passado, mais que o dobro do aumento de 3,25% apurado na inflação da construção em 2009, por causa da mão de obra mais cara.
Na margem, os preços na construção continuaram a acelerar (de 0,37% para 0,67%) de novembro para dezembro.

Variação
11,3% foi a inflação medida pelo IGP-DI, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, em 2010
-1,43% foi a queda na inflação medida pelo índice em 2009

Alessandra Saraiva/Estado de São Paulo

janeiro 06, 2011

UMA SÍNTESE PARA A VERDADEIRA HISTÓRIA SOBRE O ÉBRIO/PARLAPATÃO COMO "PRESIDENTE" E APRENDIZ DE DÉSPOTA INÁBIL.

Se ouvido na última pesquisa sobre o desempenho do ex-presidente Lula, eu estaria entre os 17% que o viram de regular para baixo.

Ao estudar, fui ensinado a não me iludir com aparências, e o que predomina é uma versão de ótimo e bom que não corresponde aos fatos.

É evidente que a economia esteve melhor sob Lula.
Mas dizer que foi por causa dele é outra história
.
Surfou em duas ondas muito favoráveis.


A externa, um crescimento ímpar da economia mundial, trouxe não só um melhor desempenho do produto interno bruto (PIB), mas também a superação de grave problema com que o Brasil se deparava havia muitas décadas, a tal escassez de divisas, responsável por muitas crises econômicas.

Hoje sobram reservas e a última crise, que veio em 2008, não foi por falta delas, mas por contenção do crédito e de nossas exportações.
O Brasil então escapou ao tradicional choque externo, com forte desvalorização cambial, aumento da inflação, dos juros, da dívida publica e pedido de socorro ao FMI.

A outra boa onda foi no plano interno, vinda dos governos Collor, Itamar e FHC, com renegociação da dívida externa, ajustes nas finanças públicas, inclusive privatizações, e abertura da economia, dando-lhe maior estabilidade e eficiência. Lula nunca reconheceu bem essas boas ondas.

Sofismando, toma o que veio de bom depois dele como resultado de sua ação.
Como corolário, o ruim não é com ele.

Vejo-o como um peão em rodeios.
Neles, quem monta não recebe pontos se o animal não pula.
Ora, Lula quase que só montou bichos mansos.


Quando a crise pegou, o corcoveio da economia trouxe-o ao chão, mas aí veio com a conversa fiada da marolinha.

Fez que não viu o vagalhão, que custou ao País perto de R$ 200 bilhões em crescimento perdido.


Também pode ser comparado ao comandante de um barco encalhado por uma estiagem, no leito seco de um rio. Vieram as chuvas, o barco desencalhou e o comandante diz que foi obra dele.

O número final do crescimento do PIB em 2010 deve ficar perto de 7%, e certamente se vangloriará disso, mas esquecendo o buraco de 2009, o que levará a uma taxa média próxima de 3,5% nos dois anos, ridícula se comparada à de países realmente empenhados em crescer, como a China e a Índia, a primeira, aliás, com suas importações ajudando muito o Brasil.

Ao administrar, foi um desastre na área de pessoal, contratando mais sem maiores critérios, expandindo cargos providos sem concurso - em cuja elite hoje predominam companheiros sindicalistas -, e pagando salários bem maiores que os do mercado de trabalho, agravados pela aposentadoria privilegiada, que não conseguiu resolver.

Também tornou obscuras e mais frágeis as contas governamentais, até mudando critérios de avaliação do superávit primário e expandindo fortemente a dívida bruta, além de usar boa parte do primeiro dinheiro do pré-sal para tapar buracos nessas contas.

Demonizou as privatizações, mas pouco fez para ampliar com vigor a capacidade de investimento da administração pública. Por essa e outras razões, são indispensáveis investimentos privados para a provisão de serviços públicos, mas relutou em fazer isso.
Um caso emblemático está de novo nas manchetes, o crônico estrangulamento dos principais aeroportos, que não conseguiu resolver em dois mandatos.

O nome disso não é competência.
Ao sair, disse que foi fácil governar, mas a facilidade veio das duas ondas citadas, e também porque não enfrentou seriamente gravíssimos problemas.

Como na infraestrutura, na saúde, na segurança e na previdência, entre outros. Também disse que pode ensinar a governar, mas quem precisa de ajuda é porque está difícil. Colocar gente no Bolsa-Família é fácil, com a economia gerando mais impostos, mas promover bolsistas via educação e trabalho é difícil, e não teve a mesma atenção.
(...)

Vangloria-se de suas raízes humildes, de seu passado de operário, mas hoje se vê como um iluminado, bem acima dos que o elegeram e o endeusaram.

Fiel mesmo às suas origens, Harry Truman, ao deixar o governo nos EUA, em 1953, saiu dirigindo seu carro, acompanhado apenas pela esposa

Original/Íntegra : Lula, nem ótimo nem bom

Roberto Macedo -
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO