"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

outubro 13, 2010

VOTO,DEUS,ELEITOR. UMA BÍBLIA "FURADA".


Em encontro hoje com mais de 50 lideranças de igrejas evangélicas de todo o País, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, reafirmou o compromisso de não apoiar o projeto de legalização do aborto nem da união civil entre homossexuais, além de manter a liberdade religiosa no País.

Segundo relato de um dos participantes do encontro, Dilma afirmou que precisará de Deus, em primeiro lugar, e dos votos dos brasileiros, em segundo, para ser eleita.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o horário de almoço - fora do expediente(SIC) - para participar do encontro da candidata com os evangélicos.

Ele pediu o apoio dos líderes presentes para que ajudem a combater as insinuações contra a candidata.

Segundo o pastor Evanir Moura, da Federação Evangélica de Santa Catarina, serão divulgados dois manifestos.

Um da parte dos líderes evangélicos declarando apoio a Dilma e outro da candidata, comprometendo-se a cumprir os pontos acordados no encontro.

Andréa Jubá Vianna/Estado

PV/PSDB - PESQUISA INTERNA APONTA QUE 59% DOS FILIADOS E SIMPATIZANTES APOIAM SERRA.

A executiva nacional do PV está reunida nesta quarta-feira, em Brasília, para definir como será a convenção nacional, marcada para o próximo domingo, 17.

Do encontro, que será em São Paulo, deve sair a posição que o partido adotará no segundo turno.

Participam da reunião da executiva, que começou por volta de 11h, cerca de 60 pessoas, incluindo Marina Silva, a terceira colocada nas eleições presidenciais.

Outro assunto que deve entrar na discussão da legenda é o clima de insatisfação que tomou conta de parte da cúpula verde. Enquanto oficialmente o partido quer utilizar suas propostas como base para a escolha de um possível apoio a um dos candidatos a presidente, alguns integrantes insistem em um posicionamento político e até já manifestaram preferências.

A maioria quer a aliança com José Serra (PSDB) e um grupo minoritário insiste na ligação com o PT de Dilma Rousseff.

Entre os filiados e simpatizantes do partido há uma posição que segue essa tendência. Uma pesquisa interna feita pela internet junto a filiados e simpatizantes do partido agradou a maioria.

De acordo com o levantamento, concluído na terça-feira, 59% dos verdes defendem o apoio ao tucano, 11,9% favoráveis à petista e 29,1% que preferem a neutralidade.

Na convenção nacional de domingo, os 60 integrantes da executiva nacional terão direito a voto, além dos deputados federais recém-eleitos, os candidatos a governador e senador derrotados, cinco delegados escolhidos entre o grupo técnico que organizou o plano de governo de Marina, representantes de segmentos religiosos e do Movimento Marina Silva.

(Adriana Caitano, de São Paulo)Veja

ESTANCAR A SANGRIA .


O tom mais agressivo da candidata oficial Dilma Rousseff no primeiro debate do segundo turno e nas entrevistas que vem dando pode ser explicado pela constatação de que ela vem perdendo votos desde as últimas semanas de campanha e continuava perdendo no início do segundo turno

O empresário e consultor Paulo Milet utilizou três conjuntos de informações das pesquisas Datafolha para chegar a essa conclusão: a última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, dia 9, uma semana depois do primeiro turno; uma pesquisa anterior, divulgada no sábado, dia 2, véspera das eleições, sobre o segundo turno, além do resultado oficial apurado.

Na comparação da pesquisa atual com a pesquisa anterior do primeiro turno, em votos totais, com os votos de Marina Silva indo para um dos dois candidatos ou para os indecisos, temos o seguinte resultado: a candidata petista cresce 1 ponto, de 47% para 48%, e o candidato Serra cresce 12 pontos, de 29% para 41%.

Dos 16% de Marina, portanto, 3 pontos vão para os indecisos.

Por regiões, a situação fica a seguinte: no Sudeste, Dilma permanece igual, com 41%, e Serra cresce 13 pontos, de 31% para 44%, indo 6 pontos de Marina para os indecisos.

Na região Sul, Dilma cresceu 3 pontos, indo de 40% para 43%, e Serra cresce 10 pontos, de 38% para 48%, com os 13% de Marina na região distribuídos para os dois candidatos.

No Nordeste, Dilma cresceu 1 ponto, de 61% para 62%, e Serra cresceu 12 pontos, de 19% para 31%, com os 12% de Marina indo para os dois candidatos, e 1 ponto dos indecisos indo para um dos dois.

No Norte/Centro-Oeste, Dilma permaneceu no mesmo, com 41% dos votos, e Serra cresceu 13 pontos, de 31% para 44%.

A candidata Marina Silva teve nessa região 18% dos votos, o que significa que 5% foram para os indecisos.

Sua conclusão é lógica: se pelo Datafolha Serra recebeu 51% dos 16% dos votos totais de Marina (pouco mais de 8%) e cresceu mais do que isso, quer dizer que Serra continuou tirando efetivamente votos de Dilma ou dos indecisos nessa primeira semana pós-eleições, inclusive na Região Nordeste.

Nos votos válidos, Serra cresceu 15 pontos, e Dilma, 4 pontos, perfazendo o total de 19% de Marina Silva.

Na comparação da pesquisa atual com a pesquisa anterior para o segundo turno, vemos o que mudou em uma semana.

Dos votos totais, Dilma caiu 4 pontos, de 52% para 48%, e Serra cresceu 1 ponto, indo de 40 para 41%.

Já nos votos válidos, Dilma caiu 2,5% — de 56,5% para 54% — , e Serra cresceu 2,5%, de 43,5% para 46%.

Pelos votos válidos, 2,5 milhões de eleitores que estavam dispostos a votar em Dilma no segundo turno viraram para Serra em uma semana.

Comparando a pesquisa atual com os resultados oficiais, chega-se à conclusão de que nos votos totais Dilma cresceu 5,2 pontos, de 42, 8 % para 48%, e Serra, 11,2 pontos, indo de 29,8% para 41%.

Como Marina obteve 18,6% dos votos totais, quer dizer que 2,2 pontos foram para os indecisos.

Já nos votos válidos, Dilma cresceu 7 pontos, de 47% para 54%, e Serra, 13 pontos, indo de 33% para 46%.

Marina teve 20% de votos válidos, que foram divididos entre os dois candidatos finalistas.

Tudo indica, portanto, que a queda progressiva de Dilma nas duas semanas anteriores à eleição continuou na semana pós-eleição.

A diferença de Dilma para Serra está encurtando, e por isso a candidata oficial tentou estancar suas perdas com a atitude mais agressiva no debate da TV Bandeirantes.

Existem indecisos e ausentes que podem decidir a eleição.

A equipe da PUC do Rio, coordenada pelo cientista político Cesar Romero Jacob, chegou à conclusão de que “uma das principais causas que levaram as eleições para o segundo turno” foi o alto grau de abstenção, votos em branco e nulos, nas Regiões Norte, Nordeste e norte de Minas, áreas onde a candidata Dilma Roussef obteve suas mais altas votações.

Pelo mapa da distribuição dos votos pelo país, que os especialistas da PUC finalizaram neste fim de semana, pode-se observar que o “não voto” chegou mesmo a representar 45% do total de eleitores em algumas microrregiões do Amazonas, do Maranhão, do Ceará e de Minas Gerais.

Em outras regiões, os números variaram entre 14,8% e 36,8%, sendo que as regiões Sul e Sudeste foram as que tiveram os índices mais baixos.

Merval Pereira/O Globo

SOBRE A REAPOSENTADORIA/DESAPONSENTAÇÃO .

Aposentados que voltaram a trabalhar reivindicam na Justiça o direito de que o novo período de contribuição seja considerado e possam, com a obtenção do recálculo da aposentadoria anterior, receber maiores benefícios previdenciários.

A "reaposentadoria", ou "desaposentação", como tem sido chamada, pode ser aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento que começou em 16 de setembro e deverá ser concluído em novembro ou dezembro.

O próximo presidente da República pode assumir o governo com um déficit extra de R$ 2,7 bilhões anuais na Previdência. Esse seria o tamanho do prejuízo aos cofres da União, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida favoravelmente à tese da "desaposentadoria" (uma espécie de revisão da aposentadoria atual).

No ano passado, o déficit da Previdência somou R$ 43,6 bilhões.

A desaposentadoria é uma forma de aumentar o recebimento de benefícios previdenciários.

Os trabalhadores que se aposentaram por tempo de serviço ou pelo sistema de benefício proporcional, e que continuam a trabalhar ou voltaram ao mercado de trabalho, pedem para obter outra aposentadoria (abrindo mão da anterior), agora, em condições mais vantajosas, pois têm mais tempo de contribuição.

O caso começou a ser julgado pelo STF em 16 de setembro. A previsão é que uma decisão seja tomada entre novembro e dezembro deste ano.

No início do julgamento, o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, votou a favor da desaposentadoria.

Segundo ele, como o trabalhador voltou ao serviço e, portanto, a contribuir com a Previdência, não seria justo que ele não pudesse incorporar o cálculo desse novo período de trabalho para a sua aposentadoria.

"Esse é um caso importantíssimo, porque nós temos 500 mil segurados obrigatórios, que retornaram à atividade e contribuem como se fossem trabalhadores que estivessem ingressando pela primeira vez na Previdência Social", reconheceu Marco Aurélio.Em seguida, houve pedido de vista do ministro José Antonio Dias Toffoli, adiando a conclusão do julgamento.

Para técnicos do governo, se a tese do recálculo da aposentadoria passar no STF, será preciso iniciar nova reforma na Previdência, a partir do ano que vem.

Isso porque não apenas 500 mil segurados teriam direito a aumentar os benefícios. Outros milhões de aposentados também poderiam pedir o recálculo de seus ganhos.

"Todo o regime geral de Previdência teria de ser revisto", afirmou o procurador-geral federal, Marcelo Siqueira, responsável pela defesa da União perante o STF.

Ele explicou que, hoje, as pessoas que se aposentam com idade mais avançada recebem benefícios maiores. Essa é a lógica do fator previdenciário - sistema de cálculo utilizado a partir de 1999, que privilegia a idade do trabalhador.

O objetivo do fator previdenciário foi reduzir os ganhos de quem se aposenta apenas por tempo de contribuição, sem atingir a idade mínima - 65 anos para homens e 60 para mulheres.

O problema é que, com a desaposentadoria, as pessoas passam a aumentar os benefícios sistematicamente. Como voltam a contribuir, os valores são recalculados sob condições mais favoráveis para os segurados e mais prejudiciais aos cofres públicos, na maioria dos casos.

Para piorar a situação do governo, pouco antes de iniciar o julgamento da desaposentadoria, o STF aumentou o déficit da Previdência em R$ 1,5 bilhão, em uma decisão por ampla maioria de votos que permitiu a revisão do teto para a concessão de aposentadoria.

A decisão foi tomada em 8 de setembro, em recurso do INSS contra um aposentado que recebia, no máximo, R$ 1.081,50.

Esse era o teto, em 1995, quando se aposentou por tempo de serviço.

O teto, porém,
subiu para R$ 1,2 mil em 1998 com a aprovação da Emenda nº 20. Ele pediu a revisão para receber o teto maior, de 98, e ganhou a causa no STF, por oito votos a um.

O único voto contrário às revisões do teto foi dado por Toffoli.

"Não podemos dar o mesmo para aquele que se aposentou, em 95, por tempo de serviço, e para aquele que se aposentou, a partir de 98, pela Emenda nº 20, e trabalhou a vida inteira", argumentou.

"A prevalecer o critério do tribunal, aquele que trabalhou menos estará a receber mais", concluiu Toffoli.

"Dizer que um aposentado receberia mais seria injusto", respondeu a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, relatora do processo.

"Eu não posso concordar, porque o sistema constitucional de aposentadoria faz diferenças o tempo todo", continuou.

"O direito veio, no caso, e fixou: quem quiser pode se aposentar nessas condições. Pode mudar? Claro que pode."

Todos os ministros seguiram o voto de Cármen Lúcia, com exceção de Toffoli. Foi um mau presságio para o governo?

"O caso da desaposentadoria é mais importante e mais complexo do que o anterior, pois envolve o sistema geral da Previdência", respondeu Siqueira. Segundo ele, o julgamento anterior levou a um déficit de R$ 1,5 bilhão e afetou 700 mil aposentados.

Já o caso que vai ser decidido envolve cifras maiores e, se a União perder, vai levar à revisão de todo o regime geral de Previdência.

Nessa hipótese, adverte Siqueira, "o futuro presidente terá de rediscutir o fator previdenciário".

O julgamento deve ser retomado após o fim das eleições, pois os ministros do STF que também atuam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão sobrecarregados.

Juliano Basile | De Brasília Valor Econômico

A METAMORFOSE CIRCUNSTANCIAL DA "COISA" E A VOLTA SEM RETOQUE À ORIGEM .

A pesquisa de intenção de voto do Datafolha indicou que José Serra conseguiu reduzir para 8 pontos a vantagem de 15 com que Dilma Rousseff vencera o primeiro turno.

Foi o suficiente para disseminar o pânico nas hostes petistas.

O que é compreensível, considerando que desde o mais anônimo militante até o chefão Lula, todos os apoiadores da candidata oficial davam a fatura eleitoral como liquidada e alardeavam que 3 de outubro representaria apenas a formalidade de homologação de uma retumbante vitória.

Os efeitos dessa reversão de expectativa se tornaram evidentes já no primeiro debate do segundo turno, promovido pela Rede Bandeirantes.

Logo em sua primeira intervenção Dilma partiu para o ataque aberto, violento, acusando Serra, sua esposa e os tucanos de modo geral de serem os responsáveis pela campanha caluniosa movida contra ela na internet.

Colocou-se assim a escolhida de Lula na posição em que ele próprio, o chefe, sempre soube se instalar com muita competência, nos momentos de aperto: a da pobre vítima que jamais ataca, como é próprio dos malvados - nada disso, apenas exerce o direito de legítima defesa.

Com a vantagem adicional de demonstrar que é uma mulher capaz de assumir atitudes firmes, corajosas.

Quanto a essa questão da "firmeza", que quando fora de controle, como a própria Dilma demonstrou na ocasião, descamba para a rispidez, o debate não revelou nada de novo.

Dilma Rousseff sempre foi conhecida como pessoa rude e de difícil trato, especialmente com subordinados.

Se a resposta não fosse evidente, seria até o caso de perguntar:
se é para voltar a ser como sempre foi, por que então mudou durante o primeiro turno, fazendo o gênero "paz e amor"?

Já no que se refere às baixarias que rolam na internet, a ex-favorita absoluta à sucessão presidencial tem todo o direito de reclamar, mas é preciso colocar essa questão nos devidos termos.

Em primeiro lugar, o óbvio:
ataques caluniosos são desferidos de todos os lados e contra todos os candidatos e obedecem à tendência natural de se tornarem mais pesados com a polarização da campanha eleitoral.

Embora em alguma medida essas baixarias possam ser manipuladas, quando não inspiradas, pelo comando das campanhas - nesse assunto certamente não se pode colocar a mão no fogo por ninguém -, é claro que a maior parte desse comportamento condenável corre por conta de uma militância incontrolável composta por indivíduos ou grupos que usam a enorme sensação de poder que lhes confere a web para fazer a catarse de suas frustrações.

É o tributo que se paga às inconsistências da democracia que ainda persistem no País.

Além disso, Dilma conhece o PT há tempo suficiente para saber que o ataque como melhor defesa, e sem nenhum escrúpulo, sempre foi a tática preferencial, uma autêntica marca registrada de seu atual partido - em períodos eleitorais ou fora deles.

Ademais, ainda, é risível a tentativa da candidata petista de incluir no balaio das calúnias de que se diz vítima fatos de domínio público sobre os quais não paira a menor dúvida, como o amplo noticiário sobre o tráfico de influência que a família de sua protegida Erenice Guerra promoveu a partir do Palácio do Planalto, ou sobre seu constrangido vaivém na questão do aborto.

O desempenho de Dilma Rousseff no primeiro debate do segundo turno e nos dias subsequentes deixa clara a guinada tática na campanha petista:
Dilminha-paz-e-amor virou a vítima indignada de boatos, calúnias e difamação. Indignada, mas não "agressiva".

Apenas "firme".
Na segunda-feira, na cidade-satélite de Ceilândia, Lula e sua candidata inauguraram o primeiro palanque do segundo turno e a "nova" Dilma mostrou ter assimilado as novas instruções:
"Meu adversário faz uma campanha baseada no ódio, na boataria, na calúnia, na mentira e na falsidade. Ele não acusa de frente, olho no olho, não faz a disputa justa, leal e verdadeira."

Já o chefão não perdeu a oportunidade para mais uma demonstração de suas inexcedíveis soberba e megalomania:
"Eu poderia ter escolhido um deputado, um senador, um governador. Por que a Dilma? (...) A Dilma vai começar a redenção das mulheres no Brasil e no mundo (sic)."

Agora é a vez de o eleitor escolher.

O Estado de S.Paulo

outubro 12, 2010

SER OU NÃO SER, TUDO OU NADA, VAI OU RACHA , ENTRAR DE "SOLA", HUUUMMM... URNA?

Na definição de um petista "coordenador", Dilma Rousseff não tinha outro jeito: ou partia para o ataque mostrando capacidade de reação ou ficaria a campanha toda na defensiva, arriscando-se a desmobilizar a tropa de aliados políticos, a desmotivar a militância partidária, a inverter a impressão do favoritismo e a perder eleitores entre aqueles que não querem "perder" o voto.

Nesse aspecto, fez o que tinha de ser feito no debate da Band e fez algo ainda mais proveitoso: produziu boas cenas para o horário eleitoral.

Editadas conforme a conveniência do freguês - sem o contraditório do adversário -, "disseram" ao eleitorado que a candidata está indignada com as calúnias que se inventam a seu respeito.

De quebra, mistura todos os dizeres no mesmo caldeirão de forma a transformar também as denúncias de violação de sigilo fiscal e corrupção na Casa Civil em "infâmias".

Se o PSDB não souber separar as coisas, verá daqui a pouco Lula e Dilma posando de fracos e oprimidos e José Serra carimbado como o algoz retrógrado, forte e opressor.

Portanto, estritamente sob o ponto de vista da campanha eleitoral, é como disse o petista citado acima: não tinha jeito, era tudo ou nada.

O efeito será medido de agora e diante na percepção do eleitorado, com bastante ajuda do horário eleitoral para a maioria que não viu o debate de domingo à noite.

O PT, que achava a campanha ótima no primeiro turno, mudou tudo.

Os tucanos, que ao passarem para a segunda etapa anunciaram mudanças, no que diz respeito ao debate, ficaram na mesma: olímpicos, ignoraram o desempenho do candidato, que teve seus bons momentos de revide: nas respostas sobre privatização - ao falar da alforria telefônica no Brasil e ao aludir à "privatização" do patrimônio público via aparelhamento, vide a família de Erenice - e na comparação de apoios: Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco x Fernando Collor e José Sarney.

Dilma aparentemente saiu das cordas em que caiu desde o abatimento decorrente do resultado do primeiro turno. Só que foi obrigada a se despir do modelo amável, sorridente e terno que vestiu na campanha e ficou mais próxima do natural.

O resultado precisa ser analisado sob dois pontos de vista diferentes.

Visto do estúdio o desempenho pecava só na confusão do conteúdo: pouco familiarizada com a objetividade, Dilma não conclui raciocínios e nem sempre informa a quem ouve sobre o que está falando.

Visto depois pela tela da televisão, pecava principalmente pela deselegância dos gestos e pela figura hostil.

Ficou exposta a construção da Dilma amável, que de agora em diante não tem mais como não conviver com a Dilma verdade, reforçando o discurso das "duas caras" feito pelo adversário.

O carimbo das "mil caras" que tentou imputar a Serra ficou frágil por falta de exemplos concretos e inteligíveis para sustentar o tipo.

Se as pesquisas qualitativas do PT indicarem que o eleitorado gostou do modelo, Dilma tenderá a mantê-lo no dia a dia e nos próximos debates.

Arrisca-se, porém, a se tornar agressiva em excesso (note-se o que aconteceu com Lula) e a liberar o adversário para revides mais duros, o que é sempre perigoso face ao passivo acumulado pelo governo Lula.

Baliza.

A dosagem da participação do presidente Lula na campanha de Dilma ainda não é questão fechada no PT: há os que acham que deve ser comedida e os que alegam que se Lula não entrar "de sola" a candidata não segura a possibilidade da vitória.

A decisão será tomada de acordo com a indicação dos primeiros 15 dias de campanha. A ideia de deixar Dilma mais "solta", sem muitos artifícios, tampouco é consensual.

Melhorou.

O formato do debate da Band agora funcionou muito melhor que qualquer outro do primeiro turno. Os próximos terão de seguir o modelo, mas se os candidatos voltarem à defensiva fica aborrecido de novo.

Manobra Radical :
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

"DIZ-ME COM QUEM ANDAS E DIRTI-EI QUEM TU ÉS"

No debate transmitido pela Band, José Serra brandiu por poucos segundos a arma que, acionada com firmeza e pontaria, liquidará de vez a aventura de Dilma Rousseff: o confronto entre os ex-presidentes que apoiam cada candidato.

O palanque da sucessora que Lula inventou é assombrado por José Sarney e Fernando Collor.

A campanha da oposição tem Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Sarney conduziu o país à falência com o Plano Cruzado, levou a inflação às nuvens e saiu do Planalto pela porta dos fundos. Fora o resto.

Collor conseguiu catapultar os índices inflacionários para o espaço sideral, apadrinhou uma quadrilha federal só igualada em gula e desfaçatez pelo bando do mensalão e foi despejado do Planalto por ter desonrado o cargo. Fora o resto.

Itamar Franco resgatou a nação da UTI e lançou o Plano Real.

Fernando Henrique sepultou a inflação para sempre, modernizou o país com a privatização de mamutes estatais, enquadrou os perdulários malandros com a Lei de Responsabilidade Fiscal e consolidou as diretrizes da política econômica que Lula, por instinto de sobrevivência, cuidou de manter intocadas.

Com tamanho zelo que nomeou para o comando do Banco Central, em 2003, o deputado federal Henrique Meirelles, eleito pelo PSDB de Goiás.

O Brasil, ensinou Ivan Lessa, esquece a cada 15 anos o que aconteceu nos 15 anos anteriores.

E milhões de jovens nem conheceram o país atormentado pela inflação medonha e agredido pelo primitivismo das estatais devastadas pela inépcia e pela corrução.

Alguns programas eleitorais e debates na TV bastarão para recordar aos amnésicos crônicos como foram os governos de Sarney e Collor — e descrever didaticamente para as novas gerações o inferno de que se livraram graças aos governos de Itamar e FHC.

Collor e Sarney simbolizam o antigo, o coronelismo de terno e gravata, a roubalheira federal anabolizada pelo turbilhão inflacionário. Itamar e Fernando Henrique representam o país que pensa e presta.

Dilma quer falar do passado?

Seja feita a sua vontade.

Os eleitores aprenderão que Lula, depois de malbaratar as safras plantadas pelos dois antecessores que apoiam Serra, pretende alojar no Planalto uma fraude que reverencia a dupla que arruinou o Brasil.

outubro 11, 2010

CAI A MÁSCARA E FICA À MOSTRA O QUE NÃO É BONITO DE SE VER.

O país assistiu na noite deste domingo ao primeiro debate real entre os dois postulantes à Presidência da República.

Ficaram claras de uma vez por todas, as diferenças entre José Serra e Dilma Rousseff.

Separa-os um abismo, que a estratégia petista tentou sistematicamente escamotear no decorrer do primeiro turno.

Felizes os brasileiros por termos a chance agora de cotejar nossas opções.

Franco, o debate realizado pela Band permitiu ao telespectador comparar duas posturas distintas. O que se viu foi uma brutal diferença de atributos, personalidades diametralmente opostas.

De um lado, a agressividade de uma neófita em disputas eleitorais que também debutava em confrontos televisivos diretos. "Exaltada, (Dilma) demonstrou nervosismo", resumiu a Folha de S. Paulo.

Do outro, a serenidade de quem tem propostas claras para o país, a segurança quanto ao que oferece aos brasileiros, a tranquilidade de quem está preparado para conduzir a nação a um patamar mais elevado.

José Serra pautou sua participação no debate da Band na diferenciação entre o projeto que defende e o que o PT propugna.

Dilma Rousseff destilou um rosário de mistificações nas duas horas de confronto. Brandiu obras que não realizou, imputou ao tucano medidas que ele nunca tomou, envolveu em falácias acusações totalmente infundadas.

Aconteceu, por exemplo, quando disse que Serra planeja privatizar a Petrobras, algo que jamais frequentou o receituário do tucano.

A petista escalou os mais altos degraus da invencionice quando "acusou" as privatizações feitas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, demonizando-as.

Não era a intenção dela, mas Dilma deixou claro o quanto o seu partido, o PT, se opôs a medidas que trouxeram conforto e emprego aos brasileiros: cada um que tem um telefone celular hoje, e são praticamente todos os brasileiros em idade adulta, sabe dos efeitos benéficos da abertura da telefonia, antes privilégio de pouquíssimos, para suas vidas.

Dilma assacou o vodu do medo ao dizer que Serra não dará continuidade a projetos, segundo ela, "exitosos" do atual governo, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida.

Os fatos a desmentem, com sobra.

O PAC está longe de deixar de ser uma lista de boas intenções que, em sua imensa maioria, dormitam no papel. O programa habitacional é apenas uma pálida sombra daquilo que a promessa lulista acenou aos incautos.

(...)

Aos fatos, Dilma respondeu com arreganhos.

Tergiversou, para ficar num termo tão (mal) usado por ela ao longo do debate.

Coube ao próprio Serra a melhor definição para o comportamento da adversária na noite deste domingo:

"A Dilma foi a Dilma".

O desempenho da candidata do PT foi tão desastroso que, minutos depois do encerramento do encontro promovido pela Band, o comando da campanha dela anunciou que Dilma não irá mais a boa parte dos debates para os quais foi convidada.

Alega-se "problema de agenda".

Quem viu o confronto de ontem sabe que não é isso.

O que de fato ocorreu é que caiu a máscara de Dilma: a "mãe dos pobres" mostra-se agora como uma madrasta má, que não titubeia em apelar para mentiras para se fazer prevalecer.

A luz dos holofotes fez a maquiagem derreter - e o que revelou não é nada bonito de se ver.

Fonte/Original Íntegra : ITV/Caiu a máscara

O BRASIL DO PT QUE NÃO SE VÊ NOS PROGRAMAS DE TV : MEC GASTA R$ 2 BILHÕES E NÃO ALFABETIZA.

Foto: nayannesantana.blogspot.com

Em seu oitavo ano, o programa Brasil Alfabetizado já gastou R$ 2 bilhões, mas teve impacto pequeno na redução do analfabetismo, mas índice de iletrados caiu menos de 2%.

O índice de iletrados, na faixa de 15 anos ou mais, só caiu de 11,6%, em 2003, para 9,7%, em 2009.

O faxineiro Edvaldo Félix Bezerra limpa banheiros no setor de transporte e garagem da Câmara dos Deputados.

Entra às 7h e começa o dia sujando o polegar de tinta.
Aos 53 anos, Edvaldo é analfabeto e preenche a folha de ponto com a impressão digital.

Principal meta do Ministério da Educação (MEC) no início do governo Lula, a erradicação do analfabetismo está longe de virar realidade.

O programa Brasil Alfabetizado já gastou R$ 2 bilhões, em valores atualizados, e matriculou milhões de jovens e adultos.

Mas o índice de iletrados, na faixa de 15 anos ou mais, caiu menos de dois pontos percentuais: de 11,6%, em 2003, para 9,7%, em 2009, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

O número absoluto de analfabetos está na casa de 14 milhões desde 2006, segundo a Pnad.
No ano passado, eram 14,1 milhões.


Até o fim de 2010, o Brasil Alfabetizado deverá atingir a marca de 14 milhões de matrículas, considerando-se a quantidade de alunos atendidos a cada ano.

Coincidentemente, o total de vagas oferecidas pelo Brasil Alfabetizado (14 milhões) está perto de igualar o número absoluto de iletrados.

Os dados da Pnad sugerem, porém, que a iniciativa não surtiu o efeito desejado.

Teste para aferir aprendizado só foi criado em 2009.
Outro problema é que o MEC desconhece a eficácia do Brasil Alfabetizado.

No ano passado, ao renovar as parcerias, o MEC cobrou informações sobre o desempenho das turmas de 2007, quando ainda não havia um teste padronizado.

De 1,3 milhão de alunos supostamente atendidos naquele ano, pelo menos 927 mil teriam concluído o curso e 666 mil teriam sido alfabetizados, segundo as informações que chegaram ao MEC.

Como nem todos os parceiros continuaram no programa, os resultados desses alunos não foram enviados.

O secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro, diz que a evasão no Brasil Alfabetizado gira em torno de 30%.

Embora a Pnad informe que a idade média do analfabeto brasileiro era de 54 anos, o país tinha 5,4 milhões de iletrados com menos de 50 anos, em 2009.

A maioria vivendo em áreas urbanas:

3,2 milhões nas cidades e 1,8 milhão no campo.

A pessoa que sabe ler conhece muita coisa e pode arrumar um serviço melhor diz Edvaldo, que recebe R$ 600 por mês, somando salário e benefícios.

Até no MEC há analfabetos.

Embora seja capaz de assinar o nome e, com algum esforço, ler até frases, Almir Alves Rodrigues, de 37 anos, está no limiar entre o analfabeto absoluto e o funcional, aquele que lê, mas não entende.

Almir é faxineiro terceirizado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência do MEC responsável pela pósgraduação.

Nascido no Distrito Federal, ele diz que terminou a 4ªsérie do ensino fundamental, mas largou a escola para ajudar a mãe, trabalhando como vendedor de balas e engraxate.

Sei ler muito pouco.
O mais difícil são aquelas letras enganchadas diz Almir.

O Brasil Alfabetizado não apareceu na propaganda eleitoral da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

O motivo é simples: o programa, que já foi reformulado uma vez, ainda não consegue funcionar direito.

Até 2006, os convênios eram celebrados também com organizações não-governamentais.
O MEC acabou com a parceria com ONGs, passando a firmar convênios apenas com prefeituras e governos estaduais.

Um dos objetivos era atrair professores da rede pública para atuarem como alfabetizadores.

A meta era que, pelo menos 75% dos alfabetizadores fossem docentes.
Segundo André Lázaro, porém, o percentual de professores gira em torno de 15%.
Eles recebem R$ 250 por mês para dar quatro aulas por semana.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi ministro da Educação no primeiro ano do governo Lula e lançou o Brasil Alfabetizado.

Ele critica a mudança de prioridade no MEC.

No início de 2004, logo após a demissão de Cristovam, erradicar o analfabetismo deixou de ser meta do governo:
O nível de analfabetismo no Brasil é uma dívida que continua depois dos governos de Fernando Henrique, de Lula e de 25 anos de democracia.

Uma vergonha nacional diz.

Demétrio Weber/Globo

PARA QUÊ? PRESERVAÇÃO DO SISTEMA PLURAL DEMOCRÁTICO OU PROJETO DE PODER ?

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No mês de agosto, precisamente no Dia do Soldado, o governo alterou as condições de cumprimento da missão constitucional das Forças Armadas, modificando-a na sua essência.

Com a inserção de um político na cadeia de comando e a subordinação do emprego das forças a um oficial-general escolhido segundo critérios políticos, estão dadas as condições para o governo usar interna ou externamente os meios militares segundo a hipótese que bem lhe aprouver.

Assim, o aparato institucional das Forças Armadas passou a ficar legalmente sujeito a uma vontade política única centralizada na chefia do Executivo.

Logo depois da Segunda Guerra, os políticos brasileiros souberam usar para seus fins o prestígio das Forças Armadas.

Em meio à instabilidade política reinante, um jovem general proferiu em 1957 uma palestra em que concluía: Forças Armadas, para quê?

Profissional de carreira arraigadamente legalista, oficial de operações da Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, culto historiador militar, um ouvinte atento de Fernand Braudel, Castello Branco, como chefe do Estado-Maior, reiteraria no início dos anos 60 o alerta sobre a transformação do Exército em milícia.

Anos depois, como presidente num regime que ele via comprometido com a autoextinção, Castello Branco tomou medidas para afastar as Forças Armadas da política partidária, reforçando o papel dos altos comandos e limitando o tempo de serviço dos oficiais-generais com autoridade de comando.

Isso era coerente com a visão de uma revolução para acabar com todas as revoluções.

Ingênuo ou não, foi esse ideal que viabilizou um novo regime, de normalidade democrática, sem golpe de Estado, algo inédito na história da República.
Dividem-se hoje os analistas entre os que veem nos acontecimentos no Brasil um risco ao sistema democrático e os que enxergam apenas mais um capítulo da luta pelo poder.

Como ambos têm parte da razão, mais útil seria que os atores da cena política assumissem suas posições diante da velha dicotomia que nos assola há décadas: a preservação do sistema democrático plural ou a sua supressão em benefício de um projeto de poder.

Pela prática política em curso e manifestações dos dois candidatos à Presidência, anunciase a extinção do regime fundado em 1985/1988, do que estranhamente participam os próprios herdeiros da vontade política que o instituiu no caso o PMDB das lideranças históricas hoje desaparecidas.

Por mais que detestassem (ou detestem) os militares, elas tiveram (e têm) que lidar com a equação militar, porque não há como alijá-la do poder.

Se não o fizerem, alguém o fará (e já o fez).

A História não se repete, mas deixa lições.

O controle político ilimitado das Forças Armadas permite que um Rumsfeld emita ordens de mobilização e deslocamento a unidades militares para uma guerra a ser precipitada segundo as conveniências do poder e demita preventivamente quem dele discordar por dever funcional.

Da caixa de horrores da ascensão nazista nos anos 30 na Alemanha, pode-se tirar a vergonhosa omissão dos seus generais diante do assassinato de políticos e de alguns de seus próprios companheiros, que levou à supressão de toda e qualquer oposição.

Cada um deplore a tragédia que preferir, mas tratemos de evitar a nossa.

Diante de tantas mudanças, assumidas ou não, é sempre atual e prudente perguntar: para quê?

Estão dadas as condições para o governo usar os meios militares como lhe aprouver

Sérgio Paulo Muniz da Costa/O Globo

É historiador e foi delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA para assuntos de segurança hemisférica