"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 19, 2013

POBRE COITADA ! NADA E COISA NENHUMA 1,99 E SEU MUNDO DE FAZ DE CONTA : BC contraria Dilma e prevê inflação alta . Ata do Comitê de Política Monetária contraria o discurso da presidente(?) da República

Apenas um dia após a presidente Dilma Rousseff ter afirmado a empresários que "a inflação Vem caindo de maneira consistente nos últimos meses", o Banco Central (BC) rebateu o discurso oficial do Palácio do Planalto e recomendou prudência com a escalada dos preços.

Nas palavras dos diretores que assinam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, mas divulgada ontem, "o nível elevado" do custo de vida e a "dispersão de aumentos de preços" contribuem para que a carestia no país ainda mostre "resistência".

O comunicado, que tem como objetivo explicar o porquê de o BC ter elevado os juros básicos de 8% para 8,5% ao ano, foi elogiado pelo mercado, que viu uma mudança importante na postura da instituição, até então apontada como leniente em relação à carestia que atormenta as famílias.


Dilma havia feito um discurso acalorado, em que, além de atacar o que chamou de pessimismo dos que criticam o governo, defendeu veementemente os resultados de sua equipe econômica, entre os quais o controle da inflação e o maior rigor fiscal. Para o Copom, em vez de prudência com os gastos públicos, "iniciativas recentes apontam o balanço do setor público em posição expansionista".

Trocando em miúdos:
o governo está gastando demais quando, na verdade, deveria poupar recursos para deixar de pressionar o custo de vida.

Para o BC, é importante que o Ministério da Fazenda ponha freio ao excesso de despesas, e justifica o alerta ao mencionar que "a geração de superavits primários, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidifica a tendência de redução da dívida pública e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo"

Muito do pessimismo que o Planalto critica vem dos truques fiscais que encobriram a má qualidade dos gastos públicos.

Com isso, o BC disse que o aumento de juros iniciado em abril não será suficiente para domar o dragão da inflação se a Fazenda não fizer a sua parte e estancar a gastança e cumprir plenamente a meta de economizar 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para saldar juros da dívida. O Copom alega que já tem problemas demais diante da disparada dos preços do dólar, valorização que pode ser repassada aos consumidores.

A subida e a volatilidade do dólar, no entender da autoridade monetária, constituem "fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos" e os efeitos prolongados desses movimentos "podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária"


Ou seja, mais juros.
A previsão dos especialistas é de que a Selic suba mais 0,5 ponto percentual no fim de agosto, para 9%. Diante da fragilidade da atividade, há um grupo, ainda pequeno, vendo nesse patamar o fim do ciclo do aperto monetário. Os mais radicais acreditam que a taxa pode ir a 10%, por causa da resistência da inflação em se manter próxima ao teto da meta, de 6,5%.

O tom duro do comunicado mostra que, apesar da euforia presidencial com números recentes que apontam a desaceleração da inflação a curto prazo, o comportamento dos preços ainda enseja cuidados. Neste ano, mesmo com todos os esforços do governo para reduzir impostos sobre a conta de luz e alimentos e segurar os reajustes dos transportes públicos, o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve acumular alta de 6%, segundo o BC.


Para 2014, quando Dilma tentará a reeleição pelo PT, o mercado projeta uma taxa de 5,90%.

Chamou a atenção dos economistas o fato de o BC ter retirado da ata do Copom a menção que fazia ao que chamava de "taxa neutra" de juros, o patamar de juros natural de uma economia.
Para Ilan Gol-dfajn e Caio Megale, do Itaú Unibanco, isso pode revelar que a autoridade monetária já acredita que o tempo de juros baixos no Brasil ficou para trás.

"Ao fazer isso, o Copom pode estar sinalizando que os juros devem se acomodar em níveis mais altos para frente", mencionaram, em análise a clientes. 

DECO BANCILLON Correio Braziliense

julho 18, 2013

QUEM NÃO TE CONHECE QUE TE COMPRE : Só A MAIS PREPARADA 1,99 não ouve o barulho


Dilma Rousseff comandou ontem mais um espetáculo de alheamento da realidade. Apresentou ao chamado "Conselhão” um diagnóstico tão róseo e edulcorado da situação do país que deve ter feito os participantes do encontro corar de constrangimento. A presidente mostra-se surda ao barulho que emana de um Brasil mergulhado em dificuldades.

A primeira coisa que se espera de um governante – supondo-se sua boa-fé e suas boas intenções – é que faça uma leitura precisa dos problemas, a fim de encontrar caminhos menos penosos para solucioná-los. É justamente o que Dilma recusa-se a fazer: quando o calo aperta, a presidente sempre envereda pela mistificação.

Foi o que ela exercitou na reunião de ontem do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Pelo que Dilma afirmou ao longo de 52 minutos de discurso, o país está com inflação controlada, com as contas públicas em ordem, com boas perspectivas econômicas. Tudo o que não condiz com a avaliação oficial é fruto da maledicência de incorrigíveis pessimistas.

Pelo que a presidente disse, a escalada de preços que se vê no país não deve ser problema para ninguém. Afinal, "vamos fechar o ano com a inflação dentro da meta”. Não, não vamos: o alvo estipulado pelo Banco Central é de 4,5% e, nem neste nem em nenhum dos quatro anos da gestão Dilma, a meta será atingida.

Há anos, a inflação brasileira mantém-se perigosamente próxima do limite superior da banda de flutuação que o nosso regime prevê para situações de emergência. Ou seja, o que era para ser conjuntural passou a ser estrutural: os preços no país continuam subindo a um ritmo próximo a 6% ao ano. Isso não pode ser considerado normalidade nem aqui nem na China.

Em 10 dos 30 meses da gestão Dilma transcorridos até agora, a inflação brasileira furou o teto. Atualmente, o acumulado em 12 meses está em 6,7%. No caso dos serviços, a média sobe para 8,5%. Mas a situação é pior nos itens que mais pesam na cesta de consumo dos mais pobres: em um ano, os alimentos acumulam aumento de 12,8%, segundo o IBGE.

"Não entender tal coisa, que gasto com comida é tanto mais pesado quanto mais pobre o cidadão, atribuindo o pessimismo a 'forças ocultas', é de fato entender muito pouco de gente e de 'voz das ruas'”, comenta Vinicius Torres Freire na Folha de S.Paulo.

Se, na visão de Dilma, a inflação não assusta, o pibinho, menos ainda. A presidente ontem pelo menos se eximiu de fazer prognósticos furados sobre o desempenho futuro da nossa economia, deixando-os para o especialista Guido Mantega. Mas pululam entre analistas projeções que nos alinham, mais uma vez, entre os países com pior desempenho no mundo neste ano: entre os sul-americanos, só superaremos a Venezuela.

A presidente reputa a percepção negativa sobre o cenário econômico atual a um "ambiente de pessimismo”. Se crê mesmo nisso, deveria começar a procurá-lo dentro do próprio Banco Central de seu governo. Ou, pelo menos, ler o que está escrito nas atas do Comitê de Política Monetária sobre a economia como um todo e a respeito da inflação brasileira em particular.

No documento divulgado nesta manhã, referente à reunião que elevou a Selic a 8,5% ao ano na semana passada, está dito, no item 26: "O nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços – a exemplo dos recentemente observados – contribuem para que a inflação mostre resistência”.

E no item 32: "A política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte”.

Se a inflação fosse um fantasma ou um "barulho” produzido num "ambiente de pessimismo”, como quer Dilma, o BC não precisaria ter elevado, por três vezes seguidas, a nossa Selic e o Brasil não estaria novamente na iminência de exibir-se ao mundo na condição de país onde se cobram as mais altas taxas de juros reais do planeta – só falta passar a China, mas já já a gente chega lá...

A presidente também tentou convencer o distinto público que as contas públicas de sua gestão estão absolutamente sob controle. Não estão. Tome-se o superávit primário, medida que sintetiza a solidez fiscal do governo: nos 12 meses terminados em maio, foram economizados apenas 1,6% do PIB, ante uma meta que é de 2,3%.

Dilma diz que a dívida líquida do país está caindo, mas omite que isso só tem sido possível por causa de uma manipulação sem tamanho dos dados – a ponto de nem o BC usar mais as estatísticas oficiais, como mostrou o Valor Econômico há duas semanas. E se esquece (será?) que a dívida bruta brasileira está aumentando muito e já é a mais alta entre os países em desenvolvimento, conforme informou O Estado de S.Paulo em fins de junho.

Dilma Rousseff parece deter uma visão peculiar das coisas: "O barulho tem sido muito maior que o fato”, disse. Talvez só ela enxergue o que ninguém mais vê: um país que cresce e se desenvolve, uma inflação que não encarece os alimentos, investimentos acontecendo aos borbotões, consumidores e empresários confiantes, um Estado ajustado e eficiente, serviços públicos prestados com "padrão Fifa”. Ou, talvez, a presidente esteja sendo acometida por uma surdez crônica e um irrealismo incorrigível.

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Inadimplência cresce 5,6% no primeiro semestre

A inadimplência do consumidor aumentou 5,6% no primeiro semestre, segundo o Indicador Serasa Experian. A pesquisa revela que, apesar da alta, essa é a menor variação verificada nos primeiros seis meses do ano desde 2011, quando o aumento dos inadimplentes chegou a 21,6%. Na comparação mensal, entre junho e maio, o índice recuou 4%. 

Para os economistas da entidade, os dados indicam que o consumidor está mais cauteloso.

Já a Fundação Getulio Vargas e o Conference Board, instituto privado americano ligado à pesquisa e consultoria em negócios, informaram que a economia brasileira caminha para uma desaceleração no curto prazo, embora ainda seja prematuro falar em recessão. As instituições lançaram o Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace), que tenta prever o início de ciclos recessivos. O índice mostrou recuo de 0,6% em junho, em relação ao mês anterior.


Segundo o economista Paulo Picchetti, da FGV, a economia brasileira passa pelo fim de um período sustentado pelo consumo privado, ao mesmo tempo em que, externamente, já não conta com o mesmo impulso da China, que também vive uma desaceleração:
- É um sinal amarelo, principalmente depois de termos um PIB decepcionante, uma queda forte da produção industrial em maio e já que não há sinais de uma retomada inequívoca.
O novo índice é formado por oito componentes que vão desde indicadores do mercado financeiro, juros futuros a exportações.

Bart Van Ark, do Conference Board, mostrou uma visão menos otimista a respeito da economia brasileira. A entidade revisou de 2,5% para 2% a perspectiva de crescimento para o país neste ano, abaixo da previsão de desempenho da economia mundial de 3%.
O Globo

Qual meta?



Disse ontem a presidente Dilma: 
"Temos certeza que vamos fechar o ano com a inflação dentro da meta."
Diz o Conselho Monetário Nacional:
 a meta de inflação é de 4,5%, considerando-se o índice do IBGE (o IPCA).
Logo, o Brasil chega a dezembro de 2013 com a inflação em 4,5%, certo?

Errado. 
Quer dizer, não é bem assim. 
Começa que ninguém, nem mesmo no governo, acredita que o IPCA termine o ano naquele nível.
 O próprio Banco Central, justamente o encarregado de acertar a meta, se compromete com um objetivo mais folgado:
 alcançar uma inflação menor que a do ano passado, que foi de 5,84%. Estará feliz com uns 5,80%, que é consenso entre analistas fora do governo.

Isso significa que a presidente, digamos, faltou com a verdade?
Bem, quer dizer, tem aqui um joguinho de palavras ou de conceitos. 
A mesma resolução do CMN que fixa a meta de 4,5% acrescenta:
  "com intervalo de tolerância" de dois pontos para mais ou para menos.

Quem for ao site do BC, encontrará informação com o mesmo conteúdo. 
Meta: 
4,5%; banda, 2 pontos.

A regra, portanto, é clara. 
Os dois pontos são extrameta, uma margem para acomodar momentos excepcionais em que ocorram eventos inesperados, fora do alcance dos controles do BC.

Pode ser desde uma guerra entre países do petróleo ou uma escassez de alimentos, eventos que provocam altas de preços. Nesses casos, em vez de agir imediatamente elevando juros, o BC topa conviver algum tempo com a inflação elevada.

Mas, pela lógica do sistema e pela prática mundial, inclusive brasileira, isso é necessariamente provisório. O BC deve organizar suas políticas para logo buscar de novo a meta.

Ocorre que a inflação no governo Dilma foi de 6,5% em 2011 e de 5,84% em 2012. Pela regra, comenta-se assim: 
a inflação esteve acima da meta, mas dentro do intervalo ou banda de tolerância.

Mas aqui entra o jogo oficial de palavras: da presidente aos ministros e ao BC, passou-se a dizer que os 4,5% são o "valor central" de uma meta que vai até 6,5%. Torturaram a regra e a deixaram meio grogue.

Por isso que a presidente Dilma não dá o número. 
Ela diz que vamos ficar "dentro da meta". 
Só pela linguagem governamental passada e presente, pode-se concluir que é qualquer coisa abaixo de 6,51% - e este é o novo objetivo oficial.

Mas por que estamos discutindo estes quase detalhes? 
Na verdade, a presidente tenta passar a conclusão de que a inflação está sob controle e em níveis aceitáveis.

Não está. 
Começa que os 4,5% já constituem uma meta elevada. Nos países emergentes, em geral, não passa de 3% - e vem sendo cumprida na maior parte dos casos. Aqui na vizinhança da América Latina, o nível mais alto depois do Brasil é do México, com 4% ao ano. 
(Claro, Argentina e Venezuela não contam, pela desorganização, assim como outras nações, como a Índia, pelo histórico de inflação elevada).

Além disso, uma inflação rodando a 6%, por tanto tempo, é danosa para a economia brasileira. Querem saber por quê? 
Basta dar uma lida nos documentos recentes do BC, nos quais a instituição explica por que resolveu iniciar um processo de alta de juros. Se a inflação estivesse confortável e sob controle, o BC não precisaria elevar juros, não é mesmo?

No mesmo discurso de ontem, a presidente Dilma reclamou do "ambiente de pessimismo", criado a partir de suposta exploração de informações parciais e em "desrespeito aos dados, à lógica".

Pois em nome da clareza também seria bom para o debate que a presidente explicitasse a que meta de inflação se refere. 
Isso faz muita diferença. 
Por exemplo: 
se 6% ou 6,5% ao ano estão dentro da meta, então o BC está errado em aumentar os juros.

Por outro lado, se a meta é mesmo 4,5%, a taxa de juros precisa subir mais forte - e isso afetaria consumo e produção.
É exatamente a crítica que se tem feito ao governo: 
a falta de clareza na definição dos objetivos e na execução de política econômica.

E por falar em ambiente: 
todos os recentes índices de confiança, baseados em pesquisas junto ao consumidores e empresas, mostraram um aumento do pessimismo em relação à situação atual e futura da economia.

Estarão todos equivocados? 
Seriam todos vítimas dos críticos parciais? 
Ou seria melhor admitir que as pessoas sabem de si e de sua situação?

Insuportável
É evidente a necessidade de uma reforma tributária, se diz nos EUA: quem pode lidar com uma Receita Federal cujas regras ocupam 72.536 páginas (dado de 2011)?
Bom, se a gente considerar dez regras por página, teríamos 725 mil normas e uns quebrados.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, foram editadas no Brasil, desde a Constituição de 88, nada menos que 4,4 milhões de normas tributárias.

Carlos Alberto Sardenberg O Globo

Rombo de US$ 2 bi


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Nem a recente alta do dólar poderá salvar o país de um saldo negativo na balança comercial em 2013. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) acaba de revisar suas projeções e passou a prever déficit de US$ 2 bilhões este ano. Antes, esperava um superávit de US$ 14,6 bilhões. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez desde 2000, quando as importações superaram as exportações em US$ 731 milhões, que a conta comercial fechará no vermelho. No ano passado, o resultado positivo foi de US$ 19,4 bilhões.

O presidente da AEB, José Augusto de Castro, lembrou que a cotação das commodities, que representam 65% das exportações brasileiras, está em queda no mercado internacional. Por isso, o câmbio não vai ajudar as estatísticas. "Nos manufaturados, poderia haver um ganho, mas o atual patamar do dólar ainda é insuficiente para elevar a competitividade dos produtos nacionais. Além disso, a volatilidade da taxa cambial traz incerteza. Se houver impacto, será apenas em 2014" afirmou. 


Pela nova perspectiva da associação, as importações totais devem crescer 4,2% em 2013, para US$ 232,5 bilhões. Esse valor é 0,9% maior do que os US$ 225 bilhões projetados anteriormente. A estimativa para as exportações teve um corte de 1,2%, passando de US$ 239,7 bilhões, para US$ 230,5 bilhões —queda de 5% na comparação com o ano passado.
Petróleo

Castro destacou ainda que, até junho, a quantidade de petróleo exportada caiu 43%, e o preço recuou 11%. Ele recordou também que US$ 4,5 bilhões de importações realizadas em 2012 foram contabilizadas somente em 2013, o que contribuirá para o saldo negativo do ano. A AEB prevê aumento de 9,2% nas importações de petróleo em 2013, para US$ 38,5 bilhões, e de 11,9% nas compras dos demais combustíveis, para US$ 14,9 bilhões.

ROSANA HESSEL Correio Braziliense -

julho 17, 2013

P (artido) T (orpe) é vidraça, e não pedra

Partido dos Trabalhadores está no poder há 10 anos e meio, mas seu líder máximo acha que pode continuar se comportando como se estivesse na oposição. Sempre que pode, Luiz Inácio Lula da Silva exercita seu velho estilo pendular: 
posar de pedra quando, na verdade, é vidraça.

O ex-presidente e o PT tentam ocupar todos os espaços, quando a sociedade brasileira vai deixando claro que não há espaço algum para eles.

Lula passou toda a temporada de protestos de junho na muda. 
Palavra alguma se ouviu dele quando milhões de brasileiros foram às ruas para manifestar sua indignação em relação ao estado deplorável da prestação dos serviços públicos no país, 
à malversação de dinheiro público, 
à corrosão das práticas políticas,
 à corrupção deslavada.

O ex-presidente manifesta-se agora, em artigo em inglês distribuído ontem pelo
The New York Times.


Oportunisticamente, tenta articular uma análise pela qual, no fim das contas, as manifestações só aconteceram com tamanho vigor porque o governo dele e o da presidente Dilma Rousseff foram bem sucedidos demais. Os brasileiros teriam ido às ruas porque "querem mais”.
Engana-se Lula: 
os brasileiros não querem mais do mesmo, mas sim algo diferente do que aí está. Os protestos foram claríssimos quanto a isso: 
não à roubalheira; 
não ao descaso quanto a atendimentos de saúde, 
escolas e transportes públicos de péssima qualidade; 
e um não rotundo à forma emporcalhada de fazer política que há quase 11 anos o PT patrocina.
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Sempre que se veem em apuros, Lula e os petistas lançam mão da mesma estratégia: 
confundir-se com os críticos, para tentar sair incólumes das pedradas. É como se o partido nunca tivesse saído da oposição. 

Como sua atuação antes de chegar ao poder é mais bem vista (e mais edulcorada) do que seus hábitos no governo, a mandracaria às vezes cola.

Foi assim quando da eclosão da descoberta do mensalão, em 2005. 
Lá foi Lula tentar convencer a sociedade brasileira de que o PT cometera o mesmo pecadilho que cometem todos os demais partidos do país, nada demais. Oito anos depois, porém, os próceres petistas estão condenados pelo STF a passar anos na cadeia.

Desde então, não foram poucas as vezes em que Lula e alguns outros líderes petistas afirmaram que o Partido dos Trabalhadores precisava se renovar. O argumento volta agora, mas funciona, na realidade, como a máxima de "O Leopardo”: 


Mudar para manter tudo como está.

A "profunda renovação” que Lula prega talvez encontre sua mais perfeita tradução na ressurreição de cardeais da política brasileira que a sociedade execra e repudia, mas que o PT gostosamente patrocinou com a finalidade de manter-se no poder, ao mesmo tempo em que exercitou, sem pejo, o mais deplorável loteamento do aparato estatal que se tem notícia.

"Acima de tudo, eles [os jovens] exigem instituições políticas mais limpas e mais transparentes, sem as distorções do sistema político e eleitoral anacrônico do Brasil. (...) Em suma, eles querem ser ouvidos”, escreve Lula. Haja cinismo.

Assim como o PT, o ex-presidente insiste numa reforma política que, antes de tudo, sustenta-se em interesses do próprio partido, como o financiamento público de campanhas e o voto em lista fechada, e não em legítimas aspirações por mais participação popular nas decisões do Parlamento. A maneira petista de conduzir as discussões sobre o assunto é tão desonesta, que nem os aliados aceitam.

Lula não concorda que os protestos representem uma rejeição da política. Mas as pesquisas de opinião estão aí para mostrar que foram, pelo menos, a rejeição à política que o PT, hoje por meio de Dilma Rousseff, favorece.

O governo da presidente já é avaliado negativamente por 29% dos brasileiros, com avaliação positiva de apenas 31%, com queda de 23 pontos em um mês, segundo pesquisa
divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportes. Como corolário, 44% dos entrevistados dizem que não votam em Dilma de jeito nenhum.

Não há malabarismo retórico capaz de dar jeito na insatisfação geral dos brasileiros. Menos ainda de ser suficiente para convencer-nos de que o governo do PT é, no fim das contas, o mais qualificado para fazer as mudanças que a sociedade demanda.

Se Lula se sente tão bem fazendo as vezes de opositor, as urnas poderão devolver-lhe este papel. Aí, sim, ele poderá desempenhar suas críticas com legitimidade. 


Por enquanto, ele e seu PT são alvo, e não flecha.

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E NO COVIL NACIONAL ... Pedido de vista adia votação da PEC sobre perda de mandato de parlamentares condenados

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/AngeliCongresso2.jpg
Um pedido de mais tempo para análise adiou hoje (17) a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 18/2013), que prevê a perda automática do mandato de parlamentares que forem condenados definitivamente pela Justiça por improbidade administrativa ou por crimes contra a administração pública.

A solicitação foi feita pelo senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), que argumentou ser favorável à proposta, porém precisaria de mais tempo para analisar o texto. Com o pedido de vista, a discussão sobre o projeto será retomada na próxima reunião da CCJ, que deve ocorrer 

no dia 7 de agosto.

Para o autor da matéria, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), a proposta vai sofrer resistências dentro do Congresso Nacional. “Não vejo nenhum entusiasmo ou boa vontade de incluir a matéria na agenda positiva. Acho que é o espírito corporativista de preservar privilégios que o Congresso tem”, avalia. “Acho que isso pode ter relação com quem tem processo em tramitação no Supremo ou já esteve respondendo processo. E o projeto ainda evita o fim do foro privilegiado”, acrescenta.


O foro privilegiado garante que autoridades sejam julgadas apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para Vasconcelos, o fim da regra pode abrir brechas para que juízes sejam alvos de pressões e interesses durante julgamentos de autoridades. 


“A partir do mensalão, quando todos foram condenados por improbidade administrativa e crime contra a administração pública, ou pelos dois, o foro, que era atacado, passou a ser uma coisa positiva. O juiz singular [de primeira instância] está mais sujeito à pressão que os 11 ministros da Suprema Corte”, avalia.

No julgamento da Ação Penal 470 no STF, o processo do mensalão, foram condenados os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), 
Pedro Henry (PP-MT), 
Valdemar Costa Neto (PR-SP) 
e Jose Genoino (PT-SP).

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) criticou o adiamento da votação da PEC. “Perdemos a pressa? Esse é um projeto simples que resolveria a questão. Não há porque retardar”, disse.

Segundo o senador Eduardo Brag
a (PMDB-AM), relator da PEC, a iniciativa é “relevante por efetivar o princípio da moralidade e da probidade para o exercício do mandato eletivo". Para ele, a proposta também está em sintonia com “o clamor popular pelo respeito à coisa pública e pela efetividade das condenações dos agentes públicos envolvidos em malfeitos”.

Se for acatada pelos senadores na CCJ, a matéria ainda precisa ser aprovada em votação, em dois turnos, no plenário do Senado, e depois passar pelo crivo dos deputados federais. Como seguem as mesmas regras do Congresso Nacional, as mudanças, se aprovadas, também vão valer para deputados estaduais e distritais.
 

Carolina Gonçalves e Karine Melo
Repórteres da Agência Brasil

Edição: Carolina Pimentel
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BRASIL REAL ! NO brasil maravilha CONSUMISTA DOS FARSANTES SEM O ILUSIONISMO DO MARQUETINGUE PETRALHA : Dívidas atormentam 65,2% das famílias

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgvJMhkXq6mzo18uf3MNydXCGqEHHNBj8R6ubAMj6eafK39LY7LoJ6q70onfIXRuyfFKiyokCPzJaFA7XNFGFvbQcIi99yin903a0hHZM4Fi5Pi6SMTZRkOhTBB5dyKAO0DdTwHpQd74PbU/s320/dilma.jpg

Índice divulgado pela Confederação Nacional do Comercio e o mais elevado do ano endividamento continua em perigosa tendência de alta no Brasil. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas passou de 63% em junho para 65,2% no mês passado, o maior patamar do ano. 

Em julho de 2012, o índice estava em 57,6%.
Se já é preocupante, sobretudo num momento de alta dos juros, o problema assume dimensão mais grave quando se considera a qualidade das dívidas. De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional), divulgada ontem pela entidade, a maior parte das famílias está comprometida com cartão de crédito e cheque especial, as duas modalidades com as taxas mais altas do mercado financeiro.

"Por conta do spread bancário, que pode chegar a 200% no país, as famílias não estão conseguindo se livrar das dívidas nas modalidades mais perversas. Num ranking de 189 países, o Brasil só tem spread menor do que Madagascar, uma nação inexpressiva no cenário financeiro mundial", explicou Samy Dana, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Risco

Na avaliação do economista da CNC Bruno Fernandes, muitos consumidores não estão conseguindo quitar seus débitos e, por isso, estão contraindo novas dívidas para pagar as anteriores. "Isso é perigoso, porque mantém a tendência de alta", constatou.

A pesquisa da CNC também apontou elevação da inadimplência. 
O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso é crescente: passou de 20,3% em junho para 22,4% em julho.

"Desse total, 7,4% disseram quenão terão condições de honrar seus compromissos", alertou Fernandes.

Descumprir os pagamentos pode significar a
perda de patrimônio, como carros e imóveis. O financiamento desses dois tipos de bens também aumentou, o que não é de todo mau, segundo o economista da CNC. "Quando troca dívidas de curto prazo no comércio varejista por créditos mais longos, como na compra de um imóvel ou de um carro, o consumidor paga juros menores e adquire bens duráveis", justificou.


As dívidas de longo prazo, contudo, esticam o tempo médio de comprometimento da renda, que também está alto demais. Segundo a pesquisa, 27,8% dos endividados têm compromisso por mais de um ano. O nível é maior (38,3%) entre consumidores com renda acima de 
10 salários mínimos. "

Outro dado negativo é que o período de atraso está aumentando, o que significa mais juros a pagar e, portanto, menos chances de solvência. Dos inadimplentes, 43,8% estão com atrasos acima de 90 dias. Nas famílias com renda até 10 salários mínimos, o índice é de 47,5%. 


Correio Braziliense

O JEITO PETRALHA DE "GUVERNÁ" : Desordem ou ditadura

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Os analistas do governo ainda não se deram conta de que os protestos contra Dilma e seu governo começaram em 18 de maio passado, quando houve a corrida para sacar o dízimo pago pelo governo aos participantes do Bolsa Família. Naquele momento, uma informação transmitida boca a boca, fone a fone ou mail a mail transformou o que seria um saque periódico numa corrida à Caixa Econômica. 

Sem articulação, sem provocação, sem outras intenções que não as de garantir seus recursos essenciais, a população enviava um duro recado aos gestores de seus recursos e de suas esperanças. 

"Nós desconfiamos de vocês. Nós não estamos acreditando em vocês."

Numa liberdade histórica e traçando um paralelismo, pode ser lembrado outro dia 18, esse de 1799.018 de Brumário, de Napoleão Bonaparte. Passados 10 anos do início da Revolução Francesa, a França vinha sendo governada por um colegiado de líderes — o Diretório—e o país sofria com revoltas internas, além de uma ameaça real de invasão por parte de outros países europeus. 


018 de Brumário foi um golpe de Estado que representou o fim da Revolução Francesa e a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder.

Duas semanas depois do 18 de maio de 2013, começam os protestos populares, tão espontâneos como os daquele dia, porém muito mais organizados, pois, a internet permite marcar dia, hora e local e disseminar palavras de ordem multiusuárias que não apenas "saquem seu dinheiro".

O que estava contido nas mentes e gargantas ganhou ação e voz. 
Não era mais o público-alvo do Bolsa Família, mas a família brasileira que saía às ruas para mandar seu recado. E o recado era como aquele dado à luta pela anistia, no fim dos anos 1970: 
"Amplo, geral e irrestrito". 

Esse recado, assim como o anterior, era dirigido à presidente e a atingia naquilo que ela mais preza (ou diz prezar, pois foi assim "apresentada" pelo seu criador): 
a competência como gestora.

A população não aceita o aumento de custo de passagens por não poder pagar esse acréscimo, 
por considerar que os serviços não valem o que custam, 
por não acreditar que a carestia, acompanhada todos os dias nos supermercados, 
tem relação com os índices de inflação divulgados, 
por não acreditar que o dinheiro público não está sendo usado para construir estádios e obras para as Copas de futebol e as Olimpíadas 
e por acreditar que esses recursos poderiam ser mais bem aplicados em outros setores. 


A população também não acredita, porque não consegue ver e sentir, nas melhorias anunciadas para os diversos setores da sua vida cotidiana.

Foi inculcado na população que a presidente é a mãe do/no governo e, desse modo, existe uma sensação generalizada d.e que ela é responsável pelos seus "filhos" ministros e respectivos atos. Dilma deve estar envergonhada das mentiras do filho Mantega, sobre aumento do PIB e diminuição da inflação; deve se sentir incomodada com os arroubos de criatividade (constituinte e plebiscito) do "o ministro Mercadante, que não conseguem empolgar a realidade; e com a reação ao projeto Mais Médicos, que, sem duvida alguma, deveria ter sido batizado como Mais Saúde e recebido outra semeadura. 


Assim, o governo e seu ícone, a presidente, eram atacados na característica mais endeusada: 
a capacidade de gerenciar. 

Não foi por outra razao que os índices de popularidade de Dilma e de confiança no governo desabaram. A população passou a desacreditar, e a crise de credibilidade que se desenhou em 18 de maio se concretizava em junho.

Mas ela não vinha só em palavras e àtos de protestos. Veio acompanhada de violência e desobediência civil. Enfrentamentos, choques, lutas, badernas e saques. Bloqueios de ruas, avenidas e, logo a seguir, de estradas. O Dia Nacional de Protesto, convocado por entidades sindicais e outras instituições formais, mesmo não trazendo muita gente às ruas, ajudou a evidenciar o descontentamento generalizado.

Os protestos, passeatas e bloqueios têm provocado incômodos tanto ao governo como às comunidades, embora o apoiamento dessas tenha sido bastante contínuo e expressivo, mas o que tem assustado a todos é a violência e a possibilidade de baderna, o que tem conduzido a uma sensação de desgoverno ou de sem govemo.

Não é preciso ser uma pitonisa experiente para saber que os protestos arrefeceram, mas aquilo que lhes deu motivo continua a existir. Os políticos não conseguem dar uma resposta satisfatória às exigências das ruas, embora tentem enganá-las, fazendo de conta que votam o que foi demandado. Os govemos, idem, fabricando falsas ações e propondo o céu logo adiante, quando as reclamações são terrenas, do aqui e agora. 


Com essa inflação, essa saúde, essa educação e esse transporte, ninguém sabe quem e como se sobreviverá em curto prazo, e o desespero nunca foi conselheiro para temperança. 
Nessa toada, a estrada se bifurca perigosamente à frente.
 Uma vertente leva à desordem e outra à ditadura. 

Sylvain Levy Correio Braziliense 

ENQUANTO ISSO NA REPÚBLICA DOS FARSANTES... Dissimulação

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A economia brasileira não está nos seus melhores dias, mas as coisas poderiam ficar um pouco mais fáceis se o governo admitisse a
existência dos problemas.


Insistir em que o PIB vai cavalgar acima de 3% neste e nos próximos anos; que a inflação não é esse monstro antropófago apontado por economistas obsessivos e que, ao contrário, está em reversão; que a política fiscal não é tão expansionista quanto se propala nem geradora de serviços de baixa qualidade; que os investimentos, embora um pouco atrasados, estão sendo agilizados e mudando tudo…

Num momento de enorme déficit de confiança, essa retórica de dissimulação, que, em princípio, pretende manter elevado o moral da tropa e tudo o que consegue é esconder os problemas, dificulta o diagnóstico correto, impede a procura de soluções adequadas e aumenta o desânimo veja o gráfico:


O gráfico mostra o nível de desânimo dos industriais brasileiros. 
É o menor desde abril de 2009, quando o País estava sob o impacto da crise global deflagrada em 2008. 

Parece óbvio que o potencial do crescimento da economia brasileira esbarra em obstáculos estruturais. A crise externa não pode ser tomada como a principal limitação quando o consumo interno cresce a mais de 3% ao ano (descontada a inflação) e tem de ser suprido cada vez mais com importações.

Os investimentos não fluem por diversos motivos. 
O principal deles é que o governo federal não sabe o que quer e sempre reluta a confiar ao setor privado os investimentos dos quais o Tesouro não consegue dar conta.

Embora algo menos aquecida do que há meses, a situação do emprego também é um limitador da expansão da atividade econômica. Se com esse crescimento aí, provavelmente inferior a 2% ao ano, a economia vive momento próximo do pleno emprego, mais apertado estaria o mercado de trabalho se o PIB se expandisse a 3,0% ou 4,0%.

A cada sinal de desaceleração, o governo reage com aumento do gasto público, como se o que faltasse fosse apenas combustível para as máquinas. E, no entanto, o motor vai queimando óleo porque a qualidade da despesa pública é ruim.

Se houve uma mensagem clara das manifestações de junho foi a de que o Estado está emperrado e é ineficiente. Como pode funcionar um governo com 39 ministérios? Que empresa privada tem tantas diretorias? E, no entanto, também aí o governo quer estar sempre com a razão e se mostra avesso a autocríticas.

Se insistir em ampliar ainda mais suas despesas, tirará eficácia à política de juros. Nessas condições, o Banco Central terá de redobrar o aperto monetário para tentar compensar com mais juros o jogo contra da política fiscal.

A falta de sinceridade das autoridades é fator adicional que mina as expectativas. Se insiste em pintar a paisagem de rosa ou em negar a verdadeira dimensão dos fatos, não há como mobilizar a sociedade para os desafios que estão aí. As incertezas parecem ainda maiores do que são, o empresário se fecha na retranca, os investidores externos se desfazem de negócios para fazer caixa e repatriar capitais. O resultado é retração da demanda e o adiamento das soluções.
O reconhecimento da existência desses problemas seria o melhor recomeço.

Baixo-astral. 
Análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atribui o baixo-astral à retomada da alta dos juros básicos pelo Banco Central a partir de abril; e às manifestações de junho.

Retração. 
O pessimismo é fator inibidor da produção porque tende a levar o empresário a adiar seus investimentos e a assumir menos riscos.
Celso Ming