"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

janeiro 21, 2013

Apartidários são maioria no País pela primeira vez desde a redemocratização - 56% dos brasileiros afirmaram no final de 2012 não possuir preferência por nenhuma legenda política - eram 38% em 1988

Pela primeira vez desde 1988, o número de brasileiros que se declara apartidário superou o de pessoas que afirmam ter preferência por alguma legenda política. 
Levantamento feito pelo Ibope, a pedido do Estado, mostra que, no final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter nenhuma preferência partidária, contra 44% que apontavam preferência por alguma legenda. Vinte e quatro anos antes, na esteira da redemocratização, apenas 38% das pessoas declaravam não ter um partido da sua preferência - 61% apontavam um favorito.

A perda de simpatizantes ocorreu em todas as legendas. Há menos petistas, tucanos, peemedebistas, democratas e pedetistas hoje do que há cinco anos.

Os dados do Ibope mostram uma queda na popularidade do PT entre os brasileiros desde março de 2010, último ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele momento, antes de a campanha eleitoral esquentar, o partido atingiu o auge na preferência dos eleitores: 
33% dos entrevistados. 
Em outubro de 2012, o porcentual caíra para 24%.

O momento de maior desencanto com os partidos, em 2012, coincide com o julgamento do mensalão, quando 13 políticos do PT, PP, PR, PMDB e PTB foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Também naquele ano houve eleição municipal, quando aumentaram ataques e acusações entre legendas.

O PT, no entanto, ainda se mantém na liderança como o preferido do eleitorado, na frente do PMDB e do PSDB, apontados como favoritos por 6% e 5% dos entrevistados, respectivamente.


Os porcentuais apurados pelo Ibope refletem o momento histórico e a conjuntura política e econômica, não só brasileira como mundial. Também apontam para questões estruturais, como a crise da representatividade dos partidos políticos tradicionais.

"De 1988 para cá, a democracia se ‘rotinizou’. Então é claro que essa paixão tende a arrefecer. Junto com essa rotinização tivemos uma série de escândalos. Alguns cristais se quebraram", declarou o cientista político Carlos Melo, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). 
"Há fatores históricos (como a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, que diminuíram a polarização ideológica entre os partidos), fatores específicos do Brasil e problemas estruturais da política: os partidos não dão mais conta de uma grande explicação do mundo", disse.

No ano passado, por exemplo, pesquisa Ibope mediu a confiança do brasileiro nas instituições do País. Os partidos políticos foram os menos confiáveis, entre 22 instituições avaliadas - a família aparecia em primeiro lugar.


"Era do MDB nos anos 70. Votei no Lula em 2002, fui super petista nos anos 80. Mas aí veio o mensalão. Fiquei muito decepcionada. Desde 2005, só voto nulo", afirmou a escritora e socióloga Ivana Arruda Leite, 61 anos. "Não acredito em nenhum partido, apesar de existirem pessoas que eu respeito na política."

Para o publicitário Daniel Palma, 36 anos, o PT se aproximou dos partidos tradicionais e perdeu parte do discurso ético ao fazer alianças pragmáticas, como as com Paulo Maluf (PP-SP). Ele também citou o acordão na CPI do Cachoeira, que não permitiu não aprofundar investigações. 
"É o velho discurso de que, para se governar, precisa fazer alianças. Hoje é tudo pelo poder. Tenho um pouco de medo desse discurso", disse Palma, que afirmou ainda votar em quadros do PT.
Se 2012 foi o ano em que mais pessoas se disseram apartidárias, em maio de 2007 o número de brasileiros que diziam ter uma preferência por alguma legenda atingiu o auge na série histórica: 
66% contra 33% que não indicavam nenhuma sigla.

"Esse é um período em que o País estava bem. Havia a crise do mensalão que poderia derrubar o PT. Mas, aí, pode se pensar numa transferência do prestígio de lideranças como Lula, que mantinha um governo bem sucedido", disse Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas. Naquele ano, a economia cresceu 6,1%.

Lulismo. 
Os anos de maior aprovação do PT - 2003 e 2010, quando 33% das pessoas apontam o partido como o da sua preferência - coincidem com períodos de avaliação positiva do governo Lula, o que levou teóricos a criarem a expressão "lulismo", entre os quais, o sociólogo André Singer, ex-porta-voz do governo petista. O fenômeno mostra que o apoio dado por eleitores à gestão Lula migrou para o PT.

No texto As Bases do Petismo, de 2004, o brasilianista David Samuels, da Universidade de Minnesota, afirma que avaliações afetivas feitas pelos cidadãos estão relacionadas com o fato de serem ou não petistas. "Os cenários revelam que a opinião sobre Lula tem muito mais influência sobre o petismo de um brasileiro do que sua identificação como esquerdista ou não. O personalismo tem um impacto maior do que a ideologia em termos das bases do petismo", diz Samuels.

Fundado em 1980, o PT tinha a simpatia de 12% do eleitorado em 1988. Perdia para o PMDB, com 25%. "O PMDB canalizou para si o processo de democratização e de transição. Nos anos 90, tem a crise de imagem do governo Sarney, espelhada a partir do próprio PMDB, que não conseguiu se constituir mais como um partido nacional. Virou uma espécie de federação de partidos estaduais", afirma Teixeira.

Em março de 1994, no ano da segunda corrida presidencial de Lula, o PT passa o PMDB. Durante a era Lula, o partido enfrenta seu pior desempenho em fevereiro de 2006, na esteira das denúncias envolvendo o mensalão, quando 21% das pessoas afirmam ter simpatia pelo partido.

"Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz" : Nova ofensiva por crédito

Desde que alberguemos uma única vez o mal, este não volta a dar-se ao trabalho de pedir que lhe concedamos a nossa confiança.
Franz Kafka
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O fraco desempenho de economia em 2012 levou o governo a procurar o setor bancário para pedir mais ousadia na oferta de crédito no país. Na avaliação da equipe econômica, embora tenham feito reduções em suas taxas de juros ao longo do ano passado, os bancos foram muito conservadores na concessão de financiamentos tanto para pessoas físicas quanto para empresas e acabaram contribuindo para o baixo crescimento.

Por isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem conversado frequentemente com presidentes de bancos privados como Itaú e Bradesco. No plano para turbinar a atividade, Caixa e Banco do Brasil também já se preparam para novas reduções de taxas e ampliação de linhas de crédito.

A equipe econômica considera ainda que todo o movimento de corte de juros não foi feito e que tanto empresários quanto consumidores podem se beneficiar de uma nova rodada de redução das taxas.

O ministro defende que a inadimplência - um dos principais argumentos das instituições privadas para manter a postura conservadora no crédito - se estabilizou no país. Segundo dados do Banco Central (BC), esse indicador encerrou novembro em 5,84%, sendo que ele estava em 5,93% em outubro e 5,88% em setembro. No caso das pessoas jurídicas, o percentual está em 4,08%; e das pessoas físicas, em 7,8%. Mantega também tem pedido que instituições públicas, como Caixa e Banco do Brasil, continuem na estratégia de baixar taxas e ampliar o crédito.

Dilma se reúne com banqueiros

A presidente Dilma Rousseff também entrou diretamente na conversa. Tanto que recentemente recebeu o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, no Palácio do Planalto para uma longa conversa. Dias após o encontro, o Bradesco anunciou uma ampliação em 20% do volume total de recursos de crédito pré-aprovado para pessoas físicas, que passou de R$ 68 bilhões para R$ 81 bilhões. Dilma tem recebido outros banqueiros ultimamente.

O ministro da Fazenda também tem dito às instituições financeiras que se eles tivessem sido mais generosas na oferta de crédito, especialmente para financiar os investimentos do setor privado em infraestrutura, o desempenho da economia poderia ter sido melhor no ano passado.

A previsão inicial do governo para 2012 era que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) poderia crescer 4,5%, mas a taxa chegará a 1% na melhor das hipóteses. Dados do Banco Central mostram que o crédito para a indústria ficou praticamente estável em 2012, começando o ano em 9,9% do PIB e terminando pouco acima de 10%.

Mantega também tem dito aos executivos que os balanços dos bancos públicos vão mostrar bons resultados, mesmo com a redução feita no spread (diferença entre a taxa que o banco paga para captar o dinheiro e a que cobra para emprestá-lo ao consumidor), graças ao aumento de participação dessas instituições no mercado brasileiro.

Além de contar com o aumento do crédito, o governo já age em outras frentes para fazer a economia deslanchar. Nos planos está a ampliação da desoneração da folha de pagamentos para todos os setores da economia.

Para garantir que os gastos públicos em investimentos aumentem sem riscos para o equilíbrio fiscal, a equipe econômica já discute fazer alterações na meta de superávit primário, fixada em 3,1% do PIB. Entre as alternativas, está reduzir oficialmente a meta para um percentual próximo a 2% ou ampliar o volume de gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que o governo pode abater do superávit primário.

Martha Beck O Globo 

janeiro 20, 2013

Os sete pecados da Capital, Coluna Carlos Brickmann

Os pecados capitais são sete, mas tratemos do primeiro: 
a Gula. 

A gula com que meteram a mão no dinheiro público, conforme demonstrado pelo Supremo Tribunal Federal.E a maneira de reduzir o incômodo na parte do corpo que mais doi entre os condenados do Mensalão:
o bolso. 

Pois não é que a primeira iniciativa em favor dos mensaleiros foi apelar à gula dos aliados para arrecadar mais algum, que ajudasse os coitadinhos a pagar a multa a que foram condenados?

Não deu certo:
só os integrantes do núcleo político do Mensalão, João Paulo Cunha, José Genoíno e José Dirceu, foram condenados a multas de R$ 1,5 milhão (fora as penas de prisão).

No banquete de arrecadação de fundos, cada participante pagou entre R$ 100 e R$ 1.000; deste valor, devem deduzir-se R$ 46, cobrados pelo restaurante. Como havia 170 convites, a arrecadação máxima possível seria de menos de R$ 110 mil - isso se não houve também dedução da taxa de serviço para remunerar os companheiros garçons. Falta dinheiro.

E ninguém pensou ainda no condenado às maiores multas, o companheiro Marcos Valério! Mas, cá entre nós, houve um erro sério:
o tempo dos franguinhos passou, é da época de luta sindical.

Hoje, para entusiasmar os companheiros, é preciso caprichar, trocar a cerveja por bons vinhos, colocar um cardápio de pescados da Capital que atraia os convidados e seus gurus políticos. Truta sempre faz sucesso.

Quase todos ali gostam de robalo. 
E um prato mais chique, da cozinha francesa:
escargot, por exemplo.
Escargot na entrada, escargot na saída.
A ordem dos fatores É Brasil, é Brasília.
Primeiro eles comem, depois eles jantam

Perguntas sem resposta

1 - Por que senadores e deputados (estaduais e federais) precisam de um carro à disposição, mais motoristas, com gasolina e manutenção por nossa conta?

2 - Imaginando que precisassem, por que a concorrência foi especificada de tal maneira que só dois modelos de automóveis podem concorrer?

3 - Por que magistrados precisam de carro oficial? Nos Estados Unidos, só o presidente da Suprema Corte tem direito a carro oficial.

4 - O prefeito de Atibaia, bela cidade de 130 mil habitantes perto de São Paulo, deve precisar de carro oficial, pois tem de viajar muito à Capital. Mas precisa de um Ford Edge importado do Canadá, de mais de R$ 130 mil? Da mesma marca, um Ford EcoSport, que custa a metade, não resolveria o problema?

5 - Pouca coisa? Some o número de parlamentares, magistrados, prefeitos, multiplique pelo preço dos carros, mais motoristas, mais despesas. É por essas e outras que o dinheiro para atividades essenciais acaba ficando curtinho.

Me dá um dinheiro aí

Vereadores e prefeitos andaram promovendo fartos aumentos de salários nessas últimas semanas, pouco se importando com o atendimento das necessidades da população (as cidades serranas do Rio, por exemplo, continuam em ruínas desde as chuvas do ano passado, mas Suas Excelências tiveram bons aumentos).
Até aí, neste país, tudo normal.

Mas o prefeito de Nova Iguaçu, RJ, o peemedebista Nelson Bornier, tripudia sobre o cidadão. Seu reajuste foi de 102,1% (algo que o caro leitor dificilmente terá obtido), e ainda disse que este tsunâmico aumento "é digno".

Completando:
"É mais do que justo para quem quer fazer trabalho sério e honesto, principalmente no momento em que há gente que vive de corrupção". Ou seja, o corrupto só é corrupto porque ganha pouco. Marcos Valério, pobre moço, se ganhasse melhor não estaria entre os mensaleiros.

O livrinho, ora o livrinho

Quando foi presidente da República, o marechal Eurico Dutra, para ajudar a apagar seu papel de homem-forte da ditadura, fazia questão de obedecer rigorosamente à Constituição, à qual chamava de "livrinho".

Quando lhe sugeriam alguma medida, a primeira pergunta que fazia era sobre o que dizia o livrinho. O livrinho, a nossa Constituição, proíbe a censura prévia.

O juiz de Macaé, Estado do Rio, determinou que "obras eróticas" - como, por exemplo, 50 tons de cinza - sejam apreendidas, e só vendidas em embalagem lacrada. Ler trechos na livraria, nem pensar.

Folhear o livro para decidir a compra, não:
o juiz não deixa.

Mas o juiz não se manifestou sobre outro livro não apenas erótico, como também de extrema violência e que viola todos os conceitos de vida em sociedade. Trata de um rei, casado, que se apaixona pela esposa de um de seus maiores amigos, um dos seus generais mais próximos.

Numa guerra, aproveitando a ausência do general, seduz e engravida sua esposa. Para evitar problemas, envia o marido para uma batalha impossível, onde certamente será morto. Seu filho com a adúltera herdará o trono; e terá 700 mulheres. 

Nome do livro? A Bíblia.

Militar na Defesa

Com a viagem do ministro da Defesa, Celso Amorim, ao Uruguai, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ocupou o Ministério por dois dias.

O que está passando despercebido dos meios de comunicação é que, desde a criação do Ministério da Defesa, no Governo Fernando Henrique, o brigadeiro Saito, profissional sério, competente e respeitado, é o primeiro militar a ocupá-lo.


carlos@brickmann.com.br

E NO BRASIL DECENTE ... O CACHACEIRO PATIFE, PROMÍSCUO, PARLAPATÃO ASQUEROSO : é eleito a personalidade mais corrupta de 2012


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou 2013 vencendo mais uma eleição. Entre as personalidades mais corruptas de 2012, Lula ganhou com 65,69% dos 14.547 votos válidos o Troféu Algemas de Ouro. 
Em segundo lugar, com 21,82%, ficou o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) seguido pelo governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), com 4,55%. 
Ironicamente, a segunda edição da premiação organizada pelo Movimento 31 de Julho foi marcada pela fraude. Os organizadores detectaram a utilização de um programa de votação automática que criou perfis falsos no Facebook, que direcionou 38% do total de votos (23.557) para candidatos ligados ao PSDB e ao DEM.

A premiação, que aconteceu na tarde deste domingo no Leblon, Zona Sul do Rio, foi marcada pela descontração. Em clima de carnaval, com máscaras representando os candidatos que disputaram o Algemas de Ouro 2012, os manifestantes elogiaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do julgamento do mensalão e lembraram os feitos históricos de cada concorrente.
 Além de Lula, Demóstenes e Cabral, estavam no pleito o senador 
Jader Barbalho (PMDB-PA); 
os deputados federais Eduardo Azeredo (PSDB-MG) 
e Paulo Maluf (PP-SP); 
o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
 Fernando Pimentel, 
e sua ex-companheira de Esplanada, Erenice Guerra; 
o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido); 
e o empresário Fernando Cavendish.

Depois de eleger poste, o ex-presidente Lula mostra que ainda tem fôlego para ganhar mais eleições daqui para frente. Foram três candidatos que fizeram jus à premiação. Todos eles se destacaram nas páginas do jornal, mas o ex-presidente se sobressaiu. No ano passado, ele foi responsável por um dos momentos mais lamentáveis da história brasileira ao tentar chantagear um ministro do Supremo. 
Acho que por sua atuação em 2012, e nem quero lembrar de Valérios e Rosemarys, ele mereceu esse troféu e o cheque simbólico de R$ 153 milhões afirmou Marcelo Medeiros, coordenador do Movimento 31 de Julho.

No último dia 9, os organizadores comunicaram à imprensa e à rede social Facebook plataforma utilizada para computar os votos a tentativa de fraude. A denúncia partiu dos próprios eleitores da enquete que perceberam que parte das escolhas foram feitas por perfis falsos, recém-criados no ambiente virtual.

Não é militância. Se fossem militantes, era válido. O que detectamos foi uma organização criada para fraudar a disputa. Coincidentemente, os votos sempre eram para candidatos da oposição do governo petista e Cabral explicou Medeiros, que prometeu mudanças na plataforma de computação dos votos na próxima eleição.
O Globo

! DENTRO DO brasil marvilha DOS "falsários" UM BRASIL REAL : 50 milhões de pessoas... OS BRASILEIROS QUE O BRASIL ESQUECEU - NEM ENDEREÇO ELES TÊM NO PAÍS DO ATRASO


Como vive a parte do nosso povo que está no lado cruel das estatísticas, que sequer possui a certidão de nascimento? 

O Correio foi atrás e constatou: 
a situação é pior do que se imaginava. Apesar de o país ter avançado na economia e na distribuição de renda, pelo menos 50 milhões de pessoas não têm endereço formal, acesso à justiça, a agências bancárias ou mesmo a carteira de trabalho.

49,3% dos brasileiros que hoje têm mais de 25 anos de idade não completaram sequer o ensino básico
3,3 milhões de pessoas moram em casas sem energia elétrica e, portanto, nem mesmo vêem tv
31,1% das residências urbanas estão em ruas sem asfalto. Outra boa parte delas está em vias sem nome
50,8% dos domicílios não têm acesso à água limpa (tratada e encanada) e a redes subterrâneas de esgoto
Apesar do avanço econômico do país, milhões de brasileiros vivem sem acesso a direitos básicos, como endereço e certidão de nascimento 

O futuro ainda não chegou para o agricultor Tico Gomes da Silva. Desde criança, acalenta o sonho de ter um registro que possa comprovar a sua existência. Ele estima que hoje tenha “uns 70 anos”, mas não há nada de concreto que possa confirmar quando nasceu. Seu Tico, que vive no povoado de Palmital, no município mineiro de Lontra, não tem nenhum documento, nem certidão de nascimento. 

Oficialmente, não existe como cidadão. 
A realidade do agricultor é mais comum do que muitos imaginam. Nas periferias das grandes cidades e nos rincões mais distantes, milhões de brasileiros fazem parte de um país que ninguém vê – ou finge não ver.

Os números desse Brasil que insiste em manter os dois pés no atraso são alarmantes. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), referentes ao Censo 2010, mostram que 54,7 milhões de pessoas (a soma dos habitantes de Espanha e Portugal) não têm endereço e 3,3 milhões nunca tiveram acesso à energia elétrica. Mais da metade da população não sabe o que é esgoto e água encanada. Pelo menos 30% dos domicílios estão em ruas sem asfalto e 2,1 mil cidades não têm sequer uma agência bancária. 

Mas não é só. 
A série que o Correio começa a publicar hoje revela que boa parte dos cidadãos não tem acesso à Justiça, não sabe o que é carteira de trabalho assinada, ainda anda dezenas de quilômetros a pé por falta de transporte, não estuda ou estudou e a saúde depende apenas das ervas que a natureza oferece.
Não há dúvidas de que o país avançou nos últimos 20 anos. 
O processo de desconcentração de renda que se viu nesse período, por causa do controle da inflação, vem sendo exaltado mundo afora e a nova classe média, um contingente de 40 milhões de pessoas, é disputada por políticos para saber quem deu mais a ela. Mas para os que ainda continuam excluídos é inconcebível não ter o direito de saber quem é ou mora em ruas sem nome, sem número. 

Essa ausência de endereço impossibilita receber e pagar imposto e contas, ter acesso a benefícios sociais, desfrutar da cidadania. São pessoas que só ouvem falar desse Brasil que ganhou respeito internacional, mas que veem o próprio país como se fosse uma terra estrangeira e distante a ser conquistada.

Que o diga Geni, Rodrigues dos Santos, 31 anos, moradora do povoado de Santa Maria, localizado no município de Flores de Goiás. Com cinco filhos para criar e muita dificuldade até para botar comida dentro de casa, ela é taxativa:
 
 “Infelizmente, estamos condenados à própria sorte. Falam tanto que o Brasil melhorou, que há uma classe média podendo comprar tudo o que quer e precisa, mas não sei o que é isso. Nem televisão eu tenho”, diz. 

Para Maria de Fátima Alves, 53, que vive em um assentamento de sem-terras em Simolândia, Goiás, é impossível falar em melhora das condições de vida se, para não morrer à míngua, é preciso sempre estar pedindo por socorro a alguém que está por perto, seja para comer, seja para tratar uma doença séria.

A situação desses esquecidos só não é pior porque muitos deles estão agarrados em paliativos, como o programa Bolsa Família. Para um país que chegou ao posto de sexta economia e se gaba de conviver com o quase pleno emprego, essa dependência para a sobrevivência é preocupante. 

“O melhor processo de inclusão social se dá por meio do controle da inflação e do crescimento sustentado, ao longo de anos”, diz José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos. O Brasil, acrescenta ele, é um país em construção. Nas duas últimas décadas, por meio de reformas econômicas e políticas, corrigiu-se uma série de desarranjos que ainda vão custar caro a muitas gerações.

Enterrados no passado

A evolução mais rápida do país dependerá da velocidade de reformas estruturais que o governo insiste em relegar ao descaso, como a tributária e a trabalhista, e de obras de infraestrutura que deem maior competitividade à economia. Para os que clamam por urgência, que se sentem injustiçados por ainda não estarem provando uma fatia do bolo da riqueza que, enfim, está sendo distribuído, promessas já não bastam. 

“O Brasil tem uma disparidade muito grande entre os municípios, o que pune parcela importante da população”, observa o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), Rafael Guerreiro Osório.
Essa população enterrada no passado, alerta Osório, precisa ser reposicionada socialmente para que o Brasil possa sonhar em ser uma nação mais justa. “Temos uma grande dívida social, já pagamos uma parte dela, mas é preciso mais. As pessoas têm pressa”, avisa. A professora Clara Ferreira (nome fictício, pois ela teme represálias), 42 anos, sabe muito bem disso. 

Funcionária de uma escola no povoado de Santa Maria, em Flores de Goiás, não esconde a angústia diante da falta de estrutura para educar aqueles que vão tocar esse país mais à frente.
“Aqui, tudo é improvisado, inclusive as salas de aula. A gente trabalha da forma que dá”, explica a professora do ensino médio. A escola a que ela se refere funciona no Centro Comunitário de Santa Maria. Ele foi cedido pelos moradores ao Estado, porque não havia um prédio para abrigar os estudantes. Em um espaço de pouco mais de 60 metros, três turmas estão separadas por divisórias de plástico de dois metros de altura e um centímetro de espessura. 

O galpão tem teto de zinco e, nos dias quentes, torna-se insuportável a permanência dentro dele. “O problema é que, nos períodos de chuva, também as aulas são suspensas, pois é impossível ouvir qualquer coisa com o barulho da água batendo no telhado”, explica a professora.
Não é só. 
Parte dos professores que trabalham na escola de Santa Maria não tem formação adequada e a preparação das aulas é precária. “Por isso, é muito comum os alunos desistirem do estudo. É difícil aprender nessas condições”, diz Clara. 

“Enquanto isso não mudar, infelizmente, vamos ter esse Brasil do atraso, condenando milhões de pessoas à pobreza, ao analfabetismo, ao subemprego, implorando pela ajuda do Estado. Não é esse o país que queremos para nós e nossos filhos”, sentencia.

Destino é a violência


A maior parcela dos brasileiros que ainda não usufruíram dos avanços conquistados pelo Brasil nos últimos 20 anos tem um problema crônico:
ou são analfabetos ou estudaram muito pouco. Os dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que quase a metade da população do país (49,3%) com mais de 25 anos não completou sequer o ensino fundamental. 

Ou seja, pessoas que poderiam tirar proveito do bom momento do mercado de trabalho, ampliando a renda, acabam empurradas para o subemprego e mesmo para a marginalidade, porque não têm preparo para exercer funções básicas.
“Não há como falarmos em um país menos desigual sem um bom sistema de educação. Esse é o ponto de partida para uma nação que busca dar o melhor a seus cidadãos”, diz Marcos Troyjo, professor de economia da Universidade Columbia, em Nova York. 

Mais do que minar a competitividade da economia e limitar o crescimento do país, a falta de educação estimula a violência. Não à toa, o Brasil está no topo das estatísticas mundiais quando o assunto é homicídio.

Geni Rodrigues Santos, 31 anos, teme pelo futuro de seus cinco filhos. “Não temos dinheiro para nada. Vivo me perguntando o que meus filhos pensam disso e o que pensam sobre o que serão quando crescer”, lamenta.

VICENTE NUNES, VICTOR MARTINS, LUIZ RIBEIRO e DECO BANCILLON
Correio Braziliense

janeiro 17, 2013

SEM MARQUETINGUE ! RUINDO A FALSA REPUTAÇÃO. DEPOIS DO "JEITINHO" DO BUFÃO, NO FINANCIAL TIMES AGORA É A VEZ DOS "NÚMEROS ERRADOS" DA REVISTA THE ECONOMIST : ‘The Economist’ critica ‘contabilidade criativa’ do Brasil


A admiração da opinião pública internacional pela economia brasileira parece cada vez menor. Na edição que chega nesta quinta-feira às bancas na Europa, a revista The Economist (www.economist.com) lança mais uma série de duras críticas ao governo de Dilma Rousseff.  

Ao questionar os recentes artifícios usados pela equipe econômica nas contas públicas, a revista diz que "a mudança na meta (de superávit primário) seria uma alternativa melhor do que recorrer à contabilidade criativa".
Com o título Números errados, a reportagem da revista diz que os dados econômicos "decepcionantes" não param de ser divulgados no Brasil. Depois do fraco Produto Interno Bruto (PIB) apresentado em novembro, o governo de Dilma Rousseff agora "admite que só atingiu a meta de superávit primário" após "omitir algumas despesas em infraestrutura", "antecipar dividendos de estatais" e "atacar o fundo soberano".

Além disso, a revista diz que outra má notícia veio com a inflação que, agora, traz ainda mais "escuridão" ao cenário. Para a Economist, se o governo não tivesse segurado os preços da gasolina e do transporte público, a inflação de 2012 teria chegado "mais perto de 6,5%", o teto da meta do regime de inflação no Brasil. "Em 2013, esses preços tendem a subir", diz a reportagem.

Para a revista, a resposta do governo brasileiro ao cenário negativo alimenta temores de que o Brasil pode estar ingressando em um período de inflação mais alta com crescimento baixo. "Atingida pela crítica, Dilma Rousseff ressalta que o Brasil ainda cresce mais rápido que a Europa. Isso é verdade, mas a maioria das outras economias emergentes, incluindo a América Latina, está melhor", pondera a publicação.

A manobra nas contas públicas desaponta, diz a revista, mas não chega a ser uma surpresa. A reportagem lembra que a equipe econômica já usou expediente semelhante em 2010 em uma "complicada troca de títulos entre o Tesouro Nacional e a Petrobrás" que "magicamente adicionou 0,9% do PIB ao superávit". "Provavelmente, o Brasil poderia executar um superávit primário menor sem arriscar sua reputação duramente conquistada com a sobriedade fiscal. Mudar a meta seria uma maneira melhor de fazer isso do que recorrer à contabilidade criativa".

A revista demonstra, ainda, preocupação com um possível enfraquecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O risco, diz o texto, é que com uma eleição presidencial em 2014 "as autoridades farão o que for preciso para atender sua previsão de crescimento de 4% este ano".

Gasolina no fogo

Depois de muito postergar, o governo passou a admitir que reajustará o preço dos combustíveis nos próximos dias. A medida, correta, chegará com largo atraso, como parte dos "jeitinhos" dos quais Brasília tem lançado mão para evitar que sua política econômica desmorone de vez.

Os preços da gasolina e do diesel vêm sendo manipulados há anos para evitar altas maiores na inflação - sem muito sucesso, diga-se de passagem. Estima-se que a defasagem em relação aos preços internacionais seja atualmente de 16% no caso da primeira e de 23% no do segundo, conforme
estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Isso causa um tremendo rombo nas contas da Petrobras e compromete o plano de investimentos da companhia (de US$ 236 bilhões até 2016), com consequências daninhas, por exemplo, para a expansão da oferta de derivados no mercado nacional. Hoje, a estatal paga pelo combustível que é obrigada a importar para suprir a demanda interna mais do que cobra dos consumidores finais.

O reajuste previsto até agora cobrirá apenas parte da diferença. Especula-se que o aumento ficará em torno de 7%, percentual que autoridades do Ministério da Fazenda consideram "plausível". A justificativa é que, se a elevação for maior que esta, a inflação poderia sair do controle. Equivale a dizer que, se soprar, a casa cai.

O "jeitinho" custa caro à Petrobras, mas cobra preço ainda maior na forma da total desorganização que causou ao setor de combustíveis no país. Hoje, o Brasil tornou-se dependente de importação não apenas de gasolina, mas também de etanol, do qual até pouco tempo atrás era tido como produtor imbatível.

Em 2012, os gastos com importação de gasolina cresceram 82% na comparação com o ano anterior e o volume de etanol comprado lá fora cresceu 57%. Foram adquiridos 3,78 bilhões de litros de gasolina, que fizeram o país torrar US$ 2,9 bilhões, e 3,1 bilhões de litros de etanol, informou a
Folha de S.Paulo na terça-feira.

O setor de combustíveis serve para ilustrar a ingerência excessiva do governo na atividade econômica e os desequilíbrios que daí advêm. A manipulação dos preços acabou gerando uma inflação reprimida que, agora, a gestão petista busca contornar por meio de malabarismos de toda sorte, que o
Financial Times ironizou como "jeitinho monetário".

Neste ambiente, o governo federal agora tem de apelar a estados e municípios - como no caso da postergação dos reajustes das passagens de ônibus em São Paulo e no Rio - para que as práticas capengas de Brasília não descambem. Mais uma vez, as finanças subnacionais são chamadas a pagar a conta dos desequilíbrios cometidos pelo poder central.


"Os truques, adiamentos, defasagens e subsídios criam uma inflação reprimida. Como sabemos, não adianta esconder, negar, varrer para debaixo do tapete porque a inflação sempre aparece. 
(...) 
Como aprendemos dolorosamente, em economia não dá para apenas quebrar o termômetro", escreve Miriam Leitão n'O Globo.

Vai ficando claro que as autoridades do governo Dilma Rousseff já não dispõem de instrumentos eficazes de gestão da economia e, mais especialmente, de controle da inflação. O histórico de improvisos cobra agora seu preço. Ter agido assim ao longo de tantos anos, a despeito dos muitos alertas em contrário, equivaleu a atiçar gasolina no fogo.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela 
Gasolina no fogo

Militares põem em livro versão sobre repressão. UM LIVRO HISTÓRICO FUNDAMENTAL. ORVIL TENTATIVAS DE TOMADA DO PODER


Vendido em apenas quatro li­vrarias, mas lançado em clu­bes e círculos militares de 14 cidades, Orvil - Tentativas de Tomada do Poder, versão de oficiais do Centro de Informa­ções do Exército (CIE) sobre a repressão, volta às prateleiras até o fim do mês com uma tira­gem de mais dois mil exempla­res. 

As três primeiras remes­sas, de mil exemplares cada uma, esgotaram-se em três me­ses.
 O livro é assinado pelo te­nente-coronel reformado Lício Augusto Maciel e pelo te­nente reformado José Conegundes Nascimento, que tra­balharam sob a coordenação do general Agnaldo Del Nero Augusto, morto em 2009. Ou­tros oficiais que participaram do projeto não quiseram que seus nomes aparecessem.

Disponível pela internet no si­te da mulher do coronel reforma­do Carlos Alberto Ustra, que che­fiou o DOI- Codi (órgão de infor­mação e repressão do Exército, em São Paulo) e assina a apresen­tação, o texto original do Projeto Orvil ficou pronto em 1987, mas o então ministro do Exército, gene­ral Leônidas Pires Gonçalves, que havia autorizado o levanta­mento, não permitiu que fosse pu­blicado. 
A iniciativa do CIE pre­tendia ser uma resposta ao livro Brasil: 
Nunca Mais, de denúncias de prisões, torturas e assassina­tos durante o regime militar, es­crito poruma equipe ligada ao car­deal d. Paulo Evaristo Arns.

A publicação de Orvil (Editora Schoba, R$ 72,90), segundo o ge­neral reformado Geraldo Luiz Nery da Silva, autor do prefácio, é uma reação à criação da Comis­são Nacional da Verdade.
 "Rele­va enfatizar neste prólogo", escre­ve o general, " que os revanchistas da esquerda que estão no po­der - não satisfeitos com as gra­ves restrições de recursos impos­tas às Forças Armadas e com o tratamento discriminatório da­dos aos militares sob todos os aspectos, especialmente o financei­ro - tiveram a petulância de criar, com o conluio de um inexpressi­vo Congresso, o que ousaram cha­mar de comissão da verdade".

Volume de 924 páginas, Orvil - livro, escrito ao contrário - desta­ca o golpe - ou contrarrevolução de 1964, como preferem seus auto­res - que derrubou o presidente João Goulart e a ação de organiza­ções clandestinas que no período de 1966 a 1975 combateram o regi­me militar pela luta armada. 
A primeira parte trata da Intentona Co­munista de 1935 e a quarta parte analisa a opção da esquerda por uma nova estratégia- a"doutrinação" pelos meios de comunica­ção, instituições de ensino, sindi­catos e movimentos populares so­bre a necessidade da revolução.

Dilma. 
A presidente Dilma Rousseff é citada três vezes e o ex-presi­dente Femando Henrique Cardo­so uma vez, no índice onomástico de mais de 800 nomes de militan­tes e teóricos do marxismo que se envolveram direta ou indireta­mente na luta armada. 
Dilma Vana Rousseff Linhares aparece co­mo membro do setor de logística do Colina (Comando de Liberta­ção Nacional), depois na VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), sempre em notas de rodapé. O livro informa que a ex-presidente foi presa.

"No Centro Brasileiro de Pes­quisas foram contatados Fernan­do Henrique Cardoso, José Artur Gianotti e outros elementos, em busca de inspiração", registram os autores, ao relatar a ação de Piragibe Castro Alves que viajou de Paris para São Paulo em busca de apoio para o Movimento Popu­lar de Libertação.

O livro descreve a agitação estu­dantil de 1968, citando o nome de José Dirceu de Oliveira e Silva, em rodapé, ao falar do congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna (SP). O deputado José Genoino é mencionado no episó­dio da guerrilha do Araguaia.

Outros episódios destacados são a deserção, luta e morte do ca-pitão Carlos Lamarca, a ação de Carlos Marighella e o caso Vladimir Herzog, sempre na versão ofi­cial divulgada na época. Lamarca teria morrido num tiroteio no in­terior da Bahia, Marighella teria levado um tiro ao resistir a agen­tes de segurança na Alameda Ca­sa Branca, em São Paulo, e Herzog se teria suicidado numa cela do DOI-Codi.

Os autores atribuem à censu­ra dos meios de comunicação "a falta de conhecimento e de con­vicção que predisporiam a po­pulação a aceitar como verdade os fatos que lhe fossem oferecidos de forma racional ou emo­cional". Daí, segundo os mílitares, as repercuísões negativas do Ato Institucional n.°5 (AI-5) e a apresentação do regime como "brutal ditadura militar latino-americana".



José Maria Mayrink O Estado de S. Paulo

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Há longo tempo inserido na Grande Rede, para livre consulta, cópia e
download, o ORVIL não teve a repercussão nem a difusão desejadas pelos
autores da louvável iniciativa (portal www.averdadesufocada.com.br).

O exemplar inicialmente disponibilizado na Internet apresenta-se
digitalizado em pdf/imagem, com páginas contendo muitos carimbos,
fotografias bastante deterioradas e texto dito justificado, de
incômoda leitura e de conversão complexa para ser editado.

Foi decidido, então, pelos Organizadores, mediante entendimento com os
seus remanescentes legítimos participantes da obra – Comissão do CIE
–, elaborar esta Edição Comemorativa do 48º Aniversário da

Contrarrevolução de 31 de Março de 1964.

Os exaustivos trabalhos de compilação para recuperação do extenso
texto, das possíveis imagens, eliminação de carimbos, conversão e
digitação, bem como das tarefas de diagramação e das revisões,
estenderam-se por mais de um ano e meio, até a fase de apresentação à

Editora para publicação.

O texto do ORVIL foi fielmente mantido, atualizado de acordo com a
nova ortografia, sendo algumas fotografias substituídas por outras mais nítidas.
O livro ficou com 920 páginas, capa dura, formato 16,3×23, e contém,
além do índice remissivo, extenso índice onomástico e os seguintes
acréscimos:
Apresentação:

 Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Prefácio: 

General Geraldo Luiz Nery da Silva.
Breve Necrológio do General Del Nero 

(Coordenador e um dos escritores da Obra): 
General Valmir Fonseca Azevedo Pereira.
Palavras de um Amigo de Infância do General Del Nero: 

Deputado Nelson Marquezelli.
Epílogo: 

Brigadeiro Ivan Frota.
Contracapa: 

General Aricildes de Moraes Motta.
Organizadores:

 Tenente-Coronel Licio Maciel 
e Tenente José Conegundes do Nascimento.

Preço de Capa: R$ 72,00


Editora: Schoba



Clique : Como comprar 

Dupla distorção


Tem pessoas assim:
dizem uma coisa, fazem outra. Mentirosas - é a interpretação que ocorre imediatamente. E, se solicitados exemplos, quase todo mundo dirá:
governantes,
políticos,
deputados e senadores em especial etc.

Mas isso é senso comum.
Podemos complicar a história.
E quando as pessoas acreditam mesmo que fazem o que dizem, embora haja notória diferença entre discurso e atos?

Por exemplo:
a pessoa jura que está fazendo regime, mas só engorda.
A tendência imediata é desqualificá-la:
quem pensa que está enganando?

Pois pode acontecer diferente:
a pessoa acredita genuinamente que faz regime e que só não emagrece por algum outro fator, criado na sua imaginação:
"Dieta não funciona comigo."

Esse tipo de pessoa vê o mundo através de suas ideias exclusivas ou suas fobias. Ressalva:
sim, todos vemos o mundo através de nossa subjetividade, mas é preciso admitir que conseguimos perceber (ou construir, vá lá) alguma objetividade.
Dito de outro modo:
temos nossos desentendimentos e mal-entendidos - e disso, por exemplo, se alimenta a literatura -, mas vemos, vivemos e transitamos numa mesma realidade fundamental.

Considerem, por outro lado, um caso patológico clássico:
a menina de 1,70 metro, 40 quilos, olha-se no espelho e vê uma gorda.
Ela não está mentindo. Sofre de distorção da imagem corporal.
É o extremo, mas muita gente normal tem dificuldade na adequada visão e interpretação dos fatos.

Será que o pessoal da equipe econômica do governo Dilma sofre de coisas parecidas? Claro, não estamos chamando ninguém de louco, mas tem havido muitos episódios de distorção de imagem.

Caso do superávit primário, por exemplo.
Todo mundo sabe de que se trata:
o resultado das receitas do governo menos as despesas não financeiras.
Em termos mais comuns:
"A economia que o governo faz para pagar juros da dívida."

Claro, há divergências razoáveis na realização da conta. Receitas e despesas podem ser classificadas de diferentes maneiras, isso logicamente alterando o resultado final.

Mas as operações feitas pelo governo Dilma para alcançar a meta do superávit do ano passado são tão distorcidas que mesmo aliados próximos ficaram envergonhados. E não esconderam isso.

Eis o quadro, portanto:
o governo diz que alcançou uma determinada meta de superávit, mas todo mundo sério sabe que não é verdade. O número real saiu menor.

Mais complicado ainda: todos os aliados e muitos não aliados, inclusive de instituições internacionais, observavam já há tempos que o governo tinha bons motivos para reduzir a meta daquele superávit. Diziam:
gastando menos com juros, já que as taxas caíram, a economia necessária para reduzir a dívida pública é menor.

Logo, pode não ser, mas parece coisa de louco:
o governo Dilma poderia ter aplicado uma redução do tal primário - ou "adequação", se o marqueteiro fizesse questão - que a coisa passaria. Em vez disso, rouba nas contas para anunciar um resultado que todos sabem ser falso.
O governo mentiu por nada, disse um aliado.

Questões:
será que a presidente e seu pessoal acreditam mesmo nas suas contas?
Ou acharam que ninguém perceberia a fraude?
Ou acharam que as pessoas poderiam perceber, mas e daí?

Acontece a mesma coisa com a taxa de câmbio. Em um determinado momento do ano passado, ficou óbvio: toda vez que a cotação do dólar ameaçava passar dos R$ 2,10, o governo vendia moeda americana e derrubava a taxa; toda vez que a taxa, inversamente, ameaçava cair abaixo de R$ 2,00, o governo comprava dólar e puxava cotação para cima.

Com ficou assim por um bom tempo, estava na cara:
acabou o regime de câmbio flutuante, temos uma banda de variação cambial.

Negativo, responderam os representantes do governo, o dólar flutua como antes. Já escolados, operadores e analistas simplesmente deixaram pra lá. OK, diziam, não tem banda, mas, se você não quer perder dinheiro, aja como se tivesse.
Lá pelas tantas, porém, final do ano passado, a presidente Dilma disse que seu governo queria um real mais desvalorizado. O ministro Mantega chegou a sugerir cotação perto dos R$ 2,40.

 Como, de fato, o dólar se aproximava dos R$ 2,10 e o governo parecia quieto, o pessoal concluiu:
vai furar o teto da banda ou a banda vai para um patamar acima.
Nesse momento, o BC entra vendendo dólar e a cotação volta a cair.

Questões:
o governo acredita mesmo que não tem a banda cambial? Ou simplesmente acha que é melhor ter e dizer que não tem? Ou existe um teto, de fato, de R$ 2,10, mas o governo preferia que não tivesse?

A presidente Dilma e seus assessores foram historicamente contra o famoso tripé da era FHC, superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação. Pelos atos atuais, estão desarmando o tripé. No discurso, porém, juram que são fiéis praticantes do sistema.

Resulta em dupla distorção:
da política real e das ideias. 

Carlos Alberto Sardenberg O Globo 

Copom mantém a taxa básica de juros em 7,25% ao ano


Após ser criticado por manter os juros básicos no menor patamar da história, apesar do aumento da inflação, o Banco Central (BC) reafirmou nesta quarta-feira sua estratégia. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 7,25% ao ano. O colegiado admitiu que houve uma piora no balanço de riscos para a alta de preços a curto prazo, que a recuperação da economia está mais lenta que o esperado e que o ambiente internacional é incerto. 

Dado esse quadro, o Copom garantiu que a estabilidade dos juros por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para controlar a inflação. Por outro lado, sumiu da nota do Banco Central a informação de que a inflação convergiria para seu objetivo de forma não linear, o que motivou ataques dos economistas. Para janeiro, os analistas do mercado já preveem que a inflação vá ficar em 0,78%.

Para o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, o que o BC quis dizer é que alterar a taxa de juros, agora, não seria garantia de queda da inflação no futuro:

O BC quis dizer que está atento, mas não há muito o que fazer agora, porque todo o trabalho sujo que seria feito pelos juros para desacelerar a economia já está em curso.

No ano passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de metas do governo, ficou em 5,84%. Fechou 2012 acima do objetivo central do governo de 4,5%, mas ainda dentro da margem de tolerância de dois pontos percentuais. Como a previsão do próprio BC é de uma inflação de 4,8% e a do mercado é de 5,53%, os críticos batem na tecla de que a instituição abandonou o alvo central da meta.

É uma política do governo, e não do BC, manter a Selic o mais baixo possível durante o maior tempo possível disse o economista da MB Associados Sérgio Vale. Quando a inflação começar a se aproximar de 6,5%, o que deve ocorrer mais para o fim do ano, ai, sim, o BC começará a pensar nisso.

Para o ex-secretário do Tesouro Nacional Carlos Kawall, a inflação está muito elevada para o nível baixo de crescimento atual. Os preços sobem porque o mercado de trabalho está aquecido. Ele disse que, se a economia estivesse se expandindo a um ritmo de 3% ao ano, a política de juros seria de alta da taxa básica. Mas, agora, o BC tenta calibrar as decisões para não afetar a atividade econômica:

É uma tolerância para não sacrificar a economia disse Kawall.

Após a decisão, a expectativa se volta para o teor da ata do Copom, que será publicada na semana que vem. Os analistas têm dúvidas de como temas como aumento da gasolina e política fiscal serão tratados. Para o economista do Santander Ricardo Denadai, isso será importante, sobretudo, para entender melhor como será a estratégia do BC neste cenário complexo:

Temos um balanço de recuperação lenta da atividade e inflação alta. E o BC vai insistir nessa política?

Abandono do centro da meta de inflação

Para especialistas, o BC sinalizou, com a manutenção da Selic em 7,25%, que não mira mais o centro da meta de inflação, e que toleraria uma alta dos preços maior para não prejudicar o crescimento da economia. Economistas lembram, no entanto, que os juros baixos não têm surtido o efeito desejado no crescimento da economia, assim como o câmbio depreciado e incentivos fiscais pontuais à indústria.

Eles criticam o que consideram ser uma avaliação equivocada do governo sobre o crescimento: o que falta não é demanda por consumo, mas investimento e produtividade.

Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, a falta de comprometimento em levar a inflação para o centro da meta eleva o risco de o BC perder a mão, e o IPCA ficar mais perto do teto da meta de inflação no ano que vem:

O governo acreditava que manter juros baixos e câmbio depreciado bastaria para o crescimento. Hoje não há espaço para cair mais os juros e depreciar o câmbio, justamente por causa da inflação. E não há espaço para mudar a politica econômica. Estamos engessados em 2013.

Quinto juro real mais alto do mundo

Para o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, ao manter os juros, a autoridade monetária abandona o sistema de metas de inflação:

Não há mais mecanismo para controlar inflação. O que o governo faz agora é apelar para prefeitos para não subir tarifas de ônibus.

Mesmo com a manutenção da taxa Selic em 7,25% ao ano, o Brasil se distanciou um pouco mais do topo do ranking de maiores taxas de juros reais do mundo, passando do terceiro para o quinto lugar. A queda, segundo o economista Jason Vieira, responsável pela elaboração da lista, deveu-se mais a altas nas taxas de juros de outros países.
Ciclo de queda dos juros básicos chegou ao fim Foto: O Globo
 Gabriela ValenteO Globo
(Colaboraram Daniel Haidar e João Sorima Neto)