"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

maio 27, 2012

E A CPI DA "SOBRIEDADE E FOCO"? Eu entendo que a CPI está patinando, analisa Pedro Taques

Membro do chamado grupo de parlamentares independentes da CPI do Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) aponta resistências na comissão para investigar de verdade o caso e diz que, sem a quebra de sigilos e a busca de documentos para comprovar os fatos ilegais relacionados à organização criminosa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a CPI dará em nada.

Membro do Ministério Público Federal por 15 anos, Taques é contra a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mas diz que qualquer cidadão pode representar contra ele no Conselho do MP.


O GLOBO:
Como o senhor vê essa polêmica sobre a dificuldade de a CPI investigar Gurgel?


PEDRO TAQUES:
Fui do Ministério Público Federal durante 15 anos. Eu me desonerei do MP. Não me licenciei nem me aposentei. Vejo que essa polêmica não tem fundamento legal. É uma falsa polêmica. A CPI tem fatos determinados: investigar a organização criminosa capitaneada por Carlinhos Cachoeira com parlamentares e autoridades. O procurador-geral da República está sendo investigado? Não. Ele pode ser convocado para depor na CPI? Entendo que não, porque existe uma lei que lhe dá prerrogativas, sob pena de ele se transformar em testemunha. Daí a CPI entendeu que deveria pedir esclarecimentos, e ele os enviou. Se a CPI achar que não foram suficientes, volta a discutir. Não podemos mudar o foco da CPI.


O GLOBO:
O Conselho do Ministério Público pode investigar se houve mesmo prevaricação do procurador e da subprocuradora Cláudia Sampaio ao não encaminhar o caso em 2009?


PEDRO TAQUES:
Pode! Qualquer cidadão é parte legítima para representar contra qualquer autoridade, inclusive do MP.


O Globo :
E agora se descobre um repasse de R$161 mil de Cachoeira para o escritório de advocacia do ex-procurador Geraldo Brindeiro. Isso acaba dando mais munição para quem quer desmoralizar o Ministério Público na CPI?

PEDRO TAQUES:
Sim. Não interessa qual seja a verdade. O que interessa é que a verdade possa aparecer. Eu entendo esse fato como grave. Por que isso? Existem conversas que falam da advocacia ou não, não sei, do ex-procurador geral com pessoas ligadas ao Cachoeira. E isso precisa ser esclarecido, sem fazer prejulgamento. Procurador, membro do MP, pode advogar? Em regra, não. Mas existem exceções. Aqueles que ingressaram na instituição até 1988 podem. É o caso do Brindeiro.


O GLOBO:
Mas (trabalhar) para uma organização criminosa?


PEDRO TAQUES:
Isso precisa ser analisado. Eu não vejo como razoável que um colega, mesmo membro da instituição, possa advogar para essa organização.


O GLOBO:
Há um fogo cruzado do PT e do senador Collor em cima do MP, e isso acabou criando um espírito de corpo no Supremo em solidariedade a Gurgel. Isso pode ser um tiro no pé e contaminar o julgamento do mensalão?


PEDRO TAQUES:
Não tenho essa avaliação de espírito de corpo. Vi uma manifestação legal do procurador-geral da República falando dessa desconfiança. Os ministros do Supremo também, alguns se manifestaram nesse sentido. Não tenho informação para saber se isso foi um espírito de corpo.


O GLOBO:
Mas o senhor acha certo vincular mensalão e CPI?


TAQUES:
Eu entendo que não.
O mensalão já foi denunciado, as alegações finais já foram feitas, e o julgamento, marcado para o mês que vem.


O GLOBO:
O senhor tem dito que é uma CPI chapa-branca. Os depoentes se calam, e não se aprovam convocação de governadores e quebra de sigilos. Onde vai dar?


TAQUES:
Não vai dar em nada! Nós precisamos afastar (quebrar) sigilos de empresas, precisamos buscar documentos. Nós provamos esses crimes através de documentos.


O GLOBO:
Mas a CPI não quer buscar esses documentos?


TAQUES:
Eu entendo que a CPI está patinando, ouvindo depoimentos de pessoas que têm direito constitucional de nada falar. A CPI tem que buscar documentos e proteger o patrimônio público, que é o que estamos fazendo, através dessa ação popular pedindo o bloqueio dos bens da construtora Delta.


O GLOBO:
Tem um acordão dos partidos para evitar a convocação dos governadores? O senhor percebe isso?


TAQUES:
Sim, eu estou... Eu não tenho comprovação disso. Mas estamos demorando muito para decidir a convocação dos governadores. Temos que decidir.


O GLOBO:
Mas existe vontade na CPI de fazer isso?


TAQUES:
Até agora essa vontade não veio.


O GLOBO:
Há reclamação no Congresso de que o relator Odair Cunha (PT-MG) estaria direcionando seu trabalho para pegar a oposição. Ele está sendo imparcial?


TAQUES:
Temos que respeitar o presidente e o relator, mas, em nome da verdade, as perguntas feitas pelo relator a um dos depoentes (ex-vereador Wladimir Garcez) foram todas só para um lado, sim. Só fez perguntas para um lado. Um membro da CPI precisa ser imparcial. Lógico que a CPI é um instrumento político. Mas não pode ser instrumento de uma guerra político- partidária.


O GLOBO:
O episódio do deputado Vaccarezza com o governador Sérgio Cabral torna o parlamentar suspeito de continuar na Comissão?


TAQUES:
Gostaria de uma explicação do deputado Vaccarezza na CPI, não na imprensa.
Aquele torpedo é no mínimo estranho.

maio 26, 2012

brasil maravilha COM CONSUMO "ESTIMULADO" : Brasileiros devem R$ 2 tri

Financiamentos aumentam, endividamento dos consumidores com o cheque especial chega a R$ 22,8 bilhões em abril e inadimplência cresce

Nunca as pessoas e as empresas se endividaram tanto no Brasil. SãoR$ 2,1 trilhões emprestados pelos bancos, até abril, para financiar de tudo:
da casa própria ao supérfluo, passando pelos recursos para as companhias — um montante capaz de comprar quase metade (49,6%) do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) de 2012.

Esse endividamento deve crescer ainda mais até o fim do ano, impulsionado pelo anseio do governo de salvar o crescimento a qualquer custo e pela batalha entre o Palácio do Planalto e o setor bancário pela expansão do crédito.

Mesmo com a inadimplência das pessoas físicas alcançando 7,6%, nível próximo do pico histórico de 2009, a equipe econômica tem forçado o sistema financeiro a liberar ainda mais crédito para o consumo. No cheque especial, as famílias bateram um recorde e terminaram abril devendo R$ 22,8 bilhões a uma taxa média de 174,1% ao ano — juro elevado o suficiente para levar o consumidor à bancarrota.

Somente no mês passado, a média diária de liberações nessa linha cresceu 9%, movimento favorecido pela redução dos juros, que recuaram 10,9 pontos percentuais. No cartão de crédito, a média diária de operações aumentou 11%, R$ 1,3 bilhão por dia.

O segmento de financiamento de veículos é o único que mostrou desempenho contrário: as concessões diárias caíram 4,6%. Nessa área, beneficiada pelas medidas anunciadas pelo governo nesta semana, o volume de calotes está em 5,9%, patamar considerado alto, que também segue tendência de elevação:
a taxa cresceu 0,2 ponto percentual em abril e 2,7 pontos nos últimos 12 meses.

Armadilhas
Técnicos do governo, porém, acreditam que o número de maus pagadores deve recuar, sobretudo porque os juros, empurrados pelo governo, estão diminuindo. "Estamos observando uma expansão do crédito a um custo mais barato, e isso deve contribuir para uma queda da inadimplência", argumentou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC).

Ele listou ainda o mercado de trabalho robusto e a expansão da renda como fatores que devem reduzir o percentual de atrasos.

Além disso, os juros devem continuar a cair. Em abril, a taxa média do sistema para as pessoas físicas recuou para 42,1% ao ano e, na prévia do indicador até 14 de maio, para 40,1%. Na média do mercado, o juro caiu para 33,7%.

A despeito do custo menor das operações, os consumidores ainda têm caído nas armadilhas do dinheiro supostamente farto. O analista de suporte Lindemberg Rocha Aguiar, 40 anos, está preso às dívidas do cartão de crédito há quatro anos e meio. Ele contou que costumava pagar sempre o valor mínimo das faturas mensais e que, no fim, a conta chegou a R$ 5 mil.

"O banco entrou em contato comigo, mas eu não tinha condições de pagar o valor todo", disse.


Pelos cálculos do BC, a fatura total dos brasileiros com o sistema financeiro corresponde a 42,95% da renda anual das famílias — o maior endividamento já registrado. Maciel, no entanto, avalia que ainda não há com o que se preocupar.

"O crédito vai crescer, mas não haverá comprometimento da qualidade. Os bancos estão mais seletivos", observou.


Segundo o economista, depois de 2010, quando houve uma febre de financiamentos de veículos, seguida de uma elevação da inadimplência , as instituições passaram a avaliar melhor o risco e a concessão de crédito está mais difícil.

Felipe França, economista do banco ABC Brasil, tem visão semelhante. "O grande problema da inadimplência e do crédito vem sendo a parte de automóveis. Os financiamentos para o setor têm impedido uma recuperação mais expressiva do crédito", pontuou.

"As demais modalidades têm um nível de endividamento elevado, mas devem responder ao crescimento da renda e à redução dos juros."


Crescimento
Para que os níveis de calote recuem a níveis mais toleráveis pelo mercado, na visão de especialistas, o país tem de crescer acima do ritmo atual. Nas previsões mais otimistas, o PIB deve aumentar 3,1% em 2012; nas mais pessimistas, 2,5%.

Segundo o Itaú Unibanco, que divulga uma expectativa mensal para o PIB, o primeiro trimestre deve ter tido alta de 0,6%.

Os economistas da instituição avaliam que o cenário vai melhorar no resto do ano.

"As medidas anunciadas recentemente para incentivar as vendas de veículos, em especial a redução do IPI, devem ter impacto positivo na atividade econômica", explicou Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco.

"Os estímulos ao crescimento — aumento do salário mínimo, redução da taxa de juros e elevação das despesas do setor público — vão ter efeito na economia já no segundo trimestre, e, com maior intensidade, na segunda metade do ano, período em que a economia deverá mostrar taxas mais altas de crescimento", disse.


Colaborou Ana Carolina Dinardo/Correio Braziliense

maio 25, 2012

E NO EMBALO(DA HORA) DO TUDO 100/200/300% "PREPARADO", MAS, SEM "MARQUETINGUE" : Navio que não navega


O navio João Cândido vai ao mar hoje.
Em outros tempos, o governo petista estaria fazendo a maior algazarra para marcar o "feito histórico".

No entanto, depois de uma trajetória marcada por vexames, o petroleiro tornou-se símbolo de um fracasso do qual a presidente Dilma Rousseff agora quer distância.


Há dois anos, ela e Lula estiveram em Ipojuca (PE) para "inaugurar" o navio - na quarta ida do então presidente ao estaleiro. Na ocasião, não faltaram fanfarras, discursos ufanistas e júbilos, parte da extemporânea e ilegal campanha da então candidata - as imagens são reveladoras.

Naquele 7 de maio de 2010, o João Cândido tocava as águas pela primeira vez. Deveria começar a navegar oceanos quatro meses depois. Mas só agora, três anos e oito meses após o início de sua construção, o petroleiro está sendo entregue.

Não se sabe ao certo se o navio irá, de fato, singrar os mares: o portento que foi transformado pelo discurso do PT no "símbolo do renascimento da indústria naval" brasileira - como dizia uma das peças de campanha de Dilma em 2010 - mal consegue boiar.

O João Cândido é desconjuntado, defeituoso, torto. "O navio teve de ser retirado da água, sob o risco de afundar. Uma boa parte da embarcação também teve de ser desmontada, especialmente em função dos problemas de soldagem.

Os problemas estruturais são tamanhos que chegou-se a considerar a hipótese de perda total da embarcação", publicou o Valor Econômico em março.


Imagine a situação: o João Cândido vai ao mar e, por infelicidade, ou justamente em consequência de toda a irresponsabilidade envolvida na sua construção, naufraga com sua carga de 1 milhão de barris de petróleo.

Impossível calcular a dimensão de tamanho desastre, humano e ambiental, de vidas e de óleo ao mar.


Os problemas enfrentados pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), onde o João Cândido foi construído, se devem, em parte, à sanha politiqueira do PT. Para caber no cronograma eleitoral, a construção do estaleiro e a montagem do navio tiveram de ser feitas concomitantemente, de forma atabalhoada.

Foi o caminho mais curto para o desastre.


As condições de trabalho, que já seriam difíceis para quem jamais montara sequer uma lancha, tornaram-se sofríveis. Os empregados - o EAS chegou a contar com 11 mil e hoje tem metade disso - trabalhavam sob temperaturas desumanas, agravadas pelo sol inclemente e pelo calor emanado dos equipamentos de solda, o que aumentava o tempo gasto em algumas operações em até oito vezes.

Na base do improviso, o EAS naufragou num oceano de prejuízos.
Em 2011, fechou seu balanço com R$ 1,47 bilhão no vermelho - as receitas não cobriram sequer gastos com mão de obra e materiais.

Horrorizados, os sócios coreanos pularam fora, e agora o estaleiro busca no exterior parceiros que entendam do assunto - construir navios não é com a Camargo Correa, nem com a Queiroz Galvão, as construtoras remanescentes no negócio.


Este seria um problema privado, não fosse um detalhe:
o estaleiro só existe graças às benesses do BNDES.

O EAS tem 22 navios encomendados pela Transpetro para entrega até 2016. A carteira soma R$ 7 bilhões, dos quais 90% financiados pelo banco oficial. Apenas com os primeiros três petroleiros que constrói, a empresa perdeu dinheiro suficiente para fabricar um navio (R$ 333 milhões), conforme reconheceu no balanço de 2011.

Sem condições de começar pagar o que deve, o EAS já pediu mais prazo para o BNDES.


O naufrágio do João Cândido é parte de uma malsucedida estratégia voltada a ressuscitar, na marra, a indústria naval brasileira, levada a cabo por Lula e mantida por Dilma. À base de uma política de reserva de mercado, que exige conteúdos nacionais mínimos, sai caríssimo produzir embarcações no país.

A operação só para em pé com muito dinheiro público.


O João Cândido, por exemplo, deverá custar R$ 495 milhões, ou mais de 53% acima da previsão inicial, segundo mostrou o Jornal do Commercio. Prometido para até o fim deste ano, o segundo navio a ser fabricado pelo EAS, o Zumbi dos Palmares, vai sair 24% mais caro que o estimado, isto é, R$ 424 milhões.

Já outro produto do estaleiro, a P-55 encareceu 20% e custou R$ 1 bilhão. Trata-se de outro vexame. Entregue em dezembro passado, a plataforma ainda não funciona e terá de sofrer reparos no Rio Grande do Sul antes de finalmente começar a produzir.

Com isso, a Petrobras, que a contratou, teve de postergar a extração de 180 mil barris diários de petróleo para o fim de 2013, deixando de faturar pelo menos US$ 15 milhões por dia.


Onde quer que se olhe, os resultados da política petista para o setor naval ainda são uma miragem. Dos oito novos estaleiros previstos, destinados a construir equipamentos necessários à exploração do pré-sal, somente três funcionam, ainda que precariamente, como é o caso do EAS.

"A única certeza que se tem ao começar um projeto de construção é de que não vai acabar no prazo", disse um presidente de estaleiro a
O Estado de S.Paulo, em março.

Em junho de 2010, Lula publicou no Zero Hora artigo intitulado "Indústria naval renasce das cinzas". Nele, afirmava:
"A retomada da indústria naval é irreversível.(...)Os reflexos desta verdadeira explosão da indústria naval estão se espraiando por toda a economia e beneficiando, direta ou indiretamente, todos os brasileiros."

Como o navegar impreciso do João Cândido atesta, é possível que, nunca antes na história deste país, o ex-presidente tenha se equivocado tanto.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Navio que não navega

E NO PAÍS ONDE TUDO É 100/200/300% "PREPARADO"...NA BERLINDA : ‘The Economist’ questiona se Eike conseguirá entregar projetos


Em reportagem publicada na edição que chega às bancas hoje, a revista The Economist traz um perfil de duas páginas do empresário brasileiro Eike Batista.

Ao classificá-lo como "vendedor do Brasil", a revista questiona se ele conseguirá mesmo entregar todos os projetos onde está envolvido, nos setores de recursos naturais e infraestrutura.


Para a revista, o passado de vendedor de seguros porta a porta foi seu "batismo de fogo". Desde então, partiu para vários negócios diferentes ao longo dos anos e construiu um império, como descreve a Economist.

Em poucos anos, o empresário já criou e listou na Bovespa cinco empresas: MPX (geração de energia), MMX (mineração), LLX (logística), OGX (petróleo e gás) e OSX (construção naval).

A sexta companhia virá com a cisão da MPX e surgimento da CCX, formada pelos ativos de mineração de carvão na Colômbia. Há ainda outras quatro empresas não-listadas nos setores de entretenimento, metais preciosos, tecnologia da informação e imóveis.


A revista inglesa aponta que poucas companhias conseguiram dar lucros e que algumas foram a mercado quando não eram muito mais do que ideias.
"Mas o potencial de venda transformou Batista no brasileiro mais rico e no sétimo mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões.


Isso é mais do que Mark Zuckerberg do Facebook."Segundo a publicação, o império da EBX reflete as forças e as fraquezas do Brasil. De um lado, ele extrai os abundantes recursos minerais. De outro, entra na construção de portos, estradas e trens em razão da falta de infraestrutura no País.

Conforme a revista, críticos dizem que o empresário é "um vendedor muito bom para ser verdade" e também "a única pessoa além de Bill Gates a fazer bilhões com o PowerPoint". "Ele já fez o suficiente para convencer os investidores a lhe darem mais tempo", aponta a publicação britânica. "Mas, cedo ou tarde, o vendedor do Brasil terá de entregar."

Resposta:

Eu sempre entrego os projetos, diz Eike em resposta à Economist

O empresário Eike Batista disse hoje que "sempre entrega os seus projetos" em resposta à reportagem da The Economist. Ao classificá-lo como "vendedor do Brasil", a publicação questiona se ele conseguirá mesmo entregar todos os projetos onde está envolvido, nos setores de recursos naturais e infraestrutura.

"Um exemplo de que eu entrego todos os projetos é a OGX. Já estamos produzindo petróleo", retrucou ele, durante conversa com a imprensa.

Batista afirmou que "a referência no setor de petróleo não é a Shell, mas a OGX". Disse ainda que, em breve, "a marca EBX também será referência".

Ainda sobre a OGX, Eike disse que a companhia não errou um furo sequer durante as perfurações e que isso é entregar resultado. A empresa teve 92% de acerto. "Arriscamos US$ 5 bilhões em pesquisa, mas como temos conhecimento, diminui-se o nível de risco", afirmou Batista.

Aline Bronzati e Daniela Milanese, da Agência Estado

E NO brasil maravilha SOB A "GARANTIA" DOS 100/200/300%"PREPARADO"... Inadimplência do consumidor sobe para 7,6% em abril


A inadimplência das famílias voltou a subir em abril, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta sexta-feira. De março para abril, a taxa subiu 0,2 ponto percentual, para 7,6%, atingindo o mesmo nível do início do ano.

Esse patamar é o maior desde dezembro de 2009, quando ficou em 7,7%. No caso das empresas, a inadimplência ficou estável em 4,1%.

O aumento no número de calotes acima de 90 dias é percebido principalmente no crédito pessoal e para veículos, que atingiu um recorde. No início dessa semana, o governo anunciou um pacote para estimular o consumo de automóveis depois de um pedido do setor.

- Estamos atentos à inadimplência, principalmente neste nível alto, mas a expectativa é que cai lá na frente - disse o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel que considera que a inadimplência ficou praticamente estável com pequenas oscilações.

Reportagem publicada nesta semana pelo jornal O GLOBO mostrou que em abril, só as dívidas financeiras representavam em média 45% da renda anual, segundo projeção do economista Simão Silber, da Universidade de São Paulo (USP), com base em dados do Banco Central (BC).

No mês em que os bancos públicos começaram a liderar um movimento de queda dos juros a pedido da presidente Dilma Rousseff as instituições financeiras diminuíram as taxas cobradas dos cliente e começam a repassar a queda da taxa básica (Selic) promovida pelo BC desde agosto do ano passado.

Já a taxa média de juros cobrada das famílias caiu 2,3 pontos percentuais para 42,1% ao ano. As empresas pagaram uma taxa média anual de 26,3%, com redução de 1,4 ponto percentual em relação a março.

Com isso, a taxa geral (empresas e pessoas físicas) ficou em 35,3% ao ano em abril, queda de 2 pontos percentuais em relação a março.


Já a taxa do cheque especial despencou quase 11 pontos percentuais. Em abril, os juros desse crédito chegaram a 174% ao ano. Na média, os juros de empréstimos para pessoas físicas caíram de 44,4% ao ano para 42,1% ao ano no mês passado.

Maciel explicou que os bancos estão mais cautelosos na hora de conceder crédito, mas que no mês passado voltaram a ampliar o crédito com custo menor.

O spread bancário - a diferença entre a taxa de captação e a de aplicação onde o banco lucra - cobrado da pessoa física caiu de 35,1 pontos percentuais para 33,2 pontos percentuais no mês passado.

Desde 2009 - no auge da crise financeira internacional - não havia uma queda tão grande do custo financeiro do país.


O Globo

Mais
A inadimplência nos financiamentos para a compra de veículos por pessoas físicas bateu novo recorde em abril, informou nesta sexta-feira,25, o Banco Central. A taxa de atrasos acima de 90 dias passou de 5,7% em março para 5,9% no mês passado. Desde dezembro, a inadimplência já subiu 0,9 ponto porcentual.

O BC informou também que os empréstimos com atrasos entre 15 e 90 dias, indicador utilizado para antecipar a tendência da inadimplência, recuou de 8,6% em março para 8,5% em abril, ainda acima dos 7,6% registrados em dezembro do ano passado.

Outra linha de crédito que registrou aumento da inadimplência em abril ante março foi o crédito pessoal, cuja taxa passou de 5,3% para 5,5%. Nos empréstimos para aquisição de bens, os atrasos também cresceram, de 12,9% para 13,4% na mesma base de comparação.

Entre as linhas detalhadas pelo BC, apenas o cheque especial registrou queda na inadimplência, de 10,6% em março para 10% em abril, menor taxa desde outubro de 2011 (9,5%).

Crédito

As operações de crédito para compra de veículos destinadas às pessoas físicas caíram 0,3% em abril ante março, segundo o BC. Com esta retração, o total de financiamentos para compra de carros concedido pelo sistema financeiro caiu para R$ 200,691 bilhões no mês passado, o menor valor desde novembro de 2011, quando o total era de R$ 199,590 bilhões.

Segundo o BC, a contração do mercado no mês passado aconteceu no segmento de arrendamento mercantil - o chamado leasing -, cujo estoque caiu 5% no mês, para R$ 22,606 bilhões. No crédito direto ao consumidor, a carteira cresceu 0,3%, para R$ 178,085 bilhões.

O BC também informou que as operações de crédito para o setor habitacional cresceram 2,3% em abril ante março e alcançaram R$ 222,646 bilhões. No acumulado em 12 meses, o segmento cresceu 42,9%.

Prazo

O prazo dos empréstimos para aquisição de veículos voltou a cair em abril e retornou ao menor nível desde agosto de 2009. A média do estoque de financiamentos recuou de 519 dias em março para 515 dias no mês passado, de acordo com o BC. É o 10º mês seguido de queda. Em agosto de 2009, estava em 513 dias.

O recorde para esse indicador foi registrado em dezembro de 2010 (568 dias), mês em que o BC anunciou medidas macroprudenciais de restrição a operações com prazos acima de 60 meses.

Na segunda-feira, o governo anunciou novas medidas para impulsionar o crédito para veículos e ampliar prazos. Foi mantida, no entanto, a restrição a operações acima de cinco anos.

A taxa de juros para esses empréstimos recuou pelo segundo mês seguido, de 26,5% em março para 26% ao ano em abril, menor patamar desde dezembro de 2010 (25,2% ao ano). O recuo se deve, em parte, à redução no spread bancário de 17,3 pontos porcentuais para 17,1 pontos, na mesma comparação.

Esse spread ainda é o maior desde janeiro, quando a taxa estava em 16,6 pontos. O spread representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado do cliente.

Estadão

É A HORA DO brasil maravilha 100/200/300% "PREPARADO"? : Crise europeia provoca queda em investimentos produtivos e saída de estrangeiros da bolsa.


O agravamento da crise global e a recente alta do dólar no Brasil começam a fazer efeito nas contas do País com o exterior.

Dados preliminares de maio mostram queda na entrada de investimento produtivo, saída de estrangeiros da bolsa e a redução da oferta de crédito para as empresas no exterior.


O Banco Central afirma que são movimentos pontuais e não há motivos para preocupação. Analistas, porém, dizem que é preciso ter cuidado.

Enquanto cresce a expectativa de que a Grécia pode deixar o euro e o dólar opera acima de R$ 2, empresas, bancos e investidores sinalizam mudança de algumas estratégias para o Brasil.

O primeiro efeito aparece na queda do Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, como a construção de novas fábricas.

Projeção do BC aponta para entrada de US$ 3 bilhões em maio, redução de 36% ante abril e valor 24% menor que em maio do ano passado. Confirmado, será o menor valor desde janeiro de 2011.

Longe das fábricas, outra consequência aparece na Bolsa de Valores. Até 22 de maio, estrangeiros já haviam vendido US$ 1,75 bilhão em ações brasileiras, mais do que compraram. A saída é a maior desde novembro de 2008, no auge da crise iniciada naquele ano, quando US$ 1,76 bilhão cruzou a fronteira de volta aos países de origem.

As remessas de lucros e dividendos também refletem o cenário atual. Depois da escalada no ano passado, quando o dólar mais baixo era favorável ao envio de dinheiro para as matrizes no exterior, o fluxo líquido já caiu 44% nos quatro primeiros meses do ano.

Flutuações

Apesar dos números, o chefe adjunto do departamento econômico do BC, Fernando Rocha, disse que não há preocupação. "Como toda variável econômica, há flutuações no mês a mês", respondeu ao ser questionado sobre a queda do investimento. Explicação semelhante foi dada para a saída da bolsa.
"São oscilações mês a mês, não há indicação de uma fuga."


O mercado, porém, tem uma análise mais crítica. "Estrangeiros parecem mais reticentes com o País. O menor crescimento da economia, a redução dos juros e a falta de clareza com a política cambial têm mudado a percepção", disse o analista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.

O economista-chefe do Credit Suisse Brasil, Nilson Teixeira, citou como outro efeito a queda do crédito para as empresas. Até o dia 22, as companhias conseguiram financiamento no exterior suficiente para cobrir 93% das dívidas no período.

Ou seja, o crédito não foi suficiente para pagar todas as contas.


"A queda é atribuída principalmente ao aumento do IOF nos empréstimos com menos de cinco anos, em meio ao aumento das incertezas globais", disse Teixeira, em relatório.

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo

maio 24, 2012

BOLA MURCHA


Faltam 749 dias para o início da Copa do Mundo, mas, a julgar pelo ritmo que o governo petista tem dado às obras necessárias ao evento, parece que ainda temos uma eternidade pela frente. O mais desalentador é que a incúria em relação ao torneio de futebol não destoa do desempenho geral dos investimentos públicos federais.

Segundo balanço oficial divulgado ontem pelo governo Dilma Rousseff, apenas cinco das 101 obras previstas para o Mundial estão prontas. Na outra ponta, 41 empreendimentos ainda não saíram do papel:
estão em fase de licitação ou não passaram da etapa de elaboração de projeto, que, pelo cronograma oficial, deveria ter sido finalizada lá atrás, em 2010.

Apenas obras cosméticas em aeroportos foram concluídas - nos terminais de Cuiabá, Porto Alegre, São Paulo e Campinas. Dos R$ 27 bilhões de investimentos previstos para estádios, aeroportos, portos e obras de mobilidade urbana, somente 1%, ou R$ 200 milhões, foi executado.

Na área de mobilidade urbana - das raras que, efetivamente, podem vir a gerar algum benefício duradouro para a população - nenhuma das 51 obras previstas foi entregue até agora. O mais preocupante é que, destas, somente 28 estão em execução neste momento; o resto ainda dormita nas gavetas.

Aldo Rebelo não vê problema algum em empreendimentos que, a esta altura, já deveriam ser areia, cimento e concreto não passarem de rascunhos. Sua frase é lapidar:
"Não sei por que o preconceito com obras no papel. Não é porque está no papel que significa necessariamente um atraso".

A manifestação do ministro do Esporte faria algum sentido se já não tivesse transcorrido quatro anos e meio desde que o Brasil foi escolhido pela Fifa para sediar o Mundial de 2014. Teria alguma lógica se, daqui a um ano, o país já não fosse abrigar os jogos da Copa das Confederações e daqui a pouco mais de dois anos não tivéssemos de receber a Copa do Mundo.

Outro lado perverso da negligência da gestão petista, tanto de Lula quanto de Dilma, em lidar com os preparativos para o Mundial é o custo para os cofres públicos. Se, a princípio, dizia-se que o investimento seria eminentemente privado, ao longo do tempo ele foi se tornando preponderantemente custeado pelo governo.

Dos R$ 27 bilhões ora estimados, 84% serão bancados por fontes públicas, seja por meio de investimento direto da União (R$ 4,7 bilhões), financiamentos federais (R$ 11,1 bilhões) ou aportes de estados e municípios (R$ 7,1 bilhões). Da iniciativa privada, virão apenas R$ 4,2 bilhões.

Ressalte-se que o orçamento atual já cresceu mais de 54% em relação à primeira estimativa oficial, de R$ 17,5 bilhões, divulgada no início de 2010, como mostrou a Folha de S.Paulo há duas semanas. Quanto mais lerda a execução, mais cara a obra. E quem paga pela ineficiência somos nós, contribuintes.

O desleixo não é marca dos petistas apenas nos preparativos para a Copa. Também se espraia para a execução orçamentária como um todo, como bem manifestou o Tribunal de Contas da União (TCU) ao julgar as contas do primeiro ano da gestão Dilma.

Embora aprovadas, elas foram alvo de 25 ressalvas e 40 recomendações, entre elas uma que beira o pleonasmo, mas que, nos governos do PT, parece algo impossível: serem "efetivamente priorizadas as execuções das ações definidas como prioritárias". Para o petismo, prioridades nunca são o que é mais importante para a população.

Segundo o TCU, as obras públicas federais apresentam hoje atraso médio de 437 dias. "Por causa de projetos malfeitos e fatores que deveriam ter sido dimensionados no tempo oportuno, várias obras prioritárias para a infraestrutura do País estão atrasadas", mostra O Estado de S.Paulo.
Como se fosse possível, o desempenho executivo foi cadente no primeiro ano de Dilma.

A presidente reduziu de 652 para 92 as ações que considerava prioritárias em seu governo. Mesmo assim, somente 54% delas apresentaram o que o TCU classifica como "execução alta".
Em 2010, 63% estiveram nesta condição.

A preocupação com o bom andamento e a efetiva realização das obras com vistas à Copa do Mundo não repousa em fazer bonito para o resto do mundo. Dirige-se a aproveitar uma oportunidade única, de alta visibilidade global, para gerar benefícios duradouros para o desenvolvimento do país e para o bem-estar da população.

Mas, se depender do governo do PT, vamos chegar atrasados e bater uma bolinha murcha daqui a dois anos.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
Bola murcha

CPI - Wladmir Garcez: escutas da PF foram montadas E ADVOGADO DEBOCHA DE PARLAMENTARES;


Único a falar nesta quinta-feira à CPI do Cachoeira, o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia Wladmir Garcez surpreendeu ao ler um texto na abertura da sessão para se defender.

O ex-vereador disse que é amigo de diversos parlamentares, governistas e de oposição e contou que ele mesmo quis comprar a casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por R$ 1,4 milhão, e pediu dinheiro para o ex-diretor da Delta Centro-Oeste, Cláudio Abreu, para fazer a compra.

Também com depoimentos marcados para esta quinta-feira, o sargento da reserva da Aeronáutica, Idalberto Matias, o Dadá, e o sargento da Policia Militar Jairo Martins de Souza, preferiram não se pronunciar e foram logo liberados.

Wladmir Garcez contou ainda que teria recebido três cheques de Cláudio Abreu, apontado pela Polícia Federal como braço direito de Cachoeira. Porém, disse que não conseguiu dinheiro para pagar o empréstimo e, assim, repassou a casa para o empresário Valter Paulo.

- O Cláudio me arrumou três cheques. Não sei quem são os emitentes. Repassei os cheques ao Lúcio, assessor do governador. Cheques do banco Itaú, em nome do governador. O Cláudio passou a me pressionar. Queria vender por um valor maior, mas não consegui vender (pelo) valor maior. O professor Valter me deu R$ 10 mil como comissão pela venda da casa. Dizem que o professor seria laranja do Carlinhos, mas o professor Valter poderia comprar a própria Delta - afirmou Garcez.

Ele disse ainda que a casa foi emprestada pelo professor Valter Paulo para que a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, ocupasse o imóvel, enquanto outra casa, no mesmo condomínio, estivesse em construção. E negou que tivesse entregue dinheiro no Palácio do governo de Goiás, conforme indicam interceptações telefônicas feitas pela PF.

- Pedi a casa do professor Valter para que me emprestasse até que a casa da Andressa ficasse pronta. Nunca houve a história de entrega de dinheiro no palácio do governo de Goiás. Essas gravações foram montadas. Nem sequer fui atendido nesse dia pelo governador.

Garcez diz que prestava consultoria a Delta e a Cachoeira

Garcez lembrou que é amigo do senador Paulo Paim (PT-RS), do subsecretário da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e do governador Marconi Perillo, e até do ex-governador de São Paulo, Mario Covas que já morreu. Ele disse também que era funcionário da Delta e de Carlinhos Cachoeira. Recebia R$ 5 mil do contraventor e R$ 20 mil da Delta para a prestação de serviços de consultoria.

Ele justificou que está preso há 86 dias, longe da família, sem nunca ter cometido crime algum. Segundo ele, algumas gravações são ilícitas e somente o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia conduzir o processo.

Advogado de depoente debocha de parlamentares da CPI

Depois de orientar seu cliente, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, a permanecer em silêncio e a citar nomes de autoridades de quem se disse amigo, o advogado Ney Moura Teles zombou dos parlamentares, acusando-os de não conhecerem a Constituição, disse que o processo contra Garcez irá resultar em nada no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda lançou dúvidas de que as gravações realizadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, estão manipuladas para beneficiar alguém - que ele não disse.

- Os senadores desta CPI não entendem nada de direito - afirmou, ao deixar a sala da CPMI de Cachoeira, lembrando que a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) chegou a falar em mandar prendê-lo por orientar seu cliente.

Teles afirmou que, para ele, Wladimir respondeu as perguntas dos parlamentares e mostrou que não integra nenhuma quadrilha. O advogado disse que o ex-vereador é funcionário da Delta e admitiu que ele faz lobby. Porém, para Teles, isso não é uma atividade criminosa.

- Lobby não é crime. Quantos fazem lobby aqui no Congresso? Deveria-se regulamentar o lobby. O que é lobby? Apresentar pessoas, abrir portas?

Teles também desqualificou o trabalho da Polícia Federal.

- Ele mostrou que as gravações da Operação Monte Carlo, muitas delas, senão quase todas, são montagens, são fraudadas. É preciso fazer uma perícia no sistema. Muitas gravações feitas estão ocultadas (sic) e eu queria saber por que ficaram dois ou três meses sem gravar ninguém e depois voltam a gravar - questionou, para, em seguida, lançar uma acusação:

- Eles esconderam gravações que, com certeza, podem apontar ligações com pessoas que querem proteger.

Teles confirmou que Wladimir é amigo de Cachoeira e de muitos políticos.

- Isso não é crime. Isso demonstra que ele priva da intimidade - disse-

O advogado reafirmou várias vezes que o processo não dará em nada na Justiça porque o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) foi flagrado nas conversas e a investigação não foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que ele tem foro privilegiado.

- Isso tudo vai acabar em nada. Todas essas gravações vão ser anuladas pelo Supremo porque o Supremo tem coragem de anular. O Supremo não se pauta pela opinião manipulada.

Ele reclamou que seu cliente está preso há 86 dias quando, segundo ele, deveria ser no máximo 81 dias. Perguntado se as investigações acabariam em pizza, ele foi irônico:

- Não falei em pizza. Disse que não vai dar em nada. Pizza é uma coisa gostosa. Vai acabar em nada.

O Globo

CPI antecipa votação da quebra de sigilo da Delta, após nova denúncia

A CPI do Cachoeira marcou para a próxima terça-feira a votação dos requerimentos que pedem a quebra dos sigilos bancário e fiscal das contas nacionais da Delta Construções.

A comissão chegou a ameaçar votar os requerimentos na sessão desta quinta-feira, porém por força do PT, do PSDB e do PMDB a sessão ficou para a próxima semana.

Os requerimentos de quebra de sigilo da Delta inicialmente tinham votação marcada para o dia 5 de junho. Na terça-feira também devem ser votados os requerimentos que solicitam a convocação dos governadores Marconi Perillo (Goiás), Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro).

A CPI investiga a relação de Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários e antecipou a sessão, que estava prevista para ocorrer apenas no começo de junho.

A decisão foi tomada após a revelação de que recursos de contas da construtora no Rio de Janeiro abasteceram empresas de fachada, que serviam à organização criminosa, segundo a Polícia Federal. O senador Pedro Taques (PDT-MT) informou no começo da sessão que também saíram da conta do CNPJ nacional da Construtora Delta R$ 12 milhões para a Alberto e Pantoja e Brava Construções, empresas de fachada usadas pelo grupo do bicheiro.

A alteração da data ocorreu a pedido de Taques com o apoio de diversos parlamentares. O senador queria que a reunião se realizasse ainda nesta quinta-feira, mas o PT e o PSDB foram contra.

- Essa CPI não pode ser a CPI chapa branca criticou Taques.

O senador também apresentou requerimento pedindo informações sobre repasse de um total de R$ 161.279,85 ao escritório Morais, Castilho e Brindeiro Sociedade de Advogados, feitos por Geovani Pereira da Silva, contador de Carlinhos Cachoeira.

De acordo com o senador, o laudo de Perícia Criminal Federal Contábil Financeiro 1833/2011, firmado pelos Peritos Guilherme Puech Bahia Diniz e Marden Jorge Fernandes Rosa, aponta que foram cinco transferências realizadas por Geovani Pereira da Silva para o escritório do ex-procurador geral da República, Geraldo Brindeiro.

Atualmente, Geraldo Brindeiro é subprocurador geral da República e, ao mesmo tempo, sócio do escritório de advocacia. Taques também pediu que a Procuradoria-Geral da República tome providências. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que vai analisar a informação.

"Lembremos que o objetivo constitucional da Comissão Parlamentar de Inquérito é exatamente a busca da verdade real para encaminhamento das conclusões de seus trabalhos, se for o caso, ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores", justificou o senador no requerimento.

Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Sílvio Costa (PTB-PE) também protestaram, pois queriam que as votações ocorressem ainda nesta quinta-feira.

- Acho que votar terça é só esticar o desgaste da CPI. A única forma de não ridicularizar a CPI é votar esses requerimentos hoje - protestou o deputado Sílvio Costa.

O Globo

STF E MENSALÃO - QUANDO A HORA É DA RESPONSABILIDADE, A PRIORIDADE É DAS FÉRIAS. Mensalão só após o recesso

Um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) fixar a ampliação de duas para três as sessões semanais reservadas para o julgamento do mensalão, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, simulou dois cenários.

No primeiro, a ação penal seria julgada entre 4 de junho e 22 de agosto, com interrupção de um mês, em julho, durante o recesso do Judiciário. Na segunda opção — a mais aceita entre os próprios ministros —, começaria em 6 de agosto e se estenderia até 20 de setembro.

Em ambos os cenários, o julgamento teria 105 horas, com duração estimada de sete semanas.


Caso prevaleça a segunda situação, o ministro Cezar Peluso não participaria do processo até o fim, pois se aposentará até 3 de setembro, quando completará 70 anos.

Para o ministro Marco Aurélio Mello, o ideal seria que o julgamento fosse contínuo. “Tecnicamente, é viável. Mas se tivermos as sustentações em junho e só retomarmos em agosto, será que manteremos em nossos computadores humanos, nossas cabeças, as sustentações verificadas? O ideal é começar com a possibilidade de se adentrar outros meses, mas em um semestre único”, opinou.

Marco Aurélio deve sugerir, em reunião prevista para a semana que vem, mudança nos dias reservados para o julgamento. Ele avalia que a previsão de sessões nas tardes das segundas, quartas e quintas-feiras representa um problema para os advogados dos réus. Por isso, considera que três dias seguidos seria melhor.

“É um problema seríssimo para a defesa, porque os advogados terão que comparecer na segunda, voltar à base na terça e retornar na quarta. Precisamos racionalizar os interesses envolvidos na espécie”, ponderou.

O magistrado ainda alerta para o risco de outras ações importantes serem preteridas durante o período do mensalão. Segundo ele, o STF não pode parar apenas para o julgamento de um processo.

Na opinião do ministro Luiz Fux, porém, o tribunal poderá convocar sessões extraordinárias pela manhã, caso haja necessidade de apreciação de alguma ação urgente no período do julgamento dos 38 réus acusados de envolvimento com o escândalo de compra de apoio de parlamentares pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Revisão

A data de início do julgamento do mensalão será marcada somente após o ministro Ricardo Lewandowski concluir o trabalho de revisão do caso. Ele tem dito que irá finalizar o voto até o mês que vem. Já o relator da ação penal, Joaquim Barbosa, afirmou ontem que já está pronto para julgar o caso.

Ele disse não enxergar nenhum problema no fato de o julgamento ser iniciado em junho e retomado após o recesso.

Ayres Britto chegou a sugerir o cancelamento das férias de julho, mas não obteve apoio de Barbosa. A possibilidade de cancelar o recesso não agradou a maioria dos ministros.
“Em julho é impensável. Seria conferir a esse processo uma excepcionalidade que ele não tem. Acabaria dando contornos impróprios ao processo. Julho é mês de férias coletivas.

Eu mesmo não teria como comparecer. Dia 1º embarco para Portugal e volto só dia 10. Vou ministrar palestras em Coimbra”, frisou Marco Aurélio.

DIEGO ABREU Correio Braziliense