"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

setembro 18, 2011

A BURACA "DAZ OBRA" DO CACHACEIRO E A SUA GERENTONA DE NADA E COISA NENHUMA NA FALÁCIA DO : "PARA O BRASIL CONTINUAR MUDANDO".


Maria José e os outros 105,4 milhões de brasileiros, mais da metade da população nacional com renda familiar entre R$ 1,2 mil e R$ 5,1 mil, sentem no bolso o mal da inflação.

A escalada dos preços, principalmente de alimentos e serviços, está corroendo o orçamento dessa gente.

Nos últimos 12 meses, o custo da alimentação e das bebidas saltou 10,41%, bem acima da inflação média do período, de 7,23%.

O vestuário e o transporte também subiram:
9,37% e 5,67%, respectivamente.

No caso da moradia, a elevação foi de 6,42%.
Diante dessa realidade, as famílias da classe média — que se tornaram mais exigentes nos últimos tempos, lotaram supermercados, passaram a viajar de avião e a comprar computadores, carros e imóveis — terão de rever os hábitos.


Maria José já está sentindo o baque da mudança.
Em sua casa, são cinco pessoas sustentadas por uma renda total de R$ 4 mil por mês.

Para se adequar a um cenário que preocupa o Brasil e ameaça empurrar milhões de pessoas de volta para a pobreza, ela passou a controlar as despesas na ponta do lápis.

"Estamos gastando mais com alimentação. Não posso cortar, por exemplo, as frutas da minha neta. O jeito foi diminuir as viagens a deixar faltar produtos na mesa", diz.


Motivos não faltam para tamanha cautela.
Dados do Data Popular revelam que os compromissos mais pesados da classe média estão relacionados justamente às categorias mais impactadas pela inflação.

Alimentação, habitação e transportes consomem, juntos, 62% do orçamento dos lares.

O impacto final da inflação, contudo, varia bastante. Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que a alta dos serviços, que incluem viagens, hotelaria e restaurantes, prejudica, sobretudo, os menos abastados.

"Cada 10% de aumento na inflação implicam queda de 6% no poder de compra da população que está no topo da pirâmide, nas classes A e B. Nas demais, com esse mesmo aumento nos preços, o poder de consumo cai 8%", calcula.


Tendência
Até para ficar bela está mais caro.
Nos últimos 12 meses, serviços pessoais, que incluem cabeleireiro,
manicure
e costureira dispararam 11% —
os serviços, em geral, subiram 9%.

Os números já pesam no bolso das mulheres da classe média. Estima-se que 60% delas frequentem salões de beleza regularmente. Entre 2002 e 2011, o gasto desse público com beleza saltou 228%, de R$ 6 bilhões para R$ 19,7 bilhões.


As perspectivas não são boas. Para Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset Management, a alta nos serviços tende a se manter. "As elevações devem continuar acima da inflação", prevê.

Ele observa, ainda, que o reajuste do salário mínimo aguardado para o início de 2012, de 13,6%, pressionará mais os preços, pois os prestadores tendem a repassar tal correção à clientela.

"Pessoas que ascenderam à classe média e passaram a consumir com vigor devem sofrer. A remuneração aumenta e, consequentemente, cresce também a procura por bens. Mas a oferta não acompanha", diz.

Na economia, o resultado dessa equação é óbvio:
mais inflação.


Menos luxo
Ninguém, contudo, assiste ao aumento de preços parado.

A reação dos consumidores às turbulências no mercado costuma ser imediata, explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular.

Primeiro, em vez de abrir mão de uma certa categoria de artigos, o brasileiro opta por itens mais baratos.

"Em todas as classes sociais, antes de excluir algo do carrinho de compras, a opção é trocar a marca. Mas isso também é diferente em cada camada da população", diz.


Para driblar os aumentos dos preços, as famílias da classe média trocam os produtos mais caros pelos mais em conta no caso dos produtos supérfluos — entram na lista requeijão, iogurte, sobremesas, leite, congelados, biscoitos, sorvetes e geleias.

As da classe A, por sua vez, fazem a migração, mas apenas dos produtos de limpeza e da cesta básica, como arroz, feijão e macarrão.

Elas preferem manter a qualidade nas categorias que lhes dão status social. "No caso da classe D, o impacto é maior. Em vez de comprar dois quilos de carne, leva-se apenas um para casa", observa Meirelles.


Troca de marcas
Na visão de especialistas, os brasileiros precisam se preparar. Se os preços continuarem a subir, para fechar as contas no fim do mês, em vez de apenas trocar as marcas, a classe média terá que suprimir itens da lista de compras.

Para não tirar o alimento da mesa, primeiro deverá cortar o lazer, que responde por apenas 2% do orçamento, conforme números do Data Popular. É justamente o que a família de Maria José já está fazendo.

"Eu e meu irmão íamos todo fim de semana a shoppings e a barzinhos. Gastávamos sem nos preocupar. Mas, agora, a diversão teve de ser sacrificada. Estamos saindo só uma vez por mês", diz Andrezza Lopes Faria, 24 anos, filha mais nova da dona de casa.


Nesse novo contexto econômico, o comércio também já sabe que venderá menos para a classe média.
"Bens de maior valor agregado, como automóveis e eletroeletrônicos de última geração, já não estão saindo tanto", reconhece o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior.

Ele explica que a redução do prazo dos financiamentos faz com que a prestação se eleve acima da capacidade de pagamento de parte expressiva dos consumidores.


O professor de finanças da FGV e da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Fábio Gallo Garcia, ressalta que os brasileiros não imaginam o que vem pela frente. A dica, diz, é colocar as contas no lugar: "As despesas contornáveis devem ser revistas, como a academia de ginástica e as idas ao cinema", ressalta.

O conselho de Cristina Helena Pinto de Mello, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), é para que os brasileiros não façam novos compromissos no fim do ano.

O 13º salário, por exemplo, pode ser guardado para emergências. "O momento é de cuidado, de alerta. O brasileiro deve pensar mais antes de tomar decisões e deve gastar com consciência para não se colocar em situação difícil", analisa.


Riscos do retrocesso
O governo está preocupado com os problemas vividos pela nova classe média. O medo é de que a crise atual corroa a renda dessa camada da população, cuja ascensão foi um dos motes da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.
De olho nas eleições municipais de 2012, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República planeja lançar, até o fim do ano, um conjunto de medidas que impeçam o retorno do novo estrato social aos antigos padrões de pobreza.


Cristiane Bonfanti e Ana Carolina Dinardo Correio Braziliense
(Colaborou Vânia Cristino)


A REPÚBLICA DA VADIAGEM REMUNERADA : "Horinha" a mais que custa caro


A Câmara estava cheia e o painel registrava que 464 deputados apareceram em plenário na última terça-feira.

Às 19h, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que presidia a Mesa Diretora naquele momento, prorrogou a sessão por mais uma hora.
É a partir desse horário que se forma uma fila de servidores no térreo do Anexo IV, um prédio a 500m do plenário, afastado das dependências reservadas à rotina legislativa da Casa — ali, as luzes já estão apagadas e as salas fechadas.

Esses funcionários têm único objetivo:
faturar horas extras mesmo sem ter trabalhado.
Os servidores, que já encerraram o expediente e estão longe da Câmara, monitoram se a Presidência da Mesa vai prorrogar a sessão. Prorrogada, deslocam-se para o térreo do Anexo IV para registrar a presença nos dois pontos de controle biométrico próximos aos balcões das companhias aéreas — há outros desses pontos próximos ao plenário, esses sim utilizados por quem de fato está em atividade.

Eles têm até as 19h20 para concretizar a fraude.
Depois, precisam aguardar até as 20h30 para marcar a saída e garantir o pagamento no contracheque.

Alguns aguardam o relógio marcar 20h30 dentro do carro, acompanhados das famílias.


Uma hora extra custa entre R$ 90 e R$ 134, conforme o cargo. Apesar de a Câmara ter investido R$ 2,8 milhões no sistema biométrico de registro de ponto para acabar com as fraudes, o Correio esteve no térreo do Anexo IV na noite de terça-feira e flagrou o drible dos servidores na norma.

Eles chegam pela garagem — muitos com roupas informais, destoantes do vestuário habitual da Câmara —, registram o ponto e aguardam o horário da saída.

A Casa já desembolsou, somente neste ano, R$ 33 milhões com o pagamento de horas extras.


A assessoria de imprensa da Câmara diz que há dois tipos de adicionais:
as horas extras propriamente ditas, com um custo de R$ 2,3 milhões, e as sessões noturnas, principalmente às terças e às quartas, que já custaram R$ 31,1 milhões.

No primeiro grupo, estão seguranças e técnicos que estendem a jornada de trabalho, inclusive no fim de semana. No outro estão os servidores flagrados pelo Correio. "Historicamente, o valor registrado neste ano está na média dos dois anos anteriores", justifica a assessoria.


A irregularidade flagrada na Câmara é uma das razões para os gastos com horas extras no Legislativo serem tão altos. Mas o dispêndio com serviços extraordinários faz parte da rotina administrativa nos Três Poderes, independentemente das fraudes detectadas.

Um levantamento dos pagamentos extraordinários do Executivo,do Legislativo e do Judiciário mostra que a União tem desembolsado em acréscimos salariais valores semelhantes a todo o montante gasto em 2010 na erradicação do trabalho infantil.

Em 2011, as horas extras dos Três Poderes custaram R$ 270 milhões, segundo informações da execução orçamentária obtidas até a primeira quinzena de setembro.


O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do Ministério do Desenvolvimento Social, recebeu durante todo o ano passado R$ 290 milhões para a proteção de crianças.


A cifra das despesas com serviços extraordinários é uma prévia.
Histórico de gastos da União com horas extras mostra que o governo tem desembolsado uma média de R$ 500 milhões anuais com a rubrica.


O valor é duas vezes maior do que o orçamento do Ministério da Pesca e equivale aos recursos direcionados a grandes programas, como o assentamento de trabalhadores rurais, proteção aos povos indígenas e segurança de voo e controle do espaço aéreo.


Josie Jeronimo, Vinicius Sassine e Júnia Gama Correio Braziliense

setembro 17, 2011

O brasil SEGUE MUDANDO : Alimentação e bebidas em 12 meses : aumento de 10,41%. Inflação acumulada : 7,23%

Os brasileiros estão preocupados com a subida dos preços dos alimentos, que atinge mais o bolso da população de baixa renda.

A inflação acumulada em 12 meses até agosto ficou em 7,23%, a taxa mais alta dos últimos seis anos, segundo o IBGE.

Os preços foram puxados para cima pelo grupo alimentação e bebidas que, em 12 meses, teve aumento de 10,41%, como mostra o gráfico abaixo.

Vale a dica de sempre: pesquisar e aproveitar as promoções.

O Globo

setembro 16, 2011

Mil dias entre céu e inferno

Faltam mil dias para a bola rolar na Copa do Mundo do Brasil de 2014. Quem vê a forma como o país está se preparando para receber o evento não consegue crer que tudo estará pronto a tempo.

O governo gastou anos dando toquinho de lado e agora precisa partir para o ataque, apelando até para gol de mão.


Eventos como o Mundial de Futebol são oportunidades de ouro para que um país dê saltos à frente no seu nível de desenvolvimento.

O enorme afluxo de dinheiro, a atenção e os interesses que o torneio atrai em todo o mundo permitem que se gerem benefícios duradouros para a sociedade.


Infelizmente, a perspectiva no Brasil não é esta.
Visto de hoje, dificilmente a Copa de 2014 deixará um legado para a população na forma de melhoria expressiva das condições de infraestrutura e qualidade de vida, principalmente em termos de mobilidade urbana - algo cada vez mais premente para quem circula nas nossas caóticas metrópoles.

O Brasil terá de fazer em mil dias o que não fez nos 1.417 que se passaram desde a data em que foi escolhido pela Fifa para sediar a Copa do Mundo de 2014. O país foi oficialmente confirmado como anfitrião do Mundial em 30 de outubro de 2007. É difícil conceber que nestes quase quatro anos tenhamos feito tão pouco.


Balanço oficial divulgado anteontem pelo governo Dilma Rousseff mostra que 64% dos empreendimentos voltados para a Copa ainda não saíram do papel.

De 81 obras, incluindo construção e reforma de estádios, ampliação de aeroportos, intervenções urbanas, melhorias viárias, adequações em portos, 52 simplesmente não começaram.


A situação é pior justamente onde mais interessa aos cidadãos:
nas intervenções voltadas a melhorar as condições de mobilidade urbana. De um total de 49 obras desta natureza, só nove foram iniciadas até hoje, o que dá menos de 20%.

Das 40 restantes, três estão em fase de projeto, 27 por licitar e três encontram-se em licitação.

Os investimentos previstos para mobilidade urbana somam R$ 12,1 bilhões. Das 12 cidades-sedes da Copa, em sete nenhuma intervenção desta natureza - o que inclui linhas de trens, monotrilhos, metrô, corredores de ônibus e melhorias viárias - foi iniciada.

Em portos e aeroportos, a penúria é igual ou pior. Todas as sete obras de infraestrutura portuária, orçadas em R$ 898 milhões, continuam no papel. Dos 13 aeroportos que terão melhorias - já que Viracopos, em Campinas, também será contemplado - somente oito tiveram obras iniciadas; neles, prevê-se investir R$ 6,4 bilhões.

O governo Dilma prefere ver calmaria onde impera tempestade.
Tenta chamar a atenção para o fato de que as arenas estão, em sua maior parte, em obras e com cronograma razoavelmente em dia.

"O mais importante é o estádio",
acha o ministro dos Esportes.
Só pode ser brincadeira.


Desdenha, também, do fato de o custo dos estádios ter subido assustadoramente, além do que um gasto que deveria ser eminentemente privado está, em boa medida, sendo bancado por dinheiro público.

Vendo que o cronômetro do jogo já vai avançado, o governo vai alterando as regras do jogo. Acaba de eliminar o prazo para que obras da Copa fossem pelo menos licitadas, que venceria em dezembro.

Mas concentra sua maior aposta para fazer os empreendimentos deslancharem na adoção do Regime Diferenciado de Contratações (RDC). Trata-se de uma espécie de gol de mão de desesperado.


Como se sabe, o RDC afrouxa as regras para contratação de obras públicas, abre um flanco na zaga para aumentos de preços e dificulta a vigilância e a fiscalização do juiz, por sua parca transparência.

Em razão disso, está sob fogo cruzado tanto dos partidos de oposição (PSDB, PPS e DEM) quanto da Procuradoria-Geral da República, que o considera inconstitucional.


Com o RDC, os orçamentos da Copa, que já não eram pequenos, correm risco de ir para a estratosfera. As estimativas hoje disponíveis são suficientemente divergentes para justificar temores e exigir mais, e não menos, rigor dos sistemas públicos de fiscalização e controle - tudo o que o governo do PT não quer.

Os atrasos e as delongas da gestão petista já estão custando bastante caro à sociedade. O que se cobra é que, nesta altura do campeonato, os improvisos nos preparativos para a Copa do Mundo tenham chegado ao seu limite.

Que a bola vai rolar a partir de 12 de junho de 2014, ninguém duvida.
Mas os que os brasileiros esperam é que sobre algum benefício para contar história depois que a festa do futebol acabar.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Brasil cai no ranking das telecomunicações

Embora tenha apresentado crescimento relativo de 3,72 para 4,22 pontos, o Brasil caiu duas posições, de 62º para 64º lugar, entre as 152 nações que mais cresceram na área de telecomunicações no período de 2008 a 2010.

O país ficou atrás de Uruguai (54º),
Chile (55º) e Argentina (56º),
e apenas um ponto à frente da Venezuela (65º).
A Coreia do Sul é a primeira da lista, seguida por Suécia,
Islândia,
Dinamarca e Finlândia.


Os dados são do Índice de Desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicações (TICs), elaborado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), no relatório "Medindo a Sociedade da Informação". O documento faz uma ampla análise da situação no mundo.

Segundo o estudo, os Emirados Árabes e a Rússia são os melhores em suas regiões. Já o Uruguai ocupa a primeira posição na América do Sul. Arábia Saudita, Marrocos, Vietnã e Rússia foram os que mais melhoraram entre 2008 e 2010.

Também se constatou que os brasileiros ainda pagam caro pelos serviços de telecomunicações (telefonia fixa, móvel e banda larga). Os gastos representam 4,8% de sua renda média.

Preço da banda larga cai, mas é alto nos emergentes

O relatório revelou que a média do preço dos serviços nos 152 países pesquisados teve queda de 18% entre 2008 e 2010. O maior decréscimo foi nos serviços de banda larga fixa, cujos preços despencaram 52%.

A UIT alertou que, enquanto nos países desenvolvidos os preços médios dos serviços correspondem a 1,5% da renda mensal do usuário, nas nações em desenvolvimento eles chegam a 17%.

Em 19 países, o gasto com o acesso à banda larga é maior do que 100% da renda média da população. E na África, no fim de 2010, os serviços de banda larga fixa custavam até 290% da renda mensal.


Para o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, que apresentou a pesquisa, um dos fatores que levam a preços muitas vezes proibitivos é a alta carga tributária brasileira, principalmente os impostos cobrados pelos governos estaduais.

Da 'Sorboninha' ao Turismo, sempre com o 'empurrão' da família Sarney

Citado no Congresso como "o intelectual do grupo Sarney", Gastão Vieira virou ministro do Turismo porque, além do peso do presidente do Senado na escolha, passou pelo pente-fino do Palácio do Planalto na sua ficha política. Na noite de quarta-feira, quando a bancada do PMDB na Câmara tinha uma lista de quatro nomes para o cargo, seus colegas brincavam: "Ele passou pelo crivo do Google, por enquanto".

Disputavam a indicação com Gastão os colegas de bancada Marcelo Castro (PI), Manoel Junior (PB) e, com menos chances, Lelo Coimbra (ES). Os dois primeiros não passaram pelo crivo no quesito "ficha limpa".

- Dilma não queria nomear num dia e ver o cara caindo no fim de semana. Sarney já tinha feito intervenções para manter o Turismo com o Maranhão e entrou de novo nesse momento. Deu Gastão - contou um dirigente do PMDB.

De fato, o novo ministro não tem problemas na Justiça nem foi citado em esquemas de corrupção. Frequentou o noticiário com aspectos negativos quando empregou uma das filhas no seu gabinete na Câmara, mas a demitiu depois que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu regras contra o nepotismo.

Também por conta das filhas voltou ao noticiário ao deixá-las no apartamento funcional da Câmara, em Brasília, quando assumiu o cargo de secretário de Educação de Roseana Sarney, no Maranhão. Alegou que, se tivesse que devolver o imóvel, voltaria ao mandato, pois sua família morava lá desde 1995. A Câmara não lhe tirou o apartamento. Entre 2009 e 2010, voltou ao governo de Roseana, como secretário de Planejamento.

Gastão, de 65 anos, é advogado, mas no Congresso sua atuação foi voltada quase que exclusivamente para a área de educação em cinco mandatos de deputado federal. Sua grande vitrine foi a elaboração do Plano Nacional de Educação.

Por sua atuação no Congresso, tem entre seus doadores de campanha empresários da área de educação.

O maior problema de Gastão, como se diz reservadamente no governo, é o fato de ser fiel aliado da família Sarney. A aproximação começou em 1985, quando foi convidado por Roseana Sarney, que então secretariava o pai na Presidência da República, para formar um grupo que foi batizado de "Sorboninha", em referência à universidade de Sorbonne, na França, para estudar os problemas do Maranhão e apresentar projetos. Indagado ontem se a indicação de Sarney o diminuía, rebateu:
O novo ministro sempre foi aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA), e tem uma relação próxima com a governadora Roseana sarney ( Jose Varella/CB/D.A Press )
- Absolutamente não. Sou ligado à família Sarney há muito tempo, mas o Sarney nunca impôs que eu fizesse nada. Eu tenho objetivos e programas bem claros na minha cabeça.

Desempenho fraco na disputa por prefeitura

O apoio da família Sarney não foi suficiente para evitar seu maior fiasco político, quando foi o sexto colocado nas eleições para a Prefeitura de São Luís, em 2008, com apenas 9.508 votos. Mas, em 2010, ele se recuperou e foi o deputado federal mais votado no estado, com 134.665 votos. Entre os adversários de Sarney, o novo ministro é criticado pela relação com a família mais poderosa do Maranhão.

- O Gastão é um cara que tem um potencial razoável, mas segue os Sarney cegamente. Não tenho notícia dele em coisa suja. Em quatro anos como secretário de Educação de Roseana ele construiu três escolas. E como secretário de Planejamento, a informação é que gastou o dinheiro todo antes do tempo - afirmou o deputado Domingos Dutra (PT-MA).

Maria Lima O Globo

IGP-10 triplica e sobe para 0,63% em setembro


Os alimentos, mais uma vez, aparecem pressionando a inflação e, assim, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu para 0,63% em setembro - mais de três vezes acima do que se viu em agosto (0,20%).

No atacado, os produtos agropecuários chegaram a subir 1,48% neste mês e os alimentos in natura, 1,56% - influenciados por aumentos nos preços de produtos como soja (4,02%) e café (6,88%).

Em 12 meses, o IGP-10 variou 7,79%.
No ano, a alta é de 4,02%.
O IGP-10 é calculado a partir de preços coletados entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.


O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) variou 0,73%, em setembro, ante 0,26% em agosto. Para Salomão Quadros, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o IPA apresentou uma "elevação bastante generalizada".

Além da aceleração em produtos agrícolas, Quadros acrescenta que já aparecem efeitos da subida do dólar em alguns itens.
Caso do minério de ferro que, por causa do câmbio, saiu de -0,31% para 2,69%.


- Os agrícolas tiveram pequena aceleração, porque alguns produtos como soja e café estão em alta no mercado internacional. Enquanto outros, mais voltados para o mercado interno, como o milho, encontram-se em queda de preço - disse Quadros.

Segundo Quadros, a taxa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,58%,
está praticamente concentrada na alimentação -
que passou de -0,57% para 1,23%.

Destaques para hortaliças e legumes (de -6,90% para -1,71%),
frutas (-0,13% para 8,47%)
e carnes bovinas (-0,22% para 2,19%).

Também apresentaram avanços em suas taxas os grupos de
Vestuário (-0,25% para 0,86%),
Educação, Leitura e Recreação (-0,15% para 0,17%),
Saúde e Cuidados Pessoais (0,35% para 0,46%)
e Transportes (0,14% para 0,19%).


- Se a economia estiver realmente em desaceleração, como espera o Banco Central, repasses do atacado para o varejo podem ser menores - disse Eduardo Velho, economista da Prosper Corretora.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em setembro, taxa de variação de 0,10%, abaixo do resultado do mês anterior, de 0,31%.

Fabiana Ribeiro O Globo

setembro 15, 2011

Números macroeconômicos : PIB e criação de empregos, uma desaceleração anunciada


Estatísticas isoladas, ou referentes a períodos curtos, têm pouco significado. Quando parecem fazer parte de uma tendência, porém, a coisa muda de figura.

Estimado pelo Banco Central, o IBC-Br pode ser visto como a mais abrangente medida do desempenho da economia, com a vantagem de ser conhecida mensalmente.

O dado de ontem sugere substancial perda de dinamismo. Nos oito meses que antecederam junho, a economia crescia a um ritmo médio anual de 4,0%. As médias móveis trimestrais de junho e julho indicam queda para 2,9% e 1,7% ao ano, respectivamente.

Ajustados pela sazonalidade, os dados do Caged revelam que, de uma geração média de 180 mil novos postos formais de trabalho (entre outubro de 2010 e fevereiro deste ano) passamos para algo ao redor de 100 mil, em junho e julho.

A desaceleração observada nos mercados de bens e serviços parece ter atingido o mercado de trabalho. Embora com defasagem, este anda a reboque daqueles mercados.

Que acontecerá daqui por diante? Quais as chances de experimentarmos reversão do que parece ser uma bem caracterizada tendência? A nosso ver, a probabilidade é muito baixa. Em primeiro lugar, certa desaceleração da economia - comparativamente ao observado em 2010, por exemplo - era absolutamente inevitável.

Afinal, no decorrer dos últimos anos, a política econômica não tem privilegiado fatores que nos permitiriam atingir potencial de crescimento mais elevado, como investimentos em infraestrutura e capital humano.

Segundo, preocupado com o descompasso entre demanda e oferta, o próprio BC já havia tomado medidas voltadas para promover tal desaceleração - parte do que se colhe agora decorre dessas medidas. Por último, muito provavelmente já chegaram ao Brasil os primeiros efeitos da segunda fase da grande crise internacional.

Ainda não sofremos aperto de crédito, tampouco contração da demanda por nossas exportações. Mas o clima já é outro, como se percebe pelo recuo das bolsas, por exemplo. Entre nós, quedas de cotação de ações não costumam influenciar o consumo das famílias, mas a associação de tais movimentos com as expectativas e o humor dos empresários parece inegável.

Investimentos das empresas representam parcela baixa da demanda agregada, mas tendem a ditar o rumo da economia, por causa da sua expressiva volatilidade.

Para eventualmente reverter o quadro atual duas coisas poderiam contribuir: uma política doméstica fortemente expansionista e melhora da situação internacional. A elevada taxa de inflação, bem próxima do topo da banda, não dá margem à primeira opção.

Quanto ao cenário externo, quanto mais se examina o assunto, mais se percebe a enrascada em que os europeus se meteram. De fora, não podemos esperar notícia boa.

A conclusão é que temos de nos preparar para uma fase ruim.

José Júlio Senna O Estado de S. Paulo

"É mais um caso absurdo de censura judicial"

A revista Viver Brasil, de Minas Gerais, foi obrigada pela Justiça a recolher exemplares de sua penúltima edição e a retirar da internet reportagem sobre supostas irregularidades praticadas pelo prefeito de Nova Lima, Carlinhos Rodrigues (PT).

Segundo a juíza Adriana Rabelo, de Nova Lima, a revista incorreu em "abuso da liberdade de imprensa" ao atingir "a honra e a imagem" do prefeito. "Ficamos chocados com essa situação", disse Homero Dolabella, diretor de redação do grupo VB Comunicação, que edita a revista. "É um caso de censura descarada."

O presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Roberto Muylaert, considerou o episódio "gravíssimo". "Uma juíza estadual está se insurgindo contra a Constituição, que garante a liberdade de imprensa. Infelizmente, não é algo inédito."

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) também criticou a sentença. "É mais um caso absurdo de censura judicial", disse Ricardo Pedreira, diretor executivo da entidade.

A Secretaria de Comunicação de Nova Lima afirmou que a revista foi recolhida porque a fonte da reportagem é um vereador que está impedido pela Justiça de "caluniar" o prefeito.
A juíza não se manifestou.

Estamos, sim, atrasados para a Copa

O governo diz que está tudo em dia para a Copa, mas não é essa a impressão que se recolhe das conversas com os setores privados diretamente envolvidos.

Aqui, há três tipos de preocupação:
falta de planos,
definições e regulamentações; atrasos em planejamento e obras;
e indefinição em relação ao pós-Copa.

Foram justamente esses os pontos destacados por diversos representantes do setor de Telecomunicações e Tecnologia da Informação, reunidos em São Paulo no evento Futurecom, nesta semana.

Muitos manifestavam surpresa com a promessa da presidente Dilma de que a tecnologia de celulares 4G, de altíssima velocidade, estará funcionando no Brasil nas cidades da Copa.

Acontece que esse sistema (com o nome técnico de LTE) nem está regulamentado. Com sorte e rapidez, se tudo der certo, o pessoal do setor acredita que o leilão para a concessão de faixas 4G só poderá ser realizado a partir de abril de 2012.

Além disso, a implantação exige pesados investimentos, em um momento em que as operadoras ainda nem conseguiram recuperar o que aplicaram nas redes 3G, aliás, não totalmente implantadas.

Disse a presidente que a Telebrás, a estatal do setor, já está autorizada a investir R$200 milhões na infraestrutura das cidades da Copa. Mas esse dinheiro não dá nem para o começo.

Ou seja, a presidente prometeu um sistema para o qual o próprio governo ainda não definiu a regulamentação. Além disso, essas regras dependem de legislação específica, para a qual não há projeto.

Obviamente, isso impede qualquer planejamento da parte das (muitas) empresas interessadas no negócio.

Havia dúvidas ali entre especialistas no Futurecom: a presidente Dilma teria se equivocado na sua promessa? Ou teria recebido informações equivocadas? De todo modo, não há como fugir à conclusão de que o governo anda meio perdido no que se refere às telecomunicações para a Copa, que constituem um imenso desafio.

A transmissão dos jogos para TV será por alta definição, em todas as cidades. Milhares de jornalistas, de turistas estrangeiros e brasileiros chegarão aos estádios portando smartphones e câmeras para registrar suas imagens e enviá-las no ato para os amigos.

E todos precisarão usar celulares e computadores com banda larga por toda parte, não apenas nos estádios e suas redondezas.

Não precisa ser técnico para imaginar o tamanho do esforço e do investimento. Todo o pessoal do setor diz que dá para fazer, mas que é preciso organizar e definir isso tudo urgentemente.

Todo esse planejamento depende também de se saber como será o pós-Copa. Quer dizer: monta-se uma ampla e avançada estrutura para a Copa; e o que se faz com ela quando o pessoal for embora?

Se não houver demanda doméstica para a utilização desse sistema, é prejuízo na veia. Ora, no momento, não há condições de aparecer essa demanda, porque está tudo muito caro no Brasil, dos equipamentos e aparelhos aos serviços.

O sistema vai oferecer a velocidade do 4G, mas os celulares para isso estarão a preços inacessíveis para a classe média, como são caros hoje os aparelhos 3G.

Nesse quadro, as companhias só farão os investimentos se tiverem a garantia de que serão remuneradas pelo governo. É outra coisa que está no ar.

E há precedentes negativos.
A operadora dos Jogos Militares, a Tim, antecipou tecnologias, levou rede para locais antes não atendidos e o que aconteceu? Metade dessa infraestrutura está lá, ociosa.

O governo poderia criar demanda doméstica promovendo uma acentuada redução de preços. Como? Reduzindo os pesados impostos que incidem em todo o setor, dos investimentos ao consumo.

O governo federal anunciou exoneração e redução de carga para certos investimentos, mas não basta porque os impostos são exageradamente elevados.

Além disso, o principal imposto é estadual (ICMS) e os governadores não parecem dispostos a abrir mão da receita.

Sem contar que em Brasília só se fala no contrário - em aumentar impostos. E, então, não é um caso de atraso geral?

De novo, o pessoal do setor insiste que não há nada perdido. Dá para correr, mas fica cada vez mais difícil, mais improvisado e, pois, mais caro.

Por trás dessa história, há uma questão essencial de política e economia. Para qualquer lado que se vá, a situação é a mesma: impostos elevados e juros altos bloqueiam investimentos e consumo.

O governo confessa isso toda vez que apresenta um plano de estímulo de algum setor: promete isenções de impostos e juros subsidiados.

Só que isso custa dinheiro, o que leva o governo a buscar recursos em outros setores. Termina que todo mundo paga caro para que alguns possam receber benefícios.

Além disso, é crescente a demanda por mais gasto público, a ser pago com mais impostos.

Não fecha. E, pior de tudo, nem temos uma seleção ganhadora.

Dá para correr, mas fica
cada vez mais difícil, mais improvisado

CARLOS ALBERTO SARDENBERG