"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 22, 2011

A fraca sintonia entre Planalto e os aliados.

A falta de sintonia política entre o Palácio do Planalto e a base aliada não se restringe apenas à relação do governo com o Congresso.

Tem provocado pressões dentro das próprias bancadas, colocando em risco a capacidade de articulação dos líderes políticos, e criado divisões que ameaçam a harmonia dos partidos tanto na Câmara quanto no Senado.

Na bancada de senadores do PR, a decisão de deixar a base de sustentação do governo gerou uma discussão intensa entre o líder Magno Malta (ES) e seus liderados.

No PP, a pouca afinidade com o governo levou à derrubada do deputado Nelson Meurer (PR). No PMDB, metade da bancada de deputados se organiza para derrubar Henrique Eduardo Alves (RN) da liderança do partido na Casa.

"As dificuldades com o Planalto estão atrapalhando os partidos", reconhece o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ele próprio é alvo da desconfiança do baixo clero da bancada peemedebista.

O Planalto, enquanto busca calibrar a relação com sua base de sustentação no Congresso, aposta nas secessões para retomar o controle. No caso do PR, por exemplo, a ministra Ideli Salvatti atuou em duas frentes no Senado.

Na primeira tentativa, lembrou ao líder Magno Malta (ES) que ele tinha um irmão na assessoria parlamentar do DNIT e não fechou as portas para uma possível aliança do senador Clésio Andrade (MG) com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, na disputa pelo governo de Minas em 2014.

"Eu apoiei Dilma em 2010, com o Pimentel, mas a minha prioridade para 2014, no momento, é buscar a reeleição para o Senado", desconversou Clésio.

Na sexta-feira, Ideli chamou o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), que há mais de um mês brada pelos corredores do Congresso que o partido será independente do Planalto, para convencê-lo de que o lugar do partido é na coalizão que sustenta o governo Dilma Rousseff.

Portela ouviu as ponderações da ministra e disse que vai conversar com seus correligionários. Levou o recado palaciano ao presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM) — o mesmo que na terça-feira jurou que o PR desembarcaria da nau dilmista.

"Não dei a resposta para a Ideli, preciso consultar as bases da legenda. Foram 45 dias maturando a decisão de sair do governo", esquivou-se Portela.

Instabilidade
No PP, o partido já havia se dividido durante as eleições presidenciais do ano passado. Apesar da decisão do presidente nacional da legenda, Francisco Dornelles (RJ), de apoiar a então candidata a presidente Dilma Rousseff, o então vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR), ficou do lado da candidatura de José Serra para presidente.

No início deste ano, a bancada escolheu Nelson Meurer (PR) para liderar os deputados. Insatisfeitos com a falta de "sintonia" do deputado com o Planalto, substituíram-no por Agnaldo Ribeiro (PB).

"O PP apoiou tantos golpes em sua história que resolveu dar um golpe em si mesmo", protestou o deputado Vilson Covatti (RS), em uma reunião interna da bancada.

O PMDB também está em crise interna.
"Como o Planalto não consegue dar andamento às demandas, os líderes acabam sendo pressionados para conseguir coisas que eles não têm como oferecer", disse Eduardo Cunha.

Os principais articuladores do movimento contra Henrique são os deputados Danilo Forte (CE) e Rose de Freitas (ES).
Um experiente deputado enxerga no movimento dos dois parlamentares uma mera busca por objetivos pessoais, sem questões ideológicas ou partidárias.

Para esse peemedebista, Danilo ainda ressente-se da perda da presidência da Funasa e deposita suas mágoas no líder Henrique Eduardo Alves, a quem acusa de não ter se empenhado na manutenção do cargo na cota do PMDB.

Já o caso de Rose de Freitas seria ainda mais grave:
ela teve total apoio de Henrique Alves na disputa interna pela indicação para a vice-presidência da Câmara.

Foi eleita e, diante das acusações que assolam o Ministério do Turismo, passou a enxergar a oportunidade de colocar um apaniguado na vaga de Pedro Novais.

Caciques políticos acreditam que as instabilidades não acontecem apenas pela falta de articulação entre o Planalto e a base. A falta de uma pauta consistente de votações no Congresso também deixa um vácuo político que passa a ser ocupado pelas intrigas e disputas internas.

Por outro lado, há um carência de lideranças capazes de motivar os liderados, tanto na Câmara quanto no Senado.

PAULO DE TARSO LYRA Correio Braziliense

FRENÉTICA/EXTRAORDINÁRIA/FAXINEIRA EM "SINUCA DE BICO ! 'El País': Brasil luta contra corrupção

Em reportagem de Juan Arias, o "El País" informou que a Fiesp e a Firjan, as federações das indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro, vão divulgar manifesto em favor da cruzada.

Para o jornal, é sintomático que os empresários apoiem o movimento, pois entendem que a corrupção "se infiltrou em todas as instituições do Estado como um freio ao desenvolvimento econômico do gigante americano".


Corrupção representa até 2,3% do PIB, diz Fiesp

O texto do jornal espanhol cita um estudo da Fiesp, concluído há poucos dias, que calcula as perdas causadas por diferentes tipos de corrupção entre 1,38% e 2,3% do PIB (dados apurados em 2010).

De acordo com a reportagem, os empresários brasileiros sustentam que, com o dinheiro desviado, daria para construir 78 aeroportos e 57 mil escolas por ano.

O presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, ouvido pelo jornal espanhol, disse que a corrupção, além de comprometer o desenvolvimento, potencializa também a violência por ser uma via por onde transitam as armas e as drogas ilícitas:

- Não podemos fazer vista grossa para o problema. É dever da sociedade apoiar a iniciativa do presidente
- (SINUCA DE BICO) -
Nas ruas do país, segundo o "El País", os brasileiros dizem que Dilma pôs as mãos(sic) no vespeiro da corrupção do governo e, agora, nem ela mesma sabe as consequências do gesto. "Rousseff está com medo do apoio que está recebendo, incluindo líderes da oposição, e não quer aparecer como heroína para não criar problemas com os partidos aliados da base do governo", diz o texto.

Organizadores pedem autorização para o ato

Cristine Maza, cuja iniciativa de fazer um protesto público é anunciada na abertura do artigo espanhol, disse que entrará hoje, junto com outros organizadores, com um pedido de autorização para o ato do próximo dia 20.

Embora o apoio ao protesto tenha mobilizado mais de três mil pessoas na internet, ela evitar arriscar uma previsão sobre o público esperado.

Chico Otavio O Globo

COALIZÃO SUSPEITA! Quantas crises mais para nos darmos conta do óbvio?

Vamos ter que viver quantas crises mais para concluir que o modelo de presidencialismo de coalizão brasileiro está esgotado?

Porque se é o presidencialismo de coalizão que tem garantido a ampliação da base parlamentar e a governabilidade, é esse mesmo modelo que vem comprometendo a gestão pública, ao abrir brechas para a corrupção e para a ineficiência.


Em nome da governabilidade, optamos por um pragmatismo político que tem esbarrado no limite da irresponsabilidade. A regra geral hoje é o patrimonialismo e o aparelhamento partidário dos cargos de confiança.

É certo que o conflito aberto entre Executivo e Legislativo tem como resultado a paralisia política, com enormes prejuízos para a sociedade. Também não dá para negar a lentidão do processo legislativo - e a governabilidade exige respostas mais rápidas.

Mas nada justifica as negociações nem sempre republicanas que vêm assegurando apoio parlamentar ao governo.


Se podemos tirar uma lição da atual crise, é que a coalização partidária que sustenta um governo precisa ser formada a partir de compromissos claros em torno de um programa comum, um projeto nacional baseado no interesse público - o que nem sempre acontece.

Não temos outro caminho senão a profissionalização da gestão pública. O que está longe de significar um governo formado só por burocratas. Até porque um nome técnico não é, necessariamente, garantia de honestidade e correção.

E seria um erro grosseiro associar automaticamente denúncias de corrupção a indicações puramente políticas. A indicação partidária é perfeitamente legítima, desde que feita de modo transparente, atendendo a critérios éticos e de competência técnica.


A atual crise nos leva também a questionar, mais uma vez, o número excessivo de cargos comissionados no setor público. Só o governo federal dispõe de mais de 20 mil cargos de confiança, que dispensam o filtro do concurso público e fazem a festa de muitos apadrinhados por aí.

Na França e na Alemanha, por exemplo, esses cargos não passam de 500.


Reduzir o inchaço da máquina pública não é apenas cortar gastos desnecessários, mas colocar um freio no aparelhamento desmedido do Estado. É permitir um controle mais eficiente da gestão pública.

Mais: apesar do avanço inquestionável na fiscalização e transparência dos gastos públicos, a fragilidade dos mecanismos de controle internos e externos ainda é um problema grave.

Os últimos acontecimentos comprovam a inexistência - ou, pelo menos, a ineficiência - de mecanismos preventivos de controle, capazes de evitar desvios, fraudes e desperdícios.


Desvios e fraudes só têm sido identificados e investigados depois que rios de dinheiro público já foram perdidos. Na verdade, só depois de virarem notícia e crise política.

Quantas crises mais serão necessárias?
Quantas crises mais para nos darmos conta do óbvio?

Ricardo Ferraço O Globo

agosto 21, 2011

IPCA acelera na prévia e supera 7% em 12 meses

Pressionado pelo aumento nas refeições em restaurante, alta mensal de 0,27% surpreende analistas, que já revisam para cima previsões para o índice oficial

Em meio ao noticiário internacional negativo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia do IPCA, foi mais um fator a esfriar ânimos no mercado.

O indicador atingiu o teto das estimativas, com alta de 0,27%, ante 0,10% em julho, pressionado por alimentos, principalmente refeição em restaurante (0,92%).


Com o resultado, o indicador acumula alta de 7,10% em 12 meses, bem acima do teto da meta de 6,5%.

O cenário forçou analistas a revisar para cima estimativas de agosto para o IPCA, referência para meta inflacionária.


Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o avanço mais intenso do IPCA-15 surpreendeu até mesmo o Banco Central (BC).

No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o BC previa que a inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA até o terceiro trimestre se manteria no nível de 6,7%.


Mesmo com o terceiro trimestre ainda na metade, a inflação teria de desacelerar com força em agosto e setembro para que se cumpra a previsão do BC. "Segundo o relatório, a média mensal esperada era de 0,13% para este trimestre", disse Leal.

Reversão.
Na prática, houve uma brusca reversão na trajetória dos preços dos alimentos (de -0,39% para 0,21%) na análise da economista-chefe da Icap Brasil Inês Filipa.
Mas, para Inês, o resultado não muda as projeções para a taxa básica de juros, que deve permanecer em 12,5% na próxima reunião do Copom.


A especialista lembrou que, no cenário doméstico, a economia brasileira mostra desaceleração mais nítida, o que pode contribuir para folga maior nos preços.

A Concórdia Corretora revisou de 0,31% para 0,33% a estimativa para o IPCA de agosto, após o IPCA-15. Segundo o economista-chefe da corretora, Flávio Combat, o indicador deve fechar o ano em 6,1%, ainda próximo ao teto da meta (6,5%).

Para ele, o mercado de trabalho continua aquecido e os salários ainda crescem em ritmo elevado. Isso pode ser exemplificado nas refeições fora de casa, principal impacto do IPCA-15 de agosto.

"Com o emprego em alta, e os salários também, os trabalhadores vão a restaurantes com mais frequência. É uma mudança de hábito do brasileiro", opinou.


A Tendências Consultoria também revisou o IPCA deste mês, de 0,28% para 0,32%.

Alessandra Saraiva e Denise Abarca O Estado de S. Paulo

Industrializado nacional é mais caro.

Os produtos industrializados brasileiros estão hoje entre os mais caros do mundo, segundo estudo feito pela RC Consultores a pedido do Movimento Brasil Eficiente.

A pesquisa, que comparou o preço de produtos vendidos no país com mercadorias idênticas à venda em África do Sul,
Austrália,
EUA,
França
e Reino Unido em junho, mostrou que a cesta brasileira de produtos custa 48% mais que a média ponderada desses países.

O país liderou em 12 das 29 categorias da amostra que incluiu de produtos industrializados a alimentícios básicos, como batata e leite.

Os preços do Brasil foram os mais caros no automóvel,
MP3 player,
TV,
blue ray,
videogame,
tênis,
celular,
fralda,
perfume,
remédio,
maquiagem e notebook.

- A cesta de produtos evidencia o quanto os custos brasileiros estão elevados se comparados aos outros países. Isso ocorre principalmente por causa da elevada carga tributária, que encarece especialmente os produtos que têm uma cadeia de produção longa, como os veículos, por causa do efeito em cascata - diz Fábio Silveira, sócio da RC Consultores responsável pelo estudo.

Segundo Paulo Rabello de Castro, presidente da RC Consultores e coordenador do Movimento Brasil Competitivo, a carga tributária responde por 70% da perda de competitividade do Brasil frente aos outros países.

Isso porque a distribuição dos impostos pesa mais sobre os produtos que sobre a renda, o que onera especialmente a população de baixa renda:

- Além da carga tributária, os custos energéticos e financeiros também afetam a competitividade. Mas o que dá uma diferença de 10% a 20% em relação aos outros países, e que deixa os dados gritantes, é a apreciação cambial.

Por esses motivos, comprar um carro no Brasil custa mais de três vezes mais caro que nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, o Hyundai Santa Fe, vendido aqui por US$69,3 mil, é comercializado em lojas americanas por US$21,8 mil.
O valor médio do veículo nos países pesquisados foi de US$31,4 mil.


Um videogame sai ainda mais caro.
O Xbox 360 com Kinect, que custa US$299 nos Estados Unidos, sai por US$1.196 no Brasil, exatamente quatro vezes mais caro.

Na África do Sul, segundo país mais caro da amostra, o mesmo produto custa US$515, enquanto na média internacional custa US$405.


Em outras cinco categorias (celular, blue ray, tênis, remédio e maquiagem) os produtos brasileiros custam pelo menos o dobro da média internacional.

O iPhone 4 de 32 Gigabytes vendido no Brasil por US$1.323, tem um preço médio de US$589.
Já o blue ray X-men Origens: Wolverine, vendido por US$35 no Brasil custa em média US$15 entre os países analisados.


O Brasil só ficou mais barato que a média em sete categorias:
máquina de lavar roupa,
calça jeans,
xampu,
leite,
açúcar refinado,
cerveja e jornal.

Segundo Silveira, isso se deveu principalmente à produtividade do país em áreas como a alimentícia e em produtos agrícolas básicos.
(Paulo Justus)

GLOBO

VAPT VUPT! PROJETO ENVIADO às 22h59m de 29/12. PROPO$TA ANALI$ADA às 13h/ DIA $EGUINTE. À$ 19h26m, PLANO APROVADO.

Seis meses depois de mudar o estatuto, o Instituto para a Preservação do Meio Ambiente e Promoção do Desenvolvimento Sustentável (Iatec), ONG especializada em assuntos rurais, obteve um contrato de R$8 milhões do Ministério do Turismo para qualificar 18 mil cozinheiros, garçons e taxistas e outros profissionais do turismo no Nordeste este ano.

A ONG é dirigida pelo agrônomo Etélio de Carvalho, ex-secretário de Agricultura do governo João Alves, em Sergipe. O projeto foi aprovado em menos de sete horas após o início da análise da proposta.


O negócio foi fechado em 30 de dezembro do ano passado. Mas o dinheiro começou a ser liberado este ano, já na gestão do ministro Pedro Novais.
Até o momento, o Iatec já recebeu R$3 milhões.

O parecer técnico, favorável à sua contratação foi assinado pela ex-diretora de Qualificação e Certificação Regina Cavalcante e pela ex-coordenadora-geral de Qualificação e Certificação Freda Azevedo Dias.

O convênio foi assinado pelo ex-secretário-executivo Frederico Costa.


Projeto aprovado em tempo recorde

Os três passaram quatro dias presos no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá semana passada, acusados pela Polícia Federal de facilitar desvio de dinheiro para a qualificação de profissionais do turismo no Amapá.

Em 3 de junho do ano passado, o Iatec mudou o estatuto para incluir turismo entre suas áreas de atuação. Seis meses depois, já estava na lista de ONGs beneficiárias da torneira de recursos públicos do Ministério do Turismo.

O Iatec enviou um projeto para o ministério às 22h59m de 29 de dezembro. A proposta começou a ser analisada às 13h do dia seguinte. Às 19h26m, o plano já estava aprovado.


"Constatamos por meio de currículo institucional que o Iatec possui competência técnica e operacional para executar as ações propostas", escreveram Freda e Regina Cavalcante, conforme nota técnica nº 295/2010, a que O GLOBO teve acesso.

No mesmo texto, as duas aprovam o projeto e solicitam o empenho de R$4 milhões para o projeto.
As duas não informam quais as informações que atestariam a competência técnica da ONG.

O Iatec nunca executou serviço algum na área de turismo.

Até o momento, mesmo após receber R$3 milhões do ministério, a ONG não matriculou um só aluno.

Não definiu nem mesmo o número de cursos e de estudantes. O Iatec não explica nem mesmo por que decidiu propor a qualificação de 18 mil profissionais do turismo. A ONG já fez contratos também com o Incra e com o governo de Sergipe.


- Temo$ intere$$e de participar de qualquer edital público - afirmou o ex-secretário Etélio.

GLOBO

LICITAÇÃO SEM RIVAIS: LICITAÇÃO NO TURISMO SÓ TEVE UMA EMPRESA CONCORRENTE. É O TURISMO DO LIXO.

O Ministéiro escolheu a Promo Inteligência Turística, com capital de R$ 210 mil, para um contrato de R$ 10 milhões. A vencedora da concorrência tem ligações com uma ONG acusada de receber recursos ilegais da pasta.

Empresa com capital social de R$ 210 mil participou sozinha da disputa por um contrato de R$ 10 milhões. Ex-número dois do ministério, preso durante a Operação Voucher, acompanhou todo o processo

O Salão do Turismo de 2011 em São Paulo, principal evento promovido pelo Ministério do Turismo, foi realizado sem concorrência. A empresa Promo Inteligência Turística ganhou o contrato de R$ 10,4 milhões sem a necessidade de competir com ninguém em um negócio bastante atrativo.
A vencedora da "concorrência" não só assinou a parceria com o governo federal, como tornou-se organizadora exclusiva para a comercialização dos espaços.

Para a Promo, significou acordos com diversas secretarias estaduais de turismo e até com órgãos estatais. E representou também dois dias antes da abertura da feira um aditivo contratual de quase R$ 350 mil.

A publicação do edital de licitação ocorreu em 19 de janeiro. Doze dias depois as empresas deveriam apresentar as documentações exigidas. Segundo o Ministério do Turismo, quatro retiraram o edital, mas apenas a Promo se interessou.

As outras três firmas especialistas no setor turístico alegaram ao Correio, com a condição de que os nomes não seriam divulgados, que a oferta do governo não era vantajosa o suficiente para entrar na jogada, por isso, desistiram.

Deixaram, assim, caminho livre para uma empresa formada em 2008, com capital inicial de R$ 10 mil, que, segundo a Junta Comercial de São Paulo, foi alterado para R$ 210 mil em 27 de abril de 2010.

A Promo tem como sócias Gisele Antunes Lima Assumpção e Silvana Fiaccadori Torres, além da empresa de capital fechado Grupo Brasileiro de Marketing e Comunicação (GBMC). Gisele e Silvana são as duas únicas sócias do GBMC.

A concorrência teve como presidente da Comissão Especial de Licitação Isabel Cristina Barnasque, que, em 2 de março, comunicou aos interessados no certame que ele havia sido homologado à Promo Inteligência Turística. Um mês e 11 dias depois, o ministro do Turismo, Pedro Novais, nomeou a mesma servidora como coordenadora-executiva do Salão do Turismo.

Servidores da Comissão de Licitação informaram ao Correio que o então secretário-executivo Frederico Silva da Costa, preso na Operação Voucher da Polícia Federal, acompanhou com interesse peculiar todo o processo, tomando conhecimento dos mínimos detalhes.

O Correio revelou que o ministro Pedro Novais havia assinado, 14 dias depois de promover Isabel Cristina à coordenadora-executiva do Salão do Turismo, uma portaria dando plenos poderes a Frederico Silva da Costa.

O então secretário-executivo, que pediu demissão do cargo na última terça-feira, era o ordenador de despesas da pasta, quem determina o andamento de todo o orçamento.

A Secretaria Executiva também assinou o contrato inicial e autorizou um aditivo. Em 11 de julho, dois dias antes da abertura do Salão do Turismo, o contrato de R$ 10,4 milhões foi elevado em R$ 347,8 mil.

A Promo respondeu, via assessoria de imprensa, que não tem relação com Costa e que nunca se encontrou com o ministro do Turismo. Mas uma das relações da empresa de inteligência turística é com uma ONG que recebeu ilegalmente recursos da pasta: o Instituto Cia do Turismo.

De acordo com o Diário Oficial da União de 31 de maio de 2010, a empresa firmou parceria de R$ 332,5 mil com o instituto para prestar serviço comercial e turístico em Santa Catarina. Segundo o extrato de contrato, Gisele assinou pela Promo e Jorge Nicolau Meira, pela Cia do Turismo.

Um ano antes, em 1º de junho de 2009, a Cia do Turismo contratou a empresa Mark Up para serviço de promoção comercial dos pontos turísticos catarinenses por um valor de R$ 332,6 mil. Quem assina pela Mark Up também é Gisele Antunes Lima Assumpção.

Para a realização do Salão do Turismo, um dos maiores contratos foi com o governo de Santa Catarina, no valor de R$ 405 mil. A Caixa Econômica Federal pagou R$ 200 mil e a Secretaria de Aviação Civil, R$ 26,3 mil. Os estados de Espírito Santo, Piauí, Mato Grosso e a cidade de Foz do Iguaçu, por exemplo, também compraram espaço.


Atestado falso
O Instituto Cia do Turismo foi formado em julho de 2008, mas conseguiu receber dinheiro público antes do prazo de três anos mínimos de existência.

Reportagem do jornal O Globo mostrou que a entidade conseguiu firmar os convênios graças a um atestado falso de funcionamento assinado pelos senadores Casildo Maldaner (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB) e pelos deputados Valdir Colatto (PMDB) e Edinho Bez (PMDB).

No documento, os quatro disseram que a Cia do Turismo estaria em atividade desde 2003.

Mas o cartório informa que a entidade surgiu em 2008.

Correio Braziliense

agosto 19, 2011

D E S A C E L E R A N D O .


A atividade econômica está se desacelerando no país. As previsões de crescimento estão sendo revistas para baixo e o próprio governo já admite expansão menor do PIB neste ano.

A despeito disso, a equipe econômica fala em gastar mais em 2012, ao mesmo tempo em que a cobrança de impostos do contribuinte bate recorde.
O IBC-BR, índice criado e adotado pelo Banco Central como indicador antecedente do comportamento do PIB, caiu 0,26% em junho, na comparação com o mês anterior.

Foi a primeira vez que isso aconteceu desde dezembro de 2008, ou seja, em 30 meses. No trimestre (o segundo do ano), a expansão ficou em mero 0,69% sobre os três meses anteriores


Isso significa que a economia brasileira caminha hoje num ritmo de crescimento inferior a 3% anuais. Como os resultados precedem os recentes movimentos mais dramáticos da crise econômica mundial, a situação tende a ser pior.

(Vale lembrar que, em 2010, o PIB brasileiro avançou 7,5% e as previsões para este ano estimavam algo em torno de 4,5%.)


O governo acredita que a diminuição do ímpeto do crescimento, somada à queda das cotações das
commodities, ajudará a conter a inflação.
Ontem, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, previu que o índice irá convergir para o centro da meta já no ano que vem.

Seria o lado bom da história, mas a maior parte dos agentes de mercado não compactua com isso
O problema maior é a postura do governo frente aos gastos públicos.

Na crise anterior, a gestão Lula abriu a torneira e ampliou desmesuradamente as despesas. Isso ajudou a frear o desaquecimento, mas legou um aumento disseminado de preços que até hoje se tenta debelar.


A receita agora precisa ser outra:
manter os gastos sobre controle estrito e atacar os juros.
Mas, pelo que publica o Valor Econômico hoje, o governo Dilma Rousseff não pretende trilhar este caminho.

O esforço fiscal para 2012 deve ser menor do que o que está sendo executado este ano", escreve a colunista Claudia Safatle.


Segundo ela, no ano que vem, o superávit primário do governo central poderá cair para até R$ 56,4 bilhões.
Para se ter ideia de quanto o governo planeja poupar menos em 2012, o superávit fiscal previsto para este ano é de R$ 81,8 bilhões.

A redução decorre da intenção da equipe econômica de abater do cálculo do resultado fiscal todos os gastos previstos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Sem o "desconto", seria preciso perseguir uma meta de R$ 97 bilhões.
Mesmo agora, o desempenho fiscal do governo Dilma já não é nenhuma Brastemp.

O ajuste tem sido feito nos moldes da velha ortodoxia econômica, que os petistas tanto adoram dizer que detestam:
aumento de carga tributária, corte de investimentos e elevação das despesas correntes, que vão de pagamento de salário a compra de cafezinho, passagens e papel.


Apenas nos sete primeiros meses do ano, foram arrecadados R$ 555,8 bilhões em tributos federais, conforme
divulgou a Receita ontem. Somente em julho, foram recolhidos R$ 90,2 bilhões junto aos contribuintes, um recorde absoluto, ajudado por um bilionário pagamento feito pela Vale ao fisco.

O aumento da arrecadação em relação ao período compreendido entre janeiro e julho do ano passado é de 14%, já descontada a inflação. Isso equivale a mais que o triplo do que a economia brasileira deve crescer neste ano, consideradas as projeções mais otimistas.

Ou seja, o contribuinte está sendo esfolado como nunca antes na história.
O governo arrecada muitíssimo, mas gasta cada vez mais mal. Nos sete primeiros meses do ano, os investimentos da União diminuíram 18% em valor real e os das empresas estatais, 17,5%.

Os empenhos com esta finalidade caíram R$ 10 bilhões, na comparação com os sete primeiros meses de 2010, mostrou ontem
O Estado de S.Paulo. Ao mesmo tempo, o gasto corrente subiu 5% acima da inflação no semestre.

O que transparece é que o governo Dilma ainda não tem claro como irá se comportar diante de um quadro mais adverso nas finanças globais.


Existe uma oportunidade evidente para uma correção de rumos, com contenção dos gastos públicos, redução dos juros e uma consequente acomodação das cotações da moeda nacional num nível mais favorável às exportações.

O que não há, ainda, é um plano de voo estruturado para aproveitá-la.


Fonte: ITV

Alimentos voltam a pressionar e inflação acelera em agosto

Os preços dos alimentos voltaram a subir, pressionando a inflação de agosto medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15).

Depois de ter avançado 0,10% em julho, a inflação acelerou para 0,27%, ficando acima das previsões dos economistas, que estimavam uma taxa entre 0,15% e 0,22%. Como se sabe, o IPCA-15 é considerado a prévia da inflação oficial (IPCA).

Com esse resultado, o acumulado no ano foi para 4,48% e, em 12 meses, o IPCA-15 subiu de 6,75% para 7,10%, segundo o IBGE, ficando bem acima do teto da meta (6,5%). Mas esse aumento da inflação acumulada já era esperado, como já falamos aqui no blog. A partir de setembro, deve começar a cair.

Os dados mostram que o grupo alimentação e bebidas, que havia registrado deflação em julho, voltou a subir, registrando alta de 0,21% em agosto, puxado pelo aumento da refeição em restaurante.
O IBGE explica também que outros alimentos que estavam em queda, como feijão carioca, arroz e carnes, subiram.


Os alimentos, no entanto, não foram os únicos vilões:
os combustíveis também deixaram a deflação para trás (-1,17%), subindo 0,01% em agosto.


A alta do etanol foi menos intensa (1,79% para 1,54%), segundo o IBGE, mas a gasolina caiu menos (de –1,49% para –0,17%).

Com isso, o grupo transportes, que tinha registrado variação de -0,02% em julho, subiu 0,03%. Habitação, artigos de residência e vestuário também aumentaram de um mês para o outro.

Valéria Monteiro/Globo

CNI: crise afetará ainda mais a confiança dos empresários

Os empresários estão menos confiantes, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e a situação adversa da economia mundial deve fazer com que o otimismo caia ainda mais no terceiro trimestre.

Em agosto, o índice que mede a confiança caiu para 56,4 pontos, como mostra o gráfico abaixo, ficando abaixo da média histórica de 59,6 pontos.

A CNI diz que a queda do otimismo, que ocorre praticamente desde fevereiro, ocorreu em todos os portes de empresa e foi puxada pela piora na avaliação das condições atuais da economia. A confiança em relação aos próximos seis meses também é menor:

- O setor industrial vem percebendo que a economia perde dinamismo e, por isso, está menos otimista - diz o economista Marcelo de Ávila, da CNI.

Valéria Monteiro/Globo