"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

agosto 09, 2011

BRASIL CARCOMIDO! QUEM CONTROLA O CONTROLADOR? Emenda de deputada do PMDB favoreceu contrato do Turismo investigado pela PF.

A deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) foi a autora de duas emendas - uma de R$ 4 milhões e outra de R$ 5 milhões - que favoreceram o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) nos contratos com o Ministério do Turismo para capacitação profissional no Amapá.

Operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 9, prendeu 38 pessoas, incluindo dirigentes da entidade e funcionários do ministérios vinculados ao convênio entre o Turismo e o Ibrasi. Todos os contratos estão em vigência.

Segundo documentos obtidos pelo Estado, a deputada Fátima Pelaes enviou, no dia 12 de novembro de 2009, um ofício ao então ministro do Turismo, Luiz Eduardo Pereira Barreto Filho, em que indicou uma emenda parlamentar dela no valor de R$ 4 milhões para o Ibrasi (abaixo).

No mês seguinte, no dia 21 de dezembro daquele ano, o Ministério do Turismo assinou o convênio no valor de R$ 4,4 milhões com a entidade, sendo R$ 4 milhões dos cofres do governo (fruto da emenda da deputada) e o restante como contrapartida do Ibrasi.
O ofício da deputada está no processo do convênio.


O contrato foi assinado por Mário Augusto Lopes Moysés, então secretário-executivo do ministério. Ele é um dos presos na operação da Polícia Federal desta terça-feira.


No dia 30 de junho do ano passado, um novo ofício da deputada Fátima Pelaes solicitou a destinação de uma outra emenda dela, agora de R$ 5 milhões, para o Ibrasi.

Meses depois, no dia 15 de setembro, o ministério assinou convênio no mesmo valor com a entidade para “Implantação de processos participativos para Fortalecimento da Cadeia Produtiva de Turismo do Estado do Amapá”.


Este contrato foi assinado por Frederico Silva da Costa, atual secretário-executivo do ministério e que também foi preso pela Polícia Federal. Na época, ele era Secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo.

Um terceiro contrato foi assinado pelo Ministério do Turismo no valor de R$ 6,9 milhões com o Ibrasi em 2009 para “Desenvolver metodologia para realização de pesquisas e promover a sua aplicação no que tange ao estudo e diagnóstico nos terminais portuários dos passageiros no litoral brasileiro”.

Neste convênio, a príncípio, não aparece emenda parlamentar.

O Estado procurou a assessoria da deputada Fátima Pelaes, mas não houve retorno até o momento.

ROSSI : "Há sempre uma concorrência natural por e$paço", diz ele sobre a pa$ta. FRENÉTICA/FAXINEIRA APÓIA.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, sob pressão, tentou mostrar ontem que não tem ligação com as novas irregularidades em sua pasta e admitiu que a disputa por espaço político na Conab pode estar alimentando as denúncias.

Sem responder a algumas perguntas, Rossi criticou órgãos da imprensa que, segundo ele, estariam dando espaço a pessoas e ex-funcionários que tiveram interesses contrariados.

Ao sugerir disputa política no setor, o ministro se refere ao fato de que há indicações políticas na Conab feitas por pelo menos três partidos - PMDB, PT e PTB.


- Há sempre uma concorrência natural por espaço. A Conab tem diretores de vários partidos, e isso tem gerado problemas. Hoje, sinto que há uma certa dificuldade de entendimento entre os diretores - disse Rossi, em entrevista.

Ele se defendeu dizendo que abriu inquérito administrativo para apurar a denúncia, da revista "Veja", de que o lobista Júlio Fróes teria usado sala e computadores do ministério e distribuído pacotes de dinheiro a funcionários do setor de licitações da pasta.

Rossi disse ainda que não conhecia Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação do ministério, que admitiu à "Veja" ter recebido o pacote de dinheiro de Fróes e recusado. O ministro ponderou que havia uma disputa entre dois grupos na pasta, um ligado à gestão anterior e outro que ascendeu:

- Ele (Israel) fez acusações graves, mas precisa comprovar. Todos serão chamados, e ninguém apontou fato ilegal que eu tivesse cometido. O ônus da prova é de quem alega.

Rossi lamentou a saída de Milton Ortolan, contando que pediu que ele apenas se afastasse durante as investigações, mas que o assessor e seu amigo há 25 anos não aceitou, por ter se sentido humilhado e insultado com a reportagem. O ministro defendeu o contrato de R$9 milhões, feito pelo ministério com a Fundação São Paulo, entidade mantenedora da PUC-SP, para capacitação de funcionários da pasta.

Rossi disse que tudo foi feito dentro da lei e que a dispensa de licitação ocorreu porque o produto oferecido por eles é único.

Indagado se se sente firme no cargo, respondeu:

- A presidente Dilma tem me dado todos os motivos para que eu me sinta firme e confortável, e meu trabalho está sendo avaliado. Não tenho necessidade vital de estar aqui.

O ministro negou que haja algum tipo de orquestração política contra ele ou o PMDB, mas ponderou que o partido tem crescido em áreas importantes e que a disputa pela prefeitura de São Paulo tem criado problemas e confrontos.

Isabel Braga O Globo

VOLATILIDADE/CALMA/PRUDÊNCIA - "Quem está fora, fique fora! Quem está dentro, tenha sangue frio e mantenha posição!"


Ontem foi um daqueles dias em que a tela do computador é monocromática. Os mercados de capitais ao redor do mundo operaram no vermelho e ao acessarmos os serviços de informações o susto foi grande. Em momentos como este, de alta volatilidade do mercado, maior deve ser a atenção à estratégia traçada para a carteira.

Investir na bolsa em períodos como este exige um grau de conhecimento e dedicação maior que em outros momentos. Afinal, maior volatilidade significa maior grau de risco.

Mercados nessas condições exigem muito sangue frio.
A resposta que todos estão buscando é sobre o fundo do poço e saber isso não está nada fácil. Em diversas ocasiões vi muita gente boa queimando a língua em relação às suas apostas de que o piso do poço já havia sido atingido.


Nesta hora, costumam aparecer muitas "dicas" ou "informações de bastidores". Ouço algumas vozes recomendando comprar porque afinal o mercado está "barato". Que há muitas pechinchas esperando pelo seu dinheiro.

O momento exige que eu seja direto:
"Quem está fora, fique fora! Quem está dentro, tenha sangue frio e mantenha posição!"


Dar ouvidos a especulações é se abrir à possibilidade de cometer as maiores bobagens, como comprar na alta e vender na baixa - sair da posição quando os preços já estão no fundo do poço.

Ou pior:
voltar para a posição de alta quando os preços estão prestes a cair novamente.
Esse alerta é, principalmente, indicado para aquelas pessoas sem grandes conhecimentos sobre investimentos ou que não têm tempo para se dedicar a análises sobre empresas e mercados.


O grande erro que muitos cometem é ser influenciado pela alta volatilidade de preços e abandonar suas estratégias de longo prazo. Muitos investidores nem sequer mantêm uma carteira bem diversificada. São ávidos por "dicas de cocheira" e alteram suas posições com base em qualquer nova.

A chance de realizar perdas é muito grande.

É essencial para o investidor presente na bolsa, neste momento, ter muita frieza, mirar no longo prazo e firmar uma estratégia de investimentos. Lembre-se de não fazer confusão entre prejuízo econômico com prejuízo financeiro. A perda econômica pode ser reversível, a financeira é que sentimos no bolso e é irrecuperável.

Algumas dicas são sempre importantes:

Investigue. Não jogue o seu dinheiro no escuro.

Desconfie de dicas muito fáceis.

Acompanhe o mercado 24 horas.

Evite a opinião da massa.

Cuidado com o tipo de ordem que você dá ao seu corretor.

Tenha calma e mais calma!

Volatilidade significa alto risco.
A palavra significa a propriedade de certas substâncias sólidas ou líquidas de se transformarem em gasosas. Assim, fique atento para não transformar seu dinheiro em vapor. Prudência é a palavra de ordem.

Fabio Gallo Garcia O Estado de S. Paulo

MOTIM NO BARCO DO MINISTRO PASSOS! "São 2.800 servidores e nenhum se qualifica para ser diretor?"


Triunvirato nomeado para a diretoria interina do Dnit a fim de não paralisar as atividades do órgão contesta as indicações de Dilma Rousseff e incita servidores a se rebelarem

Os três servidores nomeados "em caráter transitório" para ocupar diretorias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) mobilizam funcionários do órgão para promover um levante contra cinco das sete indicações da presidente Dilma Rousseff para as diretorias efetivas.

Na manhã de ontem, Luiz Heleno Albuquerque, interino da Diretoria Executiva;
Eloi Angelo Palma; interino da Diretoria de Infraestrutura Rodoviária;
e Marcelo Almeida Pinheiro Chagas, interino da Diretoria de Infraestrutura Rodoviária, comandaram assembleia de servidores no auditório do órgão, no Setor de Autarquias Norte, em Brasília, cobrando alterações na lista de indicações do governo — prevista para ser sabatinada no Senado nos próximos dias.

Os funcionários foram convocados pelo sistema de som do prédio do Dnit e o Correio acompanhou a mobilização.


Aplaudido por cerca de 500 servidores que lotaram o auditório, com todas as cadeiras preenchidas e grande número de funcionários em pé, Luiz Heleno foi o autor do discurso mais inflamado.

O diretor temporário afirmou que a presidente tem a prerrogativa de escolher o diretor-geral do Dnit — indicação que ficou com o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe — e o secretário executivo do departamento — na lista de Dilma, é o servidor da Controladoria-Geral da União (CGU) Tarcísio Gomes de Freitas —, mas o quadro técnico teria que ficar com o próprio Dnit.

Luiz Heleno elogiou a escolha de Fraxe e de Tarcísio, mas questionou os critérios adotados nas outras cinco indicações.


O diretor interino disse ainda que muitos funcionários do Dnit tinham currículo "até melhor" do que os indicados, e que a escolha da nova diretoria "não contemplou discussão interna".

Ainda de acordo com Luiz Heleno, a lista foi feita "de cima para baixo" e o fato de nenhum servidor do órgão ter sido lembrado significa uma "intervenção branca" no departamento.

No quadro técnico escolhido pela Presidência, a Secretaria de Gestão dos Programas dos Transportes, também da pasta, foi prestigiada com três indicações; o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) com uma; e um funcionário do Ministério da Fazenda em exercício no governo do Rio de Janeiro ficou com um posto na área financeira.

"O Dnit não vai ser uma casa de cordeiros esperando a faca entrar no nosso bucho", discursou Luiz Heleno.


Ameaças
Durante a assembleia, os oradores afirmaram que, se os quadros do Dnit não fossem contemplados nas indicações, a rotina do trabalho poderia ser "prejudicada".

A paralisação seria usada como forma de pressão contra o governo. Luiz Heleno informou que a reunião seria curta, pois ele ainda se encontraria com o ministro Paulo Sérgio Passos ontem.

Ele perguntou aos funcionários se poderia apresentar ao ministério o pleito como um pedido de todo os servidores. Os funcionários levantaram as mãos e aprovaram a representação do diretor temporário.


Antes do fim da reunião, um servidor pegou o microfone para pedir que os três diretores não entregassem os cargos, pois poderia acarretar a extinção do órgão e a paralisação das licitações — o governo convocou os diretores temporários para garantir o quorum da diretoria colegiada do Dnit, responsável pela avaliação das concorrências públicas.

Servidores aplaudiram a manifestação de Luiz Heleno e reforçaram as críticas à lista de Dilma. "Os indicados não têm know how, só currículo acadêmico", criticou um funcionário.

"São 2.800 servidores e nenhum se qualifica para ser diretor?", questionou outro servidor.


Após o encontro dos diretores temporários com os servidores, o Correio tentou entrevistar Luiz Heleno, mas o diretor interino não quis falar sobre as críticas contra os indicados do governo e pediu que a reportagem procurasse a assessoria do órgão.

Questionada se a mobilização dos servidores tinha o objetivo de pleitear a manutenção dos diretores temporários no cargo, a assessoria respondeu que os interinos não fizeram isso para permanecerem nos respectivos postos, mas porque "acham que tem que ter gente da casa" na lista de indicados.


Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, os diretores interinos se reuniram com o secretário executivo do Ministério dos Transportes, Miguel Masella, e não com o ministro.

Eles afirmaram que não renunciarão às diretorias temporárias e ouviram do secretário executivo o compromisso de que servidores do Dnit serão nomeados para as coordenações-gerais.
O órgão tem 21 cargos dessa categoria.

Josie Jeronimo Correio Braziliense

"REPÚBLICA DA PROPINAGEM" : CONAB, R$22 milhões PARA LIBERAR PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA DE R$150 milhões .

A reunião em que teria sido proposta propina de R$22 milhões para funcionários da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) liberarem o pagamento de uma dívida de R$150 milhões à empresa Spam ocorreu em instalações da Infraero no Aeroporto de Brasília.

A informação é do advogado Antônio Carlos Simões, que revelou detalhes do esquema à revista "Veja". Ao GLOBO, ele afirmou que o encontro ocorreu numa das salas de reunião da Infraero, no terminal do aeroporto. E explicou que um outro representante da empresa foi quem organizou o encontro.

Simões afirmou que o advogado Domingos Flores Fleury da Rocha, que também atua no caso, a serviço da Spam, pediu que ele comparecesse à reunião, ocorrida no início de março, em sala no andar superior ao térreo.

Segundo Simões, Fleury, acompanhado de um homem que se apresentou como advogado da Conab, propôs o pagamento de um percentual sobre o valor da dívida para servidores da Conab.

- O doutor Fleury foi quem falou que tinham solicitado uma comissão de 15% para fazer o pagamento e que precisava da minha concordância - conta.

Simões explicou que o suposto representante da Conab, que foi descrito por ele como moreno, gordo e de estatura mediana, não se identificou.

Procurado, Fleury não se pronunciou ontem.
A Infraero informou que aluga salas a concessionários tanto em áreas restritas (de embarque) quanto nas de livre circulação.

Segundo a empresa, há a possibilidade de que os participantes do encontro tenham sido flagrados em locais de movimentação pública, mas as imagens só ficam guardadas por 30 dias.

O Globo

SÓ ONTEM, PERDAS : BOVESPA/R$174 bi - PETROBRAS/R$21,8 bi - GOVERNO/R$11 bi - VALE/R$20,86 bi - EIKE/R$7,421 bi/


Valor de mercado da Petrobras encolhe R$21,8 bilhões

Em apenas um dia, investidores que têm ações de empresas listadas no Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), perderam somados R$174 bilhões, segundo a base de dados consultoria Economatica.

Essa foi a perda de valor de mercado ontem dos 69 papéis de 63 empresas que compõem o índice, que caiu para R$2,202 trilhões.

O maior tombo foi da Petrobras.
A estatal perdeu em apenas um dia R$21,8 bilhões em valor de mercado. O governo federal tem quase a metade do capital social da companhia, o que significa que registrou uma "perda" de quase R$11 bilhões apenas ontem.

O segundo maior tombo foi da Vale.
A mineradora registrou um recuo no valor de mercado de R$20,86 bilhões com a queda nas ações.

O empresário Eike Batista, homem mais rico do Brasil, também perdeu uma parte de sua fortuna ontem. As empresas de seu conglomerado X - letra que batiza todas suas companhias - tiveram somadas perda de R$7,421 bilhões.

Eike tem cerca de dois terços do grupo EBX e registrou perdas pessoais na casa de R$4,9 bilhões. Mas, se não vendeu os papéis, nada o impede de recuperar o valor. Suas empresas listadas são OGX, MMX, MPX, LLX, Portx e OSX (Bruno Villas Bôas).

O Globo

agosto 08, 2011

CELEIRO DE FALCATRUAS. FALTA SABÃO E ESCOVÃO E SOBRA SALIVA.

Está para ser testada a real intenção da presidente da República de limpar a barra de seu governo.

O Ministério da Agricultura está se revelando um celeiro de irregularidades tão pródigo quanto a autoestrada da corrupção pavimentada na pasta dos Transportes.

Mas fica cada vez mais claro que a "faxina" anunciada há duas semanas por Dilma Rousseff não passa de mero golpe de marketing.

Neste fim de semana, pipocaram reportagens mostrando o descalabro que grassa na Agricultura. A mais incisiva foi publicada na revista Veja e resultou na demissão, ainda no sábado, do número 2 da pasta:
o secretário-executivo Milton Ortolan.

Homem de extrema confiança do ministro Wagner Rossi, com quem trabalha há 25 anos, ele caiu por ver seu nome associado à desenvolta atividade do lobista Júlio Fróes.

Mais uma vez, revelou-se a existência de práticas espúrias envolvendo a negociação de bens públicos em favor de interesses privados. No caso de Fróes, os aliados do petismo chegaram ao requinte de franquear sala, computador e secretária para que o lobista despachasse dentro do órgão - mais especificamente na sua Comissão de Licitação - e redigisse documentos oficiais em que o beneficiado era uma empresa representada por ele mesmo.

"Mesmo sem nenhum vínculo formal com a pasta, o lobista cuida dos processos de licitação, redige editais, escolhe empresas prestadoras de serviços - e, ao fim de cada trabalho bem-sucedido, distribui pacotes de dinheiro aos funcionários [do Ministério da Agricultura].

Em outras palavras, paga propina aos que o ajudam a tocar seus negócios escusos.
O lobista faz tudo isso com o conhecimento e o aval da cúpula do órgão. E, segundo suas próprias palavras, com a autorização de seu amigo, o ministro Wagner Rossi", sintetiza Veja.

Acossado por mais um fim de semana de denúncias deste calibre, o Planalto teve de sair a campo ontem para expressar, por meio de nota oficial, "confiança" na atuação de Rossi. É um mau sinal para o ministro: no início de julho, a mesma "confiança" foi manifestada pela presidente da República em relação a Alfredo Nascimento, que, dois dias depois, foi demitido do Ministério dos Transportes...

Assim como os Transportes, a pasta comandada por Wagner Rossi tem sua central de falcatruas: a Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. Seu orçamento de R$ 2,8 bilhões para este ano pode não ser tão vistoso quanto o do Dnit, com seus mais de R$ 17 bilhões, mas é suficiente para atiçar a sanha de corruptos e corruptores.

A Conab foi transformada num "cabide de empregos", esquadrinhado pela Folha de S.Paulo no domingo. Também O Globo mostrou que sobrenomes vistosos de próceres do PMDB e do PTB são comuns na lista de cargos do órgão distribuídos entre afilhados políticos e aliados - muitos dos quais sequer se dão o trabalho de dar expediente por lá.

Os descalabros na Conab datam da época em que o atual ministro da Agricultura comandava o órgão, entre junho de 2007 e março de 2010.

Para alimentar as bocas sedentas por cargos, cevadas pela estratégia de poder do PT, Wagner Rossi mais do que quadruplicou o número de cargos de confiança na empresa, que passaram de 6 para 26 no intervalo de menos de três anos.

Até presidente de time de futebol do interior paulista ganhou cargo lá.

Seguidas vezes, a associação de servidores da Conab alertou o Palácio do Planalto para a ocupação política da empresa, mas o máximo que a assessoria de Dilma fez foi remeter as denúncias para que o Ministério da Agricultura tomasse ciência delas.

Pôs o lobo para cuidar do galinheiro. Resta claro que, no feudo do PMDB e do PTB, o ímpeto da "faxina" da presidente parece não ter fôlego para prosperar.

O desdém da presidente da República por zelar pelo bem público contrasta com sua dedicação a detalhes insignificantes do dia a dia de governo. Já virou folclore em Brasília o afinco com que Dilma se lança a conferir listas de convidados, de passageiros de voos presidenciais e de ingredientes de menus servidos em solenidades.

Também viceja entre seus subordinados o incômodo por ver projetos importantes mantidos na gaveta em razão da demora da presidente em dar-lhes aval, como mostrou ontem O Estado de S.Paulo.

Igualmente inquietante é a forma deselegante com que Dilma trata os integrantes de sua equipe, desde ministros a assessores, de acordo com o que divulgou O Globo.

O que se tem de concreto é uma presidente atrapalhada com as lides cotidianas do mais importante cargo da República. Dilma dedica atenção demais ao que merece importância de menos.

Naquilo que realmente interessa - varrer a sujeira da corrupção para fora do aparelho estatal e punir corruptos e corruptores - suas intenções manifestas não correspondem aos fatos.

Neste governo, falta sabão e escovão e sobra saliva.

Fonte: ITV

Inflação de serviços supera IPCA e sobe 9,4% em 12 meses

A inflação dos serviços atingiu em julho o pior nível desde a implantação do regime de metas em 1999 ao registrar alta de 8,8% em 12 meses, sem levar em conta os preços da alimentação fora de casa.

Quando esse item é incluído, a inflação dos serviços sobe e atinge 9,4%. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 6,87%.


A desaceleração nos preços dos serviços entre junho e julho não animou os especialistas. A alta passou de 0,60% para 0,42% no período. Com a inclusão dos restaurantes, o recuo do índice foi de 0,55% para 0,52%.

"Já esperávamos uma pressão menor devido aos reajustes mais baixos em aluguéis, condomínios e serviços bancários", diz Thiago Carlos, da Link Investimentos.
"Mas creio que essa é uma retração pontual", afirma ele.


Para Thiago Curado, da Tendências Consultoria, a intensa demanda por serviços deve continuar no segundo semestre, o que manterá os preços pressionados. "Com o aumento esperado de 14% para o salário mínimo em 2012, os sindicatos terão fôlego para pedir aumentos reais", explica o economista, que prevê alta de 8,4% nos serviços em 2011, contra IPCA de 6,6%.

Arícia Martins e Francine De Lorenzo | De São Paulo Valor Econômico

" TODOS OS PARTIDOS TEM TELHADO DE VIDRO".


Desde que surgiu como um personagem central do escândalo do mensalão, em 2005, o ex-deputado federal Roberto Jefferson tornou-se uma espécie de especialista em esquemas de corrupção em Brasília.


Agora, mesmo sem mandato parlamentar, o presidente nacional do PTB está acompanhando de perto as denúncias sobre partidos da base aliada no governo Dilma Rousseff.

Com o know-how e a desenvoltura de quem já pontificou num escândalo histórico, ele diz não ver semelhança entre esses casos recentes e o mensalão. Em entrevista à ISTOÉ, Jefferson afirma que o PT "rompeu limites éticos", sendo o primeiro partido a usar a máquina pública para captar recursos.

"Hoje todos os partidos têm telhado de vidro", acredita. Para ele, que considera normal o "loteamento político", está fazendo falta uma certa etiqueta: "Não pode é pôr o partido dentro do ministério para captar."

O ex-deputado faz elogios à ação de limpeza da presidente Dilma(telhado?), mas garante que o PTB não quer nada em troca. "Vamos aju­dá-la a atravessar essa tempestade, sem pedir contrapartida."(sic)

Se demonstra boa vontade com a presidente, Jefferson fica exaltado ao falar sobre o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no STF. Tem certeza de que Barbosa pedirá sua condenação.

E desde já sai atirando:
"O Joaquim Barbosa não é um homem do Tribunal, ele quer aplauso em botequim." Apesar do ataque ao relator, o ex-deputado reconhece que cometeu delito eleitoral de caixa 2. Mas não aceita a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.


Istoé -O sr. acredita que essas denúncias que derrubaram a cúpula do Ministério dos Transportes são sinais de um novo mensalão?

Roberto Jefferson - Não. Aquele esquema que o PT montou para comprar apoio parlamentar morreu. Como o PT não queria dividir o poder com ninguém, preferia pagar para ter apoio nas votações. Com o PTB e os outros partidos a conversa era de aluguel mesmo. Já outra coisa era o João Paulo Cunha, que, sendo do PT, não precisava receber dinheiro para votar com o governo. Ele sacou do esquema do Marcos Valério para quitar dívidas de campanha. Hoje em dia a sociedade está mais atenta. No caso do PR, o mais provável é que o partido estava fazendo caixa.

Istoé -Para quê?

Roberto Jefferson - Pagando dívidas de campanha ou fazendo caixa para as eleições, pois não se ganha eleição neste país sem estrutura.

Istoé -E isso não é corrupção?

Roberto Jefferson - Não quero usar uma expressão tão violenta. É uma atitude mais pragmática. A Dilma já deixou claro que não compactua com esse tipo de ação política. Já o Lula era mais tolerante e o PT, mais condescendente. Dilma é diferente. Ela não suja a sacristia.

Istoé -Todo partido que ocupa um ministério faz o mesmo?

Roberto Jefferson - Bem, não posso dizer que todos fazem, mas a maioria faz. E sem cautela. É preciso entender que a relação de partidos com empreiteiras e outros agentes que compõem interesses do governo é algo natural. É assim que funciona o mundo. A questão é ter equilíbrio. Não pode é o deputado despachar de dentro do ministério. Isso é um equívoco absoluto.

Istoé -Se há loteamento político dos ministérios e estatais, qual é o limite dos partidos?

Roberto Jefferson - Se o empresário quer ajudar o partido, tudo bem, vai lá e faz a doação. Não pode é botar o partido dentro do ministério para captar. Há um limite ético que foi rompido lá atrás pelo PT. Hoje todos os partidos têm telhado de vidro. O PR errou porque perdeu a cautela. A presença do presidente de honra do partido, o deputado Valdemar Costa Neto, dentro do ministério presidindo licitação é uma burrice sem tamanho.

Istoé -Profissionalizar a gestão não é o ideal?

Roberto Jefferson - Claro que sim, mas sem tirar a política disso. Eu temo o discurso que a mídia está fazendo de só colocar técnico. Já foi assim na ditadura. Acontece que os burocratas também se corrompem e, às vezes, denunciam os políticos porque têm interesse no conflito.

Istoé -O financiamento público de campanha ajudaria a evitar esses esquemas de corrupção?

Roberto Jefferson - Financiamento público é um escândalo. Sou contra. Defendo é que se pare de bater no financiador privado, que hoje é visto como bandido. O doador privado tem presunção de culpa. É preciso entender que não existe almoço grátis, nem na relação entre marido e mulher. Manda a mulher negar amor ao marido durante um mês para ver se ele paga as contas dela!
(...)
Istoé -O PTB apoiaria uma CPI dos Transportes?

Roberto Jefferson - Nunca! Tenho horror a CPI. Só serve para politizar o fato. A CPI vai paralisar o governo da Dilma, vai fraturar a base de apoio, gerar ressentimentos e torná-la refém do PT. Ela precisa de apoio para governar, ou vai ficar nas mãos do PT.

Istoé -Mas, se a Polícia Federal não abre um inquérito, a CPI não seria uma saída para esclarecer as denúncias?

Roberto Jefferson - A PF não abre inquérito porque não tem elementos para isso. A própria Dilma já reconheceu que nem todos os demitidos são culpados. É preciso um fato jurídico relevante para que a PF investigue. Além disso, a Dilma não vai a lugar nenhum com um governo policial. O que ela precisa é de um novo articulador. Ela perdeu o Antônio Palocci, e nem a Gleisi Hoffmann ou a Ideli Salvatti são habilitadas para essa função. Falta um algodão entre cristais.

Istoé -Recentemente, a Procuradoria-Geral da República apresentou seu parecer final sobre o mensalão, pedindo a condenação de 26 réus. O sr. acredita no julgamento?

Roberto Jefferson - Penso que o processo está indo bem, apesar de o ministro-relator Joaquim Barbosa ter faltado muito e atrasado os trabalhos. Ele era o presidente do inquérito, mas faltava, faltava e faltava. Tanto que o STF se reuniu e falou para ele: "Volta a trabalhar ou fica no botequim." Ele faltava com dor de coluna, mas aparecia no botequim. E depois botava a culpa no processo democrático da defesa. Mas acho que agora está chegando a bom termo. O procurador-geral Roberto Gurgel apresentou suas alegações finais e as defesas estão agora fazendo as suas. Vai ter muita gente condenada.

Istoé -O sr. teme ser condenado?

Roberto Jefferson - Me preocupo por causa do Zé Dirceu, pois fui cassado para satisfazer um acordo entre o PSDB e o PT. Eles precisavam dar uma cabeça de cada lado. Cometi um delito eleitoral ao fazer caixa 2? Sim, e nunca neguei isso. Mas me acusar de corrupção e lavagem de dinheiro não tem fundamento. O problema é que a condenação criminal é moral, e isso não aceito. Até porque eu avisei os ministros do Lula um ano antes. Falei com o Miro Teixeira, o Ciro Gomes, o Aldo Rebelo...
(...)
Istoé - O sr. espera um julgamento técnico no Supremo?

Roberto Jefferson - Ah, espero sim. O problema é que tenho uma visão muito particular sobre o relator. Penso que ele não sentencia para o direito, mas joga para a galera. O Joaquim Barbosa não é um homem do Tribunal, ele quer aplauso em botequim. Ele se coloca acima dos demais ministros, como se fosse corregedor. Mas não acho que seja um grande jurista. Tenho para mim que foi para o STF na cota racial e não por notório saber jurídico. Quer ser político, atravesse a rua, inscreva-se num partido e vá disputar uma eleição. Fazer demagogia com sentença é golpe baixo.

Istoé -O sr. acha que o Lula sai candidato em 2014?

Roberto Jefferson - Penso que sim. E acho que a Dilma devia assumir isso. Dizer que não é candidata à reeleição e que seu compromisso é com a reforma eleitoral e a reforma tributária. Era uma maneira de ela se liberar dessas pressões pequenas, sem se render ao toma lá da cá da política.

Claudio Dantas Sequeira e Octávio Costa

ELES FABRICAM SINDICATOS! "SÃO GANGUES QUE SE APROPRIAM DOS RECURSOS DOS TRBALHADORES".

A trajetória do ex-jornaleiro Carlos Lupi, que virou presidente do PDT e ministro de Estado, é um exemplo do quanto a política e os movimentos sociais no Brasil são capazes de transformar a vida de um cidadão.

Foi a disciplinada militância de Lupi nos partidos e nos sindicatos que consolidou seu caminho até o Ministério do Trabalho.
E desde que assumiu a pasta, em 2007, Lupi, associado ao deputado federal Paulinho da Força (PDT), ainda teve fôlego para tornar-se personagem de um novo milagre:
o da multiplicação de sindicatos.

Em apenas três anos de sua gestão no Ministério, foram concedidos 1.457 registros sindicais e há outros 2.410 pedidos em trâmite na Secretaria de Relações do Trabalho.


Nos primeiros seis meses deste ano, o ministro autorizou o funcionamento de 182 entidades sindicais, tanto de trabalhadores como patronais. Ou seja, em média surge um novo sindicato a cada dia no Brasil.

Em vez de alta produtividade associativa, no entanto, parece haver uma situação de descontrole total na concessão de registros, como indicam uma avalanche de impugnações por parte de sindicatos históricos e o acúmulo de processos na Justiça do Trabalho.

Há sinais contundentes de que a fabricação de sindicatos, federações e confederações vem atendendo a interesses políticos e partidários, não apenas trabalhistas.

Denúncias, recebidas por ISTOÉ, indicam inclusive a existência de um balcão de negócios por trás da concessão das cartas sindicais, que chegariam a custar R$ 150 mil no mercado negro da burocracia federal.


A presidente da Federação Nacional dos Terapeutas (Fenate), Adeilde Marques, relata um episódio definitivo para revelar o tratamento diferenciado que estaria ocorrendo na burocracia federal.

Quem paga, segundo ela, vai para o topo da fila das concessões de cartas sindicais. Quem se recusa a entrar no esquema pode ficar esperando indefinidamente pelo registro.

Ela conta que, ao buscar a regularização da entidade junto ao Ministério do Trabalho, em Brasília, foi encaminhada ao escritório do sindicalista Miguel Salaberry, ligado à Social Democracia Sindical, hoje a nova central UGT, União Geral dos Trabalhadores.
"Me pediram R$ 5 mil para que a carta sindical saísse mais rápido", afirma.

Indignada, Adeilde pediu apoio da Força Sindical.
Foi pior.
Em conversa com o próprio presidente da central em Sergipe, Willian Roberto Cardoso Arditti, o "Roberto da Força", Adeilde foi informada de que a carta sindical poderia custar até R$ 40 mil.
"Eu me recusei a pagar", garante.


Roberto da Força é o mesmo personagem que aparece em denúncia da presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Nossa Senhora do Socorro, Edjane Silveira.

Ao Ministério Público Federal, ela disse que não quis pagar o pedágio e trocou a Força Sindical pela CUT.
Em retaliação, Roberto criou, com aprovação do Ministério, um clone do sindicato de Edjane com um nome quase idêntico: o Sindicato dos Servidores do Município de Nossa Senhora do Socorro (Sindispub).

No comando desse Sindispub clonado está Joanes Albuquerque de Lima, que também preside outros sindicatos locais da Força Sindical.

"Mesmo provando que o sindicato de Edjane já existia desde 2001, a Secretaria de Relações do Trabalho arquivou nosso processo de pedido de registro sindical", reclama o advogado João Carvalho.


Há uma coleção de casos estranhos.
Em São Paulo, o camelô José Artur Aguiar conseguiu fundar o Sindicato dos Trabalhadores em Casas Lotéricas, mesmo sem nunca ter trabalhado na atividade (o registro é contestado na Justiça).

Em outro episódio, o Sindicato de Empresas de Desmanche de Veículos (Sindidesmanche), entidade patronal ligada à Força, ganhou sua carta sindical apesar de seus dirigentes – Mario Antonio Rolim, Ronaldo Torres, Antonio Fogaça e Vitorio Benvenuti – também comandarem, na outra ponta, uma entidade de trabalhadores, o Sintseve, que reúne inspetores técnicos em segurança veicular.
O objetivo da multiplicação de entidades não é difícil de entender.


MANIFESTAÇÃO
Nesta semana, a Força Sindical reuniu 17 mil pessoas
em São Paulo para pedir redução da jornada de trabalho

Sindicalistas brigam para pôr as mãos na contribuição sindical dos trabalhadores.
Só em 2010, R$ 1,2 bilhão foi arrecadado, sendo que 60% da bolada parou nos cofres dos sindicatos,
15% nas federações,
5% nas confederações
e 10% nas centrais de trabalhadores.


A criação de sindicatos clones é a maneira mais rápida de decidir a parada.

Quando reconhece um novo sindicato, o Ministério do Trabalho fornece o código que permitirá à entidade ter acesso a uma conta-corrente na Caixa Econômica em que serão depositados os recursos do imposto sindical recolhido daquela categoria. Automaticamente, então, o novo sindicato passa a ser dono do cofre.

O sindicalista Raimundo Miquilino da Cunha, presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, tem um bom exemplo de como funciona a clonagem oficial de entidades.

A federação comandada por ele, fundada há quase 30 anos, tem 24 sindicatos e representava cerca de 400 mil trabalhadores, a maioria frentistas.

Este contingente acabou abocanhado pela Força Sindical a partir da criação de sindicatos estaduais de frentistas. A tarefa de multiplicação coube a Antonio Porcino, dirigente da Força e ex-prefeito de Itaporanga (PB).

Ele criou o Sindicato dos Empregados em Postos de Serviço de Combustíveis e Derivados de Petróleo de São Paulo, depois ajudou a fundar sindicatos de frentistas em vários Estados, inclusive no Rio de Janeiro.

"O Lupi participou da inauguração do sindicato dos frentistas no Rio antes que a certidão sindical fosse publicada no "Diário Oficial" ", acusa Miquilino da Cunha.


O esquema que permite a clonagem e o fatiamento de entidades sindicais começou em 2008, a partir da Portaria 186, que estabeleceu novas regras para o registro sindical.

O texto tinha por princípio combater a unicidade sindical nas entidades de grau superior (federações e confederações), mas acabou retalhando o movimento sindical e servindo aos interesses da Força e do PDT.

A Secretaria de Relações do Trabalho, responsável pela concessão das cartas sindicais, foi comandada até o ano passado por Luiz Antonio de Medeiros, que deixou o posto para concorrer nas eleições.


Mesmo fora da pasta, ele continua operando por intermédio da técnica Zilmara Alencar e de seu chefe de gabinete, o delegado aposentado Eudes Carneiro, que representa Lupi em reuniões sindicais e inaugurações de entidades.
Carneiro é tesoureiro do Sindicato Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Sindepol).

Questionado por ISTOÉ, Lupi negou que haja interferência política na liberação dos registros. "O papel do ministério é de mediação", diz ele.
Na opinião do ministro, a Portaria 186 "democratizou" o movimento sindical.


Não é o que pensam outros históricos sindicalistas como o ex-governador gaúcho Olívio Dutra. Para ele, a política de Lupi não passa de um "democratismo sindical", que estaria "estilhaçando a representação dos trabalhadores e favorecendo barbaridades".

Claudio Dantas Sequeira Isto é