"Um povo livre sabe que é responsável pelos atos do seu governo. A vida pública de uma nação não é um simples espelho do povo. Deve ser o fórum de sua autoeducação política. Um povo que pretenda ser livre não pode jamais permanecer complacente face a erros e falhas. Impõe-se a recíproca autoeducação de governantes e governados. Em meio a todas as mudanças, mantém-se uma constante: a obrigação de criar e conservar uma vida penetrada de liberdade política."

Karl Jaspers

julho 14, 2011

O VELHO DITADO : " AQUILO QUE O GATO ENTERRA, QUANTO MAIS MEXE MAIS FEDE". PROSPERIDADE NA ERA PAGOT.

Alvo de investigações do Ministério Público Eleitoral e da Procuradoria da República em Mato Grosso, a Cavalca Engenharia e Construções aumentou 1.000% em um ano o valor dos contratos com o governo federal.

A empreiteira faz parte do grupo Cavalca, que doou mais de R$ 500 mil para campanhas eleitorais no ano passado, sendo R$ 300 mil só para o senador Blairo Maggi (PR-MT).

Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostram que em 2009 a empreiteira do Paraná faturou R$ 6,6 milhões do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), sob o comando de Luiz Antônio Pagot, para tocar obras em diversas rodovias federais.

Em 2010, foram mais de R$ 72 milhões.
Os projetos apresentam indícios de superfaturamento, irregularidades na licença ambiental e subcontratações. Este ano, a empresa já recebeu R$ 13,8 milhões.

A Cavalca Construções e Mineração foi fundada em 1986 em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, terra natal de Maggi.
A cidade já foi administrada pelo pai de Pagot.


Tanto Blairo quanto Pagot mantêm uma relação próxima com o município e com a família Cavalca, dona do grupo, que inclui outras três empresas. Entre elas, a Moinho Iguaçu, de recepção e comercialização de grãos.

A empreiteira começou a atuar em Mato Grosso em 2003, ano em que Maggi assumiu o governo do estado e Pagot, a Secretaria Estadual de Infraestrutura. Com um capital de R$ 20 mil, a empresa está registrada, de acordo com a Junta Comercial, em nome de Arlindo Cavalca Filho, Arlindo Mose Filho e a A A Cavalca Administração de Bens Próprios e Participações.

Cinco anos depois, em 2008, após Pagot assumir a direção do Dnit, a família Cavalca registrou outra empresa no estado, a CLC Locações e Construções, com um capital de R$ 10 mil.

A CLC detém 99% do capital da empresa paranaense, partilhado entre os consórcios Rio Vermelho, Gaissler e Cavalca, Agrimat e Lotufo. A última está registrada em nome do ex-tesoureiro da campanha de Maggi Mauro Carvalho, também do PR.

O Tribunal de Contas da União identificou superfaturamento de R$ 3,3 milhões em obras da BR-364, em Mato Grosso.
Os técnicos afirmam que os materiais usados pela empresa são de fornecedores de Cuiabá, e não de Betim (MG), como prevê o projeto básico.


“Dessa forma, o orçamento contratado apresenta sobrepreço nos serviços de transporte de materiais betuminosos. Essa diferença na distância de transporte importa em superfaturamento dos valores pagos”, atesta.

Outra auditoria do tribunal aponta aditivo de R$ 5,4 milhões em contrato para a recuperação da BR-020, no Ceará. Segundo auditores, o valor da planilha mudou de R$ 6,3 milhões para R$ 11,7 milhões sem justificativa.

Entre os beneficiários das doações do grupo Cavalca estão, também, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e o atual governador de Mato Grosso, Silval da Cunha.

Público
A reportagem procurou o grupo Cavalca, mas nenhum representante retornou as ligações. O senador Blairo Maggi (PR-MT) afirmou que “a informação sobre doadores de campanha é pública e foi aprovada pelo TRE. Não tenho nada que esconder”.

Já a ministra Gleisi Hoffmann informou que não conhece os donos da Cavalca e que também não tinha conhecimento de denúncias envolvendo as empresas.
A assessoria de imprensa do Dnit não retornou o contato do Correio.
Ontem, os servidores do órgão fizeram uma paralisação.


Alana Rizzo e Tiago Pariz Correio Braziliense

EMPREITEIRAS AMIGAS . OS "MEANDROS" DO PR NO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES.

As empreiteiras que têm contratos com o Ministério dos Transportes abasteceram 77% dos cofres de campanha do PR nas eleições de 2010.

O partido comanda a pasta desde 2003.
Se não fosse o financiamento das construtoras que realizam obras rodoviárias com recursos do ministério, o PR teria sido contemplado com apenas R$ 6,3 milhões do total de R$ 27,5 milhões que formaram a receita do diretório nacional em 2010.

O PR é o único partido que se mantém, majoritariamente, com recursos de empresas que prestam serviços ao ministério, chefiado pela própria legenda.

Partidos de maior cacife na Esplanada, como PT e PMDB, receberam quantias bem menores, proporcionalmente ao montante de receita de construtoras relacionadas ao Ministério dos Transportes e, consequentemente, ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).


Dos R$ 130 milhões que financiaram o Diretório Nacional do PT nas eleições do ano passado, R$ 38 milhões (29%) foram destinados por construtoras que realizam obras pagas com orçamento do Ministério dos Transportes.

No caso do PMDB, principal legenda aliada ao Planalto, mas que também não tem força na pasta comandada pelo PR, 48% dos recursos recebidos no pleito de 2010 vieram de construtoras que têm vínculo com o ministério.


A crise que atingiu o partido após a substituição de Alfredo Nascimento por Paulo Sérgio Passos no comando do ministério ligou o sistema de alerta na cúpula, que já se preocupa com o desempenho da legenda nas eleições de 2012.
Em 2009, o partido ampliou a bancada, ao receber sete deputados.

Correligionários do presidente do PR, deputado Valdemar Costa Neto, temem que o partido possa não continuar tão atrativo com a perda de comando do ministério e que haja uma debandada se a legenda decidir romper com o governo rumo à oposição.


Isso porque os parlamentares que optaram por mudar de partido para se posicionar no PR são contemplados, direta e indiretamente, pela verba das empreiteiras. Dos sete deputados que trocaram de legenda e desembarcaram no Partido da República entre os pleitos de 2006 e 2010, cinco aumentaram as receitas eleitorais.

Os outros dois só não estão na lista dos beneficiados porque não concorreram no ano passado. O deputado pelo Maranhão Davi Alves Silva Júnior, por exemplo, trocou o PDT pelo PR em 2009 e viu sua receita eleitoral aumentar sete vezes em 2010.

Ele recebeu R$ 81 mil em 2006 na disputa para uma vaga na Câmara, enquanto no ano passado foi contemplado com R$ 638 mil. Dessa quantia, R$ 608 mil foram repassados pelo diretório nacional do PR ao então candidato.
O parlamentar não foi localizado pela reportagem
.


Outro lado
O PR informou, por meio da assessoria, que não comenta contratos de receitas com o ministério. O partido alega que não discrimina empresas pela natureza ou clientela ou se ela presta serviços ao único ministério chefiado pela pasta.

Na avaliação do PR, a tendência da legenda é crescer nos próximos anos e não existe razão para identificar qualquer processo de redução. Membros da sigla avaliam ainda que o partido vem crescendo desde 2002, quando sequer tinha representação na Esplanada.


Josie Jeronimo e Leandro Kleber Correio Braziliense

julho 13, 2011

Ibovespa sente a crise europeia e cai 14,7% no ano e vai aos 59.704 pontos, primeira vez desde maio de 2010


O gráfico abaixo mostra os efeitos da crise euopeia sobre a bolsa brasileira. No ano, a queda chega a 14,7%, e hoje pela primeira vez desde maio de 2010 o fechamento ficou abaixo de 60 mil, aos 59.704 pontos.

Desde 4 de novembro, quando bateu o recorde de 72.995 pontos, a queda chega a 18,2%.

Pesou no final do pregão o relatório da Moodys que rebaixou a dívida irlandesa para grau especulativo. A agência disse que a proposta de reestruturação da dívida grega aumenta a desconfiança sobre Irlanda e Portugal porque a ideia poderá se estender também para os dois países.

As agências de risco entendem que reestruturar a dívida é dar calote porque o pagamento não acontecerá nos prazos acordados.

Ibovespa


Alvaro Gribel/O Globo

NAS NUVENS : A AGÊNCIA(ANTT) É TERRESTRE JÁ A PESQUISA DE R$ 55,2 milhões ... ????

Mesmo em Brasília, onde gastos com transportes nunca são modestos, chama a atenção o custo de uma pesquisa que a Agência Nacional de Transportes Terrestres encomendou à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Foram R$ 55,2 milhões para um estudo sobre o transporte interestadual de passageiros. Com esse dinheiro, seria possível adquirir 250 ônibus zero-quilômetro.

Vamos combinar/Época

A EUFORIA, A CRISE MUNDIAL E A AUSÊNCIA DE PRECAUÇÃO.


Uma crise financeira mundial pode ser considerada um câncer cujas metástases se manifestam por muito tempo, se não for estirpado o núcleo e suas infiltrações. O presidente Lula considerou-a, inicialmente, produtora de simples "marolinha" no Atlântico Sul.

Posteriormente, foi obrigado a levá-la a sério, porém tão logo o Federal Reserve (Fed, banco central americano) socorreu o sistema bancário americano, assumiu que o câncer havia sido debelado. A presidente Dilma parece ter a mesma postura e o Brasil continua sem salvaguardas (sequer são discutidas) contra as metástases.

Na zona do euro, a doença progride de forma inexorável. Irlanda, Grécia e Portugal já foram indicados para uma "Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)". A progressão já ameaçou a Espanha e, agora, a Itália parece estar sendo atingida.

Toda a Europa está amedrontada e perplexa em relação ao modo de enfrentar a crise; França, Alemanha e Grã Bretanha apresentam propostas pouco convergentes.

No Brasil, persiste uma euforia quase ininteligível. Sofremos com a crise e, apesar da recuperação parcial, não conseguimos sequer igualar-nos ao desempenho da Argentina, que cresceu mais que o Brasil. Cada vez mais assumimos a configuração econômica de país exportador de alimentos e matérias primas. Ressurgiu o discurso de "Brasil celeiro do mundo", que se nutrirá exportando alimentos para saciar a fome do mundo.

Essa autodenominação é retórica, pois existem milhões de famílias brasileiras com fome e péssima qualidade de vida. O Brasil deveria se preocupar, em primeiro lugar, com a boa alimentação dos brasileiros. Seria uma medida elementar restaurar o imposto de exportação sobre alimentos; com esse imposto, poderíamos desfrutar dos altos preços internacionais e praticar internamente preços em real menores, favorecendo os consumidores nacionais.

Hoje, 80% da população é urbana e compra alimentos referenciados a taxa cambial do dólar. O governo brasileiro não tem mais estoques reguladores de suprimento interno de alimentos; quem deles dispõe são empresas que, quando monopólicas, desfrutam de vantagens excessivas. Aliás, essa é a razão do Banco Central praticar a política de juros elevados, pois dessa forma atrai capitais especulativos do exterior e valoriza o real.

Apesar da recuperação parcial, não conseguimos igualar-nos ao resultado da Argentina, que cresceu mais que o Brasil

A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária. A valorização sustentada do real reduz o preço dos produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação) o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É extremamente perversa a repercussão da hipervalorização do real sobre a atividade econômica interna.

Empresas que dominam fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados que o Brasil produzia e domina a tecnologia.

Há um silêncio sobre o s custos, a longo prazo, desse padrão de política anti-inflacionária. As reservas internacionais brasileiras crescem, porém o Banco Central (BC), gestor dessas reservas, as constitui emitindo Títulos de dívida do Tesouro. O povo brasileiro paga a taxa Selic por essa dívida e o BC recebe uma ínfima remuneração da reserva que aplica em papéis do Tesouro americano.

Esse é um buraco sem fundo, que recolhe impostos e paga juros. Parcela significativa dos impostos e contribuições se alimentam do superávit primário e, sendo insuficientes, engendram novas emissões de títulos de dívida do Tesouro brasileiro.

Em tempo: são mantidas as indexações das principais tarifas de serviços públicos e, indiretamente, via sistema bancário, há uma proteção (pelo menos parcial) do caixa das empresas. Os bancos remuneram os depósitos à vista com parcela dos juros que recebem dos Títulos de dívida pública.

Simultaneamente a essa "política anti-inflacionária", que mutila o investimento público e orienta as empresas para especulações financeiras, as famílias são induzidas a se endividarem a longo prazo não para comprar a moradia, mas com eletrodomésticos, móveis, veículos, etc.

Em uma economia pouco dinâmica, que admite a destruição de empregos e sacrifica o crescimento econômico em nome da estabilização, o endividamento familiar cria uma perigosa bolha cuja manifestação mais evidente é a inadimplência das famílias. Em junho o recorde na taxa de inadimplência reproduziu o cenário de nove anos atrás.

A crescente inadimplência familiar é, em curto prazo, o efeito combinado da alta da taxa de juros com a elevação do IOF. Em longo prazo, a estagnação e o medíocre crescimento continuarão a produzir inadimplência e assistiremos a consolidação de duas tendências inquietantes: pela primeira, nossa juventude sem esperança lança seu olhar para o resto do mundo e emigra; pela segunda, uns poucos grupos brasileiros bem sucedidos passarão a adquirir empresas em outros países.

A defesa do nível de atividade da economia, mediante um modelo "Casas Bahia", não é sustentável a longo prazo. Após um longo período, em que a frota de veículos cresceu 9% ao ano e foi implantado o congestionamento como padrão urbano brasileiro, com elevação de acidentes rodoviários, no momento os pátios das montadoras estão lotados e serão concedidas férias coletivas.

É difícil imaginar o Brasil exportando crescentemente veículos; é visível o aumento de carros importados do exterior.

É assustadora a ausência de discussão sobre salvaguardas e sobre a retomada de um padrão de desenvolvimento nacional que gere empregos e renda para os jovens.

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES; escreve mensalmente às quartas-feiras.

COPA DA BARGANHA.

Insatisfeito com a presidente Dilma Rousseff, o PR da Câmara conseguiu um espaço para atrapalhar os planos do governo, caso as relações se compliquem ainda mais.

A Comissão de Orçamento aprovou um requerimento de criação de um grupo de fiscalização dos gastos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O assunto vinha sendo discutido havia semanas e somente ontem, por pressão da sigla, a proposta foi aprovada.

A ideia é que o grupo tenha acesso semanalmente a dados sobre a execução das obras, detalhes de repasses feitos pelas empreiteiras e mantenha diálogo constante com o Tribunal de Contas da União (TCU). "Nossa ideia é acompanhar bem de perto esse assunto e exercer nosso papel de fiscais", comenta o autor do requerimento, Wellington Roberto (PR-PB).

"Esses gastos precisam ser acompanhados de perto. Ainda mais depois da aprovação desse Regime Diferenciado de Contratações, que tem alguns trechos que me preocupam muito", completa Edson Giroto (PR-MS).

A pressão do PR pela aprovação do grupo de trabalho — apesar de já existir um Comitê de Fiscalização e Controle Orçamentário dentro da comissão — foi interpretada por governistas como uma estratégia para aumentar o espaço e a importância da legenda no parlamento.

A ideia no entanto, desagradou o PSDB, que teme a redução das atribuições do comitê já existente, que é comandado pelo deputado Vaz de Lima (PSDB-SP). O tucano vinha se preparando para intensificar o controle desses gastos e reagiu à manobra do PR.

A discussão sobre o assunto foi feita em um clima tenso, que teve troca de acusações e bate-boca entre integrantes dos partidos. A oposição tentou obstruir a sessão, mas foi derrotada pela maioria.

Izabelle Torres Correio Braziliense

O DINHEIRODUTO DO BNDES .

A veemente rejeição da proposta de megafusão entre o Grupo Pão de Açúcar e os Supermercados Carrefour pelo sócio preferencial, o grupo francês Casino, joga novo foco de luz na atuação do BNDES, especialmente no açodamento com que havia aprovado e recomendado o projeto.

Baseado em avaliação de cinco bancos e consultorias de peso (Santander, Goldman Sachs, Messier-Maris, Rothschild e Merril Lynch), o Grupo Casino torpedeou, nesta terça-feira, a iniciativa do presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abilio Diniz.

A partir do relato do correspondente Andrei Netto, ficamos sabendo que o Conselho de Administração do Grupo Casino definiu o projeto da megafusão como "contrário aos interesses dos acionistas, baseado numa estratégia errada e em estimativas de sinergias fortemente superdimensionadas".

Depois de proclamar sucessivamente que o negócio é "de interesse nacional", "bom para todos" e "bom para o Pão de Açúcar", o empresário Abilio Diniz teve de ouvir dos membros do Conselho de Administração do sócio francês, reunidos em Paris, que sua proposta não é boa nem mesmo para o Pão de Açúcar.

Ficou dito, também, que um investimento em ações do Carrefour é "arriscado, em razão das dúvidas expressas pelos mercados sobre sua estratégia".

Apoiado apenas em uma sigla de luz própria relativamente baixa, a do BTG Pactual, especializado em hospitalização de empresas em fase terminal, Abilio tentou arrastar o BNDES para a sua parada.
Seu vice-presidente, João Carlos Ferraz, acorreu pressuroso, reconhecendo imediatamente nesse arranjo um interesse estratégico e uma fonte de criação de valor – ambos duvidosos.


E aparentemente estaria disposto a despejar mais de R$ 4 bilhões em vitamina pública no projeto, não fosse a inesperada (para eles) reação da sociedade contra a chancela oficial de uma disputa entre grupos privados pelo controle acionário de uma rede de varejo.

Felizmente, evocando "seu compromisso com a estrita observância das leis e dos contratos, baseado em rigorosos princípios de ética", o BNDES avisou oficialmente que ficaria de fora do negócio, enquanto esse não obtivesse o entendimento entre seus acionistas.

E, não obstante a obstinação do agora isolado empresário Abilio Diniz em manter de pé seu plano, o desfecho da reunião de Paris mostra que esse acordo ficou difícil.

Mas o provável fracasso da armação não absolve o BNDES, cuja atuação começa a ser cada vez mais contestada.
O mesmo serve para o governo federal, que sustenta a máquina de favorecimentos com verbas não orçamentárias, graças ao uso do dinheiroduto instalado em ligação direta entre o BNDES e o Tesouro.


Também não absolve o Banco Central.
O BNDES pode alcançar, em 2011, a marca de R$ 300 bilhões em financiamentos a seus eleitos ao longo dos anos, subsidiados, bem abaixo dos juros primários (Selic). Assim, boicota a política monetária, que deve agir principalmente sobre canais de crédito.

Porém, até agora, o Banco Central foi incapaz de denunciar os rombos provocados pelo BNDES no sistema vascular do plano de metas de inflação.

O provável desmanche do projeto da megafusão também não absolve a oposição, que não está sendo capaz de denunciar o mau uso do BNDES, neste governo e no anterior. Essa é uma oposição sem discurso e que, hoje, não passa de um enorme apagão político

Celso Ming/ESTADÃO

TRISTEZA DE CROCODILO E CONFUSÃO MENTAL : "PRESIDENTA?" FICA "TRISTE" QUANDO ACONTECE ALGUMA COISA RUIM NO (DES)"GOVERNO".


A presidente Dilma Rousseff reconheceu hoje em Francisco Beltrão, sudoeste do Paraná, que "tem dias em que eu fico triste" com as coisas que acontecem no governo. Ela dizia dos momentos de alegria e de tristeza no governo.

Os momentos de alegria, ela se referia ao fato do neto estar engatinhando, mas sobre os momentos de tristeza que vem vivendo "quando acontece alguma coisa errada no governo", mas não deu maiores detalhes,
mesmo quando o reporter de uma rádio local insistiu para que ela falasse mais sobre esses momentos tristes.

ENGANANDO TROUXAS, AOS TRANCOS E BARRANCOS VERBAIS :

- Uai, quando as coisas... quando acontece alguma coisa errada no governo, eu fico triste - respondeu a presidente, que ainda completou:

Fico (triste).

Todo mundo pode perceber que a gente, num governo, tem muitas dificuldades. Agora, eu acho que hoje o Brasil dá mais motivo de alegria do que de tristeza, quando a gente percebe que o Brasil é outro país.

É outro país, e até a gente sente isso quando você vai para o exterior e vê a reação das pessoas ao que é o Brasil. O Brasil hoje é um país... é uma das poucas economias do mundo que está crescendo.

Você tem hoje uma crise, na Europa, que está em tudo quanto é jornal, não é? Não é só a Grécia. Agora estão falando que está a Itália, também, ameaçada de ter problemas sérios. Mas não é só isso. Você vê os Estados Unidos. Os Estados Unidos... estava todo o mundo esperando que eles gerassem 180 mil empregos nesse mês que passou. Geraram 18 mil empregos.

E nós não. Nós estamos mantendo uma taxa de geração de emprego elevada: mais de 250 mil empregos nós temos gerado. E vamos gerar... espero fechar este ano com algo muito... com uma geração muito expressiva: acima de 1,8 milhão, que é o cálculo.

Eu estou até sendo conservadora, porque tem gente falando que pode dar mais. Então, eu acho que o Brasil é mais objeto de alegria do que de tristeza.


(opais@oglobo.com.br)